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3 de out. de 2016

o caso de ferdinand lassalle



outro clássico do direito é o texto do famoso discurso que ferdinand lassalle apresentou em 1862, über verfassungswesen. o opúsculo foi inicialmente lançado entre nós pela edições e publicações brasil em 1933, com o título de que é uma constituição?, em tradução de walther stönner a partir da tradução em espanhol de 1931 (que és una constitución?). a tradução de stönner, devidamente creditada, é relançada em 1969 pela laemmert e a partir de 1985 pela liber juris (nesta editora, o título passa a ser a essência da constituição).

em 2005, a russell, editora campineira de livros jurídicos, publica o que é uma constituição, com tradução em nome de ricardo rodrigues gama, tendo diversas reedições em formato livro e ebook.

todavia, se compararmos a introdução da obra, sentimos dificuldade em escapar à impressão de que o texto publicado em nome de ricardo rodrigues gama, à exceção de três ou quatro pequeninos detalhes, reproduz fielmente a antiga tradução de walter stönner,


walther stönner, 1933:



ricardo rodrigues gama, 2005:



já mencionei o caso de a luta pelo direito de rudof von ihering, onde se constata uma bizarra identidade entre a antiga tradução de tavares bastos (1909) e a atribuída a ricardo rodrigues gama, publicada em 2004 também pela editora russell (ver aqui). comentei ainda um curioso enigma referente a arte do do direito, de francesco carnelutti, envolvendo a mesma editora e o mesmo dito tradutor, e que está por ser deslindado (ver aqui).

não tenho muita certeza se tais procedimentos poderiam ser incluídos entre as boas práticas do direito - e, afinal, quem sou eu para julgar? mas fiquem aqui registradas essas ocorrências.

18 de abr. de 2016

arte do direito

o famoso jurista italiano francesco carnelutti escreveu em espanhol seu pequeno clássico chamado arte del derecho, publicado em 1948. somente em 1949 é que sai sua versão em italiano, arte del diritto.



em 1957, a soteropolitana livraria progresso editora publica a arte do direito na tradução de manuel pinto de aguiar (agradeço a imagem de capa a saulo von randow júnior).


em 2001 a obra volta a ser publicada entre nós, em duas traduções diferentes, a de hebe caletti marenco,* pela extinta edicamp, de campinas, e a de ricardo rodrigues gama, pela editora bookseller, também de campinas. ambas conheceram algumas reimpressões e reedições.



o curioso é que, em 2005, a bookseller substitui a tradução de ricardo rodrigues gama por outra, em nome de paolo capitanio, acrescentando o artigo "a": a arte do direito. a tradução de gama, por sua vez, a partir de 2006 passa a ser publicada por uma terceira editora campineira, a russell. também nestes dois casos, ambas conheceram algumas reimpressões e reedições, sendo a mais recente a edição digital da russell em 2013.



ora, é no mínimo surpreendente constatar a absoluta identidade entre a tradução de ricardo rodrigues gama e a de paolo capitanio, inclusive em suas frases atrozes e às vezes até ininteligíveis. veja-se abaixo (para a tradução de gama, sigo a edição digital de 2013):


ricardo rodrigues gama:
Finalmente adverti que estudar o direito e a arte significa atacar a partir dos dois lados diversos o mesmo problema. Por desconcertante que seja esta afirmação, chegou para mim o momento de fazê-lo. O mesmo problema, digo, conforme o perfil da função e a estrutura.

A arte, como o direito, serve para ordenar o mundo. O direito, como a arte, tem uma ponte do passado para o futuro. O pintor, quando escrutava o rosto de minha mãe para pintar o retrato que, mais que qualquer outra obra, mostrou-me o segredo da arte, não fazendo mais do que adivinhar. E o juiz, quando escruta no rosto do acusado a verdade de sua vida para saber o que a sociedade deve fazer dele, não faz mais do que adivinhar. A dificuldade e a nobreza, o tormento e o consolo do direito, como da arte, não podem representar-se melhor do que com essa palavra! Adivinhar indica a necessidade e a impossibilidade do homem ver o que vê somente Deus.

Embora eu sinta profundamente a verdade dessa ideia, não me ocultam as dificuldades assim como os perigos, que apresenta sua explicação. Mas dificuldades e perigos fazem-me sempre tentado. E me seduz, ante tudo, o desejo de dedicar aos juristas da América Latina e a suas Faculdades de direito (de onde nossos irmãos de que, nós europeus, continuamos chamando de novo mundo, unem-se com forças juvenis a nosso antigo trabalho) algumas páginas, que me há inspirado a eterna formosura do direito.

* * *
Peço desculpas pelo atrevimento de haver escrito estas páginas em espanhol, embora quase não conheça o idioma de Dom Quixote, sujeitando o manuscrito somente às correções ortográficas e gramaticais.

