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19 de jun. de 2017
um novo rubaiyat
ivo barroso concede a seus leitores e admiradores a oportunidade de conhecer 28 ruba'i de khayyam de sua lavra, numa bela e cuidadosa edição:
19 de abr. de 2017
um triste rubaiyat
OS RUBAIYAT DE MANUEL BANDEIRA E DE TORRIERI GUIMARÃES
Denise Bottmann
Um
componente da história da tradução – sobretudo literária – no Brasil que nunca
cessa de nos surpreender é o plágio de tradução. Os casos pipocam pelo menos
desde os alvores do século XX (o primeiro caso documentado de que tenho notícia
recua a 1903) e, embora tenham se reduzido muito na última década, volta e meia
descobrem-se casos até então desconhecidos ou surgem novas ocorrências.
Em
termos muito gerais, o plágio de tradução no Brasil consiste em três ou quatro procedimentos
bastante simples: para determinada obra que se pretenda publicar, normalmente
caída em domínio público, recorre-se a alguma tradução já existente, seja portuguesa,
seja brasileira. Em se tratando de tradução brasileira, prefere-se uma antiga,
feita por tradutor já falecido, publicada por alguma editora muitas vezes
extinta. Toma-se essa tradução, elimina-se o nome do verdadeiro tradutor e se a
publica atribuindo sua autoria a outro nome, que pode ser real ou fictício. Pode-se
ter a pura e simples reprodução intocada do texto ou sua modificação com pequenas
alterações aqui e ali – geralmente nas primeiras páginas ou em início de
parágrafos – a fim de tentar disfarçar a cópia. Um exemplo é a célebre tradução
de Les Fleurs du mal, de Charles
Baudelaire, feita por Jamil Almansur Haddad, publicada em 1958 pela extinta
editora Difel, e republicada com algumas toscas adulterações em 2001 pela
editora Martin Claret, com o nome real de Pietro Nassetti.[1]
Raros,
raríssimos são os plágios de traduções lançadas poucos anos antes e ainda ativas
em catálogo. No entanto, existem. E é um caso desses que pretendo abordar.
Aqui
cabe uma brevíssima explicação. Os ruba’i
(quadras ou quartetos) do matemático, astrônomo e poeta persa Omar Khayyam,
do século XI, passaram a ser conhecidos no Ocidente a partir do século XIX,
principalmente com a tradução de Edward Fitzgerald para o inglês, em versos, em
1859, com 75 ruba’i (posteriormente
aumentados para 100). Outra tradução que se tornou muito conhecida foi a de
Franz Toussaint, em francês e em prosa, de 1924, com 170 ruba’i. São essas duas
traduções, a de Fitzgerald e a de Toussaint, que costumam servir de referência para
as inúmeras traduções indiretas dos poemas de Khayyam em diversas línguas.
No
Brasil, a primeira tradução do Rubaiyat
é a de Octavio Tarquinio de Souza, feita a partir do texto de Toussaint, publicada
em 1928 e que ainda se encontra em circulação, com inúmeras reedições.
Como
a tradução de Toussaint está vazada em prosa, tomá-la como texto de
interposição significa normalmente que a tradução indireta também será em
prosa. E aí temos a primeira peculiaridade da tradução de Manuel Bandeira, o
qual, assim como Tarquínio, partiu de Toussaint, porém convertendo sua prosa em
quadras. Nisso poderíamos ver, talvez, uma tentativa de se reaproximar, ao
menos em parte, da forma poética original. Mas deixemos a exegese para outra
hora. O que importa notar é que Torrieri Guimarães – o qual afirma que “A
tradução que fizemos está rigorosamente
baseada [grifo meu] na tradução de Toussaint” – também converte sua prosa em
quadras.
