18 de abr de 2015

mário de andrade e a "coleção cultural musical"

já comentei isso em outros posts, mas repito porque acho importante: a "cultura brasileira" foi uma pequena e efêmera editora (1934-1938) que, entre outras coisas, mantinha uma coleção de obras sobre músicos, a "coleção cultural musical", dirigida e organizada por mário de andrade.

em se conhecendo o nariz empinado de mário de andrade em relação à literatura de tradução, acho interessante que, claro, nem ele próprio foi capaz de abdicar dessa atividade que interconecta povos e culturas por meio de suas obras. e até imagino que tenha sido ele mesmo a indicar e escolher os tradutores dos livros que integravam sua coleção.

fica aqui mais uma singela sugestão para um TCC, uma monografia de final de curso, em nível de graduação: a trajetória da coleção cultural musical, da editora cultura brasileira.





12 de abr de 2015

a utopia

um artigo interessante de ana cláudia romano ribeiro sobre as várias traduções brasileiras de a utopia, de thomas more, aqui.

4 de abr de 2015

o velho e o mar II

prosseguindo a questão levantada no post anterior, o velho e o mar, aqui, marlova assef, a quem agradeço também pelas imagens, confirma que a edição da civilização brasileira de 1956 traz o início "melvilliano": "O velho chamava-se Santiago".




capa, 1956                                                                                           sobrecapa, 1956


interessante notar que se trata de um licenciamento da livros do brasil para a civilização. a edição portuguesa lançada pela livros do brasil não traz data de edição, mas no google books consta o ano de 1954, aqui.


vale notar que a livros do brasil publicou apenas uma edição da tradução de fernando de castro ferro, e já a partir de 1956 substituiu-a por outra tradução, da lavra de jorge de sena, em circulação até a data de hoje. a tradução licenciada para a civilização passou por revisão para adequá-la ao português brasileiro.



mas, neste caso, aquela minha hipótese de um dedinho do ênio silveira nesse inusitado começo, que levantei em o velho e o mar, parece não se sustentar. em licenciamento, não se costuma (nem se pode muito) mexer no texto, salvo para fins de estrita adaptação linguística. isso leva a indicar que a fonte daquela inspiração melvilliana foi no ultramar mesmo, e quiçá por gosto mesmo do próprio tradutor (por maior que seja minha dificuldade em ver alguma coerência e compatibilizar os dois partidos anteriormente apontados).

concluindo, um dado interessante: castro ferro veio a se radicar no brasil, imagino que por volta daquela mesma época. aqui fundou uma editora, a expressão e cultura, e continuou na atividade tradutória por muitos anos. encontra-se um artigo interessante seu, "o mundo selvagem dos livros", no jornal opinião, sobre sua experiência de editor no brasil, aqui.

o velho e o mar

um caso interessante foi levantado por andré balaio no facebook, aqui.

trata-se do início d'o velho e o mar, de hemingway, em tradução de fernando de castro ferro, que saiu inicialmente pela civilização brasileira em 1955, teve dezenas de reedições, e em algum ano entre 2000 e 2005 passou para a bertrand, ambas pertencentes ao grupo editorial record.

 civilização brasileira, 44a. edição, 1999

 bertrand, 80a. edição, 2013



um leitor pode achar que é o tradutor inventando moda. difícil. à primeira vista, nas duas frases iniciais, até poderíamos pensar que se trata de uma adaptação. mas vê-se na sequência que se trata de tradução mesmo, e de uma mesma tradução, razoavelmente fiel ao texto, o que elimina a hipótese de se tratar de uma adaptação. mas é difícil que essa grande diferença nas frases iniciais se deva à iniciativa de um tradutor, visto que este, imediatamente a seguir, mostra bastante aderência ao original. não faria muito sentido adotar um partido tão "liberal" nas duas ou três primeiras frases e em seguida passar para um partido mais convencional.

o velho e o mar foi, até onde sei, o primeiro livro de hemingway publicado no brasil, por iniciativa de ênio silveira, grande admirador seu - tendo inclusive traduzido, sob o pseudônimo de a. veiga fialho, uma coletânea de contos de hemingway (the fifth column and the first forty-nine stories).



andré balaio argutamente aponta uma ressonância melvilliana no início "O velho chamava-se Santiago". de minha parte, repito, acho muito difícil que uma alteração tão grande do original tenha sido por iniciativa do tradutor, em vista da sequência da tradução. eu tenderia a ver aí um dedinho do próprio ênio silveira, um ímpeto "estilístico-comercial" (cabe lembrar que moby dick saíra não muitos anos antes na tradução de berenice xavier). mas essa minha hipótese só faz sentido se supusermos e pudermos confirmar que desde 1955 foi esta a versão publicada, a mesma que ainda em 1999 estava em circulação.

encontro referências ao outro início, publicado pela bertrand, pelo menos desde 2005. em sendo fundada a hipótese acima aventada, seria plausível supor que foi no momento da transferência dessa tradução de um para outro selo da record, isto é, da civilização para a bertrand, que se procedeu à alteração do início, (re)aproximando-o do original.

sobre fernando [de] castro ferro, veja nosso rastreamento nos comentários do post aqui.

atualização em 05/04/2015: agradeço a allison roberto pelas imagens abaixo. como se vê, é em 2001 que a bertrand que passa a publicar a tradução, com seu novo início:



poe


um artigo de maria rita drumond viana sobre várias traduções d'o gato preto, de poe, aqui.

os contos de poe em tradução de julio cortázar (1956, em reedição revista e corrigida pelo tradutor), aqui.

imagem: aubrey beardsley (1894-95), the black cat


1 de abr de 2015

entrevista

o jornal cândido, da biblioteca pública do paraná, fez uma entrevista comigo, que publico aqui na íntegra.


