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25 de mai. de 2013

convite

no dia 5 de junho, estarei no sesc da vila mariana, conversando sobre a profissionalização do tradutor e o mercado editorial brasileiro. o formato da apresentação será de perguntas e respostas.

O OUTRO LADO DO ESPELHO: TRADUÇÃO E PRODUÇÃO EDITORIAL

Diversos Profissionais - Curso
Primeiro Encontro - Denise Bottmann
05/06/2013 19:30 a 05/06/2013 21:30
Segundo Encontro - Rodrigo Salinas
12/06/2013 19:30 a 12/06/2013 21:30
Terceiro Encontro - Heloisa Jahn
13/06/2013 19:30 a 13/06/2013 21:30
Quarto Encontro - Cássio Arantes Leite
19/06/2013 19:30 a 19/06/2013 21:30
Quinto Encontro - Pasi L, Marcos M e Noé S
20/06/2013 19:30 a 20/06/2013 21:30
Sexto Encontro - Alexandre Barbosa de Souza
26/06/2013 19:30 a 26/06/2013 21:30
Sétimo Encontro - Maged El Gebaly
27/06/2013 19:30 a 27/06/2013 21:30
Um panorama da atividade do tradutor no Brasil é apresentado a partir de encontros com profissionais da área. A internacionalização do mercado editorial brasileiro deve aumentar a participação dos títulos traduzidos no país e, consequentemente, a demanda por tradutores.

Em todos os encontros, a mediação é realizada pelo historiador Joaci Pereira Furtado.

5/6 - Saindo das sombras: a profissionalização do tradutor e o mercado editorial brasileiro, com Denise Bottmann

12/6 - Tradutor, coautor? A Tradução e os direitos autorais, com Rodrigo Salinas

13/6 - "Era uma vez...": traduzindo para crianças, com Heloisa Jahn

19/6 - Melhor que o original? Estudos de casos, com Cássio Arantes Leite

20/6 - Novos mundos, novas civilizações: a tradução de idiomas ¿exóticos¿ ¿ o caso do finlandês, do latim e do russo, com Pasi Loman, Marcos Martinho e Noé Silva

26/6 - Fio da navalha: a tradução e o editor, com Alexandre Barbosa de Souza

27/6 - Olhando do avesso: traduzir do português, com Maged El Gebaly


A INSCRIÇÃO É VÁLIDA PARA TODOS OS DIAS DA ATIVIDADE.


Não recomendado para menores de 16 anos.

Necessário apresentar comprovante de categoria no início da atividade.

Cancelamentos podem ser feitos em até 48 horas antes do início da atividade.

As inscrições online encerram-se sempre um dia antes do início da atividade. Enquanto houver vagas será possível inscrever-se pessoalmente nas unidades do Sesc de São Paulo.
inscrições aqui.

18 de dez. de 2011

resedás malditos

ingleses e americanos são (ou eram) bem mais respeitadores do que nós em relação ao ditame bíblico contra as blasfêmias. não deixavam de usá-las, mas davam uma aliviada morfológica: daí o darn para damn, por exemplo.

o inglês também faz muita contração que se incorpora mesmo à língua escrita, geralmente mantendo traços coloquiais ou dialetais.

outra coisa legal é a existência de sistemas de classificação universal, por exemplo o de lineu - claro que ninguém nasce sabendo, mas são coisas que a gente aprende na escola. e mais legal ainda, nas últimas décadas, é a gigantesca biblioteca universal ao alcance de dois dedos, com a internet e a busca pelo google.

assim, voltando ao tema dos estudos de tradução no nível da graduação e da pós-graduação, repito, creio que talvez até possam ser muito úteis e produtivos. mas que se defenda uma tese, e esta seja aprovada por toda uma banca de examinadores, com coisas do gênero:
"Para o substantivo 'crapemyrtle' que é utilizado para designar uma planta, e para o qual não foi encontrado termo correspondente, o recurso utilizado foi a tradução explicativa: 
...comtemplating the inscrutable desolation of cedar and brier and crapemyrtle...(p.140)
...contemplando o inescrutável abandono do cedro e urze e arbustos vindos do leste da Índia...
                 
