28 de fev de 2013

belas infiéis 2

saiu o segundo número da revista belas infiéis, do programa de pós-graduação em estudos de tradução, da unb. minha contribuição foi "a presença de flaubert traduzido no brasil", aqui.


21 de fev de 2013

editora vitória, coleção "romances do povo"

depois de suas sapequices junto com a brasiliense (ver aqui), jorge amado coordenou uma coleção na editora vitória, chamada "romances do povo", que saiu entre 1954 e 1956, num total de vinte obras.

ao que consta, ele indicava os títulos e sugeria os tradutores para as obras. por gentileza de josélia aguiar, jornalista e biógrafa de jorge amado, eis a listagem dos títulos que compuseram a coleção.

exposição "jorge amado e universal", no museu da língua portuguesa, 2012
(para ampliar, clique na imagem com o lado direito do mouse e peça para abrir link em nova guia)

jorge amado tradutor, II




o romance doña barbara, do venezuelano rómulo gallegos, ao que afirma josélia aguiar, jornalista e biógrafa de jorge amado, foi a única obra traduzida por ele, a despeito das diversas traduções atribuídas a seu nome. veja aqui.

por meritória que tenha sido a iniciativa de jorge amado em divulgar a obra de gallegos, sua tradução não passou incontestada, segundo o que afirma gilfrancisco santos, do instituto geográfico e histórico da bahia e do instituto histórico e geográfico de sergipe, aqui:
Diz-se inclusive que o ex-presidente venezuelano tinha grande desgosto dessa edição brasileira. Ela não teria sido autorizada, logicamente não teria recebido os direitos autorais, ele a considerava uma das piores traduções feitas no Brasil, de escritores hispano-americanos. Por este motivo, Jorge Amado reeditou o livro, pela editora Record, em 1974, revisando e readaptando a tradução, além das notas esclarecedoras de rodapé.


(desnecessário dizer que nada disso traz qualquer desdouro à grande glória de jorge amado.)

20 de fev de 2013

nome do tradutor na capa, pnbe 2014

um avanço significativo para o cumprimento da legislação e para a valorização do aspecto autoral do ofício de tradução é a exigência apresentada no edital do plano nacional biblioteca da escola (pnbe) 2014.

no item 6.1, sobre o cadastramento de editores e pré-inscrição de obras, temos:
6.1.9. No caso de obra traduzida, o tradutor é considerado autor da obra e seu nome deverá constar na primeira capa.
no anexo I, sobre os critérios de exclusão na triagem das obras pré-inscritas, temos a não conformidade A19:
Na etapa de inscrição, obra entregue que não tem identificado na primeira capa o título e o nome do(s) autor(es), conforme item 1.2 do Anexo III e no caso de obra traduzida o nome do tradutor, conforme item 6.1.9 do edital e item 1.2 do Anexo III.
o procedimento a ser adotado para verificar a não conformidade A19 é:
Análise visual para verificar se todos os exemplares da obra trazem na primeira capa o título da obra e o nome dos autores e também do tradutor no caso de obra traduzida, conforme requisito do item 1.2 do Anexo III.
o anexo III traz as especificações técnicas, entre elas a determinação de que a primeira capa apresente:
1.2.3.1. O nome do tradutor quando for obra traduzida.

a íntegra do edital está aqui.

meus mais vivos votos de que tais requisitos se incorporem ao padrão editorial dos livros, fazendo constar o nome do tradutor na primeira capa.

jorge amado tradutor, I

jorge amado teria traduzido todos esses livros para a brasiliense em 1945. vá lá que, como bom comunista, era companheiro solidário de arthur neves, fundador da editora, e de caio prado jr., associado à empreita. mas me parece bem mais um empréstimo do nome "para ajudar a vender" - à la nelson rodrigues na record, quase trinta anos depois - do que qualquer outra coisa. 











