17 de abr de 2009

ufa, caiu a ficha!

Um acordão?

Postado por Galeno Amorim - 16/4/209
Dada a largada no debate sobre o que fazer com os livreiros independentes (iniciada com a apresentação de projeto de lei propondo a criação da lei do preço fixo, que já vigora em alguns países), a Associação Nacional de Livrarias acredita que as discussões possam ter outros desdobramentos. Em vez de uma legislação aprovada no Legislativo, por exemplo, já admite conversar sobre a possibilidade de um acordo no próprio setor envolvendo as outras entidades do livro.

gosto muito da libre, a liga brasileira de pequenas e médias editoras independentes. ela tem uma excelente posição em defesa da bibliodiversidade, adota perspectivas inovadoras, é moderna, arejada, reúne editores de alta qualidade, promove eventos ótimos como a primavera dos livros.

achei uma pena que ela parecesse ter embarcado acriticamente na proposta da anl, que abriga grandes e tradicionais livrarias, tipo saraiva, siciliano, nobel, leitura etc. para criar uma reserva de mercado no setor, tabelando o livro por seu preço cheio e acabando com descontos e promoções para os leitores.

fiquei confusa, e acabei achando que a libre poderia demarcar de maneira mais explícita os limites de seu apoio à proposta do preço fixo cheio do livro. pois não por acaso boa parte das supostas pequenas e médias livrarias associadas à anl são também editoras que, aliás, não compartilham propriamente o perfil dos associados da libre. a impressão que dá é que na proposta do preço cheio da anl estão mesclados interesses editoriais incrustados, cuja principal preocupação é a participação cada vez maior do capital internacional no setor -interesses estes que se apresentam ao público e mesmo dentro do mundo do livro sob a fachada dos problemas específicos enfrentados pelo segmento livreiro de pequeno e médio porte.

então é evidente que a briga é outra, e que a tentativa de instrumentalizar a difícil situação das livrarias realmente médias e pequenas em favor de uma proposta que atende basicamente a interesses de tradicionais editoras, apenas prejudica e penaliza os leitores, e dificilmente conseguirá despertar muita simpatia entre a sociedade.

a nota de galeno amorim parece sinalizar que a anl está começando a colocar a discussão onde deveria ter sido colocada desde o começo: não no legislativo, e sim dentro de seu próprio setor, abrindo-se para vários desdobramentos interessantes. aí sim ela poderá ser profícua e até conquistar maior apoio em geral.

imagem: www.alterinfo.net

3 comentários:

  1. Anônimo17.4.09

    Claro - eles que se entendam uns com os outros. Disputa entre livrarias tem que se resolver interna corporis.

    ResponderExcluir
  2. Anônimo30.4.09

    País precisa de leitores e não de preço.

    ResponderExcluir
  3. Prezada Denise,
    Não conheço a proposta do preço cheio. O fato é que eu tenho comprado, ultimamente, pela Internet. É mais fácil, acessível e - aí está a questão - barato. Mas quem vende com desconto? Submarino, Cultura, Livraria da Folha. Isto é, pequenas livrarias ou editoras, sem muita chance. Para mim, como comprador, assim como para muitos outros, é bom. Mas é como a liquidação de um livro do qual restam poucos exemplares em estoque: quer dizer que nao será relançado, pelo menos não tão cedo ou não por aquela editora. Esse me parece ser um ponto que justifica o preço cheio, que entendo ser o preço tabelado ou algo do gênero, sem desconto.
    Vivi na França quando a FNAC, que na ocasião era uma boa livraria, invadiu Paris (ela vinha da "província", creio que Lyon). Foi um arraso. Tinha de tudo e com 20% de desconto. Daí a alguns anos foi adotada uma lei que proibia desconto superior a 5%, com o objetivo, dizia-se, de impedir a destruição das pequenas livrarias - pois todas as pessoas que eu conhecia iam à FNAC. Não sei se adiantou ou não. A FNAC hoje não é bem uma livraria, é um multiplex de produtos.
    Em suma, como leitor gosto do desconto. Mas será uma boa política?
    Por outro lado, o que lamento é que não exista uma política ampla, entre nós, de difusão do livro de pequenas e excelentes editoras. Por que não um site de vendas, tipo Submarino, congregando especificamente as editoras universitárias? Sugeri isso a várias pessoas da área ou próximas, a começar pelo presidente do CNPq na década de 90, prof. Tundisi, mas nunca vi nada assim suceder. Uma livraria online das pequenas editoras poderia dar um acesso delas ao mercado que seria fabuloso. Lembro um Jabuti (ano 2001) em que a Cia. das Letras teve sete finalistas e a Edusp, cinco. Dado o investimento de uma e de outra, a editora universitária teve uma belissima performance! Mas isso precisa resultar em vendas e em leituras.
    Um abraço,
    Renato Janine Ribeiro

    ResponderExcluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.