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22 de dez. de 2015

russos no brasil - algumas retificações

a partir de material documental que me foi gentilmente enviado pelo historiador dainis karepovs, tem-se a comprovação de que os três primeiros lançamentos da bibliotheca de auctores russos contaram com a colaboração de fúlvio abramo na tradução. as obras são três volumes de contos, a saber: konovaloff, de górki (1930), os inimigos e pavilhão no. 6, ambos de tchecov (1931).

esses documentos trazem à tona dados que invalidam algumas afirmações que fiz, ainda que com ressalvas, no artigo "georges selzoff: uma crônica", (tradução em revista, 14, aqui) e na "bibliografia russa traduzida no brasil (1900-1950)" (rus, 3, aqui), bem como a especificação exata de algumas datas de publicação. assim, redigi um breve texto, "bibliografia russa - breves notas complementares", que foi lançado recentemente na rus, 5, disponível aqui.

6 de nov. de 2014

ainda a bibliotheca de auctores russos

que incrível! eu sabia, graças a uma informação do historiador dainis karepovs, que fúlvio abramo havia traduzido alguma coisa com georges selzoff, para sua "bibliotheca de auctores russos". mas não sabíamos, nem ele, nem eu, que obra teria sido.

menciono o fato, e a obscuridade que o rodeia, no artigo "georges selzoff: uma crônica", que saiu em tradução em revista, disponível aqui.

recentemente, a neta de fúlvio abramo, paula abramo, enviou gentilmente a mim uma foto do material de trabalho: a tradução a quatro mãos se referia, afinal, ao conto de alexandre kúprin, "o capitão rybnikoff".

interessante notar que essa tradução já em 1930 era anunciada no prefácio ao primeiro livro publicado na "bibliotheca" selzoffiana, qual seja, konovaloff, de maxim górki. dizia o editor ao final de seu introito: "É assim que já pusemos, sob uma nova luz, algumas das mais commovedoras novelas de Gorki e trabalhamos, febrilmente, na publicação, para muito breve, de traducções de Ivan Turguenieff, Leonide Andreieff, Alexandre Kuprin e Anton Tchecoff". todavia, tal como ocorreu com outras obras anunciadas pela casa, esse texto de kúprin nunca veio a ser publicado.



fica assim confirmada a informação de dainis karepovs, elucidada a identidade do texto e esclarecido mais um pequeno mistério da pioneiríssima iniciativa de georges selzoff, em sua divulgação da literatura russa traduzida diretamente do original.

1 de out. de 2013

tradução em revista: "georges selzoff, uma crônica"

saiu a tradução em revista n. 14, da puc-rio, disponível aqui.


o número traz meu artigo sobre georges selzoff e a bibliotheca de auctores russos, 1930-1932, com as primeiras obras traduzidas diretamente do russo publicadas no brasil.


25 de mai. de 2013

khadji-murat, tradução de georges selzoff

ilustração de m. barychnicoff para khadji-murat, edição cultura, 1931

esta é para um caro amigo, que tão bem soube apreciar a beleza da tradução de khadji-murat, de tolstói, feita por georges selzoff (com a colaboração de allyrio meira wanderley). ela foi publicada em 1931 pela edição cultura, na bibliotheca de auctores russos concebida e desenvolvida pelo tradutor-editor selzoff.

transcrevo os dois primeiros parágrafos, onde o narrador conta a dificuldade que teve em arrancar uma bardana tártara, então florida, cujo vigor e resistência lhe fizeram lembrar a história de khadji-murat, que depois passa a narrar.

      Regressava eu a casa pelos campos. Ia em meio o verão. Segada a erva, começava a ceifa do centeio. Há, nessa época do ano, maravilhosa variedade de flores: as dos trevos, vermelhas, brancas, perfumadas, penugentas; alvos malmequeres de fundo amarelo vivo; a colza dourada, rescendendo a mel; longo o caule, como o caule longo da tulipa, altas campânulas roxas e nevadas; e ervilhas desenrolando-se em trepadeiras; escabiosas flavas, rubras, róseas: com uma pubescência levemente corada, com um aroma agradável e sutil, a tanchagem lilá; e as centáureas, de um azul vibrante ao sol quando recém-desabrochadas e de um azul mortiço à tarde quando se vão fanando; depois, fraquinhas, passageiras, as da cuscuta, que cheiram a amêndoa.
      Colhera grande ramalhete, e prosseguia, mas vi num fosso magnífica bardana violácea, em plena floração; uma dessas entre nós chamadas "tártara", que o foiceiro evita com cuidado, e separa do feno, para não picar as mãos, se porventura a cortou. Quis arrancá-la e pô-la no molho. Desci à vala e, expulso felpudo zangão que adormecera, enroscado e indolente, no coração duma flor, eis-me a desarraigar a planta. Foi bem difícil. Não só o caule ferroava por todos os lados, mesmo através do lenço onde enrolara a mão, como resistia tanto, tanto, que lutei quase cinco minutos com ele, dilacerando-o fibra a fibra. Desaferrada enfim, tinha em frangalhos a haste, e já não parecia nem tão fresca nem tão linda. Além disso, bruta e rude, não se dava com as outras, delicadas. Arrependi-me de haver destruído a flor, tão bela no seu canto, e joguei-a fora. "Que energia! Que vitalidade", me disse a mim próprio, recordando os esforços para desprendê-la. "Como se defendia, e como vendeu cara a vida!"

sabe-se que o russo não dispõe de artigo definido ou indefinido; daí, na tradução, tantas ausências - nem por isso, porém, gramaticalmente incorretas em português - do artigo indefinido que nos soa mais habitual: "maravilhosa variedade", "grande ramalhete", "magnífica bardana", "felpudo zangão". 

quanto à ocorrência de várias orações reduzidas ("segada a erva", "expulso felpudo zangão", "desaferrada enfim"), nelas ressoa à distância a morfologia mais sintética do russo, porém sempre bem desenvolvidas num português leve, desenvolto e até quase coloquial ("fraquinhas", "bem difícil", "resistia tanto, tanto", "não se dava").

considero um trabalho admirável.

por isso tanto mais me surpreendeu a tentativa de leitura crítica de paula scarpin, em seu brevíssimo cotejo com a tradução de boris schnaiderman. reproduzo abaixo meus comentários naquela época, que havia feito aqui.


encontro na matéria de paula scarpin, aqui, um seu juízo sobre a tradução de khadji-murat, de liév tolstói, feita diretamente do russo por georges selzoff em parceria (para o arredondamento final do texto em português) com allyrio meira wanderley, em 1931.

diz a jornalista a certa altura:

[...] é possível perceber que em algum momento do processo o texto coloquial e fluente de Tolstói resultou em um português rebuscado e recheado de arcaísmos, com excesso de uso da ordem indireta. Num trecho do preâmbulo, por exemplo, onde Schnaiderman traduz: “Desci para o fundo da ravina e, depois de expulsar um zangão cabeludo, que se cravara no centro da flor e nela adormecera flácida e docemente, comecei a cortar a haste”, Selzoff escolheu: “Desci à vala e, expulso felpudo zangão que adormecera, enroscado e indolente, no coração de uma flor, eis-me a desarraigar a planta.”
em primeiro lugar, não vejo no exemplo tomado a selzoff/wanderley qualquer "excesso de uso da ordem indireta" - na verdade, não vi absolutamente nenhuma ocorrência de ordem indireta; muito pelo contrário, nada mais direto do que "desci", "que adormecera", "eis-me a desarraigar".

