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30 de jun. de 2015

prêmio paulo rónai de tradução, fbn, 2015

viva, parabéns a guilherme gontijo flores, pelo prêmio de tradução da biblioteca nacional, com elegias de sexto propércio!

10 de dez. de 2014

prêmio paulo rónai, fbn, 2014

viva, parabéns a marcelo backes, por seu michael kohlhaas, de kleist, agraciado com o prêmio de tradução paulo rónai, da biblioteca nacional!

14 de dez. de 2013

prêmio paulo rónai de tradução 2013



fiquei muito contente com a escolha de mrs. dalloway, de virginia woolf para o prêmio paulo rónai de tradução, pela fundação biblioteca nacional, em 2013.




a relação completa dos ganhadores deste ano está aqui. parabéns, viva, a todos!




uma coisa muito interessante a se notar é o destaque que a tradução literária vem recebendo nos últimos anos. ainda quanto à premiação deste ano na biblioteca nacional, o escolhido na categoria de ensaios foi a tradução literária, de paulo henriques britto. creio que assim se vai firmando a consciência de que a tradução também faz parte do sistema literário do país.

1 de fev. de 2013

a fbn anda mesmo um caso sério

quanto ao levantamento da bibliografia traduzida de baudelaire no brasil, aqui, quero deixar registrado que não pude consultar nosso acervo bibliográfico depositado na fundação biblioteca nacional, na parte do catálogo antigo, porque faz pelo menos três dias que qualquer consulta a qualquer título e a qualquer autor retorna com o resultado "nada encontrado". mesmo os links fornecidos no próprio catálogo não funcionam, e a ordem dos nomes, seja dos autores ou das obras, que normalmente é alfabética, está totalmente ensandecida. veja aqui.



mesmo clicando em, p.ex., "espumas fluctuantes", primeiro título da página de consulta por títulos, temos "nada encontrado".

só pode ser brincadeira tanto relaxo!

atualização em 5/2/13: hoje parece ter se normalizado o sistema de consulta ao catálogo antigo de nossos acervos na biblioteca nacional.

14 de jan. de 2013

os prêmios da fbn 2012, IV

em tempo: ainda em relação ao prêmio paulo rónai de tradução literária, da fbn, admirou-me a habilitação da inscrição de uma obra que visivelmente não é literária: civilização - ocidente x oriente.

seria muito importante que a fbn criasse um novo prêmio ou desdobrasse o paulo rónai em dois prêmios distintos, passando a contemplar também obras de tradução de humanidades. aliás, este foi um pleito que fizemos em petição em 2011, num documento entregue por ivo barroso nas mãos do presidente da fundação, galeno amorim, por ocasião da cerimônia de entrega dos prêmios daquele ano. ver a petição aqui.

enquanto não se o criar, porém, as regras atualmente vigentes deveriam ser respeitadas pela própria instituição que as estabeleceu.

veja também a sequência dos posts dedicados à premiação: III (tradução), II (poesia) e I (isbn).

os prêmios da fbn 2012, III

por fim, a questão do prêmio paulo rónai de tradução, da fbn.

havia 41 inscritos na categoria de tradução: quinze tiveram suas inscrições rejeitadas; oito entraram com recurso e apenas um teve seu recurso deferido. boa parte das inabilitações se deu por inexistência de cadastro no isbn (critério que já comentei aqui). com isso, ficaram 27 concorrentes ao prêmio paulo rónai. o ganhador foi francisco josé saraiva degani, com a tradução os noivos, de alessandro manzoni.

minha perplexidade não foi em relação ao resultado, de maneira nenhuma - aliás, parabenizo sinceramente francisco degani. minha perplexidade foi em relação à composição do júri.

vamos por partes. o prêmio literário da fundação biblioteca nacional, em suas várias categorias, foi criado em 1995 (exceção feita às de literatura infantil e juvenil, criadas em 2007). o patrono do prêmio de tradução, paulo rónai, dispensa apresentações.

a comissão avaliadora é composta de três membros, os quais, segundo os termos do edital, devem ter "experiência profissional comprovada" e "notório saber na área pertinente a cada categoria", a ser nomeados pela presidência da fbn (ver aqui). naturalmente entende-se a indiscutível procedência de tal exigência. o edital também frisa a necessidade de respeitar o princípio de representatividade regional, sempre que possível.

quanto aos critérios adotados pela comissão, devem ser a qualidade literária da obra, a originalidade, a criatividade, a contribuição à cultura nacional, a qualidade linguística da tradução e criatividade no uso dos recursos gráficos, quando couber. tirando este último critério, naturalmente todos os demais se aplicam a uma obra de tradução.

no caso em apreço, a comissão avaliadora das obras concorrendo ao prêmio paulo rónai de tradução foi composta por ana cristina campos rodrigues, leny de azevedo werneck e tomaz adour da câmara. certamente todos são nomes muito respeitáveis, sem dúvida de experiência comprovada e notório saber em suas respectivas áreas - que, no entanto, não é, pelo que posso entender, a área de tradução literária.

a primeira, até onde consegui me informar, é uma historiadora de sólida formação, técnica de documentação na fbn desde 2006, tendo em seu currículo uma tradução da tese de sua orientadora em 2002-2004 e a participação numa oficina de tradução ministrada por carlos irineu da costa.

a segunda é escritora e jornalista no rio de janeiro, e não localizei nenhuma referência a algum contato direto seu com a atividade de tradução.

o terceiro é editor da usina de letras, também no rio de janeiro. tampouco localizei qualquer referência a alguma atividade de tradução.

salvo melhor juízo e com base em tais informações, a mim parece de clareza meridiana que os critérios básicos para a seleção dos membros da comissão avaliadora do prêmio paulo rónai de tradução não foram atendidos à suficiência.


os prêmios da fbn 2012, II

em 21 de dezembro saíram os resultados dos prêmios da fundação biblioteca nacional. e aí, para espanto geral e indignação de vários inscritos, revelou-se que o prêmio de poesia alphonsus de guimaraens fora concedido a bernardo ajzenberg, como detentor dos direitos autorais da antologia poemas 1930-1962, de carlos drummond de andrade, publicada pela cosac naify, em edição crítica preparada por uma equipe da casa de rui barbosa, sob a coordenação de júlio castañon guimarães.

