a título ilustrativo sobre as irredutíveis diferenças entre traduções de diferentes tradutores, vejam-se as traduções do mesmo conto feitas pelo anônimo da cultrix e por ruth guimarães:
anônimo (martins, 1947)
Está envolto numa espécie de roupão sujo e treme. ... Mas tem muita fome. Várias vezes já, desde a manhã, ele se aproximou do leito de tábuas, recoberto por um colchão de palha, fino como um crepe, onde está deitada a sua mãe. Por que razão estará ela ali? (p. 315)
isa tavares (boitempo, 1995)
Veste uma espécie de roupão sujo, e treme. ... Mas tem muita fome. Várias vezes, desde a manhã, ele se aproximou do leito de tábuas, recoberto por um colchão de palha, fino como um crepe, onde está deitada sua mãe. Por que razão estará ela ali? (p. 9)
ruth guimarães (ediouro, 1966)
Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. ... Mas gostaria bem de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, um saco sob a cabeça a guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar?
anônimo (martins, 1947)
Percebe, por um outro vidro uma outra sala; e ainda árvore e bolos de toda espécie em cima da mesa; amêndoas vermelhas e amarelas. Quatro lindas senhoras estão sentadas e, quando alguém chega, dão-lhe um pedaço de bolo; a porta se abre a cada instante e entram senhores. O pequeno intrometeu-se, abriu bruscamente a porta e entrou.
Oh, que barulho fizeram ao vê-lo, que agitação. Logo uma senhora se levantou, meteu um kopek na mão e lhe abriu, ela mesma, a porta da rua. Como ele teve medo, o menino!
A moeda caiu-lhe das mãos e rolou no degrau da escada; ele não podia mais fechar os pequeninos dedos, de modo a segurar a moeda. O menino saiu correndo e caminhou rápido. Onde ia ele? não sabia. Gostaria bem de chorar, porém, tem medo de mais. E corre, corre, soprando as mãos. E é tomado de tristeza; sente-se tão só, tão espantado! e, de repente, meu Deus! que será ainda? Uma multidão de pessoas ali, de pé, que admira. Numa vitrina, por trás do vidro, três bonecas lindas, vestidas de ricas roupinhas vermelhas e amarelas, exatamente como se fossem vivas! E o velhinho sentado que parece tocar um violoncelo. Há também dois outros, de pé, que tocam violino pequenino e balançam a cabeça em compasso. Olham uns para os outros e seus lábios se mexem: eles falam, de fato! Apenas não se ouve, por causa do vidro. (p. 317)
isa tavares (boitempo, 1995)
Percebe, por um outro vidro, uma outra sala; e ainda uma árvore e bolos de toda a espécie em cima da mesa; amêndoas vermelhas e amarelas. Quatro lindas senhoras estão sentadas e quando alguém chega uma delas dá-lhe um pedaço de bolo; a porta se abre a cada instante e entram senhores. O pequeno intrometeu-se, abriu bruscamente a porta e entrou.
Oh, que barulho fizeram ao vê-lo, que agitação. Logo uma senhora se levantou, colocou uma moeda na sua mão e lhe abriu, ela mesma, a porta da rua. Como ele teve medo, o menino.
A moeda caiu-lhe das mãos e rolou no degrau da escada; ele não podia mais fechar os pequeninos dedos, para segurar a moeda. O menino saiu correndo e caminhou rápido. Onde ia ele? Não sabia. Gostaria de chorar, porém, tem medo e corre, corre, soprando as mãos. E é tomado de tristeza; sente-se tão só, tão abandonado, quando, de repente, meu Deus, que será ainda? Uma multidão de pessoas ali, de pé, numa vitrina. Por trás do vidro, três bonecas lindas, vestidas de ricas roupinhas vermelhas e amarelas, exatamente
como se fossem vivas. E o velhinho, sentado, que parece tocar um violoncelo. Há também dois outros, de pé, que tocam violinos pequeninos e balançam a cabeça em compasso. Olham uns para os outros e seus lábios se mexem: eles falam, de verdade. Apenas não se ouve, por causa do vidro. (p. 13-4)
ruth guimarães (ediouro, 1966)
... e eis que, através de uma vidraça, avista ainda um quarto, e neste outra árvore, mas sobre as mesas há bolos de todas as qualidades, bolos de amêndoa, vermelhos, amarelos, e eis sentadas quatro formosas damas que distribuem bolos a todos os que se apresentem. A cada instante, a porta se abre para um senhor que entra. Na ponta dos pés, o menino se aproximou, abriu a porta e bruscamente entrou. Hu! com que gritos e gestos o repeliram! Uma senhora se aproximou logo, meteu-lhe furtivamente uma moeda na mão, abrindo-lhe ela mesma a porta da rua. Como ele teve medo! Mas a moeda rolou pelos degraus com um tilintar sonoro: ele não tinha podido fechar os dedinhos para segurá-la. O menino apertou o passo para ir mais longe – nem ele mesmo sabe aonde. Tem vontade de chorar; mas dessa vez tem medo e corre. Corre soprando os dedos. Uma angústia o domina, por se sentir tão só e abandonado, quando, de repente: Senhor! Que poderá ser ainda? Uma multidão que se detém, que olha com curiosidade. Em uma janela, através da vidraça, há três grandes bonecos vestidos com roupas vermelhas e verdes e que parecem vivos! Um velho sentado parece tocar violino, dois outros estão em pé junto de e tocam violinos menores, e todos maneiam em cadência as delicadas cabeças, olham uns para os outros, enquanto seus lábios se mexem; falam, devem falar – de verdade – e, se não se ouve nada, é por causa da vidraça.