Há duas razões para esta temeridade. A primeira se refere ao perigo da tradução. Por imensas que sejam as condições e o cuidado do tradutor, uma perda da força expressiva é inevitável como uma dispersão na transformação da energia. Embora o estilo deste livrinho desgraçadamente não possa ser o de um espanhol, contudo, é o meu estilo.

Isto é verdade, mas não toda a verdade. Devo insistir, sob pena de não ser sincero, que havendo começado a escrever em espanhol por exercício e continuado por prazer. Algo semelhante ocorreu-me quando, encontrava-me refugiado na Suíça, em 1944, escrevi La Guerre e la Paixs [sic]. Não se pode contar facilmente tal aventura. Sente-se como uma expansão da personalidade. Milagre da palavra! Não tão somente se fala sem pensar senão que não podemos pensar mais que falando. Enquanto não se encarna, o pensamento não é tal pensamento. Pois não tanto se fala quando se pensa espanhol. Agora quem conhece a voluptuosidade do pensar compreende a tentação.

Posto que não soube resistir, pequei. E para apagar o pecado não há mais que dois meios: a pena e o perdão.

paolo capitanio:
Finalmente adverti que estudar o direito e a arte significa atacar a partir dos dois lados diversos o mesmo problema. Por desconcertante que seja esta afirmação, chegou para mim o momento de fazê-lo. O mesmo problema, digo, conforme o perfil da função e a estrutura.
A arte, como o direito, serve para ordenar o mundo. O direito, como a arte, tem uma ponte do passado para o futuro. O pintor, quando escrutava o rosto de minha mãe para pintar o retrato que, mais que qualquer outra obra, mostrou-me o segredo da arte, não fazendo mais do que adivinhar. E o juiz, quando escruta no rosto do acusado a verdade de sua vida para saber o que a sociedade deve fazer dele, não faz mais do que adivinhar. A dificuldade e a nobreza, o tormento e o consolo do direito, como da arte, não podem representar-se melhor do que com essa palavra! Adivinhar indica a necessidade e a impossibilidade do homem ver o que vê somente Deus.

Embora eu sinta profundamente a verdade dessa ideia, não me ocultam as dificuldades assim como os perigos, que apresenta sua explicação. Mas dificuldades e perigos fazem-me sempre tentado. E me seduz, ante tudo, o desejo de dedicar aos juristas da América Latina e a suas Faculdades de Direito (de onde nossos irmãos de que, nós europeus, continuamos chamando de novo mundo, unem-se com forças juvenis a nosso antigo trabalho) algumas páginas, que me tem inspirado a eterna formosura do direito.

* * *
Peço desculpas pelo atrevimento de haver escrito estas páginas em espanhol, embora quase não conheça o idioma de Don Quijote, sujeitando o manuscrito somente às correções ortográficas e gramaticais.

Há duas razões para esta temeridade. A primeira se refere ao perigo da tradução. Por imensas que sejam as condições e o cuidado do tradutor, uma perda da força expressiva é inevitável como uma dispersão na transformação da energia. Embora o estilo deste livrinho desgraçadamente não possa ser o de um espanhol, contudo, é o meu estilo.

Isto é verdade, mas não toda a verdade. Devo insistir, sob pena de não ser sincero, que havendo começado a escrever em espanhol por exercício e continuado por prazer. Algo semelhante ocorreu-me quando, encontrava-me refugiado na Suíça, em 1944, escrevi La Guerre e la Paixs [sic]. Não se pode contar facilmente tal aventura. Sente-se como uma expansão da personalidade. Milagre da palavra! Não tão somente se fala sem pensar senão que não podemos pensar mais que falando. Enquanto não se encarna, o pensamento não é tal pensamento. Pois não tanto se fala quando se pensa espanhol. Agora quem conhece a voluptuosidade do pensar compreende a tentação.

Posto que não soube resistir, pequei. E para apagar o pecado não há mais que dois meios: a pena e o perdão.

já mencionei o caso de a luta pelo direito de rudof von ihering, onde se constata uma bizarra identidade entre a antiga tradução de tavares bastos (1909) e a atribuída a ricardo rodrigues da gama, publicada em 2004 pela editora russell (ver aqui). no caso presente de arte do direito, se a tradução de gama lançada pela russell em e-book em 2013 for a mesma que a bookseller publicou em 2001, teríamos aí que a atribuição de sua autoria a paolo capitanio, em 2005, é que é indevida. 

outro aspecto a ser considerado é que ambos, além de serem autores de obra jurídica própria, constam como tradutores de vários textos relacionados ao direito, além deste de carnelutti. quase inevitavelmente, o leitor fica a se indagar sobre a possibilidade de eventuais outras irregularidades no que tange às traduções publicadas em seus nomes, tanto pela bookseller quanto pela russell.





em tempo: apenas para concluir a listagem das traduções brasileiras de arte do direito, cabe assinalar a edição da pillares em tradução de amilcare carletti, em 2007.







