
o nãogostodeplágio está saindo de férias.
voltamos em agosto!
imagem: indo passear
um blog de utilidade pública contra plágios de tradução

uma das mais ridículas fraudes que a editora utilizou nesta obra foi o plágio do mesmo verbete em duas traduções distintas. assim, por exemplo, o artigo bêtes aparece na tradução de líbero rangel de tarso com o título de irracionais. já a tradução portuguesa de bruno da ponte e joão lopes alves usa o título animais. a editora martin claret tem o despudor de copiar ambas as traduções como se fossem dois verbetes independentes de voltaire.
I.
alberto maximiliano (nova cultural)
alex marins (martin claret)
alexandre boris popov (martin claret)
ana maria oliveira rosa (landmark)
carmen lia lomonaco (nova cultural)
eduardo nunes fonseca (hemus; ediouro)
enrico corvisieri (nova cultural)
fábio cyrino (landmark)
fábio m. alberti (nova cultural)
felipe padula borges (germinal)
fernando corrêa fonseca (nova cultural)
heloísa da graça burati (rideel)
irina wisnik ribeiro (martin claret)
ivan petrovitch (martin claret)
ivo de paula (pillares)
jean melville (martin claret)
john green (martin claret)
jonas camargo leite (hemus; ediouro)
jorge luís penha (martin claret)
jorge pádua conceição (nova cultural)
juan gonçalves (martin claret)
juliana borges (germinal)
leonardo codignoto (nova cultural)
leopoldo holzbach (martin claret)
marcellin talbot (martin claret)
maria cristina f. da silva (nova cultural)
mirtes ugeda coscodai (nova cultural)
nikko bushido (sapienza; jardim dos livros)
olívia bauduh (nova cultural)
pedro h. berwick (jardim dos livros)
pietro nassetti (martin claret)
roberto domênico proença (nova cultural)
roberto nunes whitaker (nova cultural)
roberto valeriano (nova cultural)
rodolfo schaefer (martin claret)
rubens eduardo ferreira frias (centauro)
silvana laplace (nova cultural)
wilson hilário borges (germinal)
imagem: http://tractatus.free.fr/
a mais recente contribuição à praga do plágio nacional parece ser a da jornalista cecília santos , vampirando marcelo hessel. não que a moça tenha se avexado muito: diante da cópia deslavada, ela retrucou que "houve um erro na diagramação" - ah, então tá bom.
as edições fraudadas que temos apresentado aqui no blog surripiam traduções, notas, introduções de:
segue-se uma listinha de livros com problemas de plágio e bizarrices tradutórias. entre parênteses consta o nome do pseudotradutor.
consultei a fundação biblioteca nacional, consultei vários sites de livrarias: espremendo todos os dados com o máximo de boa vontade, não consegui passar de 5.a meu ver, seria de imensa utilidade para nós leitores que a editora martin claret nos fizesse saber quais são os títulos reeditados em novas traduções e nos informasse se os espúrios foram retirados de circulação.
imagem: http://henryfelippe.blogspot.com
a maior parte desse material sobre edgar allan poe apresenta os resultados de uma breve pesquisa: "o gato preto no brasil", apenas no formato livro. apresenta sua fortuna histórica editorial, mostra suas relações com as histórias extraordinárias e revela o equívoco que circula há mais de trinta anos entre nós: que histórias extraordinárias seriam a tradução do original tales of the grotesque and arabesque - com a consequente e inesperada descoberta de que as tga enquanto tal são inéditas no brasil.
em todo caso, minha petição foi contra o indiferentismo da fbn/isbn, não contra os despautérios da martin claret. a reação da agência brasileira do isbn, perante o problema, tinha sido simplesmente tascar uma ressalva nas fichas cadastrais: "todas as informações contidas neste cadastro foram fornecidas pelos editores no momento da solicitação do isbn".
uro: sobre a bizarra remissão de suas histórias extraordinárias traduzidas e adaptadas por clarice lispector ao original tales of the grotesque and arabesque de poe, a coordenadora editorial sra. cristiane marinho informa que solicitou ao Arquivo Geral da empresa que "disponibilize todo o material utilizado para a produção do livro".