anônimo (martins, 1947)
E o menino pensa, a princípio, que eles são vivos; quando compreende que são bonecos, põe-se a rir. Nunca ele viu bonecos semelhantes e nem imaginara que os houvessem assim. Ri quase que tem vontade de chorar; mas... que ridículo chorar por causa de uns bonecos! (p. 317)
isa tavares (boitempo, 1995)
E o menino pensa, a princípio, que eles são vivos. Quando compreende que são bonecos, começa a rir. Nunca viu bonecos semelhantes e nem imaginara que existissem assim. Eram tão engraçados, tão engraçados, que transformam em riso o seu pranto. (p. 14-5; *ver acima)
ruth guimarães (ediouro, 1966)
O menino julgou, a princípio, que eram pessoas vivas, e, quando finalmente compreendeu que eram bonecos, pôs-se de súbito a rir. Nunca tinha visto bonecos assim, nem mesmo suspeitava que existissem! Certamente, desejaria chorar, mas era tão cômico, tão engraçado ver esses bonecos!
anônimo (martins, 1947)
Ele cai. Ao mesmo tempo, todo o mundo grita; ele fica, por um momento, rígido de horror. Depois se levanta de um pulo e corre, corre, corre, mete-se pela porta de uma cocheira e se esconde num pátio, por detrás de uma pilha de lenha.
"Aqui ninguém me vai encontrar; está bem escuro."
Põe-se de cócoras e se encolhe todo; em seu terror, ele mal pode respirar. Falta-lhe o ar, o ar... Mas de repente, que estranho! Sente um bem-estar; seus pés e mãos já não lhe causam mal algum e ele se sente quente como se estivesse perto do fogão e todo o seu corpo estremece. Ah! ele vai adormecer.
"Como é bom dormir aqui! Demorarei um pouco e depois irei ver as bonecas outra vez" - pensa ele e sorri à ideia das bonecas. "Direitinho como se fossem vivas!..." (p. 318)
isa tavares (boitempo, 1995)
Ele cai. Ao mesmo tempo, todo [] mundo grita; ele fica, por um momento, rígido de horror. Depois se levanta de um pulo e corre, corre, corre, mete-se pela porta de uma cocheira e se esconde num pátio, por detrás de uma pilha de lenha.
"Aqui ninguém vai me encontrar; está bem escuro."
Põe-se de cócoras e se encolhe todo; em seu terror, [] mal pode respirar. Falta-lhe o ar, o ar... Mas, de repente, que estranho! Sente um bem-estar; seus pés e mãos já não lhe causam mal algum e ele se sente quente como se estivesse perto do fogo e todo o seu corpo estremece. Ah! ele vai adormecer.
"Como é bom dormir aqui! Demorarei um pouco e depois irei ver as bonecas outra vez", pensa ele e sorri com a ideia das bonecas. "Direitinho como se fossem vivas!..." (p. 16)
ruth guimarães (ediouro, 1966)
O menino rolou pelo chão, algumas pessoas se puseram a gritar: aterrorizado, ele se levantou para fugir depressa e correu com quantas pernas tinha, sem saber para onde. Atravessou o portão de uma cocheira, penetrou num pátio e sentou-se atrás de um monte de lenha. “Aqui, pelo menos”, refletiu ele, “não me acharão: está muito escuro.”
Sentou-se e encolheu-se, sem poder retomar fôlego, de tanto medo, e bruscamente, pois foi muito rápido, sentiu um grande bem-estar, as mãos e os pés tinham deixado de doer, e sentia calor, muito calor, como ao pé de uma estufa. Subitamente se mexeu: um pouco mais e ia dormir! Como seria bom dormir nesse lugar! “mais um instante e irei ver outra vez os bonecos”, pensou o menino, que sorriu à sua lembrança: “Podia jurar que eram vivos!”