Ademais,
a tradução de Bandeira apresenta outra peculiaridade. Adotando a forma poética da
quadra para a prosa corrida de Toussaint, ele não se limita a uma quadra. Aqui cabe notar que o ruba’i na tradição persa é uma forma
poética rigorosa, um breve poema composto por quatro versos apenas [daí seu nome, como já dissemos], com várias
classificações internas quanto ao tipo de metrificação e com o predomínio da
rima no primeiro, segundo e quarto versos, o terceiro sendo branco, tal como a
usa Khayyam. Bandeira adota a quadra – salvo em três ruba’i montados em quintilha –, mas não se restringe a uma estrofe,
e recorre a metros variados. Seus ruba’i,
se ainda assim pudermos nos referir a poemas com número variável de estrofes,
metrificação diversificada e versos brancos, apresentam de um a quatro
quartetos, além das três quintilhas citadas (137, 142 e 143).
Torrieri
Guimarães, salvo algumas exceções que não chegam a dez por cento dos 170 ruba’i em questão, mantém exatamente o
mesmo número de estrofes usadas por Bandeira para cada poema.[2]
Vejamos
um exemplo, o ruba’i 102:
Manuel Bandeira:
Quando
eu deixar de existir,
Não
existirão mais rosas,
Ciprestes,
lábios vermelhos,
Canções,
vinho perfumado...
Não
haverá mais auroras,
Não
haverá mais crepúsculos,
Não
haverá mais amores,
Nem
penas, nem alegrias.
O
mundo será abolido,
Pois
do nosso pensamento
É
que a sua realidade
Depende
exclusivamente.
Torrieri
Guimarães:
Quando
eu não mais existir
Não
existirão mais rosas,
Ciprestes,
bocas vermelhas,
Nem
vinho tão perfumado...
Não
existirão auroras,
Nem
crepúsculos também,
Não
existirão amores,
Nem
alegrias, nem dores.
O
mundo estará abolido,
Pois
de nosso pensamento
É
que sua realidade
Depende,
dele somente.
Agora,
vejamos Toussaint:
Quand je ne
serai plus, il n'y aura plus de roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin
parfumé. Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines.
L'univers n'existera plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée.
Isso
do ponto de vista do número de estrofes. Passemos ao teor. Se em “Quand je ne serai plus, il n'y aura plus de
roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin parfumé” podemos ver que
Bandeira, para manter o metro em heptassílabos, acrescentou “canções”, do que
se absteve Torrieri, por outro lado “Não existirão auroras,/ Nem crepúsculos
também,/ Não existirão amores,/ Nem alegrias, nem dores” está visivelmente mais
próximo de “Não haverá mais auroras,/ Não haverá mais crepúsculos,/ Não haverá
mais amores,/ Nem penas, nem alegrias” do que de “Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines”.
O mesmo se pode dizer quanto à proximidade maior de “O mundo estará abolido,/
Pois de nosso pensamento/ É que sua realidade/ Depende, dele somente” com “O
mundo será abolido,/ Pois do nosso pensamento/ É que a sua realidade/ Depende
exclusivamente” do que com “L'univers n'existera
plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée”.
Outro
exemplo ilustrando essa proximidade é o acréscimo do terceiro verso em
Bandeira, retomado com ligeira alteração em Torrieri, no ruba’i 113:
Bandeira
Pedi
numa taverna a um velho sábio
Que
sobre os mortos algo me ensinasse.
“O
que há de certo é que não voltarão”,
Disse.
“É tudo o que sei. Bebe o teu vinho!”
Torrieri
Pedi
numa taverna a um idoso sábio
Que
algo sobre os defuntos me ensinasse.
“O
certo é que não mais retornarão”,
Disse.
“É tudo o que sei. Bebe teu vinho!”
Eis
Toussaint:
Dans une
taverne, je demandais à un vieux sage de me renseigner sur ceux qui sont
partis. Il m'a répondu: “Ils ne reviendront pas. C'est tout ce que je sais.
Bois du vin!”
Vejamos
agora o ruba’i 61, como exemplo de
omissão de termos ou frases em relação ao texto de Toussaint:
Bandeira
Só
conhecemos da ventura o nome.
Nosso
mais velho amigo é o vinho novo
Afaga
o único bem que não engana:
A
urna cheia do sangue dos vinhedos.
Torrieri
Sabemos
da Ventura só o nome.
Nosso
amigo mais velho é o vinho novo.
Acaricia
o bem que não engana:
A
urna cheia com sangue das vinhas.
