12/02/2012

charlotte brontë traduzida no brasil

Aqui consolido num único post as traduções de obras de Charlotte Brontë que comentei em outros posts, aqui.

Começo por Jane Eyre, com nada menos de oito traduções (além de um plágio) entre nós.

I.
A primeira delas saiu pela Vozes, com o nome de Joanna Eyre: não consta a data nem o crédito de tradução, mas há um "prefacio do traductor" datado de 1916, em Porto Alegre. Abaixo, página de rosto da segunda edição, em 1926:



Foi reeditada em 1953, tirando um "n":


II.
Em 1942, veio a tradução de Sodré Viana pela Pongetti (reed. em 43, 44, 46, 54, 56, 58, 60 e 65). Aqui em capa de 1946:


A partir dos anos 70, passa a ser editada pela Ediouro, onde continua em catálogo. O espanto aqui fica por conta da coleção em que foi incluída a obra - Clássicos de Bolso Franceses (!):


III.
Em 1945, sai a tradução de Virginia Silva Lefreve [sic; leia-se Lefèvre], pela Edições e Publicações Brasil, com o título de Jane Eyre (a mulher sublime).




IV.
Em 1971, a Ediouro lança a adaptação infanto-juvenil para a Coleção Elefante, por Miécio Tati:

Jane Eyre-charlotte Bronte- 1971

V.
Em 1983, sai a tradução de Marcos Santarrita, pela Francisco Alves:


VI.
Em 1996, a tradução de Lenita Esteves e Almiro Pisetta sai pela Paz e Terra:


VII.
Em 2008, a Itatiaia lança uma pretensa tradução em nome de Waldemar Rodrigues de Oliveira, na verdade cópia fiel da tradução de Sodré Viana. Veja aquiaqui.



VIII.
Em 2010, sai pela Landmark a tradução de Doris Goettems, em edição bilíngue:


IX.
Em 2011, é lançada a tradução de Heloísa Seixas pela BestBolso:

JANE EYRE




(A título de curiosidade, em 1953 sai uma quadrinização pela Ebal, em Edição Maravilhosa, n. 69.)
Revista Hq Edição Maravilhosa Jane Eyre Charlotte Bronte


Passemos a outro romance de Charlotte Brontë: Shirley. Foi lançado em 1949, pela Editora Brasileira, numa esquecida tradução de Fábio Valente:

Shirley - CHARLOTTE BRONTE



The Professor, de publicação póstuma, teve um pouco mais de sucesso entre nós:

I.
Sua primeira tradução, de Raul Lima, saiu pela José Olympio em 1944:


E foi reeditada pela Global em 1983:


II. 
Há outra edição pela Saraiva em 1958, cujo tradutor não consegui descobrir, num curioso volume duplo, junto com A lenda de Ulenspiegel, de Charles de Coster:

O Professor C Bronté e a Lenda de Ulenspiegel, C de Coster

III. 
O professor também saiu pelo Clube do Livro em 1958, com tradução em nome de José Maria Machado, o que, porém, não esclarece muita coisa ("José Maria Machado" significava basicamente uma sapecada do Clube do Livro em traduções alheias, e pronto).

O Professor - Charlotte Brontë


Em 1993, a Nova Fronteira lança dois textos da juvenília de Brontë, O segredo & Lily Hart, em tradução de Maria Ignez Duque Estrada:



Em 2006, sai "Napoleão e o espectro" em O grande livro de histórias de fantasmas, pela Suma de Letras, com tradução de Cristina Cupertino:



Por outro lado, Villette, o terceiro de seus três romances publicados em vida, continua inédito entre nós. 

Aos apreciadores das irmãs Brontë, recomendo Leituras Brontëanas, da Carolina, aqui.


