em 1956, a editora pensamento resolveu criar um braço editorial voltado para a área literária, fundando uma nova editora, a cultrix. diaulas riedel, proprietário da empresa, convidou edgard cavalheiro para a iniciativa, lançando uma coleção chamada "maravilhas do conto 'isso e aquilo'". tenho cá para mim que a própria ideia da coleção foi de cavalheiro, calcando-se diretamente na coleção da livraria martins, "obras-primas do conto 'isso e aquilo'", dos anos 1940, onde ele mesmo, cavalheiro, havia colaborado com almiro rolmes barbosa.
a coleção da martins trazia os nomes dos tradutores dos contos, bem como, em prefácio, os agradecimentos a cada editora que autorizara o uso de algum conto já traduzido. os ainda não traduzidos ficavam (supostamente) a cargo de rolmes e cavalheiro.
quando edgard cavalheiro assume a nova coleção, a partir de 1957, não se pode dizer que ele tenha tido o mesmo cuidado. assim é que, até 1958, ano de seu falecimento, são lançados vários volumes com seleção atribuída a algum nome visivelmente inventado, sempre ressoando a língua nativa dos contos reunidos naquele volume, e traduções sistematicamente revistas por um tal "t. booker washington". vejam-se:
maravilhas do conto alemão:
introdução e notas de edgard cavalheiro.
organização de diaulas riedel.
seleção de albert. h. widmann.
traduções revistas por t. booker washington.
maravilhas do conto norte-americano:
introdução e notas de edgard cavalheiro.
organização de diaulas riedel.
seleção de john c.w. smith.
traduções revistas por t. booker washington.
maravilhas do conto francês:
introdução e notas de edgard cavalheiro.
organização de diaulas riedel.
seleção de jean p. bellade.
traduções revistas por t. booker washington.
maravilhas do conto russo:
introdução e notas de edgard cavalheiro.
organização de diaulas riedel.
seleção de serge ivanovitch.
traduções revistas por t. booker washington.
maravilhas do conto inglês:
introdução e notas de edgard cavalheiro.
organização de diaulas riedel.
seleção de charles r. holmes.
traduções revistas por t. booker washington.
maravilhas do conto italiano:
introdução e notas de edgard cavalheiro.
organização de diaulas riedel.
seleção de aldo c. bagnotti.
traduções revistas por t. booker washington.
maravilhas do conto espanhol:
introdução e notas de edgard cavalheiro.
organização de diaulas riedel.
seleção de ángel eugenio echegaray.
traduções revistas por t. booker washington.
maravilhas do conto hispano-americano:
introdução e notas de edgard cavalheiro.
organização de diaulas riedel.
seleção de juan s. vendrell y lópez.
traduções revistas por t. booker washington.
nenhum pretenso responsável pela seleção consta em qualquer busca, a não ser referindo-se à respectiva coletânea. "t. booker washington", por sua vez, ecoa claramente o nome do ativista americano booker t. washington: segundo informação que obtive diretamente junto à empresa, era um fiel colaborador da pensamento e de seu almanaque, que adotava tal pseudônimo.
de modo geral, os contos desses volumes de tradução anônima haviam sido publicados em outras editoras, tendo sido objetos de contrafação nas edições a cargo de cavalheiro, sem licença de edição nem créditos referentes aos tradutores.
ver outras referências aqui.
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6 de ago. de 2015
6 de jun. de 2012
apropriações, contrafações etc. - o código civil de 1916
antes da lei 5988 de 1973, especificamente destinada a regular os direitos autorais, estes eram regidos pela lei 3071, de 1916, o código civil dos estados unidos do brasil, em seu capítulo VI, "da propriedade literária, científica e artística", arts. 649-673. pode ser visto aqui.
lá em seu artigo 666, o código civil estatuía que "não se considera ofensa aos direitos de autor: I. a reprodução de passagens ou trechos de obras já publicadas e a inserção, ainda que integral, de pequenas composições alheias no corpo de obra maior, contanto que esta apresente caráter científico ou seja compilação destinada a fim literário, didático ou religioso, indicando-se, porém, a origem de onde se tomarem os excertos, bem como o nome dos autores".
