Mostrando postagens com marcador charles dickens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador charles dickens. Mostrar todas as postagens

16 de jul. de 2017

ecos de portugal no brasil, III

saiu a edição deste mês da revista digital luso-brasileira InComunidade, trazendo meu artigo, "ecos de portugal no brasil, III", sobre as aventuras do sr. pickwick, de charles dickens, lá e cá.
disponível aqui.



  


10 de mai. de 2012

pendências



nesses levantamentos sobre traduções no brasil que ando fazendo, há três autores cuja bibliografia ainda preciso completar: são eles dostoiévski, dickens e jack london. a compilação de dados está praticamente completa, mas falta montar a apresentação para publicá-la aqui no blog. como ultimamente tenho passado para outros autores, fica o aviso: os três estão em andamento, e logo mais devo concluí-los.

imagem: drowning in paperwork

5 de mai. de 2012

tradução ≠ edição

pettit moby dick editions shelf closeup

acho que seria importante que, não digo os leitores em geral, mas pelo menos estudiosos e pesquisadores, quando se debruçassem sobre alguma tradução, levassem em conta seu histórico. explico-me: uma tradução feita e publicada em, por exemplo, 1935, pode continuar bela e formosa em inúmeras reedições por muitas e muitas décadas (ou mesmo sumir e reaparecer depois de muitas décadas). se a edição consultada, estudada ou pesquisada é de, digamos, 1980, não significa que a tradução deixou de ser de 1935 e passou a ser de 1980.  ou melhor, talvez seja o caso de falar não em tradução ≠ edição, e sim em primeira edição ≠ edição atualmente em circulação ou quejandos.

comento isso a propósito de uma esforçada e bem simpática dissertação de mestrado sobre o conto the chimes, de charles dickens, disponível aqui. a proposta do estudo é analisar três traduções do conto, sob o ângulo da sonoridade do texto, o qual de certa forma mimetiza em algumas passagens o som dos carrilhões, e das soluções adotadas para transpor esses elementos para a tradução. eis a explicação dos critérios adotados para a escolha das traduções:
Para este trabalho, foram escolhidos dois textos brasileiros, um de José Paulo Paes, Os Carrilhões (1993) pela Ediouro, e o outro de Elsie Lessa, A Voz dos Sinos (2004), pela editora Itatiaia. Os Sinos de Ano Novo aparece como a terceira tradução, porém de origem portuguesa, feita por Lucília Filipe, pela editora Europa-américa (2001). Embora com títulos distintos, trata-se da tradução da mesma obra literária.   
Num primeiro momento, havia o desejo de utilizar nesta pesquisa a tradução de Elsie Lessa e de John Green por ambos terem sido publicados em 2004 e serem as traduções mais recentes. Porém,  em decorrência dos escândalos envolvendo a editora Martin Claret por plágio tradutório e o fato de não se achar qualquer registro de John Green, optou-se por descartar esta tradução. 
destes parágrafos depreende-se que foram usados dois critérios principais para a escolha dos textos: a fidedignidade e a data, dando-se preferência a traduções recentes.

e aqui surge a questão: a pesquisadora pretende utilizar a tradução de élsie lessa porque foi publicada em 2004 e (há aí um elíptico "portanto") é a mais recente. ora, este é o x da questão (ou, como dizia oscar mendes ao traduzir the heart of the matter de graham greene, este é "o coração da matéria"): de fato, há uma edição da itatiaia em 2004, aliás reedição do volume que a mesma editora já havia publicado em 1976, e é apenas uma entre muitas. já a tradução, élsie lessa a fez muito antes disso ou, em outros termos, a primeira edição da tradução de élsie lessa saiu em 1941, pela livraria martins (e talvez até, na verdade, em 1935, pela cultura brasileira).

analogamente, cabe lembrar que a tradução de josé paulo paes d'os carrilhões saiu pela primeira vez em 1959, pela cultrix, e que a edição de 1993 pela ediouro é, da mesma forma que a voz dos sinos pela itatiaia, apenas uma entre muitas.


