agradeço a nicotti joão armando pela informação e a sérgio karam pelo aviso.
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7 de nov. de 2019
mais russices
23 de jun. de 2017
mais cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil
Schopenhauer, 1887:
O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.
Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.
Para um histórico de Schopenhauer no Brasil, veja-se aqui.
Tolstói, 1890:
A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.
Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.
Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.
Hegel, 1936:
A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.
Jane Austen, 1940:
Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.
Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.
Emily Dickinson, 1945:
Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].
Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.
O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.
A Semana, 1887, ed. 0144
Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.
Tolstói, 1890:
A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.
Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.
Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.
Hegel, 1936:
A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.
Jane Austen, 1940:
Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.
Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.
Emily Dickinson, 1945:
Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].
Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.
23 de jan. de 2016
tolstói no brasil
saiu a belas infiéis v. 4, n.3 (2015), revista do programa de pós-graduação em estudos de tradução da unb, com vários artigos interessantes. na seção "arquivos", está meu artigo sobre a tolstoiana brasileira, disponível aqui.
7 de mar. de 2014
mais um tolstói

graças à gentil indicação de sérgio tadeu santos sobre a antologia organizada por harold bloom, contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades, publicada em quatro volumes pela objetiva, em tradução de josé antônio arantes, localizei mais um conto de tolstói publicado entre nós: "de quanta terra um homem precisa?", no terceiro volume ("outono").
18 de out. de 2013
bibliografia de tolstói
"bibliografia de tolstói no brasil", apêndice a tolstói, a biografia de rosamund bartlett, em tradução de renato marques, que foi publicada pela biblioteca azul da editora globo:
por um engano inexplicável e um lapso imperdoável, incluí entre os escritos de tolstói um conto de gogol: “A carta extraviada”. Trad. Frederico dos Reys Coutinho. In: Os colossos do conto da velha e da nova Rússia. Rio de Janeiro: Mundo Latino, 1944 [Reed. in: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores. Segunda Série. Rio de Janeiro: Vecchi, 1945].
a biblioteca azul já foi avisada e a correção será feita na próxima reimpressão. por ora, fica aqui feita a retificação, com meu pedido de desculpas.
por um engano inexplicável e um lapso imperdoável, incluí entre os escritos de tolstói um conto de gogol: “A carta extraviada”. Trad. Frederico dos Reys Coutinho. In: Os colossos do conto da velha e da nova Rússia. Rio de Janeiro: Mundo Latino, 1944 [Reed. in: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores. Segunda Série. Rio de Janeiro: Vecchi, 1945].
a biblioteca azul já foi avisada e a correção será feita na próxima reimpressão. por ora, fica aqui feita a retificação, com meu pedido de desculpas.
3 de jun. de 2013
tolstói, depois do baile
além d'a morte de ivan ilitch (veja aqui), outro tremendo sucesso de tolstói no brasil, a considerar pela quantidade de traduções publicadas em cinquenta e poucos anos, é o conto "posle bala", "depois do baile".
são seis traduções lançadas entre 1957 e 2011. interessante notar que, a partir de 1962, todas são diretas do russo:
agradeço a gutemberg de medeiros pela informação sobre a tradução da lux; a alfredo monte sobre a da cosac; a daniel dago e a bruno costelini sobre a da nova antologia.
são seis traduções lançadas entre 1957 e 2011. interessante notar que, a partir de 1962, todas são diretas do russo:
- a primeira delas sai na coletânea titãs do amor, em tradução de silvia de assis falcão. são paulo: el ateneo do brasil, 1957
- depois temos no mar de histórias, v. 3, org. e trad. aurélio buarque de hollanda e paulo rónai. rio de janeiro: josé olympio, 1958 [reeditado pelas edições de ouro, c.1974; nova fronteira, 1981; ediouro, 1987]
- a seguir, a tradução de oscar mendes na obra completa publicada pela josé aguilar em 1960-61
- aí o conto sai na antologia do conto russo, vol. iv (dedicado a tolstói), em tradução de tatiana belinky. rio de janeiro: lux, 1962, reed. paulinas, 1988
- sai em o diabo e outras histórias, a coletânea organizada por paulo bezerra, em tradução de beatriz ricci. são paulo: cosac naify, 2000
- por fim, temos a tradução de graziela schneider, na nova antologia do conto russo (1792-1998), organizada por bruno barretto gomide. são paulo: 34, 2011
agradeço a gutemberg de medeiros pela informação sobre a tradução da lux; a alfredo monte sobre a da cosac; a daniel dago e a bruno costelini sobre a da nova antologia.
