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18 de fev. de 2010

pesos e medidas

notícias que me espantam pela hipocrisia e parcialidade:

"AUTORAL
Desde agosto de 2009, até o final de janeiro deste ano, foram encontrados na internet 15.713 links para download pirata de livros, segundo levantamento da ABDR (Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos). Mais de 90% foram retirados do ar após notificação da entidade, que começou a fazer trabalho de busca de links piratas no segundo semestre do ano passado."

"Pirataria Digital
No dia 05.02.2010, o Jornal Folha de São Paulo, caderno Economia (coluna “Mercado Aberto”), noticiou os números da campanha de combate à pirataria digital de livros da ABDR, com o apoio do SNEL, no período de agosto/2009 a janeiro/2010. Mais de 15.700 links para download piratas de livros tirados do ar pela nossa equipe técnica."


a abdr é aquela mesma do dedão sinistro que diz "respeite o direito autoral" e cujo quadro de associados inclui a editora martin claret, a editora rideel, a editora madras, dadas a uns plagiozinhos e contrafações descaradas. qual será o princípio imparcial e objetivo que norteia a abdr? qual é a moral da abdr para se arvorar no que quer que seja?

e como fica o snel, que também abriga entre seus associados as editoras rideel e madras, dando apoio declarado a essa perseguição hipócrita?

a propósito, uma das vítimas desse furor desenfreado foi teotônio simões, do ebooksbrasil.org, sofrendo intimidações arbitrárias da abdr com o apoio do snel, conforme a notícia dada aqui.

7 de out. de 2009

a dança do vira

em 2006, várias entidades estudantis redigiram um manifesto protestando contra a criminalização da cópia de trechos, capítulos e livros de bibliografias indicadas em seus cursos. o manifesto se chamava "copiar livro é direito", o simples direito, garantido pela constituição e pelas convenções internacionais, de acesso a cópias parciais ou integrais de obras para uso privado, nos estudos, sem fins lucrativos.

é incrível que os estudantes tenham de brigar desesperadamente para poder ler materiais de estudo.

é incrível que a abdr processe reitores por causa da presença de máquina xerox na universidade.

é incrível que se passe mais de uma década com esse massacre do ensino já debilitado por tantas carências, e que pelo menos duas gerações de jovens tenham se formado sob os abusos perpetrados pela abdr, com o respaldo da cbl, do snel e da abrelivros, contra toda a sociedade brasileira.

é incrível que tais atentados contra o ensino e a educação de milhões de jovens, sacrificando o futuro do país, tenham sido motivados por interesses econômicos de uma parcela do setor editorial privado.

e realmente incrível, a ver a profecia da abdr de que "assim ninguém mais vai querer publicar livros e os alunos vão ter que se virar", é que políticas deste naipe exerçam tamanha influência nos destinos do livro e do ensino em nosso pobre país.

imagem: a dança do vira

5 de ago. de 2009

alvoroço

desde julho está um fuzuê nas entidades do livro (cbl, snel, abrelivros, anl etc.). em 2004 o governo federal eliminou a carga tributária sobre o livro e as principais entidades do setor, animadíssimas, assinaram um compromisso que contribuiriam com 1% de suas receitas para um fundo de incentivo à leitura.

enrola pra cá, enrola pra lá, o tal fundo pró-leitura acabou nunca se formando. teve umas iniciativas no setor, umas minutas do governo, mas sempre aquela coisa meio em banho-maria. agora o governo começou a preparar uma papelada para o congresso, para ver se a coisa anda. aí as entidades ficaram algumas meio aflitas, outras meio histéricas.

a. p. quartim de moraes, em fala, tiago!, foi direto: "Resumindo: há quase cinco anos as entidades do livro prometeram e até agora não cumpriram a devida contrapartida à desoneração fiscal. Durante todo esse tempo se beneficiaram de recursos que pertencem a todos nós, a brava gente brasileira. E continuam negaceando. Alguma coisa que ver com ética?"

o snel, na figura da presidenta sônia jardim, chia e avisa que, se depender dele, o acordo vai por água abaixo: "Essa é a posição firme do Sindicato Nacional dos Editores de Livros. Posição que defenderemos com vigor no Congresso, na imprensa e nos demais fóruns da opinião pública. Aqueles que pensam impor uma medida gravosa, inoportuna e imprópria ao setor do livro não devem ter dúvidas a esse respeito."

galeno amorim, do observatório do livro e da leitura, informa: "A maioria das entidades já se mostra favorável a manter o combinado. Já o Snel promete briga - diz, textualmente, tratar-se de uma nova taxa e que brigará contra ela."

para quem quiser um bom histórico da coisa, vale a pena ler o artigo de felipe lindoso.

imagem: www.delymyth.net

4 de mar. de 2009

rocco/claret 3, o escárnio e o silêncio

quanto às vítimas de mais essa trapaça da martin claret, garfando a desobediência civil traduzida por josé augusto drummond e publicada pela editora rocco, eis alguns exemplos:

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7892&p=2
www.direitonet.com.br/artigos/exibir/2465/Desobediencia-civil-um-meio-de-se-exercer-a-cidadania
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_EDITORA(1869)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://www2.fic.br/sysbibli_cgi/sysbweb.exe/busca_html?alias=sysbibli&editor=%22MARTIN%20CLARET%22
www.pucrs.br/direito/graduacao/tc/tccII/trabalhos2007_2/Roberta_Werlang.pdf
http://sare.unianhanguera.edu.br/index.php/rdire/article/viewPDFInterstitial/44/42
www.leonildocorrea.adv.br/curso/ivo4.htm
www.farn.br/navegacao/plano/20082/direito_not/5ano/etica_deontologia.pdf
www.uniandrade.br/cep/bibliografia.asp
www.univem.edu.br/mestrado_dir/detalhe.asp?reg=88&lng=1
www.historia.uff.br/culturaspoliticas/files/File/daniel2005_1.doc
www.abennacional.org.br/57CBEn/artigos/A_nomia.html
http://www2.fic.br/sysbibli_cgi/sysbweb.exe/busca_html?alias...%20%22MARTIN%20CLARET%...
www.inicepg.univap.br/docs/Arquivos/arquivosINIC/INIC1516_02_A.pdf
www.unicruz.edu.br/site/cursos/danca/biblioteca/FILOSOFIA.doc
http://revistaescola.abril.com.br/online/redatores/marcelo/20070820_posts.shtml
www.alumac.com.br/biblioteca.htm
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4257&p=2
www.sad-licitacao.mt.gov.br/Aplicativos/Sad-Licitacao/LCLcentral.nsf/.../$FILE/ANEXO%20I.doc
www.tribunaanimal.com/docs/Monografia_de_Barbara_Ferrari.doc
www.religiosidadepopular.uaivip.com.br/BibliografiaRP.htm
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/15149/1/DISSERTAÇÃO%20COMPLETA.pdf
http://gestcorp.incubadora.fapesp.br/portal/monografias/pdf/24.pdf/
www.ufmt.br/fd/Download/Projeto_Curso_Direito.pdf
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/2996/1/A%20Distopia%20do%20Indivíduo%20Sob%20Contr...

uma retificação: em meu exemplar da desobediência civil pela claret consta "copyright desta tradução: editora martin claret, 2005" e na fbn/isbn não consta o ano de publicação. daí eu ter afirmado que a fraude da claret era de 2005. mas constato em alguns links dos vitimados acima que ela começou a ser publicada em 2001.

ou seja, o acinte claretiano ao mundo institucional do livro, na figura do ex-presidente do snel, sr. paulo rocco, vem desde seu primeiro mandato (1999-2001) e atravessa seus dois mandatos subsequentes (2002-2005; 2005-2008): oito anos de escárnio de um lado e silêncio do outro. complicado.

