29 de jan de 2016

leituras V: a confusão dos sentimentos

zoran ninitch, excêntrica figura sobre a qual devo a mim mesma um artigo, fez em 1934 uma bela tradução (a primeira) de a confusão dos sentimentos, de stefan zweig, interessante novela psicológica sobre a homossexualidade.



elias davidovich, muito importante na área tradutória e com sólido trabalho de divulgação das obras de freud e zweig no brasil, fez outra tradução de a confusão dos sentimentos. sua primeira edição não traz data, mas calculo que seja não muito posterior (c.1937-38; será reeditada em 1942). devo dizer que fiquei bastante decepcionada.



surpreendeu-me o paradoxo: um pobre expatriado com visíveis problemas psicológicos como ninitch, por vezes cortejando ou mesmo adotando práticas próprias de um vigarista, que certamente deu e levou várias trombadas em e de davidovich, figura séria e de respeitável relevo em nossa história editorial, supera-o em muito em termos de capacidade e qualidade tradutória, pelo menos neste caso em pauta.

leituras IV: a letra escarlate

surpreendeu-me a qualidade de a letra escarlate, de nathaniel hawthorne, na tradução de sodré viana (1942). o texto elaborado e sofisticado de hawthorne parece ganhar novas ressonâncias às mãos de seu tradutor, com cuidadosa transposição de sua densidade original.




leituras III: o fauno de mármore

uma decepção foi ler a tradução o fauno de mármore, de nathaniel hawthorne, na tradução do escritor e crítico constantino paleólogo, que saiu em 1952 pelas edições o cruzeiro.


baste um exemplo:
"Oh, hush!" cried Hilda, shrinking from him with an expression of horror which wounded the poor, especulative sculptor to the soul.
- Oh, cale-se! exclamou Hilda afastando-se com uma expressão de horror que ferira a pobre e especulativa escultura da alma.

vide "nathaniel hawthorne no brasil", na revista belas infiéis, da unb, aqui, e "o quinteto da renascença americano no brasil", nos cadernos de tradução da ufsc, aqui.

leituras II: tonio kröger

sobre a primeira tradução de tonio kröger no brasil, assinada por uma misteriosa "charlotte von orloff", estou lendo o texto e só posso dizer, sendo caridosa, que é um tanto tosco.

























veja o histórico tradutório de thomas mann no brasil aqui.

27 de jan de 2016

leituras I: mário e o mágico

hoje recebi meu exemplar de mário e o mágico, de thomas mann, em edição de 1934 que foi, se não a primeira, uma das primeiras a trazer mann em livro com tradução brasileira. foi traduzido por zoran ninitch e publicado pela editora machado & ninitch, do rio de janeiro, numa tiragem de 1.705 exemplares.

o pobre exemplar está bem depauperadinho. é um voluminho pequeno, de 11 x 16,5cm, ilustrado com desenhos que parecem ser a bico de pena (não consegui identificar o nome do ilustrador na capa), com 128 páginas e refilamento um pouco irregular. veio sem capa nem contracapa, mas reproduzo aqui uma imagem gentilmente fornecida por mario luiz frungillo, que já publiquei anteriormente:



eis a página de rosto:



por ora, li apenas alguns trechos, e a tradução não sei se é adequada ou correta, mas o texto é bonito, elegante e escorreito. chega a surpreender.


23 de jan de 2016

tolstói no brasil



saiu a belas infiéis v. 4, n.3 (2015), revista do programa de pós-graduação em estudos de tradução da unb, com vários artigos interessantes. na seção "arquivos", está meu artigo sobre a tolstoiana brasileira, disponível aqui.

19 de jan de 2016

"klaus von puschen"

esse não chega a ser um enigma nem nada tão interessante quanto os três nomes dos três posts anteriores. mas o tal "klaus von puschen" tem voltado à tona nas livrarias e em matérias da imprensa como suposto tradutor de mein kampf para a editora centauro.

outras traduções assinadas por esse schucrutten einsbein são:
  • max weber, história geral da economia
  • marx e engels, o manifesto comunista de 1848 e cartas filosóficas
  • marx, o capital (edição compacta)
  • marx, a origem do capital: a acumulação primitiva
  • marx, o capítulo VI inédito de o capital

para retomar a avaliação das edições da centauro, creio que vale a pena dar uma conferida do weber chucrutiano com a edição publicada em 1968 pela extinta mestre jou, em tradução de calógeras pajuaba.






17 de jan de 2016

"maria deling"

em 1958, a editora boa leitura tem um importante lançamento: um volume duplo contendo duas novelas de thomas mann, tônio kroeger/ a morte em veneza. a tradução vem assinada por "maria deling", sobre a qual não encontrei a mais remota referência em todos os canais e fontes de consulta que costumo utilizar, a não ser o referido crédito de tradução desse volume para a boa leitura. parece-me bizarro, isso. posteriormente essa tradução de "maria deling" foi relançada pela hemus e, em enormes tiragens e reimpressões, pela abril cultural, em sua coleção de imortais da literatura universal.


 aqui, minha sugestão de pesquisa a algum graduando em seu TCC seria fazer um bom cotejo entre o tonio kröger lançado pela guanabara em 1934, com tradução em nome de outra figura misteriosa, "charlotte von orloff" (ver aqui), e com a morte em veneza, também lançado pela guanabara em 1934, em tradução de moysés gikovate (e eventualmente talvez também com a morte em veneza lançada pela flama em 1944, na tradução de lívio xavier). nessa casa de apostas que virou o não gosto de plágio nestas três últimas postagens, eu colocaria minhas fichas em algum tipo de contrafação.

atualização: retiro minha sugestão acima. constatei pessoalmente: a tradução de tonio kröger em nome de maria deling é bonita, elegante, e não guarda nenhuma relação com o tosco texto de "charlotte von orloff."

"otto silveira"



outro misterioso tradutor de thomas mann é um certo "otto silveira", assinando aquela que é a primeira tradução brasileira de a montanha mágica. o livro saiu pela editora panamericana, aparentemente já nascido como uma segunda edição em 1943. veja "um mann meio estropiado", aqui (ainda que omissões e mutilações não fossem raras naquela época - vide, por exemplo, o curioso caso dos irmãos karamazoff aqui).

não me espantaria muito se algum diligente mestrando ou doutorando, dispondo-se a avaliar meticulosamente essa primeira montanha mágica entre nós e a examinar com bom olho analítico as traduções feitas por otto schneider, concluísse que, na verdade, "otto silveira" e otto schneider são a mesma pessoa.


16 de jan de 2016

"charlotte von orloff"

apenas para não esquecer: alguma hora valeria a pena tentar elucidar quem é "charlotte von orloff", a meu ver nome retumbando sonoramente a pseudônimo. com exíguo histórico tradutório, "charlotte von orloff" assina as seguintes traduções: karl may, na região dos bandoleiros, globo, 1933; thomas mann, tonio kröger, guanabara, 1934; e stefan zweig, leporella (novellas) [contém, além de "leporella", "a collecção invisivel", "episodio no lago de genebra" e "buchmendel"], guanabara, 1935.

 





se eu tivesse de apostar minhas fichas, eu arriscaria o nome de elias davidovich ou alguém muito próximo a ele.


