21 de set de 2010

coleção folha: opinião pessoal

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com a relação oficial (quase completa) dos tradutores das obras que compõem a coleção folha "livros que mudaram o mundo", fica mais fácil ter uma visão geral. retomando o que eu havia dito num dos posts anteriores, a seleção não me encantou especialmente, sem contar o escabroso episódio d'a origem das espécies.

explico-me: o fato de serem, em sua maioria, obras de facílimo acesso talvez não constitua objeção, pois afinal vinte, cinquenta ou cem obras "que mudaram o mundo" geralmente são mesmo de fácil acesso, e sempre é legal ter novas edições, principalmente quando são de boa qualidade.

o que acho mais relevante é que obras tão conhecidas costumam ser traduzidas e retraduzidas com uma certa frequência, muitas vezes com tratamento mais cuidadoso, traduções feitas por especialistas da área, diretamente do original e assim por diante. pois traduções mais modernas não se resumem a uma linguagem mais contemporânea: em muitos casos, sobretudo dos clássicos, elas costumam trazer um ganho, uma contribuição adicional para a compreensão da obra.

por isso fiquei um pouco decepcionada ao ver traduções dos anos 1930-1950 reeditadas pela enésima vez: é o caso de nestor silveira chaves, luís de andrade, lívio xavier, albertino pinheiro, todos publicados naquelas décadas pela editora atena e depois, à exceção deste último, reeditados pela ediouro por mais algumas décadas a fio. a produção de paulo m. oliveira, embora eu não tivesse notícia dessa sua tradução de pascal* antes de sair pela edipro em 1996, também é de 60-80 anos atrás. então acho que faltou renovação, faltou arejar um pouco.

* vim a saber que saiu em 1936, pela athena.


quanto às traduções de jorge silva (cândido de voltaire) e de murilo coelho (o capital, edição condensada), confesso minha ignorância. pesquisei os respectivos nomes na internet, mas não encontrei referências a nenhum dos dois, seja nestas ou em outras obras de tradução. aguardarei o lançamento.

muito bem-vindos e de não tão fácil acesso: newton e tocqueville. bíblia e alcorão não podem faltar em nenhuma estante. quem não tem as confissões, não perca a oportunidade, e o livro vermelho também tem um certo interesse bibliográfico.
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5 comentários:

  1. Anônimo21.9.10

    Alexandre


    O Tocqueville parece ser bem interessante, já que a versão da Villa Rica está esgotada e assim só se tem a versão da Martins Fontes, que é dividida em duas partes e caríssima. Essa foi uma muito boa da coleção. Aristóteles também me parece não ser das piores, como eu tinha dito antes.

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  2. Anônimo21.9.10

    Muito bem vindos os comentários sobre as traduções, estava ansioso para saber justamente sobre a bíblia e o alcorão. Só queria saber se essa tradução da bíblia é daquelas com linguagem muito simplificada ou se é mais formal mesmo.

    Fiquei chateado pelo Principia ser só o vol. 3, mas se ele não é de tão fácil acesso assim então acho que valerá a pena adquiri-lo.

    E Denise: parabéns, pois como disseram em outro tópico, se não fosse pela sua mobilização provavelmente não teríamos essas informações em mãos - mandei um e-mail para a Folha solicitando os nomes dos tradutores e nem me responderam.

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  3. prezado anônimo: obg, acho que bastante gente se mobilizou e escreveu para a folha, e isso principalmente motivou o jornal a tomar logo essas medidas.

    olha, não estou recomendando especificamente essas traduções da bíblia e do alcorão, mesmo porque não conheço e, se conhecesse, nem teria competência para avaliar. mas acho que são livros obrigatórios em qualquer estante e esta me parece uma boa ocasião.
    sobre traduções do alcorão para o português, há uma pequena matéria interessante no jornal da usp: http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2003/jusp664/pag1011.htm

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  4. Anônimo21.9.10

    Acho ótimo como você consegue colocar as coisas tão claramente e em poucas palavras, Denise. É só com elegância mesmo. Não é pra qualquer um.

    Parabéns de novo por seu trabalho neste blog.

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  5. Denise,

    acho que vou comprar pelo menos o Tocqueville...

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