22 de fev de 2012

luís dolhnikoff e a casa das rosas

não sou poeta, não sou escritora, não moro em são paulo, não conheço círculos de literatos, sou basicamente uma filistina.

posto isso: sou brasileira, tenho cpf, tenho rg, pago meus impostos, acredito na democracia e acredito que vivemos numa democracia. no meu tempo de infância, durante o governo juscelino e jango, tinha uma matéria na escola primária que se chamava "educação moral e cívica". veio o golpe militar, a tal educação moral e cívica, nem lembro o que aconteceu com ela. mas lembro que, aos sete, oito, até os dez anos de idade, a gente aprendia a constituição brasileira, os direitos fundamentais do cidadão etc.

por isso, creio eu, cresci com a convicção e a serenidade de que eu podia - sozinha, como cidadã - me dirigir a qualquer instituição pública dessa nossa república e expor minhas questões, minhas dúvidas, meus questionamentos sobre as coisas de interesse da sociedade.

por isso achei absolutamente natural e mais do que pertinente um artigo de luís dolhnikoff indagando - muito civilmente, muito civicamente e muito civilizadamente - sobre o estado e os rumos da casa das rosas, em são paulo. não tenho muita paciência para me delongar sobre o assunto, que realmente anda beirando as raias da sandice, e remeto o leitor apenas ao artigo - são, sadio, saudável, salubre e todas as redundâncias que se fizerem necessárias - de luís dolhnikoff, que está aqui.

todos os desvarios em torno, manifestações apressadas, desqualificações cruéis, miasmas de sarjeta, capanguismos empreguistas, a pior das piores heranças coloniais deste pobre país: tudo isso que o lúcido artigo de dolhnikoff suscitou - espantosamente! - serve apenas para desviar a atenção do que realmente importa. e a truculência das reações despertadas pelo artigo acima citado no diretor responsável pela entidade chegou a tal ponto que, a meu ver, o que está em questão agora nem é mais a gestão assim-ou-assado da casa das rosas, mas a própria relação entre estado e sociedade, instituição pública e cidadania.

meu ponto é: para sermos cidadãos, temos de agir como cidadãos. luís dolhnikoff está em seu pleno direito ao indagar dos rumos de uma instituição pública como é a casa das rosas, e merece resposta séria e honesta em lugar desses urros que andam ensurdecendo qualquer pessoa de bem. a questão de fundo não pode se perder na barbárie e deve ser vigorosamente defendida: o direito de todos nós, como cidadãos, sermos ouvidos e termos o encaminhamento correto de nossas legítimas cobranças em prol do bom funcionamento, transparente e democrático, de nossas instituições públicas.

7 comentários:

  1. Prezada Denise:

    Sou admirador do seu trabalho e concordo, em linhas gerais, com suas observações. O grande erro está, no entanto, em considerar que, em algum momento, eu tenha respondido ao artigo sobre a Casa das Rosas. Nunca o fiz. A única providência que tomei, antes de qualquer coisa, foi convidar o Sr. Luis para visitar a Casa das Rosas, que ele desconhece.
    A truculência a que você se refere só pode ser a um poema que escrevi (ainda temos este direito, não?) e que não tem a mínima relação com o Sr. Luis ou sua crítica. A meu ver a grande truculência está em um leitor apressado que se sentiu ofendido escrever para um Secretário de Estado e para milhares de pessoas afirmando categoricamente que tal poema era uma resposta (o que não era) e que era sobre ele, o que todo poema pode ser lido como. Pedir a cabeça do autor de um poema porque se sentiu agredido é uma prática muito pouco cidadã, não concorda?
    Sei que estas linhas não irão demovê-la de sua opinião, o que é uma pena. Escrevo-as apenas pelo dever de esclarecer e para alertá-la que é preciso ouvir todas as partes antes de fazer um julgamento tão severo.
    Parabéns pelo belo trabalho de denúncia das fraudes editoriais que assolam o universo da tradução neste país.
    Atenciosamente,
    Frederico Barbosa