em segundo lugar, utilizar o português do século XXI, mais especificamente o português corrente em 2012, como parâmetro para julgar "rebuscado" e "recheado de arcaísmos" o português de mais de oitenta anos antes, parece-me método de um anacronismo inqualificável. talvez uma possível estranheza que pode ter sentido a jornalista se deva à ausência de artigos indefinidos onde seu uso nos pareceria natural, como no caso do zangão.

mas, afora isso, o que haveria de tão arcaico e rebuscado em "vala", "expulso", "felpudo", "enroscado", "indolente" ou "desarraigar"? muito pelo contrário, bem menos coloquial e fluente parece-me o contraexemplo (tomado à tradução de boris schnaiderman) dado pela jornalista: "adormecera flácida e docemente"!


em suma, creio que, no afã de querer por alguma obscura razão desqualificar a pioneiríssima (e bela!) tradução de selzoff, a jornalista errou a mão.

podíamos passar sem essa.



19 de mai. de 2013

o triste destino de belas traduções

como algumas considerações são anacrônicas e despropositadas!

encontro na matéria de paula scarpin, aqui, um seu juízo sobre a tradução de khadji-murat, de liév tolstói, feita diretamente do russo por georges selzoff em parceria (para o arredondamento final do texto em português) com allyrio meira wanderley, em 1931.

diz a jornalista a certa altura:
[...] é possível perceber que em algum momento do processo o texto coloquial e fluente de Tolstói resultou em um português rebuscado e recheado de arcaísmos, com excesso de uso da ordem indireta. Num trecho do preâmbulo, por exemplo, onde Schnaiderman traduz: “Desci para o fundo da ravina e, depois de expulsar um zangão cabeludo, que se cravara no centro da flor e nela adormecera flácida e docemente, comecei a cortar a haste”, Selzoff escolheu: “Desci à valla e, expulso felpudo zangão que adormecera, enroscado e indolente, no coração de uma flor, eis-me a desarraigar a planta.”
em primeiro lugar, não vejo no exemplo tomado a selzoff/wanderley qualquer "excesso de uso da ordem indireta" - na verdade, não vi absolutamente nenhuma ocorrência de ordem indireta; muito pelo contrário, nada mais direto do que "desci", "que adormecera", "eis-me a desarraigar".

em segundo lugar, utilizar o português do século XXI, mais especificamente o português corrente em 2012, como parâmetro para julgar "rebuscado" e "recheado de arcaísmos" o português de mais de oitenta anos antes, parece-me método de um anacronismo inqualificável. talvez uma possível estranheza que pode ter sentido a jornalista se deva à ausência de artigos indefinidos onde seu uso nos pareceria natural, como no caso do zangão.

mas, afora isso, o que haveria de tão arcaico e rebuscado em "vala", "expulso", "felpudo", "enroscado", "indolente" ou "desarraigar"? muito pelo contrário, bem menos coloquial e fluente parece-me o contraexemplo (tomado à tradução de boris schnaiderman) dado pela jornalista: "adormecera flácida e docemente"!

em suma, creio que, no afã de querer por alguma obscura razão desqualificar a pioneiríssima (e bela!) tradução de selzoff, a jornalista errou a mão.

podíamos passar sem essa.

veja-se também aqui.

8 de abr. de 2013

georges selzoff, VI

admira-me a pertinácia do editor e tradutor georges selzoff em sua coleção "bibliotheca de auctores russos".

dois meses antes de encerrar suas atividades, ele ainda faz estampar na quarta capa de ninho de fidalgos, penúltimo livro publicado pela editora, a relação dos livros que já estariam no prelo - nada menos que catorze, entre eles um cartapácio como oblomov:



a editora publica seu último título em abril de 1932: é o anunciado águas da primavera, em tradução de selzoff e brito broca.

acompanhe o levantamento sobre as publicações da georges selzoff & cia. aqui.

24 de mar. de 2013

bibliotheca de auctores russos

apresento abaixo a relação consolidada das obras publicadas pela coleção "bibliotheca dos auctores russos" pela georges selzoff, editor, na ordem cronológica que pude apurar.

I. catálogo
  • Maximo Gorki, Konovaloff, contendo também “A feira”, “Kirilka” e “Uma vez, no outomno”. [Sem créditos de tradução.] 1930. 156 p.
  • Anton Tchecoff, Os inimigos, trazendo também os seguintes contos: "Delírio (Gussieff)", "Algazarra em família", "No carro (O caminho da mestre-escola)", "Verotchka", "Estudante”, “Lenda sueca (O conto do jardineiro chefe)", "Zinotchka" e "Uma noite atroz". [Sem créditos de tradução.] 1930? 178 p.
  • Anton Tchecoff, O pavilhão n. 6, contendo também “A desgraça”, “A felicidade”, “A obra de arte” e “Os simuladores” (edição ilustrada). [Sem créditos de tradução.] 1931. 187 p.
  • Leon Tolstoi, Khadji Murat (edição ilustrada). [Sem créditos de tradução, porém elementos indicam tradução a quatro mãos com Allyrio M. Wanderley.] 1931. 173 p.
  • Feodor Dostoievski, Um jogador (das notas de um rapaz). Igrok. [Sem créditos de tradução, porém elementos indicam tradução a quatro mãos com Allyrio M. Wanderley.] 1931. 170 p.
  • Leon Tolstoi, Padre Sergio (vinhetas e ilustrações de M. Barychnikoff). [Sem créditos de tradução, porém elementos indicam tradução a quatro mãos com Allyrio M. Wanderley.] 1931. 176 p.
  • Leonide Andreieff, Judas Iscariotes (capa e ilustração de M. Barychnikoff).  [Sem créditos de tradução, porém elementos indicam tradução a quatro mãos com Allyrio M. Wanderley.] 1931. 141 p.
  • Leonide Andreieff, Os sete enforcados. Traducção integral do original russo por Georges Selzoff e Orígenes Lessa. 1931-32. 150 p.
  • Ivan Turguenieff, Ninho de fidalgos (ilustrações de Inne Zueff). Traducção integral do original russo por Georges Selzoff e Elsie Lessa. 1932. 184 p.
  • Ivan Turguenieff, Águas da primavera. Traducção integral do original russo por Georges Selzoff e Brito Broca. 1932. 201 p.


