15 de ago de 2012

lúcio cardoso tradutor

ontem foi o centenário de nascimento de lúcio cardoso. considero crônica da casa assassinada um dos grandes romances que temos no brasil, e de envergadura que transpõe fronteiras.

além de escritor, poeta, artista plástico, teatrólogo, lúcio cardoso também se dedicou à tradução profissional nos anos 1940, sobretudo entre 1940 e 1944, principalmente para a editora josé olympio. foi por suas mãos que chegou a primeira jane austen no brasil, em 1940, e várias outras obras como, entre outras, os poemas de emily brontë, eis a listagem de suas traduções, por ordem alfabética de autor:



AUSTEN, Jane. Orgulho e Preconceito. Coleção Fogos Cruzados, 1. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940.



BARING, Maurice. A Princesa Branca. Coleção Fogos Cruzados, 63. Rio de Janeiro: José Olympio, 1946.




BÍBLIA. O Livro de Job. Coleção Rubaiyat, 11. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943 (ilustrações de Alix de Fautereau).



BRONTË, Emily. O Vento da Noite. Coleção Rubaiyat, 14. Rio de Janeiro, José Olympio, 1944 (ilustrações de Santa Rosa).



DEFOE, Daniel. As Confissões de Moll Flanders. Coleção Fogos Cruzados, 17. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943.




DEFOE, Daniel. Os segredos de Lady Roxana. Coleção 100 Obras-Primas da Literatura Universal, 52. Rio de Janeiro: Pongetti, 1945. (Aqui capa da Ediouro, c. 1980)



GOETHE, Johann W. Memórias. 2 vol. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948.



KÃLIDÃSA. A Ronda das Estações. Coleção Rubaiyat, 13. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944.


LEROUX, Gaston. O fantasma da ópera. Coleção Mistério, 2. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1944.




















O'FLAHERTY, Liam. O assassino. Coleção Mistério, 3. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1945.




SINCLAIR, Upton. O Fim do Mundo. Coleção Fogos Cruzados, 5. Rio de Janeiro: José Olympio, 1941.



STOKER, Bram [Brahm, sic]. Drácula: O Homem da Noite. Coleção Mistério, 1. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1943. (trata-se de uma edição condensada pelo próprio autor)



TOLSTOI, Leon. Ana Karenina. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (Aqui imagem da edição limitada, com 200 exemplares)



VANCE, Ethel. Fuga. Coleção Fogos Cruzados, 2. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940.


VV.AA. Três novelas russas. Contém: Dostoiévski, F., "A mulher do outro - aventura extraordinária"; Garin, N., "A primavera da vida"; Tolstói, L., "Ivan, o imbecil". Rio de Janeiro: A Noite, 1947.



ZAMIATIN, Eugênio. "A caverna", in Os russos: antigos e modernos. Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944.


Consta em algumas fontes a adaptação de Lúcio Cardoso para The tell-tale heart, de Edgar Allan Poe, mas ignoro se a tradução foi sua: POE, Edgar A. O coração delator. Adaptação teatral, Teatro de Câmera. Rio de Janeiro: 1947.


imagem de capa de jane austen em biblioteca jane austen; as demais, google images


atualização em 07/05/02016:

O pesquisador Ésio Macedo Ribeiro, em seu livro O riso escuro ou o pavão oculto, (São Paulo: Nankin/EDUSP, 2006) arrola outras traduções de Lúcio Cardoso, inéditas:

  • As aventuras de João. Novela, Frederick Van Eeden
  • Como ele mentiu ao marido dela. Teatro, Bernard Shaw
  • A gaivota. Teatro, Anton Tchekhov
  • Jack, o Estripador. Teatro, não identificado
  • Rondó da noiva. Poesia, Federico García Lorca



17 comentários:

  1. Era um bom tradutor?

    'Crônica da casa assassinada' é, de fato, um grande livro. Li faz uns cinco anos e, de vez em quando, ainda me pego pensando nele...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. fred, das traduções acima só li o livro de job e orgulho e preconceito. eu gosto. sempre há quem critique isso ou aquilo, mas sinceramente gosto, e acho que orgulho e preconceito tem percorrido galhardamente esses mais de 70 anos desde que foi feita. é difícil poder dizer isso em relação a traduções antigas: costumam ficar bem mais datadas.

