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26 de dez. de 2013

maquiavel entre trotskistas e militares

o primeiro maquiavel entre nós é  o príncipe, lançado no mesmo ano de 1933 por duas editoras, ambas de importante papel na história da esquerda brasileira.
pela calvino filho, em tradução de elias davidovich, da qual não restou muita memória:

pela unitas, em tradução de lívio xavier, a qual se tornou a mais amplamente difundida e constantemente reeditada até a data de hoje:


a athena, outra importante editora de esquerda dos anos 30 aos anos 50, a partir de c.1938 relançou o príncipe na tradução de lívio xavier em várias reedições; em 1940, também em tradução de lívio, publicou  escritos políticos de maquiavel.

em curioso contraste, a arte da guerra de maquiavel é lançada pela primeira vez no brasil em 1944, na coleção "biblioteca clássica de cultura militar", a cargo do coronel j.b. magalhães, da editorial peixoto, em tradução do também coronel renato b. nunes:



sobre maquiavel, em especial o príncipe, no brasil, ver aqui.

10 de fev. de 2013

dlit, contribuições III

de maquiavel, cabe lembrar a tradução de elias davidovitch para o príncipe, com prefácio de maurício de medeiros, que saiu pela calvino filho em 1933. agradeço a indicação ao historiador e pesquisador dainis karepovs.


curioso notar que consta o nome de nicholas machiavel.


dlit aqui.

27 de dez. de 2010

coleção poeira

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Acho que a Coleção Folha "Livros que Mudaram o Mundo" devia mudar de nome e passar a se chamar Coleção Poeira.

Vendo o Cândido, ou o otimista, de Voltaire, que sai nesses dias, fiquei mais uma vez decepcionada.


A tradução de Voltaire feita por Jorge Silva foi publicada de início pela editora Atena em 1938, lá se vão mais de setenta anos.


Quem visita o nãogostodeplágio sabe que sou enérgica defensora da preservação de nosso patrimônio tradutório, o qual entre 1995 e 2009 andou sofrendo saques desenfreados. Mas daí até achar que o tempo parou e que desde os anos 1930-1940 não surgiram novas traduções quiçá mais meritórias vai uma grande distância.

Recapitulemos. Nos volumes lançados pela Coleção Poeira, temos:
  • um descarado plágio de uma antiquésima tradução lusitana de 1908: Darwin, A origem das espécies, ainda por cima feita por interposição do francês e crivada de erros grotescos;
  • um lançamento francamente enganoso: o livro de Gabriel Deville, O capital de Karl Marx, resumido e acompanhado de um estudo sobre o socialismo científico, apresentado como se fosse o próprio O capital de Marx em edição condensada, e como se o Estudo sobre o socialismo científico fosse de sua autoria, também em vetusta tradução; 
  • uma edição de Descartes que dá vontade de chorar de tão ruinzinha que é; 
e nada menos que cinco títulos - a rigor seis, pois o volume de Maquiavel agrupa duas obras - com encanecidas traduções da antiga Atena (que fechou nos anos 1960), desde então exaustivamente republicadas por várias editoras - Ediouro, Abril Cultural, Nova Cultural, Agir, Nova Fronteira, Escala, Cultura Brasileira, Livraria Exposição do Livro, Hemus, Edipro - e que até acho que talvez já estejam em domínio público:

  • Maquiavel, O príncipe, tradução de Lívio Xavier, 1933
  • Maquiavel, Escritos políticos, tradução de Lívio Xavier, 1940 
  • Platão, A república, tradução de Albertino Pinheiro, s/d (em 1950 já era a 4a. ed.)
  • Thomas Morus, Utopia, tradução de Luís de Andrade, 1937
  • Aristóteles, A política, tradução de Nestor Silveira Chaves, 1944
  • Voltaire, Cândido ou o otimista, tradução de Jorge Silva, 1938

A Coleção Poeira tinha anunciado que a obra de Pascal, Pensamentos, sairia na tradução de Paulo M. Oliveira, também do baú de nossas avós. Mas aparentemente mudou de ideia, pois substituiu em seu site o nome de Paulo Oliveira pelo de outro tradutor. Apenas notei a troca de nomes, mas não cheguei a comprar o exemplar nessa outra tradução.


De mais a mais, A república de Platão e A política de Aristóteles são traduções do francês um tanto, digamos, superadas, e que em minha opinião têm valor basicamente histórico.