[O]s acréscimos que ocorreram nos exemplos acima, não são  vazios  de significados, foram necessários devido à ausência de uma palavra na língua de chegada para efetuar a tradução."

mesmo sem levar em conta que há uma grande diferença entre "não foi encontrado termo correspondente" e "ausência de uma palavra ... para efetuar a tradução", esse é o tipo de coisa que me causa surpresa e me desperta um pouco de pena.


digo isso porque crapemyrtle é nosso lindo, vagabundo, corriqueiro resedá, e bastaria fazer uma busca cruzada pelo nome científico Lagerstroemia indica.




e fico compungida ao ler no mesmo estudo:
      "As palavras 'offen' e 'durn' também não foram traduzidas até o momento, pois não foram encontradas nos dicionários pesquisados.  A palavra 'offen' poderia ser retirada da narrativa sem prejudicar o sentido da frase, porém se assim procedêssemos estaríamos apagando a obra original. 
     Well if Flem knowed any way to make anything offen that old place... 
     Bem se Flem soubesse algum jeito de fazer alguma coisa por aquele lugar velho... 
     Já, a palavra 'durn' faz parte do contexto da frase em que está inserida e a opção pela não tradução da mesma empobreceria o contexto, pois manifesta um sentimento do personagem em relação ao outro. 
     Be durn if you don't look like …
     Be durn se você não parece..."
ora, durn é uma simples variante do darn, suavização acima mencionada do damn: raios me partam se você não parece; que raios, você está parecendo; seu danado, você isso ou aquilo, qualquer coisa assim, em função de interjeição.

e não creio que offen "poderia ser retirada da narrativa sem prejudicar o sentido da frase": é uma contração de of from, fazer alguma coisa "daquilo", alguma coisa "com aquilo".

naturalmente espera-se de um aspirante a um título de pós-graduação que dê o melhor de si, mas não há dúvida de que ao orientador cabe uma boa parcela de responsabilidade e à banca cabe mais do que o papel de simples homologação. se é muito bom termos mestrado e doutorado em estudos de tradução em nossas universidades, creio que seria bom se houvesse também uma compreensão mais clara e um exercício mais efetivo dos papéis que, em princípio, supõe-se que caibam às várias partes envolvidas.


honras e vazas

domesticação, estrangeirização, tantos nomes bonitos e pomposos para descrever ou prescrever o partido que se adota ou que se deveria adotar numa tradução.

acontece que muitas vezes as coisas são bem mais simples e chãs. não é preciso ter nenhuma grande erudição para saber, por exemplo, que o bridge é um jogo inglês de cartas - e um dos passatempos favoritos entre as classes altas britânicas no século XIX era, justamente, jogar bridge. teremos de invocar são jerônimo, berman, nord para nos iluminar sobre reis e damas, vazas e contratos? e também não é preciso profundo conhecimento de retórica, estilística, teoria literária para saber que o emprego de analogias e metáforas é a coisa mais usual do mundo, na mais simples conversa coloquial ou no mais grandioso épico universal.

