24 de jun de 2017

mais dois russos

acrescentem-se à bibliografia russa traduzida no brasil (1900-1950), aqui, os seguintes títulos:

- fiódor gladkov, a nova terra - diário de uma professora, pela athena, 1935. não localizei o nome do tradutor. por provável interposição da tradução espanhola de piedade lifchuz (madri, 1931).

- leonid andréiev, judas iscariotes, pela norte, 1942. sem créditos de tradução, porém reproduz a de georges selzoff e allyrio meira wanderley (1931).





o drama da coisa - e aí, como faz?


hoje recebi o depoimento de um amigo, sério e dedicado bibliotecário, que reproduzo abaixo - quando a gente diz que livro não é produto perecível e que os efeitos deletérios das edições fraudadas se contam por décadas e décadas a fio, é mais ou menos isso.

Como você sabe, trabalho numa Biblioteca Pública.
No mês passado, uma jovem usuária que começou a fazer Ciências Sociais veio me pedir algumas orientações sobre diferenças de edições de um mesmo livro, editoras etc.
Expliquei o que é edição / impressão e a alertei sobre a editora Martin Claret.
Ela comentou que iam estudar um clássico do liberalismo - LOCKE -, e levou o exemplar da Biblioteca - coleção os Pensadores.
Durante a aula, a colega que estava sentada ao lado com um exemplar da editora Martin Claret não conseguiu acompanhar a aula, pois o trecho havia sido interrompido/omitido por uma frase extremamente/porcamente resumida. Uma frase para terminar o parágrafo, mas que omitia toda uma argumentação do autor (era o x da aula - a argumentação do autor) que ocupava algo em torno de 2 páginas. Olhe só, 2 páginas de um texto de ciência política sintetizadas em uma frase sem muito sentido...
Realmente a editora Martin Claret continua provocando sérios problemas para os compradores dos seus livros.
Tenho alertado todos os usuários para que não usem /comprem livros desta editora.
Repassei para todas as Bibliotecas da rede da Prefeitura de São Paulo um aviso sobre esses e outros problemas que tenho visto. A grande maioria dos meus colegas desconhecia esses problemas. Acho que é natural que isto aconteça. Acabamos ficando presos na rotina do dia-a-dia na biblioteca do bairro e não prestamos atenção a esse tipo de problema. Tenho a impressão de que nosso setor de seleção e aquisição sabia dos problemas (tanto que nunca comprou nada da editora), mas não emitiu nenhum aviso para não aceitarmos doações de usuários desta editora. 

23 de jun de 2017

mais cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil

Schopenhauer, 1887: 

O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.

A Semana, 1887, ed. 0144


Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.



Para um histórico de Schopenhauer no Brasil, veja-se aqui.


Tolstói, 1890:

A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.

Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.

Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.


Hegel, 1936:

A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.



Jane Austen, 1940:

Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.


Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.


Emily Dickinson, 1945:

Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].




Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.

19 de jun de 2017

um novo rubaiyat

ivo barroso concede a seus leitores e admiradores a oportunidade de conhecer 28 ruba'i de khayyam de sua lavra, numa bela e cuidadosa edição:







mais um russo no brasil, 1900-1950

acrescente-se à bibliografia russa traduzida no brasil entre 1900 e 1950, aqui:

quero!, de aleksandr ostapovich avdeenko, romance publicado pela athena editora em 1937. embora não constem os créditos, a tradução foi feita por heitor ferreira lima (dirigente do pcb).

o título adotado em português - quero! para o original ia liubliù, isto é, "eu amo", tal como na tradução inglesa da obra, i love (1935), ou na francesa, j'aime (1944) - parece sugerir que heitor ferreira lima se baseou na tradução espanhola !quiero!. esta foi publicada em 1935 pela ediciones europa-américa, madri, da linha comunista soviética a que também se filiava o pcb.

sobre a europa-américa madrilenha, vide um artigo interessante aqui.

"Instrumento soviético de agitprop en lengua española creado tras el VI Congreso de la Komintern (Moscú, julio-septiembre 1928). Ediciones Europa-América inicia su actividad en París (“París-Buenos Aires”), quedando prácticamente paralizada en 1930 tras los abandonos provocados, sobre todo, por desviaciones trotsquistas. Se reactiva en España en 1932, también como edeya, se expande en 1933 junto con ampli y marenglen, sobrevive tras el fracasado golpe de estado de 1934 y mantiene su activismo hasta 1938, y de nuevo en París (“París-México-Nueva York”) languidece durante unos meses en 1939, terminada la guerra de España, hasta que comienza la nueva guerra mundial."

não localizei imagem de capa da athena, mas aí fica a da europa-américa:



agradeço a bruno gomide pela identificação de avdeenko e pelo título original do romance.

18 de jun de 2017

estudo comparado

franciele graebin dedicou sua dissertação de mestrado (unb, 2016) a uma análise comparada das quatro traduções brasileiras de mrs. dalloway: a de mario quintana, a de tomaz tadeu, a de claudio marcondes e a minha. disponível aqui.







agradeço a bento moura pela notícia sobre esse estudo.

ecos de portugal no brasil, II

"ecos de portugal no brasil" é uma série de breves crônicas que venho publicando na revista digital InComunidade,

saiu agora a segunda delas, sobre o caso de persuasão, de jane austen. a crônica está disponível aqui.

veja-se também o marcador "landmark" aqui.