Não entendi muito bem a razão para reeditar esses títulos, em tradução seja espúria, medíocre ou ultrapassada, em tiragens tão grandes e com tanto aparato de marketing.
  • sobre darwin, a origem das espécies, veja aqui
  • sobre gabriel deville, o capital de karl marx, veja aqui
  • sobre descartes, discurso sobre o método e princípios de filosofia, veja aqui
Retificação em 02/01/11: a tradução de Platão feita por Albertino Pinheiro relançada nesta coleção é O banquete, 1943, também pela Atena [acréscimo em 13/10/2021: trad. esta originalmente publicada pela ed. Cultura Brasileira, s/d, c. 1934-8, e posteriormente reeditada pela Atena]


aqui na edição de 1950, em volume duplo
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24 de nov. de 2010

o maquiavel de lívio xavier

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o segundo volume lançado pela coleção folha "livros que mudaram o mundo" é maquiavel, o príncipe e escritos políticos, em tradução de lívio xavier (1900-1988).

quanto a o príncipe, a tradução de lívio saiu originalmente em 1933 pela editora unitas e a partir de c.1938 passou a ser publicada pela athena editora, onde teve várias reedições. também foi publicada por outras editoras inúmeras vezes e atualmente está nos catálogos da ediouro, nova fronteira (agir), escala, edipro e fundação braille. é a tradução d'o príncipe de maquiavel mais conhecida no brasil: em pesquisa maquiavel, você encontra vários dados a respeito.

já dei minha opinião geral sobre a coleção "livros que mudaram o mundo". se agora comento a de maquiavel, é porque um detalhe me deixou um pouco desorientada: na página de créditos e no site da coleção consta que o copyright da tradução de lívio xavier pertence à editora edipro.

até onde sei, a ediouro tem publicado essa tradução pelo menos desde 1966, declarando ser a detentora dos direitos sobre ela.*

 * ver, por exemplo, a recente edição pocket dessa obra pela nova fronteira  mencionando "copyright da tradução: Ediouro Publicações Ltda".

a questão me parece relevante, não pelo aspecto empresarial, que não me diz respeito, e sim pelo aspecto do acesso à obra.
  • a atena, detentora original dos direitos dessa tradução, fechou as portas nos anos 1960;
  • desconheço que lívio xavier tenha recuperado seus direitos com o fechamento da atena ou que algum sucessor tenha constituído espólio após sua morte;
  • se a ediouro adquiriu formalmente os direitos sobre o catálogo da atena por ocasião de seu fechamento, é evidente que eles pertencem a ela;
  • no entanto, o volume da coleção folha informa que o copyright da tradução pertence não à ediouro, e sim à edipro.
por outro lado, se a editora atena, ao encerrar suas atividades, não chegou a transferir seu catálogo a uma outra empresa, essa tradução de lívio xavier, até onde consigo entender, estaria na situação jurídica de obra abandonada.

em nossa atual lei de direito autoral, obras abandonadas de autores falecidos que não tenham deixado sucessores pertencem ao domínio público (artigo 45, lei 9610/98).

daí minha dúvida: a quem de fato pertencem os direitos desta tradução, à ediouro ou à edipro? porventura não estaria ela em domínio público?

conversei no departamento de contratos da ediouro, ficaram de verificar em seus arquivos. transcorrido quase um mês, entrei em contato de novo: continuavam a verificar...

a mesma dúvida me surgiu em relação à obra de thomas morus, utopia, na tradução de luís de andrade, publicada pela atena em 1937 e várias reedições até 1959, depois pela ediouro desde os anos 60 até a data de hoje e também pela edipro a partir de 1994, a qual por sua vez teria licenciado agora em 2010 os direitos para a coleção folha.
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29 de abr. de 2009

maquiavel e a última flor do lácio

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assim, maquiavel chega ao brasil por volta de 1940, com o príncipe e a famosa carta a vettori na tradução de lívio xavier. [vide atualização] se a data parece tardia, também é surpreendente o adiantado dos anos da primeira publicação de maquiavel em portugal. foi somente em 1935 que apareceu a primeira tradução portuguesa do florentino: justamente o príncipe, posto em vernáculo por francisco morais e publicado pela editora atlântida.

num contraste com a edição brasileira, e que achei muito interessante, a primeira tradução maquiavelina lusitana traz como prefácio um artigo de mussolini* e o tradutor era destacado defensor do regime de salazar. justiça lhe seja feita: afirmam os comentadores que a integridade intelectual de francisco morais foi mais do que suficiente para garantir que o viés do fascismo não interferisse no trabalho de tradução. vide aqui.

