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18 de jun. de 2017

ecos de portugal no brasil, II

"ecos de portugal no brasil" é uma série de breves crônicas que venho publicando na revista digital InComunidade,

saiu agora a segunda delas, sobre o caso de persuasão, de jane austen. a crônica está disponível aqui.

veja-se também o marcador "landmark" aqui.

25 de mai. de 2013

perícia judicial confirma


jorge furtado rastreou extensamente e deslindou o mistério em torno de primavera das neves, aqui.

primavera das neves - ou vera pedroso, como mostrou jorge furtado - está entre os diversos tradutores que tiveram seu trabalho publicado de maneira espúria. em seu caso, a obra indevidamente apropriada foi sua tradução d'o morro dos ventos uivantes, de emily brontë, que tinha saído pela bruguera em 1971, reeditada várias vezes pelo círculo do livro (desde 1976) e pela art (1985). em 2007, a editora landmark publicou a tradução de vera pedroso com algumas alterações de pequena monta, atribuindo sua autoria à pessoa que fora contratada para fazer a revisão do texto.


em 2009, apontei a ocorrência do fato neste blog, bem como outra irregularidade da mesma editora em persuasão, de jane austen. por tais apontamentos, a landmark abriu processo não só contra mim, mas também contra raquel sallaberry brião, por ter mencionado o caso de persuasão em seu site jane austen em português, aqui, o google por ser o mantenedor do blogger e o domínio.br por hospedar o site de brião. foi solicitada também a remoção imediata do blog não gosto de plágio, pretensão esta indeferida pelo juiz.

o advogado da editora landmark, dr. alberto j. marchi macedo, na ocasião, informou à imprensa que "a Editora Landmark propôs a ação competente em face da blogueira Denise Bottmann por entender que as denúncias por ela apresentadas encontram-se totalmente desgarradas da realidade fática e das provas que serão produzidas no processo judicial, razão pela qual não existe qualquer cabimento quanto à acusação de plágio", aqui.

em 2011, o juiz determinou que as obras em questão fossem analisadas por um perito judicial. os laudos periciais, juntados aos autos em janeiro deste ano, apresentam resultados apontando a ocorrência de 100% de plágio em persuasão e 88% de plágio em o morro dos ventos uivantes. 

fico contente que, gradualmente, se esteja fazendo essa pequena justiça póstuma a primavera das neves / vera pedroso.

foto de primavera das neves extraída daqui.

20 de abr. de 2011

coração das trevas II

comentei em coração das trevas a profusão de traduções dessa obra de conrad no brasil, e o recente lançamento da undécima delas pela editora landmark. dei uma olhada nessa edição: infelizmente, vem coalhada de erros de tradução, frases truncadas, falhas de entendimento, problemas de revisão, não restando muitos vestígios da elegância do original. para poupar aos leitores o desconforto e à editora o constrangimento, arrolo apenas alguns breves exemplos:

"Mind," he began again, lifting one arm from the elbow, ... so that ... he had the pose of a Buddha preaching in European clothes and without a lotus-flower
"Imaginem", ele começou novamente, libertando um dos braços a partir do cotovelo. ... assemelhando-se a um Buda que pregava, vestindo roupas europeias e a uma flor-de-lotus (p. 13)

I wouldn't have believed it of myself; but, then—you see—I felt somehow I must get there by hook or by crook. So I worried them. The men said 'My dear fellow,' and did nothing. Then—would you believe it?—I tried the women.
Eu mesmo não acreditava em mim; mas, vejam, que eu tinha que chegar lá a qualquer custo. Mas vocês acreditariam que eu tentei tudo isso através das mulheres? (p. 15)

I hastened to assure him I was not in the least typical. 'If I were,' said I, 'I wouldn't be talking like this with you.'
Apressei-me em assegurar-lhe que eu era uma pessoa muito comum. 'Se eu fosse especial', disse eu, 'não estaria conversando com você nesses termos.' (p.19)

I came upon a boiler wallowing in the grass
Deparei-me com uma caldeira deleitando-se sobre a relva (p. 23)

resumindo, minha opinião: não vale a pena.

edições brasileiras:
 
lpm: albino poli jr. 
cia. letras: sérgio flaksman

      itatiaia: regina r.junqueira
hedra: josé roberto o'shea

global: hamilton trevisan
nova alexandria: juliana l. freitas

nova alexandria: josé vicente bernardo
(adaptação juvenil)

iluminuras: celso paciornik                                                               ediouro: marcos santarrita

brasiliense: marcos santarrita

abril: celso paciornik                                                                biblioteca folha: celso paciornik

martin claret: luciano a. meira                                        landmark: fábio cyrino

a propósito, vale a pena ver o artigo de alfredo monte, "as margens derradeiras: 'aprisionados pelo inacreditável'", aqui.

atualização em 22/04/11: retificado com a inclusão da adaptação juvenil pela nova alexandria (josé vicente bernardo) e a capa correta da tradução de 2001, de juliana l. freitas. agradeço a alfredo monte.