1 de jun. de 2013
ivan ilitch
vendo o caso do grande gatsby, com sua inflação de novas traduções nos últimos dois anos - nada menos que cinco! -, somando ao todo oito traduções em menos de cinquenta anos (veja aqui), lembrei também o caso de tolstói com a morte de ivan ilitch. não teve nenhum leonardo di caprio no pedaço, mas mesmo assim são dez (quiçá nove) traduções diferentes em menos de sessenta anos (1944-2002)!
sem dúvida é o texto de tolstói mais traduzido entre nós:
retificação em 04/06/2013: ivo barroso informa que o ivan ilitch na tradução de carlos lacerda saiu não no primeiro e sim no segundo número da revista senhor, em abril de 1959.
ilustrações da capa e do conto por glauco rodrigues, gentilmente enviadas por ivo barroso. nosso insigne poeta, tradutor e crítico literário comenta que a ilustração de capa era uma "alusão ao excelente comentário que o Paulo Francis faz no interior da revista sobre a Lolita de Nabocov que estava para sair no Brasil" (que saiu naquele ano em tradução de brenno silveira, pela civilização brasileira).
* retificação: na verdade, a edição de 1944 da coletânea organizada por rubem braga traz a tradução de carlos lacerda, reeditada na revista senhor e, mais tarde, pela editora lacerda. a tradução de marques rebelo virá a substituí-la nos anos 1960 na coletânea de rubem braga,, quando a tecnoprint/ediouro passa a publicá-la com o nome de o livro de ouro do conto russo.
sem dúvida é o texto de tolstói mais traduzido entre nós:
- a primeira a sair é a de marques rebelo, na antologia os russos: antigos e modernos, editora leitura, em 1944 [ver retificação ao final do post: carlos lacerda, não marques rebelo]
- a seguir, em 1948, sai a de gulnara lobato de morais, pela saraiva
- a terceira é a de boris schnaiderman, em três novelas russas, pela boa leitura, em 1959 (direta)
- em 1960, sai a de milton amado, em obra completa, pela josé aguilar
- depois vem pela lux (não sei ainda quem traduziu), na antologia do conto russo, vol. IV, em 1962, tradução direita de ana weinberg e ari de andreade, reed. pela bup em 1963 [vide comentário de mário luiz frungillo]
- em 1981, pela alhambra, temos a de joaquim campelo marques e manoel borges (direta)
- a de tatiana belinky sai em 1991, pela pauliceia (direta)
- uma antiga, de carlos lacerda, sai em 1997 pela lacerda
- em 2002, pela l&pm, sai a de vera karam [retificação em 13/7/2015: a tradução de vera karam saiu inicialmente em 1997 pela l&mp - vide caixa de comentários]
a tradução de carlos lacerda é um caso engraçado: parece que foi publicada em algum lugar em 1944 e depois, em 1959, no primeiro número da revista senhor. mas da edição de 1944 não encontrei nenhum rastro. e aí pensei: será que marques rebelo emprestou seu nome a ela na antologia da ed. leitura? taí uma curiosidade que alguma hora vou tentar satisfazer.*
ilustrações da capa e do conto por glauco rodrigues, gentilmente enviadas por ivo barroso. nosso insigne poeta, tradutor e crítico literário comenta que a ilustração de capa era uma "alusão ao excelente comentário que o Paulo Francis faz no interior da revista sobre a Lolita de Nabocov que estava para sair no Brasil" (que saiu naquele ano em tradução de brenno silveira, pela civilização brasileira).
* retificação: na verdade, a edição de 1944 da coletânea organizada por rubem braga traz a tradução de carlos lacerda, reeditada na revista senhor e, mais tarde, pela editora lacerda. a tradução de marques rebelo virá a substituí-la nos anos 1960 na coletânea de rubem braga,, quando a tecnoprint/ediouro passa a publicá-la com o nome de o livro de ouro do conto russo.