3 de mar. de 2009

rocco/claret 1

em 1986 a rocco lançou uma coletânea de textos de henry david thoreau, com organização, seleção, introdução, tradução e notas de josé augusto drummond, além de um prefácio de fernando gabeira. essa coletânea também saiu pelo círculo do livro, teve diversas edições, ainda está no catálogo da rocco, mas anda meio esgotada. chama-se desobedecendo, e traz como subtítulo a desobediência civil & outros escritos. a coletânea é composta por cinco ensaios, a saber: a desobediência civil; a vida sem princípio; caminhando; a escravidão em massachusetts; uma semana nos rios concord e merrimack (este último em trechos selecionados pelo organizador/tradutor).

em 2005, a martin claret lançou uma coletânea chamada a desobediência civil e outros escritos. ela contém: a desobediência civil; andar a pé; trechos escolhidos [sic; trata-se de uma seleta de walden]; um passeio num inverno rigoroso; uma semana nos rios concord e merrimack. a tradução é atribuída a "alex marins", e a coletânea usa "chapa fria". está cadastrada na fbn/isbn tendo como tradutor pietro nassetti, e com o título desobedecend [sic] - talvez porque o pessoal da claret não tenha entendido o lance da letra "o" fora de alinhamento na capa da rocco...

em floresta dos plágios, apresentei a suposta tradução de alex marins para andar a pé, indicando que parece se resumir a uma cópia mal disfarçada da tradução de sarmento de beires e josé duarte, pela jackson (clássicos, volume xxxiii, ensaístas americanos, 1950).

quanto aos ensaios a desobediência civil e uma semana nos rios concord e merrimack publicados pela claret, parecem cópias atamancadas da tradução de josé augusto drummond, na edição da rocco acima citada.

vejam-se alguns exemplos:

a. a desobediência civil, josé augusto drummond:

A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo. Costuma-se dizer, e com toda a razão, que uma corporação não tem consciência; mas uma corporação de homens conscienciosos é uma corporação com uma consciência. A lei nunca fez os homens sequer um pouco mais justos; e o respeito reverente pela lei tem levado até mesmo os bem-intencionados a agirem cotidianamente como mensageiros da injustiça. Um resultado comum e natural de um respeito indevido pela lei é a visão de uma coluna de soldados - coronel, capitão, cabos, combatentes, e outros - marchando para a guerra numa ordem impecável, cruzando morros e vales, contra as suas vontades, e como sempre, contra seu senso comum e suas consciências; por isso essa marcha é muito pesada e faz o coração bater forte. Eles sabem perfeitamente que estão envolvidos numa iniciativa maldita; eles têm tendências pacíficas. O que são eles, agora? Chegarão a ser homens? Ou pequenos fortes e paióis móveis, a serviço de algum inescrupuloso detentor do poder? É só visitar o Estaleiro Naval (4) e contemplar um fuzileiro: eis aí o tipo de homem que um governo norte-americano é capaz de fabricar - ou transformar com sua magia negra - uma sombra pálida, uma vaga recordação da condição humana, um cadáver de pé e vivo e, no entanto, se poderia considerá-lo enterrado sob armas com acompanhamento funeral, embora possa acontecer que

"Não se ouviu um rufar e sequer um toque de silêncio
enquanto à muralha seu corpo levamos
nenhum soldado disparou uma salva de adeus
sobre o túmulo onde jaz o herói que enterramos".5

4 Thoreau provavelmente se refere ao Estaleiro Naval da Marinha de Guerra dos EUA, em Boston, no Estado de Massachusetts.
5 Trecho do poema The Burial of Sir John Moore at Corunna (O Enterro de Sir John Moore em Corunna), de Charles Wolfe (1791-1823).

b. a desobediência civil, alex marins/pietro nassetti:

A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo. Com toda a razão, costuma-se dizer que uma corporação não tem consciência. Uma corporação de homens conscienciosos, todavia, é uma corporação consciente. A lei jamais tornou os homens sequer um pouco mais justos. O respeito reverente pela lei tem levado até mesmo os bem-intencionados a agir quotidianamente como mensageiros da injustiça. O produto comum e natural de um respeito indevido pela lei é a visão de uma coluna de soldados - coronel, capitão, cabos, combatentes e outros - marchando para a guerra numa ordem impecável, cruzando morros e vales, contra sua vontade, e como sempre contra seu juízo e sua consciência comuns. Daí que essa marcha é muito pesada e faz o coração bater forte. Eles têm perfeita noção de que estão envolvidos numa iniciativa maldita. Porque eles têm tendências pacíficas. Que são eles, então? Chegarão a ser homens? Ou pequenos fortes e paióis móveis, a serviço de algum inescrupuloso detentor do poder? Basta visitar o estaleiro naval (4) e contemplar um fuzileiro: aí se vê o tipo de homem que um governo norte-americano é capaz de fabricar - ou transformar com sua magia negra - uma sombra pálida, uma vaga recordação da condição humana, um cadáver de pé e vivo que, entretanto, se poderia considerar enterrado sob armas com acompanhamento fúnebre, conquanto possa acontecer que

"Não se ouviu um rufar e sequer um toque de silêncio
enquanto à muralha seu corpo levamos
nenhum soldado disparou uma salva de adeus
sobre o túmulo onde jaz o herói que enterramos"5.

4 Provavelmente Thoreau se refere ao estaleiro naval da Marinha de Guerra dos EUA, em Boston, no Estado de Massachusetts.
5 Trecho do poema "The burial of Sir John Moore at Corunna" (O Enterro de Sir John Moore em Corunna), de Charles Wolfe (1791-1823).


a. a desobediência civil, josé augusto drummond:

Antigamente, na nossa aldeia, havia o costume de saudar os pobres endividados que saíam da cadeia olhando-os através dos dedos dispostos em forma das barras de uma janela de prisão; e se perguntava ao recém-liberto: "Como vai você?" Não recebi essa saudação de meus conhecidos, que primeiro me encaravam e depois se entreolhavam, corno se eu acabasse de voltar de uma longa viagem. Eu tinha sido preso quando me dirigia ao sapateiro para pegar uma bota consertada. Quando fui solto na manhã seguinte, resolvi retomar o que estava fazendo e, depois de calçar a tal bota, juntei-me a um grupo que pretendia colher frutas silvestres e que ansiava me ter como guia.24 E em pouco mais de meia hora - pois logo recebi um cavalo arreado -chegamos ao alto de um dos nossos mais altos morros, onde abundavam frutas silvestres, a três quilômetros da cidade; e aí então não se podia ver o Estado em lugar nenhum.
Essa é a história completa de "Minhas Prisões".25

