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assim, maquiavel chega ao brasil por volta de 1940, com o príncipe e a famosa carta a vettori na tradução de lívio xavier. se a data parece tardia, também é surpreendente o adiantado dos anos da primeira publicação de maquiavel em portugal. foi somente em 1935 que apareceu a primeira tradução portuguesa do florentino: justamente o príncipe, posto em vernáculo por francisco morais e publicado pela editora atlântida.
num contraste com a edição brasileira, e que achei muito interessante, a primeira tradução maquiavelina lusitana traz como prefácio um artigo de mussolini* e o tradutor era destacado defensor do regime de salazar. justiça lhe seja feita: afirmam os comentadores que a integridade intelectual de francisco morais foi mais do que suficiente para garantir que o viés do fascismo não interferisse no trabalho de tradução.
* no brasil, até onde sei, a única edição que reproduz esse artigo (em posfácio) é a da editora rio (1979), com tradução em nome de aurora pereira de carvalho.
assim, maquiavel leva uns 420 anos para aportar em solo luso ou brasileiro: entre 1935 e 1940. em ambos os casos, conhecemo-lo inicialmente em o príncipe. do lado de lá do atlântico, sob a égide salazarista; do lado de cá, em lavra de eminente figura de oposição à ditadura varguista. em ambos os casos, traduções respeitáveis e respeitadas. a chamada "tradução fascista" jamais conheceu reedição, sendo raridade bibliográfica, ao passo que a fortuna histórica da tradução de lívio xavier ainda tem longa vida pela frente.
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