Autoria:Babel, IsaacClique aqui para possivel enriquecimento obtido no Catálogo de Autoridades
Título:Cavalaria vermelha Issac Babel; trad. Jorge Amado. /
Imprenta:São Paulo : Brasiliense , 1945.
Descrição física:141 p.
Série:(Coleção Ontem e Hoje : 016)
Coleção:SC PD 
Número de Chamada:040448 

há ainda o vol. 11 da coleção ontem e hoje, com lavrenev, o sétimo camarada, 1945.

imagens extraídas do álbum de fotos do historiador dainis karepovs, disponível em sua página no facebook, e da fundação casa de rui barbosa.

atualização: josélia aguiar, jornalista e biógrafa de jorge amado, afirma que "ele garantia que só traduziu UM livro na vida. 'Dona Bárbara', de Rómulo Gallegos, apenas".

fico imaginando dezenas de teses, estudos, artigos, comentando os dotes tradutórios de jorge amado, tal como discorrem sobre as pretensas traduções de nelson rodrigues...

veja também jorge amado tradutor, II, aqui.


16 de fev de 2013

dlit, contribuições XX

por ora, vou encerrando minhas contribuições ao dicionário bibliográfico de literatura italiana traduzida no brasil (1900-1950), desenvolvido numa iniciativa conjunta da ufsc e da usp, com alguns dados que me parecem interessantes.

I.
são os textos de mussolini que saíam em português publicados na própria itália, sobretudo pela editora valecchi, certamente para propaganda entre as colônias italianas no brasil. entre eles estão: a doutrina do fascismo (vallecchi, 1935); quatro discursos sobre o estado corporativo (laboremus, 1935); o estado corporativo (vallecchi, 1938).





quanto a publicações feitas no brasil mesmo, temos em 1934 aspectos da crise mundial pela arturo vecchi.







II.
num adendo final, cabe assinalar que as datas de publicação de muitas das obras listadas no dlit não se referem a suas primeiras edições. é um pequeno detalhe e, de qualquer forma, não sei qual foi o critério adotado a este respeito. em todo caso, fica aqui registrado o fato.

mitologias

laurence hallewell, no portento que é seu estudo o livro no brasil - sua história, afirma à p. 457, quando do golpe de estado de 1937:
Nem os livros infantis escapavam [à apreensão e queima]. As obras de Monteiro Lobato foram queimadas arbitrariamente e As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, foi julgado tão perigosamente subversivo que, não satisfeito em confiscar a edição, o governo prendeu Cecília Meireles por tê-lo traduzido.

cecília meireles foi efetivamente chamada à delegacia para depor, mas não naquela ocasião, nem por ter traduzido a obra de twain - é o que nos mostra a meticulosa reconstituição histórica de jussara pimenta, no artigo "leitura e encantamento: a biblioteca infantil do pavilhão mourisco", na coletânea cecília meireles: poética da educação, organizada por neves, lôbo e mignot (2001):



de acordo com a autora, o autor da fatídica tradução teria sido monteiro lobato, cf. nota à p. 114, que pode ser consultada acima.*

porém resta-me uma dúvida: a tradução de tom sawyer feita por monteiro lobato, ao que tudo indica, saiu apenas em 1948, pela brasiliense. em 1937, ano da intervenção no centro cultural e na biblioteca infantil dirigida por cecília meireles, a tradução em circulação seria, com toda probabilidade, a de orlando rocha, publicada pela civilização brasileira em 1933:

Autor:Twain, Mark,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1835-1910.
Título / Barra de autoria:Aventuras de Tom Sawyer. -
Imprenta:Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1933. 
Descrição física:v. : il.
Notas:Versão do inglês por Orlando Rocha.
A BN possui o v.1.
Registro Pré-MARC
Entradas secundárias:Rocha, Orlando.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
813
Indicação do Catálogo:I-393,2,4 
Registro Patrimonial:134.036 AA 1952 
Sigla do Acervo:DRG 


esses entrelaçamentos são um pouco complicados: de fato, monteiro lobato vendera em 1929 sua parte da sociedade na companhia editora nacional (à qual a civilização brasileira passou a pertencer desde 1932). mais tarde, lobato levou suas obras de autoria própria que estavam no catálogo da nacional para a brasiliense, criada por arthur neves em 1943-44, mas suas obras de tradução continuaram no catálogo de sua antiga empresa, onde estão até hoje.

