quanto ao magnum opus de melville, moby dick, a vasta relação das traduções integrais, condensações, adaptações e quadrinizações já foi apresentada no post "aniversário de moby dick", aqui. neste post apresentarei seus outros escritos lançados no país.
mas cabe retomar uma adaptação de moby dick, pois foi ela, até onde consegui apurar, a primeira publicação de melville no brasil. chegou a nós em 1935 por iniciativa de monteiro lobato (mais uma vez, tal como ocorrera com jack london), agora com a colaboração de adalberto rochsteiner. a tradução e adaptação a quatro mãos foi publicada pela companhia editora nacional, trazendo o subtítulo de a fera do mar, com várias reedições ao longo das décadas:
depois, em 1945, teremos "a história do 'town-ho'" com tradução de guilherme figueiredo, in os norte-americanos: antigos e modernos, pela editora leitura, atualmente no catálogo da ediouro com o título de contos norte-americanos: os clássicos. incluído em contos norte-americanos pela bup, 1963, e na coletânea os melhores contos de aventuras, pela agir, 2008:
imagem: aqui
em 1952, saem "benito cereno" e "billy budd" apanhados num volume de título dramas do mar, em tradução de octavio mendes cajado, pela saraiva. será reeditado várias vezes pela tecnoprint/ ediouro a partir de 1966:

em 1961, sai o primeiro "bartleby" brasileiro in os mais belos contos norte-americanos, em tradução de therson santos, pela caravela:
em 1963, sai "billy budd, gajeiro do mastro real" em tradução de eurico dowens,* in novelas norte-americanas, com seleção de cassiano nunes, pela cultrix, com reedição em 1965:
* para este dado, estou me baseando em irene hirsch, aqui (no volume constam mais três tradutores - teria de conferir ao vivo).
em 1967, bartleby sai com o título de "prefiro não fazer - uma história de wall street", in sete novelas clássicas, com tradução de márcio cotrim e outros, pela imago/ lidador:
em 1969, temos pela cultrix a coletânea selecionada e traduzida por olívia krähenbühl, com o título de contos de herman melville: "bartleby", "o homem do pára-raios", "o terraço" e "benito cereno". tem algumas reedições e em 1987 sai pelo círculo do livro com o título de os melhores contos de herman melville:
em c.1971, billy budd sai em sua terceira tradução, agora de pedro ramires, pela bruguera:
| Autor: | Melville, Herman, |
| Título original: | [Billy Budd, sailor. Portugues] |
| Título / Barra de autoria: | Billy Budd / Herman Melville ; traducao de Pedro Porto Carreiro Ramires. - |
| Imprenta: | Rio [de Janeiro] : Bruguera, c1971. |
| Descrição física: | 160p. ; 18cm. - |
também em c. 1971, sai um terceiro benito cereno, agora em tradução de sandro pivatto, também pela bruguera:
| Autor: | Melville, Herman, |
| Título original: | [Benito Cereno. Portugues] |
| Título / Barra de autoria: | Benito Cereno / Herman Melville ; traducao de Sandro Pivatto. - |
| Imprenta: | Rio [de Janeiro] : Bruguera, c1971. |
em 1982, sai bartleby, o escrivão, em tradução de a. b. pinheiro de lemos (o mesmo que fazia as traduções de harold robbins que depois nelson rodrigues apenas assinava), pela record, e agora na josé olympio, que hoje em dia pertence ao grupo record:
em 1984, temos taipi, paraíso de canibais, em tradução de henrique araújo mesquita, pela l&pm:
em 1986, aparece outro bartleby, agora o escriturário, em tradução de luís de lima, pela rocco, relançado em 2010:
em 1992, vem mais um benito cereno, agora em tradução de daniel piza, pela imago:
ainda em 1992, mais um pouco de novidade - o vigarista, em tradução de eliana sabino, pela 34:
em 2003, retorna o incansável bartleby, o escriturário, em tradução de cássia zanon, pela l&pm:
em 2003, sai a quarta tradução de billy budd, agora em tradução de alexandre hubner, pela cosac naify:
em 2005, temos mais um billy budd, marinheiro, agora em tradução de cássia zanon, pela l&pm:
em 2006, sai o sétimo bartleby, o escrivão - uma história de wall street, em tradução de irene hirsch, pela cosac naify:
em 2009, mais um pouco de novidade, com o ensaio sobre hawthorne e seus musgos, em tradução de luiz roberto takayama, pela hedra:
em 2011, continuam algumas novidades com o violonista e outras histórias, em tradução de lúcia helena de seixas brito, pela arte e letra, com o conto que dá título ao volume, mais "o homem dos pára-raios", "eu e minha chaminé", "a varanda", "o paraíso dos solteirões", "o inferno das donzelas":
resumindo: o campeão de traduções é bartleby, com nada menos de sete entre 1961 e 2006; segue-se billy budd com cinco, entre 1952 e 2005; depois, benito cereno com quatro traduções entre 1952 e 1992. "o terraço"/ "a varanda" e "o homem do pára-raios", que também fazem parte das piazza tales (1856) com "bartleby" e "benito", ganharam duas traduções. o engraçado é que os outros dois contos que completam a coletânea original, "the encantadas or enchanted isles" e "the bell-tower", pelo visto continuam inéditos entre nós, depois de um século e meio. por outro lado, que bom que algumas editoras tragam alguma variedade, inclusive pelo lado ensaístico de melville. já pretender que lancem seus poemas talvez seja querer demais. [atualização: pelo menos camoens foi traduzido por nelson ascher e se encontra em poesia alheia, lançado pela imago em 1998.]
em relação a billy budd, vale a pena ler o artigo de alfredo monte comentando a análise de hannah arendt, aqui.



