22 de fev. de 2011
questão prática
o sr. willian novaes reitera que "A Arte da Guerra, de Sun Tzu, supostamente traduzida do chinês, era na verdade texto adaptado de várias traduções para o português. Tao logo percebemos isto - e a senhora divulgou amplamente o fato - solicitamos tradução, diretamente do chinês, ao sinólogo André Bueno, mestre em Filosofia e doutor em História pela USP, e reeditamos a obra."
todavia, apesar das providências tomadas pelo grupo geração, a livraria cultura se obstina em vender a edição espúria: veja aqui, em sua 1a. edição (2006), e aqui, em sua 2a. edição, pocket, 2007.
já as "Outras péssimas traduções da Jardim dos Livros não foram reimpressas", mas a livraria cultura continua a oferecê-las aos clientes desavisados: por exemplo, o essencial de jesus, aqui, e a vida secreta de laszlo, conde drácula, aqui.
e como fica? leitor chia, editora toma providências, livraria continua a vender? aí é complicado. será que o próprio sr. willian novaes, que com tanta gentileza e boa vontade enviou seus esclarecimentos ao nãogostodeplágio, é que vai ter de tomar providências mais enérgicas junto às livrarias que continuam a sujar o nome do grupo geração?
obs.: não sei se as outras traduções mencionadas pelo sr. willian novaes eram péssimas. o que o nãogostodeplágio apontou foi a falsa atribuição dos créditos de autoria da tradução em o essencial de jesus, o essencial do alcorão e a vida secreta de laszlo, conde drácula.
.
grupo geração
Prezada Senhora,.
A Geração Editorial não tem nenhuma tradução plagiada.
Nosso grupo editorial adquiriu uma pequena editora, a Jardim dos Livros, cuja edição de A Arte da Guerra, de Sun Tzu, supostamente traduzida do chinês, era na verdade texto adaptado de várias traduções para o português.
Tao logo percebemos isto - e a senhora divulgou amplamente o fato - solicitamos tradução, diretamente do chinês, ao sinólogo André Bueno, mestre em Filosofia e doutor em História pela USP, e reeditamos a obra.
Outras péssimas traduções da Jardim dos Livros não foram reimpressas.
Solicitamos a gentileza de que, ao se referir no futuro a traduções plagiadas, não cite mais a Geração Editorial.
Caso queira referir-se ao fato de que existiu essa malfadada edição da Jardim dos Livros, faça-nos o favor de dizer a verdade, ou seja, que o novo publisher mandou providenciar nova tradução.
Atenciosamente,
Willian Novaes
Grupo Geração Editorial
14 de jun. de 2010
uma questão de jeito
pois é, como se fosse alguma questão pessoal, não existisse leitor, não existisse editora séria, não existisse o mundo do livro, que - ufa, ainda bem! - é bem maior do que a província do plágio.
veja aqui a íntegra da matéria publicada pela folha de s.paulo.
imagem: pisando em ovos
1 de jun. de 2009
por quê? e até quando?
a pergunta que nunca se cala é: por quê? por que tanta cópia, tanta apropriação indevida do trabalho alheio, tanta falsa identificação?
é com muita tristeza que reservo o próximo post para mais um caso da rideel, também em nome de "heloísa da graça burati". (para os outros casos da editora rideel, ver aqui e aqui.)imagens: www.plagiarius.com; www.travelblog.org
13 de mai. de 2009
cá e lá
nos eua começa a exigência de equipamentos tecnológicos obrigatórios em sala de aula, como material indispensável e pré-requisito mínimo aos estudantes para download de material. a ideia é que os alunos possam baixar materiais letivos que são gratuitos.
já nós aqui em terras tapuias temos de nos defender contra os nassettis, as buratis, os berwicks e os corvisieris da vida que algumas editoras tentam nos empurrar goela abaixo... e ainda engolir a pataquada da "pastinha do professor", toda feita de fragmentos picotados, que é a proposta da abdr, e pela qual os alunos têm de pagar para fazer download!imagem: http://www.teclasap.com.br/
8 de abr. de 2009
não vale cabular
Palestra no dia 24 de abril de 2009 - às 14hs, sobre Aplicação do ISSN, tema proferido por Sueli Maffia ( Coordenadora do Centro Nacional do ISSN do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia -Ibict), do ISBN, proferida por Andréa Coêlho de Souza (Chefe da Agência Brasileira do ISBN) e o tema Editoração de Livros, proferida por Anamaria da Costa Cruz (Editora Intertexto), que acontece no auditório Machado de Assis, Av. México s/n em frente ao nº 98 (entrada pelo jardim), Centro, Rio de Janeiro.
O objetivo do evento é orientar e auxiliar os profissionais sobre as melhores práticas na utilização do ISBN (International Standard Book Number) e do ISSN (Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas) como instrumentos de controle da edição de livros e publicações seriadas.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail isbn@bn.br até o dia 20 de abril.
Os participantes receberão certificado de presença.
seria legal que a dona andréa coêlho convocasse os digitadores/cadastradores da agência brasileira do isbn/fbn para a palestra.

aí talvez o leitor não tropeçasse na dama de espadão de puchikime, ou em mobi dicki ou no rei epido de willian shakespeare. e talvez diminuísse a quantidade de machados e eças traduzidos por pietros nassettis.
tomara também que os fãs da chapa fria, tipo jardim dos livros (selo do grupo geração), dêem um pulinho lá.
imagem: winkle, emoticon msn
23 de mar. de 2009
bicho-carpinteiro
o jardim dos livros é um selo editorial do grupo geração, nascido em março de 2008, congregando a geração editorial, a editora leitura e a ex-editora jardim dos livros.sobre as diversas atribuições internas: ao sr. luiz fernando emediato (da geração) cabe a batuta editorial, o sr. yehezkel (da leitura) comanda o lado comercial e logístico, e os irmãos ado e cláudio varela (da jardim dos livros) atendem à parte comercial em são paulo e à editoria de livros de negócios.
