16/03/2009

o essencial do jardim dos livros


algum tempo atrás, apresentei aqui o caso de o essencial do alcorão, de thomas cleary, publicado no ano passado pela jardim dos livros (selo do grupo geração). essa edição é uma valente garfada da tradução de leila v.b. gouvêa, publicada pela editora bestseller, e dá como tradutor um tal de "pedro h. berwick". os cotejos saíram em 6 posts, a partir daqui.

na ocasião, o sr. luiz fernando emediato, responsável pelo setor editorial do grupo, comprometeu-se a retirar a obra espúria de catálogo e de circulação. infelizmente, porém, ele deve andar muito ocupado, pois não teve tempo de tomar suas providências. passados quase dois meses, o essencial do alcorão continua belo e formoso no site geraçãobooks, impávido e destemido nas prateleiras da saraiva, cultura, siciliano, submarino, loyola etc.

mas imagino que o sr. luiz saberá honrar a palavra empenhada, e por isso apresento mais um cotejo de outra infeliz obra sob sua responsabilidade editorial. quem sabe, tendo um tempinho, ele já não aproveita e tira essa fraude também?
a outra solene garfada do jardim dos livros, selo do grupo geração, foi em cima de o essencial de jesus, de john dominic crossan, também em 2008. o glutão é o mesmo misterioso "pedro h. berwick", e a vítima foi uma vez mais a editora bestseller, que havia publicado a obra em 1994 na tradução de ymaly salem chammas.
1. ymaly salem chammas (bestseller)
PRÓLOGO
Espalhados pelos campos, podem-se observar certos animais selvagens, machos e fêmeas, escuros, lívidos e queimados pelo Sol, atados à terra que escavam e revolvem com invencível teimosia. Entretanto, eles produzem algo parecido com uma voz articulada e, quando se levantam, revelam uma face humana. Na verdade, eles são seres humanos... Graças a eles, os outros seres humanos não precisam semear, trabalhar e colher para viver. É por isso que a eles não deve faltar o pão que semearam.

Jean la Bruyère, moralista francês do final do século dezessete (citado por Eric J. Hobsbawm, Journal of Peasant Studies, vol. 1 [1973])
A Roma Imperial
É repleta de arcos do triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem
Os Césares triunfaram?

César derrotou os gauleses.
Não havia nem mesmo um cozinheiro em seu exército?

Cada página uma vitória.
A custa de quem o baile da vitória?
Em cada década um grande homem.
Quem pagou a conta?

Tantas particularidades.
Tantas perguntas.

Bertolt Brecht, A Worker Reads History
Se nenhum cristão houvesse escrito nada sobre Jesus durante os primeiros cem anos após a sua morte, ainda teríamos dois relatos sucintos daqueles que não estavam entre os seus seguidores. Um relato data da última década do século primeiro e vem do historiador judeu Flávio Josefo em Jewish Antiquities, 18.63:

Naquela época lá vivia Jesus, um homem sábio... Pois ele era um homem que operava feitos surpreendentes e era um mestre para as pessoas que aceitam a verdade com alegria. Ele ganhou o apoio de muitos judeus e de muitos gregos...
Quando Pilatos, depois de ouvi-lo ser acusado pelos homens mais honrados dentre nós, o condenou à crucificação, aqueles que o haviam seguido para amá-lo não desistiram do afeto por ele... E a tribo dos cristãos, assim chamada em homenagem ao seu nome, até hoje não desapareceu.

Essa descrição é cuidadosamente neutra ou, no máximo, ligeiramente crítica. O texto original foi conservado, mas existe uma versão modificada pelos editores cristãos, porém eu o cito sem as alterações propostas.
O relato seguinte data das primeiras décadas do século dois e foi escrito pelo historiador pagão Cornélio Tácito. Tendo dito que um rumor culpava Nero pelo desastroso incêndio que destruiu Roma no ano 64 d.C., ele prossegue em Anais, 15.44:

Portanto, para encerrar os rumores, Nero apontou como culpada, e puniu com os mais extremos requintes de crueldade, uma classe de homens, abominada por seus vícios, que o povo conhecia como cristãos. Cristo, o “fundador” do nome, havia recebido o castigo da morte no reinado de Tibério, sentenciado pelo procurador Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa havia sido interrompida na época, somente para recrudescer mais uma vez, não apenas na Judéia, lugar de origem da doença, mas na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou vergonhosas do mundo se reúnem e encontram expressão.
Apesar das diferenças entre a imparcialidade calculada de Josefo e a parcialidade cheia de desprezo de Tácito, eles concordam em três fatos bastante elementares. Primeiro, havia algum tipo de movimento associado a Jesus. Segundo, ele foi executado por uma autoridade oficial presumivelmente para encerrar o movimento. Terceiro, em vez de morrer, o movimento continuou a se espalhar.
Permanecem, portanto, esses três fatos: movimento, execução, continuação. Mas o maior deles é a continuação.