10 de abr. de 2013
khadji-murat, o diabo branco
O diabo branco, usado ora como título, ora como subtítulo, é um detalhe que, por si só, já renderia uma crônica inteira sobre a fortuna de Khadji-Murat no Brasil. A obra de Tolstói fora adaptada para o cinema por Alexandre Volkoff numa produção alemã em 1930, que se celebrizou em sua versão francesa como Le Diable blanc. Ao que parece, o romance causou um pequeno furor editorial no Brasil naquela época: nada menos que cinco edições diferentes em dezoito anos!
Khadji-Murat sai inicialmente no Brasil em 1931, na "Bibliotheca de Auctores Russos" da editora Georges Selzoff & Cia., em tradução direta do russo. Embora não constem os créditos de tradução, foi um trabalho em parceria de Georges Selzoff e Allyrio Meira Wanderley.
Em 1934, temos O diabo branco [Khadji-Murat] pela Civilização Brasileira, em tradução do lusitano António Sérgio. O interessante é que António Sérgio fora o sócio de Álvaro Pinto na editora Annuario do Brasil, na época em que se refugiaram no Brasil - mais tarde, exilara-se em Paris, onde era encarregado da seção luso-brasileira da editora Quillet.* Essa sua tradução foi feita por encomenda direta do editor brasileiro, e apenas mais tarde, já nos anos 1950, é que sairá em Portugal, com o nome de O demónio branco. Suponho que tenha sido por interposição do francês.
* Para uma breve trajetória editorial de António Sérgio, veja aqui.
Numa edição sem data, que calculo por volta de 1945, a Edições e Publicações Brasil lança O diabo branco, numa cópia fiel e integral da tradução de Selzoff e Wanderley, da Bibliotheca de Auctores Russos (1931), sem menção à fonte. Na página de rosto, consta apenas "Obra Póstuma - Edição integral - Revista".
Em sua coleção "Grandes Romances Universais", a W. M. Jackson publica em 1947 seu sétimo volume, de nome Três novelas russas. Na página de rosto consta Khadji-Murat e na página de início da novela acrescenta-se entre parênteses (O diabo branco). A tradução é igualmente anônima e tomada à Bibliotheca, sem menção à editora original. No verso da página de rosto, temos: "Tradução revista e adaptada para esta Coleção pelo Departamento Editorial da W. M. Jackson, Inc.".
Em 1949, pela Vecchi, em sua coleção "Os maiores êxitos da tela", temos O diabo branco em tradução de Boris Schnaiderman, assinando como Boris Solomonov.
Vale notar que, quase quarenta anos depois, em 1986, pela Cultrix, sai uma tradução reformulada de Boris Schnaiderman, agora com o título de Khadji-Murát, e em 2010, novamente revista, pela Cosac Naify.

p.s.: na verdade, já em 1963 a cultrix publica essa tradução refundida de schnaiderman no volume novelas russas.
o clube do livro, em suas habituais garfadas, não deixou passar - mais uma das "traduções especiais" de josé maria machado:
Khadji-Murat sai inicialmente no Brasil em 1931, na "Bibliotheca de Auctores Russos" da editora Georges Selzoff & Cia., em tradução direta do russo. Embora não constem os créditos de tradução, foi um trabalho em parceria de Georges Selzoff e Allyrio Meira Wanderley.
Em 1934, temos O diabo branco [Khadji-Murat] pela Civilização Brasileira, em tradução do lusitano António Sérgio. O interessante é que António Sérgio fora o sócio de Álvaro Pinto na editora Annuario do Brasil, na época em que se refugiaram no Brasil - mais tarde, exilara-se em Paris, onde era encarregado da seção luso-brasileira da editora Quillet.* Essa sua tradução foi feita por encomenda direta do editor brasileiro, e apenas mais tarde, já nos anos 1950, é que sairá em Portugal, com o nome de O demónio branco. Suponho que tenha sido por interposição do francês.
* Para uma breve trajetória editorial de António Sérgio, veja aqui.
Numa edição sem data, que calculo por volta de 1945, a Edições e Publicações Brasil lança O diabo branco, numa cópia fiel e integral da tradução de Selzoff e Wanderley, da Bibliotheca de Auctores Russos (1931), sem menção à fonte. Na página de rosto, consta apenas "Obra Póstuma - Edição integral - Revista".