24 Isso se justifica, pois Thoreau era ótimo conhecedor das florestas em torno do Concord. Aliás, na época dessa sua prisão. Thoreau estava residindo sozinho numa cabana nas florestas vizinhas de Concord, experiência que durou pouco mais de dois anos e que lhe forneceu o material para escrever a sua obra principal, Walden, publicada pela primeira vez em 1854.
25 Referência irônica ao livro Le mie prigioni, do escritor e político italiano Silvio Pellico (1789-1854). Thoreau não gostava da curiosidade despertada pela sua prisão e evitava o assunto. O próprio estilo desse relato sobre a prisão é diferente do resto do ensaio, indicando talvez certa relutância em abordar o fato. É possível que esse trecho tenha sido retirado, sem maiores revisões, diretamente do seu Journals (Diário), no qual ele anotou desde 1837 as passagens, experiências e idéias do seu dia-a-dia. É sabido que várias obras de Thoreau foram compostas a partir da reelaboração de trechos de seu Diário.



b. a desobediência civil, alex marins/pietro nassetti:

Em nossa aldeia, havia o antigo costume de saudar os pobres endividados que saíam da cadeia olhando-os através dos dedos dispostos em forma das barras de uma janela de prisão, perguntando ao recém-liberto: "Como vai você?" Eu não recebi essa saudação de meus conhecidos, que primeiro me encaravam e depois se entreolhavam, corno se eu acabasse de voltar de uma longa viagem. Minha prisão se dera quando eu me dirigia ao sapateiro para pegar uma bota consertada. Ao ser solto na manhã seguinte, resolvi retomar o que estava fazendo e, depois de calçar a tal bota, juntei-me a um grupo que pretendia colher frutas silvestres e me queria como guia.24 Em pouco mais de meia hora - logo recebi um cavalo arreado - chegamos ao topo de uma de nossas mais altas colinas, onde abundavam frutas silvestres, a três quilômetros da cidade. Daquele ponto não se podia ver propriamente nada do Estado.
A história completa de "Minhas Prisões" se resume nisso.25

24 Realmente Thoreau era profundo conhecedor das florestas que ladeavam Concord. Na época dessa sua prisão. Thoreau residia sozinho numa cabana nas florestas vizinhas de Concord, experiência que durou pouco mais de dois anos e que lhe forneceu o material para escrever a sua obra principal, Walden, publicada pela primeira vez em 1854.
25 Referência irônica ao livro La mia prigione, do escritor e político italiano Silvio Pellico (1789-1854). Thoreau não gostava da curiosidade despertada pela sua prisão e evitava o assunto. A própria forma desse relato sobre a prisão difere um pouco do resto do ensaio, indicando talvez certa relutância em abordar o caso. É possível que esse trecho tenha sido extraído, sem maiores revisões, diretamente do seu Journals (Diário), no qual ele anotou desde 1837 as passagens, experiências e idéias do seu dia-a-dia. Várias obras de Thoreau, foram compostas a partir da reelaboração de trechos de seu Diário.



a. a desobediência civil, josé augusto drummond:

A autoridade do governo, mesmo do governo ao qual estou disposto a me submeter -pois obedecerei com satisfação aos que saibam e façam melhor do que eu e, sob certos aspectos, obedecerei até aos que não saibam nem façam as coisas tão bem -é ainda impura; para ser inteiramente justa, ela precisa contar com a sanção e com o consentimento dos governados. Ele não pode ter sobre minha pessoa e meus bens qualquer direito puro além do que eu lhe concedo. O progresso de uma monarquia absoluta para uma monarquia constitucional, e desta para uma democracia, é um progresso no sentido do verdadeiro respeito pelo indivíduo. [falta uma frase do original] Será que a democracia tal como a conhecemos é o último aperfeiçoamento possível em termos de construir governos? Não será possível dar um passo a mais no sentido de reconhecer e organizar os direitos do homem?

b. a desobediência civil, "alex marins":

A autoridade do governo, inclusive a do governo ao qual estou disposto a me submeter - eis que obedecerei de bom grado aos que saibam e façam melhor do que eu e, sob certos aspectos, obedecerei até àqueles que não saibam nem façam as coisas tão bem - é ainda impura. Para se tornar totalmente justa, ela precisa contar com a sanção e com o consentimento dos governados. O governo não pode ter sobre minha pessoa e meus bens qualquer direito puro além do que eu lhe concedo. A evolução de uma monarquia absoluta para uma monarquia constitucional, e desta para uma democracia, é um progresso no sentido do verdadeiro respeito pelo indivíduo. [falta a mesma frase do original] Será que a democracia, da forma como a conhecemos, é o último aperfeiçoamento possível em termos de construir governos? Não será possível dar um passo a mais no sentido de reconhecer e organizar os direitos do homem?


obs.: troquei algumas palavras que, retiradas do contexto, talvez pudessem parecer ofensivas - a intenção do nãogostodeplágio não é em absoluto ofender quem quer que seja, e sim apontar objetivamente, com provas, documentos e análises de texto, o provável recurso de algumas editoras a práticas ilícitas, que devem ser repudiadas veementemente por todos os setores da sociedade, sob o risco de se dissolverem as relações e os princípios que norteiam a vida em sociedade. 


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

30 de set. de 2008

o globo: "muito em comum"

com a gentil autorização do jornal o globo, transcrevo a matéria publicada em 19/04/2008 no caderno prosa & verso, de autoria de miguel conde.

Muito em comum
Tradutores brasileiros denunciam plágios em série e organizam movimento de protesto
Miguel Conde

O que leva uma editora a plagiar traduções que ela mesma já havia publicado, substituindo em seus livros o nome de tradutores famosos pelo de pessoas desconhecidas, que além de não servirem como chamariz para os leitores em alguns casos parecem nem mesmo existir? É difícil de entender, mas é o que fez repetidas vezes nos últimos anos a editora paulista Nova Cultural.

De 1995 a 2002, a empresa publicou 22 títulos que, na opinião de especialistas, são plágios de traduções que integravam o catálogo da Abril Cultural, do qual a Nova Cultural é herdeira. Em 2002, eles foram reunidos na popular coleção Obras Primas, impressos em tiragens iniciais de 60 mil exemplares, bem acima da média nacional, e vendidos em bancas de jornal.

A primeira denúncia de plágio num livro da coleção (“Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand) foi feita em 2002 por Ivo Barroso. No ano passado, surgiram novos casos: o tradutor Saulo von Randow Júnior afirmou que a tradução de “Ivanhoé”, de Walter Scott, era plagiada, e o jornal “Folha de S. Paulo” denunciou as traduções dos “Contos”, de Voltaire, e de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. Mas uma série de cotejos feitos nos últimos meses por Denise Bottmann — tradutora de clássicos como “Comunidades imaginadas” (Companhia das Letras), de Benedict Anderson e “Piero de La Francesca” (Cosacnaify), de Roberto Longhi — e um grupo de profissionais da área indica que a extensão das fraudes é muito maior, a ponto de fazer deste o maior caso conhecido de plágios de traduções na indústria editorial brasileira. Ela chama a troca de créditos de “escárnio”:

— A Nova Cultural está tripudiando uma herança construída pelo esforço de toda uma geração, está adulterando a história do país. É um grande escárnio, uma grande fraude.

Divulgando a história no blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/, Denise organizou um abaixo-assinado em repúdio a plágios e pela valorização do ofício de tradutor no Brasil, que já recebeu adesão de mais de 300 profissionais, entre eles Lia Wyler, Ivo Barroso, Jorio Dauster, Paulo Franchetti e Geraldo Holanda Cavalcanti.