a jardim dos livros, antes de aterrissar no grupo geração, teve existência independente por uns 2 anos, e antes disso chamava-se editora sapienza, igualmente efêmera. cheguei a esta tal sapienza porque, seguindo o fio da nova cultural e seus fantasmas, vi que enrico corvisieri, o nassettinho do sr. richard civita, também estava na editora sapienza com a república de platão, ao lado de mirtes ugeda, outra trêfega figura da nova cultural vezada em copidescar traduções de terceiros e tascar seu nome nelas. achei estranha a convivência novacultural/sapienza, e dediquei alguns posts ao tema. depois a sapienza fechou as portas, e foi passear em seu novo jardim dos livros, esse que depois foi incorporado pelo grupo geração.
infelizmente esse novo grupo editorial tem mostrado algumas graves deficiências no quesito integridade: não só a embusteira arte da guerra de sun tzu, na edição de bolso e em brochura, teve calorosa acolhida no catálogo do grupo, como este foi enriquecido há menos de um ano com mais duas pérolas do plagiato nacional, o essencial do alcorão e o essencial de jesus. veja aqui.
embora o sr. luiz fernando emediato tenha declarado que tomou a decisão de tirar o lixo de circulação, parece que a coisa ficou só na intenção e na conversa mole, pois tudo continua como dantes na terra de abrantes. ou seja, o grupo geração abriga, publica, distribui e mantém em circulação obras fraudadas, com plena consciência dos fatos - sem contar uma notificaçãozinha para mim, dizendo que eu estava mentindo. na época não gostei e continuo a não gostar. é bom deixar claro: plágio é feio, plágio é crime, plágio não se faz, e o sr. luiz fernando emediato, antes de tratar seus leitores como ralé, deveria exercer sua responsabilidade editorial e ir arrancar suas ervas daninhas.
quero apresentar aqui mais uma fraude descabelada da jardim dos livros, em edição anterior à fusão com o grupo geração, mas mantida intocada no atual catálogo do referido grupo. aplicam-se a ela os termos de jorio dauster perante a trapaça bélica do jardim dos livros: "Não resta dúvida de que, ao adquirir a Jardim dos Livros e continuar a publicar as obras que passaram a seu controle no bojo dessa operação, a Editora Geração passou a ser responsável pela distribuição do plágio".
trata-se de a vida secreta de laszlo, conde drácula, de roderic anscombe. foi publicado em 2007 pela jardim dos livros e atualmente é propagandeado na geraçãobooks, o catálogo online do grupo geração. é "chapa fria", isto é, traz um número de isbn sem qualquer registro: 978-85-60018-10-9. a tradução é atribuída ao mesmo fantasmagórico "pedro h. berwick" que assina as solenes cópias de o essencial do alcorão e o essencial de jesus.

afora umas ralas e superficiais alterações, é um plágio de a vida secreta de laszlo, conde drácula, traduzido por silvio deutsch para a editora bestseller em 1994. conforme já comentei, a grande novidade introduzida pelos plágios do jardim dos livros (grupo geração) parece ser o recurso a obras recentes. até me pergunto como e por que os irmãos varela se sentem tão à vontade em se apropriar de obras do catálogo da antiga bestseller, justamente uma das editoras que, junto com a nova cultural, compõem "a larga experiência editorial" que ostentam em seus currículos.
1. silvio deutsch
deveria haver um prefácio, eu sei. uma preparação do cenário ou uma exposição de motivos. mas não posso esperar. paris é tudo o que sempre sonhei, ainda maior e mais cheia de inspiração do que em meus sonhos de criança - e um dia, ainda esta semana, vou descrever minhas impressões.
como fui instruído, na carta em que comunicavam que tinha sido aceito, apresentei-me ontem no hospital salpêtrière e esperei o dia todo que o médico-chefe me indicasse algum caso. mas não recebi nenhum. na verdade, o dr. ducasse parecia não perceber minha presença, e disse-me de forma ríspida que esperasse, quando cheguei perto dele. sexta-feira, claro, é o dia do mestre, e nessa manhã fui mais cedo para o anfiteatro, a fim de ver pela primeira vez o professor charcot. poucos médicos já tinham chegado para a demonstração, e consegui um lugar excelente na segunda fila.
atrás e acima de mim, outras pessoas logo ocuparam seus lugares nas fileiras de assentos, e um burburinho de conversas encheu a sala. virei-me para olhar - não que esperasse ver alguém conhecido naquele meio elegante. ainda assim, examinei a platéia à procura de um rosto familiar, com quem pudesse entabular uma conversa, porque, para dizer a verdade, tenho estado um tanto solitário desde que cheguei a esta cidade, especialmente porque não recebi nenhuma resposta de tia sophie. o homem ao meu lado estava imerso numa monografia sobre histeria, e hesitei em perturbá-lo. ao redor, homens colocavam-se em poses visivelmente estudadas e falavam da forma mais afetada possível ou chamavam alguém do outro lado da sala, mas, apesar da aparente disposição gregária, achei que os gestos pareciam calculados para provocar um efeito, como se cada um desejasse ser notado pelos outros. senti falta da turbulência com que nós, estudantes, aguardávamos uma palestra em budapeste. em paris, suponho que tal falta de reserva viesse a ser considerada inapelavelmente provinciana.