Em sua coleção "Grandes Romances Universais", a W. M. Jackson publica em 1947 seu sétimo volume, de nome Três novelas russas. Na página de rosto consta Khadji-Murat e na página de início da novela acrescenta-se entre parênteses (O diabo branco). A tradução é igualmente anônima e tomada à Bibliotheca, sem menção à editora original. No verso da página de rosto, temos: "Tradução revista e adaptada para esta Coleção pelo Departamento Editorial da W. M. Jackson, Inc.".
Em 1949, pela Vecchi, em sua coleção "Os maiores êxitos da tela", temos O diabo branco em tradução de Boris Schnaiderman, assinando como Boris Solomonov.
Vale notar que, quase quarenta anos depois, em 1986, pela Cultrix, sai uma tradução reformulada de Boris Schnaiderman, agora com o título de Khadji-Murát, e em 2010, novamente revista, pela Cosac Naify.

p.s.: na verdade, já em 1963 a cultrix publica essa tradução refundida de schnaiderman no volume novelas russas.
o clube do livro, em suas habituais garfadas, não deixou passar - mais uma das "traduções especiais" de josé maria machado:
13 de nov. de 2012
tolstói no brasil, I
conversando com o crítico literário alfredo monte, topei um repto: levantar o que há de tolstói traduzido no brasil. só para começar, apresento aqui o levantamento que fiz até o final dos anos 1950: interessante notar a grande variedade de títulos e a quantidade de retraduções de algumas obras, sobretudo sonata a kreutzer, khadji-murat, ressurreição e guerra e paz.. vamos lá.
I. primórdios pouco identificados
II. calmaria
em 1926, temos amo e creado pela livraria joão do rio, com tradução de um críptico "A.F.":
III. anos 1930
a década se inaugura com uma anna karenine pela sociedade impressora paulista, em 1930. tradutor? não sei.
há também um registro de anna karenine pela cia. editora nacional no mesmo ano:
o ano de 1931 é prolífico:

a adoção do título o diabo branco para khadji-murat certamente foi inspirada pelo filme der weisse teufel, de alexandre volkoff (1930), lançado no brasil no mesmo ano - com grande sucesso - e será retomado pela vecchi em 1949 (ver abaixo).
ressurreição sai também pela civilização brasileira, em dois volumes, em 1936. eis nosso exemplar na biblioteca nacional:
em nossa biblioteca nacional, temos um exemplar de a tortura da carne pela civilização brasileira, sem data. não me parece impossível que fizesse parte dessa fornadinha dos anos 30:
IV. anos 1940; aumenta o fôlego
em 1940, temos o quinhão da mulher, em tradução de joão cabral:
também em 1940, temos o príncipe kassatsky / o diabo, pela editora universitária, em tradução de caio jardim:
em 1942, a globo lança guerra e paz em dois volumes, em sua "biblioteca dos séculos", com tradução de gustavo nonnenberg:
outro ano especialmente prolífico é 1944, quando saem:

não acho impossível que a ediçãozinha mequetrefe do clube do livro em 1953 seja uma garfada da edição da aurora.
em 1947, a w. m. jackson publica "khadji-murat" em três novelas russas em sua coleção "grandes romances universais". a jackson também era bastante fã de usar "traduções revistas".
ainda em 1947, a editora a noite publica uma coletânea de três novelas russas, com dostoiévski, garin e tolstói, em tradução de lúcio cardoso. a novela de tolstói é "ivan, o imbecil".
aliás, essas duas traduções de gulnara foram apropriadas pela martin claret, que agora alardeia deter os direitos sobre elas. duvido e faço pouco. ver aqui.
em 1949, a vecchi publica o diabo branco em tradução de boris solomonov (isto é, boris schnaiderman), em sua coleção "os maiores êxitos da tela".
I. primórdios pouco identificados
- aparentemente, tolstói chega a nós no final do século XIX, com a sonata de kreutzer, pela b.-l. garnier, em tradução de visconti coaracy. bruno gomide, aqui, dá como data provável o ano de 1895. temos um exemplar dessa obra na biblioteca nacional:
| Autor: | Tolstoi, Lev Nikolaevich, graf, |
| Título / Barra de autoria: | A sonata de Kreutzer. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro : B. L. Garnier. |
| Descrição física: | 317p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
- ainda segundo gomide, em 1905 a j. ribeiro dos santos publica uma nova edição da sonata. não sei o nome do tradutor.