2. pedro h. berwick (selo jardim dos livros)

PRÓLOGO
Espalhados pelos campos, podem-se observar certos animais selvagens, machos e fêmeas, escuros, lívidos e queimados pelo Sol, atados à terra que escavam e revolvem com invencível teimosia. Entretanto, eles produzem algo parecido com uma voz articulada e, quando se levantam, revelam uma face humana. Na verdade, eles são seres humanos... Graças a eles, os outros seres humanos não precisam semear, trabalhar e colher para viver. É por isso que a eles não deve faltar o pão que semearam.

Jean la Bruyère, moralista francês do final do século dezessete (citado por Eric J. Hobsbawm, Journal of Peasant Studies, vol. 1 [1973])

A Roma Imperial
É repleta de arcos do triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem
Os Césares triunfaram?

César derrotou os gauleses.
Não havia nem mesmo um cozinheiro em seu exército?

Cada página uma vitória.
À custa de quem o baile da vitória?
Em cada década um grande homem.
Quem pagou a conta?

Tantas particularidades.
Tantas perguntas.

Bertolt Brecht, A Worker Reads History

Se nenhum cristão houvesse escrito nada sobre Jesus durante os primeiros cem anos após a sua morte, ainda teríamos dois relatos sucintos daqueles que não estavam entre os seus seguidores. Um relato data da última década do século primeiro e vem do historiador judeu Flávio Josefo em Jewish Antiquities, 18.63:

Naquela época lá vivia Jesus, um homem sábio... Pois ele era um homem que operava feitos surpreendentes e era um mestre para as pessoas que aceitam a verdade com alegria. Ele ganhou o apoio de muitos judeus e de muitos gregos... Quando Pilatos, depois de ouvi-lo ser acusado pelos homens mais honrados dentre nós, o condenou à crucificação, aqueles que o haviam seguido para amá-lo não desistiram do afeto por ele... E a tribo dos cristãos, assim chamada em homenagem ao seu nome, até hoje não desapareceu.

Essa descrição é cuidadosamente neutra ou, no máximo, ligeiramente crítica. O texto original foi conservado, mas existe uma versão modificada pelos editores cristãos, porém eu o cito sem as alterações propostas. O relato seguinte data das primeiras décadas do século dois e foi escrito pelo historiador pagão Cornélio Tácito. Tendo dito que um rumor culpava Nero pelo desastroso incêndio que destruiu Roma no ano 64 d.C., ele prossegue em Anais, 15.44:

Portanto, para encerrar os rumores, Nero apontou como culpada, e puniu com os mais extremos requintes de crueldade, uma classe de homens, abominada por seus vícios, que o povo conhecia como cristãos. Cristo, o “fundador” do nome, havia recebido o castigo da morte no reinado de Tibério, sentenciado pelo procurador Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa havia sido interrompida na época, somente para recrudescer mais uma vez, não apenas na Judéia, lugar de origem da doença, mas na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou vergonhosas do mundo se reúnem e encontram expressão.

Apesar das diferenças entre a imparcialidade calculada de Josefo e a parcialidade cheia de desprezo de Tácito, eles concordam em três fatos bastante elementares. Primeiro, havia algum tipo de movimento associado a Jesus. Segundo, ele foi executado por uma autoridade oficial presumivelmente para encerrar o movimento. Terceiro, em vez de morrer, o movimento continuou a se espalhar.
Permanecem, portanto, esses três fatos: movimento, execução, continuação. Mas o maior deles é a continuação.


1. ymaly salem chammas (bestseller)
CONTEXTOS
Nós queremos que todos trabalhem, como nós. Não deveria mais haver ricos e pobres. Todos deveriam ter o pão para se alimentar e alimentar os filhos. Deveríamos ser todos iguais. Eu tenho cinco filhos e apenas um quarto pequeno, onde temos de comer e dormir e fazer tudo, enquanto tantos Senhores (signori) têm dez ou doze quartos, palácios inteiros... Será suficiente compartilhar tudo e dividir com justiça o que se produz.
Camponesa anônima de Piana dei Greci, província de Palermo, Sicília, falando a um jornalista do norte da Itália durante uma rebelião de camponeses em 1893 (citada por Eric J. Hobsbawm, Primitive Rebels: Studies in Archaic Forms of Social Movement in the 19th and 20th Centuries [New York: Norton, 1965])
Um duplo entrave sempre permeou o núcleo da história mediterrânea: a pobreza e a incerteza do amanhã.