3 de jan de 2016

zweig, ninitch e medeiros e albuquerque


gosto do formato de crônica ou de estudo de caso bem condensado ("micro-história", diriam alguns) porque certos episódios históricos parecem constituir nós ou entrelaçamentos resultantes de convergências muito singulares. e gosto desse trabalho de destrinçamento dos fios que, reunindo-se intempestivamente ou inesperadamente, formaram aquela ocorrência histórica (aquele "acontecimento", diriam alguns).

o nó que atualmente ando querendo destrinçar parece quase apenas um fait divers, um pequeno fato avulso, pertencente ao capítulo das curiosas insignificâncias. e é o seguinte: medeiros e albuquerque assinou com seu nome algumas traduções de stefan zweig feitas por zoran ninitch.

este é o "fato". mas, se pararmos para pensar e tentarmos entender essa bizarrice, veremos que o pano de fundo é complicado, são muitas as perguntas e muitos os fatores envolvidos nessa simples ocorrência.

quem são os agentes ativos e passivos envolvidos nisso? medeiros e albuquerque e zoran ninitch, evidentemente, mas também stefan zweig, abraão koogan e a editora guanabara, e, conforme avançamos, também elias davidovich, gastão pereira da silva, odilon gallotti, freud, aurélio pinheiro, flores & mano, atlântida, unitas, calvino, pongetti. por que medeiros? por que ninitch? desde quando? a partir de que condições? com que finalidade? quais as consequências?

resumindo: por que traduções de zweig feitas por ninitch são publicadas como da lavra de ninguém menos que o grande defensor dos direitos autorais no brasil, que deu seu nome à primeira lei referente ao tema, contemplando especificamente também as obras de tradução, qual seja, a "Lei Medeiros e Albuquerque"? o que leva um insigne membro da academia brasileira de letras, importante parlamentar, autor expressivo, a ceder seu nome para uma fraude? o que aconteceu, em suma?

e quanto mais tento entender, mais intrincado parece ser este nó, mais interesses parecem estar envolvidos, mais atritos e conflitos parecem se enfrentar, mais circunstâncias pessoais, econômicas e ideológicas parecem se entrecruzar.


2 de jan de 2016

goethe traduzido no brasil III: afinidades e wilhelm meister

quanto às afinidades eletivas, temos três traduções:
  • conceição g. sotto maior, para a pongetti, em 1948, em sua coleção "as 100 obras-primas da literatura universal", reed. edições de ouro; ediouro;
  • erlon josé paschoal, para a nova alexandria, em 1992;
  • tércio redondo, para a penguin-companhia, 2014

quando a wilhelm meister, dispomos de os anos de aprendizado de wilhelm meister, em tradução de nicolino simone neto, para a ensaio, 1994, reed. editora 34 (2006).


22 de dez de 2015

russos no brasil - algumas retificações

a partir de material documental que me foi gentilmente enviado pelo historiador dainis karepovs, tem-se a comprovação de que os três primeiros lançamentos da bibliotheca de auctores russos contaram com a colaboração de fúlvio abramo na tradução. as obras são três volumes de contos, a saber: konovaloff, de górki (1930), os inimigos e pavilhão no. 6, ambos de tchecov (1931).

esses documentos trazem à tona dados que invalidam algumas afirmações que fiz, ainda que com ressalvas, no artigo "georges selzoff: uma crônica", (tradução em revista, 14, aqui) e na "bibliografia russa traduzida no brasil (1900-1950)" (rus, 3, aqui), bem como a especificação exata de algumas datas de publicação. assim, redigi um breve texto, "bibliografia russa - breves notas complementares", que foi lançado recentemente na rus, 5, disponível aqui.

4 de dez de 2015

apca 2015

o vencedor do prêmio de tradução pela associação paulista de críticos de arte (apca) em 2015 foi marco syrayana de pinto, com paisagens humanas do meu país, de nâzim hikmet (editora 34). parabéns!

22 de nov de 2015

jabuti 2015

as traduções vencedoras do jabuti de 2015 foram:

1o. lugar: spinoza, obra completa, 4 vols., trad. jacó guinsburg e newton cunha
2o. lugar: vassili grossman, vida e destino, trad. irineu franco perpétuo
3o. lugar: schopenhauer, o mundo como vontade e representação, suplementos, 2 vols., trad. eduardo ribeiro da fonseca

viva, parabéns a todos!

25 de out de 2015

poesia traduzida no brasil (1965-2004)

transcrevo abaixo o fabuloso levantamento bibliográfico de john milton sobre a tradução de poesias no brasil entre 1965 e 2004. o artigo completo está disponível aqui.

naturalmente, como todo ambicioso levantamento, há várias lacunas, que esperamos poderem ser completadas no decorrer do tempo e com a contribuição de outros pesquisadores. desde já, cabe acrescentar o torso e o gato - o melhor da poesia universal, admirável antologia em seleção, organização e tradução de ivo barroso (record, 1991), bem como os gatos, de t.s.eliot, também em tradução de ivo barroso (nórdica, 1991), que lhe valeu o prêmio jabuti de tradução daquele ano.*


Bibliography: Translations from English
Anthologies

CAMPOS, Augusto de. O Anticrítico. São Paulo, Companhia das Letras 1986. (Donne, Fitzgerald, Emily Dickinson, Carroll).
CAMPOS, Augusto de. Verso, Reverso, Controverso. São Paulo, Perspectiva, 1978. (Donne, Herbert, Carew, Suckling, Crawshaw, Marvell, Blake, Hopkins. Perspectiva).
CESAR, Ana Cristina. Escritos da Inglaterra. São Paulo, Brasiliense, 1988. (Emily Dickinson).
GRÜNEWALD, José Lino. Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1988.
OLIVEIRA GOMES, Aila. Poesia Metafísica, Uma Antologia (Shakespeare, Donne, Herbert, Vaughan, Crashaw, Marvell, King, Quarles, Cowley, TS Eliot). São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
SILVA RAMOS, Péricles Eugênio de; VIZIOLI, Paulo. Poetas de Inglaterra. Secretaria Municipal de Cultura, São Paulo, 1971. [1970 - db]
VIZIOLI, Paulo. Litertaura Inglesa Medieval. São Paulo, Nova Alexandria., 1988.
WANDERLEY, Jorge. Antologia da Nova Poesia Norte-americana. Rio de Janeiro, Civ. Brasileira, 1992.


