24 de ago de 2015

elias davidovich, I

Traduções de Elias Davidovich (1909-1998)

I. 1930-1939

Pitigrilli (pseud. de Dino Segre), Ultraje ao pudor. Arturo Vecchi & Freitas Bastos, 1930

aqui na capa de sua sexta edição

Dyvonne, Casamento Secreto.  Coleção Biblioteca Feminina. Americana, 1930

M. Delly, O infiel.  Livraria Azevedo, 1930

Pierre Louÿs, Afrodite - romance de costumes antigos, Americana, 1931



Guy de Maupassant, Uma Vida. Americana, 1931

Ivan Tourgueneff, Roudine. Collecção Benjamin Costallat. Flores e Mano, 1932. Provavelmente foi ela que deu origem a mais uma das habituais garfadas da Pongetti, em 1942, lançando a "tradução revista por Marques Rebelo"



Pitigrilli (pseud. de Dino Segre), Os Vegetarianos do Amor. Arturo Vecchi & Freitas Bastos, 1932

aqui em sua quarta edição


Fiódor Dostoievski, Os pobres diabos. Rio de Janeiro, Flores e Mano, 1932



Goethe, Werther, seguido de Estudo de Sainte-Beuve. Collecção Benjamin Costallat, Guanabara, 1932



Jules Michelet, O amor. J. Leite, 1932



Fiódor Dostoiévski, O tyrano. Americana (Calvino Filho), 1933



Maurice Dekobra, A gondola das chimeras. Arturo Vecchi e Freitas Bastos, 1933

Nicholas [sic] Machiavel, O principe. Calvino Filho, 1933



Sigmund Freud, Psychopathologia da vida quotidiana. Guanabara, 1933



Leonidas Andreief, O diário de Satanás. Renascença, 1933



Abade Prévost, Manon. Collecção Benjamim Costallat, 1933 [1934]

Emile Zola, Accuso! Calvino Filho, 1934



Oto Rank, O traumatismo do nascimento. Livraria Marisa, 1934

Wilhelm Liepmann, A tragédia sexual da juventude. Atlântida, 1934

Sigmund Freud, Introdução à psicanálise, 1934

Sigmund Freud, Observações clínicas. Atlântida, 1934



J. Crépieux - Jarmin, Grafologia: a Escrita e o Carácter. Flores & Mano Editores, 1935 [1936]

Stefan Zweig, Freud. Coleção Últimas Novidades Literárias. Guanabara, 1936



Thomas de Quincey, Confissões de um comedor de ópio. Pongetti, c.1935. Note-se que o prefácio é de J.P. Porto-Carrero, indicando o interesse psicanalítico pela obra.



Fiódor Dostoiévski, Crime e castigo. Trad. revista por Elias Davidovich. Guanabara, 1936. Aqui não duvido que se tratasse do Crime e castigo traduzido por um misterioso "Ivan Petrovich" e publicado pela Americana em 1930, tanto mais porque a Guanabara (Waissman Koogan) adquiriu o catálogo literário da Americana em 1934 e relançou vários de seus títulos.


Stefan Zweig, O medo. Pref. de Romain Rolland. Guanabara, 1936

Pasteur Valéry-Radot, Os grandes problemas da medicina contemporânea. Vecchi, 1937

Pierre Benoit, Alberta. Vecchi, 1938

Stefan Zweig, Fernão de Magalhães: história da primeira circunavegação. Guanabara, 1938



Lucio D’Ambra. Ofício de marido, v. 1 da trilogia “Os Romances da Vida a Dois”. Coleção Romances. Vecchi, 1939

André Maurois, A máquina de ler pensamentos. Vecchi, 1939




entre quatro paredes, de sartre

tentei adquirir um exemplar de entre quatro paredes, de sartre, pela editora deriva, mas a livraria a que recorri não dispunha mais em estoque. eu poderia recorrer a outra, mas creio que bastam a admissão e retratação da editora. que aqui constem, então, os legítimos créditos da tradução:


em vez de "roberto de almeida", 


leia-se guilherme de almeida.


acompanhe o caso da editora deriva aqui.