Fernand Braudel

No mundo precário do Mediterrâneo, o reino dos Céus tinha de estar relacionado a alimentos e bebida.

Peter Brown
O Que É Essencial Sobre Jesus?
Dois problemas principais surgem quando se aplica o termo essencial a Jesus. O primeiro é se estamos falando do Jesus canônico ou do Jesus histórico. O Jesus canônico é a figura que permeia os quatro evangelhos oficiais do Novo Testamento das igrejas cristãs. Uma possível interpretação do termo essencial seria aquele Jesus oficial, conforme retratado exclusivamente nos textos aprovados. Mas escolhi, no lugar disso, interpretar essencial como significando histórico, designando não o Jesus descrito pelos cristãos, que acreditam nos evangelhos escritos entre quarenta e sessenta anos após a sua morte, mas, sim, aquele Jesus que poderia ter sido visto na Galiléia durante a sua vida real. Imagine, por exemplo, estas respostas de observadores diferentes, que viram e ouviram exatamente as mesmas palavras e feitos daquele Jesus
histórico:

Ele é perigoso, vamos combatê-lo.
Ele é criminoso, vamos executá-lo.
Ele é divino, vamos segui-lo.


Um relato histórico deve ser capaz de explicar todas essas respostas diferentes, ou então não será fiel ao que aconteceu.
Neste livro, portanto, o Jesus essencial significa não o Jesus canônico, mas o Jesus histórico. Não irei simplesmente examinar os quatro evangelhos do Novo Testamento, pinçar os ditos mais conhecidos de Jesus e reinterpretá-Ios. Em vez disso, apresento aqueles ditos que, segundo a minha melhor avaliação histórica, são originais de Jesus. Já tive oportunidade de defender essa avaliação em dois livros anteriores*, assim este livro conclui uma trilogia sobre o Jesus histórico.

* The Historical Jesus: The Life of a Mediterranean Jewish Peasant. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991. Edição Encapada, 1993. Jesus: A Revolutionary Biograp­hy. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1994.
O segundo problema é tão difícil e importante quanto o primeiro. Seria o essencial de Jesus uma questão de palavra sem feito, de idéia sem ação, de visão sem programa? Imagine, por exemplo, um livro sobre o Gandhi essencial, ou sobre o Martin Luther King Jr. essencial: seria suficiente conhecer uma seleção bem-feita e representativa das suas palavras e ignorar suas práticas? Não se estaria, assim, negando o que lhes é mais essencial, notadamente a conjunção de suas visões eprogramas, da vida e da morte? O mesmo se dá com o Jesus essencial. Ele tinha um sonho religioso e um programa social, e foi essa conjunção que provocou sua morte. O Império Romano pode ter abusado do seu poder com freqüência, mas raramente o exercia sem necessidade. Ele
não crucificava professores ou filósofos; exilava-os permanentemente ou os removia de Roma periodicamente. Na verdade, se Jesus tivesse sido apenas uma questão de palavras ou idéias, os romanos provavelmente o teriam ignorado e, talvez, não estaríamos falando dele hoje. O
movimento do seu Reino, entretanto, com suas curas e exorcismos, era ação e prática, não pensamento e teoria. Mas como se pode mostrar um programa num livro? É possível, naturalmente, notar as palavras por meio das quais Jesus se refere ao seu programa, ou coloca em prática seus procedimentos. Contudo, ainda estaríamos emaranhados em palavras e textos. Para ver um programa em ação é preciso ter acesso a imagens, de preferência, é claro, com transmissões ao vivo via satélite! Minha solução, na ausência de vídeos arcaicos da antiga Galiléia, depende das imagens intercaladas com os ditos que se encontram no corpo deste livro. Essas imagens não são, definitivamente, meros ornamentos. São os mais antigos retratos do programa de Jesus e, conseqüentemente, constituem um complemento necessário às traduções das palavras de Jesus. Neste livro, em resumo, o Jesus essencial é o Jesus histórico, com sua visão e seu programa.

2. pedro h. berwick (selo jardim dos livros)



CONTEXTOS
Nós queremos que todos trabalhem, como nós. Não deveria mais haver ricos e pobres. Todos everiam ter o pão para se alimentar e alimentar os filhos. Deveríamos ser todos iguais. Eu tenho cinco filhos e apenas um quarto pequeno, onde temos de comer e dormir e fazer tudo, enquanto tantos Senhores (signori) têm dez ou doze quartos, palácios inteiros... Será suficiente compartilhar tudo e dividir com justiça o que se produz.