Entrevista a Cândido, 3 de fevereiro de 2015

1. Em primeiro lugar, quem é o tradutor? Ou melhor, quem pode traduzir? Alguém que conheça a língua do livro a ser traduzido e também o idioma para o qual o texto será vertido? É isso? O que mais?
Sim, creio que o conhecimento das duas línguas, a de partida e a de chegada, são um bom começo - um excelente domínio sobretudo da língua de chegada, em nosso caso o português. Acredito também que o tradutor deve traduzir da língua estrangeira para sua língua materna, e não vice-versa. São raros, raríssimos os casos de estrangeiros que venham a conhecer tão bem o português que consigam autonomia completa na língua - os exemplos que me ocorrem são os de estrangeiros imigrantes ou de famílias imigrantes que acabaram se estabelecendo no Brasil, como Elias Davidovich, Tatiana Belinky, Paulo Rónai, Boris Schnaiderman e poucos mais.
Além do conhecimento do par de línguas, creio ser quase indispensável um conhecimento pelo menos geral dos assuntos tratados no texto. No caso de obras literárias, isso significa um mínimo de conhecimento de história da literatura, de estilos e escolas, bem como de técnicas literárias.
E, por fim, prática e experiência. Mas, para começar, creio que bastam, sim, os requisitos acima citados.

2. Há uma discussão, talvez superada, não sei, a respeito do tradutor respeitar o texto original ou então reescrever com liberdade. Qual a sua opinião sobre o assunto? Pode citar algum exemplo?
Ah, essa é uma discussão infindável, interminável, em particular na tradução literária. Pessoalmente, não conheço ninguém que defenda integralmente a ideia de "reescrever com liberdade", em termos estritos. No caso, isso seria mais uma paráfrase ou uma adaptação, e não tanto uma "tradução". Mas, tirando esses dois extremos - uma reescrita livre e descolada do texto ou uma adesão servil ao literalismo (que, no limite, nem faria sentido) -, há um extenso campo de variações e modulações possíveis. O praticante mais radical de uma reescrita livre seria, talvez, Ana Cristina César, a tal ponto que suas chamadas traduções são, a rigor, textos apenas inspirados por um original, digamos assim. Quanto ao literalismo mais colado ao original, há também o peso da experiência: um exemplo são as duas traduções de Josely Vianna Baptista  para Paradiso, de Lezama Lima, onde é possível ver seu amadurecimento desde aquela que foi sua primeira tradução profissional, em 1987, e a reelaboração a que procedeu na edição lançada agora em 2014.

3. Você tem vários livros traduzidos, da língua inglesa, francesa e do italiano. É isso mesmo? De qual idioma mais traduziu? 
Acrescento que traduzi também algumas coisas do espanhol. Gosto muito das línguas neolatinas e adoraria poder traduzir mais do francês e do italiano, mas, como a demanda por traduções do inglês é muito maior, acabo traduzindo bem mais do inglês do que de outras línguas.

4. Quanto tempo demora, em média, para traduzir uma lauda ou uma página? Você se programa, no caso de uma tradução já acertada, para trabalhar determinado número de páginas por dia ou pensa em caracteres ou traduz até o seu limite de energia naquele dia? 
Varia muito, muitíssimo, de tradutor para tradutor e também em função do texto e de suas dificuldades. Em meu caso pessoal, e em termos esquemáticos, foi assim: no começo eu me estabelecia uma jornada de 44 horas semanais, rendessem o que rendessem. Para livros de complexidade média, naquela época isso rendia cerca de dez páginas ou doze laudas por dia, resultando numa faixa de trezentas laudas ao mês, mais ou menos. Com o tempo, a experiência e sobretudo a facilidade proporcionada pela internet, para consultas e pesquisas, minhas horas de trabalho passaram a render mais laudas ou, dito de outra maneira, passei a precisar dedicar menos horas para chegar àquele tanto de laudas diárias. Hoje em dia, sou meio anárquica a esse respeito: às vezes, num surto inesperado qualquer, chego a fazer 20, 25 laudas num dia, sobretudo com textos fáceis, trabalhando oito, dez horas, e depois passo alguns dias sem fazer nada ou apenas duas ou três laudas, conforme vem a vontade. Tudo isso, naturalmente, supondo um texto não especialmente difícil. Para textos de maior dificuldade linguística, estilística ou temática, o rendimento é outro, cerca de metade ou dois terços disso. 

5. Quando realizou a sua primeira tradução? 
A primeira tradução profissional, digamos assim, ou seja, formalmente contratada e devidamente remunerada, foi em 1984, para a Editora Brasiliense. Era um livrinho do Perry Anderson, que saiu em português com o título de A crise da crise do marxismo. Já antes disso, eu gostava de traduzir artigos que achava interessantes (principalmente do Guy Debord, então pouco conhecido no Brasil), que eram publicados em alguns veículos da imprensa libertária (lembro-me dos baianos O inimigo do rei e Barbárie).

