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23 de mar. de 2020

artigo

com várias contribuições inestimáveis, terminei meu artigo com o levantamento bibliográfico das traduções de obras das irmãs brontë, katherine mansfield e virginia woolf no brasil (c.1916-19 a 2019). disponível aqui.

12 de fev. de 2012

charlotte brontë traduzida no brasil

Aqui consolido num único post as traduções de obras de Charlotte Brontë que comentei em outros posts, aqui.

Começo por Jane Eyre, com nada menos de oito traduções (além de um plágio) entre nós.

I.
A primeira delas saiu pela Vozes, com o nome de Joanna Eyre: não consta a data nem o crédito de tradução, mas há um "prefacio do traductor" datado de 1916, em Porto Alegre. Abaixo, página de rosto da segunda edição, em 1926:



Foi reeditada em 1953, tirando um "n":


II.
Em 1942, veio a tradução de Sodré Viana pela Pongetti (reed. em 43, 44, 46, 54, 56, 58, 60 e 65). Aqui em capa de 1946:


A partir dos anos 70, passa a ser editada pela Ediouro, onde continua em catálogo. O espanto aqui fica por conta da coleção em que foi incluída a obra - Clássicos de Bolso Franceses (!):


III.
Em 1945, sai a tradução de Virginia Silva Lefreve [sic; leia-se Lefèvre], pela Edições e Publicações Brasil, com o título de Jane Eyre (a mulher sublime).



IV.
Em 1971, a Ediouro lança a adaptação infanto-juvenil para a Coleção Elefante, por Miécio Tati:

Jane Eyre-charlotte Bronte- 1971

V.
Em 1983, sai a tradução de Marcos Santarrita, pela Francisco Alves:


VI.
Em 1996, a tradução de Lenita Esteves e Almiro Pisetta sai pela Paz e Terra:


VII.
Em 2008, a Itatiaia lança uma pretensa tradução em nome de Waldemar Rodrigues de Oliveira, na verdade cópia fiel da tradução de Sodré Viana. Veja aquiaqui.


VIII.
Em 2010, sai pela Landmark a tradução de Doris Goettems, em edição bilíngue:


IX.
Em 2011, é lançada a tradução de Heloísa Seixas pela BestBolso:

JANE EYRE



(A título de curiosidade, em 1953 sai uma quadrinização pela Ebal, em Edição Maravilhosa, n. 69.)
Revista Hq Edição Maravilhosa Jane Eyre Charlotte Bronte


Passemos a outro romance de Charlotte Brontë: Shirley. Foi lançado em 1949, pela Editora Brasileira, numa esquecida tradução de Fábio Valente:

Shirley - CHARLOTTE BRONTE



The Professor, de publicação póstuma, teve um pouco mais de sucesso entre nós:

I.
Sua primeira tradução, de Raul Lima, saiu pela José Olympio em 1944:


E foi reeditada pela Global em 1983:


II. 
Há outra edição pela Saraiva em 1958, cujo tradutor não consegui descobrir, num curioso volume duplo, junto com A lenda de Ulenspiegel, de Charles de Coster:

O Professor C Bronté e a Lenda de Ulenspiegel, C de Coster

III. 
O professor também saiu pelo Clube do Livro em 1958, com tradução em nome de José Maria Machado, o que, porém, não esclarece muita coisa ("José Maria Machado" significava basicamente uma sapecada do Clube do Livro em traduções alheias, e pronto).

O Professor - Charlotte Brontë


Em 1993, a Nova Fronteira lança dois textos da juvenília de Brontë, O segredo & Lily Hart, em tradução de Maria Ignez Duque Estrada:



Em 2006, sai "Napoleão e o espectro" em O grande livro de histórias de fantasmas, pela Suma de Letras, com tradução de Cristina Cupertino:



Por outro lado, Villette, o terceiro de seus três romances publicados em vida, continua inédito entre nós. 

Aos apreciadores das irmãs Brontë, recomendo Leituras Brontëanas, da Carolina, aqui.


13 de set. de 2011

jane eyre, o cotejo II

sodré viana:

"Sangram-me os pés. E sinto-me cansada.
A estrada é longa e os montes são agrestes.
Breve, uma noite fúnebre, sem luar,
Virá tingir a estrada da orfãzinha.