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14 de set. de 2012
22 de ago. de 2012
uma ideologia poderosa
+Boitempo.jpg)
| A Boitempo traz o clássico da teoria social contemporânea O poder da ideologia, de István Mészáros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade. Com edição cuidadosa, o livro possui nova tradução para o português feita por Paulo Cezar Castanheira e uma introdução inédita[...]. |
este é um trecho da apresentação da obra de mészáros no site da boitempo editorial, aqui.
por outro lado, the power of ideology fora publicado pela extinta editora ensaio em 1996, com tradução de magda lopes.

parece-me um caso bastante semelhante ao que ocorreu com outro livro de mészáros, em duas edições no brasil: marx: a teoria da alienação, em tradução de waltensir dutra e supervisão editorial de leandro konder, pela zahar, e a teoria da alienação de marx, em pretensa tradução em nome de isa tavares, pela boitempo, que apresentei aqui.*
* vale dizer que, no caso da teoria da alienação, a editora reconheceu a pertinência de meus apontamentos e declarou ter interrompido a distribuição da obra irregular e ter encomendado nova tradução (aqui).
digo que o caso me parece semelhante, pois a impressão que se tem durante a leitura de o poder da ideologia nas duas edições é que a da boitempo teria tomado como base de seu texto a tradução publicada pela ensaio, seguindo o padrão daquilo que já se sugeriu chamar de "tradução parafraseada":
- frases inteiras praticamente idênticas;
- diferença de termos no nível lexical mais simples;
- estruturação formal e sintática com alto grau de identidade;
- alguns vezos em comum;
- diferenças difíceis de explicar a não ser como "falha de revisão"
seguem-se alguns exemplos:
em nome de magda lopes (ensaio, 1996)
A grande dificuldade é que os obstáculos a superar se erguem sobre as bases objetivas de determinações materiais contraditórias que se opõem a qualquer um que tente interferir com os ditames materiais de sua lógica. Dizer que, "no fim, os homens terão o que merecem" implica a intervenção de uma justiça divina muito peculiar e autodestrutiva, pois a esmagadora maioria dos homens é de um modo ou de outro privada do poder de tomar decisões, e por isso realmente não "merecem" o que lhes acontece em consequência das decisões de uma pequena minoria: uma circunstância que transforma em seu absoluto oposto a própria noção de "justiça divina". (p. 287)
em nome de paulo cezar castanheira (boitempo, 2004)
A grande dificuldade é que os obstáculos a superar se erguem sobre as bases objetivas de determinações materiais contraditórias que se opõem a qualquer um que tente interferir com os ditames materiais de sua lógica. Dizer que, "no fim, os homens terão o que merecem" implica a intervenção de uma justiça divina muito peculiar e autodestrutiva, pois a esmagadora maioria dos homens é de um modo ou de outro privada do poder de tomar decisões, e por isso realmente não "merecem" o que lhes acontece por causa das decisões de uma pequena minoria: uma circunstância que transforma em seu absoluto oposto a [] noção de "justiça divina". (p. 282)
em nome de magda lopes (ensaio, 1996)
Entretanto, o problema é que as implicações óbvias e altamente perturbadoras de tais observações minam as expectativas esperançosas de Marx quanto à "última forma possível" de um poder de estado separado e independente da sociedade. Enquanto existir a base social da divisão sistemática e hierárquica do trabalho - e enquanto ela puder se renovar e fortalecer em conjunto com a transformação dos corpos sociais da "sociedade civil", em escala sempre crescente e rumo a uma integração global - uma reestruturação correspondente das formas de estado, em prol da continuação do domínio de classe (tanto internamente quanto no plano das relações interestatais), não pode ser negada ao sistema estabelecido. Por isso, ainda hoje estamos muito distantes da "última forma" do estado capitalista e de seu domínio de classe; quanto mais na época em que Marx escreveu as linhas citadas de sua defesa da Comuna. (p. 362)
em nome de paulo cezar castanheira (boitempo, 2004)
O problema, entretanto, é que as implicações óbvias e altamente perturbadoras de tais observações abalam as expectativas esperançosas de Marx quanto à "última forma possível" de um poder de Estado separado e independente da sociedade. Enquanto existir a base social da divisão sistemática e hierárquica do trabalho - e enquanto ela puder se renovar e fortalecer em conjunto com a transformação em curso dos corpos sociais da "sociedade civil", em escala sempre crescente e rumo a uma integração global -, uma reestruturação correspondente das formas de
Estado, em prol da continuação do domínio de classe (tanto internamente quanto no plano das relações interestatais), não pode ser negada ao sistema estabelecido.Assim, ainda hoje estamos muito distantes da "última forma" do Estado capitalista e de seu domínio de classe; quanto mais na época em que Marx escreveu as linhas citadas em defesa da Comuna. (p. 342)
em nome de magda lopes (ensaio, 1996)