6. Até março de 2015, data da publicação da matéria, qual o número de obras que você traduziu? 
Hmmm, não sei dizer com certeza. Uns 120 livros, talvez, e uns vinte ou trinta artigos avulsos. Eu até mantinha uma listagem atualizada, mas nos últimos dois anos ando meio relapsa nisso.

7. Você vive das traduções? Paga-se bem ao tradutor? Quanto? As casas editoriais respeitam o tradutor? 
Sim, vivo exclusivamente de traduções. Olha, o preço de lauda que as editoras pagam aos tradutores varia incrivelmente, desde níveis vergonhosos até níveis que, para mim, são satisfatórios. Fica difícil dizer quanto. Mas creio que qualquer pessoa sensata só se dedicaria à atividade de tradução como única fonte de renda se a remuneração fosse suficiente para suas expectativas. No meu caso, com certeza é razoavelmente acima ou até bastante acima do salário de um professor universitário nos anos iniciais de carreira. Então, para mim está bom. Agora, para um pai ou mãe de família de classe média, com filhos para sustentar, com financiamento da casa para pagar etc., não creio que fosse tão satisfatório assim.
E sim, claro, as casas editoriais com as quais trabalho costumam respeitar bastante o tradutor. Bom, do contrário complica, não é mesmo? Quer dizer, a gente está na atividade porque é bem remunerada, é bem tratada, sente-se satisfeita, não é mesmo? Do contrário, por que se faria algo mal remunerado, sendo desrespeitado e se sentindo insatisfeito? Não faria sentido.

8. Considera o mercado editorial brasileiro profissional no que diz respeito a traduções? Pode apontar algum caso de profissionalismo? 
Ah, sim, altamente profissional! Estou acostumada a trabalhar para algumas editoras em caráter relativamente constante: Companhia das Letras, L&PM, Intrínseca, Objetiva, Zahar. São, todas elas, exemplos de alto profissionalismo na área de tradução, com excelentes editores. Não me lembro de ter trabalhado para alguma que pecasse por flagrante falta de profissionalismo - essas mal se sustentariam no mercado, imagino eu. Ademais, editoras que não zelam pela qualidade das traduções que publicam acabam fazendo um péssimo negócio, seja a curto, médio ou longo prazo. A maior bobagem que pode fazer uma editora é pagar mal ou desrespeitar seus profissionais.

9. O que é o maior problema para um tradutor? Pode citar algum caso seu, o qual foi difícil superar algum problema? 
Hmm, problemas sempre há: seja na tradução, com dificuldades que não consigo superar ou cujas soluções não me satisfazem plenamente; na preparação do texto, quando o revisor não entende bem o partido adotado na tradução ou mesmo falha em entender alguma coisa e faz intervenções desastradas; na divulgação da obra, quando cai na mão de algum resenhista de juízos demasiado rápidos ou desatentos, criticando infundadamente alguma coisa ou deixando de citar o nome do responsável pela tradução, e assim por diante. Mas faz parte.

10. Quais as suas traduções de que mais gosta? 
Ah, várias! Gosto muito de Piero della Francesca, de Roberto Longhi; de Walden, do Thoreau; de Mrs. Dalloway e Ao farol, ambas de Virginia Woolf (aliás, ambas premiadas). Recentemente tive uma experiência fabulosa, não nessa área mais lítero-humanística, e sim de ensaio de tipo jornalístico, que foi traduzir um livro sobre beisebol, de Michael Lewis, chamado Moneyball - foi sensacional, pois contratei um especialista para me orientar na área, visto que não entendo nada de beisebol e foi até meio imprudente de minha parte aceitar fazer essa tradução. Mas foi uma relação tão legal, tão séria, tão enriquecedora e ao mesmo tempo tão discreta e pouco invasiva que agora fico sonhando em desenvolver um novo tipo de trabalho, numa parceria assim. E o texto, achei que ficou ótimo - então estou adorando essa tradução também, por essa faceta inédita para mim.

11. Quem são os mais importantes tradutores em atividade no Brasil? 
Pergunta difícil, e inevitavelmente incorrerei em muitas injustiças, pois existe um grande número de bons, ótimos e excelentes tradutores em atividade no Brasil. Mas vamos lá: entre os grandes tradutores profissionais, sem dúvida destacam-se Ivo Barroso, Ivone Benedetti, Leonardo Fróes, Paulo Henriques Britto, Josely Vianna Baptista. Há outros grandes tradutores que não têm a tradução como atividade exclusiva e sequer principal, mas que são quase que uma espécie de "sal da terra" em nossa seara. Penso, por exemplo, em Marco Lucchesi, Jorio Dauster, Paulo Bezerra, Mamede Jarouche. Há um pessoal mais jovem, que começa a se consolidar e se destacar na área com trabalhos de alto nível, como Alípio Corrêa e Débora Landsberg. Mas, como disse, este é um exercício de injustiças, pois certamente há outros nomes de grande valor.