Por que me exilam, tão distante e só,
Nos fundos tremedais, nas rochas tristes?
Homens maus... A doçura dos arcanjos
Vela pela jornada da orfãzinha.

Agora, longe e branda, a aragem sopra.
O céu está limpo e tem estrelas meigas.
A bondade de Deus unge de amparo
E conforto e esperança a orfãzinha.

Que eu tombe atravessando a ponte em ruínas,
Que os pirilampos me arremessem aos charcos:
Meu Pai, ciciando bênçãos e promessas,
Há de acolher em Si a orfãzinha.

Idéia cuja força me conforta,
Sensação de carinho e de amizade:
O céu é um lar onde terei descanso,
Porque Deus é amigo da orfãzinha."

waldemar rodrigues de oliveira:

"Sangram-me os pés. E sinto-me cansada.
A estrada é longa e os montes são agrestes.
Breve, uma noite fúnebre, sem luar,
Virá tingir a estrada da orfãzinha.

Por que me exilam, tão distante e só,
Nos fundos tremedais, nas rochas tristes?
Homens maus... A doçura dos arcanjos
Vela pela jornada da orfãzinha.

Agora, longe e branda, a aragem sopra.
O céu está limpo e tem estrelas meigas.
A bondade de Deus unge de amparo
E conforto e esperança a orfãzinha.

Que eu tombe atravessando a ponte em ruínas,
Que os pirilampos me arremessem aos charcos:
Meu Pai, ciciando bênçãos e promessas,
Há de acolher em Si a orfãzinha.
Idéia cuja força me conforta,
Sensação de carinho e de amizade:
O céu é um lar onde terei descanso,
Porque Deus é amigo da orfãzinha."

original:


“My feet they are sore, and my limbs they are weary;
   Long is the way, and the mountains are wild;
Soon will the twilight close moonless and dreary
   Over the path of the poor orphan child.
Why did they send me so far and so lonely,
   Up where the moors spread and grey rocks are piled?
Men are hard-hearted, and kind angels only
   Watch o’er the steps of a poor orphan child.
Yet distant and soft the night breeze is blowing,
   Clouds there are none, and clear stars beam mild,
God, in His mercy, protection is showing,
   Comfort and hope to the poor orphan child.
Ev’n should I fall o’er the broken bridge passing,
   Or stray in the marshes, by false lights beguiled,
Still will my Father, with promise and blessing,
   Take to His bosom the poor orphan child.
There is a thought that for strength should avail me,
   Though both of shelter and kindred despoiled;
Heaven is a home, and a rest will not fail me;
   God is a friend to the poor orphan child.”

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atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



jane eyre, um cotejo

hoje, por fim, chegou meu exemplar de jane eyre na tradução de sodré viana. já tinha recebido na semana passada a edição da itatiaia, com tradução em nome de um certo "waldemar rodrigues de oliveira".

veja a introdução ao tema aqui, em "leitora alerta"ou na linha de assuntos "itatiaia", aqui.

transcrevo abaixo alguns parágrafos das "duas" traduções. como a leitora vanessa já tinha transcrito o parágrafo inicial, sigo um pouco adiante.

sodré viana:

Capítulo I
      [...] Isto me alegrava; não gostava de caminhadas longas, principalmente em tardes frias. Temia a volta, os dedos e os artelhos torturados, o coração confrangido pelos carões de Bessie, a governante, e humilhada na consciência da minha inferioridade física diante de Lisa, de John e de Georgiana Reed.
      Agora, na sala de visitas, Elisa, John e Georgiana rodeavam a mamãe deles. E ela, reclinada no sofá, ao pé do fogo, com os seus queridos em torno (no momento não estavam rusgando nem gritando) tinha um olhar fundamente feliz. Quanto a mim, vivia banida do grupo. A senhora Reed declarara "lamentar muito ter de conservar a distância". E que: "enquanto não ouvisse de Bessie, e não pudesse ela mesma constatar que eu me esforçava sinceramente por adquirir um comportamento mais sociável e mais próprio a uma menina, um modo atraente, e jovial - qualquer coisa de mais dúctil, mais franco e mais espontâneo - via-se na obrigação de me excluir dos privilégios devidos somente às criancinhas bem procedidas e alegres".

waldemar rodrigues de oliveira:

Capítulo I
      [...] Isto me alegrava; não gostava de caminhadas longas, principalmente em tardes frias. Temia a volta, os dedos e os artelhos torturados, o coração confrangido pelas censuras de Bessie, a governante, e humilhada na consciência da minha inferioridade física diante de Lisa, de John e de Georgiana Reed.
      Agora, na sala de visitas, Elisa, John e Georgiana rodeavam a mamãe deles. E ela, reclinada no sofá, ao pé do fogo, com os seus queridos em torno (no momento não estavam rusgando nem gritando) tinha um olhar fundamente feliz. Quanto a mim, vivia banida do grupo. A senhora Reed declarara "lamentar muito ter de conservar a distância". E que: "enquanto não ouvisse de Bessie, e não pudesse ela mesma constatar que eu me esforçava sinceramente por adquirir um comportamento mais sociável e mais próprio a uma menina, um modo atraente, e jovial - qualquer coisa de mais dócil, mais franco e mais espontâneo - via-se na obrigação de me excluir dos privilégios devidos somente às criancinhas bem procedidas e alegres".

original:

      I was glad of it: I never liked long walks, especially on chilly afternoons: dreadful to me was the coming home in the raw twilight, with nipped fingers and toes, and a heart saddened by the chidings of Bessie, the nurse, and humbled by the consciousness of my physical inferiority to Eliza, John, and Georgiana Reed.
     The said Eliza, John, and Georgiana were now clustered round their mama in the drawing-room: she lay reclined on a sofa by the fireside, and with her darlings about her (for the time neither quarrelling nor crying) looked perfectly happy.  Me, she had dispensed from joining the group; saying, “She regretted to be under the necessity of keeping me at a distance; but that until she heard from Bessie, and could discover by her own observation, that I was endeavouring in good earnest to acquire a more sociable and childlike disposition, a more attractive and sprightly manner—something lighter, franker, more natural, as it were—she really must exclude me from privileges intended only for contented, happy, little children.”

posso assegurar que todo o restante do livro segue nessa mesma toada da pura cópia, nem mesmo fazendo outras trocas ao estilo de "carão" por "censura" ou de "dúctil" por "dócil".

a tradução de sodré viana talvez não seja propriamente um primor de correção, estilo ou fluência, mas é ele o seu autor, e como tal deve ser tratado. agora, quem é esse "waldemar rodrigues de oliveira" - um nome inventado, um ser de carne e osso que se apropriou da tradução de sodré viana ou que emprestou o seu nome à itatiaia para que a editora se apropriasse dela - não sei dizer. o que me parece cristalino e irrefutável é o fato concreto, material, objetivo da apropriação indevida.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

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7 de set. de 2011

questão de critério


sempre acho meio engraçado esse afã da concorrência entre as editoras. fartam-se e refartam-se com os mesmos títulos. oito traduções de jane eyre? que tédio!


já outro romance de charlotte brontë, shirley, parece ter tido uma única tradução - aliás  esquecidíssima e esgotadíssima - em 1949, pela gráfica brasileira.

e villette, se não me engano, continua inédito entre nós. 

por outro lado, seu póstumo the professor teve relativo sucesso: 

raul lima, josé olympio, 1944

reeditada pela global em 1983:


e outra edição que teria pela saraiva em 1958, cujo tradutor não consegui descobrir, num curioso volume duplo, junto com a lenda de ulenspiegel, de charles de coster (provável erro de cadastramento):

O Professor C Bronté e a Lenda de Ulenspiegel, C de Coster

o professor também saiu pelo clube do livro em 1958, com tradução em nome de josé maria machado, o que, porém, não esclarece muita coisa ("josé maria machado" significava basicamente uma sapecada do clube do livro em traduções alheias, e pronto).



apesar da pouca ou nenhuma atenção dada a shirley e a villette, romances publicados em vida de charlotte brontë, a nova fronteira, sabe-se lá por qual critério de relevância, preferiu lançar dois textos da juvenília, o segredo & lily hart, em tradução de maria ignez duque estrada (1993):


sobra de um lado, falta do outro, escolhem-se textos que têm mais valor de curiosidade do que qualquer outra coisa... não termos villette, acho imperdoável! pois creio que sobre uma coisa todos hão de convir: obra publicada em vida tem um valor autoral que não se compara ao de manuscritos e esboços de juventude guardados envergonhadamente no fundo da gaveta ou ao de obras póstumas que não tiveram a chancela do autor em vida.