14 de jun de 2017

cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil


shakespeare, 1882 ou 1933? 

o caso de shakespeare envolve uma certa polêmica.

entre os estudiosos da shakespeariana brasileira, celuta gomes sustenta a primazia de josé antônio de freitas, maranhense "que se integrou nas letras portuguesas", com sua tradução de otelo, publicada em lisboa em 1882.

márcia peixoto martins, por seu lado, sustenta que o simples dado da nacionalidade não garante a inserção de um autor ou tradutor no sistema literário de seu país de origem: "por tradução brasileira entenda-se feita em português do brasil, levando-se em conta os aspectos sintáticos, lexicais e de registro, entre outros, e observando uma poética literária compatível com 'modos de escrever' adotados por nossos autores". neste sentido, a primeira tradução brasileira de shakespeare seria tragédia de hamleto, príncipe da dinamarca, feita por tristão da cunha e publicada pela editora schmidt em 1933. vide aqui.


goethe, 1877 (excerto), 1884 (íntegra)

vem do rio grande do sul a primeira tradução brasileira publicada em livro entre nós, um excerto de fausto. trata-se de fausto e margarida, poema dramático em XII quadros da tragédia de goethe, por múcio teixeira. porto alegre, 1877[8]. vem apresentada como "uma imitação de goethe", como diz seu autor, ou uma tradução em paráfrase, como dizem alguns comentadores. teve grande sucesso e várias reedições no prazo de poucos anos.

também em porto alegre temos a primeira publicação de uma obra integral de goethe, o poema hermann e dorothea, porém vazado em prosa. a tradução foi feita por carolina von koseritz, e saiu publicada em 1884 pela typographia de gundlach, de porto alegre.

encontro menções a uma tradução de werther que teria sido feita por eduardo laemmert (1808-1880; portanto, provavelmente teria sido anterior às traduções acima citadas), com o título de amorosas paixões do jovem werther. todavia, essas menções parecem derivar, todas elas, de uma vaga afirmação de laurence hallewell, que a apresenta explicitamente como mera hipótese em seu o livro no brasil, e não encontrei nenhuma notícia concreta da existência efetiva e eventual publicação dessa tradução. assim, como marcos introdutórios, fiquemos com as duas traduções de existência comprovada, a de múcio teixeira e a de carolina von koseritz..


dostoiévski, 1896

também do rio grande do sul vem o primeiro volume de dostoiévski traduzido no brasil. foi o jogador, em tradução de alcides cruz, publicado pela livraria americana de pelotas, de costa pinto, em sua coleção "nova bibliotheca economica".

o livro saiu, calculo eu, por volta de 1895-6: avento essa data porque foi em 1896 que o almanak litterario e estatistico do rio grande sul publicou o anúncio de página inteira da livraria americana, com o jogador entre os três títulos já publicados em sua referida coleção. 



aliás, uma notícia interessante nos é dada por juremir machado, narrando os primórdios do jornal gaúcho correio do povo, no final do século XIX: "fez uma promoção de assinaturas. quem assinasse por ano, escolhia um livro numa lista de dez best-sellers, entre os quais o jogador de dostoievski". vide aqui.


freud, 1931

ao que tudo indica, a primeira tradução de freud saiu entre nós em 1931: tratava-se de cinco lições de psicanálise.

na verdade, houve uma tentativa anterior: o médico iago pimentel, com planos de traduzir a obra, chegou a publicar em 1926 um excerto de algumas páginas em a revista, uma efêmera publicação literária de carlos drummond, pedro nava e outros. com o encerramento da revista, porém, iago pimentel parece ter interrompido a tradução, e desde então não houve mais notícias de seu projeto.

assim, a tradução integral das cinco lições de psicanálise veio a sair apenas em 1931, pela cia. editora nacional, em sua coleção "biblioteca pedagogica brasileira". feita diretamente do alemão, a tradução foi realizada a quatro mãos: por josé barbosa corrêa e durval marcondes, este tido como o pioneiro da psicanálise no brasil. para mais efemérides freudianas entre nós, vide aqui.



baudelaire, 1872 (excerto), 1937 (íntegra)

o caso de baudelaire é interessante.

desde 1872, quando sai no brasil seu primeiro poema em livro - este também uma paráfrase, feita por carlos ferreira "sob inspiração de baudelaire" -, temos esporádicas publicações de poemas dispersos em coletâneas várias. essa situação perdura até 1937, 65 anos durante os quais se publicam, ao todo, meros dezesseis poemas avulsos, por diversos tradutores.

em 1937, finalmente surge a primeira publicação integral, em volume autônomo, pela athena editora: pequenos poemas em prosa, em tradução de um enigmático "paulo m. de oliveira". tratava-se de um pseudônimo utilizado por aristides lobo durante os períodos em que esteve preso durante a ditadura varguista e realizou diversas traduções. sobre baudelaire no brasil, vide aqui; sobre "paulo m. de oliveira", vide aqui.



10 de jun de 2017

moacir werneck de castro tradutor

  • o segredo do major thompson, de pierre daninos, difel, 1957
  • o jogador, de dostoiévski, civilização brasileira, 1976
  • notas do subterrâneo, dostoiévski, civilização brasileira, 1986
  • o eterno marido, dostoiévski, civilização brasileira, 1976
  • os campos de honra, de jean rouaud, círculo do livro, s/d (record, 1990)
  • o destino de um homem, somerset maugham, globo, 1956
  • a hora antes do amanhecer, somerset maugham, globo, 1943
  • o diabo no corpo, raymond radiguet, difel, 1958
  • eugénie grandet, honoré de balzac, difel, 1961*
  • a secreta mentira, sherwood anderson (com james amado), globo, 1950 (reed. pela cultrix em 1967 como a verdade de cada um e pela l&pm em 1987 como winesburg, ohio)
  • convergências – ensaios sobre arte e literatura, octavio paz, rocco, 1991
  • os três mosqueteiros, alexandre dumas, difel, 1960 
  • o general em seu labirinto, gabriel garcía márquez
  • do amor e outros demônios, gabriel garcía márquez
  • geração perdida, aldous huxley
  • major bárbara e outros textos, bernard shaw
  • homem e super-homem, bernard shaw, melhoramentos, 1951
  • aventuras de uma negrinha que procurava deus, bernard shaw
  • vida e época de nero, carlo maria franzero (com geir campos), nacional, 1958
  • o mal negro, nina berberova
  • o monge negro, anton tchecov, rocco
  • medo de espelhos, tariq ali, record, 2000
  • misti, guy de maupassant
  • monte oriol, guy de maupassant
  • as aventuras do barão de münchhausen, g. a. bürger, philobiblion, 1978; villa rica, 1990
  • teresa raquin, émile zola, pongetti, 1942
  • o crepúsculo do capitalismo, michael harrington
  • petróleo: a terceira guerra mundial, pierre péan
  • antimemórias, andré malraux, difel, 1968
  • "o despertar", isaac bábel, in os russos: antigos e modernos, leitura, 1944
  • stavisky: roteiro para o filme de alain resnais, jorge semprún, paz e terra, 1974
  • aquela rua em paris, elliot paul, globo, 1945
  • "os bandidos", ernest hemingway, in os norte-americanos: antigos e modernos, leitura, 1945
  • vida e morte de trelawny, margaret neilson armstrong, globo, 1943
  • os cinco filhos de addo, charles bonner, josé olympio, 1944
  • a casa dos mortos, edith wharton, globo, 1947
  • "profissão: latin americanist. richard morse e a historiografia norte-americana da américa latina", tenório trillo, in estudos históricos, fgv, v.2, n.3, 1989