II. destino ulterior
  • os sete enforcados foi reeditado na antologia organizada por rubem braga, os russos: antigos e modernos, editora leitura, 1944. essa antologia se encontra atualmente no catálogo da ediouro, com o título de contos russos: os clássicos. a tradução, porém, vem atribuída apenas a orígenes lessa. em seu prefácio, rubem braga se limita a dizer: Alegro-me pelo fato de poder apresentar em tradução direta do russo duas obras-primas: "O capote" e "Os sete enforcados". Ambos foram traduzidos por escritores brasileiros em colaboração com sabedores de russo.
  • destino mais triste teve os sete enforcados na coleção "grandes romances universais", da w. m. jackson, volume 7, com várias reedições a partir de 1947. não consta nenhum crédito de tradução nem a origem editorial do texto. no verso da página de rosto, diz-se apenas "Tradução revista e adaptada para esta Coleção pelo Departamento Editorial de W. M. Jackson Inc.".
  • destino igualmente infame, no mesmo volume da mesma coleção da w. m. jackson, teve khadji murat, também apresentada como "Tradução revista e adaptada para esta Coleção pelo Departamento Editorial de W. M. Jackson Inc.". 
  • a única tradução do catálogo da georges selzoff a ter sobrevivência minimamente decente foi  águas da primavera, reeditada algumas vezes pela melhoramentos nos anos 1950. na página de rosto consta "tradução revista por marina stepanenko"; no verso da página de rosto, constam os devidos créditos: "Esta obra foi, inicialmente, publicada na Biblioteca de Autores Russos de Georges Selzoff, em tradução de Brito Broca e Georges Selzoff". 
observação: a partir de 1957, a cultrix criou uma coleção chamada maravilhas do conto universal, que sistematicamente debulhava catálogos alheios e respigava, sem créditos, traduções de contos que lhe interessavam. no volume de maravilhas do conto russo, há "a obra de arte", de tchecov. não sei se a origem foi a "bibliotheca de auctores russos". caberia pesquisar.

creio que seria muito útil para a memória da bibliografia russa traduzida no brasil a digitalização das obras publicadas pela bibliotheca de auctores russos, da georges selzoff & cia. ltda.

acompanhe a crônica de selzoff aqui.

para essa reconstituição, devo várias informações a gutemberg medeiros, josé mota victor e bruno gomide.

georges selzoff, V

consta que selzoff teria feito uma versão d'a marquesa de santos para sua língua materna. é o que afirma fernando jorge em seu livro vida, obra e época de paulo setúbal, um homem de alma ardente, pela geração editorial, 2003, aqui:


devido à ausência de fontes e referências, porém, fica difícil não só corroborar a informação, mas também saber se, onde e quando essa sua versão do romance histórico de paulo setúbal teria sido publicada.

22 de mar. de 2013

zoran ninitch, II

retomo o precário perfil de zoran ninitch que venho tentando montar. a primeira parte está aqui.

I.
quanto a versões do português para o croata feitas por ninitch, tenho notícia de três. a primeira delas é o romance de paulo setúbal, a marquesa de santos (1925), que foi publicada no zagreb em 1927 como uma espécie de madame pompadour brasileira:

Autor:Setubal, Paulo, 1893-1937.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Markeza de Santos (Brazilska Pompadourka)
Imprenta:Zagreb [Yugo-Eslavia] 1927. 
Descrição física:256 p. ilus.
Notas:Registro Pré-MARC
Assuntos:Santos, Domitila de Castro Canto e Mello marquesa de, 1797-1867 - Romances, novelas, contos.clique aqui para ver as obras sob este assunto no Catálogo de Autoridades de Assuntos
Pedro I, imperador do Brasil, 1798-1834 - Romance, novelas, contos.clique aqui para ver as obras sob este assunto no Catálogo de Autoridades de Assuntos 
Entradas secundárias:Ninitch, Zoran, trad.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
B869.3
Indicação do Catálogo:B869.3/S495ma8 

não tenho nenhuma informação concreta sobre as condições em que essa obra foi traduzida. mas uma hipótese que eu não excluiria totalmente é a de que essa versão foi anterior ao exílio de ninitch, e teria sido feita quando ele ainda vivia na iugoslávia. atualização: anulada esta hipótese; descubro que zoran ninitch chegou ao brasil em 1924. morando aqui, manteve-se como colaborador da imprensa croata por muitos anos.

uma curiosidade é que outro exilado e pequeno editor-tradutor, georges selzoff, de quem tenho tratado aqui, também teria feito uma versão d'a marquesa de santos para sua língua materna. é o que - porém sem maiores referências nem menção às fontes - afirma fernando jorge em seu livro vida, obra e época de paulo setúbal, um homem de alma ardente, pela geração editorial, 2003, à p. 172.


II.
zoran ninitch também fez a versão de inocência para o croata, publicada em 1925:

fonte: maria lídia lichtscheidl, o visconde de taunay e os fios da memória. são paulo: ed. unesp, 2006. p. 297.


III.
o outro texto vertido para o iugoslavo foi los de abajo (1915), de mariano azuela, um relato de suas experiências como médico de campo durante a revolução mexicana, ao lado de pancho villa, que saiu serializado no principal jornal croata, o liberal obzor ("horizonte"):

fonte: obras completas de mariano azuela, méxico: fondo de cultura económica, 1960. p. 1298.

a serialização de oni sa dna foi antecedida por um artigo de ninitch, provavelmente para situar a obra de azuela e sua participação na revolução:

fonte: arturo azuela, prisma de mariano azuela. méxico: plaza y valdés, 2002. p. 323.
(onde está "coman", leia-se "roman")

vale lembrar que, no ano seguinte, a machado & ninitch editores publica a tradução brasileira dessa obra de azuela, feita por aurélio pinheiro, com o título de os rebelados, como já indicado em zoran ninitch, I. é curioso notar que é uma das poucas edições da machado & ninitch a especificar "tradução autorizada".

sobre as "piratarias" de ninitch, falaremos depois. o que quero apontar agora é que muito provavelmente azuela cedeu a zoran ninitch e sua editora o direito de tradução e publicação de los de abajo no brasil na esteira da publicação da obra na iugoslávia. é uma crônica interessante, à qual dedicarei o próximo post.


IV.
há ainda menções esparsas a uma versão sua de iracema de josé de alencar. porém, não encontrei dados bibliográficos nem maiores corroborações. (note-se de passagem que deu à filha o nome de iracema.)

(continua aqui)

12 de mar. de 2013

coleção "contos do mundo"

volta e meia, em meus levantamentos da história da tradução no brasil, cito as antologias da editora leitura, em sua coleção "contos do mundo". foram apenas três volumes - os russos: antigos e modernos (1944), os ingleses: antigos e modernos (1944) e os norte-americanos: antigos e modernos (1945), os dois primeiros com coordenação de rubem braga e o terceiro de vinícius de moraes, e um time de tradutores realmente admirável.

