17 de abr de 2008

palimpsesto IX

o último quadro, no entanto, representava um drama. próximo ao coelho, que continuava a comer, via-se um rapaz em posição estendida como se estivesse morto. a jovem contemplava-o, abrindo o seio com uma espada, e os frutos da árvores tinham-se tornado escuros.

jeanne já estava a renunciar à compreensão da história quando descobriu num canto da gravura um animalzinho tão microscópico que o coelho, se fosse real, tê-lo-ia comido como uma verdade qualquer. e no entanto era a efígie de um leão.

guy de maupassant, uma vida, trad. ascendino leite
(atribuída pela nova cultural a roberto domênico proença)