      Excluir
  2. Fabrizio Lyra15.8.12

    Outra excelente pesquisa. Como já disse antes, adoro os seus levantamentos sobre a história de nossa tradução e creio que poucos fazem isso tão bem como você. Especialmente pelo cuidado de ilustrar a matéria com as capas originais das obras. Fica muito bonito. E nos esclarece muito. Depois que li esse texto sobre as traduções do grande Lúcio Cardoso, olhei mais uma vez o arquivo na parte de "tradutores" e pensei em uma sugestão quando fosse possível para você: fazer um levantamento das obras traduzidas pelos grandes escritores de nossa literatura: aqui já foi muito falado de Monteiro Lobato, Raquel de Queiroz, Mário Quintana e outros. Talvez fosse interessante agrupar todos em um único post. Fica a sugestão e o agradecimento do leitor pela lembrança do centenário de Lúcio Cardoso. Creio que Lúcio merece as mesmas homenagens que estão fazendo a Nelson Rodrigues e Jorge Amado. O fato desses últimos serem mais conhecidos do grande público não os faz mais merecedores como bem sabe quem conhece a obra de Lúcio Cardoso. Aliás, o primeiro romance que li de Jane Austen foi justamente a tradução dele de Orgulho e Preconceito.

    Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. obrigada, fabrizio. sim, há um mundão de coisas interessantes! na linha de assunto "tradutores" há alguma coisa: ivo barroso, mário quintana, costa neves, "paulo m. oliveira" - http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/search/label/tradutores

      Excluir
    2. e também ruth guimarães, isa silveira leal e sodré viana

      Excluir
    3. Bruce Torres16.8.12

      "Aliás, o primeiro romance que li de Jane Austen foi justamente a tradução dele de Orgulho e Preconceito."

      Tirou as palavras da minha boca. :D

      Excluir
  3. Olá, Denise, bom dia! Mais um levantamento precioso de sua parte. Não sabia que Lúcio Cardoso também traduzia, embora fosse possível imaginar, já que é comum quem cria também traduzir. Por exemplo, Mário Faustino, ou Manuel Bandeira. Concordo com a questão do centenário. Li do Lúcio "O desconhecido" e "Mãos vazias", e gostei deveras, porque é diferente de tudo, e muito bem escrito. Certa vez, numa conferência, um professor entusiasta de Lúcio Cardoso disse que os romances da literatura brasileira eram todos crônicas da casa assassinada. Faz sentido. Abraço.

    ResponderExcluir
  4. Denise,

    que bela homenagem! Comprei "Fuga" de Ethel Vance, não antes sem me certificar que tem capa! Assim que chegar mando a imagem para você. É uma edição de 1941.

    PS: Farei em 2013 leitura de duas traduções de Orgulho e Preconceito. A brasileira já decidi, será a de Lúcio Cardoso. A portuguesa, Catia do Jane Austen Portugal, ainda está decidindo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. que maravilha, raquel, agradeço muito se enviares! então a edição é de 1941?

      Excluir
  5. Cara Denise, apesar de não apreciar Lúcio Cardoso como escritor, ainda gosto muitíssimo da tradução de ORGULHO E PRECONCEITO, como você mesma enfatiza, ainda resistindo galhardamente apesar de décadas transcorridas.
    Ótimo levantamento.
    Abraço, Alfredo Monte

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. que interessante, alfredo: pessoalmente considero lúcio autor de um livro só, a crônica, justamente. tem uma claustrofobia, uma angústia, um autodevoramento que poucas vezes encontrei em outras obras de outros autores. supera de longe, a meu ver, traços do que sinto como um certo auto-enlevo, uma espécie de narcisismo meio sadomasoquista e decadentista que senti em outras coisas suas. então não me interessei muito mais por sua obra, mas a crônica! acho insuperável, até por ele mesmo.