*diga-se de passagem que hebe marenco, em outra ocasião, sofreu apropriação indevida de sua tradução de metodologia jurídica, de savigny, publicada pela edicamp em 2001. veja aqui.

16 de abr. de 2016

a luta pelo direito




a mais recente edição brasileira do clássico das letras jurídicas, a luta pelo direito, de rudolf von ihering, lançada pela editora russell em versão impressa em 2004 e em e-book em 2013, em tradução atribuída a ricardo rodrigues gama, traz claros sinais de ser uma reprodução da provecta tradução de josé tavares bastos, feita a partir da tradução espanhola e publicada em 1909, com prefácio de clóvis bevilácqua e extenso prefácio do tradutor espanhol. essa primeira edição de 1909 está disponível  aqui, e o texto com grafia atual se encontra aqui

transcrevo os parágrafos iniciais da obra, comparando os dois textos. as poucas alterações na tradução atribuída a ricardo rodrigues gama estão destacadas em negrito.

Tradução de José Tavares Bastos (1909):
CAPÍTULO I
Introdução
O direito é uma ideia prática, isto é, designa um fim, e, como toda a ideia de tendência, é essencialmente dupla, porque contém em si uma antítese, o fim e o meio. Não é suficiente investigar o fim, deve-se também saber o caminho que a ele conduz.
Eis duas questões para as quais o direito deve sempre procurar uma solução, podendo-se dizer que o direito não é, no seu conjunto e em cada uma das suas divisões, mais que uma resposta constante a essa dupla questão. Não há um só título, por exemplo o da propriedade ou o das obrigações, em que
a definição não seja imprescindivelmente dupla e nos diga o fim que propõe e os meios para atingi-lo. Mas o meio, por mais variado que seja, reduz-se sempre à luta contra a injustiça.
A ideia do direito encerra uma antítese que se origina nesta ideia, da qual jamais se pode, absolutamente, separar: a luta e a paz; a paz é o termo do direito, a luta é o meio de obtê-lo. Poder-se-á objetar que a luta e a discórdia são precisamente o que o direito se propõe evitar, porquanto semelhante estado de coisas implica uma perturbação, uma negação da ordem legal, e não uma condição necessária da sua existência. A objeção seria procedente se se tratasse da luta da injustiça contra o direito; a contrário, trata-se aqui da luta do direito contra a injustiça. Se, neste caso, o direito não lutasse, isto é, se não resistisse vigorosamente contra ela, renegar-se-ia a si mesmo.
Esta luta perdurará tanto como o mundo, porque o direito terá de precaver-se sempre contra os ataques da injustiça.
A luta não é, pois, um elemento estranho ao direito, mas sim uma parte integrante de sua natureza e uma condição de sua ideia.
Todo direito no mundo foi adquirido pela luta; esses princípios de direito que estão hoje em vigor foi indispensável impô-los pela luta àqueles que não os aceitavam; assim, todo o direito, tanto o de um povo, como o de um indivíduo, pressupõe que estão o indivíduo e o povo dispostos a defendê-lo.
O direito não é uma ideia lógica, porém ideia de força; é a razão porque a justiça, que sustenta em uma das mãos a balança em que pesa o direito, empunha na outra a espada que serve para fazê-lo valer. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é o direito impotente; completam-se mutuamente: e, na realidade, o direito só reina quando a força dispendida pela justiça para empunhar a espada corresponde à habilidade que emprega em manejar a balança.
Tradução em nome de Ricardo Rodrigues Gama (2004, aqui na versão e-book de 2013):
CAPÍTULO I
Introdução
O direito é uma ideia prática, isto é, designa um fim, e, como toda [] ideia de tendência, é essencialmente dupla, porque contém em si uma antítese, o fim e o meio. Não é suficiente investigar o fim, deve-se também saber o caminho que a ele conduz.
Eis duas questões para as quais o direito deve sempre procurar uma solução, podendo-se dizer que o direito não é, no seu conjunto e em cada uma de suas divisões, mais que uma resposta constante a essa dupla questão. Não há um só título, por exemplo o da propriedade ou o das obrigações, em que
a definição não seja imprescindivelmente dupla e nos diga o fim que propõe e os meios para atingi-lo. Mas o meio, por mais variado que seja, reduz-se sempre à luta contra a injustiça.
A ideia do direito encerra uma antítese que se origina nesta concepção, da qual jamais se pode, absolutamente, separar: a luta e a paz; a paz é o termo do direito, a luta é o meio de obtê-lo.
Poder-se-á objetar que a luta e a discórdia são precisamente o que o direito se propõe evitar, porquanto semelhante estado de coisas implica [] perturbação, [] negação da ordem legal, e não uma condição necessária da sua existência. A objeção seria procedente se se tratasse da luta da injustiça contra o direito; ao contrário, trata-se aqui da luta do direito contra a injustiça. Se, neste caso, o direito não lutasse, isto é, se não resistisse vigorosamente contra ela, renegar-se-ia a si mesmo.
Esta luta perdurará tanto como o mundo, porque o direito terá de precaver-se sempre contra os ataques da injustiça.
A luta não é, pois, um elemento estranho ao direito, mas sim uma parte integrante de sua natureza e uma condição de sua ideia.
Todo o direito do mundo foi adquirido pela luta; esses princípios de direito que estão hoje em vigor tiveram de ser impostos pela luta àqueles que não os aceitavam; assim, todo [] direito, tanto o de um povo como o de um indivíduo, pressupõe que estão o indivíduo e o povo dispostos a defendê-lo.
O direito não é uma ideia lógica, porém ideia de força; é a razão por que a justiça, que sustenta em uma das mãos a balança em que pesa o direito, empunha na outra a espada que serve para fazê-lo valer. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é o direito impotente; completam-se mutuamente: e, na realidade, o direito só reina quando a força despendida pela justiça para empunhar a espada corresponde à habilidade que emprega em manejar a balança.