II. quando se pretende um certo tom neutro e relativamente escorreito, que não desperte grandes objeções quanto ao literalismo:
III. quando se pretende um certo ar mais solto, num tom de aparência mais direta:
THE BLACK CAT 

poe e baudelaire
fascinante toque dado por joana canêdo: o primeiro contato de baudelaire com a obra de poe foi justamente o gato preto.
em janeiro de 1847, uma moça chamada isabelle meunier (uma inglesa casada com um periodista francês, e adepta de fourier) publicou sua tradução de the black cat no jornal fourierista la démocratie pacifique. baudelaire ficou fascinado, e quase quinze anos depois ainda descrevia a seu amigo armand fraisse "la commotion singulière" que se apossou dele. já em 1848 põe-se a traduzir poe, o que vai resultar em 1856 na publicação de suas histoires extraordinaires, que deram azo a tanta confusão de datas, títulos e obras de poe aqui no brasil.
depois da tradução de isabelle meunier, saíram:
- a tradução de william l. hugues, em journal des faits, em 18 de abril de 1851;
- um trecho do conto que baudelaire inseriu no artigo "edgar allan poe, sa vie et ses ouvrages", em la revue de paris, março-abril de 1852;
- a tradução de paul roger em chronique de france, 16 de novembro de 1853;
- sendo que dois dias antes tinha saído a tradução de baudelaire em le paris, em duas partes, em 13 e 14 de novembro de 1853;
- reeditada em le pays em 31 de julho e 01 de agosto de 1854;
- por fim compilada nas nouvelles histoires extraordinaires de edgar allan poe, pela michel lévy, em 1857. em sua tradução, baudelaire usou a versão definitiva do conto, de 1845.
veja toda a sequência da pesquisa poe/brasil clicando na coluna à direita, desde poe I a poe XVI.
aqui a fonte de referências. imagem: clique sobre ela.
dia 26 de junho, a câmara brasileira do livro (cbl) realiza seu primeiro fórum de debate permanente sobre questões relativas ao mercado editorial brasileiro. o tema é "políticas públicas de livro e leitura", em duas partes:
4 Publicações encontradas, distribuídas em 1 página
o dicionário filosófico de voltaire, em sua fabulosa versão nassetti-claretiana, comparece em programas de cursos universitários:
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/arquivos/File/destaques/biblioteca_do_professor.pdf
trata-se de sua edição d'a pedagogia e as grandes correntes filosóficas, de bogdan suchodolski, 2002 (meu exemplar é da 2a. ed., 2004).
1. liliana rombert soeiro:
2. rubens eduardo frias:
como disse, a martin claret, na curiosa montagem de seu dicionário filosófico de voltaire, copiou literalmente os 73 verbetes da tradução de líbero rangel de tarso, pela atena. conseguiu criar artificialmente uns dez verbetes inexistentes no original, e os demais catou de outra tradução.
e naturalmente, ao transcrever a íntegra dos dois verbetes, o honesto leitor dá a devida referência:
trata-se do artigo sobre o caráter, com um fraseio bem peculiar em português, da lavra de líbero rangel de tarso:

esse dicionário filosófico claretiano traz os 73 artigos em cópia literal da tradução de líbero rangel de tarso. já os outros 63, a martin claret conseguiu acrescentar de várias maneiras.
uma delas é a multiplicação dos pães:
- pega-se um verbete só, por exemplo "economia", e desdobra-se em três: "economia" (43), "economia doméstica" (44) e "economia pública" (45).
- o mesmo ocorre com o verbete "preconceitos", mais prolífico, que rendeu cinco "capítulos": "preconceitos", "preconceitos sentidos" [sic], "preconceitos físicos", "preconceitos históricos" e "preconceitos religiosos" (114 a 118).
- ou ainda convertendo a seção "exame" do artigo sobre os ídolos (69) num "capítulo" independente (70), mesmo que fora da ordem alfabética.
outra maneira muito cômica de procurar preencher a cota dos "cento e trinta e qualquer coisa" é repetir o mesmo verbete em duas traduções diferentes.
- pegue-se, por exemplo, "bêtes" do original e duplique-se-o em "animais" (8) e "irracionais" (78).
- ou ainda "bornes de l'esprit humain", e ofereça-se-o ao leitor em dois verbetes diferentes: "fronteiras do espírito humano" (61) e "limites do espírito humano" (89).
segue abaixo o índice do dicionário filosófico da atena, na tradução de líbero rangel de tarso.