o grande problema é que o regulamento era muito claro: as inscrições deviam ser feitas pessoalmente pelos autores (donde se deduzia que o prêmio se destinava exclusivamente a autores vivos), ou, em casos de inscrição pela casa publicadora, seria necessária uma autorização de próprio punho do autor (donde se inferia mais uma vez que o autor teria de estar vivo). a íntegra do edital está aqui e abaixo transcrevo os artigos correspondentes a tal exigência:

2.3. As obras deverão ser inscritas pelo autor, de  acordo com as categorias premiadas.
2.3.1. As inscrições por intermédio de editoras serão permitidas como forma de assistência ao autor apenas mediante autorização por escrito deste, que deverá ser anexada à ficha de inscrição.  
este era o ponto mais absurdo e flagrante na premiação, que a invalidaria de plano. em todo caso, havia outras irregularidades na obra premiada: 1. o edital determinava que a obra deveria ser inédita; não era. 2. ademais, consistindo o ineditismo no fato de ser uma edição crítica da obra, não caberia concorrer na categoria de poesia.

a perplexidade e os protestos logo se difundiram pelas mídias sociais, como o twitter e o facebook, por vários blogues e na grande imprensa, além de uma petição online contra a premiação e uma intensa divulgação das irregularidades por meio de vários e volumosos mailings. dois autores (marcus fabiano e renato suttana) e duas entidades (coletivo quatati e união brasileira de escritores) entraram com recurso junto à fbn, pedindo a anulação do prêmio.

dois membros do júri tentaram se justificar declarando à folha de s.paulo: 
A poeta Leila Míccolis, integrante do júri que escolheu “Carlos Drummond de Andrade: Poesia 1930-62”, da Cosac Naify, como vencedora do Prêmio Biblioteca Nacional de Literatura, diz que preferia ter premiado um poeta vivo. “Eu tinha outra escolha, mas respeitei a decisão coletiva.” Seu colega de júri Francisco Orban avalia que caberia à organização decidir se o livro estava habilitado ou não —já que, pelo edital, a inscrição só poderia ser feita pelo autor ou pela editora com autorização por escrito do autor. (aqui)
a posição de leila míccolis também gerou perplexidade, pois, num júri de três pessoas, seria difícil conceber que dois votos pudessem constituir uma "decisão coletiva". e a fbn, de seu lado e como de hábito, tentou se fazer de mortinha, declarando que "só analisará o caso se houver recurso de algum concorrente".

tudo isso em meio ao natal e vésperas de ano novo, imagine-se! em 30 de dezembro, o jornal estado de são paulo informou que a fbn havia suspendido a homologação dos prêmios até que os recursos interpostos  fossem julgados (aqui).

por fim, a fbn informou que havia analisado em 03 de janeiro o recurso do poeta marcus fabiano e que traria a público sua decisão em 08 de janeiro. a fbn acabou se manifestando alguns dias depois, conforme noticiou a jornalista raquel cozer em 11 de janeiro na folha de s.paulo, aqui. o prêmio foi anulado, mas aparentemente os jurados ainda não conseguiram ainda chegar a um acordo. agora é aguardar.

  • recurso apresentado por marcus fabiano, aqui
  • recurso apresentado pela ube, aqui
  • ata de julgamento dos recursos, fbn, aqui
  • aqui o edital que a fbn publicou hoje, dia 14 de janeiro, deixando em branco o nome do premiado, até decisão do mesmo júri ou por escolha do departamento de economia do livro.

não há a menor dúvida de a grande responsável pela falha grotesca, inominável, imperdoável, foi a fundação biblioteca nacional - mas que o júri não conhecesse ou preferisse desconhecer o teor do regulamento também me causou bastante surpresa.

estão de parabéns todos os que noticiaram, divulgaram, protestaram e reagiram prontamente contra o malfeito. é da maior importância que a fbn consiga imprimir e conservar lisura, coerência e imparcialidade a todo o conjunto dos prêmios da instituição.

19 de nov. de 2012

teimosia

quanto à utopia de thomas morus, fiz um cotejo mostrando a tradução espúria publicada pela rideel - e já tirada de circulação - aqui. nunca cheguei a cotejar a pretensa tradução que saiu pela martin claret em nome de pietro nassetti, pois esse nome em si já me parecia suficiente para não confiar muito nela. a edição da claret começou a ser lançada em 2000, com reedições em 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008.


Autor:More, Thomas,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes Sir, Santo, 1478-1535.
Título original:[De optimo publicae statu deque nova insula utopia. Português]
Título / Barra de autoria:A utopia / Thomas More ; tradução: Pietro Nasseti. -
Imprenta:São Paulo : M. Claret, 2005. 
Descrição física:127p. ; 19cm. -
Série:(A obra-prima de cada autor ; 40)
Notas:Tradução de: De optimo publicae statu deque nova insula utopia.
ISBN:8572323651 (broch.)
Assuntos:Utopias.clique aqui para ver as obras sob este assunto no Catálogo de Autoridades de Assuntos 
Classificação Dewey:
Edição:
335.02
22 
Indicação do Catálogo:VI-411,5,41 
Registro Patrimonial:1.134.945 DL 24/02/2006

hoje ana cláudia informa em comentário aqui:
Estou aqui com duas edições da Utopia publicadas pela Martin Claret. A primeira é de 2004. Na primeira página está escrito "Tradução: Pietro Nassetti". Na segunda, de 2008, lemos "Tradução e notas: Maria Isabel Gonçalves Tomás". Acontece que a primeira edição reproduz ipsis litteris o texto da tradução de Maria Isabel Gonçalves Tomás, cuja tradução da Utopia foi publicada pela portuguesa Publicações Europa-América... Ironia: as duas edições da Martin Claret trazem aquele selinho da ABDR, na mesma página em que a gente lê o nome do tradutor: "Respeite o direito autoral. Cópia não autorizada é crime." 
 a informação de ana cláudia é preciosa. não sei se a claret chegou a licenciar a tradução legítima junto à europa-américa ou apenas passou a reproduzi-la a partir de 2008 sem maiores pudores - o que sei é que, em pleno 2012, a editora inscreveu a tradução espúria em nome de pietro nassetti no programa nacional do livro de baixo preço, destinado a abastecer 2.700 bibliotecas públicas de norte a sul do país. veja aqui.