Mais uma vez, a analogia com a vislumbrada superação e definhamento das várias instituições repressivas do estado estava diretamente associada à avaliação do futuro da ideologia. Assim como seria inconcebível sair "fora" da superestrutura jurídica e política estabelecida e "abolir" o estado a partir do ponto de vista imaginário do absoluto voluntarismo (tal como os anarquistas concebiam a tarefa), do mesmo modo a superação última da ideologia - a consequência prática inevitável das sociedades de classe - só poderia ser concebida sob a forma da eliminação progressiva das causas dos conflitos antagônicos que os indivíduos, membros das classes, tinham de "resolver pela luta" nas circunstâncias históricas prevalecentes. (p. 519)
em nome de paulo cezar castanheira (boitempo, 2004)
De novo, a analogia com a vislumbrada superação e definhamento das várias instituições repressivas do estado estava diretamente associada à avaliação do futuro da ideologia. Assim como seria inconcebível sair "fora" da superestrutura jurídica e política estabelecida e "abolir" o estado a partir do ponto de vista imaginário do absoluto voluntarismo (tal como os anarquistas encaravam a tarefa), também a superação última da ideologia - a consequência prática inevitável das sociedades de classe - só poderia ser concebida sob a forma da eliminação progressiva das causas dos conflitos antagônicos que os indivíduos, membros das classes, tinham de "resolver pela luta" nas circunstâncias históricas prevalecentes. (p. 469)
logo na sequência, um detalhe interessante:
em nome de magda lopes (ensaio, 1996)
Em outras palavras, a compreensão marxista - oposta ao voluntarismo - de que o "definhamento" do estado teria de ocorrer através da reestruturação radical de suas instituições e da transferência progressiva de suas múltiplas funções para os indivíduos sociais: os "produtores associados", fez com que a mesma consideração das restrições objetivas se impusesse também na atitude assumida em relação à ideologia em geral. (p. 519-20)
em nome de paulo cezar castanheira (boitempo, 2004)
Em outras palavras, a compreensão marxista - oposta ao voluntarismo - de que o "definhamento" do estado teria de ocorrer pela reestruturação radical de suas instituições e da transferência progressiva de suas múltiplas funções para os indivíduos sociais: os "produtores associados", fez com que a mesma consideração das restrições objetivas se impusesse também na atitude assumida em relação à ideologia em geral. (p. 469)
ninguém há de imaginar que mészáros estivesse se referindo a uma reestruturação da transferência progressiva de funções, como consta na edição da boitempo. parece mais plausível supor que, ao se substituir "através da" por "pela", tenha-se esquecido de aplicar a mesma substituição na sequência da frase, com "e pela transferência progressiva etc.".
um pequenino erro de tradução, mas que não deixa de ser curioso ao se repetir nas duas edições: "Para tornar as coisas ainda mais desconcertantes [...] Feyerabend reivindica em nome do mesmo espírito 'leigo' [sic] a separação da ciência e do estado" (ensaio, p. 62, nota; boitempo, p. 97, nota): trata-se, evidentemente, de espírito "laico".
em o poder da ideologia na edição da boitempo, repete-se um detalhe que já surgira em considerações sobre o marxismo ocidental/ nas trilhas do materialismo histórico, de perry anderson, que comentei aqui (cujas irregularidades de tradução, cabe dizer, também foram admitidas pela editora).
trata-se da menção "Copyright © 1996 da 1a. edição brasileira: Editora Ensaio" na página de créditos.
não sabemos o que a editora ensaio haveria de pensar da referência (sabemos, por exemplo, que a brasiliense, posta diante de situação semelhante, manifestou sua estranheza), visto que a ensaio encerrou suas atividades faz um bom tempo. de qualquer forma, volta-me, mesmo um tanto absurda, uma hipótese: teria a boitempo julgado que, mencionando um antigo copirraite de uma editora extinta, estaria conferindo legitimidade à sua "nova tradução"?
seja como for, a referida editora comunicou em nota recente que havia dado por encerrado o processo de apuração interna para eliminar qualquer vestígio de irregularidade em seu catálogo (ver aqui). no entanto, o poder da ideologia parece lhe ter escapado à atenção, pois, tal como o supracitado ensaio "as antinomias de gramsci", de perry anderson, essa obra de mészaros não é mencionada em lugar algum da referida nota. em vista do empenho que a editora tem dedicado a apurar alguns problemas em suas publicações, quero crer que se disporá também a avaliar o caso acima exposto. e por tão mais forte razão porque, no caso de paulo cez[s]ar castanheira, tradutor de muitas obras e não só para a boitempo, a editora poderia eventualmente correr o risco de vir a manchar o nome de um profissional atuante e conhecido no meio.
21 de ago. de 2012
sobre a nota de repúdio da boitempo
hoje recebi email enviado pela editora boitempo, com o pedido de publicar na íntegra sua nota de repúdio em relação ao post afinidades tradutivas, publicado aqui. a nota da editora está reproduzida aqui.
não quero me deter sobre o tom da nota, que me pareceu um tanto, digamos, acalorado, com termos como "investida", "abusando", "calúnia pura e simples", "simular", "estardalhaço", "busca por holofotes", "modus operandi duvidoso" e coisas assim.
prefiro me ater ao cerne da questão, o qual, por vias indiretas, foi muito bem exposto na nota da editora boitempo.
