fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, pela editora cultura política.
um dado curioso é que, em 1935, saem vários anúncios da athena editora na imprensa carioca, divulgando novos lançamentos, que se imagina serem da casa. entre eles, porém, constam duas obras publicadas pela cultura política: fontamara, justamente, e marcha sobre roma... e arredores, de emilio lussu. esta segunda obra também traz tradução de aristides lobo, utilizando seu pseudônimo "paulo m. oliveira".
o anúncio da athena chega a especificar que ela é a distribuidora no rio das obras publicadas por duas editoras de são paulo: a cultura brasileira (de galeão coutinho) e a editora brasileira. mas não faz qualquer referência à cultura política.
consultando a página de rosto de marcha sobre roma, vê-se que o endereço da editora cultura política é o mesmo da athena editora: rua general câmara, 141.
o fato de divulgar dois títulos seus entre outros dois publicados pela própria athena reforça a impressão de que eles fariam parte do mesmo catálogo: sorel e kropotkin. e note-se que sorel faz parte de uma coleção chamada "biblioteca política". embora o anúncio especifique os nomes de outras duas coleções - a "bibliotheca classica" e a "bibliotheca
o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos".
nota-se, porém, que o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. por outro lado, a capa de fontamara vem assinada com a inicial "F.". o capista da athena se assinava "Franz". talvez um perito em grafologia pudesse estabelecer se se trata da mesma caligrafia e, portanto, da mesma pessoa.
interessante também notar que, quando a athena - já transferida para são paulo, já sem o "h" no nome - publica fontamara em 1942 sob sua própria égide, na mesma tradução de aristides lobo, a capa adotada também se mostra muito diferente do padrão habitual da casa:
então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.


