1 de out. de 2020

dia internacional da tradução

 palestra traduzir é frutificar, na semana de estudos de tradução, no net/ufrgs: https://www.youtube.com/watch?v=d2NtcNV_cn4



17 de set. de 2020

mistérios goethianos

reproduzindo do facebook, https://www.facebook.com/dbottmann/posts/10220214927456867 

a antiguidade de hoje é um mistério: o werther, de goethe.
em 1842, a tipografia universal (dos irmãos laemmert), no rio de janeiro, publica "as amorosas paixões do jovem werther", em 2 volumes in-oitavo. não constam os créditos de tradução.
ora, em 1821, o escritor e futuro célebre tradutor português antónio feliciano de castilho, então com 21 anos, encetara em portugal uma tradução do werther, que não foi concluída nem, evidentemente, publicada.
por outro lado, consta que eduardo [edward] laemmert - que era alemão e viera para o brasil já adulto - em algum momento teria fornecido uma tradução literal do fausto a antónio feliciano, que então a teria usado como base para sua tradução poética. teria eduardo traduzido também o werther?
nessa hipótese, seria de lavra dele a tradução anônima publicada pela tipografia dos laemmert, estreando a presença de goethe no brasil.
o
Laurence Hallewell
discorre um pouco sobre isso, usando da devida cautela, no seu fabuloso "o livro no brasil". o mistério, de todo modo, permanece.

interessante notar que essa edição de 1842 passou praticamente despercebida na imprensa da época. na nossa hemeroteca digital, a única menção ao lançamento de "as amorosas paixões do jovem werther" se dá no diário de pernambuco em 26/8/1845, na seção de avisos diversos, em que a livraria da esquina do collegio anuncia a chegada de livros novos chegados do rio de janeiro - http://memoria.bn.br/DocReader/029033_02/6737

31 de ago. de 2020

octavio ianni tradutor

 um achado interessante: octavio ianni, por volta de seus 22 anos, como tradutor de uma aventura no méxico

de thomas mayne reid, volume 78 da coleção terramarear da cia. editora nacional.


jack london

alguma hora finalizo o levantamento das obras de jack london traduzidas no brasil.

registro aqui três menções de englekirk que não constavam nas postagens anteriores dedicada a JL:

Cruise of the "Dazzler" (Century, 1902): A expedição do pirata. Nacional, s. d. (1931 ?)

Little lady of the big house (Macmillan, 1916): A mulher da casa grande. Nacional, s. d. (1931 ?)

Scarlet plague (Macmillan, 1915): A peste vermelha. Nacional, s. d. (1932 ?)


22 de ago. de 2020

rachel de queiroz tradutora


reproduzo abaixo a relação de traduções feitas por rachel de queiroz, conforme constam no ditra (disponível aqui):

Agnon, Shmuel Yoseph. Noivado e outros contos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Ópera Mundi, 1973. (The Bridal Canopy). Contos. [1966 - db]

Auclair, Marcelle. Viva jovem! [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Agir, 1973. (Vers une vieillesse heureuse). Romance. [1970 - db]

Austen, Jane. Mansfield Park. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942. (Mansfield Park). Romance.

Balzac, Honoré de. A mulher de trinta anos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (La femme de trente ans). Romance.

Bard, Mary. O doutor meu marido: Confissão da esposa de um médico. [Por: Maria Luiza de Queiroz & Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952. (The doctor wears three faces). Romance.

Baum, Vicki. Helena Wilfuer. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944. (Stud. chem. Helene Willfüer). Romance. Tradução indireta do alemão. Língua intermediária: inglês.

Bellamann, Henry. A intrusa. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1945. Romance.

Bottone, Phyllis. Tempestade d'alma. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (The Mortal Storm). Romance.

Brontë, Emily. O morro dos ventos uivantes. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (Wuthering Heights). Romance.

Bruyère, André. Os Robinsons da montanha. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (Les Robinsons de la montagne). Literatura infantojuvenil.

Buck, Pearl. A exilada: retrato de uma mãe americana. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (The exile). Biografia.

Buck, Pearl. A promessa. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1946. (The Promise). Romance.

Butler, Samuel. Destino da carne. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942. (The Way of All Flesh). Romance.

Chaplin, Charles. Minha vida. [Por: Rachel de Queiroz, R. Magalhães Júnior & Genolino Amado]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1965. (My Autobiography). Biografia.

Christie, Agatha. A mulher diabólica. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971. (At BertramIs Hotel). Romance Policial.

Cronin, A. J. A família Brodie. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940. (Hatter's Castle). Romance. Tradução rebatizada O Castelo do homem sem alma: (A família Brodie) em reedições posteriores.

Cronin, A. J. Anos de ternura. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (The Green Years). Romance.

Cronin, A. J. Os gerânios tornam a florir. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (Adventures of a Black Bag). Romance. Tradução rebatizada Aventuras da maleta negra (Os gerânios tornam a florir) em reedições posteriores.

Cronin, A. J. Os deuses riem. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952. (Jupiter Laughs). Teatro.

Donal, Mario (Marie Chambom). O quarto misterioso e Congresso de bonecas. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947.

Dostoiévski, Fiódor. Humilhados e ofendidos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944. (Unizhennye i oskorblyonye). Romance. Tradução indireta do russo. Língua intermediária: francês.

Dostoiévski, Fiódor. Os demônios. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1951. (Bésy). Romance. Tradução indireta do russo. Língua intermediária: francês.

Dostoiévski, Fiódor. Os irmãos Karamazov. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952. (Bratya Karamazovy). Romance. 3 volumes. Tradução indireta do russo. Língua intermediária: francês.

Dostoiévski, Fiódor. Recordações da casa dos mortos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1945. (Zapiski iz Myortvovo doma). Romance. Tradução indireta do russo. Língua intermediária: francês.

Du Maurier, Daphne. O roteiro das gaivotas. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (Frenchman’s Creek). Romance.

Dumas, Alexandre. Memória de Alexandre Dumas, pai. [Por: Rachel de Queiroz] Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (Mémoires de Alexandre Dumas, Pére). Memórias.

Fremantle, Anne. Idade da fé. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1970. (Great Ages of Faith). Romance. Biblioteca de História Universal Life

Galsworthy, John. A crônica dos Forsyte. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1946. (The Forsyte Saga). Romance. 3 volumes. Coleção Fogos Cruzados

Gaskell, Elizabeth. Cranford. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1946. (Cranford). Romance.

Gauthier, Théophile. O romance da múmia. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Ed. de Ouro, 1972. (Le pied de momie). Romance. [adaptação]

Heidnstam, Verner Von. Os carolinos: crônica de Carlos XII. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Delta, 1966. (Karolinerna – The Charles Men). Crônicas. Tradução indireta do sueco. Língua intermediária: inglês.

Hilton, James. Fúria no Céu. [Por: Rachel de Queiroz; Cícero Franklin de Lima]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (Rage in Heaven). Romance.

Jesus, Santa Teresa de. Vida de Santa Teresa de Jesus: escrita por ela própria. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio,1946. (La vida de la Santa Madre Teresa de Jesus). Memórias.

La Contrie, M. D'Agon de. Aventuras de Carlota. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (Pauvre Charlotte). Romance.

Loisel, Yves. A casa dos cravos brancos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (La maison d’ceillets blancs). Romance.

London, Jack. O lobo do mar. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1972. (The Sea-Wolf). Literatura infantojuvenil.

Mauriac, François. O deserto do amor. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Delta, 1966. (Le désert de l’amour). Romance.

Maurois, André. Eduardo VII e o seu tempo. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Guanabara, 1935. (Édouard VII et son temps). Biografia.

Merrel, Concordia. Coração Indeciso. [Por: Rachel de Queiroz; Cícero Franklin de Lima]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (Hearth’s Journey). Romance.

Prouty, Olive. Stella Dallas. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1945. (Stella Dallas). Romance. (Stella Dallas). Romance.

Remarque, Erich Maria. Náufragos ("E assim acaba a noite"). [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942. (Liebe deinen Nächsten). Tradução indireta do inglês (Flotsam). Língua de origem: alemão.

Rosaire, Forrest. Os dois amores de Grey Manning. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (East of midnight). Romance.

Rosmer, Jean (Jeanne Louise Marie Ichard). A afilhada do imperador. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1950. Romance.

Sailly, Suzanne. A deusa da tribo. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1950. (La Petite Mère Michel). Romance.

Stone, Irving. Mulher imortal. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (Immortal Wife). Romance.

Tolstoi, Leon. Memórias (infância, adolescência, juventude). [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944. Biografia. Tradução indireta. Língua de origem: russo.

Verdat, Germaine. A conquista da torre misteriosa. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (A la conquête du mystérieux Donjon). Literatura infantojuvenil.

Verne, Júlio. Miguel Strogoff. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1972. (Michel Strogoff). Romance.

Wharton, Edith. Eu soube amar: (a solteirona). [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940. (The Old Maidthe fifties). Romance.

Willems, Raphaelle. A predileta. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1950. (La Préférée). Romance. 


Incluam-se: 

"Markheim", de Robert Louis Stevenson, publicado na coletânea Os ingleses: antigos e modernos, pela editora Leitura, em 1944 (org. Rubem Braga)

“O coração de Olenka”. In: Os russos: antigos e modernos. Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944


21 de ago. de 2020

cecília meirelles tradutora

 


as mil e uma noites, 3 vols., pela annuario do brasil, s/d [c.1928], a partir da tradução francesa de mardrus.

os mitos hitleristas, de françois perroux, pela companhia editora nacional, 1937.

um hino de natal, de charles dickens, seleções do reader's digest, 1940, 1947 [trad. e adapt.].

a vida e a morte do porta-estandarte cristóvão rilke, 1947, r.a. [revista acadêmica], a partir da tradução francesa de suzanne kra, 350 exemplares. reed globo, 1953, contendo também cartas a um jovem poeta, em tradução de paulo rónai.

orlando, de virginia woolf, pela globo, 1948.

os caminhos de deus, de kathryn hulme, seleções do reader's digest, 1958 [trad. e adapt.].

bodas de sangue, de federico garcia lorca, pela agir, 1960.

amado e glorioso médico, de taylor caldwell, seleções do reader's digest, 1960 [trad. e adapt.].

sete poemas de puravi, mdinha bela vizinha, conto, mashi e o carteiro do rei, de rabindranath tagore, MEC, 1961 (edição comemorativa do centenário de nascimento de tagore).

poesia de israel, civilização brasileira, 1962 (ilustrações de portinari).

çaturanga, de rabindranath tagore, pela delta, coleção prêmios nobel de literatura, 1962.

yerma, de federico garcia lorca, pela agir, 1963.

poesia e prosa de israel, pelo departamento cultural da embaixada de israel, 1968 (edição póstuma).

seção "poesia de israel" e o conto "latira" na seção "prosa de israel", in antologia da literatura hebraica moderna, pela biblos, 1969 (edição póstuma).

poemas chineses, de li po e tu fu, nova fronteira, 1996 (edição póstuma).


19 de ago. de 2020

de sophia, a person of quality, a nísia floresta

um caso muito  bizarro é a publicação da obra "direitos das mulheres e injustiça dos homens", de mary wollstonecraft, com seu sobrenome de casada ("mrs. godwin"), em tradução de nísia floresta, 1832.

essa é uma novela! mas, resumindo bem resumido, a nísia achou que estava traduzindo a wollstonecraft - só que não.
nísia traduziu a obra a partir da tradução francesa "Les droits des femmes et l'injustice des hommes", que fora lançada em 1826. mas o danado do tradutor francês - césar gardeton - simplesmente tinha copiado (ou reeditado por engano, cof cof) outra tradução de outra obra!
essa outra tradução francesa era "la femme n'est pas inférieure à l'homme", publicada em 1750, vertendo um livro chamado "woman not inferior to man", de uma misteriosa "sophia, a person of quality", lançado na inglaterra em 1739.
aí é uma confusão: ninguém sabe direito quem era aquela tal sophia, a person of quality - a suposição mais frequente é que se tratava da lady mary wortley montagu - que, por sua vez, já se inspirara amplamente em outra obra, "de l'égalité des deux sèxes", de poulain de la barre (1673). mas que seja. o fato é que "woman not inferior to man" então foi traduzido, e lá ficou.
em 1790, wollstonecroft publica sua vindication, e em 1826 o tal gardeton publica em nome dela (ou melhor, como mistress godwin, aliás grafado erroneamente como "mistriss" e assim mantido na edição brasileira) e como tradução sua o livro da sophia que saíra em francês 76 anos antes.
a nísia viu aquele exemplar francês, gostou, traduziu e publicou. passaram-se quase dois séculos até se descobrir que, no final das contas, que wollstonecraft que nada!
nos últimos 25-30 anos, sobretudo a partir dos estudos da pallares-burke (e vários outros em sua esteira), surgiu o mais amplo leque de interpretações, algumas até meio escalafobéticas, sobre as razões que teriam levado nísia a isso, até que uma dupla de estudiosas - botting e matthews - acabou apontando, em 2014, o "lapso" do tradutor francês césar gardeton.
nísia apenas caíra como patinho - e não só ela, provavelmente algumas centenas de milhares de outras pessoas - na falsa atribuição de autoria da obra e da tradução!
quem quiser conferir a veracidade- e a envergadura - dessa descoberta de botting e matthews, basta comparar o texto da sophia no original (aqui no link em sua terceira edição, de 1743), na tradução anônima francesa de 1750, na pretensa tradução de gardeton de 1826 e na tradução da nísia de 1832:

em tempo: a tradução francesa anônima do livro da sophia, a person of quality, é usualmente atribuída ao casal philippe-florent e madeleine de puisieux.






7 de ago. de 2020

colecção miniatura

bibliographias: Selma Lagerlöf — O Livro das Lendas

um mimo encontrado pelo sérgio karam: a colecção miniatura, pela livros do brasil de portugal, com créditos completos e respectiva iconografia, disponível em https://coleccaominiatura.blogspot.com/

reproduzo o índice das obras: 

Índice 
nº 1 - O Livro das Lendas 
nº 2 - O Véu Pintado 
nº 3 - Ratos e Homens 
nº 4 - Horizonte Perdido 
nº 5 - Um Casamento em Florença 
nº 6 - O Terceiro Homem 
nº 7 - Loucuras do Poeta 
nº 8 - Felicidade 
nº 9 - A Lenda de Madala Grey 
nº 10 - Adeus, Mr. Chips 
nº 11 - Férias de Natal 
nº 12 - Vento Sobre as Searas 
nº 13 - Cidade dos Estranhos 
nº 14 - As Cabeças Cortadas 
nº 15 - A História do Juíz 
nº 16 - Não Estamos Sós 
nº 17 - Diário de Uma Exilada Russa 
nº 18 - O Perfume das Ilhas Encantadas 
nº 19 - O Céu é o Meu Destino 
nº 20 - Maquiavel e a Dama 
nº 21 - Escola de Mulheres 
nº 22 - E Agora, Adeus 
nº 23 - O Alvorecer 
nº 24 - Histórias dos Mares do Sul 
nº 25 - A Manhã 
nº 26 - Duas ou Três Graças 
nº 27 - O Adolescente 
nº 28 - Appassionata 
nº 29 - A Revolta 
nº 30 - O Agente Britânico 
nº 31 - A Feira 
nº 32 - Também o Cisne Morre 
nº 33 - Antoinette 
nº 34 - Episódio em Palmetto 
nº 35 - O Irmão 
nº 36 - O Potro Vermelho 
nº 37 - As Amigas 
nº 38 - Mrs. Dalloway 
nº 39 - Sarça Ardente 
nº 40 - O Novo Dia 
nº 41 - O Velho e o Mar 
nº 42 - O Homem que Via Passar os Comboios 
nº 43 - A Velha Casa Sombria 
nº 44 - A Porta Estreita 
nº 45 - Tradição 
nº 46 - As Neves de Kilimandjaro 
nº 47 - Uma Negrinha à Procura de Deus 
nº 48 - O Estrangeiro 
nº 49 - Um Gosto e Seis Vinténs 
nº 50 - O Lobo e o Cordeiro

são todas elas traduções brasileiras, em sua maioria publicadas pela editora globo, e licenciadas para a livros do brasil, de lisboa.

1 de ago. de 2020

gogobrazil

ao que parece, o excelente site de peter o'neill, que citei em várias ocasiões aqui no blog, está desativado. seu ótimo levantamento sobre a literatura irlandesa traduzida no brasil, desde 1888 a 2012, pode ser baixado em https://dokumen.tips/download/link/irish-literature-in-brazil-since-1888 .

15 de jul. de 2020

mais um de primavera das neves / vera pedroso

ops, escapou!

Nenhuma descrição de foto disponível.

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complemente-se em De Primavera das Neves a Vera Pedroso: Um Perfil, disponível aqui.

14 de jul. de 2020

agatha christie no brasil

excelente estudo de tito prates, disponível aqui.

Guia Brasileiro da Obra de Agatha Christie por [Tito Prates]

stefan zweig no brasil


1. Obras Completas de Stefan Zweig, 20 volumes 1938-1949. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1951. Editora Delta, 1953 e 1956. 10 volumes, 1961 e 1963.

I. Três poetas da sua vida: Casanova, Stendhal, Tolstoi.
II. Os construtores do mundo: Balzac, Dickens, Dostoievsky, Hölderlin, Kleist, Nietzsche.
III. A Corrente: novelas da adolescência, novelas de sofrimento, Segredos de amor (História narrada ao crepúsculo, A governanta, Segredo ardente, , Pequena novela de verão); Amok; Carta de uma desconhecida; 24 horas na vida de uma mulher; Confusão de sentimentos.
IV. A cura pelo espírito: Mesmer, Mary Baker-Eddy, Freud.
V. Joseph Fouché: retrato de um homem político.
VI. Caleidoscópio: Revelação inesperada de um ofício; Leporela; A Coleção invisível; Buchmendel; O medo; Raquel acusa Deus; Os olhos do irmão eterno ; O candelabro enterrado; A lenda da terceira pomba; As irmãs iguais e desiguais.
VII. Maria Antonieta.
VIII. Maria Stuart.
IX. Uma consciência contra a violência: Castélio contra Calvino.
X. Encontros com homens, livros e países.
XI. Fernão de Magalhães: história da primeira circunavegação.
XII. Coração inquieto.
XIII. O momento supremo: seis miniaturas históricas.
XIV. Brasil, país do futuro.
XV. O mundo que eu vi (minhas memórias).
XVI. As três paixões; A partida de xadrez; Dívida tardiamente paga; Seria ele?.
XVII. Os caminhos da verdade: Américo Vespúcio: uma comédia de erros na História; Erasmo de Rotterdam, grandeza e decadência de uma idéia.
XVIII. A marcha do tempo: encontros com o destino, países e paisagens.
XIX. Balzac.
XX. Jeremias.

2. Romain Rolland, sua vida, sua obra. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, 1936. Com uma foto do biografado dedicada aos escritores brasileiros.

3. Momentos decisivos da humanidade. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1936. Tradução de Medeiros e Albuquerque. Capa de Di Cavalcanti.

4. A luta contra o demônio, Hölderlin, Kleist e Nietzsche. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Com prefácio original de Stefan Zweig. Não incluído em Os construtores do mundo, Editora Guanabara. Tradução de Aurélio Pinheiro.

5. Dois mestres, Dickens e Balzac. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, 1936. Versão reduzida de Três Mestres, sem o ensaio de Dostoiévski, lançado separamente pela Editora Guanabara.

6. A phantástica existência de Mary Baker Eddy. Rio de Janeiro, Editora Atlântida, s/d, e depois Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Parte da trilogia A cura pelo espírito. Inspirado na edição francesa La Guérison par l’Esprit: La Fantastique existence de Mary Baker Eddy (Stock, Paris, 1932).

7. Ocaso de um coração. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Acompanhado de Uma noite fantástica.

8. Ocaso de um coração. S/L, Editora Machado & Ninitch, s/d (antes de 1936). Tradução de Zoran Ninitch. Acompanhada de Mystério de uma rua sem luar.

9. A mulher e a paisagem. S/L, Editora Mundial, s/d (antes de 1936). Novela publicada juntamente com outra edição de Amok.

10. Os olhos do irmão eterno. S/L, Livraria Moura, s/d (antes de 1936).

11. A visão do propheta (Jeremias). Rio de Janeiro, Livraria Flores & Mano, s/d (antes de 1936). Tradução de Cândido de Carvalho.

12. A visão do propheta (Jeremias). Rio de Janeiro, Editora Guanabara, s/d. Tradução de Elias Davidovich.

13. A tragédia de uma vida, Marceline Desbordes-Valmore – retrato biográfico de uma poetisa. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1937

14. Momento supremo: seis miniaturas históricas. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1941

15. Brasil: País do futuro. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1960.

16. Brasil: País do futuro. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.

17. Maria Antonieta. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.

18. 24 horas na vida de uma mulher e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.

19. Momento supremo: treze miniaturas históricas. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1982. Tradução de Medeiros e Albuquerque, O. Galloti e E. Davidovich.

20. Joseph Fouché: retrato de um homem político. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira,1983.

21. Êxtase da transformação. São Paulo, Companhia das Letras, 1987. Tradução de Kurt Jahn.

22. Joseph Fouché: retrato de um homem político. Rio de Janeiro, Editora Record,1999. Tradução de Kristina Michahelles.

23. Fernão de Magalhães: o homem e a sua façanha. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Tradução de Kristina Michahelles.

24. O Mundo que eu vi (minhas memórias) . Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Tradução de Lya Luft. Com índice onomástico.

25. Medo e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Reedição com nova tradução de seis novelas de CaleidoscópioMedo, A mulher e a paisagem, Leoporella, Carta de uma desconhecida, O livreiro Mendel e A coleção invisível.

26. Momento supremo, Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Com nova tradução. Título da edição de 1936: Momentos decisivos da humanidade.

27. 24 horas na vida de uma mulher e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Acompanhada de Confusão de Sentimentos e Declínio de um Coração. Tradução de Lya Luft.

28. Brasil, país do futuro. Porto Alegre, Editora L&PM, 2006. Tradução de Kristina Michahelles.
Prefácio de Alberto Dines.

29. 24 Horas na Vida de uma Mulher. Porto Alegre, Editora L&PM, 2007. Tradução de Lya Luft.

30. Medo e outras histórias. Porto Alegre, Editora L&PM, 2007. Tradução de Lya Luft e Pedro Süssekind.

extraido do site da casa stefan aweig, disponível aqui.



22 de jun. de 2020

lívio xavier, fotos

cortesia da berenice xavier, sobrinha de lívio e da tia homônima


com benjamin péret 

com mário pedrosa

com antônio cândido

com vilanova artigas


2 de jun. de 2020

nietzsche no brasil

antes de 1892 não se encontra qualquer menção a nietzsche na imprensa brasileira depositada na hemeroteca nacional. 
aí, em 26 de fevereiro de 1892, o jornal do commercio publica a tradução de oito aforismos seus.



disponível aqui


20 de mai. de 2020

jorge amado - um novo achado

elena beliakova fala sobre essa tradução, até então praticamente esquecida, e aventa a possibilidade de ter sido feita a partir do espanhol, na edição da madrilenha cenit. ver aqui.


saiu em 1947 pela livraria e editora martins, em sua "coleção contemporânea", volume 9.


aqui um anúncio da editorial vitória, no jornal imprensa popular, de 10 de janeiro de 1951

disponível aqui

e aqui uma simples chamada, sem autor nem editora (imprensa popular, 13/6/51)

disponível aqui


a edição da cenit (1930), possível base para a tradução de jorge amado

Schkid. la república de los vagabundos, por bel - Vendido en ...

17 de mai. de 2020

rilke no brasil



as elegias de duíno foram publicadas em 1951, numa edição restrita, fora do comércio, em apenas 120 exemplares, com ilustrações de oswald de andrade filho, na primeira iniciativa editorial de josé mindlin, pela editora revista dos tribunais. a tradução era de dora ferreira da silva, que posteriormente, em edição comercial, veio a ter grande consagração.

mas descubro que, já em outubro de 1946, dora começara a publicar sua tradução das elegias, uma por semana (sendo que, na primeira semana, saíram as duas primeiras elegias), no suplemento domiinical "letras e artes" do jornal "a manhã".
é tradução visivelmente feita por amor e com amor. ela devia conhecer e amar rilke desde algum tempo.

dora nasceu em julho de 1918; se tiver traduzido todas as elegias no mesmo ano em que as publicou, 1946, teria entre 27 e 28 anos.

achei admirável.

aqui, ilustração de oswaldo goeldi. http://memoria.bn.br/docreader/114774/28



lúcio cardoso, "a propósito de traduções"


http://memoria.bn.br/DocReader/093092_03/16306


23 de mar. de 2020

artigo

com várias contribuições inestimáveis, terminei meu artigo com o levantamento bibliográfico das traduções de obras das irmãs brontë, katherine mansfield e virginia woolf no brasil (c.1916-19 a 2019). disponível aqui.

19 de fev. de 2020

arquivo


FUNDAÇÃO GULBENKIAN X MARTIN CLARET
A República da Pirataria

A editora brasileira Martin Claret pirateia A República, de Platão, da Fundação Calouste Gulbenkian, de Portugal

O ideário da Editora Martin Claret, de São Paulo, está exposto no prefácio de todos os livros da coleção A Obra-Prima de Cada Autor: "Nosso objetivo principal é oferecer, em formato de bolso, a obra mais importante de cada autor, satisfazendo o leitor que procura qualidade. (...) ´A Obra-Prima de Cada Autor´ é uma série de livros composta de mais de 300 volumes, formato de bolso, com preço altamente competitivo e encontrável em centenas de pontos de venda. (...) Nossa proposta é a de uma coleção aberta quantitativamente. (...) Nós acreditamos na função do livro". Os textos foram extraídos das páginas 9 e 10 do prefácio da edição de A República, do grego Platão. As edições da Martin Claret têm um mérito, talvez o principal: preço bem inferior aos praticados por outras editoras. Ao lado da gaúcha L±, a paulista Martin Claret certamente é a principal responsável por outras editoras, como Companhia das Letras, primeiro, e Record, em seguida, terem lançado edições de bolso com preços acessíveis, na faixa de 13 a 31 reais. O romance O Processo, de Franz Kafka, custa 13 reais pela L± e 21 reais na versão da Companhia das Letras. Com esmeradas traduções diretas do alemão. A qualidade das edições de bolso da Martin Claret em geral não compromete. O papel é bom, as capas são chamativas, talvez até demais. O corpo (tamanho) das letras é pequeno, mas nada que impeça a leitura. Entretanto, há um problema, e grave, pelo menos na edição de A República.

A Martin Claret publicou A República, livro basilar de Platão, em 2001. A tradução é do “misterioso” Pietro Nassetti, mas não há referência a respeito do ponto-de-partida. Ou seja, não há nenhuma informação se a tradução foi feita a partir do original grego ou se teve como base alguma tradução inglesa, alemã ou francesa. Sobretudo em livros de filosofia, assim como de poesia, as editoras costumam fazer questão de explicitar que a tradução foi feita a partir da língua de origem. Leitores mais dedicados, principalmente professores de filosofia, certamente vão optar por uma tradução, no caso de Platão, feita diretamente do grego. Estudantes, não apenas de filosofia, preferem em geral edições mais em conta, como a da Martin Claret, que tem 320 páginas e custa apenas 10,50 reais. A edição portuguesa custa impraticáveis 87 reais.

Como se trata de edição popular, supostamente não dedicada a especialistas, embora mantenha notas de rodapé relativamente detalhadas, a tradução da Martin Claret é fluente e chamou a atenção do professor Gonçalo Armijos Palácios, do curso de Filosofia da Universidade Federal de Goiás. Ao confrontar a edição de A República da Fundação Calouste Gulbenkian (localizada em Lisboa, Portugal), celebrada pela qualidade e requinte, com a da Martin Claret, o doutor em filosofia, que sabe grego, ficou estupefato. As duas traduções eram idênticas. Ou melhor, só existia uma tradução, a da Fundação Calouste Gulbenkian. A Martin Claret é responsável por uma edição pirata (leia no box que o proprietário da editora admite a pirataria).

Maria Helena da Rocha Pereira é responsável pela tradução, notas e introdução de A República, na edição da Fundação Caloustre Gulbenkian. A versão tem como ponto de partida o grego e a primeira edição é de 1972. A versão examinada pelo Jornal Opção é a 7ª edição, de 1993. Trata-se de uma edição muito bem-cuidada. No final da introdução, Maria Helena — o que prova que se trata de uma especialista, não de uma mera tradutora (obras filosóficas costumam exigir tradutores que conheçam filosofia, senão terão de passar por uma revisão técnica acurada) — anota: "Para a versão que agora se apresenta, seguiu-se escrupulosamente o texto estabelecido por J. Burnet, no quarto volume da sua edição dos Platonis Opera para a Scriptorum Classicorum Bibliotheca, Oxford University Press, reimpressão de 1949". Maria Helena ressalva, mostrando seriedade e respeito ao trabalho alheio, que serviu-se, ao traduzir Platão, de outras versões, aparentemente do grego para o inglês. Além da detalhada introdução, a tradutora oferece uma bibliografia sobre Platão, notas detalhadas e, ao final, um "índice de assuntos principais".

O que fez a Martin Claret? A editora brasileira, que está sendo comprada por uma editora de outro país, tão-somente jogou fora o aparato crítico, a introdução, resumiu as notas e republicou, sem citar a fonte, o texto integral da versão da Fundação Caloustre Gulbenkian (na página 4, o destemido editor escreveu: “Copyright Editora Martin Claret, 2001). O "tradutor" sequer teve o cuidado de fazer as adaptações de praxe para o português escrito e falado no Brasil. Ele (um fantasma?) faz apenas mudanças ligeiras —como a troca de efectivamente por efetivamente. Observe o leitor que, no início da "versão" brasileira, da Martin Claret, tenta-se disfarçar o plágio, com uma ou duas mudanças cosméticas, mas, em seguida, não se altera uma vírgula. É possível desconfiar que não há um tradutor "brasileiro", e sim um datilógrafo brasileiro, e, provavelmente, um revisor brasileiro. O leitor poderá identificar, facilmente, que há mudanças, bem leves, só no início dos capítulos; depois, a tradução é a mesma.

Um jornalista-historiador como Eduardo Peninha Bueno, que inventou a história como pilhéria, diria que o Brasil, ao pilhar Portugal, finalmente se vingou do colonialismo? É provável. Mas esse tipo de "vingança", uma antropofagia celerada, em nada engrandece o Brasil.

Trechos

Trechos do Livro I/Fundação Gulbenkian

"Ontem fui até ao Pireu com Gláucon, filho de Aríston, a fim de dirigir as minhas preces à deusa, e, ao mesmo tempo, com o desejo de ver de que maneira celebravam a festa, pois era a primeira vez que a faziam. Ora a procissão dos habitantes dessa terra pareceu-me linda; contudo, não me pareceu menos aprimorada a que os Trácios montavam. Depois de termos feito preces e contemplado a cerimónia, íamos regressar à cidade". (Página 1.)

"— Ouve então. Afirmo que a justiça não é outra coisa senão a conveniência do mais forte. Mas porque não aprovas? Não quererás fazê-lo?" (Página 23.)

Trechos do Livro I/Martin Claret

"Fui ontem ao Pireu com Glauco [note, leitor, que há um pequena mudança de "Ontem fui" para "Fui ontem" e a grafia de Gláucon passa a ser Glauco], filho de Aríston, com o objetivo de fazer minhas orações à [até aqui, talvez para disfarçar, há também uma ligeira alteração] deusa, e, ao mesmo tempo, com o desejo de ver de que maneira celebravam a festa, pois era a primeira vez que a faziam. Ora a procissão dos habitantes dessa terra pareceu-me linda; contudo, não me pareceu menos aprimorada a que os Trácios montavam. Depois de termos feito preces e contemplado a cerimônia [aqui, a editora adaptou para o português escrito no Brasil, que usa o acento circunflexo no lugar do agudo], íamos regressar à cidade". (Página 11.)

"— Ouve então. Afirmo que a justiça não é outra coisa senão a conveniência do mais forte. Mas por que não aprovas? Não quererás fazê-lo?" Neste trecho (página 25), só uma alteração (“porque”, na portuguesa, e “por que”, na brasileira). O tradutor nem tenta adaptar o português luso para o português patropi.

Trechos do Livro II/Fundação Gulbenkian

"Ditas, portanto, estas palavras, julgava eu que estava livre da discussão. Mas, de facto, era apenas o prelúdio, ao que parece. Efectivamente, Gláucon, que é sempre o mais destemido em tudo, também nessa altura não aceitou a retirada de Trasímaco, e disse: — Ó Sócrates, queres aparentar que nos persuadiste ou persuadir-nos, de verdade, de que de toda a maneira é melhor ser justo do que injusto?" (página 53)

"— Eu, por mim, concordo em tudo com esse padrões — declarou —, e seria capaz de os tomar como leis." (Final do livro II, página 100.)

Trechos do Livro II/Martin Claret

"Pronunciadas estas palavras [note, leitor, que a mudança é só início do texto], julgava eu que estava livre da discussão. Mas, de fato [aqui, o revisão trocou facto por fato], era apenas o início [trocou-se prelúdio para início], ao que parece. Efetivamente [retirou-se o c], Glauco, que é sempre o mais destemido em tudo, também nessa altura não aceitou a retirada de Trasímaco, e disse: — Sócrates, queres aparentar que nos persuadiste ou persuadir-nos de verdade, de que toda maneira é melhor é melhor ser justo do que injusto?" (página 44)

"— Eu, por mim, concordo em tudo com esse padrões — declarou —, e seria capaz de os tomar como leis". (Final do livro II, página 73.)

Trechos do Livro III/Fundação Gulbenkian

"— Quanto aos deuses, aqui temos, pois — disse eu — aquilo que, em meu entender, aqueles que hão-de honrar as divindades e os pais, e que hão-de ter em não pequena conta a amizade uns dos outros, devem ouvir desde a infância, e aquilo que não devem." (Página 101.)

"Portanto, por todos estes motivos — prossegui eu — diremos que é necessário prover deste modo os guardas de habitação e do resto, e legislaremos sobre o assunto ou não?

"— Absolutamente — confirmou Gláucon." (Página 160.)

Trechos do Livro III/Martin Claret

"— Em relação aos deuses, aqui temos, pois — disse eu — aquilo que, em meu entender, aqueles que hão de honrar as divindades e os pais, e que hão de ter em não pequena conta a amizade uns dos outros, devem ouvir desde a infância, e aquilo que não devem." (Página 74. As pequenas mudanças, com o suposto objetivo de esconder a pirataria, não alteram fundamentalmente a tradução da Fundação Gulbenkian.)

"Portanto, por todos estes motivos — prossegui eu — diremos que é necessário prover deste modo os guardas de habitação e do resto, e legislaremos sobre o assunto ou não?

"— Certamente — confirmou Glauco." (Página 111.)

O "tradutor" — ou o revisor, ou o datilógrafo — tão-somente trocou "absolutamente" por "certamente". O restante do texto é idêntico. Até a nota de rodapé é a mesma.

Leia mais no site do Jornal Opção na Internet (www.jornalopcao.com.br).

Editor admite plágio

O editor Martin Claret, dono da Editora Martin Claret, admite que "sua" edição de A República, de Platão, é plágio da edição da Fundação Calouste Gulbenkian. Em contato telefônico com o Jornal Opção na quarta-feira, 10, Martin Claret disse que encomendou a tradução ao italiano Pietro Nassetti e só ficou sabendo "há quatro ou cinco meses" que ele apenas "copiou" a tradução portuguesa. "O italiano Pietro Nassetti, tradutor do inglês e do italiano, faleceu há dois anos." Ele existe mesmo?, pergunta o Jornal Opção. "Ele morreu", insistiu.

Martin Claret diz que está providenciando nova tradução. "Nossa versão será feita a partir do inglês, porque fica mais barato do que traduzir do grego. Pedimos desculpas aos leitores." O editor diz que também estuda entrar em contato com a editora portuguesa, para tentar obter a autorização legal da tradução. O fato é que pode ser processado.

A Martin Claret pôs no mercado 500 títulos. "Somos uma editora de médio para pequeno porte." Ele diz que o grupo espanhol Santillana quer comprar a Martin Claret. "É impossível resistir ao assédio dos espanhóis. Eles compraram a Editora Objetiva, do Robert Feith; quem não vender pode quebrar", disse ao Jornal Opção.

https://web.archive.org/web/20080523082905/http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Imprensa&subsecao=Colunas&idjornal=259