- a frase que, pelo que consegui entender no arrazoado da nota da editora, constitui o cerne de sua posição é: "Cabe lembrar que o direito autoral interessa apenas àqueles que o negociam" e "O que é acordado entre as partes ... deve ser respeitado". os corolários, pelo que entendi, seriam: "A fidedignidade dos créditos reside nessa relação profissional", que não diria respeito às extrapartes. e esse acordo entre as partes privadas garantiria a integridade intelectual da obra e a veracidade dos créditos.
quanto a isso, cabe lembrar que o direito autoral se compõe de duas partes: a patrimonial e a moral.
sem dúvida, os direitos autorais patrimoniais sobre uma obra são livremente negociáveis entre as partes privadas, e aqui prevalece o princípio da liberdade contratual: trata-se do direito de uso e exploração econômica da obra, sob condições mutuamente acordadas.
já os direitos autorais morais são de natureza totalmente distinta: pertencem ao leque de direitos de personalidade, que são irrenunciáveis, inalienáveis e intransferíveis.
por exemplo: se eu, como autora da tradução de in the tracks of historical materialism, para a brasiliense em 1984, tivesse sido consultada pela editora boitempo, solicitando licença de uso de minha tradução para publicá-la em 2004, eu poderia concedê-la, respeitada a cadeia de direitos anteriores. mas, se a editora me consultasse propondo a substituição de meu nome como autora da tradução pelo de "isa tavares", eu não o poderia fazer, pelos mais simples princípios de boa fé e responsabilidade civil: como poderia acordar licitamente em ter meu nome substituído pelo de outra pessoa? qualquer contrato neste sentido me pareceria, em princípio, juridicamente nulo.
o que confere veracidade aos créditos de autoria, portanto, não é o acordo de transferência de direitos patrimoniais de uma parte a outra. o que lhes confere veracidade é a correspondência entre esses créditos e o nome do autor. os créditos são fidedignos se a pessoa responsável pela autoria daquela obra é a mesma que consta como responsável por ela nas informações dirigidas ao leitor, isto é, nos créditos. e a integridade de uma obra, naturalmente, consiste, entre outras coisas, na veracidade e fidedignidade das informações veiculadas sobre sua autoria.
assim, talvez uma das origens da confusão conceitual que parece permear a recente nota da editora boitempo seja a indistinção entre direitos patrimoniais e direitos morais dentro do leque dos direitos de autor.
- o segundo ponto é uma frase que não entendi muito bem: "quem julga obras que não lhe dizem respeito". como alguém poderia ser tolhido de julgar uma obra que lê? o que determina que tal ou tal obra dirá ou não dirá respeito a quem quer que seja? sem entrar em questões referentes a censuras ou policiamentos, aqui parece-me pertinente lembrar que um livro como objeto (seja impresso ou digital) se constitui como produto na relação com o leitor. estabelece o artigo 3, parágrafo 1, da lei que rege as relações de consumo, aqui:
é neste sentido que, ao contrário do que entendi que afirma a editora boitempo, toda e qualquer obra em circulação ou mesmo esgotada diz legitimamente respeito a todo e qualquer leitor que tenha acesso a ela e se interesse em lê-la.
além dos direitos autorais (morais e patrimoniais), além dos direitos do leitor, eu gostaria de apresentar um último aspecto levantado um tanto transversalmente na nota da editora boitempo. a editora explica que fez um agradecimento especial a uma das editoras citadas em sua nota de edição no livro afinidades seletivas, "pela generosidade de ter cedido texto ainda disponível em seu catálogo".
este tema é muito importante, e retornarei a ele com calma. de qualquer forma, se raul fiker teve seu nome devidamente creditado como autor da tradução do artigo sobre bobbio, a menção é corretíssima (e até por isso dei destaque a ela). é corretíssima, não porque o texto ainda esteja disponível no catálogo da editora unesp (aspecto meramente patrimonial do direito de autor), mas porque foi ele o verdadeiro tradutor do ensaio (aspecto moral do direito de autor).
em suma, não é porque uma editora esteja extinta, nem porque uma edição esteja esgotada há muitos anos que o direito moral (irrenunciável, intransferível e inextinguível) do autor se torna letra morta.
quem acompanha este blog e meu trabalho em favor das obras esgotadas, órfãs e abandonadas sabe muito bem que defendo justamente a flexibilização da lei que dispõe sobre o acesso a essas obras. eu seria a primeira a aplaudir a proposta da editora boitempo em resgatar traduções antigas (como o fiz aqui e aqui), mas, evidentemente, desde que respeitados os direitos morais de seus autores.
não quero me deter sobre o tom da nota, que me pareceu um tanto, digamos, acalorado, com termos como "investida", "abusando", "calúnia pura e simples", "simular", "estardalhaço", "busca por holofotes", "modus operandi duvidoso" e coisas assim.
prefiro me ater ao cerne da questão, o qual, por vias indiretas, foi muito bem exposto na nota da editora boitempo.