* no brasil, até onde sei, a única edição que reproduz esse artigo (em posfácio) é a da editora rio (1979), com tradução em nome de aurora pereira de carvalho.

assim, maquiavel leva uns 420 anos para aportar em solo brasileiro e em solo lusitano: entre 1933 e 1935. em ambos os casos, conhecemo-lo inicialmente em o príncipe. do lado de lá do atlântico, sob a égide salazarista; do lado de cá, em lavra de eminente figura de oposição à ditadura varguista. em ambos os casos, traduções respeitáveis e respeitadas. a chamada "tradução fascista" jamais conheceu reedição, sendo raridade bibliográfica, ao passo que a fortuna histórica da tradução de lívio xavier ainda tem longa vida pela frente.

atualização em 12/02/2013: este post perdeu parte de sua validade no que se refere à datação, visto que a primeira edição dessa tradução de lívio xavier saiu em 1933 pela editora unitas, passando a ser publicada pela athena editora a partir de c.1938. ademais, também em 1933 sai a tradução d'o príncipe feita por elias davidovitch para a editora calvino. mantenho o post pelas outras informações, que me parecem interessantes.

maquiavel, lívio xavier

sobre a abundância de edições de o príncipe de maquiavel, veja aqui o que foi localizado agora:
- 58 edições diferentes
- 33 traduções diferentes (em princípio), sem contar a de carlos eduardo soveral, por ser portuguesa
- 6 edições cujo tradutor não descobri

a tradução mais reproduzida é a de lívio xavier, em 11 editoras ou selos editoriais diferentes, em inúmeras e sucessivas reedições: abril cultural, agir, atena, ediouro, edipro, escala, fundação para a leitura do cego, nova cultural (até 1999), pocket ouro, prestígio e tecnoprint.

agir, ediouro, pocket ouro, prestígio e tecnoprint fazem parte do mesmo grupo, a ediouro. a atena fechou. a abril cultural fechou. a nova cultural trocou a tradução de lívio xavier por uma de olívia bauduh. (sobre olívias bauduhs e trocas na nova cultural, já vimos o caso dos pensamentos de pascal - talvez seja algo na mesma linha.) a escala até 2008 publicava a tradução de o príncipe em nome de ciro mioranza. parece que em 2009 resolveu adotar a de lívio xavier.

resumindo: atualmente, a tradução de lívio xavier circula pela ediouro, pela edipro, pela escala e em braille. ainda é a mais difundida e certamente serve de base ou de consulta para outras traduções.

é também a obra que introduziu maquiavel pela primeira vez no brasil. traz em apêndice a famosa carta de maquiavel a vettori, e vem com prefácio e notas do tradutor. ignoro o ano em que foi lançada pela atena editora. sei que a segunda edição é de 1944. tenho a terceira edição, de 1948. então, aplicando ao reverso esse intervalo de 4 anos, vou considerar 1940 como data hipotética da inaugural arribada maquiavelina in terra brasilis.*

* agradeceria muito se alguém soubesse me informar a data exata dessa primeira edição.

é um contexto bem interessante, em plena ditadura estadonovista, com uma razoável influência ideológica do fascismo, época da segunda guerra mundial. lívio barreto xavier, nascido em 1900 no ceará, formado em direito no rio de janeiro, teve intensa militância política desde 1925, data em que ingressou no partido comunista brasileiro. em 1929 foi expulso do partido, por divergências de fundo com a linha dominante de perfil nacionalista, sob astrojildo pereira. em 1931 mudou-se para são paulo, criando com mário pedrosa, aristides lobo, benjamin péret, a primeira organização trotskista brasileira. sob a forte repressão da ditadura vargas e o peso das divergências internas do trotskismo brasileiro, acabou se afastando da política militante em 1935, dedicando-se à tradução, à crítica literária e ao jornalismo cultural. morreu em 1988.

lívio xavier traduziu muito. seu nome faz parte do panteão dos tradutores que colocaram as obras do pensamento universal ao alcance dos brasileiros. tinha escrita fluente, elegante e mordaz. deixou sua marca entre a intelectualidade brasileira. seu texto esboço de uma análise da situação econômica e social do brasil (1930), em parceria com mário pedrosa, é tido como a primeira análise marxista, séria e consistente, sobre o país. autor também de nosso patrimônio cultural, tempestade sobre a ásia: a luta pela manchúria (com o pseudônimo de l. mantsô), infância na granja, o elmo de mambrino (que lhe valeu o prêmio jabuti de 1976, na categoria de estudos literários). como poeta bissexto, deixou uma coletânea de dez poemas de lívio xavier ilustrados por noêmia mourão. seu acervo se encontra no cedem, centro de documentação e memória, da unesp.