      Excluir
  6. No meu blog onde coloquei um link do seu post, eu disse o seguinte (e peço desculpas pela imodéstia de citar a mim mesmo):
    não sou muito fã de Cardoso, que me parece mais um caso de personalidade carismática e ambição desmedida do que de realização literária. Sempre me indignou constatar que ele foi publicado na coleção de obras representativas da UNESCO, em detrimento (pelo menos no que foi lançado até hoje) de títulos muito mais bem-acabados e representativos. Estou falando de CRÕNICA DA CASA ASSASSINADA, para mim o caso mais estranho de um romance supostamente polifônico e no qual todas as vozes têm o mesmo tom, se parecem muito. A ambição era dostoievskiana, com Freud no meio, mas o tom ficou o samba de uma nota só.

    Aliás, há um grupo de escritores mais voltados para o “psicológico” e que se mostram hoje em dia leitura insatisfátória ao extremo, caso de Cardoso, Octavio de Faria e José Geraldo Vieira, os quais escreveram romances laboriosos, chatos e mal acabados. E sinceramente não tenho muito ãnimo de fazer uma revisão de Crônica da casa assassinada, Mundos Mortos ou A ladeira da memóriau , os quais são superestimados e mais para ruins. É claro que Lúcio Cardoso tem seu lugar na nossa história literária e teatral, mas infelizmente muito mais modesto do que ele almejava, com seu ego imenso.

    ResponderExcluir
  7. concordo com o alfredo quando fala do "samba de uma nota só" na crônica e uma casa assassinada.
    eu comecei a ler o livro, mas parei porque muito monótono aquilo de todos falarem do mesmo jeito. me lembrei de imediato do livro as meninas, da lygia, em que, ao se abrir uma página, a gente sabe de imediato quem está falando, de tal forma cada personagem tem seu tom, sua dicção.
    à época, era a única referência que eu tinha quanto a isso. hoje, eu me lembraria também do faulkner, por exemplo.

    mas, já vi pessoas defendendo-o, como se ele assumisse uma tal artificialização da linguagem, que seria permitido que todos tivessem o mesmo tom - mas, que chato isso, porque seria então um mundo monocórdio, com todos falando do mesmo modo?

    achei uma desculpa meio fuleira.

    é isso.

    abraço =] .

    nilton.

    p.s.: ah, e quanto a mundos mortos, eu gostei. mas, li no auge do meu catolicismo furioso. os dramas ali me pegaram. mas, me exasperava o romance de tese, a mão pesadíssima do narrador, escarafunchando demais as cabeças das personagens. mão muito pesada a dele. se aproveitando a mesma história, acho que teria sido um ótimo romance caso escrito por outro. e daria um ótimo filme. usando termos formalistas (acho que são), acho interessante a fábula - não gosto da trama.

    ResponderExcluir
  8. Olá, meu nome é Alessandro. Tenho uma dúvida e gostaria se possível que vc me ajudasse a solucioná-la. Recentemente, descobri que um trecho da minha dissertação de mestrado foi reproduzido sem minha autorização na orelha de um livro da editora Martin Claret. Esclareço que disponibilizei minha tese na página da UNESP, com o propósito que esta seja lida somente por pessoas que se interessem pelo romance Frankenstein, uma vez que proponho nela diferentes leituras sobre esta obra.Assim, gostaria de saber se é permitido por Lei a reprodução deste fragmento de texto, sem minha autorização. Grato.

    ResponderExcluir
  9. olá, alessandro: a legislação sobre direito autoral permite a reprodução de pequenos trechos sem autorização, mas desde que se indique a origem e o nome do autor - "III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra" - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm, capítulo IV.

    naturalmente é vedada a utilização, mesmo desses pequenos trechos, que não traga a origem e o nome do autor da obra.

    ResponderExcluir
  10. Anônimo5.7.13

    Boa tarde Denise, parabéns pelo trabalho! Gostaria de dizer que a editora record (Sob o selo da editora Civilização Brasileira) relançou a tradução de Lúcio Cardoso para a obra "Drácula", como consta neste link.

    ResponderExcluir
  11. que legal, obrigada por avisar!

    ResponderExcluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.