então fico perplexa não só que oscar mendes (1961), ao traduzir lady windermere's fan, de oscar wilde, transponha essas linhas do diálogo:
LORD DARLINGTON.  It’s a curious thing, Duchess, about the game of marriage - a game, by the way, that is going out of fashion - the wives hold all the honours, and invariably lose the odd trick. 
DUCHESS OF BERWICK.  The odd trick?  Is that the husband, Lord Darlington? 
LORD DARLINGTON.  It would be rather a good name for the modern husband.
como:
DAR: É curioso, duquesa, o jogo em torno do casamento... Um jogo, seja dito em parêntesis, que está ficando fora de moda... As esposas gozam de todas as honras e invariavelmente perdem a jogada vantajosa.
DSA: A jogada vantajosa? É ao marido que se refere, Lorde Darlington?
DAR: Seria talvez um nome bom demais para o marido moderno.
e  doris goettems (2011) como:
DAR: É uma coisa curiosa, Duquesa, sobre o jogo do casamento – um jogo, aliás, que está saindo de moda – as esposas recebem todas as honras e sempre escapam da armadilha resultante.
DSA: Armadilha resultante? Está se referindo ao marido, Lorde Darlington?
DAR: Seria um nome bastante bom para o marido moderno.
mas também e principalmente que uma pesquisadora universitária, dedicando-se à análise comparada das duas traduções "em termos dos ... recursos linguísticos utilizados, como a manutenção da ironia, paradoxos e jogos de palavras na expressão da crítica social do autor", confunda léxico com semântica, erros palmares com escolhas deliberadas:
A escolha lexical foi bastante diversa entre os dois tradutores, optando Oscar Mendes por “perdem a jogada vantajosa” e Doris Goettems por “escapam da armadilha resultante”. Na primeira versão, o papel da mulher no casamento parece perder uma possibilidade de sobressair-se. Soa mais como uma crítica à inabilidade das mulheres de se apropriarem de uma vantagem que têm no jogo do amor, que é o marido. No segundo caso, a escolha tradutória aponta para um jogo armado por parte do marido, do qual escapam as mulheres. A armadilha, nesse caso, é o marido e as mulheres têm sucesso em sua fuga. 
e ao final conclua que "houve pouca discrepância no efeito atribuído ao texto original e suas traduções, pois a ironia, o jogo de palavras, e os paradoxos foram traduzidos adequadamente ao seu tempo e contexto social"!

considero importante que nossas pós-graduações implantem e desenvolvam programas de estudos de tradução. mas indispensável para o sucesso deles é o acompanhamento dos orientadores e, da parte dos estudantes, um constante aperfeiçoamento ao qual jamais poderiam faltar realismo e bom senso.


17 de abr. de 2011

bom programa

para quem está em curitiba, hoje às 14,30, no solar do barão, vai ter uma mesa-redonda muito legal: a autoridade do original e a autoria da tradução, com sabrina lopes, virna teixeira e claudio daniel (mediador).

o programa completo está aqui.

14 de abr. de 2011

cursos, palestras

às vezes fico comovida quando estudantes de cursos de tradução comentam suas perplexidades sobre o ofício. mas não é por falta de oportunidade, pelo menos em são paulo e curitiba.

Ciclo de Palestras sobre Tradução - CITRAT* e Departamento de Letras Modernas, FFLCH, USP.

Palestra "A Festa da Tradução: Vilém Flusser" Cláudia Santana Martins e Murilo Jardelino, 15 de abril, 14h, Sala 261, Prédio de Letras, USP. Avenida Luciano Gualberto 406, Cidade Universitária, SP

Desafios da tradução literária - com Maurício Santana Dias

Um panorama das principais questões sobre a tradução literária, passando por suas diferentes concepções ao longo da história e pelos problemas teóricos e práticos que envolvem o trabalho do tradutor, como as pesquisas paralelas à tarefa tradutória, as ambiguidades que permeiam a interpretação do texto e as demandas do mercado editorial, com exemplos de versão para o português da obra de Italo Calvino, Luigi Pirandello e outros autores.

Programa
12 de abril
Delimitando o campo: teorias da tradução na história e situação atual dos estudos de tradução
19 de abril
Demandas do texto literário e competências do tradutor
26 de abril
Da cultura de partida à cultura de chegada: um difícil equilíbrio
3 de maio
Duvidar o tempo todo: o trabalho interminável da tradução

Maurício Santana Dias é professor de Literatura Italiana na USP, crítico e tradutor de 71 contos de Primo Levi (Cia. das Letras, 2005), Trabalhar cansa, de Cesare Pavese (Cosac Naify, 2009) e O príncipe, de Maquiavel (Penguin / Cia. das Letras, 2010).

Abralic Simpósio "Tradução e Adaptação: Entrecruzamentos e Limites"
Inscrição até 15 de abril
Prezados,
Nós o convidamos a participar e a divulgar o simpósio "Tradução e Adaptação: Entrecruzamentos e Limites" (com resumo abaixo), que coordenaremos no XII Congresso Abralic (18 a 22/07/11, UFPR, Curitiba). A inscrição deve ser feita SOMENTE no site da Abralic - http://www.abralic.org.br/ - entre os dias 14/03 e 15/04/11.

