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5 de jul. de 2015

traduções de madame bovary no brasil


Gustave Flaubert, Madame Bovary

  • Eloy Pontes, Vecchi, 1944
  • Araújo Nabuco, Livraria Martins, c.1945
  • Genésio Pereira Filho, Melhoramentos, 1950
  • Nair Lacerda, BUP, 1965
  • Sérgio Duarte, Edições de Ouro, 1967
  • Vera Neves Pedroso, Bruguera, 1969
  • Fúlvia Moretto, Nova Alexandria, 1993
  • Ilana Heineberg, L&PM, 2008
  • Mário Laranjeira, 2011, Penguin/Companhia
vale lembrar a fraude da edição publicada pela editora nova cultural, apropriando-se da tradução de araújo nabuco e atribuindo-a a um fictício "enrico corvisieri", com pequenas alterações cosméticas para disfarçar a empulhação.

ver não gosto de plágio, marcador flaubert; templo cultural delfos, aqui.


28 de fev. de 2013

belas infiéis 2

saiu o segundo número da revista belas infiéis, do programa de pós-graduação em estudos de tradução, da unb. minha contribuição foi "a presença de flaubert traduzido no brasil", aqui.


6 de out. de 2012

como e quando madame bovary chega ao brasil? não sei

apenas para registrar.

outro dia encontrei um artigo sobre traduções de madame bovary no brasil, e o articulista comentava que a primeira tradução brasileira teria sido feita pelo literato mineiro renato travassos e publicada em 1931.

de fato, o volume saiu em 1931 pela waissman, em sua coleção "obras célebres", mas com "tradução revista por renato travassos". ver a catalogação na universidade de coimbra, aqui e aqui. não consta o nome do tradutor de origem.

o que andava muito em voga eram as sucessivas reedições da tradução lusitana de madame bovary pela livraria chardron, da lello & irmão, de portugal, importadas e vendidas aqui no brasil. o interessante é que essa tradução portuguesa, por sua vez, já era anônima e "revista" por joão barreira. ao longo das décadas, passou a ser publicada pura e simplesmente como tradução de joão barreira, em circulação até hoje, e assim constando em sua biografia e em vários estudos de sua obra.

de qualquer forma, os acervos portugueses trazem os exemplares mais antigos, desde a década de 1890, devidamente catalogados com a especificação de que se tratava apenas de uma revisão de tradução. por exemplo:

Autor: 
Título: 
Madame Bovary : scenas da província / Gustave Flaubert ; trad. revista por João Barreira
Publicação: 
Descrição física: 
2 vol. ; 16 cm
Descrição de 2º nível: 
vol. 1: 5.ª edição . - 265 p.
vol. 2: 4.ª edição . - 228 p.
CDU: 
Cota: 
L 7  BMC  68609
L 7  BMC  68610

a única notícia que tenho de uma tradução de madame bovary em português em data anterior à revisão de joão barreira é a de f. ferreira da silva vieira, publicada em 1881, da qual dispomos inclusive de um exemplar em nossos acervos na biblioteca nacional:

Autor:
Título / Barra de autoria:
Madame Bovary, costumes de provincia.
Imprenta:
Lisboa, Ty. Lisbonense, 1881. 
Descrição física:
2 v.
Notas:
Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
843 
Indicação do Catálogo:
843/F587m7 

e na biblioteca nacional de portugal:

MADAME BOVARY : COSTUMES DE PROVINCIA. SEGUIDO DA REQUISITORIA DO ADVOGADO IMPERIAL DO PROCESSO INTENTADO CONTRO O AUCTOR NO TRIBUNAL CORRECIONAL DE PARIS / GUSTAVE FLAUBERT ; TRAD. DE F. F. DA SILVA VIEIRA
AUTOR(ES): 
Flaubert, Gustave, 1821-1881Vieira, F. F. da Silva, 1831-1888, trad.
PUBLICAÇÃO: 
Lisboa : Emp. Literária Fluminense, 1881
DESCR. FÍSICA: 
1 t. ; 18 cm

assim, minha tendência é crer que a tradução de origem foi feita por da silva vieira, foi revista por joão barreira (a quem, com o tempo, veio-se a atribuí-la) e, no brasil, foi provavelmente essa tradução já revista por barreira que foi trevista por renato travassos. talvez, como trabalho de conclusão de curso (tcc), valesse a pena algum estudante pesquisar a procedência dessa hipótese.*