o casamento do pequeno burguês, de bertolt brecht

O casamento do pequeno burguês, de Bertolt Brecht

A MÃE trazendo um prato – Aqui está o bacalhau!
Murmúrios de elogios.
O PAI – Isso me faz lembrar de uma história!
A NOIVA – Come papai! O senhor sempre perde a vez!
O PAI – Primeiro a história. No dia da minha confirmação o seu falecido tio estava... não, essa já é uma outra história... Bem, todos nós estávamos comendo peixe, todos juntos, quando de repente, ele se engasgou com uma espinha. Vocês devem tomar muito cuidado com estas malditas espinhas! Bem, então ele engasgou e começou a sacudir os braços e as pernas, como se estivesse remando... A
MÃE – Jakob, o rabo é seu!
O PAI – ... como se estivesse remando e a ficar azul como uma carpa e derrubou um copo de vinho! Nos pregou um susto o desgraçado! Aí bateram nas costas dele como se ele fosse um tambor e ele vomitou tudo por cima da mesa. Não se podia comer mais ali – nós ficamos contentes porque fomos comer tudo lá fora, sozinhos, afinal era a minha confirmação – então vomitou tudo por cima da mesa e quando nós conseguimos deixar ele em forma de novo, ele disse com uma voz bem profunda e feliz, ele era ótimo baixo e cantava no coral, sobre isso também tem uma história ótima, então ele disse...
A MÃE – Meu peixe está bom? Por que ninguém diz nada?
O PAI – Hum, delicioso! Então ele disse...
A MÃE – Mas você ainda nem provou!
O PAI – Eu vou comer agora! Então ele disse...
A MÃE – Jakob, come mais um pedaço.
O NOIVO – Mamãe, meu sogro está contando uma história!
O PAI – Muito obrigado, Jakob. Então, o bacalhau... Ah, sim, ele disse: “Crianças, eu quase me engasguei!” E a comida ficou toda estragada.
Risos.
O NOIVO – Muito bem!
O MOÇO – Ele fala como um livro!
A IRMÃ – Ai, agora eu não quero mais comer peixe!
O NOIVO – Claro, as franguinhas não comem peixe, são vegetarianas.
A MADAME – A luz elétrica ficou pronta?
A NOIVA – Ina! Não se usa faca para comer peixe!
O MARIDO – Luz elétrica é de mau gosto, assim como está é bem melhor.
A IRMÃ – É muito mais romântico.

disponível aqui. embora não constem os créditos, creio tratar-se da tradução de luís antônio martinez corrêa com a colaboração de wilma rodrigues (1972)

tradução em nome de césar santos, editora deriva, 2012:





acompanhe o caso da editora deriva aqui.


os justos, de camus

apenas para documentar, a editora deriva declara que antónio quadros é o "real tradutor do texto Os justos de Albert Camus, que estava creditado a outra pessoa".


assim, onde constam os  créditos de tradução em nome de "robson dos santos", leia-se "antónio quadros".

edição de 1960

acompanhe o caso da editora deriva aqui.


as criadas, de jean genet

As criadas, de Jean Genet.

Tradução de Pontes de Paula Lima:

CLAIRE - (De pé, de combinação, voltando as costas para a penteadeira. Seu gesto, o braço estendido, é o tom serão de um trágico exasperado) E essas luvas! Essas luvas eternas! Já te repeti suficientemente que as deixasses na cozinha. É com isso, por certo, que esperas seduzir o leiteiro. Não, não, não mintas, é inútil. Pendure-as por cima da pia. Quando compreenderás que este quarto não pode ser enxovalhado. Tudo, mas tudo o que vem da cozinha é escarro! Sai! E leva os teus escarros! Mas para! (Durante esta tirada, Solange brincava com um par de luvas de borracha, observando suas mãos enluvadas; ora em buquê, ora em leque) Nada de cerimônia, faz teu bichinho. E principalmente não te apresses, temos tempo. Sai! (Solange, de repente, muda de atitude e sai com humildade segurando na ponta dos dedos as luvas de borracha. Claire senta-se à penteadeira. Aspira as flores. Afaga os objetos de toillete, escova o cabelo, ajeita o rosto) Prepara meu vestido. Depressa, o tempo voa. Você não está aí? (Volta-se) Claire! Claire! (Entra Solange)
SOLANGE - Madame me perdoe, eu estava preparando o chá de tília (Ela pronuncia tílea) da senhora.
CLAIRE - Arranje as minhas toaletes. O vestido branco de pailleté. O leque, as
esmeraldas.
SOLANGE - Todas as jóias de Madame?
CLAIRE - Traga. Quero escolher. E, naturalmente, os sapatos de verniz. Aqueles que você vem cobiçando há anos. (Solange tira do armário alguns estojos que abre e dispõe sobre a cama) Para o seu casamento, com certeza. Confessa. Confessa que ele a seduziu! Que você está grávida! Confesse! (Solange se agacha no tapete e, cuspindo neles, lustra os escarpins de verniz) Eu já lhe disse, Claire, para evitar os escarros. Deixe-os dormir dentro de você minha filha, apodrecer aí dentro. Ah! Ah! (Ri nervosamente) Que nele se afogue o caminhante perdido. Ah! Ah! Você é horrenda, minha bela! Curva-se mais e olhe-se nos meus sapatos. (Estende o pé, que Solange examina) Pensa que me é agradável saber o meu pé envolto nos véus da sua saliva? Na bruma de seus pantanais?
SOLANGE - (De joelhos e muito humilde) Desejo que Madame fique linda.
CLAIRE - Ficarei. (Arruma-se ao espelho) Vocês me detestam, não é? Vocês me esmagam com os seus cuidados e a sua humildade, com gladiólogos e rosedá. (Levanta-se em tom mais baixo) Atulhamos à toa. Aqui tem flor demais. É mortal. (Contempla-se ainda) Ficarei linda. Mais do que você jamais conseguirá. Pois não com esse corpo e essa cara que conquistará Mário. Esse jovem leiteiro ridículo nos despreza e se fez em você um bebê...
SOLANGE - Oh! Mas eu nunca... 
CLAIRE - Cale-se idiota! Meu vestido! 
SOLANGE - (Procura no armário, afastando alguns vestidos) O vestido vermelho. Madame vai por o vestido vermelho! 
CLAIRE - Eu disse o vestido branco de pailleté. 
SOLANGE - (Dura) Sinto muito. Madame esta noite usará o vestido de veludo escarlate.