12. O que faz uma tradução ser considerada ruim? 
Bem formulada a questão, pois concede espaço para abrigar um fenômeno infelizmente não muito raro: pode ser desde a má vontade e - lamento dizer - eventual obtusidade de críticos e resenhistas até uma edição malfeita, com erros de revisão, má diagramação etc., que obscurecem a qualidade efetiva da tradução, até os casos mais triviais de incompetência do próprio tradutor, que leu, não entendeu e traduziu errado mesmo - e nenhum preparador ou revisor se deu conta dos erros e deixou passar. Em tempo: erramos, viu? Difícil encontrar alguma tradução que não contenha algum erro de entendimento ou de modulação.

13. O que eu não perguntei, deveria ter perguntado e você quer dizer sobre o assunto? 
Traduzir é uma delícia! Além de ser a coisa mais importante que existe. Já pensou um mundo sem acesso às línguas, obras e realizações de outras pessoas, de outras terras, culturas e épocas diferentes das nossas? Não dá nem para imaginar.




aqui "reconstruir um texto original", matéria de marcio renato dos santos utilizando excertos das entrevistas que vários tradutores demos.


26 de mar de 2015

"o submundo da tradução"?!

divirto-me e até tomo como exercício muito salutar procurar erros meus de tradução. não faltam. às vezes publico em algum de meus blogues. afora isso, acho meio cabotino dar uma de agenor soares de moura ou de agripino grieco e ficar apontando erro dos outros. 
assim, a única coisa que me pareceu de interesse num recente artigo da revista cândido, aqui, foi a confirmação da nonchalance de jorge luis borges em emprestar seu nome a traduções alheias e a hipótese (apenas levemente acenada) de que cecilia meirelles teria feito sua tradução de orlando, de virginia woolf, a partir do espanhol. 
bom, fui conferir e, pelo que constatei, o comentário do articulista nem procede: o mouro inicialmente citado aparece apenas como "moor". apenas dois parágrafos adiante é que o narrador de orlando fala em "vast pagan". borges ou quem por ele usou respectivamente "moro" e "vasto infiel"; cecília meirelles usou "mouro" e "vasto infiel", ambos muito fiéis (no pun intended) ao original. em suma, bola fora do articulista, aparentemente.
(lição do dia para aluninhos de estudos de tradução: é assim que rapidamente se excluem falsas hipóteses; basta checar as fontes.)

21 de mar de 2015

o decameron

aí você lê um vasto de um catatau de um livro, de uma fluência muito simpática, algo que parece não ter maiores segredos, algo que você acha plenamente normal ter ao seu alcance e à sua disposição, a coisa mais natural do mundo, nada mais que obrigação dos céus e das editoras de te entregar na mão. afinal, pra que serve esse tal de tradutor se não é pra te dar textos legais e palatáveis? estão aí pra isso mesmo, ué, que que tem de mais?

então leia o artigo da tradutora, aqui. aí talvez fique mais claro o que é a tradução como um artesanato realmente primoroso, coisa raríssima. (para além da excelência prática, devo dizer que, entre os profissionais do ofício, ivone benedetti é hoje em dia, a meu ver, quem provavelmente melhor reflete sobre essa nossa atividade, com incrível agudeza e bagagem conceitual.)



17 de mar de 2015

kafka no brasil


a tradterm 24 publica meu estudo "kafka no brasil (1946-1979)", aqui.


2 de mar de 2015

traduzindo o pequeno príncipe

a quem se interessar, iniciei um pequeno blog de acompanhamento de tradução, agora de le petit prince, de saint-exupéry. chama-se traduzindo o pequeno príncipe e está aqui.

26 de fev de 2015

skoob e créditos de tradução

reproduzo um aviso importante:
Olá, Denise,

Sabe o Skoob, a rede social mais usada por leitores no país? Além de ser rede social, ela se tornou uma IMENSA base de dados de obras publicadas no Brasil. Misteriosamente, quando acrescentamos um livro novo, não há mais o campo para preenchermos com o nome de quem traduziu. A mesma coisa acontece quando pedimos para editar o cadastro de algum livro que já está na base de dados. 
Já falei com eles no tuíter e por email, questionando o problema, mas não tive retorno. Achei um absurdo! Acompanho seu blog há muitos anos e sei que você tem voz ativa, lembro quando a Folha começou a colocar o nome dos tradutores nas resenhas depois de um movimento do blog. Será que você poderia falar com eles de alguma maneira?  
Um abraço, Luis Sérgio Jannini 

em meu entender, está-se ferindo um artigo da lei de direitos autorais, que determina que citações e transcrições de trechos venham necessariamente acompanhadas do nome do autor da obra. como a própria LDA especifica, o tradutor é, a igual título e para todos os fins, autor (no caso, autor de uma obra derivada, a obra de tradução).

constatei que o site do skoob disponibiliza o primeiro capítulo de diversas obras, via site das respectivas editoras, o que, a meu ver, se caracteriza como citação referida na LDA. ao não nomear o autor da tradução, parece-me estar violando flagrantemente o direito moral que lhe é garantido por lei.

seria bom que o skoob revisse sua política para seu cadastramento de obras traduzidas, de modo a cumprir devidamente o que lhe compete em sua função social.

[isso para nem comentarmos o desserviço que o skoob, sonegando uma informação relevante, assim presta aos leitores e ao amadurecimento de uma consciência cultural no brasil, que reconheça claramente seus profundos vínculos com a palavra traduzida.]