* existe outra possibilidade. algumas vezes usava-se "tradução revista por" em casos de traduções encomendadas pela editora que ficavam com qualidade tão aquém do desejado que precisavam ser reelaboradas e praticamente refeitas antes de ser publicadas. é o que acontece, por exemplo, com as traduções revistas por godofredo rangel ou por monteiro lobato, pela nacional. ver "uma breve tipologia dos créditos de tradução", aqui. se tiver sido este o caso, não seria difícil comprovar: bastaria compulsar a tradução de da silva vieira e a revista por joão barreira.

quanto à primeira madame bovary brasileira, fica a questão: há uma edição publicada em c.1934 pela sociedade impressora paulista. a ficha catalográfica na biblioteca nacional não registra os créditos de tradução: não sei se é de fato anônima ou se o dado existe e não foi cadastrado. escrevi à dinf (divisão de informação), da fbn, e estou no aguardo de uma resposta. até lá, as únicas informações de que disponho são estas:

Autor:Flaubert, Gustave, 1821-1880.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Madame Bovary.
Imprenta:S. Paulo, Impressora paulista, [1934?]. 
Descrição física:345 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:843/F587m7/1934 

atualização: sobre a dificuldade em conseguir um atendimento minimamente satisfatório da dinf/fbn, ver a novela aqui.

9 de mai. de 2012

gustave flaubert no brasil

há em nossos acervos nacionais dois volumes que indicam a data de entrada de flaubert no brasil, em tradução:


Autor:Flaubert, Gustave, 1821-1880.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Salambô (romance).
Imprenta:Rio, Ed. guanabara, 1932. 
Descrição física:249 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:843/F587s7/1932 



e, embora com data um pouco incerta:

Autor:Flaubert, Gustave, 1821-1880.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Madame Bovary.
Imprenta:S. Paulo, Impressora paulista, [1934?]. 
Descrição física:345 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:843/F587m7/1934 


consultei a dinf/fbn; de fato, não constam créditos de tradução em nenhuma dessas edições.

em 1937, tenho notícia, mas sem maior corroboração, de que a athena lançou uma tradução feita por "paulo m. oliveira", pseudônimo de aristides lobo para suas traduções feitas no cárcere. ver meu artigo "uma vinheta", in traduzires, unb, 2012, aqui.

por volta de 1942, sai pela livraria martins a tradução de galeão coutinho de trois contes, mas com o título de são julião, o hospitaleiro (contendo os outros dois contos, "herodíade" e "um coração simples").



também em 1942, aparece uma salambô com "tradução revista" por marques rebelo. no jargão editorial, isso costuma significar o uso de alguma tradução anterior, geralmente portuguesa e ainda mais geralmente não especificada. e aí a dificuldade, mas não a impossibilidade, é descobrir qual foi a tradução utilizada como base. deixo a tarefa aos flaubertianos de carteirinha. de qualquer forma, essa "tradução revista" ainda continua em viçosa circulação, pela ediouro.*



*um dos tradutores lesados por marques rebelo e pela pongetti, araújo ribeiro, denunciou o caso e apontou o lusitano joão barreira como o legítimo tradutor da salambô "revista por marques rebelo". veja aqui.







a pongetti deve ter gostado do sistema, pois logo em 1944 lança uma educação sentimental também em "tradução revista", agora por araújo alves. tal como salambô, continua até hoje em ativa circulação, pela ediouro:








ainda em 1944, a vecchi lança uma madame bovary, agora especificada: a tradução é de eloy pontes. acompanham a obra as atas do processo contra flaubert por causa dessa obra. a capinha fico devendo.



continuando em 1944, o clube do livro lança uma madame bovary sem especificação dos créditos de tradução e um rotundo "O" em gustavo flaubert (ao mais autêntico estilo luso já evidenciado nas edições da pongetti):



o clube do livro se sai em 1945 com uma salambô no mesmo estilo - sem créditos e com aportuguesamento do nome:







em c. 1945 sai a tradução de araújo nabuco para madame bovary, pela livraria martins. teve amplíssima circulação ao ser licenciada para a abril cultural (anos 70 e 80) e o círculo do livro (anos 70 a 90), e ainda hoje circula pela itatiaia e pela martin claret (neste último caso, não sei se com licenciamento). - essa tradução, aliás, foi protagonista de uma das fraudes mais cabeludas na história do plagiato tradutório nacional, nas mãos da editora nova cultural.*








em 1947, é a vez da jackson de "revisar" e "adaptar" uma tradução não identificada d' a educação sentimental:



A educacao sentimental / 
Gustave Flaubert ; [traducao revista e adaptada pelo Departamento Editorial de W. M. Jackson Inc.]. -




agora, a partir de 1948, vale a pena nos concentrarmos na editora que realmente se dedicou a divulgar as obras principais de flaubert no brasil: a melhoramentos. temos em sequência, sempre por ela:
  •  1948,  a educação sentimental, em tradução de mirinha de lacerda soares:  

  • 1949, salambô, tradução de aloysio ferraz pereira (aqui na capa da ed. de 1956):
  • 1950, madame bovary: costumes de província, tradução de genésio pereira filho:
  • 1956, três contos ("um coração simples", "a lenda de são julião, o hospitaleiro" e "herodias"), em tradução de carlos chaves, aqui em capa de 1960:
Livro - Três Contos - Gustave Flaubert
  • 1957, a tentação de santo antão, em tradução de carlos chaves:
  • 1960, bouvard e pécuchet, seguido de dicionário de ideias feitas, em tradução de galeão coutinho e augusto meyer:


nunca será demais reconhecer essa iniciativa da melhoramentos, e com traduções de boa qualidade.



voltemos à linha cronológica interrompida em 1948. em 1950, o clube do livro relança a tradução de galeão coutinho que saíra pela martins em c. 1942, com os mesmos contos lá acima citados:






em 1959, sai a educação sentimental: história de um moço, com tradução de adolfo casais monteiro, em 2 volumes, pelos clássicos garnier da difel. essa tradução terá grande permanência entre nós, com inúmeras edições pela abril cultural, círculo do livro e, mais recentemente, pela nova alexandria.



também em 1959, sai uma curiosa adaptação de madame bovary feita por mário donato, com ilustrações de oswald de andrade filho na coleção "meu livro premiado", com direito a capa de veludo e tudo, na série "livros imortais", edições alarico. aliás, não diziam "adaptação - era "condensação literária"; não diziam "ilustrações" e sim "visualização artística", com desenhos de flávio de carvalho, marcelo grassman e outros.

em 1963, sai "um coração simples" in novelas francesas, pela cultrix. constam três tradutoras: leyla perrone-moisés, nelly donato e ruth guimarães. como leyla acabou meio se especializando em flaubert, imagino que este conto esteja em tradução sua:



em 1965, sai mais uma madame bovary, agora em tradução de nair lacerda, pela bup. não localizei imagem de capa.

em 1969, outra madame bovary, agora em tradução de vera neves pedroso, pela bruguera:

Madame Bovary - Gustave Flaubert

em 1974, sai mais uma tradução de três contos, pela editora três, em tradução de luís de lima (adotando "um coração singelo" para "un coeur simple"). a propósito, a rocco volta a editar um coração singelo de luís de lima em 1986.



em 1980, sai "uma alma simples" em tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai, no volume IV do mar de histórias pela nova fronteira (não sei se já fazia parte da antologia bem menos extensa, publicada entre 1945 e 1958 pela josé olympio).  



em 1981, outro três contos, em tradução de manuel freitas costa e flávio moreira da costa, pela francisco alves (aqui, para o título do conto "un coeur simple" foi adotado "uma alma simples"). volta a ser lançado pela l&pm em 2005, com créditos apenas em nome de flávio moreira da costa. "herodíade" é relançado em 2006 em os melhores contos bíblicos, pela ediouro.

