em georges selzoff, I, aqui, eu tinha comentado: "águas da primavera, de ivan turguenieff, tradução a quatro mãos com brito broca, 1932, com menção a uma segunda edição no mesmo ano. não localizei imagem de capa nem exemplar em nosso acervo, mas encontrei uma edição da melhoramentos nos anos 1950, com 'tradução revista por marina stepanenko'. quem sabe não será a de selzoff/ broca?"
encomendei um exemplar da melhoramentos (da selzoff não se encontra à venda em lugar nenhum) e fiquei muito feliz ao encontrar no verso da página de rosto as devidas especificações:
sempre achei a melhoramentos seriíssima, e fico contente com mais esta confirmação - ainda mais se a gente lembrar o festival de contrafações que grassava naquelas décadas de 1940 e 1950, com centenas de "traduções revistas por XXX", sem dar as fontes, fosse na pongetti, na w. m. jackson, mesmo na nacional, sobretudo na cultrix em sua coleção de 24 volumes de "maravilhas do conto tal"... e sobretudo a memória da pioneiríssima biblioteca selzoffiana não se perdeu de todo, na reutilização de suas antigas traduções.
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11 de mar. de 2013
28 de mai. de 2009
ufa, menos mau
uma das melhores coisas do mundo é desfazer mal-entendidos, penso eu.duas obras de tradução tinham me deixado meio confusa: memórias de sherlock holmes e aventuras de sherlock holmes, de conan doyle, publicadas pela editora martin claret, sendo que pelo menos uma delas lhe teria sido supostamente licenciada pela editora melhoramentos.
mas não, não é isso não. ontem recebi mensagem da editora melhoramentos, explicando que:
"Houve um equívoco na informação enviada a respeito da cessão de direitos autorais sobre a obra Memórias de Sherlock Holmes.
A Editora Melhoramentos não assinou nenhum contrato de cessão de direitos autorais sobre as obras de Sherlock Holmes com a Editora Martin Claret."
que bom, um mistério a menos. o sr. joaquim machado e o sr. carlos chaves podem continuar em paz, com seus direitos devidamente protegidos pela editora melhoramentos, à qual agradeço a gentileza em atender a uma leitora perplexa.
agora é torcer para que a editora martin claret, por seu lado, desvende para nós leitores os mistérios sherlockianos de john green e jean melville.
imagem: www.ontariocondolaw.com
26 de fev. de 2009
desta maneira sinistra...
carlos chaves se soma à legião dos tradutores que perderam sua identidade à sanha editorial. sua tradução (1954) de aventuras de sherlock holmes agora engrossa o curriculum mortis de jean melville, na martin claret.* a tradução de carlos chaves consta no catálogo ativo da melhoramentos. consultei a editora a este respeito, não tive resposta. em vista do curioso antecedente das memórias de sherlock holmes, aqui noticiado, talvez seja um caso parecido. em todo caso, plágio é plágio, sempre indesculpável.
* na verdade, a edição da claret está cadastrada na fbn/isbn em nome de pietro massetti [sic, massetti].

* na verdade, a edição da claret está cadastrada na fbn/isbn em nome de pietro massetti [sic, massetti].
as aventuras originais trazem doze histórias; na edição da claret, constam apenas nove delas. o padrão do plágio é por substituição eventual de termos ao longo de todo o livro, além de alteração dos parágrafos, abrindo novos onde não existem e continuando o parágrafo anterior quando se abririam novos.
1. as cinco sementes de laranja (carlos chaves)

desta maneira sinistra foi que entrei na posse de minha herança. poderá bem me perguntar por que não a vendo e eu lhe responderei que tenho quase certeza de que nossa infelicidade se relacionava e dependia de algum incidente na vida de meu tio e que o perigo continuaria tanto numa casa como em outra. foi em janeiro de 85 que meu pobre pai encontrou a morte e já se passaram dois anos e oito meses. durante todo esse tempo vivi feliz em horsham e tinha esperanças de que essa maldição na família houvesse passado e que terminava na última geração. [...]