2. pedro h. berwick
deveria haver um prefácio, eu sei. uma preparação do cenário ou uma exposição de motivos. mas não posso esperar. paris é tudo o que sempre sonhei, ainda maior e mais cheia de inspiração do que em meus sonhos de criança - e um dia, ainda esta semana, descreverei minhas impressões.
como fui instruído, na carta na qual comunicavam que tinha sido aceito, apresentei-me ontem no hospital salpêtrière e esperei durante todo o dia que o médico-chefe me indicasse algum caso. mas não recebi nenhum. na verdade, o dr. ducasse parecia não perceber minha presença e disse-me, de forma ríspida, que esperasse, quando cheguei perto dele. sexta-feira, claro, é o dia do mestre, e nessa manhã fui mais cedo para o anfiteatro, a fim de ver pela primeira vez o professor charcot. poucos médicos já tinham chegado para a demonstração, e consegui um lugar excelente na segunda fila.
atrás e acima de mim, outras pessoas rapidamente ocuparam seus lugares nas fileiras de assentos, e um burburinho de conversas encheu a sala. virei-me para olhar - não que esperasse ver alguém conhecido naquele meio elegante. ainda assim, examinei a platéia à procura de um rosto familiar, com quem pudesse entabular uma conversa, porque, para dizer a verdade, tenho estado um tanto solitário desde que cheguei a essa cidade, especialmente porque não recebi nenhuma resposta de tia sophie. o homem ao meu lado estava imerso em uma monografia sobre histeria, e hesitei em perturbá-lo. ao redor, homens colocavam-se em poses visivelmente estudadas e falavam da forma mais afetada possível ou chamavam alguém do outro lado da sala, mas, apesar da aparente disposição gregária, achei que os gestos pareciam calculados para provocar um efeito, como se cada um desejasse ser notado pelos outros. senti falta da turbulência com que nós, estudantes, aguardávamos uma palestra em budapeste. em paris, suponho que tal falta de reserva viesse a ser considerada inapelavelmente provinciana.
1. silvio deutsch
se este diário terminar aqui, quer dizer que caminhei para uma armadilha, como desconfio. significa que sou o elo fraco que deve ser eliminado. essa conspiração pode nunca ter existido. aceito minha morte, mas não posso aceitar que jamais tenha vivido, por isso deixo este diário num lugar em que ficará empoeirado, junto com os tratados de teologia de meu avô: não foram perturbados durante duas gerações, e, como eles, este diário ficará fechado durante cinquenta anos. um dia, quando eu já não puder me importar, será encontrado, e voltarei à vida na imaginação do leitor.
aí, nas semanas e meses seguintes, o motivo da minha morte será revelado e minha reputação como patriota e mártir pela liberdade da hungria irá juntar-se à memória de meu pai e de meu irmão. sou o último da nossa linhagem. o nome morre comigo. outros nomes mais ilustres - aponyi, kossuth, karolyi, tisza, andrassy - são conhecidos além das nossas fronteiras. esses nomes são imortais. no entanto, tenho esperança de que, nos corações e mentes do povo deste pequeno canto da hungria, a solene dignidade de drácula irá subsistir carinhosamente até que desapareça mansamente da memória das pessoas ainda vivas.
2. pedro h. berwick
se este diário terminar aqui, quer dizer que caminhei para uma armadilha, como desconfio. significa que sou o elo fraco que deve ser eliminado. essa conspiração pode nunca ter existido. aceito minha morte, mas não posso aceitar que jamais tenha vivido, por isso deixo este diário em um lugar em que ficará empoeirado, junto com os tratados de teologia de meu avô: não foram perturbados durante duas gerações, e, como eles, este diário ficará fechado durante 50 anos. um dia, quando eu já não puder me importar, será encontrado, e voltarei à vida na imaginação do leitor.
aí, nas semanas e meses seguintes, o motivo da minha morte será revelado e minha reputação como patriota e mártir pela liberdade da hungria irá juntar-se à memória de meu pai e de meu irmão. sou o último da nossa linhagem. o nome morre comigo. outros nomes mais ilustres - aponyi, kossuth, karolyi, tisza, andrassy - são conhecidos além das nossas fronteiras. esses nomes são imortais. no entanto, tenho esperança de que, nos corações e mentes do povo deste pequeno canto da hungria, a solene dignidade de drácula subsistirá carinhosamente até que desapareça mansamente da memória das pessoas ainda vivas.
ah, em tempo, os coutos oferecidos pelos solidários responsáveis: relativa, cultura, saraiva, siciliano, leonardo da vinci, livrarias curitiba etc.
imagens: me vs gutenberg versus; forum.outerspace.com.br
16 de mar. de 2009
o essencial do jardim dos livros
algum tempo atrás, apresentei aqui o caso de o essencial do alcorão, de thomas cleary, publicado no ano passado pela jardim dos livros (selo do grupo geração). essa edição é uma valente garfada da tradução de leila v.b. gouvêa, publicada pela editora bestseller, e dá como tradutor um tal de "pedro h. berwick". os cotejos saíram em 6 posts, a partir daqui.na ocasião, o sr. luiz fernando emediato, responsável pelo setor editorial do grupo, comprometeu-se a retirar a obra espúria de catálogo e de circulação. infelizmente, porém, ele deve andar muito ocupado, pois não teve tempo de tomar suas providências. passados quase dois meses, o essencial do alcorão continua belo e formoso no site geraçãobooks, impávido e destemido nas prateleiras da saraiva, cultura, siciliano, submarino, loyola etc.
mas imagino que o sr. luiz saberá honrar a palavra empenhada, e por isso apresento mais um cotejo de outra infeliz obra sob sua responsabilidade editorial. quem sabe, tendo um tempinho, ele já não aproveita e tira essa fraude também?
a outra solene garfada do jardim dos livros, selo do grupo geração, foi em cima de o essencial de jesus, de john dominic crossan, também em 2008. o glutão é o mesmo misterioso "pedro h. berwick", e a vítima foi uma vez mais a editora bestseller, que havia publicado a obra em 1994 na tradução de ymaly salem chammas.
1. ymaly salem chammas (bestseller)
PRÓLOGO
Espalhados pelos campos, podem-se observar certos animais selvagens, machos e fêmeas, escuros, lívidos e queimados pelo Sol, atados à terra que escavam e revolvem com invencível teimosia. Entretanto, eles produzem algo parecido com uma voz articulada e, quando se levantam, revelam uma face humana. Na verdade, eles são seres humanos... Graças a eles, os outros seres humanos não precisam semear, trabalhar e colher para viver. É por isso que a eles não deve faltar o pão que semearam.