Devo a imagem de capa à enorme gentileza de Saulo von Randow Jr.


                    
 esta 
foto é da josélia aguiar, aqui



atualmente essas coletâneas estão no catálogo da ediouro e disponíveis para visualização parcial (mas bem ampla) no google books, com os títulos de contos russos: os clássicoscontos ingleses: os clássicos e  contos norte-americanos: os clássicos. hélio pólvora, aliás, dedicou uma resenha a esses relançamentos pela ediouro, situando as obras em seu quadro original na editora leitura. veja aqui.

mas pelo menos uma coisa bizarra há nessa bela antologia dos russos - e quem me chamou a atenção para ela foi gutemberg medeiros. a tradução d'os sete enforcados, de leonid andreiev, que consta apenas em nome de orígenes lessa, é aquela mesma que saiu em 1932 pela bibliotheca de auctores russos, de georges selzoff. a tradução foi feita a quatro mãos por georges selzoff e orígenes lessa, sendo que aquele traduzia diretamente do russo e este vazava em português escorreito. veja aqui. pena... além do ocultamento do fato, vetou-se ao leitor a informação de que se tratava de uma versão direta do russo, fato raro na época (e coisa que orígenes, ao se apresentar como único tradutor, não poderia dizer, pois não dominava o russo).

imagem gentilmente cedida por josé mota victor


11 de mar. de 2013

georges selzoff, IV

em georges selzoff, I, aqui, eu tinha comentado: "águas da primavera, de ivan turguenieff, tradução a quatro mãos com brito broca, 1932, com menção a uma segunda edição no mesmo ano. não localizei imagem de capa nem exemplar em nosso acervo, mas encontrei uma edição da melhoramentos nos anos 1950, com 'tradução revista por marina stepanenko'. quem sabe não será a de selzoff/ broca?"

encomendei um exemplar da melhoramentos (da selzoff não se encontra à venda em lugar nenhum) e fiquei muito feliz ao encontrar no verso da página de rosto as devidas especificações: 




sempre achei a melhoramentos seriíssima, e fico contente com mais esta confirmação - ainda mais se a gente lembrar o festival de contrafações que grassava naquelas décadas de 1940 e 1950, com centenas de "traduções revistas por XXX", sem dar as fontes, fosse na pongetti, na w. m. jackson, mesmo na nacional, sobretudo na cultrix em sua coleção de 24 volumes de "maravilhas do conto tal"... e sobretudo a memória da pioneiríssima biblioteca selzoffiana não se perdeu de todo, na reutilização de suas antigas traduções.

19 de jan. de 2013

bibliografia russa no brasil 1887-1936 (bruno gomide)

abaixo transcrevo segue o utilíssimo levantamento de bruno gomide sobre a literatura russa no brasil, extraído de sua tese de doutorado (2004), disponível aqui.