por outro lado, não sei se lobato fez uma tradução totalmente nova do tom sawyer para a brasiliense ou se se utilizou da de orlando rocha, da nacional, e deu apenas uma guaribada. para poder afirmar alguma coisa com segurança a este respeito, seria preciso comparar as duas - por ora, o que importa é registrar que, até onde é possível inferir, a tradução confiscada pelo regime em 1937 só havia de ser a de orlando rocha, e não a de monteiro lobato...
























atualização em 15/8/13: agradeço a juliana pimenta pela retificação dos créditos de autoria do artigo.

15 de fev de 2013

dlit, contribuições XIX


quanto a carolina invernizio, há vários outros títulos além dos referenciados no dlit.
temos pela h. antunes:








  • o suplício do remorso (1928)
  • mãe inimiga (1928)
  • o crime da condessa (1928)
  • o beijo da morta (1928)
  • a vingança duma louca
  • o comboio da morte (1929)
  • o filho do mistério (1930)
  • a máscara do criminoso (1931)

pela francisco alves, o último beijo: romance dum jovem mestiço, em tradução de c. calheiros.

não me parece impossível que tenham utilizado as traduções portuguesas publicadas pela universal e pela aillaud & bertrand. 

dlit, contribuições XVIII



quanto às memórias de casanova, referenciadas aqui, vale a pena talvez acrescentar que o volume IV foi traduzido por álvaro gonçalves e o volume V por wilson lousada.


dlit, contribuições XVII





uma contribuição interessante de cláudia martins: o pobre christo de mario mariani, que saiu pela freitas bastos em 1930, numa edição com capa e ilustrações de di cavalcanti, já referenciado no levantamento do dlit, foi traduzido por joão sant'anna. ver o comentário de cláudia martins aqui.


13 de fev de 2013

dlit, contribuições XVI

quanto a o cinto de castidade, de pitigrilli, em tradução de joão sant'anna, talvez caiba observar que a primeira edição saiu originalmente numa parceria entre a vecchi e a freitas bastos, em 1931.


dlit, contribuições XV

de guido da verona temos um amor que volta, que sai em 1946 pela editora flama e é objeto de uma nota do editor no número zero da revista clã de fortaleza, no mesmo ano.

dlit aqui.

dlit, contribuições XIV

para fontamara de ignazio silone, referenciado no levantamento do dlit em sua edição na ed. cultura política em 1935, em tradução de aristides lobo, eis a capa, integrante do álbum buchen do historiador dainis karepovs, disponível em sua página no facebook


dlit aqui.

12 de fev de 2013

dlit, contribuições XIII


de pirandello, há uma tradução d'o falecido matias pascal pela globo em 1933, por de souza júnior.


dlit aqui.

dlit, contribuições XII

para d'annunzio, há uma edição d'o fogo pela h. antunes, do começo do século.
porém, em se tratando da h. antunes, não ponho muito minha mão n'o fogo
- com perdão do trocadilho - quanto à proveniência da tradução.


dlit aqui.

dlit, contribuições XI



quanto à coletânea poesias, que a w. m. jackson publicou em 1950, talvez caiba lembrar que ela saiu em dois tomos, correspondentes aos volumes XXXVIII e XXXIX da coleção jackson. no levantamento do dlit consta o conteúdo do vol. XXXIX, que já comentei aqui, a propósito de pellico.