NA CASA GUILHERME DE ALMEIDA: http://www.casaguilhermedealmeida.org.br/

GRUPO DE ESTUDOS DE TRADUÇÃO POÉTICA

Por Alípio Correia de Franca Neto
Quintas-feiras, das 19h30 às 21h30, Dias 7 e 14 de abril; 5, 12, 19 e 26 de maio.

Essa atividade permanente da Casa Guilherme de Almeida destina-se à discussão de aspectos teóricos e práticos da tradução de poemas, com base no próprio exercício orientado de tradução de obras escolhidas.

Alípio Correia de Franca Neto é tradutor e escritor. Traduziu, entre outros, os livros Música de câmara, de James Joyce, e A balada do velho marinheiro, de S. T. Coleridge.

OFICINA DE TRADUÇÃO DE PROSA

Por Alzira Allegro
Sábados, das 10h30 às 12h30.
Dias 12, 19 e 26 de março; 2 e 30 de abril; 7 e 14 de maio; 4 e 18 de junho.

O curso terá por objetivo a realização, pelos alunos, de tradução de uma obra de prosa; para tanto, tratará de aspectos teóricos e práticos de tradução literária. O resultado do trabalho em grupo será publicado pela Casa Guilherme de Almeida.

Alzira Allegro é professora de Literatura de Povos de Língua Inglesa e de Práticas de Tradução no Centro Universitário Ibero-Americano (Unibero). Tem diversos trabalhos publicados na área de tradução, entre eles, A Evolução – Cartas Seletas de Charles Darwin (1860-1870) e O Espelho e a Lâmpada.

JAMES JOYCE ENTRE NÓS: TRADUÇÃO BRASILEIRA

Por Maria Teresa Quirino
Terças-feiras, das 19h30 às 21h30. A partir do dia 5 de abril.

A oficina propõe a leitura, em voz alta, pelos participantes, de diferentes traduções da obra de Joyce, seguida de observações e comentários sobre os textos. A série de encontros, que deverá se prolongar por todo o ano, inicia-se, no dia 5 de abril, com a leitura dos contos do livro Dublinenses, que será seguido, em outro módulo do programa, pelo romance Ulisses. Do grupo de leitura emergirá um grupo de pesquisa, que terá a missão de observar e analisar as diferenças entre as traduções lidas, sob vários aspectos, com o objetivo de elaborar trabalhos a serem publicados pelo Centro de Estudos de Tradução Literária do museu.

Maria Teresa Quirino é professora, tradutora, especialista em estudos de tradução, mestre e doutoranda em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela USP e bolsista da James Joyce Summer School 2010, na University College Dublin.

CARLOS RENNÓ: LETRAS E VERSÕES

Por Carlos Rennó - Quartas-feiras, das 19h30 às 21h30. - Dias 6, 13 e 27 de abril.

O letrista e tradutor Carlos Rennó discutirá os processos de criação e de tradução de letras de música popular, apontando diferenças em relação à criação de poemas

Carlos Rennó é letrista, parceiro de Lenine, João Bosco, Gilberto Gil, Arrigo Barnabé, Pedro Luiz, Rita Lee e outros. Canções com letras suas já foram gravadas por nomes que vão de Tetê Espíndola e Gal Costa a Maria Rita, Roberta Sá e Seu Jorge. É autor de Cole Porter - Canções, Versões (Paulicéia) e organizador de Gilberto Gil - Todas as Letras (Companhia das Letras).

A POESIA DE JOYCE - Por Alípio Correia de Franca Neto
Dia 9 de junho, quinta-feira, das 19h30 às 21h30.

O tradutor dos livros de poemas de Joyce para o português aborda características da poesia joyciana e aspectos de sua experiência de tradução.

Alípio Correia de Franca Neto é tradutor e escritor. Traduziu, entre outros, os livros Música de câmara, de James Joyce, e A balada do velho marinheiro, de S. T. Coleridge.
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