Outro tipo de intervenção que, embora não tão absurdo quanto o puro e simples alopramento que comentei aqui, é aquele que troca seis por meia dúzia - ou melhor, em minha opinião, por três ou quatro.
Ainda no livro de John Boyne, na página seguinte, o narrador comenta que, no século XIX, imperícias médicas eram usuais no interior da Rússia, que volta e meia as mães morriam no parto, que não era coisa incomum na época. Mas: "Hoje, seria algo inesperado e motivo de ação judicial" (Today, it would be unexpected and worthy of litigation). Acho que está bom, correto, passa.
Saiu: "Hoje, seria algo inesperado e processo na certa". Parece meio gíria, um coloquial meio datado, mas vá lá - embora, a rigor, worthy esteja longe de assegurar a certeza de qualquer coisa, "processo na certa" até pode passar mais ou menos a ideia da coisa. Só que eu jamais traduziria assim e jamais forçaria a barra seja no coloquialismo, seja na taxatividade da afirmação.
Em suma, não me reconheço nisso. Foi uma miudeza boba e pueril da revisão, que acabou destoando do tom geral do livro, e é mais um exemplo de minhas razões para ficar com o pé atrás com esse tipo de intervenção.*
*No caso deste livro, parece que depois da segunda ou terceira página felizmente a revisão se cansou e não mexeu em mais nada.
Há irregularidades em cadastros de livros de baixo custo
Da Redação
A tradutora Denise Bottmann, uma das responsáveis pela tradução da biografia do empresário Steve Jobs, fez uma denúncia à Procuradoria Geral da República sobre as irregularidades (contrafações e plágios de obras de tradução) inscritas no cadastro nacional do livro de baixo preço na Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
O programa da FBN oferece cerca de 2.700 bibliotecas públicas estaduais, municipais, comunitárias, rurais e tem mais de 10 mil títulos inscritos no Cadastro Nacional de Livros de Baixo Preço. O problema é que, segundo Bottmann, dezenas de obras vêm sendo vendidas com autorias ilegítimas.
De acordo com a denúncia, editoras, como a Martin Claret, Escala e Pillares, cadastraram diversos livros com falsas autorias, inclusive com problemas de depósitos no acervo.
Na quinta-feira, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro encaminhou um e-mail para Bottmann, afirmando que tomaria as providências cabíveis para solucionar o caso.
Denise contou que enviou à FBN uma lista com várias obras de tradução sob suspeita e se prontificou a fornecer provas apontando as irregularidades, mas a Biblioteca Nacional afirmou que será difícil resolver os problemas, já que o regulamento do programa é vago e deixa abertura para falhas. Para a tradutora, a FBN não pensou em contemplar a comprovação da legitimidade dos direitos de publicação das obras.