Jean la Bruyère, moralista francês do final do século dezessete (citado por Eric J. Hobsbawm, Journal of Peasant Studies, vol. 1 [1973])
A Roma Imperial
É repleta de arcos do triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem
Os Césares triunfaram?
César derrotou os gauleses.
Não havia nem mesmo um cozinheiro em seu exército?
Cada página uma vitória.
A custa de quem o baile da vitória?
Em cada década um grande homem.
Quem pagou a conta?
Tantas particularidades.
Tantas perguntas.
Bertolt Brecht, A Worker Reads History
Se nenhum cristão houvesse escrito nada sobre Jesus durante os primeiros cem anos após a sua morte, ainda teríamos dois relatos sucintos daqueles que não estavam entre os seus seguidores. Um relato data da última década do século primeiro e vem do historiador judeu Flávio Josefo em Jewish Antiquities, 18.63:
Naquela época lá vivia Jesus, um homem sábio... Pois ele era um homem que operava feitos surpreendentes e era um mestre para as pessoas que aceitam a verdade com alegria. Ele ganhou o apoio de muitos judeus e de muitos gregos...
Quando Pilatos, depois de ouvi-lo ser acusado pelos homens mais honrados dentre nós, o condenou à crucificação, aqueles que o haviam seguido para amá-lo não desistiram do afeto por ele... E a tribo dos cristãos, assim chamada em homenagem ao seu nome, até hoje não desapareceu.
Essa descrição é cuidadosamente neutra ou, no máximo, ligeiramente crítica. O texto original foi conservado, mas existe uma versão modificada pelos editores cristãos, porém eu o cito sem as alterações propostas.
O relato seguinte data das primeiras décadas do século dois e foi escrito pelo historiador pagão Cornélio Tácito. Tendo dito que um rumor culpava Nero pelo desastroso incêndio que destruiu Roma no ano 64 d.C., ele prossegue em Anais, 15.44:
Portanto, para encerrar os rumores, Nero apontou como culpada, e puniu com os mais extremos requintes de crueldade, uma classe de homens, abominada por seus vícios, que o povo conhecia como cristãos. Cristo, o “fundador” do nome, havia recebido o castigo da morte no reinado de Tibério, sentenciado pelo procurador Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa havia sido interrompida na época, somente para recrudescer mais uma vez, não apenas na Judéia, lugar de origem da doença, mas na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou vergonhosas do mundo se reúnem e encontram expressão.
Apesar das diferenças entre a imparcialidade calculada de Josefo e a parcialidade cheia de desprezo de Tácito, eles concordam em três fatos bastante elementares. Primeiro, havia algum tipo de movimento associado a Jesus. Segundo, ele foi executado por uma autoridade oficial presumivelmente para encerrar o movimento. Terceiro, em vez de morrer, o movimento continuou a se espalhar.
Permanecem, portanto, esses três fatos: movimento, execução, continuação. Mas o maior deles é a continuação.
2. pedro h. berwick (selo jardim dos livros)
PRÓLOGO
Espalhados pelos campos, podem-se observar certos animais selvagens, machos e fêmeas, escuros, lívidos e queimados pelo Sol, atados à terra que escavam e revolvem com invencível teimosia. Entretanto, eles produzem algo parecido com uma voz articulada e, quando se levantam, revelam uma face humana. Na verdade, eles são seres humanos... Graças a eles, os outros seres humanos não precisam semear, trabalhar e colher para viver. É por isso que a eles não deve faltar o pão que semearam.
Jean la Bruyère, moralista francês do final do século dezessete (citado por Eric J. Hobsbawm, Journal of Peasant Studies, vol. 1 [1973])
A Roma Imperial
É repleta de arcos do triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem
Os Césares triunfaram?
César derrotou os gauleses.
Não havia nem mesmo um cozinheiro em seu exército?
Cada página uma vitória.
À custa de quem o baile da vitória?
Em cada década um grande homem.
Quem pagou a conta?
Tantas particularidades.
Tantas perguntas.
Bertolt Brecht, A Worker Reads History
Se nenhum cristão houvesse escrito nada sobre Jesus durante os primeiros cem anos após a sua morte, ainda teríamos dois relatos sucintos daqueles que não estavam entre os seus seguidores. Um relato data da última década do século primeiro e vem do historiador judeu Flávio Josefo em Jewish Antiquities, 18.63:
Naquela época lá vivia Jesus, um homem sábio... Pois ele era um homem que operava feitos surpreendentes e era um mestre para as pessoas que aceitam a verdade com alegria. Ele ganhou o apoio de muitos judeus e de muitos gregos... Quando Pilatos, depois de ouvi-lo ser acusado pelos homens mais honrados dentre nós, o condenou à crucificação, aqueles que o haviam seguido para amá-lo não desistiram do afeto por ele... E a tribo dos cristãos, assim chamada em homenagem ao seu nome, até hoje não desapareceu.
Essa descrição é cuidadosamente neutra ou, no máximo, ligeiramente crítica. O texto original foi conservado, mas existe uma versão modificada pelos editores cristãos, porém eu o cito sem as alterações propostas. O relato seguinte data das primeiras décadas do século dois e foi escrito pelo historiador pagão Cornélio Tácito. Tendo dito que um rumor culpava Nero pelo desastroso incêndio que destruiu Roma no ano 64 d.C., ele prossegue em Anais, 15.44:
Portanto, para encerrar os rumores, Nero apontou como culpada, e puniu com os mais extremos requintes de crueldade, uma classe de homens, abominada por seus vícios, que o povo conhecia como cristãos. Cristo, o “fundador” do nome, havia recebido o castigo da morte no reinado de Tibério, sentenciado pelo procurador Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa havia sido interrompida na época, somente para recrudescer mais uma vez, não apenas na Judéia, lugar de origem da doença, mas na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou vergonhosas do mundo se reúnem e encontram expressão.