não é a primeira vez que isso acontece com a tradução de tavares bastos. até onde sei, sofreu anteriormente pelo menos duas apropriações espúrias: pela editora pillares, com a autoria da tradução atribuída a ivo de paula, e pela editora rideel, com a autoria da tradução atribuída a heloísa da graça buratti (felizmente, a rideel reconheceu a fraude e retirou a obra de circulação). para mais dados e notícias sobre a luta pelo direito no brasil, veja aqui.

voltando ao caso da russell, seguem-se algumas capturas de tela da visualização disponível aqui:






































aqui na tradução de tavares bastos, disponível aqui:

A Luta pelo Direito
CAPÍTULO I
Introdução
O direito é uma idéia prática, isto é, designa um fim, e, como toda a idéia de tendência, é essencialmente dupla, porque contém em si uma antítese, o fim e o meio. Não é suficiente investigar o fim, deve-se também saber o caminho que a ele conduz. Eis duas questões para as quais o direito deve sempre procurar uma solução, podendo-se dizer que o direito não é, no seu conjunto e em cada uma das suas divisões, mais que uma resposta constante a essa dupla questão. Não há um só título, por exemplo o da propriedade ou o das obrigações, em que a definição não seja imprescindivelmente dupla e nos diga o fim que propõe e os meios para atingi-lo. Mas o meio, por mais variado que seja, reduz-se sempre à luta contra a injustiça. A idéia do direito encerra uma antítese que se origina nesta idéia, da qual jamais se pode, absolutamente, separar: a luta e a paz; a paz é o termo do direito, a luta é o meio de obtê-lo. Poder-se-á objetar que a luta e a discórdia são precisamente o que o direito se propõe evitar, porquanto semelhante estado de coisas implica uma perturbação, uma negação da ordem legal, e não uma condição necessária da sua existência. A objeção seria procedente se se tratasse da luta da injustiça contra o direito; a contrário, trata-se aqui da luta do direito contra a injustiça. Se, neste caso, o direito não lutasse, isto é, se não resistisse vigorosamente contra ela, renegar-se-ia a si mesmo. Esta luta perdurará tanto como o mundo, porque o direito terá de precaver-se sempre contra os ataques da injustiça. A luta não é, pois, um elemento estranho ao direito, mas sim uma parte integrante de sua natureza e uma condição de sua idéia. Todo direito no mundo foi adquirido pela luta; esses princípios de direito que estão hoje em vigor foi indispensável impô-los pela luta àqueles que não os aceitavam; assim, todo o direito, tanto o de um povo, como o de um indivíduo, pressupõe que estão o indivíduo e o povo dispostos a defendê-lo. O direito não é uma idéia lógica, porém idéia de força; é a razão porque a justiça, que sustenta em uma das mãos a balança em que pesa o direito, empunha na outra a espada que serve para fazê-lo valer. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é o direito impotente; completam-se mutuamente: e, na realidade, o direito só reina quando a força dispendida pela justiça para empunhar a espada corresponde à habilidade que emprega em manejar a balança. O direito é o trabalho sem tréguas, e não somente o trabalho dos poderes públicos, mas sim o de todo o povo. Se passarmos um golpe de vista em toda a sua história, esta nos apresenta nada menos que o espetáculo de uma nação inteira despendendo ininterruptamente para defender o seu direito penosos esforços, como os que ela emprega para o desenvolvimento de sua atividade na esfera da produção econômica e intelectual. Todo aquele que tem em si a obrigação de manter o seu direito, participa neste trabalho nacional e contribui na medida de suas forças para a realização do direito sobre a terra. Sem dúvida, este dever não se impõe a todos na mesma proporção. Milhares de homens passam sua vida de modo feliz e sem luta, dentro dos limites fixados pelo direito, e, se lhes fôssemos dizer, falando-lhes da luta pelo direito, — que o direito é a luta, não nos compreenderiam, por-que o direito foi sempre para eles o reino da paz e da ordem. Sob o ponto de vista de sua experiência pessoal, têm toda a razão; procedem como todos os que, tendo herdado ou tendo conseguido sem esforço o fruto do trabalho dos outros, negam esta proposição: — a propriedade é o trabalho. O motivo desta ilusão está nos dois sentidos em que encaramos a propriedade e o direito, podendo decompor-se subjetivamente de tal modo que o gozo e a paz estejam de um lado, a luta