Mostrando postagens com marcador sapienza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sapienza. Mostrar todas as postagens

10 de fev. de 2009

à guisa de explicação

voltando um pouco à nova cultural e ao fio desse trabalho aqui do nãogosto - minha perplexidade surgiu em agosto/setembro de 2007, quando saulo von randow jr. comentou que havia constatado o plágio de ivanhoé, trad. de brenno silveira, na coleção obras-primas da nc.
em novembro e dezembro de 2007, com as duas matérias da folha de s.paulo sobre mais outros plágios, minha perplexidade virou pânico e indignação, e daí vem esse trabalho de pesquisa e alerta. às vezes ele pode parecer disperso, mas tenho um quadro na cabeça razoavelmente claro, que vou tentar expor.

a martin claret até pode dar de dez na nova cultural em quantidade de títulos plagiados, embora não necessariamente no total das tiragens. mas não há a menor dúvida de que quem implantou o recurso ao plágio como prática editorial sistemática e em escala industrial foi a nova cultural. esse pioneirismo ninguém lhe tira. e ninguém lhe tira por uma razão cronológica muito simples: ela inaugurou esse recurso sistemático à fraude em 1995, na coleção "os imortais da literatura universal", e a claret começou seus plágios em 1998, na coleção "a obra-prima de cada autor".

os pequenos aventureiros posteriores, tipo sapienza, jardim dos livros, landmark, são subespécies. embora cada qual tenha suas características próprias, integram a família mais geral das editoras que não recusam o artifício do plagiato.

nas pesquisas sobre os plágios da nova cultural, eu tinha me concentrado em obras literárias, até porque foi em 2002-2003 que a editora, com o patrocínio da suzano celulose, adquiriu uma visibilidade fantástica, em edições e reedições de tiragens espantosas, com sua coleção "obras-primas" para venda em bancas de jornais. muito bem, mereceria aplausos se fosse uma coleção idônea; infelizmente, porém, sabemos que não é.

mas há uma outra coleção importante, "os pensadores", da mesma editora, e oriunda da mesma partilha da editora abril, feita em 1982 por victor civita entre os dois filhos, roberto e richard civita. na separação, os fascículos e livros da extinta abril cultural ficaram para richard civita, o qual então criou a editora nova cultural, como parte da empresa c.l.c. (comunicação, lazer e cultura). e foi assim que ele foi relançando, adulterando e plagiando obras da ex-abril cultural que lhe couberam na partilha, tanto nos "imortais" quanto nas "obras-primas" ou nos "pensadores".

estou me delongando sobre isso porque, nestes próximos dias, vou tratar de alguns títulos de "os pensadores" também vitimados por plágio, e acho interessante uma visão geral da coisa.

se alguém tiver interesse em acompanhar o fio da discussão, pode consultar:
ou mais especificamente:
- uma boa cobertura do problema, dada por o globo
- menções iniciais a "os pensadores"

imagens: são jorge em seu gabinete, codecarnival.com; thief and pig, gutenberg.org

1 de jan. de 2009

para fugir

segue abaixo uma relação de obras classificadas por editoras, e entre parênteses consta o nome do suposto tradutor a quem a editora atribui a autoria da tradução.

LANDMARK
jane austen, persuasão (fábio cyrino)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)

SAPIENZA
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)

HEMUS
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)

EDIOURO
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)

RIDEEL
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)

BIBLIOTECA CLÁSSICA *

BIBLIOTECA SHERLOCK HOLMES *

BIBLIOTECA O MELHOR DE SHAKESPEARE *

* sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualização em 25/4/10: ver também rideel, retratação

GERMINAL
goncharov, oblomov (juliana borges)
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
gilbert k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
isaac bashevis singer, o escravo (juliana borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)


JARDIM DOS LIVROS
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)


MADRAS
charles darwin, a origem das espécies
flavius josephus, seleções
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás

atualizado em 10/12/2009: sobre a atribuição da autoria de tradução dessas três obras, ver informe. atualizado em 14/12/2009: ver solicitação.
atualizado em 15/12/2009: ver comunicado.

PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)

BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)

CENTAURO
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo frias)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo frias e/ou hellen roballo)

NOVA CULTURAL
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
émile zola, naná (roberto valeriano)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
e. brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
goethe, werther (alberto maximiliano)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)

MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
bocage, sonetos (pietro massetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)

obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.

MARTIN CLARET - "tradutores" sortidosconan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
aristófanes, lisístrata e as vespas [sic] (john green)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
dostoievski, crime e castigo (irina wisnik ribeiro e ivan petrovitch)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti na fbn)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach na fbn)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)

MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivofreud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
gitanjali (pietro nassetti)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
fr. nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
platão, a república (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
shakespeare, macbeth (jean melville)
kierkegaard,diário de um sedutor (jean melville)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
gide, acuso (jean melville)
jack london, martin eden (jean melville)
o livro de jó (alex marins)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
durkheim, o suicídio (alex marins)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
santo agostinho, confissões (alex marins)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
tristão e isolda (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
cícero, dos deveres (alex marins)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
platão, fedro (alex marins)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
petrônio, satíricon (alex marins)

obs.: por ocasião das providências determinadas pelo ministério público federal, a editora martin claret procedeu a outras retificações adicionais. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.

atualizado em 17/11/2009.
esclarecimento em 15/12/2009: este post não será mais atualizado. foi reformulado em ordem alfabética por editoras e passou a ser publicado sob o título (anti)referências bibliográficas, desde 09/12/2009. todas as atualizações futuras serão feitas neste último.

14 de nov. de 2008

feliz ano?!

impressionante a desfaçatez de algumas editoras e a desmemória ou indiferentismo de alguns veículos de comunicação.

assino o boletim eletrônico da publishnews, e ontem me deparei com a seguinte notícia:

"Publishnews - 13/11/2008 - por Redação
Feliz Ano!
As editoras Geração Editorial e Leitura estão fechando o ano de 2008 com ótimas notícias. Além do seu faturamento ter mais do que triplicado, a contratação de mais um editor – Marcos Torrigo, ex-Madras e ex-Ediouro – também é motivo de comemoração para as empresas. Outro selo do grupo, o Jardim dos Livros, ainda fecha este ano celebrando o resultado obtido com a edição de A arte da guerra, de Sun Tzu. O clássico chinês chegou ao primeiro lugar em todas as listas de mais vendidos. "

ora, em julho de 2008 (quer dizer, nada tão antediluviano assim), a revista piauí tinha publicado um longo artigo do saudoso jornalista e chefe de checagem adam sun mencionando justamente essa edição da jardim dos livros: "o pega-pega da arte da guerra".

com sua impagável verve, adam sun alertava:
"Os excessos da DPL podem parecer café pequeno ante a proeza da editora Jardim dos Livros, cuja Arte da Guerra: Os Treze Capítulos Originais, lançada em tradução e adaptação de Nikko Bushidô, é um embuste desde o frontispício até o último capítulo. O livro, de 2006, traz na capa três afirmações bombásticas: 'Tradução do chinês', 'Campeão de vendas', 'Edição completa'. Eis uma mentira: 'Tradução do chinês'. A versão Jardim dos Livros é tradução do chinês feita através da língua de Camões mesmo.
Nikko Bushidô promoveu um mega-arrastão nas versões brasileiras de Sunzi Bingfa. Simplesmente surrupiou a produção intelectual de José Sanz (Record, 1983), Mirian Paglia Costa e Caio Fernando Abreu (Cultura, 1994), Sueli Barros Cassal (L&PM, 2000) e Ana Aguiar Cotrim (Martins Fontes, 2002). Não contente, Bushidô arrebanhou também o prodigioso editor Martin Claret e seu prestativo colaborador Pietro Nassetti, tradutor de grandes habilidades, como se verá adiante. E mais: reproduziu até o erro de atribuir a Sunzi uma frase de Santo Agostinho - 'O objetivo das guerras é a paz' -, numa demonstração prática da técnica Lavoisier de tradução."


o arsenal do guerreiro nikko bushido

naquela ocasião, publiquei quatro ou cinco posts no agora inconsultável assinado:tradutores, detalhando alguns meandros da jardim dos livros (antiga sapienza) e outros temas correlatos.

já é um absurdo inaceitável o que fez a jardim dos livros: plágio, prática lesiva ao consumidor, concorrência desleal, falsidade ideológica etc.

agora, que a publishnews venha comemorar o sucesso da jardim dos livros obtido com malfeitorias?! um feliz ano?! para quem?