Procurada em fevereiro, a Nova Cultural disse que a apuração do episódio seria concluída em um mês. Na quinta-feira, num fax assinado pelo assessor da diretoria Shozi Ikeda, a editora afirmou: “Em setembro de 2007, um Editor da Nova Cultural ao consultar algumas das obras da coleção Obras Primas, notou diferenças na coleção feita em 2002 contra a obra publicada em 1978. Quando colocado o problema para a Diretoria, esta, de imediato, instruiu que fosse feita uma averiguação minuciosa”.

A Nova Cultural afirmou que está tratando o problema com os detentores de direitos das traduções (nos anos 1970, a Abril Cultural fez acordos para publicar traduções lançadas originalmente por outras empresas), e que “determinou a retirada de circulação e venda” de todas obras sobre as quais houvesse suspeita. A editora disse ainda que a equipe responsável pela coleção Obras Primas não trabalha mais lá, e por isso “não existe forma de determinar quais as falhas” que provocaram os problemas.

Continua nas páginas 2 e 3

Caderno: Prosa & Verso

OBRAS SOB SUSPEITA
“A DIVINA COMÉDIA”, Dante: Tradução de Fábio Alberti seria de Hernâni Donato.
“CRIME E CASTIGO”, Dostoiévski: Trad. sem crédito seria de Natália Nunes.
“CYRANO DE BERGERAC”, Edmond Rostand: Trad. de F. Alberti seria de Porto Carreiro.
“O VERMELHO E O NEGRO”, Stendhal: Trad. de Mª da Silva seria de Luiz Costa Lima.
“MADAME BOVARY”, Flaubert: Trad. de Enrico Corvisieri seria de Araújo Nabuco.
“ANA KARÊNINA”, de Tolstói: Trad. de Mirtes Coscodai seria de João Gaspar Simões.
“O LEOPARDO”, de Lampedusa: Trad. de Leonardo Codignoto seria de Rui Cabeçadas.
“FAUSTO” E “WERTHER”, Goethe: Trads. de Alberto Maximiliano seriam de Silvio Meira e Galeão Coutinho.
“CONTOS”, Voltaire: Trad. de Roberto Domenico Proença seria de Mário Quintana.
“O MORRO DOS VENTOS UIVANTES”, Emily Brontë: Trad. de Silvana Laplace seria de Oscar Mendes.
“O FALECIDO MATTIA PASCAL” E “SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR”, Pirandello: Trads. de Fernando Corrêa Fonseca seriam de Mário da Silva, Brutus Pedreira e Elvira Ricci.
“TOM JONES”, Fielding: Trad. de Jorge Pádua Conceição seria de Octavio Cajado.
“NANÁ”, Zola: Trad. de Roberto Valeriano seria de Eugênio Vieira.
“O RETRADO DE DORIAN GRAY”, Wilde: Trad. de E. Corvisieri seria de Oscar Mendes.
“A MULHER DE 30ANOS”, Balzac: Trad. de Gisele Soares seria de José Maria Machado.
“OS TRÊS MOSQUETEIROS”, Dumas: Trad. de M. Coscodai seria de Octavio Cajado.
“LORD JIM”, Conrad: Trad. de Carmen Lomonaco seria de Mário Quintana.
“UMA VIDA”, Maupassant: Trad. de Roberto Proença seria de Ascendino Leite.
“SUAVE É A NOITE”, Scott Fitzgerald: Trad. de E. Corvisieri seria de Lígia Junqueira.
“IVANHOÉ”, Walter Scott: Trad. de Roberto Whitaker seria de Brenno Silveira.


Livros têm páginas idênticas e mesmos erros

Para especialistas, fraude é única explicação possível; nomes de supostos tradutores podem ter sido inventados
A coordenadora editorial da coleção Obras Primas era Janice Florido, hoje na Ediouro. Ela diz que não se lembra quem era o encarregado de negociar os direitos de tradução. O editor da coleção, Eliel Silveira Cunha, hoje na Miro Editorial, diz que nunca lidou com isso, nem sabia quem era o responsável. A outra editora, Fernanda Cardoso, não foi localizada pelo GLOBO.

No entanto, e apesar do que sugere a resposta da Nova Cultural, as trocas nos créditos das traduções são anteriores à coleção, afirma Denise Bottmann. Começaram a acontecer em 1995, sete anos antes de ela ser lançada. Na época, a Abril Cultural já tinha deixado de existir e os livros eram editados pela Nova Cultural, parte do grupo CLC, controlado por Richard Civita (ele e seu irmão, Roberto, dividiram a herança editorial deixada pelo pai dos dois, Victor).

Os primeiros títulos afetados, apontam as comparações, foram “Suave é a noite”, de F. Scott Fitzgerald; “A mulher de trinta anos”, de Balzac; “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; “Ana Karênina”, de Tolstói; e “Os irmãos Karamazóvi”, de Dostoiévski. Como nas outras trocas de crédito, nomes de intelectuais importantes foram substituídos pelos de pessoas desconhecidas: Lígia Junqueira por Enrico Corvisieri; José Maria Machado pelo mesmo Enrico Corvisieri, depois substituído em 2002 por Gisele Donat Soares; Oscar Mendes por Maria Cristina F. da Silva; João Gaspar Simões por Mirtes Ugeda Coscodai; Natália Nunes e Oscar Mendes por (mais uma vez) Enrico Corvisieri.

Pequenas alterações em alguns trechos
Em alguns casos, como em “O retrato de Dorian Gray”, até os erros das traduções anteriores são reproduzidos. “Suit of armor”, ou “um jogo completo de armadura”, foi traduzido por Oscar Mendes por “coleção de armaduras”. Em outro exemplo, “exquisite life” vira “vida estranha”, quando o correto seria bela, maravilhosa, refinada. Ambos equívocos, entre outros, são repetidos na tradução atribuída a Maria Cristina F. da Silva.

— O que foi feito é uma apropriação indébita, é quase o equivalente a roubar uma sepultura. O mais chocante é que não foi uma coisa ocasional, era uma política editorial — diz Jorio Dauster, tradutor de Vladimir Nabokov e J.D. Salinger, entre outros.

Os cotejos mostram páginas e páginas com textos idênticos, às vezes com troca de algumas palavras por sinônimos, como é o caso do trecho de “A mulher de trinta anos”, de Balzac, reproduzido na primeira página deste caderno. A possibilidade de que tradutores diferentes cheguem a soluções idênticas com tanta freqüência é descartada por profissionais da área como Ivo Barroso:

— São casos incontestáveis, com repetições extensas demais para serem coincidências. Na poesia isso é especialmente claro, porque há questões como a escolha do adjetivo, da colocação do verbo, do ritmo, da sinonímia, que já tornam difícil que dois tradutores traduzam dois versos seguidos da mesma forma. Quando você encontra então 160 versos iguais, não tem como não ter certeza. O que fizeram é insuportável: apagaram os nomes de tradutores com uma história, uma identidade tradutória, para botar no lugar os de uns quaisquer.