disponível aqui.

Tradução em nome de Roberto Medeiros, editora Deriva:





 acompanhe o caso da editora deriva aqui.


21 de ago de 2015

ainda sobre o caso da editora deriva



não é que os herdeiros de antónio quadros tenham ficado muito satisfeitos com a garfada da tradução de os justos, de alberto camus, pela editora deriva, que a atribui a um "robson dos santos".

antónio quadros ferro, neto do verdadeiro tradutor, procede à devida retificação da autoria da tradução em comunicado em seu blog, aqui.

19 de ago de 2015

belas infiéis

saiu mais um número da revista belas infiéis, do programa de pós-graduação em estudos de tradução da unb: encontra-se disponível aqui.



minha contribuição é o artigo "henry james no brasil (1945-2014)", aqui.
outro artigo de história da tradução é "george sand no brasil", de patrícia rodrigues costa, aqui.

suplemento literário

o suplemento literário de minas gerais lança um número especial, "a arte da tradução", com materiais de excepcional qualidade.


contribuí com o texto "tradução é tudo de bom".

o suplemento está disponível aqui.

18 de ago de 2015

à deriva

no levantamento sobre a obra de camus traduzida no brasil, mencionei os justos, na coleção de teatro da editora deriva, aqui. não consultei o conteúdo da obra, dando apenas as referências bibliográficas.


hoje um leitor avisa:
Olá, Denise.
Comprei a coleção Teatro da Deriva. Como gosto bastante de tradução, aproveitei para cotejar a tradução de Entre Quatro Paredes com a do Guilherme de Almeida, que tenho aqui, da coleção Teatro Vivo. Para minha surpresa, a tradução é a mesma. Pensei ter havido algum erro, já que a tradução da Deriva é atribuída a Roberto de Almeida. Contudo, pesquisando mais, descobri que a tradução de Os Justos, atribuída a Robson dos Santos, é na verdade de Antônio Quadros.  
As Criadas, de Genet, cuja tradução é atribuída a Roberto Medeiros, é a mesma tradução em circulação na internet de Pontes de Paula Lima. 
Quanto a O Casamento do Pequeno Burguês, do Brecht, é a mesma tradução em circulação na internet, texto que infelizmente não menciona o tradutor. Contudo, pelas falsas atribuições das outras três peças e pelo fato de eu não ter encontrado nada em tradução a respeito de César Santos, tudo me leva a crer que é mais outra fraude.
Entrei em contato com a Deriva, mas não obtive qualquer satisfação. Infelizmente, uma editora que tem uma proposta muito boa de trabalho e publicação artesanais acaba por incidir nas mesmas fraudes que lamentavelmente ainda vemos em circulação no pais. 
Fica aqui o meu alerta para essa coleção.
Abraços. 

o pessoal da deriva pode ser muito bonitinho, muito legalzinho e bacaninha, mas isso não se faz. não é por ser autogestionário, anarquista, libertário, o escambau, que se justifica sair por aí pilhando tradução alheia, tomando para si e vendendo aos pobres dos leitores incautos e de boa fé.

parem com isso, meninos.



em tempo: as obras citadas pelo leitor foram removidas do site da editora. mas ainda se encontram à venda, tanto novas em livrarias como a taverna (aqui) quanto usadas em diversos sebos (aqui), bem como expostas na página da editora no facebook (aqui).

espero que caiam logo em si e não obriguem a gente a comprar essa briga.

atualização em 19/8/2015

transcrevo a manifestação da editora, publicada na caixa de comentários, mas aqui reproduzida reconhecendo-lhe o direito de igual espaço e destaque.