25 de jul. de 2008

sapienza/isbns


"só que a sapienza, depois de dar uns calotes na fundação biblioteca nacional e publicar uns livros com uns isbns que nem constam na respectiva agência nacional" - para explicar os "calotes" e ninguém achar que saio por aí atirando a esmo, exponho minhas diligências.

já há algum tempo, em contato com a fundação biblioteca nacional, a resposta que obtive foi que apenas a agência brasileira do isbn é habilitada a fornecer números de isbn. perante minha insistência, perguntando então o que seriam isbns estampados em livros e que não constam cadastrados no site da agência, a resposta foi a mesma: não existe esta hipótese, apenas a agência pode atribuí-los etc.etc. e perante a insistência em minha insistência, a senhora de lá ficou meio nervosinha e disse que já tinha explicado: isbn só pela fbn, e ponto final.

a ilação fica por conta do leitor e consulente perplexo.

segue a pesquisa feita no site da fbn, com todos os títulos publicados pela editora sapienza cadastrados na agência brasileira do isbn (11 ao todo):

Editora Sapienza
Prefixo Editorial: 98126
RESULTADO DA BUSCA: 11 Publicações encontradas, distribuídas em 1 página

ISBN e TÍTULO
85-98126-01-2 ARTE DA ESTRATEGIA
85-98126-02-0 OSMAR SANTOS :OMILAGRE DA VIDA
85-98126-03-9 DESCOMPORTE-SE
85-98126-04-7 IRAQUE: A GUERRA PELAS MENTES
85-98126-05-5 ARTE DE ENRIQUECER
85-98126-06-3 FELIZ NATAL
85-98126-07-1 VIVER BEM COM QUALIDADE - O FATOR WE// NESS
85-98126-08-X O LIVRO DE OURO DA SABEDORIA
85-98126-09-8 HISTORIA DA FILOSOFIA
85-98126-10-1 A REPUBLICA DE PLATÃO
85-98126-11-X JORNALISTA: PROFISSÃO MULHER

fonte: http://www.bn.br/site/default.htm

já a consulta sobre a famosa arte da guerra em adaptação* do suposto nikko bushidô, isbn 8598126152, resulta em: registro não foi encontrado.

* na edição da sapienza, fala-se em "adaptação de nikko bushidô". já na edição do jardim dos livros, fala-se em tradução direto do chinês e adaptação de nikko bushidô.
o fenômeno de upgrade se verifica também no pinga-pinga nova cultural -> best-seller -> sapienza. mirtes ugeda coscodai começa como revisora, passa para co-organizadora e termina como co-autora da história da filosofia.

outras obras publicadas pela sapienza, como As 100 leis da felicidade, de Petter Adams, ISBN 8598126128; Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdã, ISBN 8598126209; Eu Amo Você, de Petter Adams, ISBN 8598126136; mais outro Livro de Ouro da Sabedoria, de Cláudio Varela, 2a. ed. revisada [sic] e atualizada, ISBN 8598126144, e de novo A República de Platão, ISBN 8598126179, tampouco constam nos cadastros da fundação biblioteca nacional, agência brasileira do isbn, que, repetindo pela enésima vez, é o único organismo habilitado a fornecer os benditos isbns.

como o número do isbn, além de ser obrigatório, tem se tornado cada vez mais a principal referência para a identificação de livros, sinto-me quase tentada a compará-lo com, por exemplo, o número do cpf ou rg das pessoas. são números de identificação exclusivos, irrepetíveis, e apenas um órgão federal específico pode atribuí-los.

se eu usar um número de cpf inexistente na receita, vai ser crime de falsidade ideológica. se o livro usar um número de isbn inexistente na agência brasileira do isbn, vai ser o quê?

[em tempo: a lei que prevê a obrigatoriedade do ISBN é a Lei do Livro, lei federal n° 10.753 de 2003:
"Art. 6º Na editoração do livro, é obrigatória a adoção do Número Internacional Padronizado, bem como a ficha de catalogação para publicação". ]
imagem: jornaljovensemacao.zip.net

24 de jul. de 2008

o pega-pega e o pinga-pinga IV

a estação mais intrigante do "pega-pega da arte da guerra" é o assombrado jardim dos livros, sobre o qual pairam alguns espectros de outras paragens.

a história é comprida e um tanto confusa, mas vamos lá.

