6 de abr de 2009

tabelamento de preços? de novo?

a anl, associação nacional das livrarias, anda num siricotico danado em cima da história do "preço único" para o livro. não tenho uma opinião definitiva a respeito, mas a princípio acho estranho. aqui não é a frança, aqui não é a noruega, aqui mais parece uma espécie de faroeste, onde fica meio borrada a distinção entre o mero oportunismo e a franca criminalidade, com um véu de mútua conivência e acobertamento entre editores e livreiros. (a generalização é grosseira: há vários editores sérios e alguns livreiros idem.)

além do mais, tenho a impressão de que hoje em dia nem mais o pãozinho é tabelado no brasil. querem tabelar o livro?! sei não, parece que, como sempre, vai acabar sobrando para o leitor/cidadão. como não tenho a menor simpatia pelo absenteísmo de cbls, anls etcls. na questão dos plágios, da desonestidade editorial e da responsabilidade solidária das livrarias, talvez possa haver aí um certo parti-pris meu contra qualquer proposta dessa gente conivente com os crimes de concorrência desleal, lesa-patrimônio, falsidade ideológica, falsificação de produtos, ludibrio do consumidor/leitor, abuso da boa-fé da sociedade etc. que assolam o mundo do livro.

em todo caso, isso de tentar salvar o barco que está afundando propondo medidas unilaterais nunca deu certo em lugar nenhum. é ilusão pensar que a simpática e aconchegante livrariazinha familiar, com o preço do livro tabelado, conseguirá fazer frente à concorrência das fnacs e submarinos da vida [aviso que não sou fã do processo de fnaquização] - mas querer transformar essa ilusão em lei e sacrificar os leitores e consumidores aos interesses do segmento das pequenas e médias livrarias em crise, aí já acho meio demais. algumas sempre conseguirão sobreviver, mas não será por causa do tabelamento de preços.

se eu encontrar algum argumento convincente em favor do tal "preço único", claro que mudo de ideia. mas até lá, como cidadã leitora, sou contra.

imagem: www.kitchen.it

Um comentário:

  1. Concordo plenamente, enquanto o mercado editorial não sofrer um revez as coisas não mudarão.

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