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6 de jun. de 2008

palimpsesto XVII

Ele avançou, pois, tropeçando. Tinha de transpor membros, evitar cabeças. Sentiu de repente uma mão agarrar-se às suas calças, enquanto uma voz angustiada se elevava sob o seu cotovelo.

Joseph Conrad, Lord Jim, trad. Mario Quintana
(atribuído a Carmen Lia Lomonaco pela Nova Cultural)

30 de mai. de 2008

palimpsesto XVI

mas nunca se queixou de seus males e não creio que se apoquentasse muito por eles, aceitando-os, resignada, como uma conseqüência natural de sua desventura.

pirandello, o falecido mattia pascal, trad. mário da silva
(porém, segundo a ed. nova cultural, seria fernando corrêa fonseca)

29 de mai. de 2008

palimpsesto XV

pouco desejoso de entrar em contato com os seus dentes, fiquei quieto, mas, acreditando que eles dificilmente entenderiam insultos tácitos, pus-me infelizmente a piscar os olhos e a fazer caretas para o trio.

emily brontë, o morro dos ventos uivantes, trad. oscar mendes
(atribuída pela ed. nova cultural a silvana laplace)

23 de mai. de 2008

palimpsesto XIV

Aí, encontraram à porta o carcereiro, espécie de gigante de seis pés de altura e de pernas arqueadas; sua figura ignóbil tornara-se hedionda por efeito do terror.

stendhal, o vermelho e o negro, trad. luiz costa lima
(atribuída pela nova cultural a maria cristina f. da silva)

21 de mai. de 2008

palimpsesto XIII

Meu caro amigo, que é então o coração humano? Apartar-me de você, que tanto estimo, você, de quem eu era inseparável, e andar contente!

Goethe, Werther, trad. Galeão Coutinho
(atribuída pela Nova Cultural a Alberto Maximiliano)

18 de mai. de 2008

palimpsesto XII

Brilham por algum tempo à face do dia,
E logo, a um aceno teu, passam os fantasmas;
Já não se vêem traços de toda a agitada cena,
Senão o que diz a lembrança - As coisas que existiram!

Henry Fielding, Tom Jones, trad. Octavio Mendes Cajado
(atribuída pela Nova Cultural a Jorge Pádua Conceição)

23 de abr. de 2008

palimpsesto XI

abe devia partir da gare saint-lazare às onze horas. estava só, sob a suja cúpula de vidro, relíquia da era do palácio de cristal; suas mãos, que tinham a vaga cor acinzentada que só aparece após vinte e quatro horas de vigília, estavam nos bolsos, para esconder a tremedeira.

scott fitzgerald, suave é a noite, tradução de lígia junqueira
(atribuída pela ed. nova cultural a enrico corvisieri)

18 de abr. de 2008

palimpsesto X

o velho, que se mantinha muito direito, ia adiante, dando grandes passadas rítmicas, com as suas pernas ligeiramente tortas. graças a um movimento vigoroso e compassado, que não lhe custava mais que balançar os braços em marcha, como se brincasse, amontoava medas altas e uniformes. dir-se-ia que não era ele, mas apenas a gadanha afiada que cortava a erva suculenta.

tolstoi, ana karênina, trad. joão gaspar simões
(atribuída a mirtes ugeda pela ed. nova cultural)

17 de abr. de 2008

palimpsesto IX

o último quadro, no entanto, representava um drama. próximo ao coelho, que continuava a comer, via-se um rapaz em posição estendida como se estivesse morto. a jovem contemplava-o, abrindo o seio com uma espada, e os frutos da árvores tinham-se tornado escuros.

jeanne já estava a renunciar à compreensão da história quando descobriu num canto da gravura um animalzinho tão microscópico que o coelho, se fosse real, tê-lo-ia comido como uma verdade qualquer. e no entanto era a efígie de um leão.

guy de maupassant, uma vida, trad. ascendino leite
(atribuída pela nova cultural a roberto domênico proença)

15 de abr. de 2008

palimpsesto VIII

"- Sou eu então - dirá ele - que mantenho, nessa detestável morada, meu semelhante, talvez meu igual, meu concidadão, um homem enfim!? Sou eu que todos os dias o agrilhôo, que fecho sobre ele essas odiosas portas!? Talvez o desespero se haja apoderado da sua alma; lança aos céus o meu nome, de envolta com maldições; e sem dúvida atesta contra mim o grande Juiz que nos observa e que nos deve julgar a ambos."

voltaire, o homem de quarenta escudos, trad. mário quintana
(que a ed. nova cultural dizia ser de roberto domênico proença)

veja também a matéria de marcos strecker, folha de s.paulo
http://recantodaspalavras.wordpress.com/2007/12/15/novo-caso-de-plagio-em-traducao/#comment-159

14 de abr. de 2008

palimpsesto VII

cantar, sonhar, passar, ter liberdade e fibra,
ter a vista segura, e ter a voz que vibra,
pôr o meu feltro à banda e - espanto dos perversos -
por um sim por um não bater-me, ou fazer versos

edmond de rostand, cirano de bergerac, trad. carlos porto carreiro
(atribuída a fábio m. alberti pela ed. nova cultural)

acompanhe a restauração feita por ivo barroso em
http://www.revista.agulha.nom.br/ibarroso4.html

13 de abr. de 2008

palimpsesto VI

Uma sombra inundava a grande mancha vermelha do pano; e nem um ruído chegava da cena, estando a ribalta às escuras e as estantes dos músicos esbandalhadas.

émile zola, naná, tradução de eugênio vieira
(atribuída a roberto valeriano pela nova cultural)

12 de abr. de 2008

palimpsesto V

... eles entraram numa dessas vagas conversações em que o acaso das frases nos conduz a todo instante ao centro fixo de uma simpatia comum.

gustave flaubert, madame bovary, tradução de araújo nabuco
(atribuída pela nova cultural a enrico corvisieri)

veja também a matéria publicada na folha de s.paulo em
http://recantodaspalavras.wordpress.com/2007/12/15/novo-caso-de-plagio-em-traducao/#comment-159

11 de abr. de 2008

palimpsesto IV

luca signorelli, dante

A fraude, seguida por remorso eterno, é praticada traindo-se a confiança conquistada ou tramando danos contra o próximo que confia desprevenido.

dante, a divina comédia, tradução de hernâni donato
(atribuída pela nova cultural a fábio m. alberti)

10 de abr. de 2008

palimpsesto III

Mas, de repente, parei, porque atrás daquelas árvores vi uma coisa que me gelou: o Rapazinho, o Rapazinho que estava ali, quieto, com olhos de louco, a olhar, na fonte, a irmãzinha afogada.

pirandello, seis personagens à procura de um autor
trad. brutus pedreira
(atribuída a fernando corrêa fonseca pela ed. nova cultural)

palimpsesto II

espíritos sutis te enleiam e te dominam,
a um mundo de ilusões e cegueira te inclinam...

goethe, fausto, tradução de silvio meira
(atribuída a alberto maximiliano pela ed. nova cultural)

9 de abr. de 2008

palimpsesto I

honra à beleza! contempla o teu cavaleiro,
que voltou da longínqua terra dourada;
riquezas não traz, nem delas necessita,
salvo seus braços fortes e o seu corcel de guerra;
as rijas esporas, e, para investir contra o inimigo,
a lança e o gládio que o jogam por terra!
eis da sua luta todos os troféus!
ei-los! e mais a esperança de um sorriso de tekla!

walter scott, ivanhoé, tradução de brenno silveira
(atribuida a roberto nunes whitaker pela ed. nova cultural)