Toussaint
Du bonheur, nous
ne connaissons que le nom. Notre plus vieil ami est le vin nouveau. Du regard et
de la main, caresse notre seul bien qui ne soit pas décevant: l'urne pleine du
sang de la vigne.
Ou,
ainda, o ruba’i 114:
Bandeira
Olha!
Escuta! Na brisa uma rosa estremece.
Um
rouxinol canta-lhe um hino apaixonado.
Uma
nuvem parou. Bebe, e esquece que a brisa
Desfolha
a rosa, leva o canto e a fresca nuvem.
Torrieri
Olha!
Escuta! Uma rosa estremece na brisa.
Um
rouxinol lhe canta um hino apaixonado.
Uma
nuvem parou. Bebe, esquece que a brisa
A
rosa despetala e leva o canto e a nuvem.
Toussaint
Regarde! Écoute! Une rose tremble dans la brise. Un rossignol lui chante
un hymne passionné. Un nuage s'est arrêté. Buvons du vin! Oublions que cette
brise effeuillera la rose, emportera le chant du rossignol et ce nuage qui nous
donne une ombre si précieuse.
Note-se
que “Du regard et de la main” está
ausente em ambos os casos do ruba’i
61 e a oração inteira “qui nous donne une
ombre si précieuse” desaparece do ruba’i
114.
Por
tais exemplos, fica evidente que Torrieri se baseou em Bandeira, não em
Toussaint, tanto na variada forma poética adotada na tradução quanto no
conteúdo vocabular dos poemas, com idênticos acréscimos ou omissões em relação
a Toussaint.
Poderíamos
nos estender longamente sobre dezenas e mais dezenas de outros exemplos, mas
creio que os apresentados bastam para mostrar que o procedimento adotado por
Torrieri Guimarães em sua pretensa tradução consistiu basicamente em adotar as
soluções de Manuel Bandeira, procedendo a modificações de superfície, seguindo
um padrão simples e constante, com inversão de palavras e ocasional
substituição de termos por sinônimos (“mortos” por “defuntos”, “desfolha” por
“despetala”, “exclusivamente” por “somente”, “afaga” por “acaricia” e assim por
diante). Sua fidelidade chega ao ponto de apresentar o ruba’i 165 com o 2º. e o 4º. versos recuados, tal como em Bandeira.[3]
Se
cópias maquiadas não são fatos inéditos na história da tradução no Brasil, o
caso do Rubaiyat vem caracterizado
por uma invulgar singeleza: Bandeira lançara sua tradução em 1966, morrera em
1968, seu Rubayat continuava em
viçosa circulação; mal passada uma década, os leitores foram brindados com uma
versão toscamente copidescada dos ruba’i
da lavra tradutória bandeiriana. Se algum consolo há, é o de que a tradução
espúria nunca alcançou grande repercussão e não deixou muita memória. Fique,
porém, registrada a ocorrência.
AGRADECIMENTOS
Devo
a descoberta dessa fraude a Willamy Fernandes, a quem agradeço vivamente a
gentileza em tê-la compartilhado comigo.
ANEXO
Segue-se
a listagem dos únicos catorze ruba’i,
dentre o total de 170, que apresentam discrepância na quantidade de estrofes
usadas por Manuel Bandeira (MB) e por Torrieri Guimarães (TG). Na coluna da esquerda,
encontra-se o número do poema; na coluna central, o número de quadras usado por
Bandeira; na coluna da direita, o número de quadras usado por Torrieri.
Ruba’i MB TG
10 1 2
28 4 3
32 2 1
53 1 2
59 1 2
66 1 2
73 1 2
76 1 2
90 2 1
93 2 1
115 1 2
146 2 1
147 2 1
148 2 1
[1] Veja-se o
artigo Flores roubadas do jardim alheio,
do poeta e tradutor Ivo Barroso, disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/ibarroso3.html.
[2] Vide o Anexo.