cabe notar que o mesmo código, em seu artigo 652, estatuía que o tradutor tem "o mesmo direito de autor" - faço esse lembrete em vista das palavras finais do artigo 666, "bem como o nome dos autores".
o artigo 666 transitou com pequenas alterações para a lei 5988/73, que pode ser vista aqui. apenas em 1998, com a nova lei de direitos autorais, a 9610, aqui, é que essa cláusula cai.
fiquemos com o código civil de 1916, cujo capítulo VI prevaleceu até 1973. o que ocorreu com alguma frequência a partir dos anos 40 foi uma interpretação, digamos, um tanto lata desse capítulo de exceção, de tal forma que algumas editoras passaram a publicar obras inteiras compostas de "pequenas composições alheias", sobretudo como antologias de contos. a astúcia, aparentemente, consistia em tomar o volume da antologia como "o corpo de obra maior", e a "compilação destinada a fim literário" como pura e simples soma das tais "pequenas composições alheias" de "obras já publicadas". convenientemente, esquecia-se o artigo 652 e indicava-se o nome do autor do conto original, não o do tradutor do conto já publicado em português. também muito convenientemente, esquecia-se a necessidade de indicar a "origem de onde se tomaram os excertos", isto é, a obra traduzida e publicada por outra editora, fosse no brasil ou em portugal.
pode-se imaginar a farra entre a meia-dúzia de editoras que adotou essa astuciosa leitura do código civil.
entre elas, estava a cultrix. fundada em 1956, tendo como seu diretor editorial edgard cavalheiro, a cultrix lançou entre 1957 e 1959 uma coleção em 24 volumes de maravilhas do conto universal,. essa coleção, que atendia tanto ao sistema de venda domiciliar quanto ao circuito das livrarias, teve um enorme sucesso, com inúmeras reedições na cultrix e vários licenciamentos para a tecnoprint e depois ediouro. eram eles:
por outro lado, os concorrentes não deviam gostar muito dessa engenhosa interpretação do artigo 666 do código civil. laurence hallewell, em o livro no brasil (sua história), comenta que, sendo a cultrix acusada dessa prática, seu proprietário diaulas riedel admitiu ter "ocasionalmente" publicado "algum excerto" sem autorização - o que, imagino eu, ele julgaria suficiente para justificar a ausência dos créditos de tradução e das referências às edições brasileiras ou portuguesas utilizadas nas coletâneas.
mas, a partir de 1959, a cultrix dá início a uma outra coleção de antologias, agora por autor, e com tradutores do porte de uma tatiane belinky, de uma olívia krähenbühl, de um paulo rónai. é quando aparecem os volumes de contos de tchecov, de melville, de hawthorne, mérimée, dumas, daudet, stephen crane, jack london e muitos outros.
por outro lado, ainda em 1958 já se esboçara uma iniciativa neste sentido, com a publicação de histórias extraordinárias, antologia de contos de edgar allan poe com seleção, introdução e tradução de josé paulo paes, todavia apresentando um certo vezo inexplicado, a saber, a absoluta identidade entre a tradução de "o escaravelho de ouro" em seu nome e a tradução do mesmo conto por almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro em 1942, pela martins (ver aqui).
seja como for, a partir de 1959 e da nova coleção por autores, a cultrix pareceu ter renunciado à prática nefasta de seus primeiros anos - embora a coleção das maravilhas tenha se mantido em viçosa circulação pelo menos até a década de 1980.
para além do aspecto ético e jurídico da questão, pode-se ter uma ideia das dificuldades que isso acarreta para uma reconstituição precisa da história da tradução no brasil mediante alguns exemplos específicos que apresentei aqui.