- em 1909, sai pela empreza romantica mais uma sonata a kreutzer. ignoro o tradutor.
- ainda em 1909, sai o que eu penso da guerra, pela h. antunes. idem.
- em 1913, ainda a sonata sai pela livraria teixeira. idem.
II. calmaria
em 1926, temos amo e creado pela livraria joão do rio, com tradução de um críptico "A.F.":
III. anos 1930
a década se inaugura com uma anna karenine pela sociedade impressora paulista, em 1930. tradutor? não sei.
há também um registro de anna karenine pela cia. editora nacional no mesmo ano:
| Autor: | Tolstoí, Lev Nikolaevich, graf, |
| Título / Barra de autoria: | Anna Karenine. |
| Imprenta: | [S. Paulo] : Cia. Editora Nacional, 1930. |
| Descrição física: | 710p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
o ano de 1931 é prolífico:
- sai a palavra de jesus pela h. antunes;
- a americana publica resurreição, romance célebre em tradução de carlos cintra:
| Autor: | Tolstoi, Lev Nikolaevich, graf, 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | Resurreição, romance celebre. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Ed. Americana, 1931. |
| Descrição física: | 452 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
essa tradução passa para a waissmann/guanabara em 1935.
- pela cultura sai khadji-murat, em tradução de georges selzoff e allyrio meira wanderley, na coleção "bibliotheca de auctores russos", de iniciativa de georges selzoff (sobre selzoff, ver aqui):
- na mesma "bibliotheca de auctores russos", temos padre sergio, também em tradução a quatro mãos de selzoff e allyrio wanderley:
- temos então os cossacos, pela livraria marisa:
em 1932, temos nova edição de os cossacos, agora pela sociedade impressora paulista.
em 1934, pela livraria marisa, sai o trabalho (com timoteo bondareff), em tradução de joão cabral:
| Autor: | Tolstoi, Lev Nikolaevich, graf, 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | O trabalho. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Liv. Marisa, 1934. |
| Descrição física: | xxx, 241 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Assuntos: | Trabalho e trabalhadores. |
| Entradas secundárias: | Bondarev, Timofei. Cabral, João, trad. |
ainda em 1934, a civilização brasileira lança o diabo branco (khadji-murat), em tradução do português antónio sérgio:
a mesma obra sai pela edições e publicações brasil, apenas como o diabo branco, sem data,mas calculo também pelos anos 1930: retificação em 05/04/13: certamente posterior, dos anos 1940 em diante, pois o preço de capa vem expresso em cruzeiros, não mais réis, e a grafia já segue a reforma ortográfica de 1942. trata-se de uma apropriação da tradução selzoff/allyrio, publicada na bibliotheca de auctores russos em 1931.
a mesma obra sai pela edições e publicações brasil, apenas como o diabo branco, sem data,

a adoção do título o diabo branco para khadji-murat certamente foi inspirada pelo filme der weisse teufel, de alexandre volkoff (1930), lançado no brasil no mesmo ano - com grande sucesso - e será retomado pela vecchi em 1949 (ver abaixo).
ressurreição sai também pela civilização brasileira, em dois volumes, em 1936. eis nosso exemplar na biblioteca nacional:
| Autor: | Tolstoi, Lev Nikolaevich, graf, 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | Ressurreição. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Civ. brasileira, 1936. |
| Descrição física: | 2 v. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
há uma ressurreição sem data, pela cia. brasil, em "tradução revista por marina salles goulart de andrade". não tenho maiores informações.
em 1937, a civilização brasileira sai com uma fornadinha. primeiro a escravidão moderna, em sua colecção econômica, edições sip, vol. 50:
depois vêm os martyres do dinheiro [na floresta - novella (narrativa de um yunker) - 1854-1855], sip, vol. 56:
depois vêm os martyres do dinheiro [na floresta - novella (narrativa de um yunker) - 1854-1855], sip, vol. 56:
e ainda no mesmo ano, a civilização também publica o canto do cysne, sip., vol. 59. o difícil é saber quem traduziu...