Apesar das diferenças entre a imparcialidade calculada de Josefo e a parcialidade cheia de desprezo de Tácito, eles concordam em três fatos bastante elementares. Primeiro, havia algum tipo de movimento associado a Jesus. Segundo, ele foi executado por uma autoridade oficial presumivelmente para encerrar o movimento. Terceiro, em vez de morrer, o movimento continuou a se espalhar.
Permanecem, portanto, esses três fatos: movimento, execução, continuação. Mas o maior deles é a continuação.
1. ymaly salem chammas (bestseller)
CONTEXTOS
Nós queremos que todos trabalhem, como nós. Não deveria mais haver ricos e pobres. Todos deveriam ter o pão para se alimentar e alimentar os filhos. Deveríamos ser todos iguais. Eu tenho cinco filhos e apenas um quarto pequeno, onde temos de comer e dormir e fazer tudo, enquanto tantos Senhores (signori) têm dez ou doze quartos, palácios inteiros... Será suficiente compartilhar tudo e dividir com justiça o que se produz.
Camponesa anônima de Piana dei Greci, província de Palermo, Sicília, falando a um jornalista do norte da Itália durante uma rebelião de camponeses em 1893 (citada por Eric J. Hobsbawm, Primitive Rebels: Studies in Archaic Forms of Social Movement in the 19th and 20th Centuries [New York: Norton, 1965])
Um duplo entrave sempre permeou o núcleo da história mediterrânea: a pobreza e a incerteza do amanhã.
Fernand Braudel
No mundo precário do Mediterrâneo, o reino dos Céus tinha de estar relacionado a alimentos e bebida.
Peter Brown
O Que É Essencial Sobre Jesus?
Dois problemas principais surgem quando se aplica o termo essencial a Jesus. O primeiro é se estamos falando do Jesus canônico ou do Jesus histórico. O Jesus canônico é a figura que permeia os quatro evangelhos oficiais do Novo Testamento das igrejas cristãs. Uma possível interpretação do termo essencial seria aquele Jesus oficial, conforme retratado exclusivamente nos textos aprovados. Mas escolhi, no lugar disso, interpretar essencial como significando histórico, designando não o Jesus descrito pelos cristãos, que acreditam nos evangelhos escritos entre quarenta e sessenta anos após a sua morte, mas, sim, aquele Jesus que poderia ter sido visto na Galiléia durante a sua vida real. Imagine, por exemplo, estas respostas de observadores diferentes, que viram e ouviram exatamente as mesmas palavras e feitos daquele Jesus
histórico:
Ele é perigoso, vamos combatê-lo.
Ele é criminoso, vamos executá-lo.
Ele é divino, vamos segui-lo.
Um relato histórico deve ser capaz de explicar todas essas respostas diferentes, ou então não será fiel ao que aconteceu.
Neste livro, portanto, o Jesus essencial significa não o Jesus canônico, mas o Jesus histórico. Não irei simplesmente examinar os quatro evangelhos do Novo Testamento, pinçar os ditos mais conhecidos de Jesus e reinterpretá-Ios. Em vez disso, apresento aqueles ditos que, segundo a minha melhor avaliação histórica, são originais de Jesus. Já tive oportunidade de defender essa avaliação em dois livros anteriores*, assim este livro conclui uma trilogia sobre o Jesus histórico.
* The Historical Jesus: The Life of a Mediterranean Jewish Peasant. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991. Edição Encapada, 1993. Jesus: A Revolutionary Biography. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1994.
O segundo problema é tão difícil e importante quanto o primeiro. Seria o essencial de Jesus uma questão de palavra sem feito, de idéia sem ação, de visão sem programa? Imagine, por exemplo, um livro sobre o Gandhi essencial, ou sobre o Martin Luther King Jr. essencial: seria suficiente conhecer uma seleção bem-feita e representativa das suas palavras e ignorar suas práticas? Não se estaria, assim, negando o que lhes é mais essencial, notadamente a conjunção de suas visões eprogramas, da vida e da morte? O mesmo se dá com o Jesus essencial. Ele tinha um sonho religioso e um programa social, e foi essa conjunção que provocou sua morte. O Império Romano pode ter abusado do seu poder com freqüência, mas raramente o exercia sem necessidade. Ele
não crucificava professores ou filósofos; exilava-os permanentemente ou os removia de Roma periodicamente. Na verdade, se Jesus tivesse sido apenas uma questão de palavras ou idéias, os romanos provavelmente o teriam ignorado e, talvez, não estaríamos falando dele hoje. O
movimento do seu Reino, entretanto, com suas curas e exorcismos, era ação e prática, não pensamento e teoria. Mas como se pode mostrar um programa num livro? É possível, naturalmente, notar as palavras por meio das quais Jesus se refere ao seu programa, ou coloca em prática seus procedimentos. Contudo, ainda estaríamos emaranhados em palavras e textos. Para ver um programa em ação é preciso ter acesso a imagens, de preferência, é claro, com transmissões ao vivo via satélite! Minha solução, na ausência de vídeos arcaicos da antiga Galiléia, depende das imagens intercaladas com os ditos que se encontram no corpo deste livro. Essas imagens não são, definitivamente, meros ornamentos. São os mais antigos retratos do programa de Jesus e, conseqüentemente, constituem um complemento necessário às traduções das palavras de Jesus. Neste livro, em resumo, o Jesus essencial é o Jesus histórico, com sua visão e seu programa.
2. pedro h. berwick (selo jardim dos livros)

CONTEXTOS
Nós queremos que todos trabalhem, como nós. Não deveria mais haver ricos e pobres. Todos everiam ter o pão para se alimentar e alimentar os filhos. Deveríamos ser todos iguais. Eu tenho cinco filhos e apenas um quarto pequeno, onde temos de comer e dormir e fazer tudo, enquanto tantos Senhores (signori) têm dez ou doze quartos, palácios inteiros... Será suficiente compartilhar tudo e dividir com justiça o que se produz.