- a frase que, pelo que consegui entender no arrazoado da nota da editora, constitui o cerne de sua posição é: "Cabe lembrar que o direito autoral interessa apenas àqueles que o negociam" e "O que é acordado entre as partes ... deve ser respeitado". os corolários, pelo que entendi, seriam: "A fidedignidade dos créditos reside nessa relação profissional", que não diria respeito às extrapartes. e esse acordo entre as partes privadas garantiria a integridade intelectual da obra e a veracidade dos créditos.
quanto a isso, cabe lembrar que o direito autoral se compõe de duas partes: a patrimonial e a moral.
sem dúvida, os direitos autorais patrimoniais sobre uma obra são livremente negociáveis entre as partes privadas, e aqui prevalece o princípio da liberdade contratual: trata-se do direito de uso e exploração econômica da obra, sob condições mutuamente acordadas.
já os direitos autorais morais são de natureza totalmente distinta: pertencem ao leque de direitos de personalidade, que são irrenunciáveis, inalienáveis e intransferíveis.
por exemplo: se eu, como autora da tradução de in the tracks of historical materialism, para a brasiliense em 1984, tivesse sido consultada pela editora boitempo, solicitando licença de uso de minha tradução para publicá-la em 2004, eu poderia concedê-la, respeitada a cadeia de direitos anteriores. mas, se a editora me consultasse propondo a substituição de meu nome como autora da tradução pelo de "isa tavares", eu não o poderia fazer, pelos mais simples princípios de boa fé e responsabilidade civil: como poderia acordar licitamente em ter meu nome substituído pelo de outra pessoa? qualquer contrato neste sentido me pareceria, em princípio, juridicamente nulo.
o que confere veracidade aos créditos de autoria, portanto, não é o acordo de transferência de direitos patrimoniais de uma parte a outra. o que lhes confere veracidade é a correspondência entre esses créditos e o nome do autor. os créditos são fidedignos se a pessoa responsável pela autoria daquela obra é a mesma que consta como responsável por ela nas informações dirigidas ao leitor, isto é, nos créditos. e a integridade de uma obra, naturalmente, consiste, entre outras coisas, na veracidade e fidedignidade das informações veiculadas sobre sua autoria.
assim, talvez uma das origens da confusão conceitual que parece permear a recente nota da editora boitempo seja a indistinção entre direitos patrimoniais e direitos morais dentro do leque dos direitos de autor.
- o segundo ponto é uma frase que não entendi muito bem: "quem julga obras que não lhe dizem respeito". como alguém poderia ser tolhido de julgar uma obra que lê? o que determina que tal ou tal obra dirá ou não dirá respeito a quem quer que seja? sem entrar em questões referentes a censuras ou policiamentos, aqui parece-me pertinente lembrar que um livro como objeto (seja impresso ou digital) se constitui como produto na relação com o leitor. estabelece o artigo 3, parágrafo 1, da lei que rege as relações de consumo, aqui:
Art. 3° § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.o leitor, como consumidor do produto livro, dispõe entre seus direitos básicos os de contar com:
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço [...]VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;pode-se gostar ou não, concordar ou não, mas tais são os termos que dispõe a lei.
é neste sentido que, ao contrário do que entendi que afirma a editora boitempo, toda e qualquer obra em circulação ou mesmo esgotada diz legitimamente respeito a todo e qualquer leitor que tenha acesso a ela e se interesse em lê-la.
além dos direitos autorais (morais e patrimoniais), além dos direitos do leitor, eu gostaria de apresentar um último aspecto levantado um tanto transversalmente na nota da editora boitempo. a editora explica que fez um agradecimento especial a uma das editoras citadas em sua nota de edição no livro afinidades seletivas, "pela generosidade de ter cedido texto ainda disponível em seu catálogo".
este tema é muito importante, e retornarei a ele com calma. de qualquer forma, se raul fiker teve seu nome devidamente creditado como autor da tradução do artigo sobre bobbio, a menção é corretíssima (e até por isso dei destaque a ela). é corretíssima, não porque o texto ainda esteja disponível no catálogo da editora unesp (aspecto meramente patrimonial do direito de autor), mas porque foi ele o verdadeiro tradutor do ensaio (aspecto moral do direito de autor).
em suma, não é porque uma editora esteja extinta, nem porque uma edição esteja esgotada há muitos anos que o direito moral (irrenunciável, intransferível e inextinguível) do autor se torna letra morta.
quem acompanha este blog e meu trabalho em favor das obras esgotadas, órfãs e abandonadas sabe muito bem que defendo justamente a flexibilização da lei que dispõe sobre o acesso a essas obras. eu seria a primeira a aplaudir a proposta da editora boitempo em resgatar traduções antigas (como o fiz aqui e aqui), mas, evidentemente, desde que respeitados os direitos morais de seus autores.
nota de repúdio da editora boitempo
acabo de receber um email da editora boitempo, com o título "resposta da boitempo, com pedido de que seja publicada na íntegra". aqui segue.
atualização: em vista da inusitada virulência desta nota, encaminhei o caso a meu advogado, para as providências cabíveis.