1 – EDIÇÕES E TRADUÇÕES BRASILEIRAS DE LITERATURA RUSSA (1887-1936): LIVROS E PERIÓDICOS 
ANDRÉIEV, Leonid. “O gigante”. Primeira: a revista por excelência, n. 11. Rio de Janeiro, 25 dez. 1927.
_____. “Juventude”. Primeira: a revista por excelência, n. 40. Rio de Janeiro, 10 mar. 1929.
_____. “Loucura?”. Leitura para todos, 2a fase, n. 86. Rio de Janeiro, set. 1926.
_____. “O muro”. Primeira: a revista por excelência, n. 5. Rio de Janeiro, 25 set. 1927.
_____. “O riso”. Paratodos, n. 10. Rio de Janeiro, 22 fev. 1919.
_____. “O riso”. Primeira: a revista por excelência, n. 36. Rio de Janeiro, 10 jan. 1929.
AVERCHENKO, Arkadi. “As aventuras da Milowsorow”. Primeira: a revista por excelência, n. 18. Rio de Janeiro, 10 abr. 1928.
_____. “A casa de feras de Constantinopla”. Primeira: a revista por excelência, n. 10. Rio de Janeiro, 10 dez. 1927.
_____. “Uma comédia russa – o homem do gorro verde”. Revista do Globo, ano V, n. 10. Porto Alegre, 31 maio 1933.
_____. “Maupassant”. Primeira: a revista por excelência, n. 42. Rio de Janeiro, 10 abr. 1929.
_____. “O menino travesso”. Primeira: a revista por excelência, n. 30. Rio de Janeiro, 10 out. 1928.
_____. “A mentira”. Primeira: a revista por excelência, n. 39. Rio de Janeiro, 25 fev. 1929.
_____. “As seis amigas de Korablew”. Primeira: a revista por excelência, n. 35. Rio de Janeiro, 25 dez. 1928.
_____. “Sorte de poeta”. Vamos ler!, n. 365. Rio de Janeiro, 29 jul. 1943.
_____. “A sorte fatal”. Revista do Globo, ano VI, n. 18. Porto Alegre, 20 set. 1934.
_____. “A vaca”. Primeira: a revista por excelência, n. 12. Rio de Janeiro, 10 jan. 1928.
BIERDIÁIEV, Nikolai. Uma nova Idade Média. Trad. Tasso da Silveira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1936.
DOSTOIÉVSKI, Fiódor M. Alma de criança. Trad. Henrique Marques Junior (coleção chic). Rio de Janeiro, 1915.
_____. Alma de Criança. Rio de Janeiro, Universal, 1932.
_____. “A árvore de Natal”. Diário Popular, n. 4420. São Paulo, 24 dez. 1897.
_____. “Um club da má língua” (folhetim). A vanguarda, n. 1. Rio de Janeiro, 11 maio 1911.
_____. Crime e Castigo. Publicado em folhetim em A manhã. Rio de Janeiro, 1926.
_____. Crime e Castigo. Trad. Ivan Petrovich. Rio de Janeiro, Americana, 1930.
_____. Crime e Castigo. Trad. revista por Elias Davidovitch. Rio de Janeiro, Guanabara, 1936.
_____. Crime e Castigo. Trad. J. Jobinsky, revista por Aurélio Pinheiro. Rio de Janeiro, Pongetti, 1936.
_____. Ensaio sobre o burguês. Trad. Elias Davidovitch. Rio de Janeiro, Pongetti, s/d.
_____. O eterno marido. Trad. Violeta Alcântara Carreira. São Paulo, Cultura Brasileira, 1935.
_____. Humilhados e ofendidos. Ed. revista por Bandeira Duarte. Rio de Janeiro, Marisa, 1931.
_____. Humilhados e ofendidos. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1935.
_____. “Idéias russas”. Os anais, n. 41. Rio de Janeiro, 27 jul. 1905.
_____. Os irmãos Karamazov. Trad. Raul Rizinsky. Rio de Janeiro, Americana, 1931.
_____. O jogador. Versão portuguesa de Alcides Cruz. Porto Alegre, Americana, s/d [anterior a 1900]. [1895-6 - db]
_____. Um jogador (das notas de um rapaz). São Paulo, Cultura, 1931.
_____. Os pobres diabos. Trad. Elias Davidovich. Rio de Janeiro, Flores e Mano, 1932.
_____. O príncipe idiota. Trad. Demerval Café e Oswaldo Castro. Rio de Janeiro, Waissman, Reis & Cia., 1931.
_____. Recordações da casa dos mortos. Trad. Fernão Neves. Rio de Janeiro, Castilho, s/d.
EHRENBURG, Ilya. “A alegre Inglaterra”. Pan: semanário de leitura mundial, n.53. Rio de Janeiro, 24 dez. 1936.
FADEIEV, A. “No longínquo oriente”. Revista acadêmica, n. 14. Rio de Janeiro, out. 1935.
GOGOL, Nikolai. “As almas mortas”. A evolução, n. 4. Fortaleza, 9 ago. 1888.
_____. “As almas mortas (cont.)”. A evolução, n. 5. Fortaleza, ago. 1888.
_____. “As almas mortas (cont.)”. A evolução, n. 6. Fortaleza, ago. 1888.
_____. “As almas mortas (cont.)”. A evolução, n. 7. Fortaleza, ago. 1888.
_____. “A noite na Ucrânia”. Seleta, ano II, n. 10. Rio de Janeiro, 8 mar. 1916.
GÓRKI, Maksim. “Os amassadores” (folhetim). Rio de Janeiro, n. 1. Rio de Janeiro, 20 out. 1910.
_____. “O amor materno”. Primeira: a revista por excelência, n. 25. Rio de Janeiro, 25 jul. 1928.
_____. “O avô Arkhip e Lenka”. Primeira: a revista por excelência, n. 16. Rio de Janeiro, 10 mar. 1928.
_____. “A canção das procelárias”. Almanaque do Globo. Porto Alegre, 1917.
_____. “O canto do falcão”. Primeira: a revista por excelência, n. 11. Rio de Janeiro, 25 dez. 1927.
_____. “O coração de Danko”. Kosmos, ano II, n. 8. Rio de Janeiro, ago. 1905.
_____. “O coração resplendente”. Seleta, ano II, n. 15. Rio de Janeiro, 13 abr. 1916.
_____. “Dostoievsky”. Revista acadêmica, n. 12. Rio de Janeiro, jul. 1935.
_____. “Era um encanto de boneca”. Primeira: a revista por excelência, n. 22. Rio de Janeiro, 10 jun. 1928.
_____. “Os homens fortes”. Almanaque do Globo. Porto Alegre, 1917.
_____. “O Khan e seu filho”. Primeira: a revista por excelência, n. 4. Rio de Janeiro, 10 set. 1927.
_____. “Kirilka”. Revista acadêmica, n. 20. Rio de Janeiro, jul. 1936.
_____. “A mãe do traidor”. Primeira: a revista por excelência, n. 20. Rio de Janeiro, 10 maio 1928.
_____. “Makar Tchudra”. Primeira: a revista por excelência, n. 13. Rio de Janeiro, 25 jan. 1928.
_____. “Uma que já não vive”. Careta, n. 478. Rio de Janeiro, 18 ago. 1917.
_____. “O sonho de uma noite de Natal”. A novidade, n. 21, set. 1935.
_____. “Técnica de um escritor”. Revista do Globo, ano VI, n. 14. Porto Alegre, 25 jul. 1934.
_____. “A vida”. Rua do Ouvidor, n. 501. Rio de Janeiro, 7 dez. 1907.
MEREJKÓVSKI, Dmitri. A morte dos deuses. Trad. J. Ferreira e S. Ferreira. Rio de Janeiro, Garnier, 1902. [subtítulo: Juliano, o apóstata - db]
_____. “A morte dos deuses” (folhetim). O livre pensador, n, 101. São Paulo, 24 set. 1905.
PÚCHKIN, Aleksandr. Águia negra. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1935.
TCHEKHOV, Anton. “O álbum”. A maçã, n. 92. Rio de Janeiro, 10 nov. 1923.
_____. “Alma querida”. A nação ilustrada, n. 28. Rio de Janeiro, 8 jul. 1934.
_____. “Os ataúdes”. Revista popular brasileira, n. 2. Rio de Janeiro, dez. 1923.
_____. “A conferência”. Revista do Globo, ano V, n. 6. Porto Alegre, 5 abr. 1933.
_____. “A família camponesa”. Primeira: a revista por excelência, n. 12. Rio de Janeiro, 10 jan. 1928.
_____. “A língua comprida”. A maçã, n. 179. Rio de Janeiro, 11 jul. 1925.
_____. “A mágoa de Gregório Petrov”. Trad. El Gar. Revista do Globo, ano V, n. 4. Porto Alegre, 8 mar. 1933.
_____. “A máscara”. Primeira: a revista por excelência, n. 39. Rio de Janeiro, 25 fev. 1929.
_____. “Olhos de sono”. Leitura para todos, ano III, n. 11. Rio de Janeiro, jan. 1907.
_____. “A vingança gorada”. Primeira: a revista por excelência, n. 26. Rio de Janeiro, 10 ago. 1928.
TIELIECHÓV, Nikolai D. “A miséria”. Careta, n. 485. Rio de Janeiro, 6 out. 1917.
TOLSTÓI, Alexis. “Dramaturgia”. Revista acadêmica, n. 15. Rio de Janeiro, nov. 1935.
TOLSTÓI, Lev. Ana Karenina. São Paulo, Companhia. Editora Nacional, 1930.
_____. Citação. O amigo do povo, ano II, n. 25. São Paulo, 1o maio 1903.
_____. Citação e anúncio de lançamento. Kultur, [ano I, n. 3. Rio de Janeiro, 1904].
_____. Os cossacos. Trad. Sérgio Azevedo. Rio de Janeiro, Marisa, 1931.
_____. O diabo branco. Trad. Antônio Sérgio. Rio de Janeiro, Civilização Nacional, 1934.
_____. “O grão de trigo”. Leitura para todos, 2a fase, n. 9. Rio de Janeiro, abr. 1920.
_____. “A guerra russo-japonesa”. O amigo do povo, ano III, n. 59. São Paulo, 6 ago. 1904.
_____. “O homem dos olhos claros”. Careta, n. 479. Rio de Janeiro, 25 ago. 1917.
_____. “Um jogador”. Leitura para todos, ano IV, n. 40. Rio de Janeiro, jun. 1909.
_____. “Um juiz modelo”. Diário Popular. São Paulo, 5 nov. 1897.
_____. Khadji-Murat. São Paulo, Edição Cultura (Biblioteca de autores russos), 1931.
_____. “O lobo e o moujik”. Rua do Ouvidor, n. 55. Rio de Janeiro, 27 maio. 1899.
_____. “Meu testamento”. Leitura para todos, 2a fase, n. 4. Rio de Janeiro, nov. 1919.
_____. “A origem do mal”. Rua do Ouvidor, n. 187. Rio de Janeiro, 7 dez. 1901.
_____. A palavra de Jesus. Rio de Janeiro, M. Antunes, 1931.
_____. “O pecado e o castigo”. Rua do Ouvidor, n. 88. Rio de Janeiro, 13 jan. 1900.
_____. “O pecador arrependido”. Rua do Ouvidor, n. 234. Rio de Janeiro, 1o nov. 1902.
_____. Ressurreição. Trad. Carlos Cintra. Rio de Janeiro, Americana, 1931.
_____. Ressurreição. Rio de Janeiro, Guanabara, 1935.
_____. Ressurreição. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1936.
_____. “A sonata de Kreutzer”. Diário de notícias. Rio de Janeiro, 15 dez. 1890.
_____. A sonata de Kreutzer. Trad. Visconti Coaracy. Rio de Janeiro, Garnier, s/d [anterior a 1896].
_____. A sonata de Kreutzer. Rio de Janeiro, Empresa Romântica Editora, 1909.
_____. A tortura da carne. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, s/d.
TURGUÊNIEV, Ivan. “A promessa cumprida”. Primeira: a revista por excelência, n. 8. Rio de Janeiro, 10 nov. 1927.
_____. “Os dois irmãos”. Rua do Ouvidor, n. 35, 7 jan. 1899.
ZÓSCHENKO, Mikhail. No paraíso bolchevista (quadros da vida russa). Tradução e notas de Roman Poznanski. Rio de Janeiro, Livr. H. Antunes, 1929.
_____. “Um pequeno erro”. Revista do Globo, ano V, n. 17. Porto Alegre, 6 set. 1933.