Camponesa anônima de Piana dei Greci, província de Palermo, Sicília, falando a um jornalista do norte da Itália durante uma rebelião de camponeses em 1893 (citada por Eric J. Hobsbawm, Primitive Rebels: Studies in Archaic Forms of Social Movement in the 19th and 20th Centuries New York: Norton, 1965)
Um duplo entrave sempre permeou o núcleo da história mediterrânea: a pobreza e a incerteza do amanhã.
Fernand Braudel
No mundo precário do Mediterrâneo, o reino dos Céus tinha de estar relacionado a alimentos e bebida.
Peter Brown
O Que É Essencial Sobre Jesus?
Dois problemas principais surgem quando se aplica o termo essencial a Jesus. O primeiro é se estamos falando do Jesus canônico ou do Jesus histórico. O Jesus canônico é a figura que permeia os quatro evangelhos oficiais do Novo Testamento das igrejas cristãs. Uma possível interpretação do termo essencial seria aquele Jesus oficial, conforme retratado exclusivamente nos textos aprovados. Mas escolhi, no lugar disso, interpretar essencial como significando histórico, designando não o Jesus descrito pelos cristãos, que acreditam nos evangelhos escritos entre quarenta e sessenta anos após a sua morte, mas, sim, aquele Jesus que poderia ter sido visto na Galiléia durante a sua vida real. Imagine, por exemplo, estas respostas de observadores diferentes, que viram e ouviram exatamente as mesmas palavras e feitos daquele Jesus histórico:
Ele é perigoso, vamos combatê-lo.
Ele é criminoso, vamos executá-lo.
Ele é divino, vamos segui-lo.
Um relato histórico deve ser capaz de explicar todas essas respostas diferentes, ou então não será fiel ao que aconteceu. Neste livro, portanto, o Jesus essencial significa não o Jesus canônico, mas o Jesus histórico. Não irei simplesmente examinar os quatro evangelhos do Novo Testamento, pinçar os ditos mais conhecidos de Jesus e reinterpretá-Ios. Em vez disso, apresento aqueles ditos que, segundo a minha melhor avaliação histórica, são originais de Jesus. Já tive oportunidade de defender essa avaliação em dois livros anteriores*, assim este livro conclui uma trilogia sobre o Jesus histórico.
* The Historical Jesus: The Life of a Mediterranean Jewish Peasant. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991. Edição Encapada, 1993. Jesus: A Revolutionary Biography. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1994.
O segundo problema é tão difícil e importante quanto o primeiro. Seria o essencial de Jesus uma questão de palavra sem feito, de idéia sem ação, de visão sem programa? Imagine, por exemplo, um livro sobre o Gandhi essencial, ou sobre o Martin Luther King Jr. essencial: seria suficiente conhecer uma seleção bem-feita e representativa das suas palavras e ignorar suas práticas? Não se estaria, assim, negando o que lhes é mais essencial, notadamente a conjunção de suas visões e programas, da vida e da morte? O mesmo se dá com o Jesus essencial. Ele tinha um sonho religioso e um programa social, e foi essa conjunção que provocou sua morte. O Império Romano pode ter abusado do seu poder com freqüência, mas raramente o exercia sem necessidade. Ele não crucificava professores ou filósofos; exilava-os permanentemente ou os removia de Roma periodicamente. Na verdade, se Jesus tivesse sido apenas uma questão de palavras ou idéias, os romanos provavelmente o teriam ignorado e, talvez, não estaríamos falando dele hoje. Omovimento do seu Reino, entretanto, com suas curas e exorcismos, era ação e prática, não pensamento e teoria. Mas como se pode mostrar um programa num livro? É possível, naturalmente, notar as palavras por meio das quais Jesus se refere ao seu programa, ou coloca em prática seus procedimentos. Contudo, ainda estaríamos emaranhados em palavras e textos. Para ver um programa em ação é preciso ter acesso a imagens, de preferência, é claro, com transmissões ao vivo via satélite! Minha solução, na ausência de vídeos arcaicos da antiga Galiléia, depende das imagens intercaladas com os ditos que se encontram no corpo deste livro. Essas imagens não são, definitivamente, meros ornamentos. São os mais antigos retratos do programa de Jesus e, conseqüentemente, constituem um complemento necessário às traduções das palavras de Jesus. Neste livro, em resumo, o Jesus essencial é o Jesus histórico, com sua visão e seu programa.
além disso, essa edição é chapa fria: seu suposto isbn 978-85-60018-12-3 não consta cadastrado na agência brasileira do isbn/fbn. a fraude se encontra à venda na fnac, cultura, siciliano, leitura, submarino etc.
imagens: images_businessweek.com; digitaldropos.com.br
ah, sr. luiz, por favor não se esqueça de retirar também a arte da guerra do tal nikko bushido!
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
15 de fev. de 2009
eleições da cbl
"Por conta da forte presença da CBL nos últimos anos nas grandes discussões sobre as políticas públicas do livro e leitura no Brasil, as eleições deste ano revestem-se de importância estratégica para a consolidação da questão do livro e da leitura no Brasil."
já manifestei meu espanto com a candidatura da landmark e da leitura/geração ao comando da cbl. o sr. luiz emediato, do grupo geração, prometeu de público providências contra as fraudes no selo "jardim dos livros". já o sr. fábio cyrino, da landmark, responsável pela publicação dos plágios de persuasão e o morro dos ventos uivantes, continua a se fazer de mortinho.
mas, qualquer chapa que vença, entendo que o compromisso básico da câmara brasileira do livro é com o livro (honesto, ça va sans dire) e com o leitor.imagem: matisse, www.peabirus.com.br
10 de fev. de 2009
à guisa de explicação
voltando um pouco à nova cultural e ao fio desse trabalho aqui do nãogosto - minha perplexidade surgiu em agosto/setembro de 2007, quando saulo von randow jr. comentou que havia constatado o plágio de ivanhoé, trad. de brenno silveira, na coleção obras-primas da nc.em novembro e dezembro de 2007, com as duas matérias da folha de s.paulo sobre mais outros plágios, minha perplexidade virou pânico e indignação, e daí vem esse trabalho de pesquisa e alerta. às vezes ele pode parecer disperso, mas tenho um quadro na cabeça razoavelmente claro, que vou tentar expor.
estou me delongando sobre isso porque, nestes próximos dias, vou tratar de alguns títulos de "os pensadores" também vitimados por plágio, e acho interessante uma visão geral da coisa.
imagens: são jorge em seu gabinete, codecarnival.com; thief and pig, gutenberg.org
30 de jan. de 2009
viva legal, faça legal!