aliás, a ideia da pesquisadora de montar uma tabela cronológica com as várias edições do conto é excelente; quanto à pesquisa em si, alguns dados sobre a fortuna histórica de the chimes no brasil mereceriam algumas pequenas retificações, tanto mais porque, neste caso, o critério temporal parece ter sido decisivo para a escolha de seu objeto de estudo.*

* o curioso é que, na tabela da pesquisadora, consta a data de 1941 para a tradução de élsie lessa (p. 54), dado comentado também à p. 56, logo antes dos parágrafos acima reproduzidos.

este exemplo reforça minha convicção de que é absolutamente necessário, urgente e fundamental, para todas as áreas de letras, literatura, estudos de tradução e estudos culturais em geral, que se aprofundem sólidas pesquisas historiográficas sobre tradução no brasil, única maneira de se obterem dados confiáveis para os mais variados temas de estudo e pesquisa.

imagem: several editions

25 de abr. de 2012

dickens X

I.
the chimes (1844) aparece no brasil em 1935 como a voz dos sinos, em tradução de elsie lessa, identificada na orelha do livro, pela cultura brasileira:*

veja-se **


essa tradução de elsie lessa, incluindo a voz dos sinos e o guarda-chaves, é reeditada em 1941 na coleção excelsior, da livraria martins:



e em 1946 pelo clube do livro com o respectivo crédito, coisa meio rara na editora:*



* este volume do clube do livro traz também aventuras de alguns marujos ingleses, em tradução de isak mielnick, e o homem e o espectro, sem crédito de tradução (julgo ser a mesma da edição da garnier de 1908 - veja aqui).

e pela itatiaia em 1976:



II.
em 1959, the chimes sai como "os carrilhões" na coletânea histórias humanas, em seleção e tradução de josé paulo paes, pela cultrix: 



em 1966, essa tradução de josé paulo paes ressurge pela tecnoprint/ ediouro na coletânea os mais brilhantes contos de dickens:

Os Mais Brilhantes Contos de Dickens

e em 2005 na coletânea o manuscrito de um louco e outras histórias, também na ediouro:



III.
em 1961, sai o carrilhão em tradução de maria lúcia de mello e souza para a coleção primavera, da paulinas:

O Carrilhão - Charles Dickens Coleção Primavera 1961

IV.
em 2004, sai pela martin claret um volume com cântico de natal e os carrilhões, com tradução em nome de "john green" (nome que consta em outras traduções espúrias da editora). quanto ao "cântico de natal", não passa de cópia da tradução de tito marcondes, de 1946. veja-se aqui. quanto a "os carrilhões", não cheguei a pesquisar suas fontes, mas é visível a presença de elementos lusitanos no texto ("registo", "antes queria", "ensolhado", "caluda", o uso do "você" no começo do conto, que depois curiosamente prossegue com o "tu", etc.).


acompanhe as traduções de dickens no brasil aqui.

no caso de a voz dos sinos, agradeço a fabrizio lyra pela retificação feita em comentário abaixo.


* atualização em 27/03/2013: de fato, essa edição pela cultura brasileira, em tradução de elsie lessa, inclui também "o guarda-chaves". recebeu uma breve nota no correio de são paulo, em 11 de junho de 1935.

** atualização em 26/05/13: agradeço a dainis karepovs pela referência e imagem de capa e aba.

17 de abr. de 2012

dickens IX



pelos 200 anos de nascimento de dickens, seguem mais algumas traduções de sua obra no brasil.

I.
em 1943, é lançada a vida de nosso senhor, em tradução de costa neves (josé olympio):



depois de quase quarenta anos, vem uma sucessão deles.