Pessoas desconhecidas no meio literário, Enrico Corvisieri, Leonardo Codignoto, Vera M. Renoldi, Fábio M. Alberti e outros supostos autores das traduções da Nova Cultural são elogiados em páginas da internet pela qualidade do seu trabalho. Quem quiser transmitir os cumprimentos diretamente a eles, porém, terá dificuldades. Buscas na internet mostram apenas referências às traduções, e os nomes não constam da lista telefônica.

Ainda mais intrigante é a identidade por trás de Calvin Carruthers, creditado como tradutor de “A metamorfose”, de Franz Kafka. Calvin Carruthers é o nome de um personagem representado por Vic Tayback no filme “Horror, blood and lace”. O último filme em que Tayback atuou foi “Horseplayer”, de Kurt Voss, no qual ele representou um personagem chamado Gregor Samsa — nome do protagonista de “A metamorfose”. Não há nenhum cotejo, porém, que indique se essa tradução é um plágio, ou se Carruthers foi apenas um pseudônimo escolhido por um tradutor real.

Nos últimos anos, a editora Martin Claret também foi alvo de denúncias de plágio. Seu catálogo, composto principalmente por obras em domínio público, atribui a Pietro Nassetti traduções de Marx, Descartes, Rousseau, Nietzsche, Weber, Shakespeare, Kafka, Platão, Maupassant, Doistoiévski, Goethe, Baudelaire, Sun-Tzu, Aristóteles, Durkheim, Schopenhauer, Ovídio, Maquiavel, Eurípides, Esopo e Voltaire, entre outros. A Objetiva está negociando a compra de parte da editora.

NOS TEXTOS, A ABERTURA DO BRASIL PARA O MUNDO

Heloisa Gonçalves Barbosa

As primeiras traduções efetuadas no Brasil, como se poderia esperar, foram de textos religiosos vertidos pelos jesuítas, do português ou do latim, para a língua mais falada na época pelos índios na costa do Brasil, o tupi, ou sua versão adaptada pelos padres, a língua geral. Com a proibição do uso desse idioma pelo Marquês de Pombal em 1759, a expulsão dos jesuítas e a imposição do uso do português como língua de instrução no Brasil, declina e cessa a produção textual em língua geral.

Mas, devido à proibição de qualquer manufatura, ou seja, da existência e operação de qualquer maquinário no Brasil colônia, nada era produzido aqui, inclusive o papel e, conseqüentemente, o livro. Existiram, porém, traduções “piratas”, feitas por intelectuais brasileiros, muitas vezes reproduzidas manualmente, que circulavam às escondidas, como ocorreu com os textos que influenciaram a Inconfidência Mineira. Houve, no século XVIII, um projeto de tradução e publicação de obras científicas e técnicas, bem como foram traduzidos, em iniciativas isoladas, tratados religiosos, morais e filosóficos, assim como algumas biografias.

É com a chegada da família real ao Brasil em 1808 e a fundação da Imprensa Régia que verdadeiramente se inicia a produção de traduções das grandes obras literárias no Brasil. Como é consenso entre pesquisadores e historiadores na área de tradução, as nações em formação traduzem e traduzem muito. Essas traduções importam gêneros inexistentes na literatura que os recebe, de preencher lacunas. À infante literatura brasileira faltava praticamente tudo. E foi por meio das traduções que se realizou sua aproximação com a cultura ocidental.

No entanto, num primeiro momento, as traduções publicadas pela Imprensa Régia não tinham como objeto ainda as grandes obras literárias, mas visavam preencher lacunas mais básicas, ou seja, fundamentar os conhecimentos técnicos necessários para construir o país em formação. Desta forma, os primeiros livros impressos foram traduções de textos de matemática e engenharia que viriam a auxiliar nesse propósito. A primeira obra literária traduzida e publicada pela companhia foi o “Essay on Criticism” (Ensaio sobre a crítica) do pensador e poeta inglês Alexander Pope.

No século XIX, porém, o custo do papel, no Brasil, era elevadíssimo, o que fazia com que os editores brasileiros precisassem importar e mesmo contrabandear esse insumo. Uma conseqüência dessa situação, pouco conhecida dos brasileiros, é que a maioria dos autores nacionais do período, entre eles Machado de Assis e José de Alencar, teve seus livros impressos primeiro em Portugal, Inglaterra ou França, depois enviados ao Brasil. O mesmo ocorria com as traduções de obras literárias, que eram produzidas em Paris para serem despachadas para o Brasil.

Essas traduções eram, na maioria, o que se convencionou chamar “traduções indiretas”: não eram feitas a partir do texto no idioma original, mas de uma versão para um idioma mais conhecido no Brasil, principalmente o francês, ou mesmo cotejando-se várias traduções para as línguas latinas, mais acessíveis para nós. É o caso das traduções do alemão, por exemplo, “A metamorfose”, de Kafka, ou de vários autores russos, como Dostoiévski, Tolstói, Gogol.

Foi somente após a Primeira Guerra que casas editoriais foram inauguradas em grande número no Brasil. Na década de 1930, Getúlio Vargas incentivou essas empresas, o que as fez quase dobrar em quantidade. Na era pós-Vargas, porém, esse tipo de empreendimento entra em declínio novamente. Grandes editoras sobreviveram, no entanto, podendo-se nomear, por exemplo, a Editora Globo, a José Olympio e a Companhia Editora Nacional, fundada por Monteiro Lobato. Em seguida, associações com o capital estrangeiro possibilitaram a abertura e a sobrevivência de muitas outras empresas do ramo livreiro no Brasil.

Essas casas preocuparam-se em trazer para o leitor brasileiro desde as grandes obras da literatura universal, ou detentores do prêmio Nobel, até histórias de detetives e romances de aventura. Para realizar as traduções, foram contratados intelectuais e autores de peso, dentre eles Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Monteiro Lobato, Mário Quintana, Sérgio Milliet e Clarice Lispector.

A partir da segunda metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, porém, a principal influência cultural no Brasil, que era francesa, passa a ser americana e o fenômeno observado é a intensa tradução do best-seller americano, ao lado dos livros de auto-ajuda e das biografias dos famosos. A própria coleção de obras-primas da literatura, da Nova Cultural, mostra um peso maior dos textos traduzidos do inglês. Compõem boa parte da coleção traduções feitas ainda no período em que eram escritores e críticos literários os convidados a produzir traduções, algumas delas excelentes, feitas, muitas vezes, a custa de enormes esforços pessoais. A importância desse tipo de empreendimento, para um país como o nosso, às margens da cultura ocidental é, naturalmente, o de reunir e trazer ao público brasileiro esse acervo cultural da humanidade.

Para cumprir essa missão, uma vez vencida a questão material, do custo do papel, as empresas do ramo livreiro no Brasil ainda precisam vencer outros problemas nacionais que dificultam o acesso da população ao livro. O principal deles é a distribuição: como fazer o livro chegar ao público e chegar a ele com preços acessíveis? Em um país onde há cidades com várias farmácias, mas sem nenhuma livraria, o livro precisa ser levado ao leitor pelo supermercado, pelo jornaleiro. E em edições mais baratas, em formatos semelhantes ao livro de bolso americano. É essa necessidade que favorece a reedição de velhas traduções de textos antigos, já no domínio público: o fato de ser desnecessário o pagamento de direitos autorais barateia o produto.