ou não estão cadastradas de jeito nenhum na agência brasileira do isbn, ou estão, mas com dados que não batem com os dados no livro impresso, ou ainda têm um registro para um determinado número de isbn que não bate com o isbn do livro impresso.
já expus em outro post a importância que, a meu ver, tem o isbn como identificador de um livro - não só por razões comerciais ou catalográficas, mas até como um indicador da maior ou menor transparência nos procedimentos adotados pelas editoras.
então gostaria de lembrar ao grupo geração, como responsável pelo selo jardim dos livros, que todos os títulos do referido selo (à exceção de um, justamente a arte da guerra do tal nikko bushido, de triste fama) apresentam problemas de isbn: ou não estão cadastrados ou, quando cadastrados, os números não batem com os que estão no catálogo do site. em vista da decisão do sr. luiz emediato em proceder à retirada de circulação dos títulos com fraude, eu sugeriria humildemente que aproveitasse a ocasião e determinasse a regularização dos isbns dos demais títulos.
imagem: en.wikipedia.org
29 de jan. de 2009
jardim dos livros
Alertados pela fraude das traduções de livros da Jardim - e agora pelo renomado Jorio Dauster, que sempre admirei - mandamos avaliar as traduções.
Já identificamos os problemas e tomamos a decisão (já anunciada para a senhora) de determinar a nossos sócios que:
1. Retirem do mercado os livros "contaminados".
2. Providenciem novas traduções para os livros que valem a pena manter à disposição dos leitores.
Luiz Fernando Emediato
pedi ao sr. luiz fernando emediato uma estimativa de prazo. (isso porque, por exemplo, a martin claret sempre dizia que ia retirar de circulação seus plágios, e no fim acabava nunca tirando.) são casos muito diferentes, naturalmente, e a gente sempre torce pelo melhor.
28 de jan. de 2009
alô, alô, realengo
uma coisa interessante, por ora apenas um detalhe, mas que achei curioso.a nova (in)cultural, como a grande desbravadora da rota do plagiato industrial, solertemente acompanhada pelo meliante martin claret, sempre e sempre perpetrou suas delinquências em cima de obras com o original em domínio público. concentrava-se no roubo de traduções, poupando-se a dor de cabeça e o valor de renovar contratos com as editoras legítimas detentoras dos direitos de publicação das tradução ou, em caso das editoras extintas, com os legítimos sucessores desses direitos.
mesmo a pífia tentativa do sr. fábio cyrino, da landmark, de se arrogar a "co-autoria" tradutória de persuasion com a deslavada cópia da tradução de isabel sequeira, ou seu suposto abuso dos termos do contrato tido e havido com a revisora carolina caires coelho, segundo informa ela, no caso da escancarada cópia de o morro dos ventos uivantes, movem-se no campo de obras em domínio público.
a grande novidade trazida em julho de 2008 pelo jardim dos livros, como selo da geração editorial, é praticar o saque explícito em cima de traduções de obras atuais, remotamente afastadas de qualquer futura data para entrar em domínio público.
então, donas editoras preocupadas com a concorrência predatória, atenção aí: esse tipo de tubaína não está apenas poupando lá seus tostões nos contratos de cessão de direitos das traduções, mas pelo visto, ao menos no caso de o essencial do alcorão, dispensa-se sequer de se preocupar com os direitos da obra originária. afora os dois aspectos principais: tratar a nós leitores feito papalvos e detonar qualquer possibilidade de consolidação de um patrimônio intelectual do país.
e depois sou eu que faço "acusações injustas"? acorda lá, seu luiz emediato, e veja se o jardim dos livros que o sr. comprou não veio infestado de erva daninha. como dizem, quem avisa amigo é, e o sr. devia era mais me agradecer. limpe o joio, e dê continuidade àquela sua tão relembrada iniciativa de recall em 2000, arranque ligeiro esse matagal que infesta seu jardim, dê as devidas satisfações ao povo que entregou seu dinheirinho para comprar tais coisas, e toque o barco em frente, com dignidade.
pois isso quem é de bem não merece.
imagem: http://www.ckagricola.com/ckagricola/arquivos/tubarao.jpg
27 de jan. de 2009
sobre o essencial do alcorão
trata-se do plágio apontado por joana canêdo na edição o essencial do alcorão, de thomas cleary, pelo jardim dos livros, selo da geração editorial (conforme consta em seu release), aqui noticiado em 23 de janeiro. reproduzo os comentários de joana:
"Não precisei ir além da primeira página no cotejo. Para não dizer que não tem uma vírgula fora do lugar, na última linha da página tem uma vírgula a mais antes do 'etc.'. Além disso, eles atualizaram a referência bibliográfica para a norma abnt corrente - quanta presteza! Diga-se de passagem, até a nota do tradutor é idêntica. Curioso como duas pessoas diferentes conseguem não só fazer a mesma tradução, mas tb bolar a mesma nota! Se ainda não está convencida, digo com todas as letras: não são em absoluto duas traduções; é a mesma tradução letra por letra.Tá bom, eles inovaram na edição: cortaram a introdução no meio e criaram um capítulo novo que começa no parágrafo em que a introdução havia sido interrompida. Outra novidade é uma nota que na edição de 1993 não tem autoria indicada (o que dá a entender que se trata de uma nota do autor), agora devidamente assinada por Pedro H. Berwick! Ok, talvez eu esteja exagerando, já que as notas do autor estão devidamente organizadas no final do capítulo da ed. de 1993 e devidamente reproduzidas nos rodapés da ed. de 2008."
comparando-se os scans aqui publicados com a introdução e o primeiro capítulo disponíveis para download no site geração online, fica evidente que se trata de uma cópia da tradução de leila v. b. gouvêa, publicada pela best seller em 1993, lançada no jardim dos livros em julho de 2008 em nome de "pedro h. berwick".
meus votos de que o grupo responsável pelo selo tome rápidas providências para retirar o livro de circulação e fazer uma errata pública avisando os leitores sobre o fato.
