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4 de abr. de 2015
poe
um artigo de maria rita drumond viana sobre várias traduções d'o gato preto, de poe, aqui.
os contos de poe em tradução de julio cortázar (1956, em reedição revista e corrigida pelo tradutor), aqui.
imagem: aubrey beardsley (1894-95), the black cat
31 de out. de 2014
o desplante da h. garnier
mentira da grossa e da feia. é cópia literal e integral da tradução de mécia mousinho de albuquerque. vide os posts nas tags "h. garnier", "edgar allan poe" e "pesquisa 'poe no brasil'". agradeço a paulo soriano a gentilíssima remessa desse anúncio publicado na gazeta de notícias em 4 de dezembro de 1903.
7 de mar. de 2014
mais um william wilson

superlegal, mais uma tradução de "william wilson", gentilíssima informação de sérgio tadeu santos:
"Para colaborar no levantamento dos contos de Poe.
"Há uma antologia organizada pelo Harold Bloom – Contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades, em 4 volumes, publicada pela editora Objetiva, em 2003, tradução de José Antonio Arantes. No volume 4, pg 241-278, há o conto 'William Wilson'."
18 de dez. de 2013
tardio, porém viçoso
a revista tradterm, da usp, publicou em seu último número, v. 22/1 (2013), meu artigo "tardio, porém viçoso: poe contista no brasil". o artigo apresenta a trajetória da ficção de poe traduzida e publicada em livro entre nós, e está disponível aqui.
sobre poe no brasil, visite também meu blog edgar allan poe, aqui.
sobre poe no brasil, visite também meu blog edgar allan poe, aqui.
10 de fev. de 2012
poe contista em livro no brasil

comecei a publicar a listagem dos livros de contos de poe traduzidos e publicados no brasil, com título, nome do tradutor, editora, data da primeira edição, conteúdo e, quando possível, capa também da primeira edição.
acompanhe essa listagem no blog Edgar Allan Poe, aqui.
na imagem acima, tem-se, por exemplo, a primeira edição de mar de histórias, vol. II, em seleção e tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai, de 1951, quando essa coleção antológica ainda estava na josé olympio. poe comparece nesta coletânea com dois contos: "o homem da multidão" e "a carta furtada".
14 de nov. de 2011
poe no clube do livro

Esta coletânea de diversos autores, publicada pelo Clube do Livro em 1981, traz "William Wilson" de Poe. É uma edição apócrifa, sem créditos de tradução nem de licenciamento das editoras de onde foram extraídas as traduções. No caso da de "William Wilson", é uma vez mais a vetustíssima "traducção brasileira" anônima publicada em 1903 pela H. Garnier, e que creio tratar-se de uma contrafação da tradução portuguesa de Mécia Mousinho de Albuquerque.
Se o Clube do Livro foi um dos grandes divulgadores de contos de Poe entre um público mais amplo no Brasil, com edições baratas e sistema de venda domiciliar, desde 1945 a 1988, com:
- Novelas extraordinárias (1945)
- Aventuras de Artur Gordon Pym (1946)
- Thingum Bob e outros contos (1956)
- uma pretensa cessão de direitos de tradução para as Histórias extraordinárias da Ordibra (1972)
- "William Wilson" na coletânea acima (1981)
- Histórias extraordinárias (1988)
por outro lado foi a editora com maior quantidade de edições espúrias, plágios e contrafações das traduções de Poe em português. Uma pena.
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28 de out. de 2011
9 de ago. de 2011
poe XLVII, primeiro livro de poe em tradução brasileira
o primeiro livro de contos de poe publicado no brasil saiu em c. 1903, pela h. garnier. era a reedição de uma tradução portuguesa. já comentei o tema e a fortuna dessa edição no brasil, tediosamente plagiada até os anos 1980.
agora fico muito contente em poder apresentar com razoável margem de segurança o primeiro volume de contos de poe em tradução efetivamente brasileira: historias exquisitas, afonso de escragnolle taunay, melhoramentos, 1927.