e o trabalho noutro. Se interpelássemos aqueles que o encaram sob este último aspecto, certamente nos dariam uma resposta em contrário. O direito e a propriedade são semelhantes à cabeça de Jano, têm duas caras; uns não podem ver senão um dos lados, outros só podem ver o outro, daí resultando o diferente juízo que formam do assunto. O que temos dito do direito, aplica-se não somente aos indivíduos, mas sim às gerações inteiras. A paz é a vida de umas, a guerra a de outras, e os povos como os indivíduos estão, em conseqüência desse modo de ser subjetivo, expostos ao mesmo erro; e, embalados em um belo sonho de uma longa paz, cremos na paz perpétua, até o dia em que troe o primeiro tiro de canhão, vindo dissipar nossas esperanças, ocasionando com tal mudança o aparecimento duma geração, posterior à que vivera em deliciosa paz, que se agitará em constantes guerras, não desfrutando um só dia sem tremendas lutas e rudes trabalhos. No direito como na propriedade, assim se par-tilham o trabalho e o gozo sem que sofra entretanto a sua correlação o menor prejuízo. Se viveis na paz e na abundância, deveis ponderar que outros têm lutado e trabalhado por vós. Se se quiser falar da paz sem a luta, do gozo sem o trabalho, torna-se mister pensar nos tempos do Paraíso, porque nada se conhece na história que não seja o resultado de penosos e contínuos esforços. Mais além desenvolveremos o pensamento de que a luta está para o direito, como o trabalho para a propriedade; e que, atendendo-se à sua necessidade prática e à sua dignidade moral, deve ser colocado inteiramente na mesma linha. Vimos assim retificar uma lacuna da qual com razão se acusa a nossa teoria, e não somente a nossa filosofia do direito, como também a nossa jurisprudência positiva. Observa-se facilmente que a nossa teoria se ocupa muito mais com a balança do que com a espada da justiça. A estreiteza do ponto de vista puramente científico com que se encara o direito e que é onde se ostenta menos o seu lado real, como idéia de força, do que pelo seu lado racional, como um conjunto de princípios abstratos, tem dado, julgamos, a todo esse modo de encarar a questão, uma feição que não está muito em harmonia com a amarga realidade. A defesa da nossa tese o provará. O direito contém, como é sabido, um duplo sentido; — o sentido objetivo que nos oferece o conjunto de princípios de direito em vigor; a ordem legal da vida, e o sentido subjetivo, que é, por assim dizer, — o precipitado da regra abstrata no direito concreto da pessoa. Nessas duas direções o direito depara com uma resistência que deve vencer, e, em ambos os casos, deve triunfar ou manter a luta. Por mais que nos tenhamos proposto tomar diretamente como objeto de estudo o segundo desses dois pontos de vista, não devemos deixar de estabelecer, em consideração ao primeiro, que a luta, como dissemos anteriormente, é da própria essência do direito. Para o Estado que quer manter o domínio do direito é este um assunto que não exige prova al-guma. O Estado não pode conseguir manter a ordem legal, sem lutar continuamente contra a anarquia que o ataca. Entretanto a questão muda de aspecto se se trata da origem do direito e se estuda: ou a sua origem sob o ponto de vista histórico, ou a constante e contínua renovação que nele se opera todos os dias sob as nossas vistas, tal como a supressão de títulos em vigor, a anulação de artigos de leis que também estão em vigor, em uma palavra o progresso e o direito.


21 de jan. de 2012

sem palavras

No jornal O Globo de hoje, o jornalista Guilherme Freitas publica uma boa matéria sobre "Programa da FBN inclui obras suspeitas de plágio", disponível aqui:  http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/21/programa-da-fbn-inclui-obras-suspeitas-de-plagio

Transcrevo abaixo a íntegra da matéria:

Programa da FBN inclui obras suspeitas de plágio
Autor(es): Guilherme Freitas
O Globo - 21/01/2012

Cadastro para compra de livros por bibliotecas públicas tem traduções acusadas de cópia

Criado pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN) para ampliar e renovar o acervo das bibliotecas públicas do país, o recém-lançado Cadastro Nacional de Livros de Baixo Preço inclui obras suspeitas de serem traduções plagiadas. A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Geral da República nesta semana pela tradutora Denise Bottmann, que enumerou dezenas de casos. A maior parte deles envolve livros da Editora Martin Claret.