6 comentários:

  1. Fabrizio Lyra13.2.12

    Excelente o seu trabalho de catalogar as diversas traduções dos grandes autores da literatura internacional. Tenho muitas curiosidades em relação a isso. Existe um grande autor inglês da era vitoriana, George Meredith, que creio ter sido pouco publicado entre nós. Eu tenho uma tradução que saiu pela Ediouro de um de seus romances mais famosos: O Egoísta. Gostaria de saber se houve outras traduções dele e sobre a qualidade de cada uma delas, se possível. Também sempre quis saber sobre o número de traduções das peças de Tchekhov, Ibsen e Strindberg diretas da lingua materna deles. Eles formam uma espécie de grande trindade do teatro do século XIX. Tenho várias traduções de peças deles mas creio que poucas são diretas da lingua original. De Ibsen existe a reunião de algumas de suas mais famosas peças com tradução de Vidal de Oliveira que creio terem sido publicadas pela primeira vez pela editora Globo e depois reeditadas pela Ediouro que são as traduções que tenho. Tenho também duas traduções de Millor Fernandes de Os Espectros e Hedda Gabler. Não creio serem diretas. Em termos de versões diretas do norueguês de seus trabalhos para o palco existentes no Brasil, conheço apenas as traduções da editora 34 de O Pequeno Eyolf e John Gabriel Boorkman de Fátima Saadi e Karl Erik Schollhamme. Tenho a primeira, mas não a segunda. Pelo site da editora 34, vejo que ambas estão, no momento, indisponíveis. É uma pena. De Tchekhov tenho conhecimento que a tradução de Ivanov que saiu pela Edusp de Arlete Cavaliére e Eduardo Tolentino Araújo é direta do russo. Possuo essa também. Talvez a tradução que saiu pela editora Veredas de Gabor Aranyi das 4 mais famosas peças de Tchekhov (A Gaivota, Tio Vânia, O Jardim das Cerejeiras e As Três Irmãs) também sejam diretas. Mas nessas edições não vem nenhuma referência a isso. Apenas o título original em russo das peças. Não sei também se as traduções de Tchekhov que saíram na famosa coleção Teatro Vivo da Editora Abril na década de 70 são diretas. Também possuo duas traduções de Millor Fernandes de Tio Vânia e O Jardim das Cerejeiras atualmente editadas pela L&PM. Não creio serem diretas também. Vi em algum lugar uma vez, não me lembro onde, uma tradução de O Jardim das Cerejeiras com o titulo de O Cerejal. Nada sei dessa tradução. Em relação a Strindberg conheço a edição de A dança da Morte, também pela Veredas, que não possuo e não sei se é direta do original. Possuo Senhorita Júlia e A Mais Forte, em edição da Ediouro, com tradução de João Marscher e direitos cedidos pela editora Brasiliense. Vem o titulo no original mas nenhuma referência se a tradução é direta do sueco. Seria interessante fazer também um catálogo desses autores e traduções. Vai aí a sugestão.

    Forte abraço, Denise, e parabéns, mais uma vez pelo excelente trabalho!

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  2. olá, prezado fabrizio, é mesmo uma infinidade de coisas! uma coisa interessante que a CBL está montando é um cadastro geral de todas as obras publicadas no brasil - certamente leva um bom tempo até montarem tudo, e não sei qual a data que tomarão como ponto de partida. mas já é uma boa iniciativa - enquanto isso, as melhores fontes continuam a ser os catálogos da BN e os acervos de sebos na estante virtual...

    abraço
    denise

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    1. Fabrizio Lyra13.2.12

      Sim, é verdade. Só quero acrescentar que quanto a Strindberg há uma recente edição de Senhorita Júlia e outras peças com tradução direta do sueco de Guilherme da Silva Braga pela editora Hedra.

      Abraço e obrigado!

      Fabrizio

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  3. Denise, esse post é de utilidade pública! Parabéns pelo ótimo trabalho. Linkei já!

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  4. que gracinha, carolina, obrigada!

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  5. aliás, querida, tirei de lá das leituras brontëanas a imagem da shirley, preciosidade!

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