30 de abr de 2008

aviso aos navegantes


em algumas tentativas de autodefesa, a editora nova cultural vem tentando circunscrever à coleção "obras-primas" o problema de suas edições com algumas irregularidades aqui apontadas.

repetindo, a título de esclarecimento, a coleção "obras-primas" da nova cultural foi lançada em 2002 com patrocínio da suzano celulose, para venda em bancas de jornal. inicialmente seria composta por 40 títulos, e algum tempo depois, devido ao êxito da iniciativa, segundo a diretoria editorial, resolveram ampliar a coleção para 50 títulos.

os cotejos realizados mostram que boa parte desses títulos foi editada com alteração nos créditos de tradução, sendo que as traduções pertenciam, na verdade, a outros autores, que assim, mesmo em sua maioria já falecidos, foram afetados em seus direitos morais, os leitores enganados, e o patrimônio cultural do país lesado.

por outro lado, está demonstrado também que essa prática de alteração dos créditos dos tradutores na editora nova cultural não se iniciou em 2002, e vinha ocorrendo pelo menos desde 1995.

assim, parece descabida a tentativa da nova cultural de limitar esse problema à coleção obras-primas de 2002-2003 (a qual, diga-se de passagem, alterou o nome dos verdadeiros tradutores em alguns milhões de exemplares).

é muito importante que as pessoas tenham consciência dos volumes com que estamos tratando: por princípio, este é em si um procedimento absolutamemente ilegal, quer tenha ocorrido em 1, 1.000 ou 1.000.000 de exemplares. todavia, quando a superfície de exposição é realmente em escala industrial, o princípio legal continua igualmente ferido, porém o dano é exponencialmente maior.

então está-se falando, apenas no âmbito da coleção obras-primas, de exemplares fraudados na casa de quase 3 milhões de exemplares, segundo depoimentos dados pela própria nova cultural à imprensa. cada livro tem como superfície de exposição, entre lar e bibliotecas públicas, uma base mínima de 10 pessoas, ou seja, apenas nos casos já devidamente apresentados, estamos falando de dezenas e dezenas de milhões de leitores sem o devido acesso às informações corretas.

em primeiro lugar, restringir o problema dos plágios ao período de 2002-2003 não atenua de maneira alguma os danos que disso decorreriam e que são incalculáveis.

em segundo lugar, a insistência em circunscrevê-lo a esse período chega a chamar a atenção por ser tão forçada.

o que está se tentando proteger no período anterior a 2002, se é uma evidência palmar que as alterações se iniciaram em 1995?

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