Individual authors

AUDEN, W H., Poemas. Tr. João Moura Jr e José Paulo Paes. São Paulo, Companhia das Letras, 1986.
BEOWULF. Beowulf. Tr. Ary González Galvão. São Paulo, Hucitec, 1982.
BISHOP, Elizabeth. Poemas. Tr.: Horácio Costa. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.
BISHOP, Elizabeth. Poemas. Tr.: Paulo Britto. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.
BLAKE, William. Poesia e Prosa Selecionadas. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Ismael, 1984 (3ª edição)
BLAKE, William. Escritos de William Blake. Série Rebeldes Malditos. Tr. Alberto Marsicano & Regina de Barros Carvalho. Porto Alegre, L&PM, 1984
BLAKE, William. O Matrimônio entre o Céu e o Inferno e O Livro de Thiel. Tr: José Antonio Arantes. São Paulo, Iluminuras, 1995.
BLAKE, William. O Tygre. Tr. Augusto de Campos. Edição do autor, 1977.
BROWNING, Robert. O Flautista do Manto Malhado. Tr. Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo, Musa, 1993.
BUKOWSKI, Charles. Os 25 Melhores Poemas de Charles Bukowski. Tr. Jorge Wanderley. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2003.
BURNS, Robert. 50 Poemas, Luiza Lobo. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1994.
BYRON, Lord. Beppo: Uma História Veneziana. Paulo Britto. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1989, 2003.
CAGE, John. De Segunda a um Ano. Tr: Augusto de Campos. São Paulo, Hucitec, 1985.
CHAUCER, Geoffrey. Contos de Cantuária. Tr Paulo Vizioli - apresentação de Contos da Cantuária. São Paulo, Queiroz, 1991.
COLERIDGE, Samuel Taylor. Coleridge - Poemas e Excertos da biografia literária. Tr Paulo Vizioli. São Paulo, Nova Alexandria, 1995.
CORSO, Gregory. Gasolina e Lady Vestal. Porto Alegre, L&PM, 1984. [trad. de eduardo bueno - db]
CORSO, Gregory. Cartas Extraviadas e outros poemas. Porto Alegre, L&PM [não entendi essa inclusão; este é o título do livro de martha medeiros - db]
CREELEY, Robert. Poemas. Tr. Regis Bonvicino. São Paulo, Ateliê, 1997.
CUMMINGS, E E. Dez Poemas de e.e. cummings. Rio de Janeiro, Serviço de Documentação, MEC, 1960. [trad. de augusto de campos - db]
CUMMINGS, E E. 20 POEM(A)S - E.E. CUMMINGS. Florianópolis, NoaNoa, 1979.  [trad. de augusto de campos - db]
CUMMINGS, E. E. e . e. cummings 40 POEM(A)S. Tr Augusto de Campos. São Paulo,
Brasiliense, 1986
CUMMINGS, E E. P O E M (A) S. Tr. Augusto de Campos, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1999.
DICKINSON, Emily. Emily Dickinson: uma centena de poemas. Tr. Ailá de Oliveira Gomes. São Paulo, Queiroz/EDUSP, 1985.
DONNE, John. O Poeta do Amor e da Morte. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Ismael, , 1985.
DONNE, John. John Donne, o Dom e a Danação. Tr. Augusto de Campos. Florianópolis, NoaNoa, 1978.
DURRELL, Lawrence. Poemas. Tr. Jorge Wanderley. Rio de Janeiro, Topbooks, 1995.
ELIOT, T S. TS Eliot, Poesia. Tr, Ivan Junqueira. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1981, 3a. ed.
ELIOT, T S. TS Eliot – Poemas 1910/1930. Tr. Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo, Massao Ohno, 1985.
ELIOT, T S. T S Eliot & Charles Baudelaire. Poesia em Tempos de Prosa. Tr. Lawrence Flores Pereira. São Paulo, Iluminuras 1996.
ELIOT T S. Quatro Quartetos. Tr. Ivan Junqueira. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1997.
ELIOT T S. T S Eliot, Emily Dickinson, René Dupestre, Seleção. Tr Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo, Hucitec 1992.
FERLINGHETTI, Lawrence. Um Parque de Diversões da Cabeça. Tr. Eduardo Bueno & Leonardo Fróes. Porto Alegre, L&PM, 1984.
GINSBERG, Allen. Uivo. Tr. Claudio Willer, Porto Alegre, L&PM, 1984.
GINSBERG, Allen. A Queda da América. Tr Paulo Britto. Porto Alegre, L&PM, 1985.
HEANEY, Seamus. Poemas. Tr. José Antonio Arantes. São Paulo, Companhia das Letras, 1998.
HOPKINS, Gerald Manley. Poemas. Tr. Ailá de Oliveira Gomes. São Paulo, Companhia das Letras, 1989.
HOPKINS, Gerald Manley. Hopkins: a Beleza Difícil. São Paulo, Perspectiva, 1997.
HUGHES, Ted. Cartas de Aniversário. Tr. Paulo Britto. Rio de Janeiro, Record, 2001.
JOYCE, James. Poemas, um tostão cada. Tr. Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo, Iluminuras, 2001.
JOYCE, James. Música de Câmara. Tr. Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo, Iluminuras, 1998.
KEATS, John. Poemas. Tr. Péricles Eugênio de Silva Ramos. Art Editora, São Paulo, 1985.
KEATS, John. Nas Invisíveis Asas da Poesia. Tr. Alberto Marsicano & John Milton. São Paulo, Iluminuras. 1998, 2a. ed. 2001.
KEATS, John. Ode a un Rouxinol e Ode sobre uma Urna. Tr. Augusto de Campos. Florianópolis: NoaNoa, 1984.
MILTON, John. Paraíso Perdido. Tr. Antônio José Lima Leitão. São Paulo, Martin Claret, 2003. [não entendo essa inclusão - db]
MOORE, Marianne. Poemas. Tr. José Antonio Arantes. São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
PESSOA, Fernando. Poemas Ingleses. Tr. Philadelpho Menezes. São Paulo, Experimento, 1993.
PLATH, Sylvia. Poemas. Tr. Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. São Paulo, Iluminuras, 1991, 2a. ed 1994.
PLATH, Sylvia. xxi poemas, Sylvia Plath. Tr. Deisa Chamahum Chaves, Ronald Polito de Oliveira. Mariana, Livre Impressão, 1994.
POE, Edgar Allan. “O Corvo” e suas traduções. Org. Ivo Barroso. Tr. Baudelaire, Mallarmé, Machado, Emílio de Meneses, Fernando Pessoa, Milton Amado, Alexei Bueno, Gondin de Fonseca, Benedito Lopes. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1998.
POPE, Alexander. Poemas. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Nova Alexandria, 1994.
POUND, Ezra. Os cantos. Tr. José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986.
POUND, Ezra. Cantares de Ezra Pound. Tr. Augusto de Campos, D. Pignatari e H. de Campos. Rio de Janeiro, Serviço de Documentação, MEC, 1960.
POUND, Ezra. Poesia. Tr. Augusto de Campos, D. Pignatari, H. de Campos. J. L. Grünewald e M. Faustino. São Paulo, Hucitec, 1983.
SHAKESPEARE, William. 30 Sonetos. Tr. Ivo Barroso. Rio de Janeiro, Nova Fronteira. 1991.
SHAKESPEARE, William. Sonetos. Tr Jorge Wanderley. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1991, 2a. ed.
SHAKESPEARE, William. Sonetos de Shakespeare. Tr. Péricles Eugênio de Silva Ramos. Rio de Janeiro, Ediouro, s/d.
SHAKESPEARE, William. Sonetos ao Jovem Desconhecido. Tr Renata Cordeiro, São Paulo, Landy, 2003.
SHELLEY, Percy Bysshe. O Triunfo da Vida. Tr. Leonardo Froés. Rio de Janeiro, Rocco, 2001.
STEVENS, Wallace. Poemas. Tr. Paulo Henriques Britto. São Paulo, Companhia das Letras, 1987.
THOMAS, Dylan. Poemas Reunidos 1934-63. Tr. Ivan Junqueira. Rio de Janeiro, José Olympio, 2003.
WALCOTT, Derek. Omeros. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.
WHITMAN, Walt. Folhas das Folhas de Relva. Tr. Geir Campos. São Paulo, Brasilense, 1983, 3a. ed.
WHITMAN, Walt. Walt Whitman, Profeta da Liberdade. Tr. Irineu Monteiro. São Paulo, Martin Claret, São Paulo, 1984. [não entendo essa inclusão; trata-se de uma biografia do poeta escrita por irineu monteiro - db]
WHITMAN, Walt. Folhas da Relva. Tr. Ramsés Ramos. Brasília: Plana, 2001.
WILDE, Oscar. Balada do Cárcere de Reading. Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Nova Alexandria, 1995.
WILLIAMS, William Carlos. Poemas. José Paulo Paes. São Paulo, Companhia das Letras, 1987.
WORDSWORTH, William. William Wordsworth Tr. Paulo Vizioli. São Paulo, Mandacaru, 1988.
YEATS, W. B., Poemas de WB Yeats. Tr Péricles Eugênio da Silva Ramos. Art Editora, São Paulo, 1987.
YEATS, W. B., Poemas. Tr Paulo Vizioli. São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
YEATS, W. B. Tudo que vive é sagrado, William Yeats & D H Lawrence. Tr Mário Alves Coutinho. Belo Horizonte: Crisâlida, 2001.


Translations from other languages
Anthologies

BUARQUE DE HOLANDA, Aurélio. Grandes vozes líricas hispano-americanas. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990.
CAMPOS, Augusto de; CAMPOS, Haroldo de; SCHNAIDERMAN, Boris. Poesia Russa Moderna. São Paulo, Perspectiva, 1985.
GONÇALVES, Aguinaldo J.; ROCA, Juan. M. Antologia Poética Brasil / Colômbia. São Paulo, Edunesp, 1986.
GRÜNEWALD, José Lino. Poetas franceses do século XIX. Tr. José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980.
JOZEF, Bella. Poesia Argentina 1940-1960. São Paulo, Iluminuras, 1999.
KOVADLOFF, Santiago. A Palavra Nômade - Poesia Argentina dos anos 70. Tr. Santiago Kovadloff. São Paulo, Iluminuras, 2001.
LARANJEIRA, Mário. Poetas de França Hoje (1945-1995). São Paulo, EDUSP.
PERLONGHER, Néstor (ed.) & BAPTISTA, Josely Vianna. Poesia neobarroca cubana e rioplatense. Néstor Perlongher (org), Tr Josely Vianna Baptista. São Paulo, São Paulo, Iluminuras, 2000.
PIGNATARI, Décio. 31 Poetas 214 Poemas: do Rig-veda e Safo a Apollinaire. São Paulo, Companhia das Letras, 1996.
PIGNATARI, Décio. Retrato do Amor Quando Jovem: Dante, Shakespeare, Sheridan, Goethe. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.
YUN JUNG IM; MARSICANO, Alberto. O Pássaro que Comeu o Sol. Poesia Moderna da Coréia. São Paulo, Arte Pau Brasil, 1993.
ZULAR, Roberto; GALINDEZ JORGE, Verônica. Dois ao Cubo. Alguma Poesia Francesa Contemporânea. São Paulo, Olavobras, 2003.