4 de abr. de 2011

fatos, realidades etc.

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em janeiro de 2009, a partir de indicações dadas por uma leitora de jane austen, apontei uma flagrante irregularidade na edição de persuasão, da editora landmark. resumidamente, a autoria da tradução publicada pela landmark vinha atribuída a fábio cyrino, diretor editorial da empresa. no entanto, ela se afigurava quase idêntica, inclusive nos erros e gralhas de impressão, à tradução de isabel sequeira, publicada pela editora europa-américa de portugal. expus a questão aqui.

em fevereiro de 2010, recebi a citação de uma ação judicial movida pela editora landmark e o sr. fábio cyrino, pleiteando remoção imediata do blog e uma indenização de quatrocentos salários mínimos por danos materiais e morais. a editora reiterou na imprensa, por meio de seu advogado, que tinha ingressado com a ação porque minhas denúncias estariam "totalmente desgarradas da realidade fática, razão pela qual não existe qualquer cabimento quanto a acusação de plágio" (aqui). o processo se encontra em andamento.

logo a seguir, em generosa mostra de solidariedade, foi criado um manifesto em defesa da luta contra os plágios de tradução, que se encontra aqui.

agora em 2011, pelo que vejo, a editora landmark parece ter admitido a real realidade dos fatos, passando a reconhecer a verdadeira autoria da tradução de persuasão.

em recente cadastramento da obra persuasão em formato ebook junto à agência brasileira do isbn, na fundação biblioteca nacional, a editora landmark incluiu o devido crédito da tradução a isabel sequeira. cabe notar que o nome de fábio cyrino agora consta como coautor da tradução: como aparentemente o ebook é uma réplica digital da edição impressa de 2007, a responsabilidade de fábio cyrino nessa coautoria talvez diga respeito às leves alterações na tradução portuguesa de isabel sequeira, quando foi publicada em livro em seu nome.


a ficha do cadastro oficial da obra se encontra aqui.

captura de tela: jane austen em português.
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3 de abr. de 2011

getting wilde

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não bastava o massacre a que o retrato de dorian gray foi submetido na edição da landmark, conforme a resenha do professor e crítico literário alfredo monte, "o retrato desfigurado", a revista época não deixou por menos:


fonte: http://twitpic.com/46lyp9/full, via @cloacanews no twitter.

atualização em 4/4/11: a pífia errata, que nos faz curiosos sobre as brumas entre as quais parece caminhar esse jornalismo apressado, está aqui: http://tinyurl.com/3waqesh, via @ericaCSI no twitter.
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7 de fev. de 2011

diário do nordeste

reproduzo abaixo uma entrevista que dei a edma góis, do diário do nordeste. aqui o link.

Prejuízo para o leitor

6/2/2011

Tradutora experiente, Denise Bottmann está no centro do debate sobre o uso indevido de traduções. Ela denunciou casos aos Ministérios Públicos Estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. São 15 inquéritos sobre traduções com autorias forjadas atualmente disponíveis no mercado brasileiro. Em conversa com o Caderno 3, ela explica como começaram as suspeitas de plágio, além de opinar sobre o papel do Estado e do leitor em meio a essa discussão

O caso mais recente é o da investigação de plágios das traduções de Monteiro Lobato, a cargo do Ministério Público Federal. Há casos que a senhora esteja acompanhando?
Tem alguns inquéritos no Ministério Público Estadual de São Paulo, por iniciativa da tradutora Joana Canedo. A questão não é só do tradutor em si, mas da apropriação de um patrimônio cultural. Canedo entrou com uma grande petição e o Ministério Público Estadual de São Paulo instaurou um inquérito. Uma característica interessante é que uma boa maioria desses problemas acontece com traduções antigas, de textos de 1930 a 1950. Tem ainda um percentual de obras mais recentes envolvendo textos de Portugal.

Que suspeitas a senhora considera mais graves?
É o da editora Landmark. Mas em termos quantitativos (são quase 200), é o da Martin Claret. No caso da Landmark, um dos proprietários atribui a seu nome à tradução de "Persuasão" (Jane Austen). No início ele negava e depois contestou a adequação do termo "plágio". Uma das acusações que sofri é que eu estaria usurpando o papel do juiz ao condená-lo por "plágio". Eu apenas apontei a ocorrência de plágio, o que eu posso demonstrar em juízo.