* a tradução de moacir werneck de castro para eugênia grandet foi indevidamente apropriada pela editora martin claret, que a atribuiu a um fictício "alex marins". veja aqui


22 de mai de 2017

baudelaire no brasil - novas datações


Segundo pesquisadores da fortuna bibliográfica e da recepção literária de Baudelaire no Brasil, como Tavares Bastos, Ivan Junqueira, Glória Carneiro Pires e Ricardo Meirelles, as primeiras traduções de Baudelaire no Brasil teriam sido “Moesta et errabunda”, por Carlos Ferreira, e “O veneno”, por Luiz Delfino, ambas feitas em 1871.

As duas se mantiveram inéditas por um bom tempo, vindo a ser publicadas muitos anos depois: “Moesta” em 1881 (em livro) e “O veneno” somente em 1934 (em jornal) e 1941 (em livro). Como não foram publicadas na época de sua feitura, estes e outros estudiosos têm considerado que a primeira tradução vinda a público, em qualquer veículo impresso (livro, jornal ou revista), teria ocorrido apenas a partir de 1872, com a publicação de “Modulações” pelo mesmo Carlos Ferreira acima citado, em seu livro Alcyones.

Todavia, é possível constatar documentalmente que já em 1º. de setembro de 1871, à p. 3 do jornal paulistano Imprensa Acadêmica, Carlos Ferreira trouxe “Modulações” a público. Veja-se aqui.

E pode-se também constatar que nove dias depois, em 10 de setembro do mesmo ano, João Ribeiro de Campos Carvalho publicava no Correio Paulistano sua tradução de sete poemas em prosa: “O estrangeiro”, “Embriagai-vos”, “Um hemisfério nos cabelos”, “Fora do mundo”, “Vênus e o louco”, “Desejo de pintar” e “Epílogo”. Veja-se aqui.


Para a trajetória da baudelairiana brasileira, especificamente em livro, veja-se meu Baudelaire no Brasil, aqui.

19 de mai de 2017

ecos de portugal no brasil I

dei início a uma série de pequenas crônicas para a revista InComunidade, chamada "ecos de portugal no brasil", sobre vários casos de apropriações e plágios de traduções portuguesas entre nós.

a primeira delas está disponível aqui.

