28/01/2009

alô, alô, realengo

uma coisa interessante, por ora apenas um detalhe, mas que achei curioso.

a nova (in)cultural, como a grande desbravadora da rota do plagiato industrial, solertemente acompanhada pelo meliante martin claret, sempre e sempre perpetrou suas delinquências em cima de obras com o original em domínio público. concentrava-se no roubo de traduções, poupando-se a dor de cabeça e o valor de renovar contratos com as editoras legítimas detentoras dos direitos de publicação das tradução ou, em caso das editoras extintas, com os legítimos sucessores desses direitos.

mesmo a pífia tentativa do sr. fábio cyrino, da landmark, de se arrogar a "co-autoria" tradutória de persuasion com a deslavada cópia da tradução de isabel sequeira, ou seu suposto abuso dos termos do contrato tido e havido com a revisora carolina caires coelho, segundo informa ela, no caso da escancarada cópia de o morro dos ventos uivantes, movem-se no campo de obras em domínio público.

a grande novidade trazida em julho de 2008 pelo jardim dos livros, como selo da geração editorial, é praticar o saque explícito em cima de traduções de obras atuais, remotamente afastadas de qualquer futura data para entrar em domínio público.

então, donas editoras preocupadas com a concorrência predatória, atenção aí: esse tipo de tubaína não está apenas poupando lá seus tostões nos contratos de cessão de direitos das traduções, mas pelo visto, ao menos no caso de o essencial do alcorão, dispensa-se sequer de se preocupar com os direitos da obra originária. afora os dois aspectos principais: tratar a nós leitores feito papalvos e detonar qualquer possibilidade de consolidação de um patrimônio intelectual do país.

e depois sou eu que faço "acusações injustas"? acorda lá, seu luiz emediato, e veja se o jardim dos livros que o sr. comprou não veio infestado de erva daninha. como dizem, quem avisa amigo é, e o sr. devia era mais me agradecer. limpe o joio, e dê continuidade àquela sua tão relembrada iniciativa de recall em 2000, arranque ligeiro esse matagal que infesta seu jardim, dê as devidas satisfações ao povo que entregou seu dinheirinho para comprar tais coisas, e toque o barco em frente, com dignidade.

pois isso quem é de bem não merece.

imagem: http://www.ckagricola.com/ckagricola/arquivos/tubarao.jpg

2 comentários:

  1. Denise,
    cá estou para verificar se meu Gattopardo é rapaz direitinho e "traduzido de boa família". Vejamos, Abril Cultural, 1974, Rui Cabeçadas... ufa, estou salva!
    Comprei também por 3 pilas, quase morri de alegria! Eu sei, eu sei, estou virada numa sovina... mas se não for assim, como compraria?
    beijocas

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  2. 30 anos morando em Realengo

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