um levantamento meticuloso desses, com pesquisa exaustiva em inúmeras fontes e acervos, merece receber contribuições de todos os que puderem acrescentar algum dado eventualmente faltante. as minhas, para este período, são: 
  • andreieff, judas iscariotes, trad. georges selzoff e allyrio m. wanderley, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • andreieff, os sete enforcados, trad. georges selzoff e orígenes lessa, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • averchenko, "o homem da gravata verde", in a novela, revista literária da livraria do globo, out. 1936
  • berzin, 100% de amor, especulação e volupia (amor e especulação no paiz dos soviets), trad. zoran ninitch, marisa, c.1934
  • bunin, senhor de são francisco, trad. zoran ninitch, mundial, c.1934
  • bunin, o amor de mitia, trad. zoran ninitch, guanabara, 1933
  • bunin, a noite, trad. zoran ninitch, calvino filho, 1934
  • bunin, senhor de são francisco, volume duplo com stefan zweig, a mulher e a paisagem, trad. zoran ninitch, ed. mundial, 1934
  • dostoiewsky, alma de creança, ed. civilização brasileira, 1936
  • dostoiewsky, o tyrano, trad. elias davidovitch, ed. calvino filho, 1933
  • ehrenbourg, as aventuras de julio jurenito, trad. mauro rosalvo, ed. civilização brasileira, 1932
  • fadeiev, a derrota, trad. helio de andrade (pseudônimo de leôncio basbaum), ed. urania, 1931
  • fibitch, os libertos, trad. zoran ninitch, edições unitas, 1934
  • gladkov, cimento, edições unitas, 1933
  • goomilevski, o amor em liberdade, trad. revista por galeão coutinho, cultura brasileira, 1934
  • gorki, a mãe, livraria marisa, 1931
  • gorki, a mãe, trad. rev. renato travassos, ed. americana, 1931
  • gorki, a mãe, ed. calvino, 1932
  • gorki, a mãe, ed. civilização brasileira, 1935
  • gorki, a minha infância, ed. minha livraria, c. 1934
  • gorki, em guarda! aspectos da rússia soviética, ed. adersen, 1934 (embora não seja literatura, vale a pena o registro, creio eu)
  • górki, konovaloff, não consta, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • górki, lenine, collecção minha livraria, c. 1934 (embora não seja literatura, etc.)
  • gorki, o espião, trad. revista por bandeira duarte, ed. marisa m. sobrinho & cia., 1931
  • gorki, o espião, ed. civilização brasileira, 1934
  • gorki, os degenerados, editorial paulista, 1934
  • gorki, os degenerados, ed. civilização brasileira, 1936
  • gorki, os vagabundos, ed. civilização brasileira, 1936
  • gorki, psychologia do povo russo, trad. elias davidovitch, ed. minha livraria, 1936 (embora etc. idem)
  • gorki, uma confissão, ed. calvino, 1932
  • kuprin, "a defesa do acusado", in a novela, revista literária da livraria do globo, out. 1936
  • kuprin, yama (o bordel), trad. elias davidovitch, ed. guanabara, 1935
  • merejkovski, jesus desconhecido, trad. gustavo barroso, cia. editora nacional, 1935
  • merejkowski, tutankhamon em creta - o nascimento dos deuses, trad. "e.d.a.", calvino filho, 1934
  • merejkovski, napoleão - o homem e sua vida, trad. agripino grieco, cia. editora nacional, 1934 (embora não seja literatura, etc.)
  • puchkine, a filha do capitão, trad. paulo correa lopes, liv. globo, 1933 (há um registro de 1922, mas não sei se é confiável)
  • tchecoff, o pavilhão n. 6, ed. cultura (biblioteca de auctores russos), 1931 
  • tchecoff, os inimigos, contendo também "delírio (gussieff)", "algazarra em família", "no carro (o caminho do mestre-escola)", "verotchka", "estudante (conto do jardineiro chefe)", "zinotchka" e "uma noite atroz", trad. georges selzoff e f. olandim, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • tolstoi, a sonata de kreutzer, ed. teixeira, 1913
  • tolstoi, alexei, o soviet em marte
  • tolstoi, leon, amo e creado, trad. "a. f.", livr. joão do rio, 1926
  • tolstoi, o que eu penso da guerra, ed. h. antunes, 1931
  • tolstoi, os cosacos, sociedade impressora paulista, 1932
  • tolstoi, padre sergio, trad. georges selzoff e allyrio m. wanderley, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • tolstoi e bondareff, o trabalho, trad. joão cabral, livr. marisa, 1934
  • turgenev, ássia,  ed. unitas, c.1934 
  • turgenev, pais e filhos, trad. ivan emilianovich, ed. cultura brasileira, 1935 
  • turgenev, um bulgaro, ed. universal, 1933
  • turguenieff, águas da primavera, trad. georges selzoff e brito broca, ed. cultura (biblioteca de auctores russos), 1932
  • turguenieff, ninho de fidalgos, trad. elsie lessa, ed. cultura (biblioteca de auctores russos), 1932
  • turgueniev, roudine, trad. elias davidovitch, collecção benjamin costallat, flores & mano, 1932
  • vieressaief, beco sem sahida (novella russa), trad. alexandre wainstein e galeão coutinho, editorial pax, 1931
para o século XIX, acrescentem-se, nas palavras de tradutor alcides cruz, suas traduções de "dois romances de Tourgueneff, uma das quais, a de Clara Militch, foi dada em folhetim pela Folha da Tarde, e a outra, a de Les eaux printannières, começou a aparecer com o título A bella Gemma, pelo rodapé da Folha Nova".

as capinhas da "bibliotheca de auctores russos" estão aqui; eis algumas outras que localizei:



















as sete imagens de baixo para cima pertencem ao álbum buchen, do historiador dainis karepovs, 
disponível em sua página no facebook, de onde também extraí os dados de edição; 
as demais foram extraídas do google images, em sites variados.