o primeiro tomo das poesias, vol. número XXXVIII na coleção, traz:
  • "soneto" de dante em tradução de arduíno bolívar; 
  • de petrarca, "triunfo da morte", "soneto", "soneto", o primeiro em tradução de luís de camões e os outros dois em tradução de jamil almansur haddad; 
  • de ariosto, a tradução de simoni para o "episódio do encontro de angélica com sacripante" (século XIX); 
  • de tasso, "episódio de sofrónia e olindo", em tradução de ramos coelho (portugal, século XIX); 
  • "cinco de maio", de manzoni, também em tradução de ramos coelho (portugal, século XIX).
a tradução brasileira de almansur consta no cancioneiro de petrarca (1945), já devidamente arrolado no levantamento. assim, restaria apenas acrescentar a existência desse vol. XXXVIII como primeira parte da antologia de poesias, assinalando a tradução de arduíno bolívar para o soneto de dante.

dlit aqui.

a imagem acima é da edição de 1964.

dlit, contribuições X

ainda sobre as traduções d'o príncipe de maquiavel no brasil, que comentei aqui, talvez não seja o caso de incluir a tradução de torrieri guimarães neste levantamento de 1900 a 1950, visto que a livraria exposição do livro só surgiu nos anos 60 (a despeito do que possa constar em sites de sebos).

embora sem data, o príncipe em tradução de torrieri saiu em algum ano entre 1962 e 1967; depois dessa data, a livraria exposição do livro passa a se chamar hemus.



quanto a'o príncipe em tradução de lívio xavier pela unitas, no dlit com atribuição ao ano de 1923, talvez caiba uma correção, visto que a efêmera editora unitas foi fundada em c. 1931. segundo o historiador e pesquisador dainis karepovs, o príncipe da unitas teria saído em 1932 ou 1933.



após o fechamento da unitas, a tradução de lívio xavier passa a ser publicada pela athena (c.1938 em diante, aqui em capa da 5a. edição em 1961).


dlit aqui.

dlit, contribuições IX



I.
caberia talvez menção a pinocchio na áfrica, de eugenio cherubini, em tradução de mary baxter lee, publicado em 1925 pela editora liberdade.








II.
quanto a guareschi, a tradução de dias da costa para o marido no colégio é portuguesa e foi publicada pela bertrand em 1954. a bertrand era proprietária da difusão europeia do livro, então recém-criada no brasil. como essa edição que consta no dlit não tem data, eu consideraria mais seguro situá-la nos anos 50. de todo modo, não é brasileira.

o destino se chama clotilde, pela record, em tradução de joel silveira, saiu provavelmente nos anos 70. de fato, um hábito da casa era não colocar o ano da edição e dava apenas a data do original - daí talvez a confusão. de todo modo, em 1942, data atribuída à edição no dlit, a editora record ainda nem sequer existia.



III.
de matteucci, podemos assinalar desventura e innocencia, em 1926, pela editora escolas profissionais salesianas.



dlit aqui.




capas


um álbum de capas que merece ser visitado: uma amostra do design gráfico editorial de esquerda no brasil dos anos 1920 aos anos 1970, do historiador e pesquisador dainis karepovs, em sua página do facebook, aqui.

dlit, contribuições VIII


posso estar muito enganada, mas não creio que exista no brasil alguma tradução de agostinho, de alberto moravia, anterior à de alberto nogueira, que saiu em 1976 pela nova fronteira. o que às vezes acontece nessas edições sem data é darem certo destaque ao ano de publicação do original, não da tradução, o que eventualmente pode dar margem a algum equívoco.

dlit aqui.

dlit, contribuições VII

em relação a silvio pellico, não sei se seria propriamente o caso de se incluir neste levantamento de traduções entre 1900 e 1950 a publicação de "suspiro", pela w. m. jackson (1950), na tradução de luís vicente de simoni (1792-1881).

sobre sua intensa atividade tradutória entre os anos 1830 e 1870, com dante, petrarca, ariosto, leopardi,  pellico e outros, vale a pena ler aqui.