11 de mai de 2017

flores roubadas do jardim alheio


Ivo Barroso



Flores roubadas do jardim alheio


“As Flores do Mal” – Charles Baudelaire – texto integral – Tr. Pietro Nassetti - Editora Martin Claret (São Paulo, 2001) – 192 págs. R$19,00
Já tivemos aqui a oportunidade de mostrar como algumas obras literárias estão sendo criminosamente “apropriadas” por editores inescrupulosos e reeditadas sob o nome de falsos tradutores. No caso anterior, vimos como a tradução genial do “Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand, devida ao falecido professor pernambucano Carlos Porto Carreiro, foi simplesmente “clonada” e atribuída a um desconhecido Sr. Fábio M. Alberti, que já devia ficar contente se seu nome aparecesse como autor das notas de pé de página que figuram na edição. Nelas há esclarecimentos sobre personagens e fatos um tanto ou quanto incomuns, pelo menos para a classe de leitores desses livros ditos “populares”, vendidos em bancas de jornal. Apressamo-nos em esclarecer que nada temos conta esse tipo de venda e achamos mesmo que se trata de um serviço prestado ao leitor médio, que pode assim adquirir livros de grandes autores a preços inegavelmente convidativos. O que não nos parece ético é o escamoteio e a usurpação do nome dos tradutores originais desses livros, seja pela prática da sua atribuição a outrem, seja pelo artifício vergonhoso do plágio disfarçado.
Nessa última categoria podemos incluir, consistentemente, a edição de “As Flores do Mal”, o clássico livro de poemas de Charles Baudelaire, lançada “no verão de 2001” pela Martin Claret, de S. Paulo, em tradução ali atribuída a Pietro Nassetti, que, não se tratando de um pseudônimo de Jamil Almansur Haddad, responde certamente pelo nome de seu plagiário indecoroso, tal a maneira inequívoca com que se apropria da obra alheia.
É sabido que temos no Brasil pelo menos duas edições integrais de “As Flores do Mal”. A mais conhecida e, a nosso ver, a mais bem realizada, a de Ivan Junqueira, foi editada pela Nova Fronteira, sendo de 1985 a última reimpressão, com o texto original de face à tradução. Foi essa a escolhida para figurar no volume “Charles Baudelaire – Poesia e Prosa”, que organizamos para a Editora Nova Aguilar e que foi editado em 1995, em papel bíblia, reunindo em português praticamente toda a obra do Poeta. A outra, mais antiga, de 1958, editada pela Difusão Européia do Livro na coleção Clássicos Garnier, é de Jamil Almansur Haddad, poeta paulista, autor de “A lua do remorso” (1951), que além de Baudelaire traduziu também “As Líricas”, de Safo, “O Cântico dos cânticos”, de Salomão, o “Rubaiyat”, de Omar Khayyam, o “Cancioneiro” de Petrarca, o “Decamerão” de Boccaccio e as “Odes” de Anacreonte. O leitor, ainda que não versado no assunto, pode bem imaginar o que representa de tempo e esforço a tarefa de traduzir poesia, principalmente no caso de um autor como Haddad que respeita a métrica e a rima existentes no original. Mas hoje parece estar se generalizando a prática certamente recriminável de se tomar um texto preexistente e maquiá-lo, mudando aqui uma palavra mais difícil, ali uma construção mais arrevesada, e, passando por cima dos ditames métricos e rímicos, apresentá-lo ao leitor numa “nova” edição popular, supostamente feita por outro tradutor.
No presente caso a contrafação é tão explícita que chega a ser vergonhosa. Tomemos por exemplo o poema “Hino à Beleza”, dos mais característicos do estilo baudelairiano, com seus termos específicos e construções originais. As três primeiras quadras são iguais, ipsis litteris, coincidência que seria impossível de obter-se mesmo no caso de uma prova de tradução à qual se habilitassem centenas de candidatos. “Infernal et divin” é traduzido por ambos como “celestial e daninho”; “le couchant et l´aurore” por “matutina e noturna” e o verso “Qui font le héros lâche et l´enfant courageux” é impressionantemente resolvido da mesma forma: “Se à criança dão valor, tornam o herói covarde”. E naquele que encerra o terceiro quarteto: “Et tu gouvernes tout et ne réponds de rien” – o copiador chegou a incidir no mesmo erro de interpretação do seu modelo, traduzindo “réponds” por “respondes”, quando a construção francesa “réponds de rien” equivale a “submeter-se a nada”. “Bénissons ce flambeau!” é “Bendito lampadário” em ambos e “tombeau” (túmulo) é transformado também por ambos em “sudário”. Há momentos, no entanto, em que o copiador servil resolve “melhorar” (como talvez pense) o texto saqueado. Em geral isso ocorre diante de palavras que ele julga “difíceis” ou pouco atuais. Assim, onde Jamil escreveu “O amoroso anelante a pender sobre a bela”, o tradutor-xerox reescreve: “O namorado ofegante a pender sobre a bela”, não se importando com isso de sacrificar a métrica do verso. Neste mesmo poema há inúmeros exemplos dessa espécie: “Pisando mortos vais, com ar de desacato” (Jamil) e “Caminhas sobre os mortos, com ar de desacato” ( pseudo tradutor). O “papel carbono” parece ter achado que o “vão” (adjetivo) de “Sobre teu ventre vão dança amorosamente” poderia ser entendido pelos seus leitores como verbo e “conserta” para “Sobre teu ventre orgulhoso dança amorosamente”, conseguindo o fenômeno de um alexandrino de 14 versos. Outro: “Beleza! monstro ingênuo e de feição adunca!” lhe soa muito precioso e ele emenda para: “Beleza! monstro ingênuo, assustador e horrendo!” Mas pasmem que temos no início da quinta quadra o que se poderia chamar de dupla coincidência: No verso “Uma efêmera vai ao teu encontro, ó vela”, tanto na tradução de Jamil quanto na de seu “vampiro” Pietro Nassetti há uma nota de pé de página dizendo exatamente o mesmo: “Efêmera: substantivo comum, espécie de inseto”, que, se não fosse cópia servil seria um caso de duplicidade até na indigência definidora. Estender a amostragem seria recair ad infinitum na certeza que desde já se patenteia de que os poemas apresentados nesta edição de “As Flores do mal” foram subtraídos do berço alheio e criados por pais adotivos em proveito próprio.
Essa prática inescrupulosa da apropriação de traduções alheias – pela cópia deslavada ou enganosa maquiagem – parece estar se ampliando junto a editores de livros em série ou coleções ditas populares. Há muitos títulos de obras clássicas que circulam por aí que, se examinados com cuidado, revelariam – como um triste palimpsesto – o nome apagado e explorado do tradutor original. 

in http://www.jornaldepoesia.jor.br/ibarroso3.html 

22 de abr de 2017

fabuloso


ivo barroso expondo sem firulas nem pedantismos sua admirável tradução de os gatos, de eliot:
"De como traduzi 'Os Gatos', de Eliot", disponível aqui.




19 de abr de 2017

um triste rubaiyat


OS RUBAIYAT DE MANUEL BANDEIRA E DE TORRIERI GUIMARÃES

Denise Bottmann

Um componente da história da tradução – sobretudo literária – no Brasil que nunca cessa de nos surpreender é o plágio de tradução. Os casos pipocam pelo menos desde os alvores do século XX (o primeiro caso documentado de que tenho notícia recua a 1903) e, embora tenham se reduzido muito na última década, volta e meia descobrem-se casos até então desconhecidos ou surgem novas ocorrências.

Em termos muito gerais, o plágio de tradução no Brasil consiste em três ou quatro procedimentos bastante simples: para determinada obra que se pretenda publicar, normalmente caída em domínio público, recorre-se a alguma tradução já existente, seja portuguesa, seja brasileira. Em se tratando de tradução brasileira, prefere-se uma antiga, feita por tradutor já falecido, publicada por alguma editora muitas vezes extinta. Toma-se essa tradução, elimina-se o nome do verdadeiro tradutor e se a publica atribuindo sua autoria a outro nome, que pode ser real ou fictício. Pode-se ter a pura e simples reprodução intocada do texto ou sua modificação com pequenas alterações aqui e ali – geralmente nas primeiras páginas ou em início de parágrafos – a fim de tentar disfarçar a cópia. Um exemplo é a célebre tradução de Les Fleurs du mal, de Charles Baudelaire, feita por Jamil Almansur Haddad, publicada em 1958 pela extinta editora Difel, e republicada com algumas toscas adulterações em 2001 pela editora Martin Claret, com o nome real de Pietro Nassetti.[1]

Raros, raríssimos são os plágios de traduções lançadas poucos anos antes e ainda ativas em catálogo. No entanto, existem. E é um caso desses que pretendo abordar. 