Individual authors

AKHMATOVA, Anna. Poesia, Porto Alegre, L&PM, 1990. [?]
APOLLINAIRE, Guillaume. O Bestiário ou o Cortejo de Orfeu. Tr. Álvaro Faleiros. São Paulo, Iluminuras, 2000.
ARETINO. Sonetos Luxuriosos. Tr José Paulo Paes. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.
BASHO. Matsuo. Trilha Estreita ao Confim. Tr. Alberto Marsicano e Kimi Takenaka. São Paulo, Iluminuras, 1997.
BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Tr. Ivan Junqueira Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.
BAUDELAIRE, Charles Pequenos poemas em prosa. Tr. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1976. [de 1950 - db]
BAUDELAIRE, Charles. Flores do Mal. Tr Juremir Machado de Silva. Sulina: Porto Alegre, 1995.
BAUDELAIRE, Charles. As Flores de Mal. Tr. Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2004. [fraude denunciada por ivo barroso em "flores roubadas de jardim alheio", aqui - db]
BAUDELAIRE, Charles. As Flores do Mal. Tr Paulo de Carvalho Melo. São Paulo, Círculo do Livro, 1977.
[em 1964, mauro mendes villela publica sua tradução, algumas "flores do mal", pela bernardo álvares de belo horizonte - db]
BONNEFOY. Yves. Obra Poética. Tr.: Mário Laranjeira. São Paulo, Iluminuras, 1999.
BRECHT, Bertholt. Poemas 1913-1956. Tr Paulo Cesar Souza. Editora 34, 2000.
CARDENAL, Ernesto. As Riquezas Injustas. (Antologia Poética) São Paulo, Círculo do Livro 1975.
CATULO. O Livro de Catulo. Tr. João Angelo Oliva Neto. São Paulo, EDUSP, 1996.
CELAN, Paul. Cristal. Tr. Claudia Cavalcanti. São Paulo, Iluminuras. 1994. [poemas, seleção e tradução de flávio r. kothe, pela tempo brasileiro, 1977 - db]
CHAR, René. O Nu Perdido e outros poemas. Tr: Augusto Contador Borges. São Paulo, Iluminuras, 2001.
CORBIÈRE, Tristan. Os Amores Amarelos. Tr.: Marcos Antônio Siscar. São Paulo, Iluminuras, 1999.
DANTE ALIGHIERI. Divina Comédia. Tr Cristiano Martins. São Paulo, Itatiaia.
DANTE ALIGHIERI. Divina Comédia. Tr Flavio Alberti. Porto Alegre, L&PM, 2004. [fábio m. alberti; fraude licenciada pela nova cultural para a l&pm - db]
DANTE ALIGHIERI. A Divina Comédia. Tr Italo Eugênio Mauro (3 vols.). São Paulo, Editora 34, 1998.
DANTE ALIGHIERI. Divina Comédia. Tr. Haroldo de Campos. São Paulo, Centro Italiano de Cultura.
ENZENSBERGER, Hans Magnus. Naufrágio do Titanic. Tr José Marcos Macedo. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
GARCÍA LORCA, Federico. Romanceiro gitano e outros poemas. Tr. Oscar Mendes. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984.
GARCÍA LORCA, Federico. Sonetos. Tr. William Agel de Melo. Caxias do Sul: Maneco, 1996.
GARCÍA LORCA, Federico. Federico García Lorca. Obra Poética Completa. Tr William Agel de Mello. São Paulo, Martins Fontes. 2002, 4a. ed.
GELMAN, Juan. Agora que serena, termina? Tr. Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro, Record, 2001.
GEORGE, Stefan. Crepúsculo. Tr. Eduardo de Campos Valadares, São Paulo, Iluminuras, 1998.
GIRONDO, Oliverio. A Puplia do Zero – Em la masmédula. Tr. Régis Bonvicino. São Paulo, Iluminuras, 1999.
HOMERO. Odisséia. Tr Odorico Mendes. São Paulo, EDUSP, 1992. [não entendo essa inclusão - db]
HOMERO. Odisséia. Tr. Haroldo de Campos. Ilíada, Arx, 2001.
HORÁCIO. Odes e Épodos. Tr Bento Prado de Almeida Ferraz. São Paulo, Martins Fontes, 2003.
KHAYYAM, Omar.O Rubaiyat de Omar Khayyam. Tr. Manuel Bandeira. Rio de Janeiro, Ediouro sd.
KHAYYAM, Omar. Rubaiyat. Tr Eugênio Amado. Garnier, Rio de Janeiro, 1999. [?]
KAVÁFIS, Konstantinos. Poemas. Tr. José Paulo Paes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993.
JELHUN, Bem Tahan. As Cicatrizes do Atlas. Tr. Cláudia Fulluh Balduino Ferreira, Brasília: Universidade de Brasília, 2003.
JUAN DE LA CRUZ. Pequena Antologia Amorosa. Tr Marco Lucchesi. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2000.
SOR JUANA DE LA CRUZ. Letras sobre o espelho. Tr. Vera Mascarenhas de Campos. São Paulo, Iluminuras, 1989.
LAUTRÉAMONT, Conde de. Obra Completa. Tr: Claudio Willer. São Paulo, Iluminuras, 1998.
LI PO & TU FO. Poemas chineses de Li Po e Tu Fu. Tr. Cecília Meireles. Rio de Janeiro, Nova Fronteira 1996.
MAIAKÓVSKI, Vladimir. Poemas. Tr Boris Schnaiderman, Haroldo & Augusto de Campos. São Paulo, Perspectiva, 7a. ed., 2003.
MALLARMÉ, Stéphane. Poemas. Tr. José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984.
MALLARMÉ, Stéphane. Mallarmé. Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatari. São Paulo, Perspectiva, 1974.
MONTALE, Eugênio. Diário Póstumo. Tr. Geraldo Holanda Cavalvanti. Rio de Janeiro, Record, 1997. [Aqui há um equívoco: a tradução de Diário Póstumo, na verdade, é de Ivo Barroso. Geraldo Holanda Cavalcanti traduziu, de Montale, Poesias** - db]
MICHELANGELO. Poemas. Tr Nilson Moulin. Rio de Janeiro, Imago, 1994.
MILOSZ, Czeslaw. Não Mais. Brasília: Universidade de Brasília. Coleção Poetas do Mundo, ed. Henryk Siewierski, 2002. [trad. de henryk siewierski e marcelo paiva de sousa - db]
MONTEJO NAJAS, Adolfo. Pedras Pensadas. Tr Sergio Alardes. São Paulo, Ateliê, 2002.
NERUDA, Pablo. Cem Sonetos do Amor. Porto Alegre, L&PM, 1990. [trad. de carlos nejar - db]
NERUDA, Pablo. Barcarola: Porto Alegre, L&PM, 1992. [trad. de olga savary - db]
NERUDA, Pablo. Presente de um Poeta. Tr. Thiago de Mello. São Paulo, Vergana e Ribas, 2001.
NERUDA, Pablo. Canto Geral. Tr Paulo Mendes Campos. 2002. Rio de Janeiro, Ed. Brasil, 2002. [difel, 1979 - db]
NERUDA, Pablo. Cadernos de Temuco. Tr Thiago de Mello. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, 2a. ed.
NERUDA, Pablo. Os Versos do Capitão. Tr Thiago de Mello. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil. 2003.
NERUDA, Pablo. Vinte Poemas de Amor. Tr Domingos Carvalho da Silva. José Olympio. 2a. ed., 2004.
OVÍDIO. Poemas de Carne e Exílio. Tr. José Paulo Paes. São Paulo, Companhia das Letras, 1990
PÂVLOVITCH, Miodrag. Bosque da Maldição. Tr. Aleksander Jovanovic. Brasília: Universidade de Brasília, 2003.
PONGE, Francis. O Partido das Coisas. Tr. Ignacio Antonio Neis e Michel Peterson. São Paulo, Iluminuras, 1995.
PONGE, Francis. A Mesa. Tr. Ignácio Antônio Neis e Michel Peterson. São Paulo, Iluminuras, 1999.
PRÉVERT, Jacques. Poemas. Tr. Silviano Santiago. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2000.
RILKE, Rainer Maria. Coisas e Anjos de Rilke. Tr. Augusto de Campos. São Paulo, Perspectiva, 2001.
RIMBAUD, Arthur. Gravuras Coloridas. Tr. Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. São Paulo, Iluminuras, 1993.
SAFO DE LESBOS. Poemas e Fragmentos. Tr. Joaquim Brasil Fontes. São Paulo, Estação Liberdade, 1991.
SÉFERIS, Giórgos. Poemas. Tr. José Paulo Paes. São Paulo, Nova Alexandria [1995 - db].
SIJÔ. Sijô. Tr. Albeto Marsicano e Yun Jung Im. São Paulo, Iluminuras, 1994.
SOLOMON, Carl. De Repente, Acidentes. Porto Alegre, L&PM. [trad. de josé thomaz brum, 1985 - db]
TRAKL, George. De Profundis e outros poemas. Tr Claudia Cavalcanti. São Paulo, Iluminuras, 2000.
UNGARETTI, Giuseppe. Daquela estreita à outra. Tr. Haroldo de Campos & Aurora Bernardini. São Paulo, Ateliê, 2003.
UNGARETTI, Giuseppe. A Alegria. Tr. Geraldo Holand Cavalcanti. Rio de Janeiro, Record, 2003.
VILLON, François. Poesia. Tr. Sebastião Uchoa Leite. São Paulo, EDUSP [2000 - db]
VILLON, François. Villon, Testamento. Tr Afonso Felix de Souza. São Paulo, Itatiaia, 1987

* ver a saborosa crônica de ivo barroso a esse respeito aqui.
** para outros volumes de poemas traduzidos por geraldo holanda cavalcanti, ausentes deste levantamento, ver aqui.


23 de out de 2015

as traduções revistas: uma sugestão de pesquisa

grande serviço prestaria à história da tradução no brasil quem se dispusesse a rastrear as origens e razões de tantas "traduções revistas" que por algumas décadas, sobretudo as de 1930 e 1940, pipocaram nos catálogos de diversas editoras.

aqui mesmo, neste blog, o eventual pesquisador já encontraria muito material primário para investigar, bem como algumas pistas e hipóteses já aventadas e trabalhadas.

22 de out de 2015

dois artigos

vale a pena ler dois artigos de paulo henriques britto sobre tradução: "traduzir thomas pynchon", aqui, e em especial "tradução e ilusão", aqui.

19 de out de 2015

a mulher de trinta anos, edições publicadas no brasil

la femme de trente ans, de balzac, até onde consegui apurar, teve as seguintes edições entre nós, aqui arroladas pela data da primeira edição:

- h. garnier, anônima, 1914
- livraria garnier, anônima, 1922
- civilização brasileira, anônima, 1931
- civilização brasileira (companhia editora nacional), anônima, 1937
- irmãos pongetti, anônima, revista por marques rebelo, 1943
- brand, licenciamento da pongetti, trad. anônima, revista por marques rebelo, 1945
- globo, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1946
- clube do livro, anônima, 1947
- josé olympio, trad. rachel de queiroz, 1948
- novo mundo, anônima, c. 1954
- tecnoprint, série ouro, trad. [atribuída a] marques rebelo, c. 1965
- bruguera, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, c.1970
- círculo do livro, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1973
- melhoramentos, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1973
- ed. três, anônima, 1974
- artenova, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1976
- edibolso, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1977
- l&pm, trad. paulo neves, 1984
- ediouro, trad. [atribuída a] marques rebelo, 1985
- abril cultural, trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 1986
- clube do livro, trad. [atribuída a] josé maria machado, 1988
- nova cultural, trad. [atribuída a] enrico corvisieri, 1995; ver aqui
- martin claret, trad. [atribuída a] pietro nassetti, 1998; ver aqui
- estação liberdade, trad. marina appenzeller, 2000
- nova cultural, trad. [atribuída a] gisele donat soares, 2003; ver aqui
- saraiva de bolso, trad. [atribuída a] marques rebelo, 2013
- martin claret, trad. herculano villas-boas, 2013
- biblioteca azul (globo), trad. casimiro fernandes e wilson lousada, 2013
- companhia/penguin, trad. rosa freire d'aguiar, 2015

n.b.: as duas edições da garnier e as duas edições do clube do livro trazem o título de mulher de trinta anos, sem o artigo. as demais trazem o título de a mulher de trinta anos.

assim, temos ao todo seis traduções brasileiras de a mulher de trinta anos, sendo três no Novecentos e três a partir de 2000. quanto às anônimas, revistas por marques rebelo, atribuídas diretamente a ele e atribuídas a josé maria machado, enrico corvisieri, pietro nassetti e gisele donat soares, foram objeto de outras postagens, reunidas no marcador "la femme de trente ans".


18 de out de 2015

mulher de trinta anos, uma hipótese promissora

um dos casos mais interessantes e engraçados em nossa história tradutória é, provavelmente, o percurso centenário d'a mulher de trinta anos, de balzac.

aqui exponho o que por ora é apenas uma hipótese de trabalho, qual seja, a tradução de luiz cardoso, publicada em 1906 pela guimarães de lisboa, teria sido usada no brasil pelas seguintes casas editoriais:
1. h. garnier em sua edição de 1914; reedição em 1922 pela livraria garnier, anônima2. civilização brasileira em 1931; reedição em 1937 em sua collecção S.I.P., idem3. irmãos pongetti em 1943, como "tradução revista por marques rebelo"4. brand com licenciamento da pongetti em 1945, idem5. clube do livro em 1947, anônima6. novo mundo em c.1954, idem7. edições de ouro desde os anos 1960, chegando à atual ediouro, agora atribuindo-a diretamente a marques rebelo8. clube do livro em 1988, agora atribuindo-a a josé maria machado9. nova cultural na coleção imortais da literatura em 1995, atribuindo-a a "enrico corvisieri"*10. nova cultural na coleção obras-primas em 2003, atribuindo-a a "gisele donat soares"*11. saraiva de  bolso em 2013, atribuindo-a diretamente a marques rebelo* nomes fictícios






para as relações de proximidade entre garnier, clube do livro e nova cultural (em suas duas edições com atribuições distintas), já disponho de alguns elementos interessantes. encomendei hoje um exemplar da guimarães, um da civilização e um da pongetti.

tenho já uma sub-hipótese à primeira vista quase escalafobética, mas com alguma plausibilidade, sobre o tipo das possíveis relações entre a edição da guimarães e a da garnier e até sobre a identidade do responsável por tais relações. mas vou preferir reunir dados mais concretos antes de aprofundá-la.


apenas para encerrar, vale lembrar que a martin claret, numa de suas costumeiras imposturas, preferiu garfar a tradução d'a mulher de trinta anos feita por casimiro fernandes e wilson lousada (bem como as notas e trechos do prefácio de paulo rónai), atribuindo-a ao indefectível pietro nassetti - vide aqui.