atualização: acrescentem-se: Maravilhas do Conto Africano, Maravilhas do Conto Árabe, Maravilhas do Conto Chinês, Maravilhas do Conto Indiano, Maravilhas do Conto Infantil, Maravilhas do Conto Japonês, totalizando 30 volumes [vide aqui].
lá em seu artigo 666, o código civil estatuía que "não se considera ofensa aos direitos de autor: I. a reprodução de passagens ou trechos de obras já publicadas e a inserção, ainda que integral, de pequenas composições alheias no corpo de obra maior, contanto que esta apresente caráter científico ou seja compilação destinada a fim literário, didático ou religioso, indicando-se, porém, a origem de onde se tomarem os excertos, bem como o nome dos autores".
cabe notar que o mesmo código, em seu artigo 652, estatuía que o tradutor tem "o mesmo direito de autor" - faço esse lembrete em vista das palavras finais do artigo 666, "bem como o nome dos autores".
o artigo 666 transitou com pequenas alterações para a lei 5988/73, que pode ser vista aqui. apenas em 1998, com a nova lei de direitos autorais, a 9610, aqui, é que essa cláusula cai.
fiquemos com o código civil de 1916, cujo capítulo VI prevaleceu até 1973. o que ocorreu com alguma frequência a partir dos anos 40 foi uma interpretação, digamos, um tanto lata desse capítulo de exceção, de tal forma que algumas editoras passaram a publicar obras inteiras compostas de "pequenas composições alheias", sobretudo como antologias de contos. a astúcia, aparentemente, consistia em tomar o volume da antologia como "o corpo de obra maior", e a "compilação destinada a fim literário" como pura e simples soma das tais "pequenas composições alheias" de "obras já publicadas". convenientemente, esquecia-se o artigo 652 e indicava-se o nome do autor do conto original, não o do tradutor do conto já publicado em português. também muito convenientemente, esquecia-se a necessidade de indicar a "origem de onde se tomaram os excertos", isto é, a obra traduzida e publicada por outra editora, fosse no brasil ou em portugal.
pode-se imaginar a farra entre a meia-dúzia de editoras que adotou essa astuciosa leitura do código civil.
entre elas, estava a cultrix. fundada em 1956, tendo como seu diretor editorial edgard cavalheiro, a cultrix lançou entre 1957 e 1959 uma coleção em 24 volumes de maravilhas do conto universal,. essa coleção, que atendia tanto ao sistema de venda domiciliar quanto ao circuito das livrarias, teve um enorme sucesso, com inúmeras reedições na cultrix e vários licenciamentos para a tecnoprint e depois ediouro. eram eles:
Maravilhas do Conto Alemãoos créditos pela organização da coleção variavam, bem como os créditos pela introdução, seleção e eventuais notas. já os créditos de tradução e das edições de onde foram extraídos os contos eram, na grande maioria das vezes, omitidos.
Maravilhas do Conto Amoroso
Maravilhas do Conto de Aventuras
Maravilhas do Conto Bíblico
Maravilhas do Conto Brasileiro
Maravilhas do Conto Brasileiro Moderno
Maravilhas do Conto Espanhol
Maravilhas do Conto Fantástico
Maravilhas do Conto Feminino
Maravilhas do Conto de Ficção Científica [Maravilhas da Ficção Científica]
Maravilhas do Conto Francês
Maravilhas do Conto Hispano-Americano
Maravilhas do Conto Histórico
Maravilhas do Conto Humorístico
Maravilhas do Conto Inglês
Maravilhas do Conto Italiano
Maravilhas do Conto Mitológico
Maravilhas do Conto de Natal
Maravilhas do Conto Norte-Americano
Maravilhas do Conto Policial
Maravilhas do Conto Popular
Maravilhas do Conto Português
Maravilhas do Conto Russo
Maravilhas do Conto Universal
por outro lado, os concorrentes não deviam gostar muito dessa engenhosa interpretação do artigo 666 do código civil. laurence hallewell, em o livro no brasil (sua história), comenta que, sendo a cultrix acusada dessa prática, seu proprietário diaulas riedel admitiu ter "ocasionalmente" publicado "algum excerto" sem autorização - o que, imagino eu, ele julgaria suficiente para justificar a ausência dos créditos de tradução e das referências às edições brasileiras ou portuguesas utilizadas nas coletâneas.
