08/01/2009

esta é para a letícia

acho o isbn uma coisa muito legal.
significa international standard book number, e é uma identificação única, exclusiva e irrepetível do livro publicado. é um sistema internacional e o número é composto assim:
978 – país – editora – livro – dígito verificador.

por exemplo, o isbn de persuasão da landmark é 978-85-88781-33-7. 85 é brasil; 88781 é o código da landmark na fbn, e 33 é o número sequencial que corresponde ao 33º. livro cadastrado pela editora na agência do isbn.

existe uma agência internacional que controla tudo isso. essa agência internacional designa agências nacionais, uma em cada país, que ficam com a responsabilidade de atribuir os tais números aos editores locais. no brasil, a agência nacional do isbn faz parte da fundação biblioteca nacional. quem se interessar, está tudo explicadinho no site deles.

bom, este é o princípio, tal é a teoria. aí claro que, por razões profundamente incrustadas em nossa história, nossa agência nacional cadastra e atribui isbns a coisas medonhas, tipo o monte de traduções de bocage, machado de assis, josé de alencar, eça de queiroz, que a martin claret cadastrou lá em nome de pietro nassetti, marcellin talbot etc.

aí, depois de ganhar o isbn, a editora publica o livro e, por lei, deve enviar um exemplar impresso para a biblioteca nacional, também na fbn. lá ele ganha uma ficha catalográfica própria e passa a fazer parte do acervo físico da bn.

ou seja, o mesmo livro tem dois registros: um na agência do isbn e outro na bn.

acontece que, mesmo que a fundação biblioteca nacional abrigue simultaneamente a agência do isbn e a própria biblioteca nacional, ela é incapaz de ter um sistema capaz de cruzar os dados. isso, em meus parcos conhecimentos computadorísticos, não me parece a coisa mais impossível do mundo. mas ok, a agência do isbn e a bn não cruzam seus dados, e ponto.

essa falha primária da fbn traz à tona coisas interessantes. já noticiei várias delas aqui, e hoje quero mencionar um relacionado à landmark.

a landmark cadastrou sua edição de o morro dos ventos uivantes na agência do isbn creditando a tradução a alguém de nome "ana maria oliveira rosa".

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
ISBN:
978-85-88781-34-4
TÍTULO: O MORRO DOS VENTOS UIVANTES - WUTHERING HEIGHTS - EDIÇÃO BILÍNGÜI
AUTOR: EMILY BRONTË
TRADUTOR: ANA MARIA OLIVEIRA ROSA
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2007
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 288
EDITORA: LANDMARK

o problema é que, no exemplar impresso, consta que a tradução foi feita por caroline caires coelho.

a fbn contribuiria muito para a transparência editorial se começasse a cruzar seus dados e a tomar providências nos casos de irregularidade. o cadastro do isbn é bom, mas seria melhor se seus dados correspondessem de fato ao livro impresso. isto é, seria melhor se o international standard book number fosse de fato um identificador numérico do livro.

imagens: logo isbn; www.cityofwinkler.com

7 comentários:

  1. Oi, Denise,

    Obrigada pela dedicatória!

    Ia escrever um tratado aqui,mas limito-me a dizer que o registro de obras é como papel: aceita qualquer coisa.

    Nunca entrou muito bem na minha cabeça que se libere um livro na boa a partir de um simples formulário.

    E já cheguei a gastar horas imaginando onde a BN enfia tanta produção como as que você citou.

    Quanto à Landmark, ou eles têm um plano malévolo com essa "bi-tradução" ou é bagunça interna mesmo.

    ResponderExcluir
  2. Cheguei aqui pelo "Jane Austen em português" e gostei muito da iniciativa.

    Já que você está mais por dentro desses problemas de plágio em tradução, queria saber se conhece boas traduções do romance "Jane Eyre".

    Abs!

    ResponderExcluir
  3. pois é, letícia. na verdade o isbn começou como simples informação de ordem comercial, para facilitar vendas e distribuição. hoje em dia considero quase como um rg ou um cpf do livro...

    ResponderExcluir
  4. prezada elaine, obg pela visita! vou visitá-la em seu blog e lá darei meus palpites ;-)

    ResponderExcluir
  5. Denise, obrigada pela visita e pela dica! Me ajudou bastante.

    Bjs!

    ResponderExcluir
  6. Denise, isto não tem fim! Não sei como consegues, eu já estaria atordoada.
    um abraço,

    ResponderExcluir
  7. pois é, querida raquel, acho até que é de propósito. fica tudo tão confuso e embrulhado que o pobre do leitor acaba se resignando aos despautérios :((

    ResponderExcluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.