voltando a pellico: quanto a deveres do homem, há dois pequenos lapsos no link, aqui, da edição da livraria garnier (com tradução de "v. t. de costa e silva"), que está remetendo para a edição da drummond, com tradução de antonio de castro lopes - essa página, por sua vez, reproduz os dados da edição da garnier - pela qual, diga-se de passagem, não dou um figo seco. (uma hora ainda vou escrever um pequeno artigo sobre as bandalheiras tradutórias da h. garnier e da livraria garnier - não confundir com suas predecessoras irmãos garnier e b.-l. garnier, que, estas sim, eram sérias.)

de todo modo, tal como no caso da tradução de "suspiro", não sei se seria propriamente o caso de incluir no levantamento essa tradução de castro lopes, também do século XIX.

por outro lado, há uma tradução d'as minhas prisões pela editora das escolas profissionaes salesianas, em 1906. não consegui imagem de capa nem o nome do tradutor. porém encontra-se em vários sebos e pelo menos numa biblioteca, a biblioteca redentorista de juiz de fora, aqui.

resumindo: creio que todo o material levantado sobre pellico mereceria uma segunda análise.

dlit aqui.

11 de fev de 2013

dlit, contribuições VI





para papini, há "o prisioneiro de si mesmo", que saiu na revista literária a novela, n. 7, em abril de 1937, pela livraria do globo. não traz o nome do tradutor.








quanto a um homem acabado, que consta no levantamento do dlit apenas na edição do clube do livro em 1945, encontramos no site a observação: "Há uma edição de 1923 no Museu Paulista, da mesma editora, com 286 páginas", aqui.

creio que não procede. o clube do livro foi criado por mário graciotti em 1942-43. em verdade, a edição de um homem acabado que saiu em 1923 foi publicada pela livraria a. tisi.

a a. tisi se alinhava pelos gostos mais avançados da época, sendo um ponto de encontro da intelectualidade modernista de são paulo - a bela capa de sua edição, ao lado, parece ilustrar bem essa sua tendência.




outra contribuição visual: a capinha de testemunhas da paixão, de 1950, pela saraiva, para complementar a página dessa edição no site do dlit, aqui.










10 de fev de 2013

dlit, contribuições V



para mario mariani, eu acrescentaria duas contribuições; embora incompletas, talvez sejam úteis para futuro rastreamento dos pesquisadores do dlit. são elas: a casa do homem pureza, ambas pela cia. editora nacional, respectivamente em 1931 e 1932. não localizei os nomes dos tradutores.


dlit aqui.



dlit, contribuições IV



de giuseppe mazzini, temos deveres do homem já em 1938, com tradução de carlos de moraes,
pela companhia brasil editora.


dlit aqui.

dlit, contribuições III

de maquiavel, cabe lembrar a tradução de elias davidovitch para o príncipe, com prefácio de maurício de medeiros, que saiu pela calvino filho em 1933. agradeço a indicação ao historiador e pesquisador dainis karepovs.


curioso notar que consta o nome de nicholas machiavel.


dlit aqui.

dlit, contribuições II

em meu modesto parecer, a parte de dante, especialmente no que tange às traduções brasileiras da divina comédia na primeira metade do século, poderia eventualmente induzir algum leitor mais desatento a uma certa confusão cronológica. como se trata de um levantamento de traduções brasileiras entre 1900 e 1950, talvez fossem dispensáveis as referências às diversas reedições neste período da tradução do barão da vila da barra, de 1876; o mesmo quanto às referências às diversas reedições da tradução de xavier pinheiro, de 1888.

quanto às obras completas que saíram pela edameris em 1950, talvez fosse o caso de ressalvar que, para o inferno, foi utilizada uma tradução oitocentista, a do mons. joaquim pinto de campos, de 1886. e talvez coubesse acrescentar ao levantamento uma menção à tradução de adherbal de carvalho para os versos 73-142 do canto V do inferno (1911).