NOTA DE REPÚDIO
Na semana passada a Boitempo divulgou nota em que dava por encerrada a verificação interna de alguns de seus títulos e apontava para a solução dos problemas. Ontem, porém, a editora foi surpreendida por nova investida da blogueira Denise Bottmann, que, abusando do exercício de seus direitos de manifestação, partiu do plano das suposições para o terreno arenoso da calúnia pura e simples, com a clara intenção de ferir a credibilidade da editora. Esta nota tem, portanto, não apenas o objetivo de esclarecer mais esse episódio, mas principalmente o de pôr a nu os “métodos” utilizados pela personagem em questão.
Em seu blog, Bottmann empreende uma falsa e completamente descabida acusação referente à tradução do ensaio “As antinomias de Gramsci”, parte da coletânea Afinidades seletivas (2002), de autoria de Perry Anderson. Sem antes pedir esclarecimentos à editora, concluiu e divulgou “evidências” que não existem. Para simular e legitimar sua versão, confunde os créditos dados às duas traduções previamente existentes com um agradecimento especial feito a uma das editoras citadas, pela generosidade de ter cedido texto ainda disponível em seu catálogo.
Diz o post que o ensaio “parece ter escapado” ao crivo da Boitempo, no entanto não há o que colocar em dúvida, a não ser a intenção de quem julga obras que não lhe dizem respeito; que acusa publicamente antes de averiguar com a editora – com a qual se comunica apenas via blog ou com muito estardalhaço via mídia –; que omite ou prefere não tomar conhecimento de informações que possam enfraquecer sua argumentação; e que levanta semelhanças pontuais de algumas obras para impor a suspeita sobre o todo, incluindo a credibilidade da editora e de seu catálogo.
Com todos os direitos autorais negociados ou cedidos de forma legítima e em comum acordo com editora e tradutores dos dois ensaios – entre doze constantes no volume –, previamente traduzidos para a língua portuguesa, definiu-se que a tradução na página de créditos seria atribuída ao nosso colaborador, a quem coube a tradução dos demais ensaios. Ou seja, há permissão expressa dos tradutores originais do ensaio “As antinomias de Gramsci” para que a editora procedesse dessa forma. Também foi acordado entre as partes envolvidas que a origem de cada texto seria mencionada na “Nota da Edição”, o que foi cumprido e está presente na página 11, trecho este que “parece ter escapado” à blogueira mas que pode ser conferido na página abaixo reproduzida:
Em vermelho, destaque da Boitempo Editorial. Em azul, destaque de Denise Bottmann.
Para usar as palavras da blogueira, “interessante” ela ter se esquecido de escanear e mostrar essa página aos seus leitores, lembrando de fazer isso apenas com a capa do livro, o que evidencia mais a sua busca por holofotes do que seu compromisso com a verdade ou com a categoria que afirma defender. Cabe lembrar que o direito autoral interessa apenas àqueles que o negociam. O que é acordado entre as partes, inclusive sobre a forma de apresentação nas obras, deve ser respeitado. A fidedignidade dos créditos reside nessa relação profissional, que, como a própria blogueira admite, mas sistematicamente ignora, não lhe diz respeito. Ao contrário do que insinua, a integridade intelectual da obra Afinidades seletivas está garantida, assim como a veracidade dos créditos.
Ao esclarecer essas acusações esperamos, além de evidenciar o modus operandiduvidoso empregado pela blogueira, tranquilizar uma vez mais os leitores da Boitempo quanto à seriedade de nosso trabalho. Vamos agora concentrar esforços na produção de nossos livros e cursos, dando por encerrados os pronunciamentos por esta via no que diz respeito a acusações levantadas por Denise Bottmann, a quem lembramos que a democracia assegura a todos os cidadãos a liberdade de expressão, mas também os responsabiliza por aquilo que expressam.
Boitempo Editorial
atualização: em vista da inusitada virulência desta nota, encaminhei o caso a meu advogado, para as providências cabíveis.