Em 1966, a editora carioca Tecnoprint, atual Ediouro, publicou O Rubaiyat de Omar Khayyam com tradução de Manuel Bandeira. No final dos anos 1970, a editora paulista Hemus publicou o volume Rubaiyat, de Omar Khayyam, com tradução atribuída a Torrieri Guimarães.
Aqui cabe uma brevíssima explicação. Os ruba’i (quadras ou quartetos) do matemático, astrônomo e poeta persa Omar Khayyam, do século XI, passaram a ser conhecidos no Ocidente a partir do século XIX, principalmente com a tradução de Edward Fitzgerald para o inglês, em versos, em 1859, com 75 ruba’i (posteriormente aumentados para 100). Outra tradução que se tornou muito conhecida foi a de Franz Toussaint, em francês e em prosa, de 1924, com 170 ruba’i.  São essas duas traduções, a de Fitzgerald e a de Toussaint, que costumam servir de referência para as inúmeras traduções indiretas dos poemas de Khayyam em diversas línguas.

No Brasil, a primeira tradução do Rubaiyat é a de Octavio Tarquinio de Souza, feita a partir do texto de Toussaint, publicada em 1928 e que ainda se encontra em circulação, com inúmeras reedições.
Como a tradução de Toussaint está vazada em prosa, tomá-la como texto de interposição significa normalmente que a tradução indireta também será em prosa. E aí temos a primeira peculiaridade da tradução de Manuel Bandeira, o qual, assim como Tarquínio, partiu de Toussaint, porém convertendo sua prosa em quadras. Nisso poderíamos ver, talvez, uma tentativa de se reaproximar, ao menos em parte, da forma poética original. Mas deixemos a exegese para outra hora. O que importa notar é que Torrieri Guimarães – o qual afirma que “A tradução que fizemos está rigorosamente baseada [grifo meu] na tradução de Toussaint” – também converte sua prosa em quadras.

Ademais, a tradução de Bandeira apresenta outra peculiaridade. Adotando a forma poética da quadra para a prosa corrida de Toussaint, ele não se limita a uma quadra. Aqui cabe notar que o ruba’i na tradição persa é uma forma poética rigorosa, um breve poema composto por quatro versos apenas [daí seu nome, como já dissemos], com várias classificações internas quanto ao tipo de metrificação e com o predomínio da rima no primeiro, segundo e quarto versos, o terceiro sendo branco, tal como a usa Khayyam. Bandeira adota a quadra – salvo em três ruba’i montados em quintilha –, mas não se restringe a uma estrofe, e recorre a metros variados. Seus ruba’i, se ainda assim pudermos nos referir a poemas com número variável de estrofes, metrificação diversificada e versos brancos, apresentam de um a quatro quartetos, além das três quintilhas citadas (137, 142 e 143).

Torrieri Guimarães, salvo algumas exceções que não chegam a dez por cento dos 170 ruba’i em questão, mantém exatamente o mesmo número de estrofes usadas por Bandeira para cada poema.[2]
Vejamos um exemplo, o ruba’i 102:

Manuel Bandeira:

Quando eu deixar de existir,
Não existirão mais rosas,
Ciprestes, lábios vermelhos,
Canções, vinho perfumado...

Não haverá mais auroras,
Não haverá mais crepúsculos,
Não haverá mais amores,
Nem penas, nem alegrias.

O mundo será abolido,
Pois do nosso pensamento
É que a sua realidade
Depende exclusivamente.


Torrieri Guimarães:

Quando eu não mais existir
Não existirão mais rosas,
Ciprestes, bocas vermelhas,
Nem vinho tão perfumado...

Não existirão auroras,
Nem crepúsculos também,
Não existirão amores,
Nem alegrias, nem dores.

O mundo estará abolido,
Pois de nosso pensamento
É que sua realidade
Depende, dele somente.

Agora, vejamos Toussaint:

Quand je ne serai plus, il n'y aura plus de roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin parfumé. Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines. L'univers n'existera plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée.
                  
Isso do ponto de vista do número de estrofes. Passemos ao teor. Se em “Quand je ne serai plus, il n'y aura plus de roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin parfumé” podemos ver que Bandeira, para manter o metro em heptassílabos, acrescentou “canções”, do que se absteve Torrieri, por outro lado “Não existirão auroras,/ Nem crepúsculos também,/ Não existirão amores,/ Nem alegrias, nem dores” está visivelmente mais próximo de “Não haverá mais auroras,/ Não haverá mais crepúsculos,/ Não haverá mais amores,/ Nem penas, nem alegrias” do que de “Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines”. O mesmo se pode dizer quanto à proximidade maior de “O mundo estará abolido,/ Pois de nosso pensamento/ É que sua realidade/ Depende, dele somente” com “O mundo será abolido,/ Pois do nosso pensamento/ É que a sua realidade/ Depende exclusivamente” do que com “L'univers n'existera plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée”.

Outro exemplo ilustrando essa proximidade é o acréscimo do terceiro verso em Bandeira, retomado com ligeira alteração em Torrieri, no ruba’i 113:

Bandeira

Pedi numa taverna a um velho sábio
Que sobre os mortos algo me ensinasse.
“O que há de certo é que não voltarão”,
Disse. “É tudo o que sei. Bebe o teu vinho!”


Torrieri

Pedi numa taverna a um idoso sábio
Que algo sobre os defuntos me ensinasse.
“O certo é que não mais retornarão”,
Disse. “É tudo o que sei. Bebe teu vinho!”


Eis Toussaint:

Dans une taverne, je demandais à un vieux sage de me renseigner sur ceux qui sont partis. Il m'a répondu: “Ils ne reviendront pas. C'est tout ce que je sais. Bois du vin!”

Vejamos agora o ruba’i 61, como exemplo de omissão de termos ou frases em relação ao texto de Toussaint:

Bandeira

Só conhecemos da ventura o nome.
Nosso mais velho amigo é o vinho novo
Afaga o único bem que não engana:
A urna cheia do sangue dos vinhedos.


Torrieri

Sabemos da Ventura só o nome.
Nosso amigo mais velho é o vinho novo.
Acaricia o bem que não engana:
A urna cheia com sangue das vinhas.