17 de out de 2015

xavier de maistre / marques rebelo, II

recentemente, chamou-me a atenção o comentário de um leitor sobre o livro de xavier de maistre, voyage autour de mon chambre, traduzido como viagem à roda do meu quarto, com tradução atribuída a marques rebelo, que lhe pareceu similar à tradução lusitana de josé fernandes costa. expus o caso aqui,

na ocasião, comentei que, apesar de várias contrafações cometidas por rebelo na coleção "as 100 obras-primas da literatura universal", que ele coordenava e dirigia para a editora irmãos pongetti nos anos 1940, "eu não tinha notícia de nenhuma tradução assinada diretamente por marques rebelo que, na verdade, consistisse em tradução alheia". 

fiquei de apurar melhor o caso. 

sim, o leitor tem razão: a tradução de viagem à roda do meu quarto, seguido de expedição notura à roda do meu quarto, de xavier de maistre, publicada pela pongetti em 1944 é, de fato, da lavra de fernandes costa, publicada em portugal em 1888 pela editora david corazzi, com apenas parcas e mínimas alterações.




todavia, a autoria da tradução não vem atribuída a marques rebelo. a edição não menciona o nome do tradutor, e informa somente que é uma "tradução revista por marques rebelo". poderíamos dizer que se trata provavelmente de uma contrafação, mas não de uma impostura.





ora, ocorre que em 1965 a tecnoprint, em sua coleção "clássicos de bolso" das edições de ouro, reeditou essa obra atribuindo a tradução diretamente a marques rebelo. muitas vezes a tecnoprint (e futura ediouro), ao reeditar obras dos catálogos de editoras extintas como a pongetti, preservava as informações da editora anterior, mas há também alguns casos em que essas suas reedições acabam substituindo a menção "tradução revista por fulano" por "tradução de fulano". esse volume das edições de ouro parece não ter conhecido grande sucesso, pois, até onde sei, não voltou a ser reeditado.

em 1989, certamente baseando-se na edição da tecnoprint, a estação liberdade voltou a republicar a tradução lusitana revista por marques rebelo diretamente atribuída a este último. a edição da estação liberdade pelo visto teve mais êxito do que a da tecnoprint, com nova edição em 2008.





resumindo: 
1. pelo que pude apurar depois de vários cotejos entre a edição da corazzi de 1888, a da pongetti de 1944, a do clube do livro de 1945 e a da estação liberdade de 1989, trata-se da mesma tradução lusitana oitocentista de fernandes costa, com, repito, paucíssimas alterações aqui e ali em suas edições brasileiras. 
2. a atribuição incorreta se iniciou em 1965, na tecnoprint, por alguma razão que desconheço, mais provavelmente por algum lapso de atenção do que por qualquer intuito criminoso. esse erro transitou para a estação liberdade, que, decerto tomando a atribuição na edição da tecnoprint por lícita e válida, reproduziu-a em suas edições posteriores.




a propósito ainda do destino da tradução de fernandes costa in terra brasilis: em 1946, dois anos depois do lançamento da pongetti, o clube do livro também lançou o mesmo texto. não traz qualquer menção ou crédito de tradução e segue fielmente a tradução portuguesa, apenas atualizando a ortografia.






agradeço a saulo von randow jr. pelo importante material de cotejo que gentilmente me enviou.

30 de set de 2015

entrevista com maurício santana dias

em homenagem ao dia dos tradutores, o peixe-elétrico publicou em seu site a entrevista com maurício santana dias, sobre suas traduções dos poemas de pasolini e pavese. disponível aqui.

Maurício Santana Dias fala de Pasolini e Pavese


24 de set de 2015

mais primavera!

o lindo de ir atrás das coisas nessa arqueologia da tradução no brasil (como alguém definiu certa vez esse nosso trabalho) é que, depois de começar, avançar e achar que mais ou menos cobriu tudo, sempre aparecem mais coisas. e é sempre um encanto, um deslumbramento. mais uma tradução da primavera das neves, aka vera neves pedroso, aka vera pedroso, esta escavada pelo chefe-arqueólogo-mor, jorge furtado:

JB, 22/10/1973, aqui


capinha:



para um perfil de primavera das neves, veja meu artigo aqui



20 de set de 2015

xavier de maistre / marques rebelo

um leitor deste blog fez um comentário interessante, que muito me surpreendeu, aqui.

e por que me surpreendeu? porque, de modo geral, todas as apropriações de traduções alheias feitas pela editora pongetti, apresentando-as sem o nome do tradutor, vinham com a menção de "revista por marques rebelo". para ver os vários casos relacionados que apontei neste blog, consulte os marcadores "marques rebelo" e "pongetti".

todavia, eu não tinha notícia de nenhuma tradução assinada diretamente por marques rebelo que, na verdade, consistisse em tradução alheia.

apresentar uma tradução anônima como "revista por marques rebelo" e apresentar uma tradução como sendo da lavra "de marques rebelo" são coisas muito diferentes: embora ambas ilícitas, a primeira prática recai sob a rubrica de contrafação, reprodução da obra traduzida sem autorização do tradutor e/ou da editora que detém os direitos sobre ela, bem como de lesão aos direitos morais de paternidade e integridade da obra; a segunda recai sob a rubrica de plágio mesmo, furto intelectual, bem mais grave do que a contrafação, pois a legítima autoria da tradução não se mantém meramente anônima, mas é apropriada por outrem.

todos os casos de irregularidades de tradução que constatei na pongetti fazem parte da coleção criada, organizada e dirigida pelo próprio marques rebelo, chamada "As 100 Obras-Primas da Literatura Universal" - várias, como apontei em outras postagens, constam como "revistas por marques rebelo"; outras foram traduzidas por diversas pessoas, por encomenda da pongetti e indicação do coordenador da coleção, e algumas delas constam como traduzidas por ele próprio.

esse caso da viagem à roda do meu quarto merece análise detalhada, pois, como disse, em se comprovando eventual apropriação da tradução de josé fernandes costa por marques rebelo, os problemas referentes a seus procedimentos como organizador, coordenador e tradutor adquiririam outra envergadura, e toda a sua obra tradutória, antes, durante e depois de seu período na pongetti, demandaria uma ampla pesquisa e a realização de numerosos cotejos, para apurar sua fidedignidade.

 josé fernandes costa, ed. david corazzi, 1888

marques rebelo, pongetti, 1944

reedição pela estação liberdade, 1989, 
sem dúvida alguma lesada em sua boa fé

vale ainda notar que o clube do livro publicou em 1946 uma tradução anônima, que apresenta todos os vezos lusitanos em sua linguagem, com pdf disponível aqui. fiz uma comparação entre vários trechos da tradução em nome de marques rebelo e da tradução anônima publicada pelo clube do livro, e posso asseverar que se trata da mesma tradução. não pude ainda empreender um cotejo direto pela dificuldade em encontrar, de momento, um exemplar da tradução de fernandes costa.


[atualização em 17/10/2015: aqui se encontram os resultados da análise feita.]

abaixo segue uma listagem (incompleta) em verbete da wikipédia sobre marques rebelo, sem especificar o que é o quê:*

Tradução / revisão
Ana Karênina, Leon Tolstói (1948)
As aventuras de um cão de circo, Jack London
A divina comédia, Dante Alighieri
A flecha de ouro, Joseph Conrad
A filha do capitão, A. S. Pushkin
A lenda de uma quinta senhorial, Selma Lagerlöf (1943)
A metamorfose, Franz Kafka
A morte de Ivan Ilitch; Senhores e Servos, Leon Tolstói
A mulher de trinta anos, Honoré de Balzac
A volta de Vivanti, Sydnei Horler (1942)
Cinco semanas num balão, Júlio Verne
Contos, Bret Harte
Crime e Castigo, F. P. Dostoiévski (1946)
Do amor, Stendhal (1936)
Eugênia Grandet, Honoré de Balzac (1944)
Hiba, Leon Tolstói
História cômica, Anatole France (1941)
Histórias, Bret Harte
Ida Elisabeth, Sigrid Undset (1944)
Ivanhoé, Walter Scott (1943)
Lazarillo de Tormes, anônimo do século XVI
Mediterrâneo: nascer do sol, Panait Strait (1944)
Nicolau II, o prisioneiro da púrpura, Mohammed Essad-Bey (1937)
Novas aventuras dos caçadores de tesouros, Edith Nesbit Bland
Os caçadores de tesouros, Edith Nesbit Bland
O estranho caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde; Markheim, Robert Louis Stevenson
O grande ditador, H. G. Wells (1943)
Os inocentes, Henry James
O mágico de Oz, Frank Baum
O mundo em transe, Leopold Schwarzchild [1943?]
O processo, Franz Kafka
Os inocentes, Henry James
O lírio vermelho, Anatole France [1955?]
O passageiro clandestino, Edgar A. Poe
O triste noivado de Adam Bede, George Eliot (1946)
Os últimos dias da Pompéia, Bulwer-Lytton
Passageiro clandestino, ou Arthur Gordom Pym, Edgar Alan Poe
Regina, Lamartine (1944)
Rômolo", George Eliot (1946)
Salambô, Gustave Flaubert (1942)
Tiquinho, Alphonse Daudet
Um aconchego de solteirão, Honoré de Balzac
Uma vida, Guy de Maupassant
Viagem à roda do meu quarto, seguido de Expedição noturna à roda de meu quarto, Xavier de Maistre
Vidas ilustres, Hendrik Willem Van Loon
Werther, Goethe [1948?]

* essa listagem foi removida do verbete em 2013, com a seguinte justificativa: (Removida a seção "Tradução / revisão" [...] pela impossibilidade de comprovar a autoria do escritor relativamente a "traduções".) 

para o original de xavier de maistre, voyage autour de ma chambre, ver aqui.


19 de set de 2015

para não esquecer

tendo constatado dois dias atrás o que me parecem ser claros indícios apontando mais uma fraude de tradução (veja aqui), republico um artigo de anos atrás, com a devida atualização.

ainda que a coleção "obras-primas" da nova cultural tenha sido "descontinuada" a partir de nossas denúncias, livro não é produto perecível. devido às altas tiragens das edições (na faixa de 80 a 120 mil exemplares cada), bem como várias reedições dessas obras, são milhões de exemplares espúrios que continuam presentes em bibliotecas públicas e particulares, bem como à venda em inúmeros sebos. que a republicação desse antigo post possa ainda servir de alerta.


24 de set de 2009


imortais e obras-primas

parei um pouco de postar sobre as coleções de clássicos da literatura da editora nova cultural - não porque suas fraudes desapareceram, e sim porque dei por encerrada a pesquisa de seus títulos. conferi todos os títulos, e os casos de plágio comprovado foram apresentados um a um aqui no nãogosto. outras notícias referentes a essas fraudes na nova cultural foram igualmente divulgadas: ações judiciais de editoras lesadas, acordos extrajudiciais com tradutores lesados, matérias na imprensa, errata pública, republicação da obra legítima lesada etc. a quem interessar, o material está no arquivo classificado com o marcador "nova cultural".

por outro lado, graças ao alerta de um leitor, percebi que ficou um ponto meio confuso que quero esclarecer melhor: a nova cultural tem duas coleções literárias com problemas de contrafação - a saber, "imortais da literatura universal" e "obras-primas".

a coleção "imortais da literatura universal" é composta por 20 volumes, e foi publicada em 1995 e 1996 pela nova cultural/ círculo do livro. a coleção "obras-primas" é composta por 50 volumes, e foi publicada em 2002 e 2003 pela nova cultural/ suzano. ambas as coleções eram de alta tiragem, alguns títulos com várias reedições.

segue abaixo a relação das obras integrantes de cada coleção. quando a tradução é legítima, consta apenas o nome do tradutor sem destaque. quando a tradução é espúria, constam o nome do pretenso tradutor em destaque vermelho e o nome do tradutor legítimo em destaque verde. para ver o respectivo cotejo publicado aqui no blog, basta clicar na listinha dos cotejos disponíveis.


IMORTAIS DA LITERATURA UNIVERSAL
1. Dostoievski, Irmãos Karamázovi - Enrico Corvisieri (Natália Nunes, adapt. para o português do brasil por Oscar Mendes)
2. Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes - Rachel de Queiroz
3. Honoré de Balzac, A mulher de 30 anosEnrico Corvisieri (José Maria Machado)
4. Tolstói, Ana Karênina - Mirtes Ugeda (João Gaspar Simões)
5. Choderlos de Laclos, Relações perigosas - Sérgio Milliet
6. Tchecov, As três irmãs - Maria Jacintha
7. Machado de Assis, Brás Cubas/ Dom Casmurro
8. Stendhal, O vermelho e o negroMaria Cristina F. da Silva (Luiz Costa Lima)
9. Ernest Hemingway, O sol também se levanta - Berenice Xavier
10. Émile Zola, Germinal Eduardo Nunes Fonseca (J. Martins); fraude oriunda da Hemus
11. Scott Fitzgerald, Suave é a noiteEnrico Corvisieri (Lygia Junqueira)
12. Charles Dickens, Conto de duas cidades - Sandra Luzia Couto
13. Sartre, A idade da razão - Sérgio Milliet
14. D. H. Lawrence, Mulheres apaixonadas - Cabral do Nascimento
15. Alexandre Dumas, Os três mosqueteirosMirtes Ugeda (Octavio Mendes Cajado)
16. Oscar Wilde, O retrato de Dorian GrayMaria Cristina F. da Silva (Oscar Mendes)
17. Boccaccio, DecamerãoTorrieri Guimarães (Raul de Polillo); fraude oriunda da Hemus
18. Eça de Queiroz, O primo Basílio
19. Jonathan Swift, Viagens de Gulliver - Therezinha Monteiro Deutsch
20. Daniel Defoe, Moll Flanders - Antônio Alves Cury

OBRAS-PRIMAS
1. Miguel de Cervantes, Dom Quixote - Viscondes de Castilho e Azevedo
2. Victor Hugo, Os trabalhadores do mar - Machado de Assis
3. Dante Alighieri, A divina comédia - Fábio M. Alberti (Hernâni Donato)*
4. Dostoievski, Crime e castigo - não consta tradutor (Natália Nunes)
5. Edmond Rostand, Cyrano de Bergerac - Fábio M. Alberti (Carlos Porto Carreiro)
6. Stendhal, O vermelho e o negro - Maria Cristina F. da Silva (Luiz Costa Lima)*
7. Flaubert, Madame Bovary - Enrico Corvisieri (Araújo Nabuco)
8. Jane Austen, Razão e sensibilidade - Therezinha Deutsch 
9. Leon Tolstoi, Ana Karênina - Mirtes Ugeda Coscodai (João Gaspar Simões)
10. Homero, Odisséia - Antônio Pinto de Carvalho
11. Tommaso di Lampedusa, O leopardo - Leonardo Codignoto (Rui Cabeçadas)
12. Charles Dickens, Um conto de duas cidades - Sandra Luzia Couto 
13. Bram Stoker, Drácula - Vera M. Renoldi 
14. Euclides da Cunha, Os sertões
15. Franz Kafka, A metamorfose - Calvin Carruthers (não dou um figo seco por essa edição, mas não localizei a fonte)
16. Mark Twain, As aventuras de Tom Sawyer - Luísa Derouet
17. Choderlos de Laclos, Relações perigosas - Sérgio Milliet
18. Sinclair Lewis, Babbitt - Leonel Vallandro
19. Camões, Os Lusíadas
20. Goethe, Fausto e Werther - Alberto Maximiliano (Silvio Meira e Galeão Coutinho, respectivamente)
21. Voltaire, Contos - Roberto Domenico Proença (Mário Quintana)
22. Tchecov, As três irmãs - Maria Jacintha
23. Herman Melville, Moby Dick - Péricles Eugênio da Silva Ramos
24. Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes - Silvana Laplace (Oscar Mendes)
25. Machado de Assis, Memorial de Aires e Esaú e Jacó
26. Daniel Defoe, Moll Flanders - Antônio Alves Cury
27. Eça de Queiroz, A cidade e as serras
28. Gogol, Almas mortas - Tatiana Belinky
29. Boccaccio, Decamerão - Torrieri Guimarães (Raul de Polillo); fraude oriunda da Hemus
30. Pirandello, O falecido Mattia Pascal e Seis personagens à procura de autor - Fernando Corrêa Fonseca (Mário da Silva e Brutus Pedreira respectivamente)
31. Louisa May Alcott, Mulherzinhas - Vera Maria Marques Martins**
32. Virgílio, Eneida - Tassilo Orpheu Spalding
33. Alexandre Dumas Filho, A dama das camélias - Therezinha Deutsch 
34. Henry Fielding, Tom Jones - Jorge Pádua Conceição (Octavio Mendes Cajado)
35. Émile Zola, Naná - Roberto Valeriano (Eugênio Vieira)
36. Shakespeare, Tragédias - Beatriz Viéga-Farias
37. Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray - Enrico Corvisieri (Oscar Mendes)
38. Honoré de Balzac, A mulher de trinta anos - Gisele Donat Soares (José Maria Machado)
39. Edgar Allan Poe, Histórias extraordinárias - Brenno Silveira e outros
40. Jules Verne, A volta ao mundo em oitenta dias - Therezinha Monteiro Deutsch
41. Jonathan Swift, 
As viagens de Gulliver - Therezinha Deutsch 
42. Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros - Mirtes Ugeda Coscodai (Octavio Mendes Cajado)
43. Ibsen, A casa de bonecas - Cecil Thiré
44. Joseph Conrad, Lord Jim - Carmen Lia Lomonaco (Mário Quintana)
45. Henry James, Lady Barberina e A outra volta do parafuso - Leônidas Gontijo e Brenno Silveira respectivamente
46. Raul Pompéia, O ateneu
47. Guy de Maupassant, Uma vida - Roberto Domenico Proença (Ascendino Leite)
48. Scott Fitzgerald, Suave é a noite - Enrico Corvisieri (Lígia Junqueira)
49. D. H. Lawrence, Mulheres apaixonadas - Cabral do Nascimento
50. Walter Scott, Ivanhoé - Roberto Nunes Whitaker (Brenno Silveira)

* nos casos da divina comédia e de o vermelho e o negro, os tradutores lesados foram ressarcidos, mas não houve nenhum recall ou substituição dos exemplares espúrios adquiridos pelos leitores e instituições públicas e privadas. em todo caso, a nova cultural retirou de catálogo os 20 títulos das "Obras-Primas" com plágio comprovado.

** atualização em 19/09/2015: constatei que páginas e mais páginas desta tradução de mulherzinhas  em nome de vera maria marques martins se afiguram como mera cópia, com ínfimas alterações de um ou outro termo, da tradução de marcos bagno (melhoramentos, 1998). vide aqui.


17 de set de 2015

mulherzinhas

quando a gente pensa que já deu, sempre aparece mais uma ou outra coisa.

louisa may alcott, mulherzinhas.

1. tradução de marcos bagno em bela edição ilustrada e comentada da melhoramentos, em sua coleção "obras-primas universais", de 1998.



2. tradução em nome de vera maria marques martins, pela editora nova cultural, em sua coleção "obras-primas", de 2003.


o curioso é que as duas traduções, nas primeiras páginas iniciais da obra, são totalmente distintas e independentes entre si. mas, de repente, ficam praticamente iguais, uma mera cópia da outra, até o final do primeiro capítulo; vejam-se alguns exemplos:

I.
1. marcos bagno (1998)
Amy obedeceu, mas esticou as mãos para a frente e pôs a caminhar como se fosse um boneco de corda. E seu "Oh!" dava mais a ideia de estar sendo vítima de um alfinete do que do medo e da angústia. Jo soltou um gemido de desespero, e Meg caiu na risada, enquanto Beth deixava seu pão queimar para observar a cena com interesse.
2. vera maria marques martins (2003)
Amy obedeceu, porém estendeu as mãos para a frente e pôs a andar feito um um boneco de corda. E o seu "Oh!" dava mais a ideia de estar sendo vítima de um alfinete do que do medo e da angústia. Jo soltou um gemido de desespero, e Meg caiu na risada, enquanto Beth deixava seu pão queimar para observar a cena com interesse.
3. original:
Amy followed, but she poked her hands out stiffly before her, and jerked herself along as if she went by machinery, and her "Ow!" was more suggestive of pins being run into her than of fear and anguish. Jo gave a despairing groan, and Meg laughed outright, while Beth let her bread burn as she watched the fun with interest.

II.
1. marcos bagno (1998)
- Nem tanto - replicou Jo, modesta. - Não acho que A Praga da Feiticeira, tragédia operística, seja coisa tão boa. Teria preferido encenar Macbeth, se tivéssemos um alçapão para Banquo. Sempre quis fazer a cena do assassinato. "É um punhal que vejo à minha frente?" - murmurou Jo, revirando os olhos e agarrndo o ar, como tinha visto fazer um ator famoso.
- Não é um punhal, é o espeto da lareira com o sapato de mamãe em vez do pão. Beth ficou enfeitiçada! - gritou Meg, e o ensaio terminou numa gargalhada geral.
2. vera maria marques martins (2003)
- Nem tanto - replicou Jô, modesta. - Não acho que A Praga da Feiticeira, tragédia operística, seja tão boa. Eu teria preferido encenar Macbeth, se tivéssemos um alçapão para Banquo. Sempre quis fazer a cena do assassinato. "É um punhal que eu vejo à minha frente?" - murmurou Jô, revirando os olhos e agarrando o ar, como vira fazer um famoso ator.
- Não é um punhal, é o atiçador da lareira com o sapato da mamãe em vez do pão. Beth ficou enfeitiçada! - gritou Meg, e o ensaio terminou numa gargalhada geral.
3. original
"Not quite," replied Jo modestly. "I do think The Witches Curse, an Operatic Tragedy is rather a nice thing, but I'd like to try Macbeth, if we only had a trapdoor for Banquo. I always wanted to do the killing part. 'Is that a dagger that I see before me?" muttered Jo, rolling her eyes and clutching at the air, as she had seen a famous tragedian do."No, it's the toasting fork, with Mother's shoe on it instead of the bread. Beth's stage-struck!" cried Meg, and the rehearsal ended in a general burst of laughter.

III.
1. marcos bagno (1998)
Enquanto fazia seu interrogatório materno, a sra. March tirou suas roupas úmidas, calçou as pantufas quentes e sentou-se na cadeira de balanço. Pôs Amy no colo, preparando-se para desfrutar da hora mais feliz de seu dia ocupado. As meninas se movimentavam, tentando organizar as coisas, cada uma a seu modo. Meg pôs a mesa para o chá. Jô trouxe lenha e dispôs as cadeiras, derrubando e deixando cair tudo o que tocava. Beth ia e vinha, da cozinha para a sala, quieta e atarefada, enquanto Amy dava ordens a todas, sentada de braços cruzados.
2. vera maria marques martins (2003)
Enquanto fazia seu interrogatório materno, a sra. March tirou suas roupas úmidas, calçou os chinelos quentes e se sentou na cadeira de balanço. Pôs Amy no colo, preparando-se para desfrutar da hora mais feliz de seu dia ocupado. As meninas se movimentavam, tentando organizar as coisas, cada uma do seu jeito. Meg pôs a mesa para o chá. Jô trouxe lenha e dispôs as cadeiras, derrubando e deixando cair tudo o que tocava. Beth ia e vinha, da cozinha para a sala, quieta e atarefada, enquanto Amy dava ordens a todas, sentada de braços cruzados.
3. original
While making these maternal inquiries Mrs. March got her wet things off, her warm slippers on, and sitting down in the easy chair, drew Amy to her lap, preparing to enjoy the happiest hour of her busy day. The girls flew about, trying to make things comfortable, each in her own way. Meg arranged the tea table, Jo brought wood and set chairs, dropping, over-turning, and clattering everything she touched. Beth trotted to and fro between parlor kitchen, quiet and busy, while Amy gave directions to everyone, as she sat with her hands folded.

por esses exemplos, pode-se constatar que, além das soluções idênticas, foram reproduzidos até mesmo pequenos lapsos de entendimento, omissões de palavras e mudanças de pontuação em relação ao original, e assim vai até o final do capítulo.

em vista do patente recurso a tradução alheia, valeria a pena cotejar os outros capítulos em que não se reproduz o texto de bagno com, talvez, a tradução de nair lacerda, publicada em 1953 pela saraiva e reeditada em 1973 pelo círculo do livro.