- em 1982, sai uma nova tradução, agora de geir campos (francisco alves):



que é editada também pelo clube do livro, em 1988:



dois anos depois, em 1984, sai mais uma vida de nosso senhor, agora em tradução de fernando b. ximenes, pela ediouro em sua coleção de paradidáticos:



e então, em 2003, sai a tradução de herculano villas boas pela martins fontes:



II.
quanto a bleak house, temos a tradução de oscar mendes, a casa soturna, que foi publicada em 1946 em capítulos (no folhetim d'o estado de são paulo), e em 1954 saiu em dois volumes pela globo:



e pela nova fronteira em 1986:




em 1965, the bleak house sai como casa de hóspedes, em tradução de rolando roque da silva, pelo clube do livro:

Livro - Casa De Hóspedes - Charles Dickens


III.
já quanto a nicholas nickleby, em 1957 sai vida e aventuras de nicholas nickleby, em tradução de oscar mendes e milton amado, pela josé olympio:





não tenho notícias de outras edições ou traduções integrais desta obra.


acompanhe as traduções de dickens no brasil aqui.  

5 de abr. de 2012

dickens VIII


imagem aqui

alguns avulsos...

I.
em 1942, sai o volume contos ingleses, com organização de jacob penteado, sem indicação de tradutor, trazendo o conto "os sete viandantes pobres" (edigraf, coleção primores do conto universal):



as antologias organizadas por jacob penteado e publicadas pela edigraf ou pela livraria martins costumavam utilizar traduções portuguesas sem dar a fonte nem os créditos de tradução. eu não ficaria muito surpresa se estes "sete viandantes pobres" tivessem vindo da antologia organizada por joão gaspar simões e publicada pela portugália, que suponho ser em tradução de cabral do nascimento:

Os Melhores Contos Ingleses

como assinalei aqui, o clube do livro lança este mesmo conto no volume a aventura de natal, em 1956, atribuindo sua tradução a josé maria machado, coisa de que duvido bastante:



II.
em 1944, em os ingleses - antigos e modernos, coletânea organizada por rubem braga para a companhia leitura, sai "história de um parente pobre", em tradução de clóvis ramalhete. desde 1963, essa coletânea passou a ser publicada pela tecnoprint, como o livro de ouro dos contos ingleses e, depois, pela ediouro, renomeada como contos ingleses - os clássicos:

Devo a imagem de capa à enorme gentileza de Saulo von Randow Jr.

também pela ediouro, nos anos 70, sai "horácio sparkins" na coletânea contos ingleses, com seleção e tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai:



III.
em 1945, sai "julgamento por assassínio", em coautoria com seu genro, charles allston collins, na coletânea os mais belos contos alucinantes dos mais famosos autores, com tradução de alfredo ferreira, pela vecchi.*



* agradeço a moisés de oliveira por todas essas informações.

IV.
em 1957, é lançado um volume de contos, chamado apenas dickens, contendo "o duelo", "mrs. tugg e sua família em ramsgate", "a morte do bêbado", "sentimental" e "o véu preto", em tradução de hermilo borba filho, pelo editorial andes:



IVa.
em 1958, sai "o segredo do enforcado" na antologia titãs da literatura, vol. VII da coleção "os titãs" da el ateneo do brasil, em tradução de a. barbosa rocha. como se trata de uma coleção organizada originalmente em espanhol por lázaro liacho, imagino que a tradução tenha sido feita a partir do espanhol.


V.
em 1959, é lançada a coletânea histórias humanas, em seleção e tradução de josé paulo paes, pela cultrix. se for o mesmo conteúdo - que imagino que seja - da coletânea licenciada para o círculo do livro com o título de os melhores contos de charles dickens, os contos são os seguintes, extraídos de:
sketches by boz: "a modista equivocada", "mr. minns e seu primo", "sentimento", "o véu negro", "batizado em bloomsbury"; 
- cenas de aventuras de mr. pickwick: "a história do ator ambulante", "o manuscrito de um louco", "a história do viajante", "a história dos duendes que raptaram um coveiro", "a verdadeira lenda do príncipe bladud"; 
- dos christmas books, "os carrilhões"; 
- das christmas stories: "a história do parente pobre", "a história da criança", "a história de ninguém", "a história do limpador de botas":



em 1966, esses contos na tradução de josé paulo paes ressurgem pela tecnoprint/ediouro como os mais brilhantes contos de dickens:

Os Mais Brilhantes Contos de Dickens

e em 2005 como o manuscrito de um louco e outras histórias, também na ediouro:



VI.
não tenho registrado as adaptações. mas, só para não passar em branco, fica registrada a tradução e adaptação de dombey & filho de vicente pedroso, para a coleção primavera, da paulinas, em 1960:



VII.
em 1978, o mistério de edwin drood, em tradução de aristides barbosa para o clube do livro:



VIII.
em 1993, o mistério de edwin drood sai em tradução de paulo henriques britto pela companhia das letras. dickens morreu em 1870 sem concluir a novela, e desde então vários autores escreveram uma continuação e desfecho. aqui nesta edição há o texto de dickens, ao qual se segue a trama bolada por carlo fruttero e franco lucentini:



IX.
em 2002, sai uma nova tradução de o mistério de edwin drood, em tradução de hermínio c. miranda, pela editora lachâtre, aqui com a continuação dada pelo médium americano thomas james, que a teria psicografado em 1873.*



* agradeço esta indicação ao leitor alexandre, que a registrou na caixa de comentários. 

acompanhe as traduções de dickens no brasil aqui. 

2 de abr. de 2012

dickens VII




da série das surpresas quanto à escassez, destacam-se - ora vejam só - the pickwick papers, com a dupla dinâmica que dostoiévski comparava a dom quixote e sancho pança, i. é, mr. pickwick e sam weller; e hard times.

I.
curtas adaptações há de orígines lessa, paulo mendes campos e outros, mas tradução propriamente dita, na íntegra, localizei apenas uma - as aventuras de pickwick, de octavio mendes cajado, para a globo, em 1951:



renomeado como as aventuras do sr. pickwick no licenciamento para a abril cultural em 1970 e incontáveis reedições subsequentes até 1982:



e depois no círculo do livro, em 1993:

As Aventuras do Senhor Pickwick - Charles Dickens

em 2004, finalmente a tradução de octavio mendes cajado volta a ser lançada pela globo, com reedição em 2007:



é bem verdade que a h. garnier do rio de janeiro lançou c. 1906 uma "traducção portugueza" em nome de um misterioso "k. d'avellar", mas que era simples cópia da tradução portuguesa de henrique lopes de mendonça (1897). essa história sórdida está aqui.

II.
quanto a hard times, a situação é mais precária. localizei apenas a tradução de e. jacy monteiro, pela paulinas, em sua coleção "fio de erva", em 1968:



em 1969, até saiu uma adaptação de tempos difíceis pelo clube do livro, em nome do indefectível "tradutor especial" josé maria machado - ver aqui. o clube do livro tem um histórico muito complicado e fica difícil ter alguma certeza sobre a legitimidade da edição.


Tempos Dificeis-charles Dickens - Livros



acompanhe as traduções de dickens no brasil aqui. 

dickens VI


quanto a great expectations (1861), temos:

I.
em 1942, grandes esperanças em tradução de alceu masson, com várias reedições até 1962, pela globo:



publicada pela tecnoprint/ ediouro a partir de 1966 até 1993:



licenciada para a abril cultural em 1983 e 1984:

Clique para ampliar a capa

II.
em 1966, as grandes esperanças, em tradução de cosette de alencar (itatiaia):



III.
em 1982, o círculo do livro lança a tradução portuguesa de armando de morais:



IV.
também em 1982, sai grandes esperanças em nova tradução, agora de josé eduardo moretzsohn (francisco alves):



em 2010, essa tradução é relançada na coleção clássicos da abril:


(agradeço a informação de raquel sallaberry)

V.
em 2002, sai uma tradução em nome de um misterioso "daniel r. lehman", pela martin claret, na qual até valeria a pena dar uma conferida :



VI.
em 2012, temosuma nova tradução, agora de paulo henriques britto, pela companhia das letras:

GRANDES ESPERANÇAS

acompanhe as traduções de dickens no brasil aqui.