28 de jul de 2011

poe XXXVI, os torvelinhos da desmemória

como é difícil reconstituir coisas nem tão distantes em nossa história lítero-tradutória! e quantas surpresas desagradáveis!

explico-me: depois de ter feito um levantamento das primeiras edições de contos de poe no brasil, das várias traduções d' o gato preto e das diversas coletâneas enfeixadas sob o mesmo título de histórias extraordinárias - veja aqui -, retomei minha pesquisa, na intenção de cobrir todas as traduções brasileiras de poe no século XX e XXI.

e eis que me deparo com isso aqui:




como se vê, é um voluminho da edibolso, com traduções licenciadas pela cedibra, 1975.* a nos fiar pelos dados do livro, temos os seguintes responsáveis por elas:
  • sandro pivatto para "o poço e o pêndulo" e "a caixa quadrangular";
  • berenice xavier para "william wilson";
  • luisa lobo para "o enterro prematuro", "o barril de amontillado", "a queda da casa de usher", "o coração revelador", "o gato preto", "a máscara da peste vermelha", "o homem na multidão"
  • para brenno silveira, o único nominalmente anunciado na página de rosto, mas não citado na página de dados catalográficos, restaria "berenice"
se um paciente leitor ou um cuidadoso pesquisador tiver a curiosidade ou se der ao trabalho de comparar esses textos a outras traduções, provavelmente ficará em dúvida se o que norteou essa edição da edibolso (com licenciamento da cedibra) foi a ignorância, o desleixo, o acochambro ou a má fé - pois a transparência certamente não foi.

apresentarei os motivos de minha perplexidade e irritação nos próximos posts. reitero aqui minha indignação: enquanto este país e nossos editores se obstinarem em confundir, omitir, mascarar ou falsear os dados das obras tradutórias, continuaremos patinhando nessa patética rasura e ignorância em nossa formação cultural.

* esse volume me foi fornecido por joana canêdo, a quem agradeço novamente a gentileza.
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