[3] Uma ressalva: alguns dos ruba’i com tradução em nome de Torrieri
Guimarães afastam-se claramente da versão de Manuel Bandeira e mesmo da de
Franz Toussaint, por exemplo o de número 93. Como são poucas ocorrências
esparsas, não chegam a afetar o fato principal exposto neste artigo: sua dita
tradução, ao contrário do que afirma ele, não vem “rigorosamente baseada” na de
Toussaint, e sim na de Bandeira.
Este artigo foi publicado em InComunidade, ano 4, n. 55, abril de 2017, aqui.
garfada do rubaiyat de manuel bandeira
a partir de uma preciosa indicação de willamy fernandes, em seus valiosos comentários aqui, escrevi um breve artigo,
"os rubaiyat de manuel bandeira e de torrieri guimarães", que foi publicado agora em abril pela revista cultural digital InComunidade, em seu número 55. o artigo está disponível aqui.
15 de jun. de 2016
o rubaiyat aloprado
incluí agora no levantamento da obra de omar khayyam traduzida no brasil o livro rubaiyat na tradução de milton lins, que saiu pela editora recifense bagaço em 2014, com visualização parcial disponível aqui.
milton lins foi o caso mais assombroso que conheci na área de tradução literária. veja aqui.
eis um exemplo do grau de surrealismo alcançado por milton lins num dos rubais traduzidos a partir da versão de fitzgerald:
milton lins foi o caso mais assombroso que conheci na área de tradução literária. veja aqui.
eis um exemplo do grau de surrealismo alcançado por milton lins num dos rubais traduzidos a partir da versão de fitzgerald:
8 de mai. de 2016
Coleção Rubaiyát
A editora José Olympio manteve durante um tempo uma coleçãozinha que era um mimo, a Rubaiyát, em formato in-16, impressa em papel bouffon e belamente ilustrada ou com graciosas vinhetas, em capa dura, com a lombada em couro marroquim se estendendo por três centímetros na frente e no verso da capa, com letras e vinhetas douradas.
A coleção se estendeu por quase vinte anos (de 1942 a 1961), e lançou 47 títulos num total de 50 volumes, embora de maneira um tanto salteada. Às vezes passavam-se dois ou três anos sem sair nada, depois vinham uns três ou quatro lançamentos; às vezes também apenas relançavam títulos que já tinham saído alguns anos antes pela própria editora ou por outras, e assim por diante.
O catálogo era bem variado, mas com certo predomínio da chamada “poesia oriental”, como, aliás, vem indicado no próprio nome da coleção. Na verdade, a José Olympio já vinha mantendo uma iniciativa um tanto esporádica, chamada “Série de Poemas Orientais”, pela qual saíram sete títulos entre 1938 e 1942. Tenho para mim que a Coleção Rubaiyát foi uma espécie de formalização dessa série como um projeto editorial mais consistente. Nessa linha de perfil mais oriental, ela publicou várias coisas de Tagore, Saadi, Hafiz etc. Outra linha na coleção que também se destacava, em menor escala, baseava-se em textos bíblicos, em particular do Antigo Testamento: Jó, Eclesiastes, livros atribuídos a Salomão etc.
Mas a Coleção Rubaiyát trouxe também várias
coisas inéditas - entre elas destaca-se O
vento da noite, livro de poemas de Emily Brontë, em tradução de Lúcio Cardoso.
Aliás, o time de tradutores da Rubaiyát não deixava nada a desejar: além de Lúcio
Cardoso, havia também Manuel Bandeira, Octavio Tarquínio de Souza, Guilherme de
Almeida, Lúcia Miguel-Pereira, Abgar Renault, Geir Campos, Aurélio Buarque de Hollanda,
Oswaldino Marques, Adalgisa Nery e outros.
Seguem abaixo, por ordem alfabética de autor, os títulos publicados na
coleção e várias imagens de capa. Os sete títulos publicados antes na Série de Poemas Orientais trazem esse dado especificado entre colchetes, bem como o ano inicial de sua publicação. São 47 títulos, compondo ao todo 50 volumes.
