07/02/2012

desmontando chavões




artigo muito simpático de carola saavedra, valente tradutora de herta müller, entre outros, sobre "a terrível missão enfrentada por tradutores diante das inúmeras possibilidades que um texto ficcional apresenta", no jornal rascunho, aqui.
Por essas e outras sempre me pareceu curioso que se fale tanto da angústia diante da folha em branco, mas tão pouco da angústia diante da folha escrita. O que fazer diante do texto que nos encara exigente e cheio de recriminações? O que fazer diante de Watten? Ou de um Ungeziefer? Que solução encontrar para aquilo que não tem solução? É a pergunta que o tradutor se faz a cada página, sabendo que faça o que fizer, ele (assim como o mordomo) sempre será o culpado.

3 comentários:

  1. Adorei o texto.
    Depois que comecei a ler o teu blog sempre que leio algo que me cause estranheza em livros traduzidos fico com "a pulga atrás da orelha". Será que a informação está correta, ou o tradutor estava tendo um dia ruim?

    ResponderExcluir
  2. que legal, grandes filmes! pois é, tem de tudo um pouco. tradutor sofre, mas autor e leitor também sofrem na mão de tradutor ;-)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fabrizio Lyra7.2.12

      Perfeito, Denise! Perfeito! Adorei o texto. O que ela diz "É melhor um Raskolnikov com pé de bode do que Raskolnikov nenhum" em parte esclarece aquela colocação que fiz tempos atrás: sobre a arrogância de certas pessoas que afirmam ironicamente que ler um livro traduzido, especialmente se for um autor difícil, é a mesma coisa que não ler. É o que Carola diz: não somos obrigados a saber russo, o que não quer dizer que iremos morrer sem lermos Dostoiévsky. E acrescento: não somos obrigados nem a saber inglês, que é a lingua mais difundida no mundo atual, o que não quer dizer que ao lermos um livro de Joyce com uma tradução conscienciosa, alguém possa vir dizer que não lemos Joyce. Podemos não ter tudo. Mas, para algumas pessoas, não ter tudo equivale a não ter nada. É a vida. Forte abraço, Denise.

      Excluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.