20 de ago. de 2012
you kiddin', rite? - parte IV
é tão estranho esse volume da boitempo, considerações sobre o marxismo ocidental/ nas trilhas do materialismo histórico, com pretensa tradução em nome de isa tavares, que até o isbn está errado.
está lá na quarta capa: ISBN 85-7559-033-3. isso não existe. o último dígito é verificador, e não bate.
ok, vejo então que o dígito verificador correto é 2, conforme consta na ficha catalográfica da página de créditos.
mas aí a gente vai ao site do isbn, faz a consulta e está lá:
paulo cesar castanheira como tradutor? e a tal da isa tavares, cadê?
está lá na quarta capa: ISBN 85-7559-033-3. isso não existe. o último dígito é verificador, e não bate.
ok, vejo então que o dígito verificador correto é 2, conforme consta na ficha catalográfica da página de créditos.
mas aí a gente vai ao site do isbn, faz a consulta e está lá:
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paulo cesar castanheira como tradutor? e a tal da isa tavares, cadê?
a difusão das antinomias
como comentei aqui, um dos grandes problemas em obras espúrias, sobretudo quando são livros de estudo, de pesquisa, debate e reflexão, dentro e fora do ambiente universitário, é que acabam adquirindo uma difusão, uma propagação quase exponencial. consultadas e citadas em artigos, ensaios, dissertações, teses; indicadas em bibliografias e programas de cursos; presentes em bibliotecas de instituições de ensino públicas e privadas; muitas vezes oferecidas ou adquiridas em licitações e pregões públicos para escolas e bibliotecas, tais obras ganham uma credibilidade que não lhes cabe e uma permanência ao longo das décadas que dificilmente se extirpa com a mera retirada dos exemplares disponíveis no circuito de distribuição. já comentei inúmeras vezes este problema, e na tag nas escolas vê-se claramente a dimensão que ele adquire.
sobre o importante texto de perry anderson sobre "as antinomias de gramsci", que comentei aqui, seguem alguns exemplos de sua difusão entre acervos de bibliotecas, programas de curso e artigos de reflexão e estudo:
9. Referências bibliográficas
Cuadernos de antropología social - Procesos hegemónicos y ...
sobre o importante texto de perry anderson sobre "as antinomias de gramsci", que comentei aqui, seguem alguns exemplos de sua difusão entre acervos de bibliotecas, programas de curso e artigos de reflexão e estudo:
www.acessa.com/gramsci/?id=454&page=visualizar
de L Ramos - Citado por 6 - Artigos
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amigosenff.org.br/.../Campanha%202011%20Biblioteca%20da%20E...
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Rio de Janeiro, DP&A Editora, 2002. ANDERSON, P. “As antinomias de Gramsci”
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In:ANDERSON, PERRY. Afinidades Seletivas.
São Paulo: Boitempo, 2002.Rio de Janeiro, DP&A Editora, 2002. ANDERSON, P. “As antinomias de Gramsci”
[PDF] Download - Unifesp
www.unifesp.br/prograd/portal/index.php?option=com...Formato do
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Bibliografia Complementar: ANDERSON, P. “As antinomias de Gramsci”. In:ANDERSON, PERRY. Afinidades Seletivas. São. Paulo: Boitempo, 2002.
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[PDF] HEGEMONIA E DIREITO
disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.../Hegemonia%20e%20Direito.pdf
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4 ANDERSON, Perry. As antinomias de Gramsci. Afinidades eletivas. Tradução de. Paulo Castanheira. São Paulo: Boitempo, 2002. p. 26 e ss.
4 ANDERSON, Perry. As antinomias de Gramsci. Afinidades eletivas. Tradução de. Paulo Castanheira. São Paulo: Boitempo, 2002. p. 26 e ss.
[PDF] Título do Artigo: Joseph Schumpeter e a Democracia
Inglesawww.sumarios.org/sites/default/files/pdfs/64585_7311.PDF
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9. Referências bibliográficas
www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/6617/6617_10.PDF ANDERSON, Perry. Balanço do neoliberalismo. ... As antinomias de Gramsci. In:
______. Afinidades seletivas. São. Paulo: Boitempo, 2002.
[PDF] Trotsky para Gramscianos: www.unicamp.br/cemarx/.../comunicações/GT1/gt1m4c2.pdf
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[PDF] Educação Jurídica Social www.uff.br/ppgsd/dissertacoes/marcos_silva2008.pdf
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ao pensamento de Gramsci feita por Perry
Anderson(ANDERSON, 2002:13 a. 100), sob o título de “As Antinomias de Gramsci”.
[PDF] “Acá lo que cambió todo fue la privatización…”
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ANDERSON, Perry. “As antinomias de Gramsci” in ANDERSON, Perry. Afinidades Seletivas, São Paulo, Boitempo Editorial, 2002
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embora a editora boitempo já tenha dado por encerrado seu processo de apuração de qualquer vestígio de irregularidade em seu catálogo (aqui), espero que ela reconsidere sua decisão e dedique o mesmo empenho em apurar também as possíveis irregularidades de tradução nessa obra tão importante de perry anderson.
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