Ficamos cientes do problema das traduções somente ontem no final do dia. Como a Deriva não tem fins lucrativos, e todos membros desenvolvem outras atividades, não conseguimos responder prontamente a reclamação do leitor. 
Já retiramos os livros do catálogo e estamos recolhendo as poucas unidades que estão com livreiros independentes. Os projetos de livros chegam a nós de diversas maneiras, e por diferentes mãos, e realmente assumimos o erro de não haver conferido os dados técnicos dos livros referidos.  
Apesar de acreditarmos na proposta do copyleft em contraposição a mercantilização dos direitos autorais, nossa intenção não é “pilhar” horas de trabalho alheio e precarizar a classe dos tradutores. Nosso erro foi fruto de inexperiência e anseio por colocar em circulação livros “esquecidos”, raros ou que sejam muito caros.  
Temos um respeito especial por essas obras e pelas suas traduções. Os Justos de Albert Camus, por exemplo, trata da luta contra o processo de desumanização e sectarização que ocorre em nome de ideais políticos. Um tema que infelizmente é pertinente e (infantilmente talvez) gostamos de imaginar que ajudamos a combater com algumas dezenas de livros feitos quase que artesanalmente em uma garagem no fundo de uma casa. 
Não temos a intenção de sermos bonitinhos, bacaninhas e legalzinhos, apenas imaginamos os livros como algo além de letras reunidas em formas de frases ou contratos e direitos. Os livros vão continuar sendo muito mais que papel e tinta para nós, mas tomaremos mais cuidado com os contratos e direitos. Fica aqui o nosso sincero pedido de desculpas aos tradutores das obras que não foram creditados corretamente e provavelmente tiveram a mesma pretensão que nós ao difundir para o público brasileiro essa belas obras. 

muito bem.

14 de ago de 2015

goethe traduzido no brasil II: werther

após os primórdios e os faustos, aqui, passemos à sua outra mais célebre obra, die leiden des jungen werthers.
  • sua primeira tradução brasileira sai em 1932, por elias davidovich, acompanhada por estudo de sainte-beuve, pela editora guanabara, em sua "collecção benjamin costallat":



dez anos depois, em 1942, a tradução de davidovich foi parar ilicitamente na pongetti, em sua coleção "as 100 obras-primas da literatura universal", "revista" por marques rebelo, iniciativa espúria que teve algumas reedições posteriores. ver aqui.


  • em meados dos anos 1940, numa edição sem data, sai a tradução de galeão coutinho pela livraria martins editora, em sua "coleção excelsior". foi reeditada pela abril cultural (1971-; em volume duplo com fausto, 1983), círculo do livro (idem,1995), itatiaia (2014):


a tradução de galeão coutinho foi fraudada pela editora martin claret que, com algumas alterações cosméticas, publicou-a em nome de pietro nassetti e o título de os sofrimentos do jovem werther, com várias reedições desde o ano de 2000 até 2014. além disso, essa tradução, tal como ocorrera com o fausto traduzido por silvio meira, sofreu grotesca apropriação pela nova cultural em 2002, publicando-a em sua coleção "obras-primas" em nome de "alberto maximiliano".

  • em 1957, temos mais um werther pela organização simões, mas não consegui localizar o nome do tradutor:


  • em 1965, temos a tradução de ary de mesquita, com o título de os sofrimentos de werther, lançada pela tecnoprint em 1965, em sua coleção "clássicos de bolso". reed. pela nova fronteira, coleção "saraiva de bolso" (2014):


  • em 1988, o clube do livro publica os sofrimentos do jovem werther em tradução de erlon josé paschoal, a primeira a usar, finalmente, o título completo da obra. foi reeditada em 1999 pela estação liberdade:

  • em 1994, sai a tradução de marion fleischer, pela martins fontes, em sua coleção "clássicos: literatura", 3:

  • em 1999, temos a tradução de leonardo césar lack pela nova alexandria, reeditada pelas clássicos abril (2010):

  • em 2001, a l&pm publica os sofrimentos do jovem werther na tradução de marcelo backes:

  • apenas no final de 2014, a editora martin claret se dispõe a substituir sua edição espúria em nome de pietro nassetti, em circulação desde 2000, por uma nova tradução, agora de cláudia cavalcanti:


por fim, a título de curiosidade, fique registrado que a editora hedra publicou em 2007 uma tradução portuguesa anônima de 1821.