- · Aires, Matias. Reflexões sobre a Vaidade dos Homens. 1953
- · Almeida, Guilherme de. Camoniana. 1956
- · Amaru. Poemas de Amor. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1949
- · Anônimo. Nalá e Damayanti. Trad. Luís Jardim, 1944
- · Bandeira, Manuel. Poemas Traduzidos. Traduções de Bandeira de vários autores, 1956 [R.A. Editora, 1945]
- · Baudelaire, Charles. Flores das “Flores do Mal” de Charles Baudelaire. Trad. Guilherme de Almeida, 1944 [extra-coleção]
- · Baudelaire, Charles. Pequenos Poemas em Prosa. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1950
- · Brontë, Emily. O Vento da Noite. Trad. Lúcio Cardoso, 1944
- · Descartes, René. Discurso do Método. Trad. João Cruz Costa, 1960
- · Eclesiastes, atribuído a Salomão. Trad. Pe. António Pereira de Figueiredo, 1950
- · Hafiz e Saadi. Vinho, Vida e Amor. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1946
- · Hafiz, Al-Din M. Os Gazéis de Hafiz. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1944
- · Herold, A. Ferdinand. A Grinalda de Afrodite – Epigramas amorosos da antologia grega. Trad. Valdemar Cavalcanti, 1949
- · Kalidasa, A Ronda das Estações. Trad. Lúcio Cardoso, 1944
- · Kháyyám, Omar. Rubáiyát. Trad. Octavio Tarquinio de Souza, 1942 [Imprensa Nacional, 1928; passou para a JO em 1935; Série de Poemas Orientais, 1938]
- · Lousada, Wilson (org.). Cancioneiro do Amor (Os mais belos versos da poesia brasileira). 2 vols, sendo I. Árcades, Românticos, Parnasianos; II. Simbolistas e Contemporâneos. 1950
- · Lousada, Wilson (org.). Cancioneiro do Amor (Os mais belos versos da poesia portuguesa). 1952
- · Louys, Pierre. O Amor de Bilitis (Algumas Canções). Trad. Guilherme de Almeida, 1943
- · Marco Aurélio. Meditações. Trad. Lúcia Miguel-Pereira, 1957
- · Mello, Thiago de. A Lenda da Rosa. 1955
- · Montaigne, Michel de. Seleta dos Ensaios (3 vols.). Trad. J. M. Toledo Malta, 1961
- · Nietzsche, Friedrich. Nietzschiana. Trad. Alberto Ramos, 1949
- · O Cântico dos Cânticos, atribuído a Salomão. Trad. Augusto Frederico Schmidt, 1949. [Série de Poemas Orientais, 1938]
- · O Livro da Sabedoria [atribuído a Salomão]. Trad. Pe. António Pereira de Figueiredo, 1952
- · O Livro de Job. Trad. Lúcio Cardoso, 1943
- · O Livro dos Provérbios, atribuído a Salomão. Trad. Pe. António Pereira de Figueiredo, 1950
- · Odes Anacreônticas. Trad. Jamil Almansur Haddad, 1952
- · Petrarca, Francesco. O Cancioneiro de Petrarca. Trad. Jamil Almansur Haddad, 1945
- · Rilke, Rainer M. Poemas de Rainer Maria Rilke. Trad. Geir Campos, 1953
- · Salet, Pierre. Palavras do Buddha. Trad. Guilherme de Almeida, 1948
- · Shirazi, Saadi. O Jardim das Rosas. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1952
- · Livro dos salmos, ou Saltério. Trad. Pe. António Pereira de Figueiredo, 1955
- · Sermão da Montanha. Trad. Frei João José P. de Castro, 1956
- · Shakespeare, William. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca. Trad. Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1955
- · Shakespeare, William. Macbeth. Trad. Manuel Bandeira, 1961