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5 de ago. de 2011
poe LXVI, carências
além do incrível fato de as tales of the grotesque and arabesque serem inéditas no brasil, como seleta poeana, sinto falta de uma atenção mais detida aos conceitos de "grotesco" e "arabesco" de poe. já vi coisas absurdas, tipo serem tomados
como sinônimos ou, no caso do grotesco, ser identificado com
o barroco.
é sabido que poucas pistas ele deu a respeito. mas creio que não seria totalmente infecunda uma boa exploração de seu prefácio, com o levantamento dos usos (o "grotesco" eu não tomaria de barato como idêntico à grotesquerie dos crimes da rua morgue), uma análise focada da filosofia do mobiliário, uma pesquisa de possíveis fontes da época etc. quanto ao "arabesco" tenho um palpite de que é um conceito bastante sofisticado, que ele associa aos contos de horror, rejeitando o epíteto de gótico ou germânico.
imagem: arabesco
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como sinônimos ou, no caso do grotesco, ser identificado com
o barroco.
é sabido que poucas pistas ele deu a respeito. mas creio que não seria totalmente infecunda uma boa exploração de seu prefácio, com o levantamento dos usos (o "grotesco" eu não tomaria de barato como idêntico à grotesquerie dos crimes da rua morgue), uma análise focada da filosofia do mobiliário, uma pesquisa de possíveis fontes da época etc. quanto ao "arabesco" tenho um palpite de que é um conceito bastante sofisticado, que ele associa aos contos de horror, rejeitando o epíteto de gótico ou germânico.
imagem: arabesco
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3 de ago. de 2011
poe XLV, FBN, socorro II
no outro catálogo da BN, aqui, temos:
aliás, desde que mudaram o sistema de consulta, está absurdamente lento e vive caindo ou travando. além disso, no exemplo com link acima, uma entrada registra, por exemplo, 124 obras. você abre, são 62. outra registra 4 obras; você abre, são 2. os números estão todos duplicados.
galeno amorim, socorro de novo.
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poe, edgar allanme recuso a acreditar que seja tão difícil padronizar as entradas.
poe, edgar allan, 1809-1848
poe, edgar allan, 1809-1849
poe, edgar allan, 1809-1949
poe, edgard allan, 1809-1849
aliás, desde que mudaram o sistema de consulta, está absurdamente lento e vive caindo ou travando. além disso, no exemplo com link acima, uma entrada registra, por exemplo, 124 obras. você abre, são 62. outra registra 4 obras; você abre, são 2. os números estão todos duplicados.
galeno amorim, socorro de novo.
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2 de ago. de 2011
poe XLIV, FBN, socorro
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fico doente com o relaxo no cadastramento dos autores em nossa fundação biblioteca nacional:
Aí a gente vai consultar o Edgar Allan Poe (o quarto da lista acima), e temos lá:
GALENO AMORIM, SOCORRO!!!
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fico doente com o relaxo no cadastramento dos autores em nossa fundação biblioteca nacional:
NOME DO AUTOR |
ALLAN POE |
Edgar Alan Poe |
Edgar Allam Poe |
Edgar Allan Poe |
Edgard Allan Poe |
EDGAR ALLAN POE |
EDGAR ALLAN POE |
EDGAR ALLAN PPOE |
EDGAR ALLEN POE |
EDGARD ALLAN POE |
Aí a gente vai consultar o Edgar Allan Poe (o quarto da lista acima), e temos lá:
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RESULTADO DA BUSCA |
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Página | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | |
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poe XLIII, planilhas no google docs
quem quiser acompanhar essa fase inicial de levantamento de dados sobre as traduções da ficção de edgar allan poe no brasil, as planilhas estão aqui no google docs. os dados podem ser livremente usados, mas solicito a gentileza de que seja dada a fonte do levantamento.
agradeço a sugestão de ricardo nassif.
imagem: brint montgomery
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imagem: brint montgomery
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1 de ago. de 2011
poe XLII, primeira parcial
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nessa pesquisa sobre a bibliografia da ficção de edgar allan poe no brasil, estou chegando a uns resultados interessantes. numa parcial inicial, temos que, do total de 69 contos de poe, 66 estão traduzidos. faltam apenas coisas muito pouco conhecidas, a saber: um fragmento manuscrito descoberto apenas em 1924, chamado The Light-House, o conto Von Kempelen and his Discovery (também tratado no ensaio "O jogador de xadrez de Maelzel") e uma novela inacabada, The Journal of Julius Rodman. Uma hora, estou boa de traduzi-los e disponibilizá-los na rede, para termos a totalidade da ficção de Poe em português.
até o momento, levantei 401 traduções diferentes desses 66 contos. não estou levando em conta as edições, reedições e licenciamentos de cada tradução, mas apenas a primeira edição de cada uma delas. falta ainda localizar umas boas dezenas, principalmente em antologias com vários autores do tipo "obras-primas do conto tal e tal", "maravilhas do conto tal", muitas vezes utilizando traduções existentes. mas a distribuição até agora é bastante interessante. por exemplo, quatro contos tiveram mais de vinte traduções nesse período. são eles:
- the black cat, com 27 traduções (21 legítimas e 6 espúrias)
- the purloined letter, com 23 traduções (20 legítimas e três espúrias)
- the gold-bug, com 23 traduções (19 legítimas e 4 espúrias)
- the murders in the rue morgue, com 21 traduções (19 legítimas e 2 espúrias)
outro dado que achei interessante foi a distribuição temporal dessas traduções. a vantagem é que chegamos a 1944 com todos os 66 contos traduzidos por milton amado e oscar mendes, na edição que saiu pela globo. dividi o período em três blocos e os resultados até agora são seguintes:
- 1900-1949: 106 traduções
- 1950-1999: 202 traduções
- 2000 --> : 93 traduções

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poe XLI, dificuldades
estou tentando rastrear os contos de poe em tradução brasileira publicados desde o começo do século XX até agora. já encontrei umas quatrocentas traduções de 66 contos, e falta ainda identificar algumas dezenas de outras.
mas tem um volume que está me dando uma canseira danada: contos de horror, em tradução de luiza lobo, que saiu pela bruguera em 1970, naquela coleção "trevo negro", vol. 11. as pouquíssimas referências estão no currículo da própria tradutora, aqui na pesquisa "poe no brasil" e no catálogo do acervo da fundação biblioteca nacional:
depois que a bruguera fechou e se transformou na cedibra, a trevo negro foi republicada, mas com outra numeração. descobri que o volume 16 da trevo negro da cedibra se chama horror, e é uma antologia - então talvez tenha essas misteriosas traduções, mas não consegui localizar um único exemplar!
tentei contato com a tradutora, liguei para a universidade onde ela dá aula, nada... então tenho que juntar as pequenas pistas: restam os contos da edibolso/cedibra de 1975. tirando os de brenno que estão em seu nome ("o gato preto" e "a queda da casa de usher"), ficariam "o enterro prematuro", "o barril de amontillado", "o coração revelador", "a máscara da peste vermelha" e "o homem na multidão".
atribuição é uma coisa complicada em pesquisa documental. pois esse "coração revelador" que tenho em mãos, de 1975, apresenta algumas diferenças significativas em relação às passagens de 1971 citadas na tese acima. como posso considerar que se trata da mesma tradução na edição da bruguera de 71 e na edição da edibolso de 75? este é apenas um pequeno exemplo das dificuldades em reconstituir a trajetória de um autor traduzido no brasil: exemplar mutilado em nosso acervo nacional, editoras extintas, livros que não se encontram nos sebos, cotejos que não batem, escassez de referências na internet...
imagem: histoires extraordinaires, ed. 1856
atualização em 02/08/2011: a leitora deize mara gentilmente forneceu o contato da profa. luiza lobo. espero poder logo esckarecer essas dúvidas.