18 de jan. de 2013

georges selzoff III



bruno gomide, em seu monumental estudo sobre a literatura russa no brasil, da estepe à caatinga: o romance russo no brasil (1887-1936), comenta rapidamente a iniciativa de selzoff com sua biblioteca de autores russos e reproduz um informe do periódico o bibliógrafo, de agosto de 1931:
"Os nossos leitores já devem ter conhecimento da grande obra que está realizando o sr. Georges Selzoff, editor da Biblioteca dos Autores Russos, no sentido de alargar o intercâmbio intelectual russo-brasileiro. Assim, este editor já traduziu, de acordo com os respectivos originais, para o português, as obras mais notáveis da literatura russa, sobretudo as de Maximos Georki (sic), Anton, (sic) Tchecoft (sic), Dostoievski, Gogol. 
"O editor da Biblioteca de Autores Russos pretende ainda editar as obras de todos os grandes escritores russos antigos e modernos, tendo em vista a grande saída que as suas edições têm conseguido, devido ao cuidado com que são feitas as respectivas traduções e ao esmero que o sr. Selzoff põe em todos os trabalhos que a sua casa editora tem publicado. Com isso vem prestando a Biblioteca de Autores Russos um grande serviço à cultura de nosso país, intensificando a propaganda de obras tão interessantes." (p. 410)
comenta gomide que o bibliógrafo também publicou um artigo chamado "edições a sair" (agosto de 1931) e uma "bibliografia" da casa (setembro de 1931):
Os inimigos, de Tchékhov, já na 2a edição; Judas Iscariotes, de Andrêiev; Águas da primavera, Pais e filhos e Ninho de gentilhomens de Turguêniev; Tarass bulb (sic), de Gógol; Konovaloff, de Górki; O grande inquisidor e Um jogador, de Dostoiévski; finalmente, Padre Sérgio, “ilustrado por M. Barychnicoff”, e Kadji Murat (p. 410)
sabemos que o projeto de selzoff infelizmente não vingou: tarass bulba, o grande inquisidor, pais e filhos e outras obras programadas nunca vieram à luz em sua editora. de todo modo, chamou-me a atenção a referência ao ninho de gentilhomens (que afinal saiu como ninho de fidalgos), com uma reverberação tão clara do francês gentilshommes. será lançado em 1932, a penúltima obra antes do encerramento das atividades da editora, com tradução que suponho ser de elsie lessa, na flor de seus vinte anos, recém-casada com orígenes lessa.

ver também georges selzoff I, aqui, e georges selzoff II, aqui.

imagem do logotipo gentilmente enviada por gutemberg medeiros.



18 de dez. de 2012

georges selzoff II

agradeço a gutemberg medeiros por ter enviado gentilmente um material excelente sobre a pequena editora de georges selzoff, com sua "bibliotheca de auctores russos", do começo dos anos 30, sobre a qual falei aqui.

eis o logo, superbonitinho e caprichado, usado na contracapa das edições:


guilherme de almeida, quando georges selzoff anunciou que montaria uma editora com f. [?] olandim dedicada à tradução de grandes obras da literatura russa, saudou calorosamente a iniciativa. a saudação de guilherme de almeida foi reproduzida na edição d'os inimigos, pela "bibliotheca de auctores russos". informa gutemberg que foi reproduzida também em outras edições.





note-se como a capa era moderninha, com o desenho das letras no mais autêntico art déco. preciosa também a segunda capa, com a lista dos livros publicados e das obras programadas. das obras "no prelo", creio que apenas águas da primavera chegou a sair. por mais que tenha procurado em arquivos, bibliotecas, imprensa e sebos, não localizei nenhuma referência às outras sete anunciadas na programação.

por outro lado, temos em 1932 ninho de fidalgos, de turguenieff, em provável tradução de elsie lessa.
assim, salvo melhor juízo, tenho para mim que águas da primavera e ninho de fidalgos foram as publicações derradeiras da casa, num total de doze títulos, sendo dez de autores russos e dois de autores brasileiros, colaboradores de georges selzoff: allyrio wanderley e orígenes lessa. ver a respeito o post já citado, aqui.

14 de dez. de 2012

georges selzoff I

ao que parece, os tempos heroicos da literatura russa no brasil ganham uma alavancada um pouco mais sistemática por iniciativa de um leto, natural de riga, iúri zéltzov, que depois afrancesou o nome para georges selzoff. imigrando para o brasil, estabeleceu-se em são paulo (não sei a data; provavelmente na esteira da revolução soviética).

no começo dos anos 1930, ele criou uma pequena editora, a georges selzoff & cia., usando também o nome comercial de "edição cultura". a editora publicava uma coleção chamada "bibliotheca de auctores russos". teve vida efêmera, com quiçá uma dúzia de livros, e parece ter encerrado suas atividades em 1932 ou 1933.

há notícias esparsas sobre ele, aqui e ali: conta boris schnaiderman que foi ele o primeiro a traduzir algumas obras russas diretamente do original. como não tinha pleno domínio do português, as traduções eram feitas a quatro mãos, sendo ele auxiliado ora por um, ora por outro escritor brasileiro.

transcrevo abaixo alguns trechos de entrevistas onde schnaiderman fala um pouco de seltzov.
Aliás, está errado dizer que eu teria iniciado a tradução direta do russo. Não iniciei, não. Já tinha ocorrido isso no começo da década de 1930, com uma coleção de uma editora com nome de Biblioteca de Autores Russos. Quem iniciou foi George Seltzoff.
Revista E, SESC, n. 161, aqui 
O senhor chegou a ter alguma notícia do Georges Selzoff, da Bibliotheca de Auctores Russos?Conheci. Ele era amigo dos meus pais. (Pega um livro, Águas de Primavera, 1932.) Aqui está Georges Selzoff e Brito Broca, justamente baseado no princípio de um, que escreve em português, e o outro, que sabe russo.
Mas há outras obras que ele assina sozinho.Ele assinava sozinho mas não produzia sozinho.
Por exemplo, Um Jogador, de Dostoiévski. Bibliotheca de Auctores Russos. Agora, ele publicava e ele mesmo vendia.
De onde ele vem, o senhor se lembra?Ele vinha de Riga. Era de formação russa. É que em Riga, quando houve a Revolução, muitos fugiram da Rússia Soviética e ficaram nas proximidades. Muitos, certamente, esperavam que o regime comunista durasse pouco. Havia grandes núcleos de russos, principalmente em Riga. Eu o conheci pessoalmente. Quando eu tinha uns 10 anos, ele devia ter uns 35, 40.
Eu só consegui ver publicações dele de 1930 a 1933. Ele durou mais como tradutor?Não. Eu o encontrei depois, mas ele já não se ocupava mais disso. Financeiramente não teve muito retorno. É estranho, porque havia um interesse grande pela literatura russa e ele procurou aproveitar isso. Então,
conseguiu difundir os livros, mas ele não estava organizado como editor. 
entrevista a gutemberg medeiros, revista usp, v. 75, nov. 2007, aqui 
No Brasil se fez tradução direta do russo antes de mim. Houve um indivíduo chamado Iuri Zéltzov, assinava como Georges Selzoff, à maneira francesa, porque era mais chique. E ele fundou uma editora, a Bibliotheca de Auctores Russos. Agora, ele não sabia português suficiente. Então, ele se associou a dois escritores brasileiros, o Brito Broca e o... o... [estala o dedo] Às vezes o nome está na ponta da língua e não sai... e o Orígenes Lessa. Ficaram trabalhando pra ele. Ele ficava traduzindo do russo como podia, traduzindo pro português, e eles iam colocando num estilo aceitável.  
entrevista a raquel cozer em 2010, relembrada em a biblioteca de raquel, aqui . ver também aqui