Denise publicou em seu blog (naogostodeplagio. blogspot.com) uma lista de obras suspeitas, comparando-as com as versões originais. Entre os livros citados estão "O médico e o monstro", de Robert Louis Stevenson, "O lobo do mar", de Jack London, e "A mulher de trinta anos", de Balzac, todos com traduções atribuídas a Pietro Nassetti e denunciadas há anos como plágios.

No caso de "O lobo do mar", por exemplo, a versão atribuída a Nassetti reproduz, com pequenas alterações, a tradução de Monteiro Lobato publicada em 1934, pela Companhia Editora Nacional. O romance de London está em domínio público, mas os direitos autorais da tradução pertencem aos herdeiros de Lobato.

O Cadastro Nacional de Livros de Baixo Preço reúne mais de dez mil títulos, cujo preço final para o consumidor não pode ultrapassar R$10. Os livros foram inscritos no programa pelas próprias editoras e, desde 13 de janeiro, começaram a ser avaliados por 2.700 bibliotecas e pontos de leitura de todo o país, que escolherão os títulos a serem adquiridos.

Procurada pelo GLOBO, a FBN alega que, para que um livro seja excluído do cadastro, "é preciso que tenha sido objeto de ação judicial, com trânsito em julgado, que tenha determinado o impedimento de circulação das obras". A FBN argumenta que o edital determina que toda editora, ao participar do programa, reconhece "que os livros que inscreve não violam qualquer princípio legal vigente". A Martin Claret já foi intimada judicialmente por plágios, como no caso das traduções de Modesto Carone para "A metamorfose" e "Carta ao pai", de Kafka (não incluídas no cadastro).

Editora substituirá obras

Responsável pelo Departamento Editorial da Martin Claret, Taís Gasparetti afirma que, devido às denúncias dos últimos anos, a editora está substituindo, desde o segundo semestre de 2011, as traduções que confirmou como plágios.

- Nosso Departamento Comercial inscreveu esses títulos no programa da Biblioteca Nacional considerando que eles já teriam novas traduções até o fim da vigência do edital - diz Taís, que pedirá à FBN que remova temporariamente do cadastro os títulos cujas novas traduções ainda não estão prontas.

Segundo ela, a lista de livros que ganharão novas versões inclui, entre outros, "A mulher de trinta anos", que será traduzido por Herculano Villas-Boas, "O lobo do mar", por Marcelo Albuquerque, e "O médico e o monstro", por Cabral do Nascimento. No cadastro da FBN, todos eles aparecem atribuídos a Pietro Nasseti.

Além dos livros da Martin Claret, Denise aponta irregularidades em títulos das editoras Escala ("Assim falou Zaratustra", de Nietzsche) e Pillares ("A luta pelo direito", de Rudolf von Ihering) incluídos no cadastro da FBN.


Acompanhe aqui o imbróglio:



17 de jan. de 2012

ESCALA E PILLARES NA FBN/ PROGRAMA DAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS

a editora escala inscreveu no cadastro nacional do livro de baixo preço, para aquisição em todas as bibliotecas públicas do país, a obra abaixo. ela não consta no depósito legal de nosso acervo, mas está registrada na agência brasileira do isbn, na mesma fbn.


9788538900238ASSIM FALAVA ZARATUSTRAFRIEDRICH WILHELM NIETZSCHE



AQUI O COTEJO DE ASSIM FALAVA ZARATUSTRA:
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2011/11/zaratustra-editora-escala-iii.html


a editora pillares inscreveu, idem, idem:


9788589919692LUTA PELO DIREITO, ARUDOLF VON IHERING



AQUI O COTEJO DE LUTA PELO DIREITO:
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/06/luta-pelo-direito-pillares.html

25 de mai. de 2010

cotejos disponíveis



segue-se a relação de cotejos publicados no nãogostodeplágio. clique no nome da obra para ver a comparação entre a tradução legítima e a tradução espúria. os posts trazem exemplos de alguns parágrafos, a título ilustrativo, de extensos cotejos feitos entre as traduções, com outras traduções e/ou com o original.