abaixo, uma indicação bibliográfica que pode ser útil para alguma consulta, a dantesca luso-brasileira, de giacinto manuppella (coimbra, 1966):



dlit aqui.

dlit, contribuições I

começo minhas contribuições ao dlit, que comentei e recomendei aqui.


para boccaccio, temos em 1945 três contos selecionados e traduzidos por paulo rónai e aurélio buarque de hollanda, no primeiro volume de mar de histórias: "o conto do judeu melquisedec" (primeira jornada, terceira novela), "a dama na confissão" (terceira jornada, terceira novela) e "a marquesa de montferrato" (primeira jornada, quinta novela). ainda sobre boccaccio, ver aqui.






de trilussa, temos uma edição bonitinha em tradução de paulo duarte, ilustrada por belmonte, que saiu em 1928 pel'o estado de são paulo: versos de trilussa.







a listagem do dlit está aqui.

"j. l. moreira"

mais um personagem daqueles intrigantes mistérios de identidade é "j. l. moreira", que aparece como tradutor da vida de benvenuto cellini escrita por ele mesmo, que saiu pela athena em 1939, quando já se transferira para são paulo.



a obra foi reeditada, como se pode ver pela capa abaixo, quando a athena, após a reforma ortográfica de 1942, alterou a grafia para "atena", sem o "h".



para situar a athena, consulte aqui.
para a questão das misteriosas identidades de alguns colaboradores da athena, veja aqui.

"j. l. moreira" é tradutor de um livro só, a dita autobiografia de cellini, que teve uma edição só, a de 1939.

e eis que me lembro da preciosa carta que fúlvio abramo escreveu na prisão, quando estava traduzindo vida nova de dante, que saiu sob o pseudônimo de "blásio demétrio".*

ali diz ele: "Ainda não recebi a 'Minha Vida' de Cellini, que também pretendo traduzir".


será que ele recebeu o exemplar? será que o traduziu? será que assinou sua tradução como "j. l. moreira"? esta aí mais uma sugestão de pesquisa para estudantes de tradução.

* agradeço mais uma vez a paula abramo pela gentileza em fornecer uma cópia desse precioso documento que é a carta de seu avô fúlvio abramo.

o dlit

um projeto muito interessante desenvolvido em conjunto pela ufsc e pela usp é o:  

Dicionário Bibliográfico de Literatura Italiana Traduzida


vale a pena visitar, ler, consultar. está aqui.

fiquei, porém, com algumas dúvidas:: 
  • o dicionário abrangerá apenas obras de literatura ou também de humanidades em geral? por ora, predominam obras literárias, mas ali também encontramos obras de filosofia, história, teoria política, estética e outras, embora em proporção não muito expressiva.
  • o dicionário pretende listar o que há de bibliografia [em acepção ampla, hipoteticamente abrangendo literatura e humanidades] italiana traduzida entre 1900 e 1950? ou publicada nesse meio século? pois está ali arrolada a tradução da divina comédia feita por xavier pinheiro no século XIX, por exemplo.
  • o dicionário pretende listar as várias edições durante 1900-1950 de uma mesma tradução? pois ali estão arroladas, por exemplo, três edições da mesma tradução de godofredo rangel para a vida de santo agostinho de papini. 
  • um elemento simples, mas necessário para situar o projeto: quando ele foi iniciado? em sua apresentação, consta que foi desenvolvido "nos últimos dois anos", mas não temos a data de referência, a não ser a menção a um edital do mec, capes e cnpq de 2010.
  • senti falta de uma apresentação da metodologia empregada e das fontes consultadas para a elaboração do levantamento. creio que poderia ser útil para pesquisadores e interessados em geral.
  • e, o mais importante de tudo: embora este aspecto não seja comentado no texto de apresentação, suponho que o projeto está aberto para acréscimos, sugestões, complementações e eventuais retificações. caberia confirmá-lo.

é, sem dúvida, uma iniciativa alvissareira e merece a colaboração de todos os interessados na história da tradução no brasil.