8 de abr de 2009

que dupla!


rosencrantz e guildenstern estão mortos é um dos filmes mais divertidos, movimentados e espirituosos que eu conheço. não tão divertido é claret e nassetti são vivos. além de monótono e repetitivo, é um insulto à inteligência.


Hamlet: Ser ou não ser, eis a questão! Que é mais nobre para o espírito: sofrer os dardos e setas de um ultrajante fardo, ou tomar armas contra um mar de calamidades para pôr-lhes fim, resistindo? Morrer... dormir; nada mais! E com o sono, dizem, terminamos o pesar do coração e os mil naturais conflitos que constituem a herança da carne! Que fim poderia ser mais devotadamente desejado? Morrer... dormir! Dormir!... Talvez sonhar! Sim, eis aí a dificuldade! Porque é forçoso que nos detenhamos a considerar que sonhos possam sobrevir, durante o sono da morte, quando nos tenhamos libertado do torvelinho da vida. Aí está a reflexão que torna uma calamidade a vida assim tão longa! Porque, senão, quem suportaria os ultrajes e desdéns do tempo, a injúria do opressor, a afronta do soberbo, as angústias do amor desprezado, a morosidade da lei, as insolências do poder e as humilhações que o paciente mérito recebe do homem indigno, quando ele próprio pudesse encontrar quietude com um simples estilete? Quem gostaria de suportar tão duras cargas, gemendo e suando sob o peso de uma vida afanosa, se não fosse o temor de alguma coisa depois da morte, região misteriosa de onde nenhum viajante jamais voltou, confundindo nossa vontade e impelindo-nos a suportar aqueles males que nos afligirem, ao invés de nos atirarmos a outros que desconhecemos? E é assim que a consciência nos transforma em covardes e é assim que o primitivo verdor de nossas resoluções se estiola na pálida sombra do pensamento e é assim que as empresas de maior alento e importância, com tais reflexões, desviam seu curso e deixam de ter o nome de ação.

SHAKESPEARE, William. Hamlet, príncipe da Dinamarca. In: Tragédias. Tradução F. Carlos de Almeida Cunha Medeiros e Oscar Mendes. Aguilar, 1969; Abril Cultural, 1981.

Hamlet: Ser ou não ser, eis a questão! Que é mais nobre para alma: sofrer os dardos e setas de um destino cruel, ou pegar em armas contra um mar de calamidades para pôr-lhes fim, resistindo? Morrer... dormir; nada mais! E com o sono, dizem, terminamos o pesar do coração e os inúmeros naturais conflitos que constituem a herança de carne! Que fim poderia ser mais devotamente desejado? Morrer... [] Dormir!... Talvez sonhar! Sim, eis [] a dificuldade! Porque é forçoso que nos detenhamos a considerar que sonhos possam sobrevir, durante o sono da morte, quando nos tenhamos libertado do torvelinho da vida. Aí está a reflexão que dá à desventura uma [sic!] vida assim tão longa! Pois, senão, quem suportaria os insultos e desdéns do tempo, a injúria do opressor, a afronta do soberbo, as angústias do amor desprezado, a morosidade da lei, as insolências do poder e as humilhações que o paciente mérito recebe do homem indigno, quando ele próprio pudesse encontrar repouso com um simples estilete? Quem gostaria de suportar tão duras cargas, gemendo e suando sob o peso de uma vida afanosa, se não fosse o temor de alguma coisa depois da morte, região misteriosa de onde nenhum viajante jamais voltou, confundindo nossa vontade e impelindo-nos a suportar aqueles males que nos afligirem, em vez de nos lançarmos a outros que desconhecemos? E é assim que a consciência nos transforma em covardes, é assim que o primitivo verdor de nossas resoluções se debilita na pálida sombra do pensamento e é assim que as empresas de maior alento e importância, com semelhantes reflexões, desviam seu curso e deixam de ter o nome de ação.

SHAKESPEARE, William. Hamlet. "Tradução" Pietro Nassetti. Martin Claret, 2007.

o hamlet claretiano nos fiéis solidários livreiros: livrarias curitiba, submarino, cortez, nobel, saraiva, loyola, estação cult (decerto achando que trash é cult), e por aí afora.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




Um comentário:

  1. A princípio achava que Pietro Nassetti fosse um prodígio: traduzia do grego, do latim, do inglês, do francês, do alemão, do espanhol do italiano, do russo... Não é impossível, Haroldo de Campos também traduziu de vários idiomas, vá lá!
    Depois achei que Nassetti fazia traduções para o português de obras já traduzidas para o francês ou inglês. Finalmente descobri que ele traduz do português para o português!
    Não compro mais livros da Martin Claret e acabei passando para frente os que havia adquirido. Há tempos eu queria me lembrar o nome do tradutor - serve para exemplo de não trabalho de tradução!
    Pelo visto você analisou muita coisa! Parabéns, eu certamente voltarei ao seu blog!

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