tudo tem sua importância relativa, claro, mas um pouco de critério acho que não faria mal às editoras. repito: oito traduções de jane eyre, sendo que pelo menos quatro estão ativas em catálogo? senhores editores, que tal pensar um pouco mais nos leitores e um pouco menos nos concorrentes?

p.s.: depois formam estoque e ficam às voltas com seus encalhes,
e não sabem por quê...

atualização em 12/2/12: "napoleão e o espectro" saiu em o grande livro de histórias de fantasmas, pela suma de letras, em 2006, com tradução de cristina cupertino:

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6 de set. de 2011

a título de curiosidade

no primeiro post sobre jane eyre no brasil, aqui, citei uma edição de 1926 pela vozes; a rigor, por "Natalino Typographia das VOZES DE PETRÓPOLIS".

não descobri muito sobre ela, e não sou tão fã assim de charlotte brontë para comprá-la (já estou comprando a edição da pongetti e a da itatiaia). mas pedi informações a dois livreiros da estante virtual, que me dizem o seguinte: de fato não consta o nome do tradutor de joanna eyre, mas há um "prefacio do traductor" datado de 1916, em porto alegre, e mais adiante, a menção ao ano de 1925, florianópolis - provavelmente para essa segunda edição de 1926.

assim, parece lícito crer que a edição inicial saiu em 1916 ou pouco depois.


aliás, a respeito desta tradução, encontro aqui um trecho do prefácio do anônimo tradutor: "“Na segunda metade, porém, onde as reflexões e considerações às vezes estorvavam o andamento da narração, tomei a liberdade de cortar desapiedadamente tudo quanto pudesse impedir a carreira dos eventos para o desenlace final. Mais de uma nuance de sentimentos, aliás subtilissima, mais de uma flôr poetica, aliás fragrantissima, ficaram esmagadas pela marcha inexoravel que os factos peremptoriamente exigiam.”

bom, se respeito pela pena da autora ele não tinha, pelo menos senso de humor parecia ter.
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5 de set. de 2011

jane eyre

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Ficheiro:Jane Eyre title page.jpg

se fôssemos julgar pela quantidade de traduções de jane eyre no brasil, concluiríamos que charlotte brontë é um tremendo sucesso entre nós, superando largamente sua irmã emily brontë com wuthering heights e até mesmo a grande dama do romance clássico inglês, jane austen: são nada menos de sete traduções entre nós, além de uma adaptação.

a primeira delas saiu pela vozes, com o nome de joanna eyre: não sei em que ano, mas em 1926 constava como segunda edição. não descobri ainda o nome do tradutor. veja atualização aqui.

em 1942, veio a tradução de sodré viana pela pongetti, com dezenas de reedições até 1960 (mais tarde reeditada pela ediouro, e ainda em catálogo).

em 1945, ver atualizações, abaixo.

em 1971, a ediouro lançou a adaptação feita  por miécio tati.

em 1983, saiu a de marcos santarrita, pela francisco alves (disponível para download aqui).

em 1996, a tradução de lenita esteves e almiro piseta saiu pela paz & terra.

em 2008, a itatiaia lança uma tradução em nome de waldemar rodrigues de oliveira.

em 2010, sai pela landmark a tradução de doris goettems.

em 2011, é lançada a tradução de heloísa seixas pela bestbolso.

por uma valiosa indicação de uma apreciadora de charlotte brontë, o nãogostodeplágio vai iniciar uma pesquisa comparativa entre a tradução de sodré viana e a tradução lançada pela itatiaia, em nome de waldemar rodrigues de oliveira.

atualização em 07/09: consta no catálogo antigo da fbn uma edição de 1945 pela edições e publicações do brasil s/a, com o título jane eyre (a mulher sublime). ainda não localizei o nome do tradutor.

atualização em 08/09: um livreiro me informa que essa edição de 1945 é uma tradução de virgínia silva lefèvre. legal. então, oito traduções diferentes de jane eyre.
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