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mas tem um volume que está me dando uma canseira danada: contos de horror, em tradução de luiza lobo, que saiu pela bruguera em 1970, naquela coleção "trevo negro", vol. 11. as pouquíssimas referências estão no currículo da própria tradutora, aqui na pesquisa "poe no brasil" e no catálogo do acervo da fundação biblioteca nacional:
e parece brincadeira: no volume da fbn faltam quase 60 páginas! já havia aquela confusão no volume da edibolso/cedibra, com contos traduzidos por brenno silveira e atribuídos a luiza lobo, que mostrei nos últimos posts. já numa tese que faz uma análise comparativa das traduções de the tell-heart, o autor menciona a tradução de luiza lobo numa antologia da bruguera com o título Horror - Antologia, com textos de poe, defoe e bierce, de 1971.
Autor: Poe, Edgar Allan, 1809-1849.
Título original: [Contos. Portugues. Selecoes]
Título / Barra de autoria: Contos de horror / Edgar Allan Poe ; traducao de Luiza Lobo. -
Imprenta: Rio [de Janeiro] : Bruguera, c1970.
Descrição física: 160p. ; 18cm. -
Série: (Colecao Trevo negro ; 11)
Notas: Faltam as p. de 1-58.
Classificação Dewey:
Edição: 813
Indicação do Catálogo: II-6,5,30
depois que a bruguera fechou e se transformou na cedibra, a trevo negro foi republicada, mas com outra numeração. descobri que o volume 16 da trevo negro da cedibra se chama horror, e é uma antologia - então talvez tenha essas misteriosas traduções, mas não consegui localizar um único exemplar!
tentei contato com a tradutora, liguei para a universidade onde ela dá aula, nada... então tenho que juntar as pequenas pistas: restam os contos da edibolso/cedibra de 1975. tirando os de brenno que estão em seu nome ("o gato preto" e "a queda da casa de usher"), ficariam "o enterro prematuro", "o barril de amontillado", "o coração revelador", "a máscara da peste vermelha" e "o homem na multidão".
atribuição é uma coisa complicada em pesquisa documental. pois esse "coração revelador" que tenho em mãos, de 1975, apresenta algumas diferenças significativas em relação às passagens de 1971 citadas na tese acima. como posso considerar que se trata da mesma tradução na edição da bruguera de 71 e na edição da edibolso de 75? este é apenas um pequeno exemplo das dificuldades em reconstituir a trajetória de um autor traduzido no brasil: exemplar mutilado em nosso acervo nacional, editoras extintas, livros que não se encontram nos sebos, cotejos que não batem, escassez de referências na internet...
imagem: histoires extraordinaires, ed. 1856
atualização em 02/08/2011: a leitora deize mara gentilmente forneceu o contato da profa. luiza lobo. espero poder logo esckarecer essas dúvidas.
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28 de jul. de 2011
poe XL, o conto fantasma
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Como se vê na foto do índice do volume, aqui, "Berenice" se iniciaria à p. 148. Sendo o único conto cuja tradução não é atribuída a Sandro Pivatto, a Berenice Xavier ou a Luisa Lobo na página dos créditos, imaginar-se-ia que finalmente seria a tradução de Brenno Silveira, que consta com destaque na página de rosto. No entanto, o livro termina na p. 147. Não sei se a foto consegue mostrar o que está na sequência, e que seria a p. 148: a propaganda do lançamento de O exorcista. E, depois de mais algumas páginas de divulgação das obras publicadas pela editora, termina o livro.
A meu ver, essa edição da Edibolso, com traduções licenciadas da Cedibra, lamentavelmente integra o capítulo das infâmias editoriais na história de Edgar Allan Poe no Brasil.
Como se vê na foto do índice do volume, aqui, "Berenice" se iniciaria à p. 148. Sendo o único conto cuja tradução não é atribuída a Sandro Pivatto, a Berenice Xavier ou a Luisa Lobo na página dos créditos, imaginar-se-ia que finalmente seria a tradução de Brenno Silveira, que consta com destaque na página de rosto. No entanto, o livro termina na p. 147. Não sei se a foto consegue mostrar o que está na sequência, e que seria a p. 148: a propaganda do lançamento de O exorcista. E, depois de mais algumas páginas de divulgação das obras publicadas pela editora, termina o livro.