Camponesa anônima de Piana dei Greci, província de Palermo, Sicília, falando a um jornalista do norte da Itália durante uma rebelião de camponeses em 1893 (citada por Eric J. Hobsbawm, Primitive Rebels: Studies in Archaic Forms of Social Movement in the 19th and 20th Centuries New York: Norton, 1965)

Um duplo entrave sempre permeou o núcleo da história mediterrânea: a pobreza e a incerteza do amanhã.
Fernand Braudel

No mundo precário do Mediterrâneo, o reino dos Céus tinha de estar relacionado a alimentos e bebida.
Peter Brown

O Que É Essencial Sobre Jesus?

Dois problemas principais surgem quando se aplica o termo essencial a Jesus. O primeiro é se estamos falando do Jesus canônico ou do Jesus histórico. O Jesus canônico é a figura que permeia os quatro evangelhos oficiais do Novo Testamento das igrejas cristãs. Uma possível interpretação do termo essencial seria aquele Jesus oficial, conforme retratado exclusivamente nos textos aprovados. Mas escolhi, no lugar disso, interpretar essencial como significando histórico, designando não o Jesus descrito pelos cristãos, que acreditam nos evangelhos escritos entre quarenta e sessenta anos após a sua morte, mas, sim, aquele Jesus que poderia ter sido visto na Galiléia durante a sua vida real. Imagine, por exemplo, estas respostas de observadores diferentes, que viram e ouviram exatamente as mesmas palavras e feitos daquele Jesus histórico:

Ele é perigoso, vamos combatê-lo.
Ele é criminoso, vamos executá-lo.
Ele é divino, vamos segui-lo.

Um relato histórico deve ser capaz de explicar todas essas respostas diferentes, ou então não será fiel ao que aconteceu. Neste livro, portanto, o Jesus essencial significa não o Jesus canônico, mas o Jesus histórico. Não irei simplesmente examinar os quatro evangelhos do Novo Testamento, pinçar os ditos mais conhecidos de Jesus e reinterpretá-Ios. Em vez disso, apresento aqueles ditos que, segundo a minha melhor avaliação histórica, são originais de Jesus. Já tive oportunidade de defender essa avaliação em dois livros anteriores*, assim este livro conclui uma trilogia sobre o Jesus histórico.

* The Historical Jesus: The Life of a Mediterranean Jewish Peasant. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991. Edição Encapada, 1993. Jesus: A Revolutionary Biograp­hy. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1994.

O segundo problema é tão difícil e importante quanto o primeiro. Seria o essencial de Jesus uma questão de palavra sem feito, de idéia sem ação, de visão sem programa? Imagine, por exemplo, um livro sobre o Gandhi essencial, ou sobre o Martin Luther King Jr. essencial: seria suficiente conhecer uma seleção bem-feita e representativa das suas palavras e ignorar suas práticas? Não se estaria, assim, negando o que lhes é mais essencial, notadamente a conjunção de suas visões e programas, da vida e da morte? O mesmo se dá com o Jesus essencial. Ele tinha um sonho religioso e um programa social, e foi essa conjunção que provocou sua morte. O Império Romano pode ter abusado do seu poder com freqüência, mas raramente o exercia sem necessidade. Ele não crucificava professores ou filósofos; exilava-os permanentemente ou os removia de Roma periodicamente. Na verdade, se Jesus tivesse sido apenas uma questão de palavras ou idéias, os romanos provavelmente o teriam ignorado e, talvez, não estaríamos falando dele hoje. Omovimento do seu Reino, entretanto, com suas curas e exorcismos, era ação e prática, não pensamento e teoria. Mas como se pode mostrar um programa num livro? É possível, naturalmente, notar as palavras por meio das quais Jesus se refere ao seu programa, ou coloca em prática seus procedimentos. Contudo, ainda estaríamos emaranhados em palavras e textos. Para ver um programa em ação é preciso ter acesso a imagens, de preferência, é claro, com transmissões ao vivo via satélite! Minha solução, na ausência de vídeos arcaicos da antiga Galiléia, depende das imagens intercaladas com os ditos que se encontram no corpo deste livro. Essas imagens não são, definitivamente, meros ornamentos. São os mais antigos retratos do programa de Jesus e, conseqüentemente, constituem um complemento necessário às traduções das palavras de Jesus. Neste livro, em resumo, o Jesus essencial é o Jesus histórico, com sua visão e seu programa.
além disso, essa edição é chapa fria: seu suposto isbn 978-85-60018-12-3 não consta cadastrado na agência brasileira do isbn/fbn. a fraude se encontra à venda na fnac, cultura, siciliano, leitura, submarino etc.
imagens: images_businessweek.com; digitaldropos.com.br

ah, sr. luiz, por favor não se esqueça de retirar também a arte da guerra do tal nikko bushido!


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



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