3 de fev de 2015

belas infiéis

saiu mais um número da revista belas infiéis, do programa de pós-graduação em estudos de tradução da unb. disponível aqui.

sua seção "arquivos" traz o levantamento das traduções brasileiras de aleksandr púchkin, de 1933 a 2013, aqui.


2 de fev de 2015

literatura holandesa traduzida no brasil

daniel dago publica um levantamento atualizado das traduções de obras literárias holandesas, aqui.

1 de fev de 2015

manuel bandeira tradutor

uma ótima listagem das traduções feitas por manuel bandeira, que consta na "bibliografia do autor",  in poesia completa e prosa, nova aguilar, 2009, citada por aglaé maria araújo fernandes, poemas traduzidos do francês ao português por manuel bandeira, em sua tese de doutorado, ufsc, 2014 (pp. 33-36), disponível aqui.

A.    Poesia e teatro em verso:
• Poemas traduzidos, Rio de Janeiro: Revista Acadêmica, 1945; 2. ed. aumentada. Porto Alegre: Livraria Globo, 1948; 3. ed. revista e aumentada. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956; 4. ed., 1976; Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1966 (a partir de 1966, com sucessivas reedições pela Ediouro e nas reedições e reimpressões de Estrela da vida inteira); Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009.  
• Maria Stuart, de Schiller. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1955; Rio de Janeiro: Tecnoprint, [197-]; São Paulo: Abril Cultural, 1983 (também em Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso1).
• Auto Sacramental do Divino Narciso, de Soror Juana Inés de la Cruz. In: BANDEIRA, Manuel. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso 1 ( 2. ed. em Estrela da tarde, 1963).
• Macbeth, de Shakespeare. Rio de Janeiro: José Olympio, 1961. São Paulo: Brasiliense, 1989 (também em Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso 1, e com sucessivas reedições pela Brasiliense).
• Mireia, de Frédéric Mistral. Rio de Janeiro: Delta, 1962. • Prometeu e Epimeteu, de Carl Spitteler. Rio de Janeiro: Delta, 1963. 2. ed. Rio de Janeiro: Ópera Mundi, 1971.
• Rubaiyat, de Omar Khayyan. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1965 (com sucessivas reedições e reimpressões).
• Poesias escolhidas, de Juan Ramón Jiménez. In: JIMÉNEZ, Juan Ramón. Platero e eu. Rio de Janeiro : Delta, 1969.
• Alguns poemas traduzidos. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.

B.     Teatro:
• O fazedor de chuva, N. Richard Nash (1957, inédita em livro).
• Colóquio-Sinfonieta, de Jean Tardieu (1958, inédita em livro).
• A casamenteira, de Thornton Wilder (1959, inédita em livro).
• D. João Tenório, de José Zorilla. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 1960.
• Torso arcaico de Apolo, de Rainer Maria Rilke. Salvador/ Dinamene, [197-].
• Pena ela ser o que é, de John Ford (1964, inédita em livro).
• O advogado do diabo, de Morris West (1964, inédita em livro).
• Juno e o pavão, de Sean O’Casey. São Paulo: Brasiliense, 1965.
• Os verdes campos do Éden, de Anônio Gala. Petrópolis: Vozes, 1965.
• A fogueira feliz, de J. N. Descalzo. Petrópolis: Vozes, 1965.
• Edith Stein na câmara de gás, de Gabriel Cacho. Petrópolis: Vozes, 1965.
• A máquina infernal, de Jean Cocteau. Petrópolis: Vozes, 1967.
• O círculo de giz caucasiano, de Bertold Brecht. São Paulo: Cosac Naify, 2002.

C.      Romance:
• O Calendário, de Edgard Wallace. São Paulo: Nacional, 1934.
• O tesouro de Tarzan, de Edgard Rice Borroughs. São Paulo: Nacional, 1934 (com sucessivas reedições).
• Nômades do Norte, de James Oliver Curwood. São Paulo: Nacional, 1935.
• Tudo se paga, de Elinor Glyn. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935 (com sucessivas reedições).
• Mulher de brio, de Michael Arlen. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, [19--].
• Minha cama não foi de rosas: diário de uma mulher perdida, de Marjorie Erskine Smith.* Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936.
• Aventuras maravilhosas do Capitão Corcoran, de Alfred Assolant. São Paulo: Nacional, 1936 (com sucessivas reedições).
• Gengis-Khan: romance do século XXI, de Hans Dominik. São Paulo: Nacional, 1936.
• O túnel transatlântico, de Bernhard Kellermann. São Paulo: Nacional, 1938.
• Seu único amor, de Elino Glyn. São Paulo: Nacional, 1948 (com sucessivas reedições).
• A prisioneira, de Marcel Proust. Porto Alegre: Globo, 1951. Em coautoria com Lourdes Sousa de Alencar (com sucessivas reedições).

D.    Biografia e ensaio:
• A educação do caráter, de Jean de Vignes Rouges. São Paulo: Nacional, 1936.
• A vida de Shelley, de André Maurois. São Paulo: Nacional, 1936 (com sucessivas reedições e reimpressões, atualmente pela Record com o título Ariel ou a vida de Shelley).
• A vida secreta de d’Annunzio, de Tom Antongine. São Paulo: Nacional, 1939.
• As grandes cartas da história, desde a Antiguidade até os nossos dias, de M. Lincoln Schuster. São Paulo: Nacional, 1942.
• Um espírito que se achou a si mesmo, de Clifford Whittingham Beers. São Paulo: Nacional, 1942 (com sucessivas reedições e reimpressões).
• A aversão sexual no casamento, de Theodor H. van de Velde. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1953.
• Reflexões sobre os Estados Unidos, de Jacques Maritain. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959.