Toussaint

Du bonheur, nous ne connaissons que le nom. Notre plus vieil ami est le vin nouveau. Du regard et de la main, caresse notre seul bien qui ne soit pas décevant: l'urne pleine du sang de la vigne.

Ou, ainda, o ruba’i 114:

Bandeira

Olha! Escuta! Na brisa uma rosa estremece.
Um rouxinol canta-lhe um hino apaixonado.
Uma nuvem parou. Bebe, e esquece que a brisa
Desfolha a rosa, leva o canto e a fresca nuvem.

Torrieri

Olha! Escuta! Uma rosa estremece na brisa.
Um rouxinol lhe canta um hino apaixonado.
Uma nuvem parou. Bebe, esquece que a brisa
A rosa despetala e leva o canto e a nuvem.

Toussaint

Regarde! Écoute! Une rose tremble dans la brise. Un rossignol lui chante un hymne passionné. Un nuage s'est arrêté. Buvons du vin! Oublions que cette brise effeuillera la rose, emportera le chant du rossignol et ce nuage qui nous donne une ombre si précieuse.

Note-se que “Du regard et de la main” está ausente em ambos os casos do ruba’i 61 e a oração inteira “qui nous donne une ombre si précieuse” desaparece do ruba’i 114.

Por tais exemplos, fica evidente que Torrieri se baseou em Bandeira, não em Toussaint, tanto na variada forma poética adotada na tradução quanto no conteúdo vocabular dos poemas, com idênticos acréscimos ou omissões em relação a Toussaint.

Poderíamos nos estender longamente sobre dezenas e mais dezenas de outros exemplos, mas creio que os apresentados bastam para mostrar que o procedimento adotado por Torrieri Guimarães em sua pretensa tradução consistiu basicamente em adotar as soluções de Manuel Bandeira, procedendo a modificações de superfície, seguindo um padrão simples e constante, com inversão de palavras e ocasional substituição de termos por sinônimos (“mortos” por “defuntos”, “desfolha” por “despetala”, “exclusivamente” por “somente”, “afaga” por “acaricia” e assim por diante). Sua fidelidade chega ao ponto de apresentar o ruba’i 165 com o 2º. e o 4º. versos recuados, tal como em Bandeira.[3]

Se cópias maquiadas não são fatos inéditos na história da tradução no Brasil, o caso do Rubaiyat vem caracterizado por uma invulgar singeleza: Bandeira lançara sua tradução em 1966, morrera em 1968, seu Rubayat continuava em viçosa circulação; mal passada uma década, os leitores foram brindados com uma versão toscamente copidescada dos ruba’i da lavra tradutória bandeiriana. Se algum consolo há, é o de que a tradução espúria nunca alcançou grande repercussão e não deixou muita memória. Fique, porém, registrada a ocorrência.


  
AGRADECIMENTOS

Devo a descoberta dessa fraude a Willamy Fernandes, a quem agradeço vivamente a gentileza em tê-la compartilhado comigo.                                                                                  



ANEXO

Segue-se a listagem dos únicos catorze ruba’i, dentre o total de 170, que apresentam discrepância na quantidade de estrofes usadas por Manuel Bandeira (MB) e por Torrieri Guimarães (TG). Na coluna da esquerda, encontra-se o número do poema; na coluna central, o número de quadras usado por Bandeira; na coluna da direita, o número de quadras usado por Torrieri.

Ruba’i             MB                  TG

10                    1                      2
28                    4                      3
32                    2                      1
53                    1                      2
59                    1                      2
66                    1                      2
73                    1                      2
76                    1                      2
90                    2                      1
93                    2                      1
115                  1                      2
146                  2                      1
147                  2                      1
148                  2                      1





[1] Veja-se o artigo Flores roubadas do jardim alheio, do poeta e tradutor Ivo Barroso, disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/ibarroso3.html. 
[2] Vide o Anexo.
[3] Uma ressalva: alguns dos ruba’i com tradução em nome de Torrieri Guimarães afastam-se claramente da versão de Manuel Bandeira e mesmo da de Franz Toussaint, por exemplo o de número 93. Como são poucas ocorrências esparsas, não chegam a afetar o fato principal exposto neste artigo: sua dita tradução, ao contrário do que afirma ele, não vem “rigorosamente baseada” na de Toussaint, e sim na de Bandeira. 


Este artigo foi publicado em InComunidade, ano 4, n. 55, abril de 2017, aqui.

garfada do rubaiyat de manuel bandeira



a partir de uma preciosa indicação de willamy fernandes, em seus valiosos comentários aqui, escrevi um breve artigo,
"os rubaiyat de manuel bandeira e de torrieri guimarães", que foi publicado agora em abril pela revista cultural digital InComunidade, em seu número 55. o artigo está disponível aqui.


5 de abr de 2017

traduções de primavera das neves/ vera pedroso


segue-se a lista de traduções feitas ela (também assinando como vera neves pedroso e vera pedroso]:

1. Andersen, Hans Christian. Contos de Andersen. Coleção Histórias. Bruguera, 1966
2. Anderson, Poul. O sol invisível. Coleção Ficção Científica, 2. Bruguera, 1968
3. Anglade, Christiane, et. al. Por quê? Tempo de Saber, Série A, 1. Liceu, 1973
4. Bach, Richard. O dom de voar. Record, c.1976
5. ______. O paraíso é uma questão pessoal. Record. Reed. Círculo do Livro
6. Barnard, Christian. Coração – Mito e realidade. Expressão e Cultura, 1974
7. Battaglia, William, e Tarrant, John, J. O executivo, esse eunuco. Expressão e Cultura, 1975
8. Benet, Laura. Poetas Americanos Famosos. Lidador, 1965
9. Bethell, Leslie. A abolição do tráfico de escravos no. Brasil. Expressão e Cultura/EDUSP, 1976
10. Bocuse, Paul. A cozinha de Paul Bocuse. Trad. com Luzia Machado da Costa. Record, 1976
11. Brontë, Emily. O morro dos ventos uivantes. Coleção Livro Amigo, 44. Bruguera, 1971. Reed. Art, Círculo do Livro
12. Buck, Pearl S. A grande travessia. Record. Reed. Record-Altaya, BestBolso
13. Caldwell, Taylor. A luz e as trevas. Record. Reed. Nova Cultural
14. ______. O fantasma de Clara. Record. Reed. Clube do Livro
15. Carlander, Ingrid. As americanas. Civilização Brasileira, 1975
16. Carroll, Lewis. Alice no país das maravilhas. Bruguera, 1966. (como Primavera das Neves)
17. ______. Alice no país do espelho. Bruguera, c.1966 (como Primavera das Neves)
18. Casares, Adolfo Bioy. A máquina fantástica. Prefácio de Jorge Luis Borges. Expressão e Cultura, 1974. Reed. Círculo do Livro (Reed. Rocco como A invenção de Morel)
19. ______. Dário da Guerra do Porco. Expressão e Cultura, 1972
20. Churchill, R. S.; Churchill, W. S. Seis dias de uma guerra milenar. Expressão e Cultura/Bibliex, 1968
21. Clarke, Arthur C. O fim da infância. Nova Fronteira, 1979. Reed. Círculo do Livro
22. D’Isard, Marcel. Napoleão. Coleção Histórias. Bruguera
10.
23. Dooley, Elliot. A conquista do espaço – História da aviação. Coleção Histórias, 12. Bruguera
24. Durrell, Lawrence. Tunc. Expressão e Cultura, 1968
25. Farinacci, Enrico. Júlio César. Coleção Histórias. Bruguera
26. Flaubert, Gustave. Madame Bovary. Coleção Livro Amigo, 27. Bruguera, 1969. Reed. Íbis (Portugal)
27. Fox, Emmet. O Sermão da Montanha e o Pai-Nosso. Record. Reed. BestSeller
28. Friedman, Myra. Enterrada Viva — A Biografia de Janis Joplin. Civilização Brasileira, 1975
29. Fromme, Allan. Guia do neurótico normal. Nova Fronteira, 1980
30. Gallico, Paul. Tragédia no mar. Expressão e Cultura, 1972
31. Gifford, Thomas. O vento frio do passado. Record, 1976
32. Gombrovicz, Witold. “Philimor, alma de criança” in Os 100 contos de humor da literatura universal, org. Flávio Moreira da Costa. Ediouro, 1990 (como Vera
Pedroso)
33. Guest, Judith. Gente como a gente. Record, s/d. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
34. Guido, Beatriz. Antes do incêndio. Expressão e Cultura, 1970
35. Guimard, Paul. As coisas da vida. Expressão e Cultura, 1968
36. Hartley, Norman. O processo viking. Record, 1977
37. Heller, Joseph. Gold vale ouro. Nova Fronteira, 1979. Reed. Círculo do Livro
38. Hodgson, Robert P. A conquista dos polos. Coleção Histórias. Bruguera, c.1966
39. Johnson, Thomas H. Mistério e solidão, a vida e a obra de Emily Dickinson. Lidador, 1965 (como Vera das Neves Pedroso)
40. Khomeini, Aiatolá. O Livro Verde dos Princípios Políticos, Filosóficos, Sociais e Religiosos. A partir da tradução do persa para o francês de Jean-Marie Xavière. Record, c.1979
41. Le Carré, John. A vingança de Smiley. Record, c.1979. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
42. ______. Sempre um colegial. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro, Riográfica
43. McDonald, Gregory. Fletch. Record, 1977
44. Michener, James A. Sayonara. Record. Reed. Nova Cultural
45. Nabokov, Vladimir. Transparências. Cedibra, 1973
46. ______. Somos todos Arlequins. Record, c.1977
47. Natoli, Luigi. Os beatos. Record, 1976 (com Remy Gorga Filho)
48. O’Hara, John. Os Lockwood (Tragédia de uma família americana). Expressão e Cultura, 1973
49. Ohsawa, George. Macrobiótica Zen: Arte da longevidade e do rejuvenescimento. Germinal, 1965 (3ª. ed.) (como Primavera Ácrata das Neves; orelha por Roberto das Neves)
50. Pearson, James. Os gêmeos. Expressão e Cultura, 1974
51. Prebisch, Raul. Dinâmica do desenvolvimento latino-americano. Brasil Fundo de Cultura, 1964
52. Rampa, Mama San Ra’ab. Gatos e homens. Record, 1978
53. Rampa, T. Lobsang (pseud. de Cyril Henry Hoskin). Três vidas. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro, Centro do Livro Brasileiro (Portugal)
54. Rey, Henri-François. Neuroforia. Expressão e Cultura, 1968. Reed. Bertrand de Portugal (como O Rachdingue)
55. Rossner, Judith. De bar em bar. Record. Reed. Círculo do Livro, Abril Cultural
56. Serling, Robert J. Café, chá ou crime? Record, 1975
57. Shaw, Irvin. Plantão da noite. Record. Reed. Círculo do Livro, Nova Cultural
58. Simenon, Georges. As férias de Maigret. Nova Fronteira. Reed. L&PM
59. ______. As testemunhas rebeldes. Nova Fronteira. Reed. Círculo do Livro, L&PM
60. Spielberg, Steven. Contatos imediatos do terceiro grau. Record, 1978
61. Stallone, Sylvester. Cozinha do inferno. Record, 1978. Reed. Círculo do Livro
62. Stevenson, Robert L. A ilha do tesouro. Coleção Histórias, 8. Bruguera, 1966 (como Primavera das Neves)
63. Styron, William. A escolha de Sofia. Record, 1979. Reed. Círculo do Livro, Geração Editorial
64. Styron, William. As confissões de Nat Turner. Expressão e Cultura, 1968. Reed. Bertrand de Portugal, Rocco
65. Uris, Leon. Exodus. Coleção Livro Amigo, 52, Clássicos do Mundo Todo, 49. Bruguera, c.1972. Reed. Círculo do Livro, Abril, Record, BestBolso
66. Van Slyke, Helen. Entre o amor e a razão. Record, c.1979. Reed. Círculo do Livro
67. ______. Os ricos e os justos. Record, s/d
68. Verne, Júlio. Viagem ao centro da terra. Coleção Histórias. Bruguera, 1963 (como Primavera das Neves). Reed. Abril Cultural
69. Volkoff, Vladimir. A conversão. Nova Fronteira, 1980
70. VV.AA. O gato com botas. Coleção Heidi. Bruguera, c.1966
71. Wallace, Edgar. O homem de Marrocos. Francisco Alves, 1979
72. Watson, Lyall. O macaco onívoro. Expressão e Cultura, 1974
73. Wilden, Theodore. Morrer em outro lugar. Nova Fronteira, 1979
74. Willis, Ted. Olhos sinistros. Record, 1978