29 de out. de 2012

ai, que saudades eu tenho da rosane

há 26 dias, em 3 de outubro, escrevi à dinf, divisão de atendimento à distância da fundação biblioteca nacional, fazendo uma consulta singelíssima. reproduzo a novela com a troca de e-mails:

I.
boa tarde:
estou escrevendo um artigo para a revista belas infiéis, da pós-graduação de estudos de tradução da unb, sobre as traduções de gustave flaubert publicadas no brasil.
vi que constam em nossos acervos na biblioteca nacional dois volumes que parecem ser as primeiras obras de flaubert traduzidas entre nós. mas as fichas catalográficas não mencionam o nome dos tradutores. eu gostaria de perguntar se, por acaso, os srs. poderiam dar uma conferida nos volumes impressos, para confirmar se são de fato traduções anônimas ou se há alguma referência a seus tradutores.
os volumes são os seguintes:
Autor:Flaubert, Gustave, 1821-1880.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Salambô (romance).
Imprenta:Rio, Ed. guanabara, 1932. 
Descrição física:249 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:843/F587s7/1932 

e
 
Autor:
Título / Barra de autoria:
Madame Bovary.
Imprenta:
S. Paulo, Impressora paulista, [1934?]. 
Descrição física:
345 p.
Notas:
Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
843 
Indicação do Catálogo:
843/F587m7/1934 
agradeço a atenção 
denise bottmann
II.
passam-se seis dias, e nada. no dia 9 de outubro, reenvio a solicitação, acrescentando:
boa tarde: se não for demasiado incômodo, reitero meu pedido abaixo.
obrigada,
denise bottmann
III.
passam-se mais seis dias, e no dia 15 de outubro recebo a seguinte resposta:
Prezada Denise, 
Abriremos uma pesquisa para você e o pesquisador que ficar responsável por ela em breve entrará em contato informando sobre forma de reprodução, orçamento, instruções para pagamento e preenchimento do termo de responsabilidade. Informamos ainda que as pesquisas são atendidas por ordem de chegada.  
Atenciosamente,  
Flávia Cezar 
Chefe da Divisão de Informação Documental - DINF/FBN
IV.
no mesmo dia, respondo esclarecendo:
boa tarde, flávia:
obrigada, fico no aguardo. não preciso de reprodução, apenas de confirmação dos dados catalográficos.
denise bottmann
V.
depois de três dias, em 18 de outubro, recebo um e-mail com apenas duas letras:
OK.

bom, passaram-se mais onze dias e nada. estamos em 29 de outubro; preciso entregar o artigo até o dia 31. e agora? vou explicar no artigo que foi a dinf que não forneceu a confirmação tão singela que solicitei com quase 30 dias de antecedência...

ah, que saudades do gentilíssimo, rapidíssimo e eficientissimo atendimento da dinf, na pessoa de rosana maria nunes andrade - aliás, para uma consulta bem mais complexa!

atualização em 30/10: hoje de manhã recebi resposta da FBN via twitter, que transcrevo:

Desculpe pelo transtorno. Fizemos a pesquisa agora e de fato não há nenhuma referência aos tradutores nos livros mencionados.
Mensagem direta enviada por Biblioteca Nacional (@FBN) para você (@dbottmann) em Oct 30, 10:59 AM.

obrigada.

18 de out. de 2012

programa de apoio à tradução

a Fundação Biblioteca Nacional alterou o nome de sua página no facebook, passando de Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasil para Programa de Apoio à Tradução - FBN. 

espero que isso sinalize uma disposição da fbn em fomentar e dar apoio também aos tradutores brasileiros.

transcrevo abaixo o email que acabei de enviar a eles, tradutoresbrasil@bn.br:

boa tarde: parabenizo a fbn por não reduzir mais seu programa de apoio à tradução apenas a tradutores estrangeiros interessados num período de residência no brasil.
a mudança do nome na página do facebook parece sinalizar a abertura desta fundação aos tradutores brasileiros também - que, afinal, são as pessoas que proveem os meios de acesso dos leitores brasileiros a obras estrangeiras vertidas para nossa língua.
espero que essa sinalização seja o prenúncio de programas concretos de apoio aos praticantes deste ofício no brasil.
atenciosamente,
denise bottmann

9 de set. de 2012

a dobradinha FBN/Martin Claret IV

eis o que a fbn aceitou cadastrar e oferecer em seu programa nacional do livro de baixo preço, para abastecer 2.700 bibliotecas públicas de norte a sul do país, à livre escolha delas:


reproduzo abaixo o que venho divulgando faz anos e que apresentei à presidência e à coordenação da fundação biblioteca nacional, quando eu soube das irregularidades em seu programa de abastecimento das bibliotecas públicas (e com verba pública, claro): 



02/03/2009



οιδιποθσ

sófocles, rei édipo (j. b. de mello e souza, jackson)
sófocles, édipo rei (jean melville, martin claret)

além de plagiada, a edição usa "chapa fria". sobre o termo "chapa fria", veja aqui.

este parece ser mais um caso de montagem de edições diferentes. a jackson teve surripiadas todas as notas de autoria de mello e souza.

a. notas de mello e souza:
1. conforme antigo costume grego, os que tinham alguma súplica a fazer aos deuses acercavam-se dos altares trazendo ramos de louros, ou de oliveira, enfeitados com fitas de lã.
2. havia em tebas dois templos dedicados a minerva (palas) e um a apolo, junto do ismênio, no qual, segundo heródoto (viii, 134), se colhiam bons oráculos.
3. ter à cabeça uma coroa de louros significava ter ganho um prêmio, ou ser portador de uma notícia auspiciosa.
4. os gregos supunham que, por intermédio da sacerdotisa de delfos, falava pelo oráculo o próprio deus apolo.
5. "causa o sangue o flagelo sobre a cidade" diz, literalmente, sófocles.
6. os interpretadores assinalam esta passagem como sendo das mais notáveis da tragédia, pois édipo vai fazer o contrário do que diz, em uma anfibologia trágica, usada com frequência por sófocles.
7. literalmente: "às plagas do deus ocidental" porque, para os gregos, o hades, região dos mortos, ficava na zona escura do mundo, isto é, no ocidente, visto que a luz vinha do oriente.
8. justifica-se essa alegoria, visto que marte, além de ser deus da guerra, era-o também da peste, a que se refere o sumo sacerdote, em sua primeira fala.
9. um dos títulos conferidos ao deus apolo, por ter nascido na lícia (cf. horácio, iii, ode iv).
10. segundo a lenda a que se refere heródoto, (l. v., 59), agenor era um rei da fenícia. seu filho cadmo fundou tebas, dando seu nome à colina principal, e ao recinto fortificado da cidade (cadméia). de cadmo foi filho polidoro, pai de lábdaco. a este rei sucedeu o infeliz laio.
11. tirésias tinha, com efeito, o tratamento de rei, prova de que o sacerdócio o igualava aos reis de fato, se não o punha acima deles. isso explica a altivez e o desassombro com que, por vezes, falava tirésias a édipo.
12. "este dia te dará o nascimento e a morte" - diz o original, literalmente, mas a idéia evidente é a de que édipo iria descobrir na mesma ocasião os dois terríveis lances de sua trágica existência.
[...]
27. que édipo se houvesse ferido com um simples colchete do manto real, não admira, visto que essa peça do vestuário grego era muito maior que os atuais colchetes, e bastante forte para ser assim utilizada. heródoto conta em suas histórias, (v, 87) que as atenienses mataram um covarde, servindo-se dos próprios colchetes de suas roupas como punhais. para isso bastava forçar a fita metálica, dando-lhe a forma de um gancho ou de um estilete pontiagudo.

b. notas de mello e souza pirateadas pela martin claret:
1. conforme antigo costume grego, os que tinham alguma súplica a fazer aos deuses acercavam-se dos altarestrazendo ramos de louros ou de oliveira, adornados com fitas de lã.
2. havia em tebas dois templos dedicados a minerva (palas) e um a apolo, junto do ismênio, onde, segundo heródoto (viii, 134), se colhiam bons oráculos.
3. os gregos supunham que, por intermédio da sacerdotisa de delfos, falava pelo oráculo ali existente o próprio deus apolo. [vasta trapalhada, a claret trocou a nota 3 pela 4]4. ter à cabeça uma coroa de louros significava ter ganho um prêmio ou ser portador de uma notícia auspiciosa.
5. "causa o sangue o flagelo sobre a cidade" diz, literalmente, sófocles.
6. os comentadores assinalam esta passagem como sendo das mais notáveis da tragédia, pois édipo fará o contrário do que diz, em uma anfibologia trágica, usada com frequência por sófocles. 7. literalmente: "às plagas do deus ocidental" porque, para os gregos, o hades, região dos mortos, ficava na zona escura do mundo, isto é, no ocidente, visto que a luz vinha do oriente.
8. justifica-se essa alegoria, visto que marte, além de ser deus da guerra, era-o também da peste, a que se refere o sacerdote em sua primeira fala.
9. um dos títulos conferidos ao deus apolo, por ter nascido na lícia (cf. horácio, iii, ode iv).
10. segundo a lenda a que se refere heródoto, (1. v., 59), agenor era um rei da fenícia. seu filho cadmo fundou tebas, dando seu nome à colina principal e ao recinto fortificado da cidade (cadméia). de cadmo foi filho polidoro, pai de lábdaco. a esse rei sucedeu o infeliz laio.
11. tirésias tinha, com efeito, o tratamento de rei, prova de que o sacerdócio o igualava aos reis de fato, se não o punha acima deles. isso explica a altivez e o desassombro com que, por vezes, falatirésias a édipo.
12. "este dia te dará o nascimento e a morte" - diz o original, literalmente, mas a idéia evidente é a de que édipo iria descobrir na mesma ocasião os dois terríveis lances de sua trágica existência.
[...]
27. que édipo se houvesse ferido com um simples colchete do manto real, não admira, visto que essa peça do vestuário grego era muito maior que os atuais colchetes, e bastante forte para ser assim utilizada. heródoto conta em suas histórias (v, 87), que as atenienses mataram um covarde, servindo-se dos próprios colchetes de suas roupas como punhais. para isso bastava forçar a fita metálica, dando-lhe a forma de um gancho ou de um estilete pontiagudo.

se, conforme reza a lei 9610/98, "quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o contrafator, nos termos dos artigos precedentes", então algumas solidárias responsáveis são, por exemplo, a saraiva, a fnac, a cultura, a travessa, a curitiba.

imagem: http://www.interney.net/

24/05/2010

"ó labuta infecunda"

artigo de alfredo monte sobre antígona, que indiquei como leitura de sábado, traz um trecho comparativo das quatro traduções da tragédia de sófocles existentes no brasil: a compilada por j.b. de mello e souza (jackson), a de mário da gama khoury (zahar), a de domingos paschoal cegalla (difel) e a de donald schüler (l&pm). muito instrutivo, para quem gosta de comparar soluções e também para quem não tem muita ideia do grau de irrepetibilidade e irredutibilidade entre elas.

a editora martin claret apresenta em seu catálogo um pastiche em nome de "jean melville", calcado na tradução compilada por mello e souza, incluindo a cópia fiel e integral das notas elaboradas pelo mestre para a edição da jackson.

para exemplificar o que chamo de "pastiche", reproduzo aqui o trecho apresentado por alfredo monte. assim, o leitor poderá avaliar o tipo de cosmético aplicado na edição em nome de "jean melville" e poderá também consultar no link dado acima as outras três soluções (gama khoury, cegalla e schüler).

j.b. de mello e souza, jackson, disponível para download aqui:
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/antigone.pdf

O CORIFEU
Oh! Agora é tarde! Parece-me que o que estás vendo é a justiça dos deuses!

CREONTE
Ai de mim – agora sei – que sou um desgraçado! Sobre mim paira um deus vingador que me feriu! Ele me arrasta por uma via de sofrimentos cruéis… ele destruiu toda a alegria de minha vida! Ó esforços inúteis dos homens!

(entra um MENSAGEIRO que vem do Palácio)

O MENSAGEIRO
Senhor! Que desgraças caem sobre ti! De uma tens a prova em teus braços… as outras estão no teu palácio… creio que tu deves ver!

CREONTE
Que mais me poderá acontecer? Poderá haver desgraça maior do que a fatalidade que me persegue?

O MENSAGEIRO
Tua esposa acaba de morrer… a mãe que tanto amava este infeliz jovem.. Ela feriu-se voluntariamente para deixar a vida.

CREONTE
Hades, que a todos nós esperas, Hades que não perdoas, nem te comoves… dize: por que, por que me esmagas por essa forma? Mensageiro das desgraças, que nova desgraça me vens anunciar? Ai de mim! Eu já estava morto, e tu me deste mais um golpe ainda…

 "jean melville", martin claret:

CORIFEU

Oh! Agora é tarde! Talvez o que agora vemos seja a justiça dos deuses!

CREONTE
Ai de mim, agora sei que sou um desgraçado! Paira sobre mim um deus vingador que me feriu e me arrasta por uma senda de atrozes sofrimentos… ele destruiu toda a alegria de minha vida! Ó labuta infecunda dos homens!

Entra um Mensageiro que vem do palácio.

MENSAGEIRO
Senhor! Mais desgraças caem sobre ti! De uma tens a prova em teus braços… a outra está no teu palácio… creio que deves ver!

CREONTE
Que mal ainda poderá se abater sobre mim? Haverá maior infortúnio do que a fatalidade que me persegue?

MENSAGEIRO
Eurídice acaba de morrer… a mãe que tanto amava este infeliz jovem... Ela voluntariamente se feriu, para abandonar este mundo...

CREONTE
Hades, que a todos nós esperas, Hades implacável, dize: por que, por que me esmagas assim? Mensageiro agourento, que novas desgraças me vens anunciar? Ai de mim! A quem já estava morto, feriste de novo…

segue-se um exemplo de apropriação das notas de mello e souza na edição da ed. martin claret:

mello e souza:
(28) Segundo a lenda citada nas Fenícias, de Eurípedes, Tirésias teria dito a Creonte que só reinaria, vitorioso, em Tebas, se sacrificasse o seu filho Megareu. Creonte não queria tal sacrifício; mas, por sua própria vontade, ou por acidente, o jovem morreu nas fortalezas da cidade. Como se vê, Eurídice considerou o marido culpado também por esta morte.

"jean melville":
28 Segundo a lenda citada nas Fenícias, de Eurípedes, Tirésias teria dito a Creonte que só reinaria, vitorioso, em Tebas, se sacrificasse o seu filho Megareu. Creonte não queria tal sacrifício; mas, por sua própria vontade ou por acidente, o jovem morreu nas fortalezas da cidade. Como se vê, Eurídice considerou o marido culpado também por essa morte.

a dobradinha FBN/Martin Claret III

eis o que a fbn aceitou cadastrar e oferecer em seu programa nacional do livro de baixo preço, para abastecer 2.700 bibliotecas públicas de norte a sul do país, à livre escolha delas:

 

reproduzo abaixo o que venho divulgando faz anos e que apresentei à presidência e à coordenação da fundação biblioteca nacional, quando eu soube das irregularidades em seu programa de abastecimento das bibliotecas públicas (e com verba pública, claro):


31/01/2009

jack london na claret


mais um cotejo que estava no fundo do baú: jack london, white fang.

caninos brancos teve várias traduções no brasil, desde a primeira feita por monteiro lobato até a mais recente de rosaura eichenberg.

a insaciável claret recorreu ao infatigável nassetti, garfando a tradução portuguesa de olinda gomes fernandes, pela editora civilização, porto, 1969. a tradução de olinda traz o nome de colmilhos brancos, mas a inclemente claret preferiu a forma consagrada no brasil, caninos brancos mesmo.

este plágio traz as substituições habituais na claret - alterações cosméticas da primeira frase; troca de termos menos usuais, como "arrostar" por "enfrentar", "cabedal" por "couro macio", "terra ártica" por "terra do pólo norte" e assim por diante.

Capítulo I.
- civilização:
[...] Um vento recente arrancara às árvores o seu manto de geada, e elas pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agoirentas, na luz agonizante. Reinava sobre a paisagem um silêncio imenso. Aquela região era desolada, sem vida, sem movimento, tão só e gelada que a palavra tristeza não chegava para a descrever. Havia nela uma sugestão de riso, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza - um riso sem alegria, como o sorriso da esfinge, um riso frio como o gelo e com algo do horror da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e incomunicável do riso eterno perante a futilidade e os esforços da vida. Era a terra árctica, agreste e gelada. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] Um vento recente arrancara às árvores o seu manto de geada, e elas pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agourentas, na luz agonizante. Reinava sobre a paisagem um silêncio imenso. Aquela região era desolada, sem vida, sem movimento, tão só e gelada que a palavra tristeza não era suficiente para a descrever. Havia nela uma sugestão de riso, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza - um riso sem alegria, como o sorriso da esfinge, um riso frio como o gelo e com algo do horror da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e incomunicável do riso eterno perante a futilidade e as agruras da vida. Era a terra do pólo Norte, agreste e gelada. (pietro nassetti)

Capítulo III
- civilização:
[...] Henry sentou-se no trenó e ficou a observar. Não podia fazer mais nada, já perdera de vista o companheiro; mas, de vez em quando, aparecendo e desaparecendo por entre os grupos isolados de árvores, lobrigava o Desorelhado. Calculou que o cão estava perdido. Dir-se-ia que o próprio animal tinha consciência do perigo em que se encontrava, mas corria traçando um extenso círcuo exterior, enquanto a alcateia de lobos se movimentava num círculo interior e mais acanhado. Tornava-se fútil admitir a possibilidade de o cão ultrapassar o círculo formado pelos seus perseguidores e conseguir alcançar o trenó. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] Henry sentou-se no trenó e ficou a observar. Não podia fazer mais nada, já perdera de vista o companheiro; mas, de vez em quando, aparecendo e desaparecendo por entre os grupos isolados de árvores, lobrigava o Desorelhado. Calculou que o cão estava perdido. Dir-se-ia que o próprio animal tinha consciência do perigo em que se encontrava, mas corria traçando um extenso círcuo exterior, enquanto a alcatéia de lobos se movimentava num círculo interior e mais acanhado. Tornava-se fútil admitir a possibilidade de o cão ultrapassar o círculo formado pelos seus perseguidores e conseguir alcançar o trenó. (pietro nassetti)

Último capítulo
- civilização:
[...] A este não se podia censurar o seu juízo errado. Passara toda a vida a tratar seres humanos, produtos de uma civilização que os enfraquecera, que levavam vida fácil e descendiam de muitas gerações criadas de igual modo. Comparados com Colmilhos Brancos, não passavam de entes frágeis e débeis, incapazes de se agarrarem à vida com força suficiente. Ele vinha directamente da selva; no meio onde se criara, os fracos não subsistem; e não havia quaisquer contemplações. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] A este não se podia censurar o seu juízo errado. Passara toda a vida a tratar seres humanos, produtos de uma civilização que os enfraquecera, que levavam vida fácil e descendiam de muitas gerações criadas de igual modo. Comparados com Caninos Brancos, não passavam de entes frágeis e débeis, incapazes de se agarrarem à vida com força suficiente. Ele vinha diretamente da selva; no meio onde se criara, os fracos não subsistem; e não havia quaisquer contemplações. (pietro nassetti)

em tempo: outra coisa absolutamente obrigatória nos livros é a ficha catalográfica. esqueci de comentar que a claret não é dada a tais vezos, sequer a colocar o nome original da obra na página de créditos.

em compensação, ela nunca se esquece de especificar "copyright desta tradução: editora martin claret, ano tal", nem de estampar cinicamente, na primeira página, o soturno selo da abdr: "cópia não autorizada é crime: respeite o direito autoral".


sobre o escândalo que é esse programa de aquisição de acervos da fbn, ver aqui. 

a dobradinha FBN/Martin Claret II


eis o que a fbn aceitou cadastrar e oferecer em seu programa nacional do livro de baixo preço, para abastecer 2.700 bibliotecas públicas de norte a sul do país, à livre escolha delas:



reproduzo abaixo o que venho divulgando faz anos e que apresentei à presidência e à coordenação da fundação biblioteca nacional, quando eu soube das irregularidades em seu programa de abastecimento das bibliotecas públicas (e com verba pública, claro):

I. alceste:


18/02/2009

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - αλψεστε


um bom tempo atrás, a clássicos jackson publicou eurípides nas famosas traduções, acompanhadas de introdução e notas, de j. b. de mello e souza. essas traduções continuam ativas no catálogo da ediouro.

como a μαρτιν ψλαρετ tem uma compulsão irrefreável em se apropriar do alheio, ela resolveu copiar alceste, electra e hipólito da jackson/ediouro e tascou o nome de seu inseparável colaborador πιετρο νασσεττι.

e nós leitorinhos, em nossa irrefreável compulsão masoquista, pagamos caro por mais um lesa-memória e perdemos mais uma chance de ir formando um mínimo de bagagem cultural.

eurípides, alceste
introdução

1. tem esta bela tragédia de eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo.
alceste, laodâmia e penélope, esposas de admeto, protesilau e ulisses, respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras figuras femininas que a lenda grega nos apresenta. das três, porém, coube à incomparável rainha de feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a primazia entre as esposas modelares. (j. b. mello e souza)

2. tem esta bela tragédia de eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo.
alceste, laodâmia e penélope, esposas de admeto, protesilau e ulisses, respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras figuras femininas que a lenda grega os apresenta. das três, porém, coube à incomparável rainha de feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a primazia entre as esposas modelares. (πιετρο νασσεττι)

1. Ó palácio de Admeto, onde me vi coagido a trabalhar como servo humilde, sendo embora um deus, como sou! Júpiter assim o quis, porque tendo fulminado pelo raio meu filho Esculápio, eu, justamente irritado, matei os Ciclopes, artífices do fogo celeste. E meu pai, para me punir, impôs-me a obrigação de servir a um homem, a um simples mortal! Eis por que vim ter a este país; aqui apascentei os rebanhos de meu patrão, e me fiz protetor deste solar até hoje. Sendo eu próprio bondoso, e servindo a um homem bondoso, — o filho de Feres — eu o livrei da morte, iludindo as Parcas. Estas deusas prometeram-me que Admeto seria preservado da morte, que já o ameaçava, se oferecesse alguém, que quisesse morrer por ele, e ser conduzido ao Hades.
Tendo posto a prova todos os seus amigos, seu pai, e sua velha mãe, que o criou, ele não achou quem consentisse em dar a vida por ele, e nunca mais ver a luz do sol! Ninguém, senão Alceste, sua dedicada esposa; e agora, no palácio, conduzida a seus aposentos nos braços de seu marido, vai desprender-se sua alma, porque é hoje que o Destino exige que ela deixe a vida. Eis por que, para me não macular, eu abandono estes tetos queridos. Vejo que já se aproxima Tânatos, o odioso nume da Morte, para levar consigo Alceste à merencória mansão do Hades. E vem no momento preciso, pois aguardava apenas o dia fatal em que a mísera Alceste deve perder a vida. (j. b. mello e souza)

2. Ó palácio de Admeto, onde me vi coagido a trabalhar como servo humilde, sendo embora um deus, como sou! Júpiter assim o quis porque tendo fulminado pelo raio meu filho Esculápio, eu, justamente irritado, matei os Cíclopes, artífices do fogo celeste. E meu pai, para me punir, impôs-me a obrigação de servir a um homem, a um simples mortal! Eis por que vim ter a este país; aqui apascentei os rebanhos de meu patrão, e me fiz protetor deste solar até hoje. Sendo eu próprio bondoso, e servindo a um homem bondoso — o filho de Féres —, eu o livrei da morte, iludindo as Parcas. Estas deusas prometeram-me que Admeto seria preservado da morte, que já o ameaçava, se oferecesse alguém, que quisesse morrer por ele, e ser conduzido ao Hades.
Tendo posto a prova todos os seus amigos, seu pai e sua velha mãe, que o criou, ele não achou quem consentisse em dar a vida por ele, e nunca mais ver a luz do sol! Ninguém, senão Alceste, sua dedicada esposa; e agora, no palácio, conduzida a seus aposentos nos braços de seu marido, vai desprender-se sua alma, porque é hoje que o Destino exige que ela deixe a vida. Eis por que, para me não macular, eu abandono estes tetos queridos. Vejo que já se aproxima Tânatos, o odioso nume da Morte, para levar consigo Alceste à merencória mansão do Hades. E vem no momento preciso, pois aguardava apenas o dia fatal em que a mísera Alceste deve perder a vida. (πιετρο νασσεττι)
imagem: sinodal.com.br

II. electra:

19/02/2009

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - ελεψτρα

electra, além de prantear o pai, demonstra seu pesar em cair nas garras de μαρτιν ψλαρετ e seu fâmulo πιετρο νασσεττι.



eurípides, electra:
a. trad.: j.b. de mello e souza (jackson/ediouro)
b. plágio: pietro nassetti (martin claret)




a. o trabalhador - ó veneranda argos, da terra por onde corre o ínaco e de onde, outrora, comandando mil navios de guerra, até as plagas de tróia velejou o rei agamêmnon! tendo vencido a príamo, que reinava sobre a terra ilíada, ele retornou a argos, deixando em ruínas a cidade ilustre de dárdano; e depositou nos altos templos numerosos despojos daqueles bárbaros. foi feliz, lá na ásia, sim! - mas, aqui, de regresso ao lar, pereceu vítima da astúcia de sua esposa clitemnestra, e sob o golpe de egisto, filho de tiestes. pereceu o detentor do cetro antigo de tântalo; e é egisto quem manda agora nesta terra, e possui a tíndaris, esposa do atrida. este deixara em sua casa, ao partir para tróia, seu filho orestes e sua filha electra. um velho, que fora mestre do pai, conseguiu levar consigo orestes, quando egisto ia matá-lo; e confiou-o, na terra de focéia, a estrófio, para que o criasse; mas a jovem electra permaneceu no lar paterno. logo que atingiu a puberdade, os mais ilustres helenos pediram-lhe a mão; mas o usurpador, receando que do consórcio da princesa com um árgio eminente nascesse um descendente que vingasse um dia a morte de agamêmnon, preferiu conservá-la solteira.

b. o trabalhador - ó veneranda argos, da terra por onde corre o ínaco e de onde, outrora, comandando mil navios de guerra, até as plagas de tróia velejou o rei agamemnon! tendo vencido a príamo, que reinava sobre a terra ilíada, ele retornou a argos, deixando em ruínas a cidade ilustre de dárdano; e depositou nos altos templos numerosos despojos daqueles bárbaros. foi feliz, lá na ásia, sim! - mas, aqui, de regresso ao lar, pereceu vítima da astúcia de sua esposa clitemnestra, e sob o golpe de egisto, filho de tiestes. pereceu o detentor do cetro antigo de tântalo; e é egisto quem manda agora nesta terra, e possui a tíndaris, esposa do atrida. este deixara em sua casa, ao partir para tróia, seu filho orestes e sua filha electra. um velho, que fora mestre do pai, conseguiu levar consigo orestes, quando egisto ia matá-lo; e confiou-o, na terra de foceia, a estrófio, para que o criasse; mas a jovem electra permaneceu no lar paterno. logo que atingiu a puberdade, os mais ilustres helenos pediram-lhe a mão; mas o usurpador, receando que do consórcio da princesa com um árgio eminente nascesse um descendente que vingasse um dia a morte de agamêmnon, preferiu conservá-la solteira.

e por aí vai, um embuste do começo ao fim.

imagem: richmond, electra, wikimedia.commons


III. hipólito:


20/02/2009

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - ηιπολιτο

eurípides, hipólito.
a. mello e souza (jackson)*
b. pietro nassetti (claret)
a. vênus:
(...) há tempo indo hipólito, da casa
de piteu, visitar a ática terra,
e ver e assistir aos venerandos
mistérios; o viu fedra, nobre esposa
de seu pai, e então por arte minha
um furioso amor concebeu n'alma.
e antes de vir aqui, no mais sublime
do rochedo de palas, donde avista
esta terra trezênia, um templo a vênus
levantou: porque amava amor ausente.
os vindouros dirão que ali a deusa,
pelo amor a hipólito, foi posta.
coa morte dos palântidas, fugindo
do sangue derramado à triste mancha,
teseu com a consorte aqui aporta,
para cumprir seu anual desterro.
assim a miseranda, suspirando,
e das setas de amor atravessada
morre em silêncio; o mal ninguém lho sabe.
mas este amor não me convém que afrouxe:
mostrá-lo-ei a teseu, será sabido.
ao meu duro adversário autor da morte
será seu mesmo pai; pois que netuno
anuiu a teseu, por dom, três vezes
todo o voto outorgar que lhe fizesse.
sim é ilustre fedra; porém morre:
pois o seu mal a mim mais não me importa,
que de sorte punir meus inimigos,
que um ponto não se ofusque a minha glória.

b. vênus:
(...) há tempo indo hipólito, da casa
de piteu, visitar a ática terra,
e ver e assistir aos venerandos
mistérios; o viu fedra, nobre esposa
de seu pai, e então por arte minha
um furioso amor concebeu n'alma.
e antes de vir aqui, no mais sublime
do rochedo de palas, donde avista
esta terra trezênia, um templo a vênus
levantou: porque amava amor ausente.
os vindouros dirão que ali a deusa,
pelo amor a hipólito, foi posta.
co'a morte dos palântidas, fugindo
do sangue derramado à triste mancha,
teseu com a consorte aqui aporta,
para cumprir seu anual desterro.
assim a miseranda, suspirando,
e das setas de amor atravessada
morre em silêncio; o mal ninguém lho sabe.
mas este amor não me convém que afrouxe:
mostrá-lo-ei a teseu, será sabido.
ao meu duro adversário autor da morte
será seu mesmo pai; pois que netuno
anuiu a teseu, por dom, três vezes
todo o voto outorgar que lhe fizesse.
sim é ilustre fedra; porém morre:
pois o seu mal a mim mais não me importa,
que de sorte punir meus inimigos,
que um ponto não se ofusque a minha glória. 