mas, a partir de 1959, a cultrix dá início a uma outra coleção de antologias, agora por autor, e com tradutores do porte de uma tatiane belinky, de uma olívia krähenbühl, de um paulo rónai. é quando aparecem os volumes de contos de tchecov, de melville, de hawthorne, mérimée, dumas, daudet, stephen crane, jack london e muitos outros.
por outro lado, ainda em 1958 já se esboçara uma iniciativa neste sentido, com a publicação de histórias extraordinárias, antologia de contos de edgar allan poe com seleção, introdução e tradução de josé paulo paes, todavia apresentando um certo vezo inexplicado, a saber, a absoluta identidade entre a tradução de "o escaravelho de ouro" em seu nome e a tradução do mesmo conto por almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro em 1942, pela martins (ver aqui).
seja como for, a partir de 1959 e da nova coleção por autores, a cultrix pareceu ter renunciado à prática nefasta de seus primeiros anos - embora a coleção das maravilhas tenha se mantido em viçosa circulação pelo menos até a década de 1980.
para além do aspecto ético e jurídico da questão, pode-se ter uma ideia das dificuldades que isso acarreta para uma reconstituição precisa da história da tradução no brasil mediante alguns exemplos específicos que apresentei aqui.
atualização: acrescentem-se: Maravilhas do Conto Africano, Maravilhas do Conto Árabe, Maravilhas do Conto Chinês, Maravilhas do Conto Indiano, Maravilhas do Conto Infantil, Maravilhas do Conto Japonês, totalizando 30 volumes [vide aqui].
1 de jun. de 2012
até tu, brutus?
este é um dos casos mais lamentáveis e surpreendentes que parece se incluir* na seara das traduções espúrias. fiquei perplexa e decepcionada por envolver um tradutor que eu costumava respeitar bastante, josé paulo paes.
o problema veio à tona por ocasião de um extenso estudo do pesquisador e tradutor guilherme braga sobre as várias traduções brasileiras de the gold-bug, de edgar allan poe. no decorrer da análise, as evidências materiais disponíveis levaram guilherme braga a acreditar que o escaravelho de ouro supostamente traduzido por josé paulo paes e publicado na coletânea histórias extraordinárias pela editora cultrix em 1958 seria simples cópia da tradução de almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro, publicada em 1942 na coletânea as obras-primas do conto universal, sexto volume da coleção "a marcha do espírito", pela livraria martins editora.
almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro aparecem como os responsáveis pela compilação, introdução, tradução e notas da coletânea de 1942 (martins). segundo o que os organizadores expõem em sua introdução, alguns dos contos foram traduzidos por terceiros, sendo especificados com os devidos créditos na introdução e no final de cada conto, além de agradecimentos pela licença de uso. são eles: "a lição de canto", de katherine mansfield, trad. érico veríssimo; "a luz da outra casa", de pirandello, trad. francisco pati; "duas mil palavras", de o. henry, trad. brito broca; "as três palavras divinas", de tolstói, trad. lígia autran rodrigues; e "o espectro", de dickens, trad. élsie lessa. assim, infere-se dos créditos e das explicações dadas na introdução que a tradução dos demais contos coube a rolmes barbosa e cavalheiro.
josé paulo paes aparece como o responsável pela seleção, apresentação e tradução dos contos que compõem a coletânea de 1958 (cultrix), com sucessivas reedições e licenciamentos até a data de hoje. não consta nas páginas desta coletânea nenhuma indicação de que tenham sido utilizadas traduções de terceiros, de onde se depreende, naturalmente, que josé paulo paes estaria chamando a si a autoria da tradução do volume completo.
seguem abaixo algumas imagens para fins de comparação entre a tradução em nome de rolmes/ cavalheiro (1942), em cima, e a tradução em nome de paes (1958), embaixo.