entre suas traduções incluem-se:

benjamin farrington, a ciência grega, e o que significa para nós (com joão cunha andrade)
edgar a. poe, o poço e o pêndulo
gandhi, memórias de gandhi
hegel, enciclopédia das ciências filosóficas (3 vol.) - aqui também trata-se da primeira tradução de uma obra integral de hegel no brasil (1936)
kropotkin, em torno de uma vida - memórias de um revolucionário (com berenice xavier)
louis fischer, alvorada da vitória (1943, ed. prometeu)
maquiavel, carta a vettori
maquiavel, escritos políticos
maquiavel, o príncipe
rené wellek, história da crítica moderna
roger gal, história da educação
rosa luxemburgo, reforma ou revolução
rosa luxemburgo, reforma, revisionismo e oportunismo
spinoza, ética
trotsky, minha vida
trotsky, terrorismo e comunismo

imagem: http://cronologia.leonardo.it

atualização em 12/2/2013:  o príncipe em tradução de lívio xavier saiu em 1933 pela editora unitas, passando a ser publicada pela athena a partir de c.1938.


atualização em 24/5/13: agradeço a dainis karepovs pela imagem de capa.

28 de abr. de 2009

quantos!


é impressionante como volta e meia a gente tropeça num príncipe, num contrato social, num elogio da loucura, numa república. se quantidade de edições diferentes significa avanço de qualidade, devemos ser uns especialistas na exegese maquiavelina!

maquiavel, o príncipe:

ab editora, oliveira leite gonçalves
abril cultural, lívio xavier
agir, lívio xavier
atena, lívio xavier
bertrand brasil, roberto grassi
bibliex, edson bini
calvino filho, elias davidovitch
cedic, não consegui saber
centauro, brasil bandecchi
círculo do livro, antonio d'elia
civilização brasileira, roberto grassi
clio, henrique amat rêgo monteiro
companhia das letras, maurício santana dias
cultrix, antonio d'elia
difel, roberto grassi
dpl, cândida de sampaio bastos
ed. unb, sérgio bath
edijur, não consegui saber
ediouro, lívio xavier
edipro, lívio xavier
elsevier, mônica bana (pelo espanhol)
escala, ciro mioranza
escala, lívio xavier
fundação para a leitura do cego no brasil, lívio xavier
fundação para a leitura do cego no brasil, outra edição, não sei qual
garnier, ana carolina moreira
gb, não consegui saber
germape, gilson césar cardoso de sousa
grupo folha, coleção "livros que mudaram o mundo", lívio xavier
hedra, josé antonio martins [bilíngue]
hemus, edson bini
hemus, torrieri guimarães
ícone, brasil bandecchi e mirtes de matteo
jardim dos livros, ana paula pessoa
juruá, nélia silka
leia, oberdan masucci
letras e artes, miécio tati
leud, amilcare carletti
lpm [o tradutor solicitou que seu nome fosse retirado deste levantamento]
madras, afonso teixeira filho
martin claret, pietro nassetti
martin claret, leda beck
martins fontes, maria júlia goldwasser
nova cultural, lívio xavier
nova cultural, olívia bauduh
nova fronteira, lívio xavier
otto pierre, não consta
parma, brasil bandecchi
paz e terra, maria lúcia cumo
planeta de agostini, carlos e. soveral
prestígio, lívio xavier
revista dos tribunais, josé cretella jr. e agnes cretella
rideel, torrieri guimarães
rigel, ferdinando schwartz
rio, aurora pereira de carvalho
russell, ricardo rodrigues gama
senado federal, mário e celestino da silva
suprema cultura, não consegui saber (como organizador valter roberto augusto)
tecnoprint, lívio xavier
três, lívio xavier
universo dos livros, não consegui saber
vecchi, mário e celestino silva
vozes, ivan hingo weber

afora o caso da planeta de agostini (a tradução de carlos eduardo soveral foi publicada em 1955 pela guimarães, de portugal), os demais parecem ser fauna local.

achei um certo exagero: entre essas 58 [59; 60; 61]* edições, há umas 38 traduções diferentes, algumas não muito recomendáveis, a saber, a assinada por "pietro nassetti" e a assinada por "olívia bauduh". mas, tirando isso, podia até ser simpático acompanhar esse périplo tradutório do príncipe em terra brasilis.

*atualizado em 31/08/2010; atualizado em 02/03/2011; atualizado em 28/11/2012

imagens: www.ga.wikipedia.org; http://www.playainnovations.com/