alexandre dumas, os três mosqueteiros (nova cultural)
aristóteles, arte poética (martin claret)
aristóteles, ética a nicômaco (martin claret)
baltasar gracián, a arte da prudência (martin claret)
balzac, a mulher de trinta anos (martin claret)
balzac, a mulher de trinta anos (nova cultural)
balzac, eugênia grandet (martin claret)
baudelaire, flores do mal (martin claret)
boccaccio, o decamerão (hemus, abril cultural, círculo do livro, nova cultural)
brecht, o casamento do pequeno burguês (deriva)
campanella, a cidade do sol (rideel)
carnelutti, arte do direito (bookseller)
charles dickens, cântico de natal (martin claret)
charlotte brontë, jane eyre (itatiaia)
chesterton, o homem que foi quinta-feira (um pesadelo) (germinal)
conan doyle, aventuras de sherlock holmes (martin claret)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (martin claret)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (martin claret)
d. h. lawrence, o amante de lady chatterley (martin claret)
dante, a divina comédia (nova cultural)
dante, da monarquia (martin claret)
dante, vida nova (martin claret)
darwin, a origem das espécies (martin claret)
darwin, a origem das espécies (hemus/claret)
darwin, a origem das espécies (hemus/ediouro)
darwin, a origem das espécies (madras)
darwin, a origem das espécies (coleção folha) - comunicado do diretor da coleção aqui
descartes, o discurso do método (nova cultural)
descartes, princípios de filosofia (hemus; coleção folha)
dominic crossan, o essencial de jesus (jardim dos livros)
dostoievski, a árvore de natal de cristo (boitempo)
dostoievski, crime e castigo (nova cultural)
dostoievski, irmãos karamázov (nova cultural)
dostoievski, um jogador (martin claret)
durkheim, as regras do método sociológico (martin claret)
edgar a. poe, a queda da casa de usher (martin claret)
edgar a. poe, manuscrito encontrado em uma garrafa (martin claret)
edgar a. poe, o gato preto (martin claret)
edgar a. poe, o escaravelho de ouro (cultrix)
edgar a. poe, o pipo de amontillado (in contos e histórias) (cedic)
edgar a. poe, o poço e o pêndulo (martin claret)
edgar a. poe, os crimes da rua morgue (martin claret)
edmond rostand, cyrano de bergerac (nova cultural)
émile zola, a besta humana (hemus)
émile zola, naná (nova cultural)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (landmark)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (nova cultural)
esopo, fábulas (martin claret)
eurípides, alceste (martin claret)
eurípides, electra (martin claret)
eurípides, hipólito (martin claret)
fielding, tom jones (nova cultural)
flávio josefo, seleções (madras)
flaubert, madame bovary (nova cultural)
francesco carnelutti (bookseller)
fustel de coulanges, a cidade antiga (hemus; ediouro)
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás (madras)
hegel, princípios da filosofia do direito (ícone)
henry thomas, vidas de grandes filósofos (martin claret)
herman melville, moby dick (cedic)
herman melville, moby dick (martin claret)
hobbes, leviatã (nova cultural)
istván mészáros, a teoria da alienação em marx (boitempo)
ivan goncharov, oblomov (germinal)
isaac b. singer, o escravo (germinal)
jack london, caninos brancos (martin claret)
jack london, o lobo do mar (martin claret)
jane austen, orgulho e preconceito (best seller)
jane austen, orgulho e preconceito (martin claret)
jane austen, persuasão (landmark)
jean genet, as criadas (deriva)
john locke, segundo tratado sobre o governo (martin claret)
joseph conrad, lord jim (nova cultural)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (martin claret)
kant, crítica da razão prática (martin claret)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes (martin claret)
kant, sobre um suposto direito de mentir por amor à humanidade (martin claret)
kant, que significa orientar-se no pensamento (martin claret)
kant, resposta à pergunta: que é esclarecimento? (martin claret)
kierkegaard, o desespero humano (martin claret)
kipling, o livro da jângal (martin claret)
lampedusa, o leopardo (nova cultural)
lassalle, o que é uma constituição? (russell)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (centauro)
louisa may alcott, mulherzinhas (martin claret)
louisa may alcott, mulherzinhas (nova cultural)
maquiavel, o príncipe (martin claret)
marco polo, as viagens (martin claret)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (martin claret)
marx, a questão judaica (moraes; centauro)
marx, o capital (ed. condensada) - na verdade, gabriel deville, o capital de karl marx (coleção folha)
maupassant, uma vida (nova cultural)
máximo gorki, sonho de uma noite de natal (boitempo)
nietzsche, a origem da tragédia (centauro)
nietzsche, a origem da tragédia, proveniente do espírito da música (madras)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (rideel)
nietzsche, assim falava zaratustra (escala educacional)
nietzsche, assim falava zaratustra (hemus/ leopardo)
nietzsche, assim falou zaratustra (martin claret)
nietzsche, minha irmã e eu (moraes e centauro)
nietzsche, o anticristo (rideel)
nietzsche, ecce homo (rideel)
nietzsche, ecce homo (martin claret)
omar khayyam, rubaiyat (hemus)
oscar wilde, a balada do cárcere de reading (martin claret)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (nova cultural)
pascal, pensamentos (martin claret)
pascal, pensamentos (nova cultural)
perry anderson, as antinomias de gramsci (boitempo)
perry anderson, nas trilhas do materialismo histórico (boitempo)
petrônio, satíricon (martin claret)
pirandello, o falecido mattia pascal (nova cultural)
pirandello, seis personagens à procura de um autor (nova cultural)
platão, a república, cotejo feito pelo prof. gonzalo armijos (martin claret)
platão, apologia de sócrates (nova cultural)
ralph w. emerson, ensaios (martin claret)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (jardim dos livros)
santo agostinho, confissões (martin claret)
savigny, metodologia jurídica (rideel)
scott fitzgerald, suave é a noite (nova cultural)
shakespeare, hamlet (martin claret)
shakespeare, a megera domada (martin claret)
shakespeare, otelo (martin claret)
slavoj zizek, lacrimae rerum (boitempo)
sófocles, antígona (martin claret)
sófocles, édipo rei (martin claret)
stendhal, o vermelho e o negro (nova cultural)
stevenson, a ilha do tesouro (martin claret)
stevenson, janet do pescoço torcido (martin claret)
stevenson, markheim (martin claret)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (centauro)
thomas cleary, o essencial do alcorão (jardim dos livros)
thomas more, a utopia (martin claret) [informação]
thoreau, a desobediência civil (martin claret)
thoreau, andar a pé (martin claret)
thoreau, uma semana nos rios concord e merrimack (martin claret)
tolstói, ana karênina (nova cultural)
voltaire, contos (nova cultural)
voltaire, dicionário filosófico (martin claret)
voltaire, dicionário filósofico II (martin claret)
von ihering, a luta pelo direito (martin claret)
von ihering, a luta pelo direito (pillares)
von ihering, a luta pelo direito (rideel)