Hoje, porém, busca-se uma aproximação maior do original. Há uma profissionalização do tradutor, em escolas de formação em nível de graduação e pós-graduação, bem como há intensa pesquisa na área no país. Isso permite que sejam feitas “re-traduções” das obras canônicas, aquelas que freqüentam as listas de livros que todos devem ler, responsáveis pela formação do gosto literário no mundo ocidental, agora diretamente do texto original completo, as traduções chamadas “diretas”. Um exemplo importante são as traduções dos grandes romances russos, cujos re-tradutores são literatos, acadêmicos e pesquisadores tais como Paulo Bezerra e Boris Schneiderman.

Atualmente, como bem se sabe, 80% do que é publicado no Brasil são traduções. Apesar disso, é difícil ter uma exata dimensão da verdadeira contribuição da tradução para a literatura brasileira. Desde o século XIX, tão avassaladora é a invasão de textos traduzidos que o próprio Machado de Assis se preocupava com a influência dos romances-folhetim franceses, tal como “Os três mosqueteiros” (1844), de Alexandre Dumas, pai, e “A dama das camélias” (1848), de Alexandre Dumas Filho, cuja influência se faz sentir, por exemplo, nos romances “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar.

Vários teóricos da tradução acreditam que a evolução da literatura mundial se deve à tradução e que, logicamente, não pode haver literatura comparada sem traduções — e sem tradutores, cujos nomes devem ser mencionados na obra publicada por força de lei, a Lei dos Direitos Autorais.

HELOISA GONÇALVES BARBOSA é tradutora e Ph.D. em teoria da tradução pela Universidade de Warwick, Inglaterra; professora da Faculdade de Letras da UFRJ e ex-presidente do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA)

Em blogs e e-mails, a classe em pé de guerra

Tradutores reagem a plágios, cobram menção de créditos, e em alguns casos querem receber direitos autorais
Notícias de plágios de tradução na Nova Cultural e na editora Martin Claret fizeram com que os tradutores iniciassem uma campanha de valorização da profissão. Bem à moda dos tempos atuais, é uma militância que tem sido exercida por meio de blogs e e-mails. Além de fazerem cotejos de traduções em páginas da internet, eles organizaram um abaixo-assinado com mais de 300 adesões e têm enviado mensagens a suplementos culturais reclamando sempre que uma reportagem ou artigo deixa de mencionar o nome do tradutor de um livro. O movimento se articula em torno do blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/.

Nos momentos de maior arroubo das conversas virtuais, há quem sugira que a inclusão do nome do tradutor nas capas dos livros deveria ser obrigatória. Outros defendem que o tradutor, como o autor, tenha uma participação nas vendas do livro. Até agora, porém, a luta não saiu do plano virtual. A tradutora Denise Bottmann, uma das organizadoras desse movimento, diz que falta dinheiro para levar a causa aos tribunais.

— Estamos esperando que algum escritório de advocacia se interesse e encampe essa luta contra os plágios — diz ela, sem endossar as reivindicações mais extremas. — Essa é nossa luta principal. Como ação correlata, temos uma série de pessoas enviando mensagens à imprensa e a editoras universitárias pedindo que em toda menção a um livro traduzido seja incluído o nome do tradutor.

Editor elogia iniciativa, mas vê exageros

Paulo Franchetti, que foi tradutor e hoje dirige a editora da Unicamp, diz que a campanha contra os plágios é uma questão de justiça intelectual, mas afirma que no bojo da discussão têm ocorrido exageros.
— Surgiu uma campanha pelo destaque absoluto do nome do tradutor, o que também não é o caso. O que tem que ter é a garantia de um registro explícito, como também devem ter o capista, o autor do projeto gráfico, os revisores. Um livro é uma produção coletiva — diz.

O crítico Luiz Costa Lima, cuja tradução de “O vermelho e o negro”, de Stendhal, está entre as que teriam sido plagiadas pela Nova Cultural, diz que a mobilização dos tradutores foi o resultado mais importante do caso até agora.
— O que me parece importante não é simplesmente o caso em si, mas a situação extremamente precária da tradução neste país — afirma.

Um tradutor ocasional, que se dedica ao ofício movido pelo interesse por obras específicas, Costa Lima reclama da remuneração recebida pelos tradutores brasileiros.
— Num país em que encontrar um bom leitor da própria língua, o português, já não é fácil, a tradução assume uma importância fundamental. Apesar disso, ela continua sendo entre nós uma atividade extremamente mal paga. Se nós temos traduções de qualidade, não é porque as editoras paguem bem, mas porque há tradutores que se interessam especialmente por determinados livros — diz.

O Sindicato Nacional de Tradutores (Sintra) estabelece um piso de R$24 por lauda traduzida, mas a própria diretora da entidade, Elyzabeth Thompson, admite que muitas editoras pagam menos do que isso. Embora poucas empresas respeitem a tabela, o pagamento pode aumentar em função da reputação do tradutor, da dificuldade do trabalho, ou da língua de origem da obra.

Um dos principais especialistas em tradução financeira no Brasil, Danilo Nogueira acredita que o resultado da baixa remuneração é que os melhores profissionais acabam desistindo de traduzir livros.
— Eu não traduzo livros porque não dá dinheiro, é muito difícil viver do que pagam as editoras. As pessoas que trabalham com livro são jornalistas, escritores, professores que traduzem nas horas vagas. O Antonio Houaiss traduziu o “Ulisses” de Joyce recebendo um salário mínimo por mês. É um esporte, não é uma profissão. Em outras áreas da tradução, por contraste, as pessoas são muito bem pagas. A diferença chega a dez para um — afirma.

Para Modesto Carone, situação tem melhorado

O pagamento de direitos autorais a tradutores é defendido por alguns profissionais como uma forma de aumentar a remuneração e, em conseqüência, garantir que os trabalhos possam ser feitos com mais tempo (e, espera-se, qualidade). Sergio Flaksman, tradutor de Truman Capote e George Orwell, entre outros, diz que as editoras têm se mostrado mais receptivas a esse tipo de acordo:
— A baixa remuneração faz com que a média da tradução no Brasil hoje não seja satisfatória. Isso obriga as editoras a investir muito em controle de qualidade, às vezes com até três revisões da tradução. Seria não apenas melhor, mas também mais justo, que o tradutor recebesse uma parcela de direitos autorais. Afinal, é um trabalho que em boa medida é de criação, e que deveria ser contemplado de acordo.

O presidente do Sindicado Nacional dos Editores de Livros (Snel), Paulo Rocco, discorda das críticas dos tradutores, e questiona a idéia de pagamento de direitos autorais.
— Hoje temos traduções muito boas no Brasil, uma situação muito melhor do que a de décadas atrás. Os tradutores estão sendo mais valorizados. Agora, o pagamento de percentual sobre as vendas do livro é injusto. Às vezes o tradutor tem um trabalhão com um livro enorme que não vende nada, e às vezes um outro faz um livro fácil, pequeno, que vende à beça.

Apesar da discordância quanto aos direitos autorais, Flaksman concorda que os editores têm valorizado o trabalho de tradução, o que para ele se percebe no aumento do número de traduções feitas diretamente da língua de origem. Modesto Carone, maior tradutor de Kafka no Brasil, também acha que a situação tem melhorado:
— Há uma consciência maior da importância de um bom trabalho. Antes, nem se tomava conhecimento de quem tinha feito a tradução. Esse não é mais o caso.