curiosa, tentei levantar as publicações da selzoff/cultura. gutemberg de medeiros menciona publicações de 1930 a 1933. infelizmente só consegui localizar edições em 1931 e 1932. também não consegui encontrar nenhuma menção à contribuição de orígenes lessa para as traduções publicadas pela casa. [vide retificação mais abaixo.] por outro lado, encontrei menções ao paraibano allyrio meira wanderley em algumas edições da casa. como schnaiderman especifica aqui que selzoff "ia lendo o texto russo com o português precário que tinha, e eles punham em português decente”, talvez a memória o tenha traído e talvez se tratasse de fato de allyrio wanderley, já então residente em são paulo.

o resultado a que cheguei até o momento é o seguinte:
  • um jogador (das notas de um rapaz), de dostoievski, tradução a quatro mãos com allyrio m. wanderley, 1931


  • khadji-murat, de tolstoi, tradução a quatro mãos com allyrio m. wanderley, 1931

Autor:Tolstoi, Lév. Nikolaevich, graf. 1828-1910.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:'Khadji Murat'.
Imprenta:São Paulo [Edição Cultura] 1931. 
Descrição física:173 p. ilus.
Notas:Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
891.73
Indicação do Catálogo:II-108,3,20
II-104,4,7

  • padre sergio, tolstoi, tradução a quatro mãos com allyrio m. wanderley, 1931 (vinhetas e ilustrações de m. barychnicoff):

  • judas iscariotes, de leonide andreieff, tradução a quatro mãos com allyrio m. wanderley, 1931 (capa e ilustração de m. barychnicoff):

Autor:Androev, Leonid Nikoaevich, 1871-1919.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Judas Iscariotes.
Imprenta:São Paulo, G. Selzoff, 1931. 
Descrição física:141 p. ilus.
Notas:Registro Pré-MARC
Assuntos:Judas Iscariote.clique aqui para ver as obras sob este assunto no Catálogo de Autoridades de Assuntos 
Classificação Dewey:
Edição:
225.92
Indicação do Catálogo:225.92/J92an7 

  • o pavilhão no. 6, de anton tchecoff, não encontrei referência de tradução, 1931

Autor:Tchecoff, Anton.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:O pavilhão nº 6.-
Imprenta:São Paulo [Bibliotheca de Auctores Russos] 1931. 
Descrição física:187p. il.
Notas:Português.
Indicação do Catálogo:VI-90,3,13

  • konovaloff, de maximo gorki,  não consta referência de tradução, 1931, com menção a uma segunda edição revista no mesmo ano
Autor:Gorki, Maximo.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Konovaloff.-
Edição:2.ed.-
Imprenta:São Paulo [Bibliotheca de Auctores Russos] 1931. 
Descrição física:156p.
Notas:Português.
Indicação do Catálogo:VI-87,2,24 

  • os inimigos, de anton tchecoff, contendo também "delírio (gussieff)", "algazarra em família", "no carro (o caminho do mestre-escola)", "verotchka", "estudante (conto do jardineiro chefe)", "zinotchka" e "uma noite atroz", com menção a selzoff e olandim como editores, 1931*

  • os sete enforcados, de leonide andreieff, tradução a quatro mãos com orígines lessa, 1932. agradeço a josé mota victor a gentileza por enviar imagem da página de rosto: 

  • ninho de fidalgos, de ivan turguenieff, não encontrei referência de tradução, 1932. provavelmente elsie lessa, mulher de orígenes lessa (vide atualização abaixo):
Autor:Turguenieff, Ivan.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Ninho de fidalgos. -
Imprenta:São Paulo Georges Selzoff 1932. 
Descrição física:184p.: il.
Notas:Português
Indicação do Catálogo:VI-88,4,31 

  • águas da primavera, de ivan turguenieff, tradução a quatro mãos com brito broca, 1932, com menção a uma segunda edição no mesmo ano. não localizei imagem de capa nem exemplar em nosso acervo, mas encontrei uma edição da melhoramentos nos anos 1950, com "tradução revista por marina stepanenko". quem sabe não será a de selzoff/ broca?



agora, uma curiosidade. até onde consegui apurar, a única obra não russa que a editora georges selzoff (edição cultura) publicou foi um livro justamente de seu assíduo colaborador, allyrio meira wanderley - sol criminoso, em 1931:



em 1933, quando as atividades de selzoff como editor já pareciam ter se encerrado, temos uma tradução sua a quatro mãos com a. meira, pela companhia editora nacional, em sua "bibliotheca pedagogica brasileira", série 4, vol. IV - porque morremos, de alexandre lipschütz:


Autor:Lipschutz, Alexander, 1883 - clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Porque morremos.
Imprenta:São Paulo, Comp. ed. nacional, 1933. 
Descrição física:243 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Assuntos:Morte - Causas. clique aqui para ver as obras sob este assunto no Catálogo de Autoridades de Assuntos 
Entradas secundárias:Meira, Georges trad. clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
577.7
Indicação do Catálogo:577.7/L767w7 


atualização: descobri que a cidade que o diabo esqueceu, livro de contos de orígenes lessa tão constantemente reeditado até data recente, teve sua primeira edição em 1932 (alguns dizem 1931), pela editora georges selzoff.

isso parece indicar que pode ter havido uma "sinergia" tal como no caso de allyrio wanderley. um pequeno detalhe reforçando a hipótese desse intercâmbio é o fato de que, em 1932 e depois em 1933, orígenes lessa teve outros dois livros seus publicados pela companhia editora nacional: não seria totalmente implausível supor que tivesse sido ele a indicar selzoff para a tradução do livro de lipschütz para a c.e.n.

atualização em 16/12/12: ha! encontro à p. 190 do dicionário crítico de escritoras brasileiras (escrituras, 2002), de nelly novaes coelho, a informação de que elsie lessa, que se casara com orígenes lessa em 1930, traduziu ninho de fidalgos! nelly não dá o nome da casa publicadora, mas como, até data recente, a única edição brasileira de ninho de fidalgos, com este título, foi a que saiu pela editora de georges selzoff, talvez seja uma mera questão de juntar a com b. (apenas em 1962 a lux publicará ninho de nobres, em tradução do russo por rui lemos de brito.) para allyrio wanderley, ver aqui.

* atualização em 18/12/12: agradeço a gutemberg medeiros pela imagem de capa d'os inimigos. ver georges selzoff II, com outros materiais a respeito, aqui.

atualização em 11/3/13: de fato trata-se da tradução de selzoff com broca, devidamente creditados no verso da página de rosto. ver aqui.

atualização em 8/4/13: eis a página de rosto da edição de ninho de fidalgos: