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23 de jun. de 2017

mais cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil

Schopenhauer, 1887: 

O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.

A Semana, 1887, ed. 0144


Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.



Para um histórico de Schopenhauer no Brasil, veja-se aqui.


Tolstói, 1890:

A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.

Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.

Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.


Hegel, 1936:

A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.



Jane Austen, 1940:

Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.


Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.


Emily Dickinson, 1945:

Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].




Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.

29 de jun. de 2015

schopenhauer traduzido no brasil (1970-2015)

schopenhauer e seu poodle atma, em desenho de wilhelm busch


Para as traduções de Schopenhauer entre entre 1887 e 1969, veja aqui. Na segunda parte do levantamento das traduções brasileiras das obras de Schopenhauer, agora a partir de 1970, temos:

O mundo como vontade e representação (parte III); Crítica da filosofia kantiana; Parerga e paralipomena (capítulos V, VIII, XII e XIV). Trad. Maria Lúcia Cacciola e Wolfgang Leo Maar. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1974

Sobre a filosofia universitária. Tradução, apresentação e notas Maria Lucia Cacciola, Marcio Suzuki. São Paulo : Polis, 1991

Sobre livros e leitura = : Uber Lesen und Bucher. Trad. Philippe Humble e Walter Carlos Costa. Florianópolis : Paraula, 1993. Edição bilíngue

Fragmentos para a história da filosofia. Trad., apresentação e notas Maria Lúcia Cacciola. Biblioteca Pólen. São Paulo: Iluminuras, 1995

Sobre o fundamento da moral. Trad. Maria Lucia Cacciola. Coleção Clássicos. São Paulo : Martins Fontes, 1995

Como vencer um debate sem precisar ter razão. Trad. Daniela Caldas e Olavo de Carvalho. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997

Metafísica do amor, metafísica da morte. Trad. Jair Barboza. Coleção Obras de Schopenhauer. São Paulo: Martins Fontes, 2000

A metafísica do belo. Trad., apresentação e notas Jair Barboza. São Paulo: Unesp, 2001

O mundo como vontade e representação. Trad. M. F. Sá Correia. Rio de Janeiro : Contraponto, 2001

A arte de ser feliz : exposta em 50 máximas. Org. e ensaio de Franco Volpi; trad. Marion Fleischer (alemão) e Eduardo Brandão (italiano). São Paulo : Martins Fontes, 2001

A arte de ter razão : exposta em 38 estratagemas. Org. e ensaio de Franco Volpi; trad. Alexandre Krug (alemão) e Eduardo Brandão (italiano). São Paulo : Wmfmartinsfontes, 2001

Sobre a filosofia universitária. Trad. Maria Lúcia Cacciola e Márcio Suzuki. São Paulo: Martins Fontes, 2001

Aforismos para a sabedoria de vida. 2ª ed. Trad. Jair Barboza. Coleção Obras de Schopenhauer. São Paulo: Martins Fontes, 2002

Sobre a visão e as cores. Trad. Erlon José Paschoal. São Paulo: Nova Alexandria, 2003

Sobre o ofício do escritor. Trad. Luiz Sérgio Repa (alemão), Eduardo Brandão (italiano). Série Breves Encontros. São Paulo : Martins Fontes, 2003

A arte de se fazer respeitar exposta em 14 máximas, ou, Tratado sobre a honra. Org. e ensaio de Franco Volpi, trad. Karina Jannini (Volpi) e Maria Lúcia Mello Oliveira Cacciola (Schopenhauer). São Paulo : Martins Fontes, 2003

A arte de insultar. Org. e ensaio de Franco Volpi ; trad. Eduardo Brandão (italiano) e Karina Jannini (alemão). São Paulo : Martins Fontes, 2003

A arte de lidar com as mulheres. Org. e ensaio de Franco Volpi; trad. Eurides Avance de Souza (alemão) e Karina Janini (italiano). São Paulo : Martins Fontes, 2004

O mundo como vontade e como representação : primeiro tomo. Tradução, apresentação, notas e índices Jair Barboza. São Paulo : Ed. UNESP, 2005

A arte de escrever. Org., trad., prefácio e notas de Pedro Süssekind. Porto Alegre: L&PM, 2005

O amor: receitas práticas e sábias. Nietzsche, Schopenhauer, Ovídio, Platão e outros. São Paulo: Landy, 2006

Fragmentos sobre a história da filosofia [precedido de Esboço de uma história da doutrina do ideal e do real]. Trad. Karina Jannini, prefácio de Jair Barboza. São Paulo: Martins Fontes, 2007

A sabedoria da vida – A arte de organizar a vida e ter prazer e sucesso (excertos de Parerga e paralipomena). Trad. Jeanne Rangel. Golden Books, 2007

A arte de conhecer a si mesmo. Org. e ensaio, Franco Volpi; trad. Jair Barboza (alemão) e Silvana Cobucci Leite (italiano). São Paulo : Wmfmartinsfontes, 2009

"Sobre o suicídio", in Os filósofos e o suicídio. Org. e trad. deste artigo Fernando Rey Puente. Belo Horizonte: UFMG, 2008 

Sobre a filosofia e seu método. (Excerto de Parerga e paralipomena). Trad. Flamarion Caldeira Ramos. São Paulo: Hedra, 2010

Sobre a ética (Excerto de Parerga e paralipomena). Trad. Flamarion Caldeira Ramos. São Paulo: Hedra, 2012.

Bastar a si mesmo. Trad. Jair Barboza. São Paulo : Wmfmartinsfontes, 2012.

A arte de envelhecer, ou, Senilia / baseado na transcrição de Ernst Ziegler. Org. e intr. de Franco Volpi; trad. Karina Jannini. São Paulo : Wmfmartinsfontes, 2012

Sobre a morte : pensamentos e conclusões sobre as últimas coisas. Org. Ernst Ziegler e Franco Volpi, trad. Karina Jannini. São Paulo : Wmfmartinsfontes, 2013.

Aforismos para a sabedoria de vida. Trad. Gabriel Valladão Silva. Porto Alegre: L&PM, 2014

Sobre a vontade na natureza. Tradução, prefácio e notas de Gabriel Valladão Silva. Porto Alegre: L&PM, 2014

38 estratégias para vencer qualquer debate: a arte de ter razão. Trad. Camila Werner. Faro, 2014

O mundo como vontade e representação. Volume 1 (Tomo II, Complementos Livros I-II). Trad. Eduardo Ribeiro da Fonseca. Curitiba: Editora da UFPR, 2014

O mundo como vontade e representação. Volume 2 (Tomo II, Complementos Livros III-IV). Trad. Eduardo Ribeiro da Fonseca. Curitiba: Editora da UFPR, 2014


Claro que não poderia deixar de haver alguma daquelas infindáveis edições espúrias da Martin Claret, com o finado dentista Pietro Nassetti assinando mais uma tradução que certamente não foi ele que fez: Da Morte, Metafísica do Amor, Do Sofrimento do Mundo. “Trad.” Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2001, em sucessivas reedições até 2015.

fontes: Fundação Biblioteca Nacional, Sociedade Schopenhauer do Brasil, Bibliografia Filosófica Brasileira 1808/1985, sites de editoras e livrarias, Google

atualização em 13/12/15: O mundo como vontade e como representação : segundo tomo. Tradução, apresentação, notas e índices Jair Barboza. São Paulo : Ed. UNESP, 2015. (agradeço a césar de oliveira, na caixa de comentários)


28 de jun. de 2015

schopenhauer traduzido no brasil (1887-1969)

Interessa-me sempre mais a carreira inicial e intermediária de um autor traduzido no Brasil do que propriamente sua presença atual. Esta, nós vemos e sentimos; como se chegou à situação presente é que muitas vezes ignoramos.

No caso de Schopenhauer, sua obra traduzida vem se ampliando cada vez mais desde a publicação de um volume da coleção Os Pensadores, da Abril Cultural, em 1974, dedicado a ele e a Kierkegaard. Vejamos o que havia antes.



1. anos 1880

Eis o primeiro Schopenhauer em tradução brasileira - Pensamentos e fragmentos: Metaphisica do amor. Esboço sobre as mulheres. Tradução de Manuel Coelho da Rocha. Laemmert, 1887. 72 p.


A Semana, 1887, ed. 0144

Muito provavelmente segue a tradução francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées et fragments. Sua quarta edição em 1904, com nova capa na Bibliotheca Philosophica da Laemmert, consta como "augmentada com um appendice sobre a pederastia", agora com 99 p. A obra foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.




2. Anos 1930
  • Em 1931, a carioca Livraria H. Antunes publica Dores do mundo - A metafísica do amor - A morte - A arte - A moral - O homem e a sociedade, sem créditos de tradução, mas provavelmente retomando a tradução lusitana de Albino Forjaz de Sampaio (1913): Capa e página de rosto:


















É também muito provavelmente a mesma edição que será reeditada como "tradução revista por José Sousa de Oliveira", pela Edições e Publicações Brasil em 1944 e pela Edigraf, sem data, em sua Biblioteca de Autores Célebres. Reed. Edições de Ouro, 1979; Edipro, 2014.




Entre 1936 e 1939, além de reeditar a tradução de Manuel Coelho da Rocha para A metafísica do amor (em 1938), a paulista Cultura Moderna publica dois novos títulos em sua coleção As Grandes Obras, vols. 9 e 39:
  • O amor, as mulheres e a morte, com tradução de Emilio Paraizo, em 1936 (266 p.)

  • A sabedoria da vida, com tradução direta do alemão, introdução e notas de Rômulo Argentière, aquele se tornaria importante e afamado físico nuclear, então ainda muito jovem. São interessantes suas considerações no prefácio sobre a importância de Schopenhauer não só para a psicanálise, mas também para a teoria da relatividade. O livro sai em 1939, com 272 p. Reed. Edipro, 2012 (Argentière grafado como Argetière)


4. Anos 1940
  • Em 1941, a Brasil publica O mundo como vontade e representação, em tradução e prefácio de Heraldo Barbuy (238 p.), em sua coleção As Grandes Obras da Filosofia, com várias reedições. Sai também pelas Edições de Ouro, 1966 em diante. A obra se encontra disponível no EBooksBrasil, aqui.

  • O pensamento vivo de Schopenhauer. Apresentação de Thomas Mann. Trad. de Pedro Ferraz do Amaral. São Paulo, Livr. Martins. 1941. 230p.
  • O amor, as mulheres e a morte. Trad. de Persiano da Fonseca. Série Os Grandes Pensadores. Rio de Janeiro, Ed. Vecchi, 1941. 119p.

  • O livre arbítrio. Trad. de Lohengrin de Oliveira. Prefácio de Afonso Bertagnoli. Biblioteca de Autores Célebres, 1.São Paulo, Ed. e Publ. Brasil, 1944 (2a. ed.). 171p. Reed. Edições de Ouro, 1967; Saraiva, 2012

  • Regras de conduta para bem viver (Eudemonologia). Trad. Eloy Pontes. Rio de Janeiro: Vecchi, 1946, 195 p.


5. Anos 1950
  • Dores do mundo. Trad. de A.F. Rocha. Coleção Livros de Ontem e de Hoje, 2. Rio de Janeiro, Org. Simões, 1951. 174 p. (aqui, capa de 1954, 2a. ed.)

  • O instinto sexual. Introdução de Anatol H. Rosenfeld. Tradução do alemão por Hans Koranyi. São Paulo: Inedos, 1951.* 98 p. Reed. O Livreiro, sem créditos, em 1963, com 110 p.


  • Aforismos para a sabedoria na vida. Trad. e prefácio por Genésio de Almeida Moura. São Paulo, Melhoramentos, 1953. 232p.

abaixo, a imagem de capa da 4a. edição, em 1964, mais alegrinha, já prenunciando a abordagem de autoajuda que viria a prevalecer nas décadas seguintes:


  • Dores do mundo - A metafísica do amor, a morte, a arte, a moral, o homem e a sociedade. Coleção Temas do Nosso Tempo. Salvador, Livr. Progresso, 1957. 205p. Provavelmente retomando a mesma tradução portuguesa que avento como fonte para a edição da H. Antunes, de 1931. 
  • "O estoicismo", in O pensamento de Epicteto. Trad. Hans Koranyi. Coleção A Sabedoria do Mundo. Iris, 1959.

6. Anos 1960
  • A necessidade metafísica. Trad. Artur Versiani Velloso. Belo Horizonte: Itatiaia, 1960. 153 p.

  • A vontade de amar. Trad. de Aurélio de Oliveira. Prefácio de Torrieri Guimarães. Edimax, c. 1964. 136 p. Reed. Edições de Ouro, 1966; Hemus/ Leopardo, 2010.

* ainda que rômulo argentiére já houvesse destacado a importância de schopenhauer para a psicanálise, a edição da inedos é a única que enfoca o filósofo pelo lado especificamente psicanalítico. uma pequena curiosidade: o anúncio que a editora publicou no jornal correio da manhã, de 4 de julho de 1954.




fontes: Fundação Biblioteca Nacional, Hemeroteca Digital da FBN, Sociedade Schopenhauer do Brasil, Bibliografia Filosófica Brasileira 1808/1985, sebos virtuais, Google Images

veja a continuação da schopenhaueriana brasileira, de 1970 a 2015, aqui.