28/07/2011

poe XXXIX, absurdidades editoriais

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Continuação:
O gato preto, Brenno Silveira:

Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã morro e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram. No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror — mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum — uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.

O gato preto, Luísa Lobo, segundo atribuição feita na edição Edibolso, com copirraite e licença da Cedibra:

Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã morro e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram. No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror — mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum — uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.
Como a tradução de Brenno Silveira saiu originalmente em 1959, e essa em nome de Luísa Lobo em 1975, não resta dúvida sobre a anterioridade. Para tornar as coisas ainda mais absurdas, tanto Brenno Silveira quanto Luísa Lobo são tradutores renomados, com trabalhos de qualidade, e é um absurdo supor que um se apropriasse da tradução do outro. Acontece que tais são os créditos constantes no livro, que, prima facie, têm valor documental. Como a Edibolso fechou, a Cedibra fechou, Brenno Silveira morreu, a meu ver seria importante que Luísa Lobo contribuísse para dirimir qualquer dúvida que possa vir a pairar sobre a legítima autoria dessa tradução.

imagem: google images
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1 comentários:

  1. Denise, é inacreditável...

    Eu gostaria de saber. Quem sabe a professora Luísa Lobo, que é tradutora de Persuasão, não nos esclarece...

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