von ihering, a luta pelo direito (russell)
walter scott, ivanhoé (nova cultural)
weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (martin claret)
weber, ciência e política: duas vocações (martin claret)
xenofonte, apologia de sócrates (nova cultural)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (nova cultural)

relação atualizada em 03/03/10; em 25/05/10; em 12/08/2010; em 13/09/2011; em 23/10/2011; em 04/11/2011; em 18/11/2011; em 30/11/11; em 12/04/2012, em 01/06/2012; em 09/08/2012; em 19/08/2012; em 19/11/2012; em 24/08/2015; em 20/04/2016

imagem: tom phillips, dante in his study, sobre luca signorelli (via flanelapaulistana)
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2 de abr. de 2010

a ver

silvio donizete chagas, o pretenso autor da tradução d' a questão judaica, de karl marx, publicada pela editora centauro, assina a tradução de outras obras.

pela editora centauro: 
  • marx, salário, preço e lucro
  • marx e engels, a ideologia alemã; teses sobre feuerbach
  • marx, o dezoito do brumário de louis bonaparte
  • lênin, o imperialismo, fase superior do capitalismo
  • politzer, princípios elementares de filosofia
  • nietzsche, a genealogia da moral [em 2007 subst. joaquim josé de faria]
pela extinta editora acadêmica:
  • pachukanis, teoria geral do direito e marxismo
  • ihering, a luta pelo direito
  • stucka, direito e luta de classes
no cadastro da agência brasileira do isbn, silvio donizete chagas também consta como tradutor de dartigues, o que é a fenomenologia, para a editora centauro.

tenho imenso apreço pelo papel de um amplo espectro da esquerda brasileira na ampliação de nosso universo cultural, com tantos intelectuais ativistas que ao longo do século XX se dedicaram à tradução de obras indispensáveis em qualquer biblioteca.

a contribuição de silvio donizete chagas nesta área, porém, parece demandar maiores pesquisas antes de poder ser devidamente avaliada.


22 de set. de 2009

rideel, livros tirados de catálogo

cerca de um mês e meio atrás, o diretor comercial da editora rideel me informou que, em vista das irregularidades de seu catálogo apresentadas no nãogostodeplágio, a empresa tinha decidido retirar de catálogo e circulação não só os livros aqui denunciados, mas também todos os demais que integravam a coleção biblioteca clássica e a coleção sherlock holmes, além de três títulos da coleção o melhor de shakespeare. comentei a notícia em bons ventos.

constam neste blog sete cotejos de traduções publicadas pela rideel, em nome de heloísa da graça burat(t)i, que são visíveis apropriações da obra de outros tradutores:

- von ihering, a luta pelo direito
- nietzsche, ecce homo
- nietzsche, acerca da verdade e da mentira
- nietzsche, o anticristo
- savigny, metodologia jurídica
- campanella, a cidade do sol
- th. more, utopia

além dos sete títulos cotejados, a editora rideel, segundo comunicado oral do sr. mario amadio, teve por bem retirar de catálogo e circulação as obras que integram:

BIBLIOTECA CLÁSSICA (28 títulos)

BIBLIOTECA SHERLOCK HOLMES (12 títulos)


BIBLIOTECA O MELHOR DE SHAKESPEARE (3 títulos)

tais publicações se estendem de 2003 a 2009, com número variável de reedições. perante a iniciativa da editora rideel em excluir tais obras de seu catálogo, sinto-me autorizada a relacioná-las no rol dos livros a ser evitados, como medida de simples precaução em defesa do leitor.

este post foi atualizado em 25 de abril de 2009, retirando os títulos individuais de cada coleção. ver rideel, retratação. as imagens de capa das 48 obras retiradas de catálogo se encontram aqui.

imagem: http://www.desciclo.pedia.ws/

15/12/2012: veja aqui uma atualização.