* na verdade, mello e souza adverte em seu prefácio que se trata de uma tradução portuguesa antiga de autoria desconhecida

imagem: valérie dréville no papel da fedra de racine

sobre o escândalo que é esse programa de aquisição de acervos da fbn, ver aqui.

a dobradinha FBN/Martin Claret I

eis o que a fbn aceitou cadastrar e oferecer em seu programa nacional do livro de baixo preço, para abastecer 2.700 bibliotecas públicas de norte a sul do país, à livre escolha delas:


reproduzo abaixo o que venho divulgando faz anos e que apresentei à presidência e à coordenação da fundação biblioteca nacional, quando eu soube das irregularidades em seu programa de abastecimento das bibliotecas públicas (e com verba pública, claro):


10/04/2008

max weber: pioneira vs claret

a ética protestante e o espírito do capitalismo.


mais da metade da ética protestante é composta de eruditíssimas notas. nelas, o copidesque nem se deu muito ao trabalho de mexer. já o texto, mais valia nem ter mexido.

tradução original de m. irene szmrecsányi e tamás szmrecsányi (pioneira, 1983, 3a. ed.), p. 144:

Alberti, Pandolfini, e os demais de sua espécie são representantes daquela atitude que, a despeito de toda obediência externa, era internamente emancipada da tradição da Igreja. Com toda a sua semelhança à ética cristã do tempo, na realidade, equivalia de maneira ampla ao caráter pagão da antigüidade, que Brentano acha que omiti, na sua significação para o desenvolvimento do moderno pensamento econômico (e também da moderna política econômica). Que eu não trato de sua influência aqui, é bem verdade. Isto estaria deslocado num estudo sobre a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.

tradução atribuída a pietro nassetti (martin claret, 2007, edição revisada [?]), p. 154:

Alberti, Pandolfini, e os demais de sua espécie são representantes daquela atitude que, apesar da obediência externa, era totalmente* emancipada da tradição da Igreja. Com toda a sua semelhança à ética cristã do seu tempo, na realidade, equivalia de maneira ampla ao caráter pagão da Antigüidade, que Brentano acha que omiti, na sua significação para o desenvolvimento do moderno pensamento econômico (e também da moderna política econômica). Que eu não trato de sua influência aqui, é bem verdade. Isto estaria deslocado em um estudo sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo.

* quanto à troca de "internamente" por "totalmente", parece confirmar que o revisor pouco se importa se isso anula o sentido da contraposição entre externo e interno no humanismo de alberti. talvez o scan não estivesse muito nítido e o "revisor" passou o olho batido e pensou que era "inteiramente"...

trad. m. irene szmrecsányi e tamás szmrecsányi (pioneira, 1983, 3a. ed.), p. 186:

é bem sabido que essa atitude possibilitou ao pietismo tornar-se uma das principais forças a favor da idéia de tolerância. Neste ponto, podemos inserir algumas observações a respeito. Sua origem histórica no Ocidente, se omitirmos a indiferença humanística do Iluminismo, que, em si mesma, teve grande influência prática, pode ser encontrada nas seguintes fontes principais: 1) as razões puramente políticas (arquétipo: Guilherme de Orange); 2) o mercantilismo (especialmente claro para a cidade de Amsterdã, mas também típico de numerosas cidades, terratenientes e governantes que recebiam os membros de seitas por considerarem-nos valiosos para o progresso econômico; 3) a ala radical da religião calvinista. A predestinação tornou fundamentalmente impossível que o Estado verdadeiramente promovesse a religião através da intolerância. Deste modo, ele não poderia salvar uma única alma. Apenas a idéia da Glória de Deus dava à Igreja a ocasião de reclamar sua ajuda na supressão da heresia.

tradução atribuída a pietro nassetti (martin claret, 2007, edição revisada[?]), p. 196:

como se sabe, essa atitude possibilitou ao pietismo tornar-se uma das principais forças em favor da idéia de tolerância. Nesse ponto, podemos inserir algumas observações a respeito. Sua origem histórica no Ocidente, se omitirmos a indiferença humanística do Iluminismo, teve influência prática,* podendo ser encontrada nas seguintes fontes principais: 1) as razões puramente políticas (arquétipo: Guilherme de Orange); 2) o mercantilismo (especialmente claro para a cidade de Amsterdã, mas também típico de numerosas cidades, terratenientes e governantes que recebiam os membros de seitas por considerá-los valiosos para o progresso econômico; 3) a ala radical da religião calvinista. A predestinação tornou impossível que o Estado verdadeiramente promovesse a religião por meio da intolerância. Desse modo, ele não poderia salvar uma única alma. Apenas a idéia da glória de Deus dava à Igreja a ocasião de reclamar sua ajuda na supressão da heresia.

* essa supressão também demonstra a alarmante falta de entendimento do hipotético revisor apressado: o sujeito, na oração interpolada, é evidentemente a indiferença humanista do iluminismo, não a origem histórica do pietismo no ocidente. 

além da cópia ilícita e adulterada, tem como entender weber desse jeito?

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



imagens: http://www.wikipedia.pt/www.npr.org

sobre o escândalo que é esse programa de aquisição de acervos da fbn, ver aqui.