Três Contos, Gustave Flauber

em 1985, temos salambô em tradução de mariajosé de carvalho, max limonad:



também em 1985, sai outra tradução de madame bovary, agora de sérgio duarte, pela ediouro:

 

em 1987, o clube do livro lança mais uma madame bovary, com tradução em nome de josé maria machado (sobre a encrenca que é qualquer tradução do clube do livro nesse nome, veja aqui). seria o caso de verificar se é a mesma tradução que saiu pelo CdL em 1944, porém anônima, citada mais acima, no ano de 1944. - agradeço a informação e as imagens abaixo a wladimir cazé.



em 1992, um pouco de novidade. um texto sobre a comuna de paris in crônicas da comuna, em tradução de claudio willer, pela ensaio:



em 1993, uma nova madame bovary, em tradução de fúlvia moretto, pela nova alexandria:



também pela nova alexandria, em 1995 sai outra tradução de dicionário das ideias feitas, agora de cristina murachco:



em 1996, pela paz e terra, um coração simples em tradução a seis mãos, por clotilde mariano vaz, daniel vaz e simia katarina rickmann:



depois de tantas incontáveis repetições, finalmente surgem coisas novas. em 2000, teremos novembro: seguido de treze cartas a louis bouilhet, com tradução de sérgio medeiros, pela iluminuras:



outra novidade vem em 2001 - bibliomania, em tradução de carlito de azevedo, pela casa da palavra:



em 2004, a mesma casa da palavra publica outra tradução da mesma "bibliomania", agora integrando a coletânea a paixão pelos livros, em tradução de júlio silveira:



também em 2004, aparecem (no plural) as tentações de santo antão, em tradução de luís de lima, pela iluminuras:



apenas de passagem: certamente deve haver alguma validíssima razão para se traduzir saint antoine por "santo antão", além do vezo lusitano. mas, entre nós, ainda não entendi por que não se usa "santo antônio".

em 2004, sai uma salambô pela itatiaia sem qualquer menção ao tradutor. infelizmente, a itatiaia acabou desandando nos últimos dez, doze anos (veja aqui), e não me espantaria muito se fosse uma contrafação:



em 2005, saem cartas exemplares, em tradução de carlos eduardo lima machado, pela imago:



em 2006, mais outra retradução de trois contes, agora por milton hatoum e samuel titan jr., pela cosac naify. (variando o usual "lenda", temos aqui o título "a legenda de são julião hospitaleiro"):

Título do Livro

outra novidade nestes anos é gothica: contos juvenis de gustave flaubert, em tradução de raquel de almeida prado, que sai em 2006 pela berlendis & vertecchia:



por outro lado, ainda em 2006, sai pela martin claret uma vetustíssima tradução portuguesa de a educação sentimental, a de joão barreira, de 1904...



em 2007, temos uma nova tradução de bouvard e pécuchet, agora de marina apenzeller, pela estação liberdade:



em 2008, sai a tradução de ilana heineberg para madame bovary, pela l&pm (que, tão logo se deu da conta da fraude que maliciosamente lhe impingira a editora nova cultural, procedeu à recolha dos exemplares e contratou essa nova tradução):*



em 2011, a nona tradução de madame bovary no brasil, esta de mário laranjeira, pela penguin/companhia:



em 2011, outra "bibliomania", em tradução de sandra m. stroparo, pela arte e letra: estórias 
série M:

Arte e Letra: Estórias M

ainda para 2012, está anunciada a publicação de "um coração singelo" pela arte e letra: estórias, em tradução de beatriz sidou.

sintetizando - pelo levantamento aqui feito sobre a obra de flaubert traduzida no brasil, sem incluir adaptações infanto-juvenis, temos:
  • nove madame bovary, além de duas anônimas, uma "condensação literária" e uma fraude grotesca;*
  • cinco três contos, e mais três un coeur simple avulsos com títulos variados;
  • três "bibliomania";
  • duas salambô, além de três anônimas e uma "revista";
  • duas educação sentimental, além de duas "revistas" e uma portuguesa;
  • dois bouvard e pécuchet;
  • dois dicionários de ideias feitas;
  • duas a(s) tentação(ões) de santo antão;
  • duas seletas de cartas;
  • uma "comuna";
  • um "novembro";
  • uma juvenília.

* quanto aos três asteriscos ao longo do post, trata-se da edição de madame bovary publicada pela nova cultural,em sua coleção "obras-primas" em 2002, e ainda por cima com tiragens altíssimas (120 mil exemplares para cada edição, conforme, na época, alardeou publicamente a coordenadora editorial da casa). a tradução vinha atribuída a um fantasmagórico "enrico corvisieri", mas na verdade não passava de uma cópia adulterada da clássica tradução de araújo nabuco. veja um resumo da história aqui.