goethe traduzido no brasil I: primórdios e os faustos

como de costume, neste levantamento as obras serão citadas pela data de sua primeira edição, com menção a eventual reedição em outras casas publicadoras. aqui não serão consideradas as edições de traduções portuguesas nem adaptações, condensações, quadrinizações etc.

abro exceção àquela que, até o momento, aparenta ser a primeira tradução brasileira publicada entre nós: vem, porém, apresentada como "uma imitação de goethe", como diz seu autor, ou uma tradução em paráfrase, como dizem alguns comentadores. trata-se de fausto e margarida, poema dramático em XII quadros da tragédia de goethe, por múcio teixeira. porto alegre, 1877[8]. teve grande sucesso e várias reedições no prazo de poucos anos.

em 1879, temos um fino voluminho com prometheo, fragmento drammatico, em tradução de joaquim josé teixeira, publicado pela laemmert do rio.

em 1884, sai hermann e dorothea, vazado em prosa, na tradução de carolina von koseritz, pela typographia de gundlach, de porto alegre.

encontro menções a uma tradução do werther que teria sido feita por eduardo laemmert (1808-1880; portanto, provavelmente teria sido anterior às traduções acima citadas), com o título de amorosas paixões do jovem werther. tais menções parecem, todas elas, derivar de uma vaga afirmação de laurence hallewell, explicitamente apresentada como mera hipótese em o livro no brasil, e não encontrei nenhuma notícia concreta da existência efetiva e eventual publicação dessa tradução. para o século XIX, portanto, fiquemos com as três obras acima arroladas, de existência comprovada.

há nessa época muitos poemas e excertos saindo nas revistas e suplementos culturais da imprensa. em formato livro, porém, creio que apenas em 1920 surge nova publicação.
  • vamos ter nosso primeiro fausto em tradução de gustavo barroso, pela livraria garnier, em sua "collecção classica":

foi reeditada pela f. briguiet (que comprou a garnier) em sua "collecção dos autores celebres da litteratura extrangeira" em 1937:


prossigamos com fausto.
  • em 1949, temos pelo instituto progresso editorial fausto: a primeira parte e o quinto ato da segunda parte, em tradução de jenny klabin segall. infelizmente, não localizei imagem de capa desta que será, completada mais tarde, a mais importante tradução de fausto no brasil. 
jenny klabin segall completa a tradução da segunda parte; em 1970, temos o lançamento integral dos dois faustos na coleção "teatro clássico" da livraria martins, em dois volumes.

mais tarde, com o encerramento da martins, essa obra vai para o catálogo da itatiaia, em sua coleção "grandes obras da cultura universal" 3, a partir de 1977 com várias reedições até 2002. em 2004, a editora 34 passa a publicar a tradução de klabin em dois volumes, fausto I e fausto II. em 2006, a cosac naify publica "a tabuada da bruxa" em sua coleção infantil.

  • em 1964, temos fausto, primeira parte, na tradução de antenor nascentes e josé júlio f. de souza, pela letras e artes.

  • em 1968, pela agir, temos a tradução do primeiro fausto por silvio augusto de bastos meira. foi reeditada pela ed. três (coleção "bibilioteca universal: alemanha", 1974); abril cultural (coleção "teatro vivo", 1976); círculo do livro (em volume duplo com werther, 1995). 
    em 2002, a tradução de silvio meira é indevidamente apropriada pela editora nova cultural, em sua coleção obras-primas, apresentando-a em nome de "alberto maximiliano", com leves alterações cosméticas no intuito de disfarçar a contrafação.

  • em 1984, temos a tradução de david jardim júnior de fausto I, feita a partir da versão de gérard de nerval, para a coleção universidade, das edições de ouro.

  • em 1985, pelo círculo do livro, temos a tradução de flávio m. quintiliano, fausto: poema dramático, em dois volumes:

  • a versão inicial da peça, escrita pelo jovem goethe entre 1773 e 1775 e conhecida como urfaust, sai em 2001 como fausto zero, na tradução de christine röhrig, pela cosac naify:


  • em 2002, temos fausto I em tradução de raoul albrecht bündgenspela editora garapuvu, de florianópolis:


existem diversas edições brasileiras da tradução portuguesa de antónio feliciano de castilho (p.ex., pela w.m. jackson, 1948), várias adaptações, como a de otávio de oliveira paes (sette letras, 1999), breves excertos como "o aprendiz de feiticeiro" (trad. mônica rodrigues da costa, cosac, 2006), que aqui não constam por, como dissemos, não fazerem parte do escopo desse levantamento.