26 de jan. de 2009
mais claro impossível
Excelente sua resposta, clara e objetiva. Não resta dúvida de que, ao adquirir a Jardim dos Livros e continuar a publicar as obras que passaram a seu controle no bojo dessa operação, a Editora Geração passou a ser responsável pela distribuição do plágio da Arte da Guerra. Caso seus dirigentes não soubessem que a tradução era um miserável embuste, basta que reconheçam esse fato, suspendam imediatamente a venda da obra conspurcada e encomendem novo texto em português junto a um dos muitos bons tradutores que estão por aí – sem prejuízo de buscar reparação judicial junto aos que lhe venderam um produto tóxico.
Jorio Dauster
PS – Você está autorizada a publicar essa mensagem no blog.
esclarecimentos dos esclarecimentos
pelas seguintes razões:
- as informações sobre o livro a arte da guerra, que consta no catálogo do grupo geração, foram extraídas do site geração online.
- as informações de que a geração editorial, em sociedade com a editora leitura, adquiriu 50% da antiga editora jardim dos livros, convertendo-a em selo do grupo geração, também foram extraídas do site geração online.
- as informações sobre a responsabilidade específica da editora geração pela parte editorial do grupo geração foram igualmente extraídas do mesmo comunicado no site geração online.
- as informações sobre a prática de plágio utilizada na obra a arte da guerra pela jardim dos livros foram extraídas da matéria "o pega-pega da arte da guerra", de adam sun, na revista piauí, n. 22.
- as informações sobre a manutenção da obra a arte da guerra no catálogo ativo do grupo geração foram extraídas do informativo publishnews.
- as datas de referência:
a. da formação do grupo geração, com a transformação da editora jardim dos livros em selo editorial do grupo e a definição da responsabilidade editorial específica a cargo da editora geração;
b. da denúncia de plágio da obra a arte da guerra, feita por adam sun;
c. da divulgação dos resultados comerciais do grupo geração para o ano de 2008, com destaque para a referida obra a arte da guerra,
são respectivamente os meses de março, julho e novembro de 2008.
- as informações referentes ao teor e à cronologia das datas acima citadas foram extraídas: a. do site geração online; b. da revista piauí; c. do site da publishnews.
- as informações sobre os números de isbns estampados na obra, seja em paperback ou em formato pocket, foram extraídas do site geração online, já mencionado, e do site da agência brasileira do isbn, na fundação biblioteca nacional, além de verificação adicional feita em consulta aos sites de várias livrarias, a saber, livraria cultura, fnac e curitiba (n/c). as discrepâncias apontadas no nãogostodeplágio resultaram das comparações entre essas fontes.
não posso crer que todas essas fontes sejam levianas ou inverídicas. meu trabalho de consulta e pesquisa se baseou nas referências acima citadas, que foram sistematicamente mencionadas neste blog. quanto às conclusões objetivas a partir de tais informações, parecem-me acima de qualquer margem de dúvida.
esclareço também que não é meu propósito levantar acusações contra quem quer que seja. não faço trabalho de promotoria; faço pesquisas editoriais - quando constato eventuais irregularidades, apropriações, fraudes e falsificações, venho a público e apresento os fatos.
por fim, quanto à conceituação utilizada neste blog para definir os casos de irregularidades comprovadas, ela se baseia em dois elementos:
a. a convicção implícita e explícita de que o livro é um bem cultural e social da máxima importância, regulamentado por leis e normas que devem ser acatadas e cumpridas pelas editoras e seus responsáveis;
b. as acepções dicionarizadas dos termos, aplicados aos casos pertinentes após análise cuidadosa dos fatos objetivos.
não sou diretora de consciência de ninguém - mas, como cidadã preocupada com a idoneidade editorial brasileira submetida a fortes abalos desde 1995, expresso constantemente meus votos de que as editoras envolvidas interrompam essas práticas lesivas e contribuam para a restauração da credibilidade do livro no país.
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notificação
como ele especificava que seu conteúdo era sigiloso e proibia a divulgação de seu teor, no mesmo dia solicitei ao remetente autorização para publicá-lo no blog, pois a matéria tratada dizia respeito a dados divulgados publicamente no nãogosto, sob minha responsabilidade.
hoje recebi a gentil autorização de divulgá-lo com seus esclarecimentos.
Prezada Senhora Denise Bottman
Na qualidade de advogados de Luiz Fernando Emediato e Editora Geração de Comunicação Integrada Comercial Ltda., vimos, pela presente, esclarecer serem inverídicos os fatos narrados na matéria veiculada no blog Não gosto de plágio¸ em que, de forma leviana e sem o comprometimento com a busca da verdade real, foram feitas acusações contra nossos clientes.
O Grupo Geração e Luiz Fernando Emediato não possuem nenhuma ligação com a publicação referenciada. Já a Editora Geração apenas adquiriu o selo O Jardim dos Livros muito tempo depois da publicação da arte da guerra.
Por fim, vale ressaltar ser positiva a livre manifestação das pessoas, sendo que eventuais excessos com falsas acusações, calúnias e difamações serão prontamente refutadas, com medidas judiciais objetivando o resguardo à honra e dignidade das pessoas atacadas.
Atenciosamente
Armando Mendonça
Gerson Mendonça Neto
Advocacia
23 de jan. de 2009
o essencial do alcorão/ best seller 6
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