diz adam sun: a arte da guerra pela ed. jardim dos livros, "lançada em tradução e adaptação de Nikko Bushidô, é um embuste desde o frontispício até o último capítulo". consiste em "um mega-arrastão nas versões brasileiras de Sunzi Bingfa. Simplesmente surrupiou a produção intelectual de José Sanz (Record, 1983), Mirian Paglia Costa e Caio Fernando Abreu (Cultura, 1994), Sueli Barros Cassal (L&PM, 2000) e Ana Aguiar Cotrim (Martins Fontes, 2002). Não contente, Bushidô arrebanhou também o prodigioso editor Martin Claret e seu prestativo colaborador Pietro Nassetti", que por sua vez haviam se apropriado da tradução portuguesa de ricardo iglésias.

como adam sun, além de respeitado jornalista, ex-chefe de checagem da revista veja e atual chefe de checagem da piauí, é tradutor e responsável pela tradução de a arte da guerra direto do mandarim, publicada pela editora conrad em 2006, ele sabe do que está falando.

bom, voltando ao jardim espectral. até onde sei, a jardim dos livros é uma pequena editora de são paulo criada em 2006 pelo jornalista cláudio varela. mas a arte da guerra, o tal "embuste" em nome de nikko bushidô, publicada pela jardim dos livros, na verdade tinha sido publicada inicialmente pela editora sapienza, em 2005.

ora, é aqui que surge a conexão com outra estupefaciência da picaretagem nacional e é aqui também que surge o gancho com a matéria da piauí: o que é ou era a editora sapienza?
a sapienza foi uma pequena e efêmera editora (2003-2005) do sr. cláudio varela, que com seu irmão ado varela carrega "larga experiência no mercado editorial, em editoras como Nova Cultural, Best Seller".

sigam o fio: aquele enrico corvisieri que era o queridinho nos plágios da nova cultural andou trafegando para a ed. best-seller. a ed. best-seller, que também pertencia ao grupo c.l.c., do indômito richard civita, dono da nova cultural, foi vendida à editora record em 2004. só que, antes disso, a best-seller/c.l.c. tinha publicado algumas coisas em nome do tal enrico corvisieri - entre elas a república de platão.

resumindo, esta república de enrico platão corvisieri (1997, nova cultural, os pensadores) migrou para a best-seller/c.l.c. (2000), retornou à nova cultural (2004) e, depois da venda da best-seller para a record, seguiu de mala e cuia para a editora sapienza (2005), do sr. cláudio varela.

além da república, a sapienza acolheu outro suspeitíssimo título migrado da finada best-seller/c.l.c., e também oriundo da coleção "os pensadores" da nova cultural: história da filosofia, de autoria atribuída à sra. mirtes ugeda coscodai (em parceria com bernadette abrão), aquela mesma que já tinha assinado alguns plágios nas obras-primas (ana karênina e os três mosqueteiros).

o pinga-pinga é: nova cultural -> best-seller/c.l.c. -> sapienza, no mais autêntico estilo da "técnica lavoisier".

só que a sapienza, depois de dar uns calotes na fundação biblioteca nacional e publicar uns livros com uns isbns que nem constam na respectiva agência nacional, resolveu mudar de nome e em 2006 virou "jardim dos livros". então relançou a colcha de retalhos de nikko bushidô, que veio a revelar suas verdadeiras cores sob o enérgico espanador de adam sun.

e aí, em março deste ano, cláudio varela [ex-nova cultural, ex-best-seller, ex-sapienza, jardim dos livros] se uniu a luiz fernando emediato [geração editorial/ex-ediouro], e juntos, mais a editora leitura de belo horizonte, resolveram criar uma nova frente editorial.

claro que o leitor sempre deseja o melhor a todos, a gente faz votos de sucesso, para dispor de um mercado editorial forte, limpo, honesto e diversificado.

mas, pelo que vi até agora, os outros dois títulos lançados com o selo "jardim dos livros" na nova frente comandada pela geração editorial - a saber, o essencial de jesus e o essencial do alcorão - não prometem grande transparência.
consultando seus isbns (978-85-60018123 e 978-85-60018147), surge o seguinte resultado:

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN - Nenhum registro foi encontrado.

imagens: the hollow men, mtparnaso.blogspot.com; flog.clickgratis.com.br

21 de jul. de 2008

piauí I


a revista piauí n. 22, de julho, traz um artigo excelente, chamado "O pega-pega da Arte da Guerra", escrito por Adam Sun.