A meu ver, essa edição da Edibolso, com traduções licenciadas da Cedibra, lamentavelmente integra o capítulo das infâmias editoriais na história de Edgar Allan Poe no Brasil.
poe XXXIX, absurdidades editoriais
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Continuação:
imagem: google images
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Continuação:
O gato preto, Brenno Silveira:Como a tradução de Brenno Silveira saiu originalmente em 1959, e essa em nome de Luísa Lobo em 1975, não resta dúvida sobre a anterioridade. Para tornar as coisas ainda mais absurdas, tanto Brenno Silveira quanto Luísa Lobo são tradutores renomados, com trabalhos de qualidade, e é um absurdo supor que um se apropriasse da tradução do outro. Acontece que tais são os créditos constantes no livro, que, prima facie, têm valor documental. Como a Edibolso fechou, a Cedibra fechou, Brenno Silveira morreu, a meu ver seria importante que Luísa Lobo contribuísse para dirimir qualquer dúvida que possa vir a pairar sobre a legítima autoria dessa tradução.
Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã morro e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram. No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror — mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum — uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.
O gato preto, Luísa Lobo, segundo atribuição feita na edição Edibolso, com copirraite e licença da Cedibra:
Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã morro e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram. No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror — mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum — uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.
imagem: google images
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poe XXXVIII, o poço da irresponsabilidade
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Estava exausto, mortalmente exausto com aquela longa agonia - e, quando por fim me desamarraram e pude sentar-me, senti que perdia os sentidos. A sentença - a terrível sentença de morte - foi a última frase que chegou, claramente, aos meus ouvidos. Depois, o som das vozes dos inquisidores pareceu apagar-se naquele zumbido indefinido de sonho.Veja-se a tradução de Brenno Silveira:
Estava exausto, mortalmente exausto com aquela longa agonia - e, quando por fim me desamarraram e pude sentar-me, senti que perdia os sentidos. A sentença - a terrível sentença de morte - foi a última frase que chegou, claramente, aos meus ouvidos. Depois, o som das vozes dos inquisidores pareceu apagar-se naquele zumbido indefinido de sonho.Para a argumentação geral sobre o tema, ver o post anterior. Sobre a importância de uma manifestação pública de Sandro Pivatto desautorizando essa barbaridade da Edibolso/ Cedibra, idem. Se alguém se interessar pelo original e outras traduções do mesmo trecho, é só avisar.
imagem: o poço e o pêndulo
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poe XXXVII, irresponsabilidade
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Passo à apresentação dos motivos de minha perplexidade e irritação com irresponsabilidades editoriais que mencionei no post anterior, poe XXXVI. Seguirei o índice.
O grande risco, a meu ver, tal como ocorreu no caso da editora Itatiaia, atribuindo a Galeão Coutinho uma tradução de Mário Quintana, e no caso da editora Martin Claret, atribuindo a Isa Silveira Leal traduções de Ruth Guimarães, é que o nome do segundo tradutor, vitimado pela incúria da editora, fique conspurcado, ou pelo menos sob suspeita. No mínimo instaura-se uma confusão em nossa história lítero-tradutória. O que dirá um pesquisador daqui a cinquenta anos, perante a materialidade dos fatos?
Como a Edibolso fechou, a Cedibra fechou, Brenno Silveira morreu, a meu ver seria muito proveitoso que a profa. Luísa Lobo legasse para nossa memória documental um depoimento a respeito, a fim de esclarecer antecipadamente qualquer dúvida que possa vir a surgir no futuro sobre a legítima autoria dessa tradução.
atualização em 14/09/2011: a tradutora Luiza Lobo avisou que tentará descobrir o que pode ter acontecido.
imagem: a queda da casa de usher
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Passo à apresentação dos motivos de minha perplexidade e irritação com irresponsabilidades editoriais que mencionei no post anterior, poe XXXVI. Seguirei o índice.
"A queda da Casa de Usher", pela Edibolso/Cedibra, em nome de Luísa Lobo:
Durante um dia inteiro de outono, escuro, sombrio, silencioso, em que as nuvens pairavam, baixas e opressoras, nos céus, passava eu a cavalo, sozinho, por uma região singularmente monótona - e, quando as sombras da noite se estendiam, finalmente me encontrei diante da melancólica Casa de Usher.