- · Stendhal. Do Amor (Trechos). Trad. Wilson Lousada, 1958
- · Tagore, Rabindranath. A Lua Crescente. Trad. Abgar Renault, 1950 [Série de Poemas Orientais, 1942]
- · Tagore, Rabindranath. Colheita de Frutos. Trad. Abgar Renault, 1945
- · Tagore, Rabindranath. O Gitanjali. Trad. Guilherme de Almeida, 1943 [Cia. Editora Nacional, 1932; Série de Poemas Orientais, 1939]
- · Tagore, Rabindranath. O Jardineiro. Trad. Guilherme de Almeida, 1943 [Série de Poemas Orientais, 1939]
- · Tagore, Rabindranath. Pássaros Perdidos. Trad. Abgar Renault, 1947
- · Touissant, Franz. As Pombas dos Minaretes. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1945
- · Toussaint, Franz. A Flauta de Jade (Poesias Chinesas). Trad. Mauro de Freitas, 1949 [1942, Série de Poemas Orientais]
- · Toussaint, Franz. O Jardim das Carícias. Trad. Adalgisa Nery, 1950 [Série de Poemas Orientais, 1938]
- · Whitman, Walt. Cantos de Walt Whitman. Trad. Oswaldino Marques, 1946
- · Wilde, Oscar. Salomé. Trad. Dante Costa, 1952
- · Yutang, Lin. A Sabedoria de Confúcio. Trad. Geir Campos, 1958
Sobre o Rubaiyát no Brasil, veja aqui
Sobre Emily Brontë no Brasil, veja aqui
Sobre Walt Whitman no Brasil, veja aqui
Sobre Baudelaire no Brasil, veja aqui
Sobre Nietzsche no Brasil, veja aqui
Sobre Shakespeare no Brasil, veja aqui
Sobre Rilke no Brasil, veja aqui
Sobre Lúcio Cardoso tradutor, veja aqui
Sobre Manuel Bandeira tradutor, veja aqui
Veja também Coleção Rubaiyát, II, aqui.
obs.: a ideia para esse post me surgiu a partir de um levantamento inicial disponível aqui.
9 de mar. de 2013
rubaiyat
o crítico, poeta e tradutor ivo barroso publicou um belo artigo sobre os rubais de omar khayyam. vale a pena ver, aqui. no artigo, além de publicar sua versão de vários rubais a partir de toussaint/tarquínio, relata uma graciosa singeleza de juventude, do alto de seus dezenove anos:
Mas o que o impacto do livro conseguiu mesmo foi derrubar minhas crenças precárias e abrir-me as portas largas do niilismo e das liberdades totais de pensamento. Eu queria escrever coisas iguais e, para tanto, me “orientalizava” assumindo a persona de um poeta árabe. Cheguei a adotar um nome pseudopersa, Hadiadat Maahatama, e comecei a compor poemas a que dei o título de Yezedis, palavra que eu havia encontrado em minhas leituras e sabia referir-se aos adoradores do diabo. Mas meus poemas não passavam de decalques do Rubaiyat e resolvi assumir o pastiche. Achava expressivo o texto de Tarquínio, mas faltava-lhe ritmo, faltava rima; eu queria transformá-lo em pequenos poemas rimados e metrificados. Foi o que fiz, aproveitando palavras e frases inteiras da tradução. (meu rubaiyat, aqui)foi também por intermédio desse artigo de ivo barroso que vim a saber que a tradução de octavio tarquínio de souza já desde 1928 saíra pela imprensa nacional (eu achava que tinha sido apenas em 1935, pela josé olympio). diga-se ainda que o número de rubais varia bastante nessas edições, dependendo da seleção feita. tenho a impressão de que a coletânea mais extensa é a de eugênio amado, com 200 rubais.
