assim, maquiavel chega ao brasil
num contraste com a edição brasileira, e que achei muito interessante, a primeira tradução maquiavelina lusitana traz como prefácio um artigo de mussolini* e o tradutor era destacado defensor do regime de salazar. justiça lhe seja feita: afirmam os comentadores que a integridade intelectual de francisco morais foi mais do que suficiente para garantir que o viés do fascismo não interferisse no trabalho de tradução. vide aqui.
* no brasil, até onde sei, a única edição que reproduz esse artigo (em posfácio) é a da editora rio (1979), com tradução em nome de aurora pereira de carvalho.
assim, maquiavel leva uns 420 anos para aportar em solo brasileiro e em solo lusitano: entre 1933 e 1935. em ambos os casos, conhecemo-lo inicialmente em o príncipe. do lado de lá do atlântico, sob a égide salazarista; do lado de cá, em lavra de eminente figura de oposição à ditadura varguista. em ambos os casos, traduções respeitáveis e respeitadas. a chamada "tradução fascista" jamais conheceu reedição, sendo raridade bibliográfica, ao passo que a fortuna histórica da tradução de lívio xavier ainda tem longa vida pela frente.
atualização em 12/02/2013: este post perdeu parte de sua validade no que se refere à datação, visto que a primeira edição dessa tradução de lívio xavier saiu em 1933 pela editora unitas, passando a ser publicada pela athena editora a partir de c.1938. ademais, também em 1933 sai a tradução d'o príncipe feita por elias davidovitch para a editora calvino. mantenho o post pelas outras informações, que me parecem interessantes.
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