"A queda da Casa de Usher", pela Civilização Brasileira, em nome de Brenno Silveira:Poderia prosseguir até o final do conto, mas, para fins ilustrativos, creio que basta esta primeira frase. Para mostrar claramente como é impossível encontrar duas traduções iguais feitas por dois tradutores diferentes, veja-se como José Paulo Paes, Oscar Mendes/ Milton Amado e Aurélio Lacerda vertem o mesmo original:
Durante um dia inteiro de outono, escuro, sombrio, silencioso, em que as nuvens pairavam, baixas e opressoras, nos céus, passava eu a cavalo, sozinho, por uma região singularmente monótona - e, quando as sombras da noite se estendiam, finalmente me encontrei diante da melancólica Casa de Usher.
A queda da Casa de Usher, pela Cultrix (Companhia das Letras), José Paulo Paes:Eis o original:
Durante todo um dia pesado, escuro e mudo de outono, em que nuvens baixas amontoavam-se opressivamente no céu, eu percorri a cavalo um trecho de campo de tristeza singular, e finamente me encontrei, quando as sombras da noite se avizinhavam, à vista da melancólica Casa de Usher.
A queda do Solar de Usher, pela Globo (Nova Aguilar), Oscar Mendes e Milton Amado:
Durante todo um pesado, sombrio e silente dia outonal, em que as nuvens pairavam opressivamente baixas no céu, estive eu passeando, sozinho, a cavalo, através de uma região do interior, singularmente tristonha, e afinal me encontrei, ao caírem as sombras da tarde, perto do melancólico Solar de Usher.
A queda da casa de Usher, pela Pinguim, Aurélio Lacerda:
Por todo o correr de um dia escuro, lúgubre e silencioso de outono, quando as nuvens, baixas, se acumulavam opressivas no céu, atravessara sozinho, a cavalo, uma região de campanha singularmente triste e, afinal, quando já caíam as sombras da tarde, encontrava-me à vista da merencórea Casa de Usher.
During the whole of a dull, dark, and soundless day in the autumn of the year, when the clouds hung oppressively low in the heavens, I had been passing alone, on horseback, through a singularly dreary tract of country; and at length found myself, as the shades of the evening drew on, within view of the melancholy House of Usher.Como a tradução de Brenno Silveira saiu originalmente em 1959, e essa em nome de Luísa Lobo em 1975, não resta dúvida sobre a anterioridade. Para tornar as coisas ainda mais absurdas, tanto Brenno Silveira quanto Luísa Lobo são tradutores renomados, com trabalhos de qualidade, e não faria o menor sentido que um se apropriasse da tradução do outro. Acontece que assim estão os créditos no livro; assim está a atribuição de autoria; assim, em termos materiais, está criado um dado objetivo.
O grande risco, a meu ver, tal como ocorreu no caso da editora Itatiaia, atribuindo a Galeão Coutinho uma tradução de Mário Quintana, e no caso da editora Martin Claret, atribuindo a Isa Silveira Leal traduções de Ruth Guimarães, é que o nome do segundo tradutor, vitimado pela incúria da editora, fique conspurcado, ou pelo menos sob suspeita. No mínimo instaura-se uma confusão em nossa história lítero-tradutória. O que dirá um pesquisador daqui a cinquenta anos, perante a materialidade dos fatos?
Como a Edibolso fechou, a Cedibra fechou, Brenno Silveira morreu, a meu ver seria muito proveitoso que a profa. Luísa Lobo legasse para nossa memória documental um depoimento a respeito, a fim de esclarecer antecipadamente qualquer dúvida que possa vir a surgir no futuro sobre a legítima autoria dessa tradução.
atualização em 14/09/2011: a tradutora Luiza Lobo avisou que tentará descobrir o que pode ter acontecido.
imagem: a queda da casa de usher
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poe XXXVI, os torvelinhos da desmemória
como é difícil reconstituir coisas nem tão distantes em nossa história lítero-tradutória! e quantas surpresas desagradáveis!
