13 de set de 2018

as ondas, 1946 (cont.)





  





agradeço a thiago dias da silva pelas imagens: página de rosto, verso da página de rosto, início da obra, nota da tradutora, primeiro interlúdio, dados de gráfica.

 sylvia valladão, nascida c.1900, filha do celebrado médico mathias valladão, pertencente à alta sociedade paulistana, casou-se em c.1921 com noé azevedo, advogado de grande fama futura. noé azevedo se tornou em 1923-24 o diretor responsável pela revista dos tribunais - esta, por sua vez, em 1933 passou a operar também como gráfica e a partir de 1955 como editora, atividade que mantém até hoje. a ligação matrimonial entre sylvia valladão e noé azevedo parece suficiente para explicar por que sua tradução de as ondas foi publicada pela revista dos tribunais.


12 de set de 2018

as ondas, 1946


incrível - sempre pensei que a primeira (e única) tradução de "as ondas" de virginia woolf no brasil era a de lya luft.
que nada: em 1946, a editora revista dos tribunais publica "as ondas" em tradução de uma desconhecida sylvia valladão azevedo. digo "desconhecida" nos meios editoriais, pois é até nome de rua no guarujá.
o interessante é que foi uma edição não comercial de 150 exemplares, lançada pela RT com autorização da globo de porto alegre, que era a detentora dos direitos de publicação da obra no brasil.
e mais interessante ainda é que foi a globo a primeira a publicar woolf no brasil, começando no mesmo ano de 1946 com "mrs. dalloway", na tradução de mário quintana [em circulação até a data de hoje], e prosseguindo em 1947 com o lançamento de "orlando", na tradução de cecília meirelles [idem idem].
estou agora procurando mais dados a esse respeito, e por enquanto não encontrei grande coisa. mas minha cabeça já começou a especular. p.ex., a globo teria contratado os direitos de tradução e publicação dessas três obras da woolf no brasil como um pacote; publicou "mrs. dalloway" e "orlando", e autorizou a RT a um uso não comercial de "as ondas" - mas jamais lançou "as ondas", seja na tradução da referida sylvia ou em qualquer outra. até aí sabemos [salvo a hipótese da contratação de um "pacote", que é especulação minha], e é tudo documentado. mas, pelo que vi até agora, foi relativamente ou até bastante pequena a repercussão de "mrs. dalloway" na imprensa da época, tanto é que levou décadas para ser reeditada; a de "orlando" não foi muito maior. terá a globo concluído que não valeria a pena lançar um terceiro livro da autora? a que se destinaria o uso não comercial dos 150 exemplares lançados pela RT? brinde para seus clientes, uma encomenda, um balão de ensaio para a própria globo?
devo esse dado interessantíssimo sobre a existência de "as ondas" em português desde 1946 a Thiago Dias da Silva. agora estou na maior curiosidade para conhecer essa edição, ver a capinha, a página de rosto, a declaração de autorização da globo que consta no livro (da qual fui informada também por Thiago).