acrescentem-se Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, pela Bruguera, 1968; O quebra-cabeça, de Ed McBain, pela Expressão e Cultura, 1973; Um momento muito longo, de Silvina Bullrich, pela Expressão e Cultura, 1970, e Detetives muito particulares, de Pablo Leonardo Moledo, pela Francisco Alves, 1979.


primavera das neves na tela

jorge furtado, num trabalho investigativo de primeiríssima linha, reúne fios biográficos dispersos e faz um documentário sobre primavera das neves/ vera pedroso.



“Quem é Primavera das Neves"? Assim começa esta história: Jorge Furtado tenta descobrir na internet quem é a tradutora de Alice no País das Maravilhas que tem um nome tão peculiar e poético. Não encontra. Faz a pergunta num blog. Três anos depois, numa noite de insônia, Eulalie Ligneul responde: Primavera Ácrata Saiz das Neves foi sua amiga. Era uma tradutora e poeta portuguesa, que veio para o Brasil aos nove anos quando os pais fugiam da ditadura de Franco e Salazar. Aos 18 anos Primavera volta a Portugal e se apaixona por um jovem tenente português, Manoel Pedroso. E é Manoel quem revela outros detalhes dessa história: a vida dele com Primavera em Portugal, a resistência à ditadura Salazarista, o exílio na embaixada brasileira, a fuga para o Brasil pouco antes do golpe de 64 com uma filha de seis meses no colo. Primavera morreu aos 48 anos, falava seis idiomas, traduziu mais de oitenta livros e deixou uma obra poética até aqui inédita. Uma vida curta, intensa, com um tanto de aventura e muita melancolia

Uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre em Coprodução com Globo Filmes

Roteiro - Jorge Furtado e Pedro Furtado
Direção - Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado
Produção Executiva - Nora Goulart
Direção de Fotografia - Alex Sernambi, AGC
Montagem - Giba Assis Brasil
Som direto - Rafael Rodrigues
Direção de Produção - Bel Merel
Trilha Original - Maurício Nader
Pesquisa: Lilian Ferrari e Joana Bernardes
Desenho de Som: Kiko Ferraz Studios

para curtir a página do documentário no facebook, clique neste link.


1 de abr de 2017

entrevista com ivo barroso

uma excelente conversa de ivo barroso com gilberto cruvinel e emmanuel santiago, disponível aqui.



2 de mar de 2017

entrevista de flávio r. kothe


uma bela entrevista do admirável ensaísta e tradutor flávio r. kothe a jorge henrique bastos, "celan e a barbárie", disponível aqui.


1 de mar de 2017

ivo barroso sobre baudelaire


magistral artigo de ivo barroso:
consoante de apoio - a propósito de um poema de charles baudelaire, aqui.


10 de fev de 2017

entrevista

saiu uma matéria com entrevistas com vários tradutores (eu incluída) no primeiro número da revista deriva, disponível aqui. chama-se "do copo para o quase-copo".




28 de dez de 2016

aliás, falando sobre utopia...

... saiu uma entrevista minha na revista pessoa, disponível aqui.


22 de dez de 2016

a utopia no brasil

já comentei duas fraudes em traduções de [a] utopia de thomas more [ou morus] no brasil.

uma delas saiu pela editora rideel, em nome de heloísa da graça buratti, sendo cópia ligeiramente adulterada da tradução de luís de andrade. veja aqui e aqui. vale notar que, na sequência, a editora retirou a obra de circulação e de seu catálogo.

a outra saiu pela editora martin claret em nome de pietro nassetti, sendo cópia da tradução portuguesa de maria isabel gonçalves tomás. veja-se o artigo de ana cláudia romano ribeiro, as traduções brasileiras de a utopia, de tomás morusaqui 

quanto às traduções legítimas, temos a primeira em 1937, pela athena editora, com tradução de luís de andrade a partir do texto em francês, vertido do neolatim por victor stouvenel, 1842). teve inúmeras reedições ao longo das décadas, em várias editoras. já comentei em outro lugar que não me surpreenderia se "luís de andrade" fosse pseudônimo.



apenas em 1980 teremos nova tradução, agora feita por anah de melo franco [ana guilhermina pereira de melo franco], com apresentação de seu marido afonso arinos de melo franco, lançada pela editora da unb, em sua coleção clássicos ipri. também foi vertida do francês, na tradução de paul grunebaum-ballin a partir do neolatim (1935). a tradução de anah de melo franco foi reeditada pela unb em 2004, acrescida de um prefácio de joão almino. encontra-se disponível para download aqui.

em 1993, a martins fontes publica a tradução de jefferson luiz camargo e marcelo brandão cipolla, na edição cambridge de logan e adams. foi revista e ampliada em sua terceira edição, em 2009.

em 1997, sai pela l&pm a tradução de paulo neves. ainda não localizei a edição utilizada, mas com toda probabilidade a língua de partida foi o francês.

em 2016, a vozes publica a tradução de leandro dorval cardoso, a única, até onde sei, feita a partir do original em neolatim, na edição bilíngue cambridge de logan, adams e miller.

há ainda o caso da editora escala, que em 1995, em sua coleção grandes obras do pensamento universal, v. 9, lança uma tradução atribuída a ciro mioranza - vide o artigo já citado de ana cláudia r. ribeiro, apontando semelhanças com a tradução de luís de andrade.