explico-me: depois de ter feito um levantamento das primeiras edições de contos de poe no brasil, das várias traduções d' o gato preto e das diversas coletâneas enfeixadas sob o mesmo título de histórias extraordinárias - veja aqui -, retomei minha pesquisa, na intenção de cobrir todas as traduções brasileiras de poe no século XX e XXI.
e eis que me deparo com isso aqui:
como se vê, é um voluminho da edibolso, com traduções licenciadas pela cedibra, 1975.* a nos fiar pelos dados do livro, temos os seguintes responsáveis por elas:
apresentarei os motivos de minha perplexidade e irritação nos próximos posts. reitero aqui minha indignação: enquanto este país e nossos editores se obstinarem em confundir, omitir, mascarar ou falsear os dados das obras tradutórias, continuaremos patinhando nessa patética rasura e ignorância em nossa formação cultural.
* esse volume me foi fornecido por joana canêdo, a quem agradeço novamente a gentileza.
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explico-me: depois de ter feito um levantamento das primeiras edições de contos de poe no brasil, das várias traduções d' o gato preto e das diversas coletâneas enfeixadas sob o mesmo título de histórias extraordinárias - veja aqui -, retomei minha pesquisa, na intenção de cobrir todas as traduções brasileiras de poe no século XX e XXI.
e eis que me deparo com isso aqui:
como se vê, é um voluminho da edibolso, com traduções licenciadas pela cedibra, 1975.* a nos fiar pelos dados do livro, temos os seguintes responsáveis por elas:
- sandro pivatto para "o poço e o pêndulo" e "a caixa quadrangular";
- berenice xavier para "william wilson";
- luisa lobo para "o enterro prematuro", "o barril de amontillado", "a queda da casa de usher", "o coração revelador", "o gato preto", "a máscara da peste vermelha", "o homem na multidão"
- para brenno silveira, o único nominalmente anunciado na página de rosto, mas não citado na página de dados catalográficos, restaria "berenice"
apresentarei os motivos de minha perplexidade e irritação nos próximos posts. reitero aqui minha indignação: enquanto este país e nossos editores se obstinarem em confundir, omitir, mascarar ou falsear os dados das obras tradutórias, continuaremos patinhando nessa patética rasura e ignorância em nossa formação cultural.
* esse volume me foi fornecido por joana canêdo, a quem agradeço novamente a gentileza.
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23 de jul. de 2011
os sons do tempo III
descubro que lúcio cardoso, um dos poucos autores brasileiros do século XX em quem consigo perceber alguma afinidade com o intenso espírito trágico-romântico que vemos em poe, também traduziu e fez a adaptação teatral de the tell-tale heart, com o título de "o coração delator", para o teatro de câmera, em 1947.
segundo enaura quixabeira rosa e silva, "por inexplicável escrúpulo, lúcio cardoso apresenta [a peça] como de autoria de graça mello" (aqui, p. 147).
numa entrevista a sábato magaldi, porém, ele comenta:
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segundo enaura quixabeira rosa e silva, "por inexplicável escrúpulo, lúcio cardoso apresenta [a peça] como de autoria de graça mello" (aqui, p. 147).
numa entrevista a sábato magaldi, porém, ele comenta:
... fundei com Agostinho Olavo e Gustavo Dória o “Teatro de Câmera”, que marcou a primeira reação contra o gênero “grande espetáculo” que “Os Comediantes” vinham impondo como gênero absoluto e que deu nascimento a essa série de teatrinhos íntimos e espetáculos mais ou menos fechados, atualmente tão em voga. O “Teatro de Câmera” deu-me sessenta contos de prejuízo e inúmeros dissabores. Mesmo assim, montei, num espetáculo inteiramente organizado por mim, O Coração Delator, de Edgar Poe. Foram tais atropelos que jurei não voltar tão cedo ao teatro. (in Junia N. Neves, aqui, p.63)seria fascinante saber quais foram as soluções sonoras adotadas no palco para o deathwatch! aliás, lembrando a grandíssima amizade entre lúcio cardoso e clarice lispector, talvez não à toa a tradução e adaptação de the tell-tale heart feita por clarice, muitos anos depois, também se chame "o coração delator".
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