* aqui, no levantamento citado pela pesquisadora, o autor da obra consta como orson welles, a partir das iniciais do colaborador de erskine, que assinou apenas como o.w., e que, ao que parece, deu a redação às memórias compiladas pela autora em sua vida de prostituição. graças a rosa freire d'aguiar, foi possível rastrear a autoria correta dessa autobiografia.


aqui um artigo interessante de xosé manuel dasilva, "manuel bandeira, traductor de poetas en español al portugués de brasil".


19 de nov de 2014

recomendação

muito legal, muito útil e bem feito o blog e.m. forster brasil, aqui. traz, entre outras coisas, um levantamento das traduções de forster entre nós. para fãs, pesquisadores e curiosos.

7 de nov de 2014

josé maria machado "tradutor"

se, em 1945, a intenção da brasiliense ao usar o nome de jorge amado - com seu conhecimento e provavelmente até com seu vivo empenho militante - era atrair os leitores com seu já famoso timbre de esquerda; se, no decorrer dos anos 1970, a intenção da record ao usar o nome de nelson rodrigues - com seu conhecimento e sabidamente recebendo "um dinheirinho" por isso - era atrair os leitores com seu já famoso timbre de "pornografia", por outro lado o caso do clube do livro, usando desde 1946 até 1988 o nome de josé maria machado, era mais, digamos, básico: simples economia e conveniência.

josé maria machado, correligionário integralista de mário graciotti, o fundador e proprietário do clube do livro, consta como pretenso tradutor de:

1944 (1987), gustave flaubert, madame bovary
1945 (1988), edgar allan poe, histórias extraordinárias 
1946, oscar wilde, o retrato de dorian gray (“j. machado”)
1947 (1988), honoré de balzac, mulher de trinta anos
1948, emily brontë, o morro dos ventos uivantes
1951, robert louis stevenson, o médico e o monstro
1952, octave feuillet, romance de um jovem pobre
1952, george sand, o charco do diabo
1952, oscar wilde, de profundis e uma mulher sem importância
1952, alexandre dumas, um ano em florença*
1953, walter scott, ivanhoé
1954, mark twain, as aventuras de tom sawyer 
1954, charles dickens, oliver twist
1955, cyrano de bergerac, viagem aos impérios do sol e da lua
1955, flavia steno, apaixonadamente
1956, alexandre dumas, o colar de veludo 
1956, charles dickens, uma aventura de natal (com tito marcondes)
1956, jacques futrelle, a máquina pensante
1956, jonathan swift, as viagens de gulliver
1956, théophile de gautier, a paixão de militona
1956, edgar allan poe, thingum bob
1957, george sand, a pequena fadette
1957, herman melville, moby dick
1958, charlotte brontë, o professor 
1958, victor hugo, os miseráveis (condensada, 516 pp.)
1960, o quarto vermelho*
1961, alexandre dumas, a loura huberta 
1961, françois rabelais, o gigante gargântua
1961, mark twain, as aventuras de huckleberry finn
1962, fenimore cooper, o último dos moicanos
1963, e. p. oppenheim, a torre 
1963, ivã turgueniev, o passaporte
1963, oscar wilde, o jovem rei
1964, kassima, a tártara*
1965, prosper mérimée, a serpente
1968, summer lincoln, a cicatriz
1969, charles dickens, tempos difíceis
1969, leon tolstoi, o diabo branco
1972, walter scott, a última torre
1974, alexandre dumas, homem de guadalupe
1976, honoré de balzac, uma paixão no deserto (com augusto dantas)
1977, anne brontë, a preceptora
1983, honoré de balzac, o renegado


obs.: os dois primeiros e o quarto títulos saíram como tradução anônima - apenas em data posterior, assinalada entre parênteses, surge o nome de josé maria machado. já o retrato de dorian gray foi a primeira obra trazendo a menção "traduzido especialmente para o clube do livro", que depois se tornaria habitual na casa.

atualização em 4/5/15: os títulos assinalados com asterisco foram indicados por francisco costa.


jorge amado "tradutor"

em 1945, recém-fundada a editora brasiliense, tendo à frente arthur neves e caio prado jr., jorge amado "emprestou" seu nome a uma série de traduções da coleção "ontem e hoje". são elas:



cheng-tcheng, minha mãe
naoshi tokunaga, rua sem sol
alexander nevierof, a cidade da fartura
boris lavrenev, vento
n. ognev, o diário de costia riabtsev
n. virta, solidão
cheng-tcheng, minha mãe e eu através da revolução chinesa
vsevolod ivanov, o trem blindado n. 14-69
constantino fedin, o sanatório do doutor klebe
ludwig renn, antes do amanhecer
isaac babel, cavalaria vermelha
lavrenev, o sétimo camarada


espoliados

estas são algumas das pessoas que tiveram suas traduções, notas, introduções surripiadas ao longo dos anos e publicadas em edições espúrias de editoras inescrupulosas. infelizmente, uma lista completa haveria de ser bem mais extensa:

a. ambrósio de pina, s. j.
adolfo casais monteiro
alberto ferreira
almiro rolmes barbosa
alsácia fontes machado
álvaro de pinto aguiar
álvaro ribeiro
antónio ferreira marques
antonio piccarolo
antônio pinto de carvalho
araújo nabuco
artur morão
bandeira duarte
bento prado jr.
"blasio demétrio" (pseud. de fúlvio abramo)*
boris schnaiderman
brenno silveira
bruno da ponte
cabral do nascimento
carlos chaves
carlos graieb
carlos porto carreiro
casimiro fernandes
christina amélia assis de carvalho
costa neves
denise bottmann
e. jacy monteiro
eça de queiroz
edgard cavalheiro
eglantina santi
erwin theodor rosenthal
eudoro de souza
eugênio amado
éverton ralph
felix sanchez
fernando de aguiar
fernando carlos de almeida cunha medeiros
floriano de souza fernandes
francisco inácio peixoto
frederico ozanam pessoa de barros
galeão coutinho
georges selzoff
gerd bornheim
godofredo rangel
guilherme de almeida
gulnara lobato
hebe caletti marenco
helga hoock quadrado
henrique lopes de mendonça
henrique marques ("pandemónio")
hernâni donato
ieda moriya
isabel sequeira
ivan emilianovitch schawirin
j. oliveira santos, s.j.
jacó guinsburg
jaime bruna
jamil almansur haddad
joão lopes alves
joão ângelo oliva neto
joão baptista de mello e souza
joão paulo monteiro
joaquim dá mesquita paul
joaquim machado
jorge camacho
josé duarte
josé tavares bastos
josé augusto drummond
josé laurênio de mello
josé marcos mariani de macedo
josé mendes de souza
juarez guimarães
júlio de matos ibiapina
leila villas boas gouvêa
leonel vallandro
leonidas hegenberg
leonor de aguiar
líbero rangel de andrade
líbero rangel de tarso
ligia junqueira smith
liliana rombert soeiro
lívio xavier
lourival de queiroz henkel
lúcia miguel-pereira
lúcio cardoso
luís de andrade
luís leitão
luísa derouet
luiz costa lima
luiz macedo
manuel dias duarte
manuel odorico mendes
marcílio marques moreira
marcos santarrita
margarida garrido esteves
maria beatriz nizza da silva
maria francisca ferreira de lima
maria helena rocha pereira
maria irene szmrecsányi
maria isabel gonçalves tomás
mário quintana
mécia mouzinho de albuquerque
milton amado
moacyr werneck de castro
modesto carone
monteiro lobato
"n. meira"
natália nunes
neide smolka
octany silveira da mota
octavio mendes cajado
olinda gomes fernandes
orlando vitorino
oscar mendes
"paulo m. oliveira" (pseud. de aristides lobo)*
paulo quintela
paulo rónai
pedro josé leal
péricles eugênio da silva ramos
raul de polillo
ricardo iglésias
rodrigo richter (provável pseudônimo)
ruth guimarães
sarmento de beires
sérgio milliet
silvio deutsch
silvio meira
sodré viana
suely bastos
tamás szmrecsányi
tito marcondes
tomé santos júnior
vera pedroso
vidal de oliveira
waltensir dutra
wilson lousada
wilson velloso
wladimir gomide
ymaly salem chammas

"blasio demétrio" era pseudônimo de fúlvio abramo, que traduziu vida nova na prisão, "juntamente com um outro preso", a saber, aristides lobo, que usava o pseudônimo de "paulo m. oliveira" - ver aqui

6 de nov de 2014

nelson rodrigues "tradutor"



Traduções falsamente creditadas a Nelson Rodrigues (editora Record, anos 70)

Harold Robbins:
79 Park Avenue
A mulher só
Escândalo na sociedade
Ninguém é de ninguém
O garanhão
O indomável
O machão
O pirata
Os herdeiros
Os implacáveis
Os insaciáveis
Os libertinos
Os sonhos morrem primeiro
Stiletto
Uma prece para Danny Fischer

Frank G. Slaughter:
Consciência de médico
Dilema de médico
Médico astronauta
Médico e amante
Médicos em conflito
Missão de médico
Mulheres de médicos
O fim da viagem
Um médico diferente

Charles Webb:
A primeira noite de um homem

Henry Sutton:
A exibicionista

Hugh Atkinson:
Os jogos proibidos

Morton Cooper:
O rei devasso

Polly Adler:
Uma certa casa suspeita

Xaviera Hollander:
Xaviera

sobre a história dessa prática adotada na editora record, vide aqui.


"k. d'avellar"

"k. d'avellar" (ou ainda k. de avelar e r. d'avellar) era um nome de fantasia que a editora h. garnier usou em vários plágios de tradução publicados pela casa, a partir de c.1906 até 1911. quando a h.garnier se transformou na livraria garnier, a partir de 1912, esses títulos continuaram a ser publicados pela nova empresa, alguns deles até a década de 1920.