- tenho uma vaga lembrança - disse ele - de que no dia em que meu tio queimou os papéis, eu reparei que as pequenas margens que não estavam queimadas e que jaziam entre as cinzas, eram desta cor. achei esta única folha no chão do quarto dele, e estou inclinado a pensar que seja um dos papéis que talvez se desprendeu dos outros, escapando assim à destruição. além do fato de se referir às sementes não sei em que nos possa ajudar. (pp. 113-15)
2. cinco sementes de laranja ("jean melville")
dessa maneira sinistra foi que entrei na posse de minha herança. poderá bem me perguntar por que não a vendo, e eu lhe responderei que tenho quase certeza de que nossa infelicidade era decorrência de algum incidente na vida de meu tio, e que o perigo continuaria tanto numa casa como na outra. foi em janeiro de 85 que meu pobre pai encontrou a morte, e já se passaram dois anos e oito meses. durante todo esse tempo vivi feliz em horsham, com esperanças de que essa maldição na família houvesse passado e que terminava na última geração. [...]
- tenho uma vaga lembrança - disse ele - de que no dia em que meu tio queimou os papéis, eu reparei que as pequenas margens que não estavam queimadas e que jaziam entre as cinzas eram desta cor. achei esta única folha no chão do quarto dele, e estou inclinado a pensar que seja um dos papéis que talvez se desprendeu dos outros, escapando assim à destruição. além do fato de se referir às sementes, não sei em que nos pode ajudar. (pp. 94-96)
1. a coroa de berilos (carlos chaves)
1. a coroa de berilos (carlos chaves)
o senhor, naturalmente, sabe que um banco em franco progresso depende muito da obtenção de investimentos remunerativos para o dinheiro, porque isto aumenta as nossas relações e o número de nossos depositantes. um dos meios mais lucrativos de despender o dinheiro são empréstimos, onde a segurança é completa. durante estes últimos anos temos feito muito nesse setor. há muitas famílias nobres a quem temos adiantado grandes somas, aceitando como garantia seus valiosos quadros, bibliotecas ou pratarias.
ontem, estava sentado em meu escritório, no banco, quando um dos escriturários me trouxe um cartão de visita.
estremeci quando vi o nome porque não era outro senão... bem acho que nem ao senhor devo revelar, basta dizer que é um nome pronunciado em todas as casas e no mundo inteiro, um dos nomes mais nobres, mais exaltados na inglaterra. (p. 244)
ontem, estava sentado em meu escritório, no banco, quando um dos escriturários me trouxe um cartão de visita.
estremeci quando vi o nome porque não era outro senão... bem acho que nem ao senhor devo revelar, basta dizer que é um nome pronunciado em todas as casas e no mundo inteiro, um dos nomes mais nobres, mais exaltados na inglaterra. (p. 244)
[...] o senhor supõe que seu filho levantou-se da cama, e foi, com grande risco, ao seu quarto de vestir, abriu seu bureau, tirou sua coroa, quebrando uma parte dela à força, foi-se para outro lugar e escondeu três das gemas com tanta habilidade que ninguém as encontra, depois voltou com as outras 36 gemas para o quarto, onde ele se expôs ao grande perigo de ser descoberto. pergunto-lhe, é sustentável tal teoria?
