21 de abr de 2009

le deuil

naturalmente o caro leitor se deu conta da calamidade referida no post aiaiai, e agora.

em se confirmando o plágio da hemus (1975) em cima da tradução de fernando de aguiar de a cidade antiga, de fustel de coulanges, essa praga adquire uma dimensão exorbitante. por várias razões:
- se quem faz um faz cem, isso obriga a checar as outras traduções em nome de jonas camargo leite (ao que parece, tradutor de livro único, a dita cidade antiga da hemus, que a bem dizer não é propriamente uma tradução) e de eduardo nunes fonseca.
- se uma editora publica traduções que não são propriamente traduções, isso obriga a conferir os demais títulos dessa editora, em nome de outros tradutores.
- se essa editora vende e sublicencia suas pseudotraduções para outras editoras, isso obriga a conferir o catálogo dessas outras editoras.

e, estando a editora há quase quarenta anos na praça, a coisa fica deveras alarmante. a pergunta básica, que qualquer criança faria, é: "mas então ninguém viu?" - ou, pior: "viram e pouco se importaram?". não interessa, o fato permanece.

então, recapitulando: a editora martin claret, responsável pela maior enxurrada de fraudes e plágios no mercado editorial de que há notícia na história do livro no brasil, tem em circulação a cidade antiga, de fustel de coulanges, em nome de "jean melville". um grupo de estudantes descobriu que era um plágio da edição da ediouro, em nome de jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca. de minha parte, descobri que essa edição da ediouro, por sua vez, era reedição de um plágio da hemus em cima da clássica editora, de portugal.

se a coisa tivesse parado lá pelos anos 70, época da publicação da hemus, eu nem mexeria nisso. o problema é que essa fraude está aí próspera e viçosa, ainda em catálogo da hemus, licenciada para a ediouro (a qual declarou que vai tomar as providências cabíveis), e replagiada pelo intrépido claret, na mais autêntica ciranda com o joão-bobo do leitor no meio.

mas, nessa brincadeira, a perninha curta da mentira já começa a aparecer. eduardo nunes fonseca, o suposto cotradutor de a cidade antiga, assina pelo menos mais duas traduções pela hemus que TAMBÉM estão licenciadas para a ediouro, em sucessivas reedições. a saber: darwin, a origem das espécies, e émile zola, germinal. ainda esta semana apresentarei os cotejos clássica x hemus/ediouro (a cidade antiga) e vecchi x hemus/ediouro (germinal).

resta ver o que a ediouro fará. seria uma vergonha que o maior grupo editorial do país continuasse a abrigar lixo tóxico em seu catálogo.

imagens: o luto

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