29 de ago. de 2017

athena, aristides lobo etc.

mais uma daquelas miudezas que me parecem fascinantes e muitas vezes fecundas.

fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, pela editora cultura política.



um dado curioso é que, em 1935, saem vários anúncios da athena editora na imprensa carioca, divulgando novos lançamentos, que se imagina serem da casa. entre eles, porém, constam duas obras publicadas pela cultura política: fontamara, justamente, e marcha sobre roma... e arredores, de emilio lussu. esta segunda obra também traz tradução de aristides lobo, utilizando seu pseudônimo "paulo m. oliveira".


o anúncio da athena chega a especificar que ela é a distribuidora no rio das obras publicadas por duas editoras de são paulo: a cultura brasileira (de galeão coutinho) e a editora brasileira. mas não faz qualquer referência à cultura política.

consultando a página de rosto de marcha sobre roma, vê-se que o endereço da editora cultura política é o mesmo da athena editora: rua general câmara, 141.


o fato de divulgar dois títulos seus entre outros dois publicados pela própria athena reforça a impressão de que eles fariam parte do mesmo catálogo: sorel e kropotkin. e note-se que sorel faz parte de uma coleção chamada "biblioteca política". embora o anúncio especifique os nomes de outras duas coleções - a "bibliotheca classica" e a "bibliotheca




o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos".

nota-se, porém, que o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. por outro lado, a capa de fontamara vem assinada com a inicial "F.". o capista da athena se assinava "Franz". talvez um perito em grafologia pudesse estabelecer se se trata da mesma caligrafia e, portanto, da mesma pessoa.

interessante também notar que, quando a athena - já transferida para são paulo, já sem o "h" no nome - publica fontamara em 1942 sob sua própria égide, na mesma tradução de aristides lobo, a capa adotada também se mostra muito diferente do padrão habitual da casa:



então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.

athena / cultura política: fontamara

aquelas miudezas que acho fascinantes.
fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, sim, o próprio, e a editora era a cultura política (uma vez até dei uma notinha sobre essa edição no "nãogostodeplágio").
aí, ontem, nas pesquisas sobre a athena editora, eis que encontro uma pá de anúncios dela em alguns jornais de 1935, divulgando novos lançamentos aparentemente seus, é claro, e lá estava fontamara! some-se a isso que aristides lobo (aka paulo m. oliveira) era seu distribuidor em são paulo, fiel colaborador da casa por muitos anos, correligionário de petraccone, o dono da athena (e bem mais famoso do que ele), e que a tal editora cultura política é praticamente uma solene desconhecida.
remexi essa internet atrás de mais elementos. descobri, ora, vejam só, que o endereço da editora cultura política - rua general câmara, 141 -, constante na página de rosto, era o da athena!
e encontrei uma tese, excelente, aliás, apontando algo muito semelhante em relação ao livro "marcha sobre roma", de emilio lussu, pela cultura política, com o mesmo endereço da athena. o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos". e curioso notar que "marcha sobre roma" também vinha incluído entre os lançamentos anunciados pela athena - e em tradução do mesmo aristides, já como paulo m. oliveira.
achei muito interessante, todavia, o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
vou escarafunchar mais e ver se descubro mais alguma coisa.
https://www.facebook.com/search/top/?q=marcello%20scarrone
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18 de ago. de 2017

nabokov no brasil


há aqui um levantamento interessante, embora parcial, das obras de vladimir nabokov traduzidas no brasil [e também em portugal], incluindo imagens de capa. agradeço a graziela schneider pelo link.


15 de ago. de 2017

ecos de portugal no brasil, IV

"O pato selvagem e o pato doméstico, outrora pertencentes à ordem dos anseriformes e à família dos anatidae, a partir do começo do século XX sofreram uma curiosa mutação em Portugal e passaram a pertencer à ordem dos passeriformes e à família dos fringillidae."

saiu meu artigo sobre as contrafações de darwin no brasil em InComunidade, disponível aqui.

3 de ago. de 2017

lima barreto traduzido na flip

uma súmula das traduções da obra de lima barreto, aqui.



1 de ago. de 2017

mein kampf no brasil, 2

eliane hatherly paz, da puc-rio, apresenta um interessantíssimo artigo detalhando o histórico da edição de mein kampf, de adolf hitler, lançada pela livraria do globo: "Minha Luta no Brasil: Editora Globo, 1934-1942", disponível aqui.

capa da 1a. edição, 1934


para a trajetória dessa tradução do major ibiapina, a única, aliás, existente até hoje no brasil, veja a postagem "mein kampf no brasil", aqui.