UMBERTO ECO E A TAREFA DE INTERPRETAR CONTEXTOS

Autor analisa as dificuldades da tradução

Quase a mesma coisa, de Umberto Eco. Tradução de Eliana Aguiar. Revisão técnica de Raffaella de Fillipis Quental. Editora Record, 458 pgs. R$50

Daniel Estill

O tradutor Danilo Nogueira, especializado na área financeira, costuma dizer que “traduzir é fácil, difícil é traduzir direito”. Partindo de pressuposto semelhante, Umberto Eco, no primeiro capítulo de seu “Quase a mesma coisa”, amplo livro sobre as dificuldades da tradução, fala sobre essa suposta facilidade ao analisar as traduções feitas pelo Altavista. Ele submete o sistema automático de tradução gratuito disponível pela internet a uma tarefa cruel: a tradução do trecho inicial do Gênesis, retirado da versão inglesa da Bíblia de King James.

Eco tortura a máquina de traduzir obrigando-a a passar o trecho do inglês para o espanhol e para o alemão, e depois de volta ao inglês. Os resultados são todos altamente discutíveis, mas o fato é que o programa traduz e um leitor minimamente informado reconhecerá aquilo como o Gênesis.

O exercício, no entanto, não pretende humilhar a máquina ou seus criadores, mas sim exemplificar uma noção corrente, e simplória, de que traduzir significa apenas encontrar o vocábulo equivalente a uma palavra de um determinado idioma em outro. Mas como sabe qualquer estudante das centenas de cursos de tradução que vêm proliferando pelo mundo nas últimas décadas, um tradutor profissional não traduz palavras, mas textos. E ao falarmos em textos, sejam eles de que área for, literários, financeiros, médicos, não há como escapar do conceito maior em que estão inseridos, ou seja, seus contextos. Para um tradutor, o contexto é tudo, mas para uma máquina ele praticamente inexiste.

O livro de Eco analisa os mais variados aspectos da tradução em profundidade. Apesar de sua limitada experiência como tradutor de fato, restrita a “dois livros de grande empenho”, “Exercices de style”, de Queneau, e “Sylvie”, de Gérard de Nerval, o autor argumenta que, ao longo de sua vasta experiência editorial, revisou muitas traduções alheias, além de participar ativamente do processo de tradução de suas obras, em estreita colaboração com os tradutores.

Isso, segundo ele, permite-lhe falar com conhecimento de causa sobre questões-chave da tradução, como a noção de fidelidade ao original ou sobre o seu grande achado: o tradutor como negociador. Uma negociação que implica considerar a situação em que o original foi produzido e sua finalidade, e como manter seu efeito no idioma de destino.

Nessas negociações, há que se considerar aspectos formais (ritmo, registro, vocabulário), época e situação histórica em que o texto foi produzido, os leitores do original e os leitores da tradução. Situações intraduzíveis, que Eco considera como “perdas irremediáveis”, podem ser compensadas em momentos posteriores, graças a um exercício de criatividade do tradutor, adicionando um toque de humor, um trocadilho, a um trecho em que isso não existia.

O livro ajuda a compreender a tradução como um dos fenômenos mais antigos, complexos e essenciais da história da Humanidade. E que hoje ganha cada vez mais visibilidade e importância pelo crescimento e diversificação dos meios de comunicação e interação entre os povos. Para finalizar, vale mencionar a segurança do texto em português da tradutora Eliana Aguiar e da revisora técnica, Raffaella de Fillippis Quental. Principalmente pela pesquisa de traduções em português não incluídas pelo autor, que utiliza exemplos em inglês, alemão, espanhol e italiano, predominantemente. Na ausência de traduções disponíveis, a própria tradutora encarregou-se da tarefa. Um ato de correção e respeito editorial.

DANIEL ESTILL é tradutor, jornalista e mestre em teoria literária pela USP

© 2001 Todos os direitos reservados à Agência O Globo

carta às entidades de livros

mandei essa cartinha para a cbl, o snel, a abrelivros e todas as respectivas listas de associados, um a um. ufa! ninguém vai poder dizer que não sabe.

À Câmara Brasileira do Livro

Prezados srs. diretores, conselheiros e associados da CBL

Desde outubro de 2007 avolumam-se as notícias na imprensa sobre irregularidades cometidas em livros publicados por algumas editoras de projeção. Tais práticas consistem na publicação de grandes obras da literatura universal, em traduções feitas no passado por importantes nomes de nossa cultura nacional, todavia agora atribuídas a outros nomes quaisquer.
É uma situação muito grave, pois essa substituição indevida dos nomes dos tradutores em dezenas e dezenas de livros tem sido estampada em milhões de exemplares, que estão presentes em lares, escolas e bibliotecas de todo o Brasil. Esses livros têm se tornado referência bibliográfica constante em pesquisas, artigos e teses acadêmicas, sendo até mesmo indicados como bibliografia para concursos públicos, vestibulares e exames em geral.
Urge defendermos a integridade da produção editorial no país. Esperamos contar com a firme posição da Câmara Brasileira do Livro em defesa do público leitor, do trabalho intelectual e da sociedade em geral.

Atenciosamente,

Denise Bottmann
dbottmann@uol.com.br

25 de set. de 2008

a mulher de trinta anos nassettiana


a martin claret resolveu atacar a sra. balzaquiana indo de casimiro fernandes e wilson lousada, na famosésima edição coordenada por paulo rónai, para a editora globo, nos idos dos anos 1940.

a vontade de chorar já começa no "perfil" que a claret apresenta em algumas páginas, à guisa de introdução.

lá pelas tantas diz o texto do "perfil": "A Mulher de Trinta Anos faz parte do volume III de A Comédia Humana. Sobre esse romance o tradutor, entre outros, faz o seguinte comentário introdutório" (p. 14).

e segue-se uma enfiada de citações de vários parágrafos - ora, de quem? de paulo rónai, o coordenador e anotador da edição, que por um passe de mágica virou o tradutor da balzaquiana.

é de pasmar: o editor não dá a fonte nem a edição, não dá o nome do prefaciador, confunde o prefaciador com os tradutores, copia enormes trechos do prefácio de rónai e, não satisfeito, pega a mulher de trinta anos de wilson lousada e casimiro fernandes, troca meia-dúzia de palavras que deve ter achado muito difíceis ou desusadas (borzeguins, por exemplo) e publica a cópia atamancada em nome de (desculpem o repeteco, pas ma faute) pietro nassetti, uma vez mais.

outro dado importante: todas as notas que guarnecem a comédia humana na edição brasileira são de autoria de paulo rónai. as referentes a a mulher de trinta anos foram meticulosamente copiadas na edição da claret, claro que sem fonte. o leitor imagina que haverão de ser de pietro nassetti ou de martin claret.

devidamente registrada essa edição espúria na fundação biblioteca nacional, com o isbn 85-7232-278-7, especificado na página de créditos “Copyright desta tradução: Martin Claret, 2004”, o editor claret e os herdeiros de pietro nassetti abocanharam para si 70 anos de exclusividade nos direitos de exploração comercial do roubo disfarçado de tradução.

alô, alô, dona globo, alô, alô, herdeiros de paulo rónai, alô, alô, sucessores de wilson lousada e casimiro fernandes, vão deixar passar em branco?