ÍNDICE
Apresentação
Biografia do autor
1. Abraão
2. Alma
3. Amizade
4. Amor
5. Amor Próprio
6. Amor Socrático
7. Anjo
8. Antropófagos
9. Apis
10. Apocalipse
11. Ateu, Ateísmo
12. Batismo
13. Belo, Beleza
14. Bem (Supremo)
15. Bem (Tudo Está)
16. Cadeia dos Acontecimentos
17. Caráter
18. Catecismo Chinês
19. Catecismo do Japonês
20. Catecismo do Pároco
21. Certo, Certeza
22. Céu dos Antigos (O)
23. China (Da)
24. Circuncisão
25. Convulsões
26. Corpo
27. Cristianismo
28. Crítica
29. Destino
30. Deus
31. Escala dos Seres
32. Estados, Governos
33. Ezequiel (De)
34. Fábulas
35. Falsidade das Virtudes Humanas
36. Fanatismo
37. Fim, Causas Finais
38. Fraude
39. Fronteiras do Espírito Humano
40. Glória
41. Graça
42. Guerra
43. História dos Reis Judeus e Paralipômenos
44. Ídolo, Idólatra, Idolatria
45. Igualdade
46. Inferno
47. Inundação
48. Irracionais
49. Jefté
50. José
51. Leis (Das)
52. Leis Civis e Eclesiásticas
53. Liberdade (Da)
54. Loucura
55. Luxo
56. Matéria
57. Mau
58. Messias
59. Metamorfose, Metempsicose
60. Milagres
61. Moisés
62. Pátria
63. Pedro
64. Preconceitos
65. Religião
66. Ressurreição
67. Salomão
68. Sensação
69. Sonhos
70. Superstição
71. Tirania
72. Tolerância
73. Virtude
Notas
as notas e a biografia do autor também foram integralmente copiadas na edição da martin claret, em nome de pietro nassetti.
agradeço a joana canêdo o material e grande parte da pesquisa.
imagens: http://espectorama.zipnet/; dicionário filosófico, índice ed. martin claret; capa, sebo messias.
a nbr 10526, cujo cancelamento está em processo de consulta nacional, trata da editoração de traduções. é uma norma pequena, e em direta dependência da nbr 6023 (referências bibliográficas) e da nbr 10524 (preparação de página de rosto de um livro).
"EDITAL Nº. 06:2009
essa questão de atribuição pode parecer um detalhe, mas é uma coisa manhosa, a ponto, por exemplo, de induzir um intelectual brasileiro de certo renome a afirmar que, "ao traduzir tales of grotesque and arabesque para histoires extraordinaires, charles baudelaire errou duas vezes. a primeira, ao trair a vontade expressa do autor, de que o título de um livro deve mostrar tudo o que contém; e a segunda, por não perceber a enorme riqueza semântica do original".
oda pega
Prefácio
Morella (1835); Lionizing (1835); William Wilson (1839); The Man That Was Used Up — A Tale of the Late Bugaboo and Kickapoo Campaign (1839); The Fall of the House of Usher (1839); The Duc de L'Omelette (1831); MS. Found in a Bottle (1833); Bon-Bon [The Bargain Lost] (1831); Shadow — A Parable (1835); The Devil in the Belfry (1839); Ligeia (1838); King Pest — A Tale Containing an Allegory (1835); The Signora Zenobia (1838); The Scythe of Time (1838).
Epimanes (1833); Siope [Silence – A Fable] (1832); The Unparalleled Adventure of One Hans Pfaal (1835); A Tale of Jerusalem (1832); Von Jung [Mystification] (1837); Loss of Breath [A Decided Loss] (1831); Metzengerstein (1831); Berenice (1834); Why the Little Frenchman Wears His Hand in a Sling (1837); The Visionary [The Assignation] (1832); The Conversation of Eiros and Charmion (1839), e um apêndice ao conto "hans pfaal".
eu preencheria as lacunas dessa leitura dinâmica assim: "baudelaire traduziu um conto de poe pela primeira vez em 1848. depois de traduzir vários outros contos, ele os reuniu e publicou num volume chamado histoires extraordinaires".
faria sentido e estaria mais de acordo com a realidade.

os 13 contos de poe que estão reunidos nas histoires extraordinaires de baudelaire são os seguintes:*
Double Assassinat dans la rue Morgue (1841)
La Lettre volée (1844)
Le Scarabée d’or (1843)
Le Canard au ballon (1844)
Aventure sans pareille d’un certain Hans Pfaall (1835)
Manuscrit trouvé dans une bouteille (1833)
Une Descente dans le Maelstrom (1841)
La Vérité sur le cas de M. Valdemar (1845)
Révélation magnétique (1844)
Souvenirs de M. Auguste Bedloe (1844)
Morella (1835)
Ligeia (1838)
Metzengerstein (1832)
no brasil existem pelo menos treze coletâneas diferentes com o mesmo título de histórias extraordinárias. nenhuma delas corresponde às histoires extraordinaires de baudelaire. em verdade, nenhuma delas (exceto a ed. escala/larousse) tampouco pretende corresponder às histoires baudelaireanas.**
então, a primeira coisa é deixar de lado qualquer impulso ou reflexo condicionado de associar histórias extraordinárias a histoires extraordinaires.
vejo histórias extraordinárias no brasil, referindo-se a edgar allan poe, como um título que se aplica a qualquer coletânea que se queira, com qualquer quantidade de contos que se pretenda. é um bom nome, com suas ressonâncias baudelaireanas e uma certa consagração difusa, e só: de resto, sendo uma carcaça vazia, funciona como um vale-tudo. e justamente porque histórias extraordinárias não corresponde a histoires extraordinaires de baudelaire, e também não corresponde a nenhuma obra específica de poe, não existe nenhuma vinculação necessária entre o título e o conteúdo do livro. por isso é possível proliferarem tantas antologias diferentes com o mesmo nome.