* especificação acrescentada em 02/06.
o problema veio à tona por ocasião de um extenso estudo do pesquisador e tradutor guilherme braga sobre as várias traduções brasileiras de the gold-bug, de edgar allan poe. no decorrer da análise, as evidências materiais disponíveis levaram guilherme braga a acreditar que o escaravelho de ouro supostamente traduzido por josé paulo paes e publicado na coletânea histórias extraordinárias pela editora cultrix em 1958 seria simples cópia da tradução de almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro, publicada em 1942 na coletânea as obras-primas do conto universal, sexto volume da coleção "a marcha do espírito", pela livraria martins editora.
almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro aparecem como os responsáveis pela compilação, introdução, tradução e notas da coletânea de 1942 (martins). segundo o que os organizadores expõem em sua introdução, alguns dos contos foram traduzidos por terceiros, sendo especificados com os devidos créditos na introdução e no final de cada conto, além de agradecimentos pela licença de uso. são eles: "a lição de canto", de katherine mansfield, trad. érico veríssimo; "a luz da outra casa", de pirandello, trad. francisco pati; "duas mil palavras", de o. henry, trad. brito broca; "as três palavras divinas", de tolstói, trad. lígia autran rodrigues; e "o espectro", de dickens, trad. élsie lessa. assim, infere-se dos créditos e das explicações dadas na introdução que a tradução dos demais contos coube a rolmes barbosa e cavalheiro.
josé paulo paes aparece como o responsável pela seleção, apresentação e tradução dos contos que compõem a coletânea de 1958 (cultrix), com sucessivas reedições e licenciamentos até a data de hoje. não consta nas páginas desta coletânea nenhuma indicação de que tenham sido utilizadas traduções de terceiros, de onde se depreende, naturalmente, que josé paulo paes estaria chamando a si a autoria da tradução do volume completo.
seguem abaixo algumas imagens para fins de comparação entre a tradução em nome de rolmes/ cavalheiro (1942), em cima, e a tradução em nome de paes (1958), embaixo.
* especificação acrescentada em 02/06.
5 de mai. de 2012
sherwood anderson no brasil
gosto muito de sherwood anderson. ontem, lembrando-me dele, fiquei curiosa em saber o que havia de seu no brasil.
I.
o leitor incauto pode achar que a secreta mentira, o livro dos grotescos, a verdade de cada um e winesburg, ohio são obras diferentes (como aconteceu comigo alguns anos atrás, daí resultando comprar algo que eu já tinha). não, as quatro correspondem ao mesmo winesburg, ohio (1919).
três delas trazem a mesma tradução, feita a quatro mãos por james amado e moacyr werneck de castro:
- a secreta mentira, globo, 1950:
- a verdade de cada um, cultrix, 1967:
- winesburg, ohio, l&pm, 1987:
a outra tradução é de constantino paleólogo, publicada em 1952 pela revista branca (efêmera editora que, como já comentei em outra postagem, tinha coisas muito interessantes):
II.
na famosa coletânea organizada por vinícius de moraes, norte-americanos: antigos e modernos, que saiu em 1945 pela editora leitura, há o conto "a outra mulher" ("the other woman", da coletânea the triumph of the egg, de 1921), traduzido por décio de almeida prado. (imagem de capa fornecida por josélia aguiar.)
esse conto foi reeditado em 1963 na antologia contos norte-americanos da bup. a coletânea toda tem saído pela ediouro, com o título de contos norte-americanos: os clássicos.
também em 1945, sai "sementes" em tradução de j. da cunha borges, em os mais belos contos norte-americanos, pela editora vecchi.
em 1950, temos "história de um homem" na antologia contos norte-americanos, org. jacob penteado, sem créditos de tradução.
em 1958, sai "mãos" em maravilhas do conto norte-americano, pela cultrix, para variar sem crédito de tradução. "mãos" faz parte do ciclo de contos de winesburg, ohio. não me parece impossível que a cultrix tenha usado uma das duas traduções acima citadas.
também em 1958, na coletânea de obras-primas do conto norte-americano organizada por sérgio milliet e publicada pela livraria martins editora, consta o conto "uma boa menina" - não sei a qual conto de anderson corresponde e, entre a profusão de nomes de tradutores do volume, fica difícil saber quem traduziu o quê.
ainda em 1958, "a força de deus" sai em tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai, publicada em "conto da semana", coluna semanal que ambos, ora juntos, ora alternadamente, mantinham no diário de notícias (ver zsuzsanna spiry, aqui). atualmente encontra-se no vol. X da antologia mar de histórias, pela nova fronteira.
em 1967, na coletânea 7 novelas clássicas, com tradução de márcio cotrim e outros, pela imago/ lidador, sai o conto "o homem que virou mulher":
a editora curitibana l-dopa anuncia em seu site mais um winesburg, ohio e uma outra mulher, agora para 2012, mas ainda não divulgou o nome do(s) tradutor(es).
sherwood anderson escreveu tanto e sua obra é tão pungente que acho que mereceríamos mais coisas dele no brasil. para mim, uma reencarnação de sua prosa tão brutalmente lírica, em outra linguagem, é paris, texas ou qualquer roteiro ou interpretação de sam shepard.
atualização em 15/7/2016: veja-se também "Sherwood Anderson - realismo e sensibilidade", de elfi kürten fenske, aqui.
2 de mai. de 2012
jack london no brasil VII
é interessante notar a importância de magazines populares na divulgação dos contos de jack london no brasil. já indiquei alguns dos anos 50, na edição maravilhosa da ebal.
vejam-se alguns números do mistério magazine de ellery queen, publicado pela globo. não localizei os créditos de tradução nas consultas virtuais aos sebos, e talvez até fosse uma "personalidade de conveniência", como dizia érico veríssimo (veja aqui). mas, até onde conheço o histórico da globo em suas traduções, tanto para livros quanto para revistas, tenho razoável certeza de que eram traduções próprias, da casa.
em 1955, sai o conto "o inesperado" (n. 69):