Como vieram à tona os plágios de traduções portuguesas ?
A Universidade de Lisboa desenvolveu e publicou uma tradução de uma obra do Nietzsche. Essa tradução foi copiada por uma editora, substituindo o nome da legítima tradutora. No Brasil, a Martin Claret esteve envolvida em um dos primeiros escândalos. Um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) apontou um plágio de uma tradução de "A República", de Platão. Na verdade, essa tradução tinha sido feita por uma estudiosa portuguesa e copiada pela Martin Claret, com outro nome.

Como atuam aqueles que usam indevidamente as traduções?
Normalmente, são dois tipos de plágio: o de tradutores originais já mortos ou de traduções atribuídas a nomes fictícios. A diferença do caso de Portugal é de que as tradutoras estão vivas. Existe uma pequeníssima minoria de tradutores brasileiros vivos que sofreram esse tipo de lesão. São os casos do poeta e historiador Ernâni Donato e do crítico literário Luiz Costa Lima. O caso dos dois foi com a editora Nova Cultural.

Há algum levantamento dos plágios no Brasil?
Todas as iniciativas são individuais. Na época em que denunciei, contei com o apoio do Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra) e da Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes (Abrates). Um dos maiores apoios vem dos setores acadêmicos, fundamentalmente dos departamentos de Letras e de Filosofia, porque uma questão é que os plágios são obras em domínio público de grandes clássicos da literatura e da filosofia.

O leitor não tem como saber que está comprando uma tradução copiada?
Bem ou mal, o tradutor é protegido por lei. Se tivesse algum caso de tradução minha lesada, entraria com uma ação judicial e não com o Ministério Público. A questão do leitor é essa. Ele não é reconhecido como parte legítima para ingressar com ação de lesão contra seus direitos. Estou com mais de 15 inquéritos como cidadã por estar sendo lesada por essas editoras. O Ministério Público de São Paulo, Rio de Janeiro e do Paraná aceitaram meus pedidos de representação por lesão ao Código do Consumidor. As editoras são Ediouro, Fundamento, Germinal, Grupo Geração, Landmark, e Martin Claret. O que eu digo é que aquela informação sobre a tradução é incorreta e induz o leitor ao erro.

Qual a importância da averiguação do MPF?
É um grande precedente o MPF passar a reconhecer a lesão ao patrimônio, mesmo que não seja de textos em domínio público. No caso de Monteiro Lobato, ele reconhece que a sua contribuição integra o patrimônio cultural brasileiro, mesmo que os direitos autorais ainda pertençam à família. É reconhecer publicamente que uma obra literária, mesmo sem ser de domínio público, deve ser protegida pelo Estado. Eu, como leitora, não posso fazer nada, a não ser como consumidora. Mas que leitor irá saber? Eu posso ver irregularidades porque sou tradutora há mais de 25 anos. O leitor, em geral, não.

E o que pensar sobre os textos que estão na Internet?
O grau de infiltração é enorme. Tem vários para downloads. É incontrolável. São textos de estudo e muitos de graduação e pós-graduação. É mais fácil comprar em sebos, a baixos preços, do que fazer impressão de arquivos. Para consultas rápidas, funciona sim, mas para acervos de biblioteca, não acho que dê certo. O problema ainda é o livro impresso mesmo.

EDMA CRISTINA DE GÓIS
ESPECIAL PARA O CADERNO 3

foi uma longa conversa por telefone com a jornalista, a quem agradeço muito a oportunidade. gostaria apenas de fazer um reparo, pois talvez eu não tenha me expressado com clareza: indagada sobre o caso da landmark, em que um dos sócio-proprietários da editora, o sr. fábio cyrino, assinava uma das edições suspeitas, ao comentar sua gravidade eu estava pensando na ação judicial que a editora e o editor moveram contra minha pessoa, e que se encontra em curso. considero-o o caso mais grave, tanto pelas demandas da editora quanto pelo fato de que outra ação judicial contra mim, movida pelo sr. martin claret, não prosperou. deixei um comentário na página da entrevista, fazendo esse esclarecimento que me parece oportuno. do ponto de vista do catálogo da landmark, o nãogostodeplágio apontou apenas duas irregularidades: persuasão o morro dos ventos uivantes. veja aqui e aqui.

outra pequena retificação: ingressei com mais de quinze petições junto ao ministério público contra irregularidades praticadas por várias editoras. nem todas essas petições deram origem a inquéritos.
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26 de set. de 2010

arquivo II

este arquivo, criado em 07/03/10 para abrigar informes sobre o processo landmark/cyrino contra raquel sallaberry e mim, bem como sobre o manifesto em defesa da luta contra o plágio, passa a incluir demais notícias e menções desde fevereiro de 2010 ao trabalho do nãogostodeplágio.

para notícias anteriores, consulte o arquivo I

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atualizado em 26/09/2010; 28/10/2010
se você tiver mais informes sobre contrafações e plágios de tradução, por favor inclua nos comentários. obrigada.
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