* wikisource e eapoe.org (as datas correspondem à primeira publicação original).
** ver o conteúdo das antologias brasileiras com o nome de histórias extraordinárias em poe V. quanto à edição da larousse, os dados parecem improcedentes, visto que apenas dois - a carta roubada e o escaravelho de ouro - dos sete contos do volume constam entre as treze histoires extraordinaires baudelaireanas.
imagem: capa de histoires extraordinaires, nouv. éd. 1875.

nos anos 60 a globo licenciou a obra para a josé aguilar. de 1965 para cá, a josé aguilar e a posterior nova aguilar vêm publicando a obra em edição amplamente revista pelos tradutores e uma nova estruturação interna.
coração revelador; o retrato ovalado; o sistema do dr. alcatrão e do professor pena; o gato preto; o diabo no campanário; berenice; sombra - uma parábola; william wilson; o caixão quadrangular; a máscara da morte rubra; a queda da casa de usher; a carta roubada; ligéia; pequena palestra com uma múmia; o barril de amontillado; o poço e o pêndulo; o escaravelho de ouro; o homem da multidão.
a queda da casa de usher; o barril de amontilhado; o gato preto; berenice; manuscrito encontrado numa garrafa; william wilson; os crimes da rua morgue; o mistério de marie rogêt; a carta roubada; metzengerstein; nunca aposte sua cabeça com o diabo; o poço e o pêndulo; a aventura sem paralelo de um tal hans pfaall.
outro dia apresentei aqui um cotejo brenno silveira x pietro nassetti d'o gato preto de edgar allan poe. para dar um pouco de contraste, acrescentei os trechos das traduções de oscar mendes/ milton amado e de guilherme braga.como foi possível chegar a essa fabulosa atribuição das histórias extraordinárias ao "original: tales of the grotesque and arabesque", é um mistério que desafia a inteligência.
na apresentação que abre o volume, afora algumas imprecisões ao longo do texto, a última frase não deixa margem a dúvidas: "Em 1848, Contos do Grotesco e do Arabesco foi publicado na França como Histórias Extraordinárias, por Baudelaire".
não deixa margem a dúvidas, digo eu, sobre a leviandade de quem escreveu isso. na frase tão taxativa, somente uma coisa - e apenas implícita - é verdadeira: baudelaire morava na frança.
muito em breve contaremos essa extraordinária história.
dentre suas dezenas de contos, escolhi o gato preto para um breve cotejo entre a tradução de brenno silveira (civilização brasileira, 1959) e a cópia de pietro nassetti, com ligeiras adulterações (martin claret, 1999).
anos atrás, a editora rideel moveu um processo contra a w. brasil publicidade. motivo: a w. brasil, em uma campanha publicitária de aproximação cultural entre o brasil e o chile, utilizou uma parte de um mapa político da américa do sul que fazia parte de um atlas publicado pela rideel, sem mencionar de quem era a autoria do mapa. 
cachimbo bryer, "geralmente conhecido em portugal pela designação francesa de 'bruyère': raiz de roseira brava".
ah, ok - e no brasil, se mal lhe pergunte?
referência: conan doyle, o silver star, in a face amarela e outras histórias, trad. heloísa da graça buratti. são paulo, editora rideel, 2002, p. 16.
imagem: magritte
heloísa da graça buratti, ao traduzir silver blaze de conan doyle, na coleção sherlock holmes da editora rideel, batizou essa aventura sherlockiana de o silver star.
é o que imagino que a pillares tenha feito - isto é, obtido a licença da família de beviláqua para publicar seu prefácio. o difícil de entender é a razão pela qual a tradução pela pillares, sendo idêntica à de josé tavares bastos, aparece em nome do jurista ivo de paula, mestre em leis e autor de várias obras jurídicas.
A espada sem a balança é a força bruta, e a balança sem a espada é o direito impotente; completam-se mutuamente; e, na realidade, o direito só reina quando a força despendida pela justiça para empunhar a espada corresponde à habilidade que emprega em manejar a balança.