ainda em 1955, "um simples chim" (n. 73):

em 1956, "desvio para oeste" (n. 80):

em 1957, "o rei dos leprosos" (n. 93):


em 1961, a livraria martins lança "o rei dos leprosos" em obras-primas do conto fantástico, organização de jacob penteado. não sei se é a mesma tradução que saiu na mistério magazine acima.
em 1960, sai "perda de prestígio" (n. 130), com destaque na chamada de capa:

em 1965, "carne, nada mais" (n. 193):


em 1966, a livraria martins lança também "carne, nada mais", em obras-primas do conto de suspense, organização de luís martins. não sei se é a mesma tradução que saiu na mistério magazine, acima.
para 1970, encontrei referência a "a trilha do cavalo morto" (n. 11). não sou familiarizada com a trajetória do mistério magazine, mas imagino que, pela numeração, se trate de uma nova série. pena, não localizei imagem de capa.
quanto ao conto "the unexpected" (1907), cuja tradução saiu em 1955 no n. 69 da revista, eu não me surpreenderia muito se fosse esta mesma tradução a utilizada pela cultrix em 1958, sem qualquer crédito de autoria ou licença de uso, para sua coletânea de maravilhas do conto norte-americano, organizada por edgard cavalheiro. (aliás, vários nomes de supostos responsáveis pela seleção dos contos nessas coletâneas da cultrix eram simplesmente inventados: este "john c. w. smith" da página de rosto abaixo não engana nem criancinha - veja aqui outro exemplo -, sem contar o célebre t. booker washington que assinava a "revisão da tradução", esta usualmente dada como anônima, claro. infelizmente, esse misterioso t. booker washington das edições da cultrix acabou ganhando entrada em inúmeros cadastros, estudos e referências como tradutor. veja aqui.)

acompanhe aqui outras obras de jack london no brasil.
atualização em 11/5/2013
vejam-se alguns números do mistério magazine de ellery queen, publicado pela globo. não localizei os créditos de tradução nas consultas virtuais aos sebos, e talvez até fosse uma "personalidade de conveniência", como dizia érico veríssimo (veja aqui). mas, até onde conheço o histórico da globo em suas traduções, tanto para livros quanto para revistas, tenho razoável certeza de que eram traduções próprias, da casa.
em 1955, sai o conto "o inesperado" (n. 69):
ainda em 1955, "um simples chim" (n. 73):
em 1956, "desvio para oeste" (n. 80):
em 1957, "o rei dos leprosos" (n. 93):

em 1961, a livraria martins lança "o rei dos leprosos" em obras-primas do conto fantástico, organização de jacob penteado. não sei se é a mesma tradução que saiu na mistério magazine acima.
em 1960, sai "perda de prestígio" (n. 130), com destaque na chamada de capa:
em 1965, "carne, nada mais" (n. 193):

em 1966, a livraria martins lança também "carne, nada mais", em obras-primas do conto de suspense, organização de luís martins. não sei se é a mesma tradução que saiu na mistério magazine, acima.
para 1970, encontrei referência a "a trilha do cavalo morto" (n. 11). não sou familiarizada com a trajetória do mistério magazine, mas imagino que, pela numeração, se trate de uma nova série. pena, não localizei imagem de capa.
quanto ao conto "the unexpected" (1907), cuja tradução saiu em 1955 no n. 69 da revista, eu não me surpreenderia muito se fosse esta mesma tradução a utilizada pela cultrix em 1958, sem qualquer crédito de autoria ou licença de uso, para sua coletânea de maravilhas do conto norte-americano, organizada por edgard cavalheiro. (aliás, vários nomes de supostos responsáveis pela seleção dos contos nessas coletâneas da cultrix eram simplesmente inventados: este "john c. w. smith" da página de rosto abaixo não engana nem criancinha - veja aqui outro exemplo -, sem contar o célebre t. booker washington que assinava a "revisão da tradução", esta usualmente dada como anônima, claro. infelizmente, esse misterioso t. booker washington das edições da cultrix acabou ganhando entrada em inúmeros cadastros, estudos e referências como tradutor. veja aqui.)
acompanhe aqui outras obras de jack london no brasil.
atualização em 11/5/2013
12 de abr. de 2012
boccaccio, avulsos
comentei que, até o momento, existe apenas uma tradução brasileira integral do decameron, a saber, a de raul de polillo (1959), posteriormente garfada e "copidescada" por torrieri guimarães (1970) - veja aqui.
já seleções e antologias parciais existem várias. seguem-se as que localizei.
I.
aparentemente, o primeiro boccaccio brasileiro apareceu em 1944. trata-se de "a enganadora enganada", em os mais belos contos de amor dos mais famosos autores, com seleção e tradução de persiano da fonseca, pela editora vecchi:
este conto reaparece em maravilhas do conto italiano da cultrix, em 1957, sem créditos de tradução:
II.
em 1945, saem três contos selecionados e traduzidos por paulo rónai e aurélio buarque de hollanda, no primeiro volume de mar de histórias:
são eles: o conto do judeu melquisedec (primeira jornada, terceira novela), a dama na confissão (terceira jornada, terceira novela) e a marquesa de montferrato (primeira jornada, quinta novela). foram reeditados na coletânea de contos italianos da tecnoprint/ ediouro em 1967:
III.
em 1951, sai uma coletânea d' os famosos contos de boccaccio (il decamerone), em tradução de joão henrique, pela editora prometeu:

reeditada em 1960 e 1965:
IV.
em 1958, sai uma coletânea de contos burlescos de boccaccio (il decamerone), em seleção e tradução de milton júlio, com ilustrações de sylvio ramirez, pela reembolso royal:


a coletânea é reeditada sem data, em três volumes, pelo banco cultural brasileiro:
IVa.
ainda em 1958, sai "boca beijada não perde o sabor" (segunda jornada, sétima novela), in obras-primas do conto italiano, com tradução de jacob penteado, pela livraria martins:
V.
em 1959, é lançada uma coletânea de histórias galantes de boccaccio, em seleção, tradução e introdução de jamil almansur haddad, com 28 contos, pela cultrix:
reeditada em 1960 e 1986 como contos:
VI.
em 1959, a martins seleciona 38 novelas do decameron na tradução de raul de polillo:
VII.
também em 1959, sai "catela no banho", jornada III, novela VI, em maravilhas do conto amoroso, pela cultrix, para variar sem crédito de tradução:
VIII.
em 1960, sai uma coletânea de contos escolhidos do decamerão, pela editora cacique, sem crédito de tradução:
IX. também em 1960, sai "um vaso de manjericão" (quarta jornada, quinta novela), em tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai, publicada como o "conto da semana", coluna semanal que ambos, ora juntos, ora alternadamente, mantinham no diário de notícias (ver zsuzsanna spiry, aqui).
IXa. em 1963, sai "andreuccio da perúsia" em tradução de hernâni donato, no volume novelas italianas, da coleção "o mundo da novela", pela cultrix:
X.
em 1969, saem as seleções galantes do decameron, em seleção e tradução de éverton florenzano, pela livrobrás:
XI.
em c.1971, sai decamerão (fragmentos), tradução de sônia botelho, no volume 8 da coleção ficção, bruguera. não encontrei imagem de capa. aqui a ficha em nosso acervo na biblioteca nacional:
XII.
a partir de 1974, sai uma série de adaptações em cordel, por marco moro, pela luzeiro.
XIII.
XIV.
em 1996, é lançada mais uma coletânea de contos do decameron, com seleção, tradução e introdução de pedro garcez ghirardi, pela scrinium:
XV.
em 2001, a novela I da terceira jornada e a novela X da oitava jornada, em tradução de octávio marcondes, saem na antologia os cem melhores contos de humor da literatura universal (org. de flávio moreira da costa), pela ediouro:
XVI.
em 2006, sai vingança em veneza, em tradução de nilson moulin, pela cosac naify:
XVII.
em 2010, sai a décima novela da terceira jornada, em tradução de áureo lustosa guérios neto,
na arte e letra: estórias, edição K:
as antologias de contos de amor e desamor e os melhores contos de aventuras também trazem alguma coisa de boccaccio, mas ainda não descobri o que é. este post será complementado à medida que eu localizar mais elementos.

atualização 29/6/13: nos anos 50, há referência a algo de boccaccio em contos de alcova, com organização de yves idilio, pela editora carioca noel buchman. a coletânea é reeditada em são paulo em 1960 (o livreiro; ed. victor - ver aqui, p. 242) e em 1963 (flamingo). devo essas indicações à pesquisadora silvia cobelo.
já seleções e antologias parciais existem várias. seguem-se as que localizei.
I.
aparentemente, o primeiro boccaccio brasileiro apareceu em 1944. trata-se de "a enganadora enganada", em os mais belos contos de amor dos mais famosos autores, com seleção e tradução de persiano da fonseca, pela editora vecchi:
este conto reaparece em maravilhas do conto italiano da cultrix, em 1957, sem créditos de tradução:
II.
em 1945, saem três contos selecionados e traduzidos por paulo rónai e aurélio buarque de hollanda, no primeiro volume de mar de histórias:
são eles: o conto do judeu melquisedec (primeira jornada, terceira novela), a dama na confissão (terceira jornada, terceira novela) e a marquesa de montferrato (primeira jornada, quinta novela). foram reeditados na coletânea de contos italianos da tecnoprint/ ediouro em 1967:
III.
em 1951, sai uma coletânea d' os famosos contos de boccaccio (il decamerone), em tradução de joão henrique, pela editora prometeu:

reeditada em 1960 e 1965:
IV.
em 1958, sai uma coletânea de contos burlescos de boccaccio (il decamerone), em seleção e tradução de milton júlio, com ilustrações de sylvio ramirez, pela reembolso royal:
aqui, ilustração de "o cura de verlungo"
a coletânea é reeditada sem data, em três volumes, pelo banco cultural brasileiro:
IVa.
ainda em 1958, sai "boca beijada não perde o sabor" (segunda jornada, sétima novela), in obras-primas do conto italiano, com tradução de jacob penteado, pela livraria martins:
V.
em 1959, é lançada uma coletânea de histórias galantes de boccaccio, em seleção, tradução e introdução de jamil almansur haddad, com 28 contos, pela cultrix:
reeditada em 1960 e 1986 como contos:
VI.
em 1959, a martins seleciona 38 novelas do decameron na tradução de raul de polillo:
VII.
também em 1959, sai "catela no banho", jornada III, novela VI, em maravilhas do conto amoroso, pela cultrix, para variar sem crédito de tradução:
VIII.
em 1960, sai uma coletânea de contos escolhidos do decamerão, pela editora cacique, sem crédito de tradução:
IX. também em 1960, sai "um vaso de manjericão" (quarta jornada, quinta novela), em tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai, publicada como o "conto da semana", coluna semanal que ambos, ora juntos, ora alternadamente, mantinham no diário de notícias (ver zsuzsanna spiry, aqui).
IXa. em 1963, sai "andreuccio da perúsia" em tradução de hernâni donato, no volume novelas italianas, da coleção "o mundo da novela", pela cultrix:
X.
em 1969, saem as seleções galantes do decameron, em seleção e tradução de éverton florenzano, pela livrobrás:
XI.
em c.1971, sai decamerão (fragmentos), tradução de sônia botelho, no volume 8 da coleção ficção, bruguera. não encontrei imagem de capa. aqui a ficha em nosso acervo na biblioteca nacional:
| Autor: | Boccaccio, Giovanni, |
| Título original: | [Il Decamerone. Portugues.] |
| Título / Barra de autoria: | Decamerao : (fragmentos) / Giovanni Boccaccio ; traducao de Sonia Botelho. - |
| Imprenta: | Rio [de Janeiro] : Bruguera, c1971. |
XII.
a partir de 1974, sai uma série de adaptações em cordel, por marco moro, pela luzeiro.
XIII.
em 1988, sai a terceira jornada, primeira novela, numa coletânea de horas de prazer, de diversos autores, pelo clube do livro. como na ficha descritiva da obra constam vários tradutores, não sei qual deles foi o responsável pela tradução do conto de boccaccio:
XIV.
em 1996, é lançada mais uma coletânea de contos do decameron, com seleção, tradução e introdução de pedro garcez ghirardi, pela scrinium:
XV.
em 2001, a novela I da terceira jornada e a novela X da oitava jornada, em tradução de octávio marcondes, saem na antologia os cem melhores contos de humor da literatura universal (org. de flávio moreira da costa), pela ediouro:
XVI.
em 2006, sai vingança em veneza, em tradução de nilson moulin, pela cosac naify:
XVII.
em 2010, sai a décima novela da terceira jornada, em tradução de áureo lustosa guérios neto,
as antologias de contos de amor e desamor e os melhores contos de aventuras também trazem alguma coisa de boccaccio, mas ainda não descobri o que é. este post será complementado à medida que eu localizar mais elementos.

atualização 29/6/13: nos anos 50, há referência a algo de boccaccio em contos de alcova, com organização de yves idilio, pela editora carioca noel buchman. a coletânea é reeditada em são paulo em 1960 (o livreiro; ed. victor - ver aqui, p. 242) e em 1963 (flamingo). devo essas indicações à pesquisadora silvia cobelo.
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