a matéria é deliciosa, mas tem um grau de complexidade nas informações que fiquei quase doida ao ler. ela envolve bastante gente: nova cultural, sapienza, dpl, martin claret, jardim dos livros. o articulista é muito sério, e as informações são de extrema relevância.

se alguém pesquisar a fundo, é mais bombástico do que qualquer outra coisa já publicada a respeito.

voltarei a ela mais adiante.

imagem: jang.com.pk

2 de mai. de 2008

digressões voláteis sobre a volatilidade

Em 2004, em matéria citando a então diretora editorial da ed. Nova Cultural, sra. Janice Florido, o jornal O Guaruçá nos informava que, "Concebida com a colaboração de grandes nomes, como José Arthur Giannotti, Antônio Cândido, Gérard Lebrun e Carlos Estevão Martins, entre outros, a coleção [Os Pensadores] tem sido indicada como referência de leitura pelas mais renomadas instituições de ensino do país".

E noticiava: "A cada semana vai ser lançado um livro. O primeiro é Sócrates, em seguida será a vez de Platão, em edição que trará como brinde A República".

Essa República de Platão, com tradução em nome de Enrico Corvisieri, vinha sendo editada pela Nova Cultural desde 1997 (isbn 8535110046), tendo em 1999 o isbn 8535118713.

Não entro aqui no mérito da tradução em si. O que entendo é que a Nova Cultural começou a editá-la como parte de seus pensadores em 1997, e em 2004 resolveu dar de brinde (segundo a matéria do jornal O Guaruçá) como segundo volume da coleção destinada à venda em bancas de jornal.

Nesse meio-tempo A República de Platão, na tradução de Enrico Corvisieri, estava sendo editada também pela ed. BestSeller, desde 2002 (até onde sei, isbn 8571237875). E, logo após ser brindada aos compradores da coleção Nova Cultural/Suzano, passou a ser publicada por uma obscura editora chamada Sapienza, de efêmera existência.

A partir de 2005, A República de Platão, no catálogo da Sapienza Editora, começa a ser chamada de A República de Platão, ora de autoria atribuída ao próprio Platão e com tradução de Enrico Corvisieri, ora de autoria atribuída a alguém chamado Cláudio Varela, conforme consta em seu registro na Fundação Biblioteca Nacional ((isbn 8598126101).

A Ed. Nova Cultural anuncia até hoje em seu site que são "traduções feitas por renomados estudiosos e com acabamento primoroso, [e] esta coleção foi feita para durar".

Posso tributar à minha ignorância o fato de nunca ter ouvido falar de Enrico Corvisieri como renomado estudioso do pensamento grego clássico. Mas, de qualquer modo, a mim o que causa um certo turbilhão mental é ver A República de Platão numa sarabanda envolvendo tantos selos editoriais e tantos diferentes números de ISBN em tão poucos anos.

BUSCA NO CATÁLOGO DO ISBN
ISBN 8535110046
TÍTULO: A REPUBLICA (PENSADORES 21 - BRINDE)
AUTOR: PLATAO
ANO DE EDIÇÃO:1997
EDITORA: ROMANCES NOVA CULTURAL

BUSCA NO CATÁLOGO DO ISBN
ISBN 8535118713
TÍTULO: OS PENSANDORES [sic]
AUTOR: AMARAL, ANNA LIA
AUTOR: VARIOS AUTORES
AUTOR: SILVA, CARLOS DO NASCIMENTO
EDITORA: ROMANCES NOVA CULTURAL
* a título de esclarecimento: vários pensadores desta época foram registrados com o mesmo isbn

BUSCA NO CATÁLOGO DO ISBN
ISBN 8571237875
TÍTULO: REPUBLICA DE PRATAS [sic]
AUTOR: PLATAO
TRADUTOR: CORNSTER, ENRICO [sic]
EDITORA: BEST SELLER

BUSCA NO CATÁLOGO DO ISBN
ISBN 8598126101
TÍTULO: A REPUBLICA DE PLATÃO
AUTOR: CLAUDIO VARELA
ANO DE EDIÇÃO: 2005
EDITORA: SAPIENZA EDITORA

obs.: quanto aos problemas de digitação nos catálogos da fundação biblioteca nacional, constituem um caso à parte.