K. D’AVELLAR (K. DE AVELAR; R. D’AVELLAR) – H. GARNIER

Walter Scott:
Quintino Durward, 1906
A prisão d’Edimburgo, 1906
Guy Mannering, ou, O astrólogo, 1908
Woodstock, 1909
O mosteiro, 1910
Anna de Geierstein, ou, A donzela do nevoeiro, 1911
Os desposados: novela tirada da historia das Cruzadas, 1911
(7 obras num total de 14 volumes publicados pela H.Garnier; os demais, anônimos)

Balzac:
Um conchego de solteirão (reaparecendo em 1968 na Pongetti, como tradução "revista por Marques Rebelo" – Beldemónio, 1887)
Illusões perdidas, c. 1908
História dos treze
Um começo de vida, 1909
A musa do departamento, 1910
A última encarnação de Vautrin, 1911

Dickens:
Aventuras do sr. Pickwick (Henrique Lopes de Mendonça, 1897)
Scenas da vida inglesa, 1908

Chateaubriand:
Atala; Renato; Derradeiro Abencerrage, 1906

Abbé Prévost:
História de Manon Lescaut e do cavalleiro Des Grieux, 1906


sobre a h. garnier, ver aqui

ainda a bibliotheca de auctores russos

que incrível! eu sabia, graças a uma informação do historiador dainis karepovs, que fúlvio abramo havia traduzido alguma coisa com georges selzoff, para sua "bibliotheca de auctores russos". mas não sabíamos, nem ele, nem eu, que obra teria sido.

menciono o fato, e a obscuridade que o rodeia, no artigo "georges selzoff: uma crônica", que saiu em tradução em revista, disponível aqui.

recentemente, a neta de fúlvio abramo, paula abramo, enviou gentilmente a mim uma foto do material de trabalho: a tradução a quatro mãos se referia, afinal, ao conto de alexandre kúprin, "o capitão rybnikoff".

interessante notar que essa tradução já em 1930 era anunciada no prefácio ao primeiro livro publicado na "bibliotheca" selzoffiana, qual seja, konovaloff, de maxim górki. dizia o editor ao final de seu introito: "É assim que já pusemos, sob uma nova luz, algumas das mais commovedoras novelas de Gorki e trabalhamos, febrilmente, na publicação, para muito breve, de traducções de Ivan Turguenieff, Leonide Andreieff, Alexandre Kuprin e Anton Tchecoff". todavia, tal como ocorreu com outras obras anunciadas pela casa, esse texto de kúprin nunca veio a ser publicado.



fica assim confirmada a informação de dainis karepovs, elucidada a identidade do texto e esclarecido mais um pequeno mistério da pioneiríssima iniciativa de georges selzoff, em sua divulgação da literatura russa traduzida diretamente do original.

5 de nov de 2014

jekyll e hyde no brasil

muito interessante o levantamento de ana júlia perrotti garcia: "as muitas traduções de jekyll e hyde no brasil", aqui.

31 de out de 2014

o desplante da h. garnier


mentira da grossa e da feia. é cópia literal e integral da tradução de mécia mousinho de albuquerque. vide os posts nas tags "h. garnier", "edgar allan poe" e "pesquisa 'poe no brasil'". agradeço a paulo soriano a gentilíssima remessa desse anúncio publicado na gazeta de notícias em 4 de dezembro de 1903.

24 de out de 2014

Plágio, uma Marca de Nascença da Tradução no Brasil

opa, saiu a programação do citrat - para quem estiver em são paulo, dia 7, na usp, e eu lá, toda exibida, ao lado de um pessoal de primeiríssima:

O CITRAT (Centro de Tradução e Terminologia da FFLCH), o Departamento de Letras Modernas da FFLCH, e o Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução da USP (TRADUSP) convidam para a XII Jornada CITRAT e a III Jornada TRADUSP na sexta-feira, 7 de novembro de 2014, na Sala 266, Prédio de Letras, Av. Luciano Gualberto 403, Cidade Universitária.

Copyright, Plágio, Tradução

Programação:

9h: Palestra: Denise Bottmann (Tradutora e Historiadora)
Plágio, uma Marca de Nascença da Tradução no Brasil
Por incrível que pareça, os plágios e contrafações não foram excrescências na história da tradução no Brasil. Na verdade, antes mesmo que se firmasse a figura do tradutor brasileiro, o que se tem é a apropriação de traduções portuguesas apresentadas como traduções brasileiras, anônimas ou sob nomes fictícios. É como se a atividade adquirisse vida às avessas, sob o signo da negação e do ocultamento. Bombasticamente, eu diria: a tradução no Brasil nasce sob a forma de plágio.
10h30: Mesa com advogados
Allan Rocha de Souza
Antonio Carlos Morato
Renata de Arruda Botelho da Veiga Turco
Rodrigo Salinas
14h: Relatos de casos:
João Azenha
Stella Tagnin e Luciana Carvalho
Lenita Esteves e Renato Franco de Campos
16h Palestra: Márcia Pietroluongo (UFRJ)
Que tradutores somos nós?
Panorama dos diferentes tipos de tradutores e suas diversas configurações autorais no mercado de trabalho brasileiro da tradução. Reflexão sobre as diferentes legislações que os regem, sobre o caráter heterogêneo de suas inscrições neste campo, e sobre suas possíveis incidências nos modos de traduzir, enfatizando a relevância da relação intersubjetiva no trabalho de tradução que, antes de se fundar em textos, se dá entre os sujeitos implicados no processo.