- mas pode haver outra? exlamou o banqueiro com um gesto de desespero. - se os motivos dele eram inocentes, por que não os explica? (p. 253)
2. o caso da coroa de berilos (jean melville)
o senhor certamente sabe que um banco em franco progresso depende muito da obtenção de investimentos remunerativos para o dinheiro, pois isso aumenta as nossas relações e o número de nossos depositantes. um dos meios mais lucrativos de dispender o dinheiro são empréstimos, nos quais a segurança é completa. nos últimos anos, temos feito muito nesse setor. há muitas famílias nobres a quem temos adiantado grandes somas, tomando em garantia seus valiosos quadros, bibliotecas ou pratarias. ontem, estava eu sentado em meu escritório, no banco, quando um dos escriturários me trouxe um cartão de visita. estremeci quando vi o nome, porque outro não era senão... bem, acho que nem ao senhor devo revelar, basta dizer que é um nome pronunciado em todas as casas e no mundo inteiro. um dos nomes mais nobres, mais exaltados da inglaterra. (p. 170)
[...] o senhor supõe que seu filho levantou-se da cama, e foi, com grande risco, ao seu quarto de vestir, abriu seu bureau e tirou a coroa, quebrando uma parte dela à força. então foi para outro lugar e escondeu três das gemas com tanta habilidade que ninguém as encontrou até agora, voltando depois com as outras 35 gemas para o quarto, onde se expôs ao enorme perigo de ser descoberto. pergunto-lhe, é sustentável tal teoria?
- e pode haver outra? exlamou o banqueiro com um gesto de desespero.
- se os motivos dele eram inocentes, por que não os explica? (p. 178)
naturalmente essas sinistras aventuras claretianas se encontram nos valhacoutos favoritos dos ishpertos: livraria cultura, livrarias curitiba, livraria da travessa, fnac, saraiva...
- mas pode haver outra? exlamou o banqueiro com um gesto de desespero. - se os motivos dele eram inocentes, por que não os explica? (p. 253)
2. o caso da coroa de berilos (jean melville)
o senhor certamente sabe que um banco em franco progresso depende muito da obtenção de investimentos remunerativos para o dinheiro, pois isso aumenta as nossas relações e o número de nossos depositantes. um dos meios mais lucrativos de dispender o dinheiro são empréstimos, nos quais a segurança é completa. nos últimos anos, temos feito muito nesse setor. há muitas famílias nobres a quem temos adiantado grandes somas, tomando em garantia seus valiosos quadros, bibliotecas ou pratarias. ontem, estava eu sentado em meu escritório, no banco, quando um dos escriturários me trouxe um cartão de visita. estremeci quando vi o nome, porque outro não era senão... bem, acho que nem ao senhor devo revelar, basta dizer que é um nome pronunciado em todas as casas e no mundo inteiro. um dos nomes mais nobres, mais exaltados da inglaterra. (p. 170)
[...] o senhor supõe que seu filho levantou-se da cama, e foi, com grande risco, ao seu quarto de vestir, abriu seu bureau e tirou a coroa, quebrando uma parte dela à força. então foi para outro lugar e escondeu três das gemas com tanta habilidade que ninguém as encontrou até agora, voltando depois com as outras 35 gemas para o quarto, onde se expôs ao enorme perigo de ser descoberto. pergunto-lhe, é sustentável tal teoria?
- e pode haver outra? exlamou o banqueiro com um gesto de desespero.
- se os motivos dele eram inocentes, por que não os explica? (p. 178)
naturalmente essas sinistras aventuras claretianas se encontram nos valhacoutos favoritos dos ishpertos: livraria cultura, livrarias curitiba, livraria da travessa, fnac, saraiva...
como dispõe o art. 104, no capítulo referente às sanções civis que aplicam às violações dos direitos autorais, da lei 9.610/98, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude: a meu ver, seria muito importante que as livrarias começassem a exercer um maior discernimento na seleção das obras que colocam à disposição do público consumidor.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
3 de fev. de 2009
essa eu não entendi
conan doyle, memórias de sherlock holmes

tradução joaquim machado (melhoramentos)*
x
cópia john green (martin claret)*em portugal, pela bertrand
o livro tem onze histórias. pode-se pegar qualquer uma, à vontade. vou pegar a segunda, a face amarela.
ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos, de que os dotes singulares de meu companheiro me fizeram ouvinte e, eventualmente, ator em algum drama estranho, é muito natural que me demore mais nos seus êxitos do que nos seus fracassos. não é tanto por amor à sua reputação, porque na verdade era quando não sabia mais o que fazer que sua energia e vitalidade se tornavam mais admiráveis, mas porque acontecia muitas vezes que onde ele fracassava nenhum outro era bem sucedido. entretanto, quase sempre acontecia que, até errando, a verdade era ainda descoberta. tenho algumas meias dúzias de casos dessa natureza, dos quais o negócio da segunda mancha e o que agora vou narrar são os dois que apresentam os mais fortes característicos de interesse. (joaquim machado)
ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos, de que os dotes singulares de meu companheiro me fizeram ouvinte e, eventualmente, ator em algum drama estranho, é muito natural que me demore mais nos seus êxitos do que nos seus fracassos. não é tanto por amor à sua reputação, porque na verdade era quando não sabia mais o que fazer que sua energia e vitalidade se tornavam mais admiráveis, mas porque acontecia, muitas vezes, de onde ele fracassar nenhum outro ser bem sucedido. entretanto, quase sempre acontecia de, até errando, a verdade ser ainda descoberta. tenho algumas meias dúzias de casos dessa natureza, dos quais o negócio da segunda mancha e o que agora vou narrar são os dois que apresentam os mais fortes característicos de interesse. (john green)
[...] embora isto muito me aborreça, watson, eu tenho muita necessidade de um caso, e esse me parece de importância a julgar pela impaciência do homem. olá! esse cachimbo em cima da mesa não é o seu! ele o deve ter esquecido. um bonito cachimbo velho de roseira, com um cabo comprido que os tabaquistas chamam âmbar. imagino quantos bocais de âmbar verdadeiro há em londres. alguns acham que ter uma mosca é o seu sinal. ora, é perfeitamente um ramo de negócio simular moscas no âmbar simulado. deve ter sofrido um distúrbio mental para deixar o que evidentemente muito estima. (joaquim machado)
[...] embora isto muito me aborreça, watson, eu tenho muita necessidade de um caso, e esse me parece de importância a julgar pela impaciência do homem. olhe! esse cachimbo em cima da mesa não é o seu! ele o deve ter esquecido. um bonito cachimbo velho de roseira, com um cabo comprido que os tabaquistas chamam âmbar. imagino quantos bocais de âmbar verdadeiro há em londres. alguns acham que ter uma mosca é o seu sinal. ora, é perfeitamente um ramo de negócio simular moscas no âmbar simulado. deve ter sofrido um distúrbio mental para deixar o que evidentemente muito estima. (john green)
e por aí vai, de cabo a rabo.
mas o mais engraçado nessa história é que, naturalmente, entrei em contato com a melhoramentos, por telefone e e-mail, para me informar se ela havia cedido a tradução à claret. a resposta demorou uns dez dias, mas veio: sim, a melhoramentos cedeu os direitos de tradução desta obra para a claret.
aí, a pergunta que fica é: então por que a claret, se tinha autorização da melhoramentos, tirou fora o nome de joaquim machado, o tradutor original, e tascou o nome visivelmente inventado de "john green"?bom, não me senti muito esclarecida, indaguei de novo à melhoramentos se era isso mesmo e expus minha perplexidade - pois não faz sentido na minha cabeça uma editora adquirir uma licença e mesmo assim apresentar a obra sublicenciada como plágio (pois plágio continua a ser, só que agora autorizado pela detentora dos direitos...). não tive resposta, tomei o silêncio como confirmação, mas continuo a achar que é uma bizarrice sem tamanho.
sinceramente penso que todo esse pessoal deveria ter muito mais respeito para com os leitores. é tão absurdo assim esperar que os livros sejam produtos transparentes e honestos, com dados corretos e créditos verdadeiros? não seria o normal? e as editoras lesadas não deveriam se proteger a si próprias e proteger a nós, incautos consumidores, no que estivesse ao alcance delas?
não sei... ando me desiludindo um pouco com essa gente. afinal quem compra os livros delas somos nós. não acho certo.
atualizado em 28/05/2009: ver esclarecimento e retificação dessas informações em ufa, menos mau. em vista das explicações da melhoramentos, retirei daqui uma frase que perdeu sua pertinência.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
imagens: blackberrybooks.com; tux.crystalxp.net
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