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  2. prezado frederico: estimo sua visita. de fato, você aponta com grande precisão o que EU considero o problema central nesse quiproquó: "O grande erro está, no entanto, em considerar que, em algum momento, eu tenha respondido ao artigo sobre a Casa das Rosas. NUNCA O FIZ". exato, frederico, exato.

    e por isso acho que houve manifestações apressadas, desqualificações, mostras de interesses particularistas vindas de vários lados, baseadas em algo que, justamente, VOCÊ NÃO FEZ.

    e a coisa parece ter desandado tanto, com insinuações mesquinhas e tapas verbais para cá e para lá, que dá a impressão de que a questão central - os questionamentos de luís dolhnikoff em seu artigo sobre a casa das rosas - acabou ficando de lado.

    ora, meu ponto é exatamente este, frederico: os cidadãos têm de poder fazer suas cobranças às instituições públicas, e as instituições públicas têm obrigação de responder a elas. só isso.

    agradeço sua apreciação generosa quanto ao meu trabalho e desejo de coração um desfecho salutar para este imbróglio todo.

    denise bottmann

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  3. constatei que esta postagem foi publicada no site da sibila sem a fonte de onde foi reproduzida e com algumas alterações e acréscimos não pertinentes. já solicitei as devidas retificações.

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  4. Cara Denise:

    Você não é primeira pessoa que informa ter sido "mal traduzida" pelo site da Sibila. É uma prática comum esta. Realmente não desejo nem um pouco continuar esta pendenga destrutiva para todos os lados. Por mim, está encerrada aqui. Até já mudei o poema, o que você pode atestar aqui http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=5310, para evitar a continuação do mal entendido quanto à família de qualquer pessoa.
    Concordo totalmente com você em sua resposta.
    Quanto a não ter respondido, antes de mais nada, convidei o Luís Dolhnikoff para visitar a Casa das Rosas, que ele confessa não ter visitado. Depois de ele conhecer a Casa, e ter observado seu funcionamento, podemos realmente debater sobre ela. A Casa é avaliada continuamente por seus 85 mil frequentadores anuais, que já nos deram muitas indicações preciosas de como continuar. Para ficar no seu terreno, Denise, foram os muitos interessados nos cursos de tradução poética da Casa das Rosas que me deram a ideia de transformar a Casa Guilherme de Almeida, então sob minha gestão, no Centro de Tradução Literária que ela hoje abriga.
    Gostei muito de dialogar com você e como sempre procuro transformar os limões em limonada, espero que, na sua próxima vinda a São Paulo, possa acompanhá-la em visitas à Casa das Rosas e à Casa Guilherme de Almeida.

    Abraço,
    Frederico

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  5. Prezada Denise Bottmann,
    a Sibila tem essa praxe de copiar sem dar a fonte, que condiz com a ética daquela publicação. As declarações de Fabio Weintraub também foram copiadas sem aviso. Não sei se estão corretas. Abraços, Pádua

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  6. alguns adendos extemporâneos e negritos indevidos foram retirados em minhas declarações reproduzidas no site da sibila, e agradeço as providências.

    é evidente em todo o meu texto que faço a defesa da cidadania, do direito (e, na verdade, até dever) do cidadão individual em exercer sua cidadania, e concluo: "meu ponto é: para sermos cidadãos, temos de agir como cidadãos. luís dolhnikoff está em seu pleno direito ..."
    assim, fica aqui meu reparo ao que foi publicado no referido site, atribuindo a mim: "Meu ponto é: para sermos cidadãos, temos de agir como cidadãos. Luís Dolhnikoff e a Sibila estão em seu pleno direito" - o que seria um contrassenso.
    já pedi a restauração da letra de meu texto.

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  7. Cara Denise, independentemente da questão específica, achei muito pertinente a sua rememoração(triste que seja necessário fazer isso de vez em quando) de certos princípios fundamentais.
    Mais uma vez,obrigado

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