vendo o que temos do rubaiyat entre nós, encontrei o seguinte:
- 1928, imprensa nacional, tradução de octavio tarquinio de souza, via toussaint, desde 1935 na josé olympio, e a partir de então a mais exaustivamente reeditada
- 1933, brito & santos editores, tradução de d. martins de oliveira
- 1944, jangada (rio de janeiro), tradução de matos pereira
- 1944, a bolsa do livro, tradução de jamil almansur haddad, via fitzgerald, na coleção "seleções preciosas", vol. 2; desde 1956 na civilização brasileira, com várias reedições, também pela bup e pela pioneira
- 1945, sugestões de um poeta persa, tradução e paráfrases de joaquim de araújo filho
- 1947, pongetti, tradução de emílio de adour da primeira e da quinta edição de fitzgerald
- 1950, joão calazans (belo horizonte), tradução de cordélia fontainha seta
- 1959, ofic. de h. reis (santos), tradução de eno theodoro wanke, reeditado no rio em 1987 pela plaquette
- 1960, ed. conquista, um rubai exemplificativo em tradução de geir de campos in pequeno dicionário de arte poética
- 1966, tecnoprint (atual ediouro), tradução de manuel bandeira, via toussaint, com várias reedições [vide abaixo, atualização de 28/12/2018]
- 1979, hemus, tradução pretensa de torrieri guimarães, supostamente via toussaint. porém ver "os rubaiyat de manuel bandeira e de torrieri guimarães", aqui
- 1986, alguns rubais em tradução de augusto de campos, via fitzgerald, em o anticrítico
- 1999, garnier (de belo horizonte), tradução de eugênio amado
- 2003, madras, "explicado por paramahansa yogananda", a partir de fitzgerald
- 2004, l&pm, "dois quartetos", tradução de carlos freire, in babel de poemas: uma antologia multilíngue, feita diretamente do persa
- 2007, eko (blumenau), coleção "clássicos do oriente" - não descobri o tradutor
- 2012, unesp, tradução de luiz antônio de figueiredo, via fitzgerald
- 2013, topbooks, tradução de j.b. de mello e souza, edição póstuma
- 2014, createspace, tradução de gentil saraiva júnior, via fitzgerald, ed. bilíngue
- 2014, bagaço, tradução de milton lins
- sem data, não faço muita ideia: algo vago entre anos 40 e 60..., editora minerva, tradução do filólogo orientalista ragy basile, com forma poética dada por christovam de camargo. saiu também pela conquista em 1970 e, a partir de 2003, pela martin claret. até onde sei, é a única coletânea com tradução feita diretamente do persa
- sem data, provavelmente anos 2000, tradução de josé reis, apostila eca/usp
- aqui está disponível a tradução de alfredo braga
- existem também várias outras traduções de rubais avulsos em sites e blogs.
- atualização: ivo barroso, meu rubaiyat, 2017, pela giordanus
interessante notar que christovam de camargo utilizou a mesma tradução de ragy basile para suas versões poéticas também em francês e espanhol.
o que achei meio feio foi que na losada, por exemplo, que reeditou inúmeras vezes las rubaiatas, consta: Versión directa del original iranio al portugués, francés e español por el escritor brasileño Christovam de Camargo. mesmo em sua versão francesa publicada pela seghers (1961 em diante), não há qualquer menção a ragy, que afinal foi quem fez a tradução do persa que serviu de base para o arranjo poético de christovam.
a tradução de milton lins, espantosamente surreal de ruim, está disponível aqui.
atualização em junho de 2017 - é lançado:
atualização em junho de 2017 - é lançado:
adendo a título de curiosidade: em 1932, saiu uma tradução em espanhol de alfonso saenz pardo, publicada em curitiba (livraria mundial), com prefácio do jornalista paulo tacla:
notas:
agradeço a ivo barroso pela imagem de capa da tradução de cordélia fontainha (1950), pela página de rosto da tradução de jamil almansur (1944) e, em primeiro lugar, pelo incentivo inicial para levantar os khayyam brasileiros.
agradeço a daniel dago a informação sobre os dois rubais traduzidos por carlos freire (2004).
agradeço a mavericco a informação sobre o rubai traduzido por geir campos (1960).
agradeço a willamy fernandes por indicar a tradução de j.b. de mello e souza (2013) e outras informações.
agradeço ao anônimo por indicar a tradução de gentil saraiva júnior (2014).
ocorreu-me uma ideia engraçada agora: como torrieri guimarães, dissesse o que dissesse, na verdade só traduzia do espanhol, imagine se sua tradução do rubaiyat fosse da versão castelhana de christovam de camargo, por sua vez feita em cima da tradução de ragy basile? ia ser muito cômico!
atualização em 08/12/2017: na verdade, a pretensa tradução de torrieri guimarães retoma a tradução de manuel bandeira. veja-se aqui.
atualização em 28/12/2018: na verdade, a tradução de manuel bandeira foi publicada inicialmente em 1964, como volume 33 da biblioteca universal popular (bup), de ênio silveira, ligada à civilização brasileira.
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