e a abdr, cujo logotipo vem estampado em tamanho gigantesco na primeira página do livro de sua querida afiliada martin claret?

e o snel, que defende a abdr, ambos posando de bonzinhos e defensores do direito autoral?

e o pobre do leitor, e o pobre do consumidor lesado em sua boa-fé, e o patrimônio imaterial saqueado deste país?

imagem: emoticon, weeping

22 de set. de 2008

dois pesos, duas medidas


a abdr é uma associação de editoras que persegue oficinas de xerox em escolas e universidades que copiam os livros e capítulos de livros indicados pelos professores. a abdr usa a força armada da polícia para proceder à invasão dos locais, para busca e apreensão deste crime hediondo contra o bolso das editoras.

para ser coerente consigo mesma, ela deveria processar, perseguir e aprisionar os reitores das universidades e os diretores das escolas, por conivência e cumplicidade no crime hediondo de tirar xerox do capítulo e/ou do livro indicado em sala de aula.

a abdr deveria também, em nome da coerência, processar cada docente individual que indica algum capítulo ou algum livro em sala de aula, por incitar seus alunos ao crime.

"Nossas ações:
Através de denúncias, equipes policiais têm conseguido apreender grande quantidade de cópias de livros em diversos estados brasileiros, indiciando seus proprietários com base no Art. 184 do Código Penal e em muitos casos lacrando as copiadoras infratoras."

"Obras pirateadas
Listagem de obras pirateadas apreendidas.
Nas nossas ações no sentido de coibir a pirataria do livro, apreendemos diversas obras em poder de copiadoras com a finalidade de comercializar cópias ilegais, lesando autores, editores e demais profissionais envolvidos no processo de edição de um livro."

segue-se uma listagem que dá vontade de chorar, de tão ridícula que é:

- Duas copiadoras no subsolo e no térreo do bloco H da UFRJ
a abdr nomeia 4 títulos e respectivas editoras, e a seguir dá apenas o resumo:
"113 cópias integrais de livros, dentre os quais:
11 cópias da obra HACIA EL ESPANOL - Editora SARAIVA;
O QUE É FICÇÃO - Editora BRASILIENSE;
ENTRE O CRISTAL E A FUMAÇA - Editora JORGE ZAHAR."

- Copiadora no 9º andar da UERJ
a abdr arrola 25 nomes de livros e respectivas editoras

- Copiadora do Centro Acadêmico da UERJ
a abdr arrola 7 nomes de livros e respectivas editoras, e a seguir arrola as cópias parciais de 39 obras, por exemplo:
"Cópia parcial da obra: ANTROPOLOGY AND MODERN LIFE - Editora DOVER PUBLICATIONS" e
"Cópia parcial da obra: UMA CATEGORIA DO ESPÍRITO HUMANO: A NOÇÃO DE PESSOA, A NOÇÃO DO "EU" - Extraído do JOURNAL OF THE ROYAL ANTROPOLOGICAL INSTITUTE"

- Copiadora SAVINNY, a abdr não dá a localização da copiadora e arrola 28 nomes de livros e respectivas editoras

exceto - atenção no detalhe:
"Cópia integral da obra: FUNDAMENTAÇÃO DA METAFÍSICA DOS COSTUMES- TEXTOS FILOSÓFICOS", que não menciona a editora.

quem acompanha nosso trabalho, sabe muito bem que a martin claret:
1. faz parte do quadro de associados da abdr;
2. estampa na primeira página de todas as suas edições o logotipo da abdr, com destaque maior do que os nomes do livro, do autor e do tradutor somados juntos;
3. é a mais notória plagiadora de livros no país nos últimos 10 anos, com centenas de títulos que não passam de contrafações ou plágios de traduções publicadas por outras editoras;
4. suas edições e reedições são na casa de dezenas de milhares por título, o que resulta em vários milhões de livros-pirata na praça;
5. plagiou abertamente a coletânea de textos da editora vozes, incluídos justamente numa obra intitulada fundamentação da metafísica dos costumes, conforme alerta e cotejo publicados aqui no nãogostoplágio.

assim, como acabei ficando meio desconfiada desse povo, acabo achando que a omissão do nome da editora nesta listagem da abdr, sem sequer a ressalva feita em outros 3 ou 4 casos da mesma lista (especificando: "sem nome de editora"), talvez não seja mero acaso.

pergunta: por que a abdr, ainda em nome da coerência, não chama a polícia com metralhadora e mandado de busca e apreensão até a editora martin claret? não é por falta de denúncia! eu mesma, quando não sabia direito o que era a abdr, fiz lá minhas denúncias da vida nova do dante (plágio da claret) e o colega joão paulo tentou que vissem o caso do leviatã (tb plágio da claret) - neca.

se não é por falta de denúncia, por que o tratamento diferenciado para a martin claret? se o rapaz da oficininha de xerox da ufrj ou da uerj se filiar à abdr, vai poder tirar suas cópias em paz? ou tem que ter carteirinha de editora para se filiar a ela, e então vai poder piratear à vontade?

é isso, então, que significa "defesa de direito autoral" para as entidades de classe como a abdr e o snel? contra a reprodução em xerox, mas não contra a reprodução não-autorizada em impressão gráfica? e por que a abdr se limita à perseguição da reprodução reprográfica, mas silencia em relação à contrafação gráfica?

imagens: http://www.abdr.org.br/index.html, mas poderia muito bem ser www.generalsjoe.com

12 de set. de 2008

ah!

Negócios Entidades do livro preocupadas com os direitos do autor
Postado por Galeno Amorim - 20h47
Cresce no mercado editorial a apreensão de editores diante da movimentação de setores do Ministério da Cultura para tentar modificar a atual legislação sobre direitos autorais. Algumas entidades, com o Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel) e a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) à frente, começam a se movimentar em sentido contrário. Argumentam que mexer nesses direitos deve desestimular tanto a criação dos autores como os investimentos das editoras em marketing, distribuição e desenvolvimento de novos produtos.

Políticas Públicas Deputados debaterão direitos do autor
Blog do Galeno - 11/09/2008 - por Galeno Amorim
Galeno Amorim informa que a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados está programando uma audiência pública para debater as propostas existentes para modificar a atual legislação que rege os direitos do autor no País. Serão convidados os defensores da adoção de leis mais flexíveis e os representantes das editoras, que são contrários. O encontro foi provocado pela gerência da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, que encampou e defende a mudança.
http://blogdogaleno.blog.uol.com.br/ (negritos meus, denise)

tenho divulgado aqui os vários seminários promovidos pelo fórum nacional dos direitos autorais. divulguei também os contatos com a coordenação geral do setor de direitos autorais, no minc. divulguei também o tipo de ação policialesca desenvolvida pela abdr. acompanhem a discussão.

por outro lado, bem que os representantes das editoras e associações agressivas como a abdr poderiam cuidar melhor da qualidade do mercado editorial: por exemplo, por que abrigar no quadro de seus associados editoras notórias por suas irregularidades, com centenas de edições suspeitas de plágio (ou edições de plágios comprovados)?

enquanto as entidades de classe dos editores e livreiros não colocarem em prática regras básicas de seus próprios estatutos (ética, integridade etc.), fica difícil acreditar nelas.