16 de jul de 2017

ecos de portugal no brasil, III

saiu a edição deste mês da revista digital luso-brasileira InComunidade, disponível aqui.

meu artigo, "ecos de portugal no brasil, III", trata d'as aventuras do sr. pickwick, de charles dickens, lá e cá.
disponível aqui.



  


5 de jul de 2017

checagem de fontes: ainda luís de andrade e a utopia

uma coisa que eu queria expor um pouco: alguém pode achar que isso de checar atribuição é procurar pelo em casca de ovo. por exemplo, que qualquer mínima relevância tem que "luís de andrade" aparecesse como "luís de carvalho paes de andrade" na catalogação da usp? um pequenino lapso, tudo bem, só isso. vide a questão aqui.

é que as coisas costumam se compor dentro de um quadro maior. e minha questão é que, na extensa pesquisa que estou fazendo sobre a editora athena em sua fase heroica, digamos assim (1935-1939), vem-se configurando um conjunto de elementos unidos por certa coerência própria. por exemplo, evidenciou-se que um traço definidor da athena era operar como uma espécie de rede de apoio, inclusive de subsistência, para militantes e perseguidos políticos, sobretudo trotskistas, durante o estado novo.

na prática, isso significava, entre outras coisas, fornecer trabalho constante - em particular de tradução - para os intelectuais perseguidos pelo regime. estando alguns encarcerados, suas traduções eram publicadas sob pseudônimo, como já comentei várias vezes.

assim, não fazia o menor sentido na minha cabeça que petraccone (o editor proprietário da athena) se pusesse a publicar traduções em domínio público, pois a troco do quê? isso contrariaria toda a prática da editora naqueles anos e escaparia ao sentido de se manter uma rede de apoio material aos militantes.

de mais a mais, nunca, jamais, em momento algum eu havia encontrado qualquer referência a uma tradução da "utopia" de thomas more que fosse anterior à da athena (lançada em 1937).

além disso, nunca, jamais, em momento algum encontrei qualquer referência a qualquer atividade de tradução do chefe-mor da alfândega portuária pernambucana no período do império, o engenheiro luís de carvalho paes de andrade.

ainda por cima, qualquer um que leia a utopia traduzida pelo luís de andrade athenense verá uma prosa muito clara, muito límpida e desadornada, sem qualquer vezo oitocentista, despojadamente moderna, diria eu. e a hipótese meio descabelada  de uma "revisão" e "atualização" faria ainda menos sentido. para que deixar de fornecer trabalho a militantes desempregados e/ou presos, para que publicar traduções em DP; e, como se não bastasse, gastar tempo e dinheiro para encomendar um copidesque numa vetusta tradução? muita forçação de barra, um complica-que-nada-explica.

some-se a isso a existência de várias traduções da athena publicadas com pseudônimo e - tirando a exceção do bizarro "blásio demétrio" [i.é, fúlvio abramo] - parecia-se dar preferência a nomes bastante anódinos: paulo de oliveira, j.l. moreira, jorge da silva... e, não seria implausível supor, luís de andrade.

mas aí surge a inesperada identificação bibliográfica entre o luís da athena e o luís dos portos imperiais. não posso de boa-fé descartar indícios só porque contrariam minha hipótese de trabalho. tenho de apurar. e por isso pareceu-me que uma via possível de apurar a veracidade dessa identificação seria buscar sua fonte original. daí então o contato com os autores que haviam citado essa identificação, o contato posterior com a entidade catalogadora que estabelecera a identidade entre os dois luíses e daí minha sensação de que - confirmado o erro de registro catalográfico - as coisas podiam voltar a fazer sentido.

em tempo: até existe um luiz de andrade (1849-1912) autor de algumas obras, mas, tal como no caso do outro luiz oitocentista, nada, absolutamente nada indica que tenha a mais remota relação com o nosso luís de andrade tradupor d'a utopia.


4 de jul de 2017

novo blog

preparando-me para começar a tradução de utopia, de thomas more, criei um blog de acompanhamento. chama-se utopia, e está aqui.

ufa


eu tinha ficado encafifadíssima com uma indicação que vi em alguns artigos sobre nossa primeira tradução brasileira de utopia, de 1937. segundo essa indicação, o tradutor luís de andrade (na época grafado com z, luiz) seria o engenheiro e escritor pernambucano luiz de carvalho paes de andrade (1814-1887).

por várias razões que exporei em outro post, a coisa não fazia o menor sentido para mim. fui atrás. bom, após algumas consultas, descobri que a origem exclusiva da referência era a ficha catalográfica da obra registrada no sistema dedalus, da usp.

escrevi para lá, pedindo que me informassem de onde haviam extraído aquela bendita informação de que luiz de carvalho paes de andrade (o qual, até onde sei, jamais traduziu uma única linha) teria sido o tradutor de utopia (a qual, até onde sei, jamais fora publicada no brasil antes de 1937, muito menos no século XIX).

claro que não comentei nada disso em minha consulta. apenas pedi a fonte da referência. não sei que diligências fizeram, nem como rastrearam o lapso e/ou a origem do lapso. mas hoje veio a resposta muito gentil e atenciosa, que reproduzo:
Desculpe a demora em responder. Encaminhei a sua dúvida para o nosso Processamento Técnico e eles fizeram a correção no Sistema. Realmente estava incorreto: o autor secundário não era este Andrade, Luiz de Carvalho Paes de, 1814-1887.
fica então o registro e o aviso aos navegantes: luiz de andrade, tradutor d' a utopia pela athena editora e sucessivas reedições em outras casas editoriais até data recente, não é - e, até prova em contrário, não tem nada a ver com - luiz de carvalho paes de andrade. qualquer menção nesse sentido pode ser, a meu ver, solenemente desconsiderada.

agora, quem era, quem foi luiz de andrade tradutor d' a utopia, é assunto de outra conversa.


2 de jul de 2017

denise na zunái


meio em paralelo, alguns poemas meus na revista zunái, de julho 2017, aqui.