em nossa biblioteca nacional, temos um exemplar de a tortura da carne pela civilização brasileira, sem data. não me parece impossível que fizesse parte dessa fornadinha dos anos 30:
| Autor: | Tolstoi, Leão, graf, 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | A tortura da carne. |
| Imprenta: | [Rio de Janeiro] Civilização brasileira. |
| Descrição física: | 157 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
IV. anos 1940; aumenta o fôlego
em 1940, temos o quinhão da mulher, em tradução de joão cabral:
| Autor: | Tolstoi, Lev Nikolaevich, graf. 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | O quinhão da mulher, impressionante relato da propria heroina. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Coeditora brasilica, 1940. |
| Descrição física: | xii, 151 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Assuntos: | Cabral, João, trad. |
também em 1940, temos o príncipe kassatsky / o diabo, pela editora universitária, em tradução de caio jardim:
imagens de capa: josé mário pereira
em 1942, a globo lança guerra e paz em dois volumes, em sua "biblioteca dos séculos", com tradução de gustavo nonnenberg:
ainda em 1942, a josé olympio publica os cossacos em tradução de almir de andrade:
em 1943, a pongetti publica ana karenina, numa daquelas suas malandrices habituais com "tradução revista por marques rebelo". difícil saber o tradutor verdadeiro. aqui em capa da edição de 1958:
também em 1943, a mesma pongetti publica homens e escravos na coleção "as 100 obras-primas da literatura universal", em tradução de cira neri:
essa tradução é relançada em 1961 pela pongetti, na coletânea três novelas russas.
ainda em 1943, a josé olympio lança sua ana karênina em tradução de lúcio cardoso:
também em 1943, saem os diários íntimos com sofia tolstoi, pela vecchi, em tradução de frederico dos reys coutinho. aqui em capa de 1953:

outro ano especialmente prolífico é 1944, quando saem:
- polikuchka pela editora vitória, em tradução de henrique cordeiro:
| Autor: | Tolstoi, Lév. Nikolaevich, graf. 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | Polikuchka. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Ed. vitoria, 1944. |
| Descrição física: | x, 204 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Entradas secundárias: | Cordeiro, Henrique, trad. |
- sebastopol pela livraria martins, em sua coleção excelsior:
- suas memórias (infância, adolescência e juventude), em tradução de rachel de queiroz, pela josé olympio:
- três novelas da rússia, com "o violinista alberto", "um animal como poucos" e "romance inacabado", pela editora nosso livro. há um exemplar em nosso acervo:
| Autor: | Tolstoi, Lév. Nikolaevich, graf. 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | Três novelas da Russia. Nosso livro, ed. |
| Imprenta: | [194 ]. |
| Descrição física: | 180 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
- "a morte de ivan ilitch", em tradução de marques rebelo; "alexis - o pote", em tradução de joracy camargo; "os três staretzi", em tradução de alfredo mesquita, na antologia os russos: antigos e modernos, da editora leitura:
- sai alguma coisa em os mais belos contos russos dos mais famosos autores, pela vecchi. constam vários tradutores na imprenta, entre eles frederico dos reys coutinho, responsável por algumas traduções de tolstói. quando localizar o conteúdo, atualizarei aqui:
- c.1944 sai katia em tradução de lêdo ivo (deve ter sido uma de suas primeiras!), pela panamericana:
| Autor: | Tolstoi, Lev Nikolaevich, graf. 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | Katia. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Ed. Panamericana, [1944?]. |
| Descrição física: | 161 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Entradas secundárias: | Ivo, Lêdo, 1924-, trad. |
- o clube do livro começa suas garfadas de traduções alheias com os cossacos:
a tortura da carne [de onde viria o castigo?] sai em 1945, pela bolsa do livro. não sei se é uma retomada da tradução lançada pela civilização brasileira (c. anos 1930, ver acima).
| Autor: | Tolstoi, Lev Nikolaevich, graf. 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | A tortura da carne [De onde viria o castigo?] |
| Imprenta: | [São Paulo] A bôlsa do livro [1945] |
| Descrição física: | 147 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
em 1945, sai ressurreição pela josé olympio, em tradução de valdemar cavalcanti:
em 1945, sai a segunda série d'os mais belos contos russos dos mais famosos autores, pela vecchi, com mais alguma coisa de tolstói. atualizarei quando obtiver a informação do conteúdo:
em c.1946, sai senhor e servo pela aurora. não localizei outros dados além do que consta em nosso acervo:
em c.1946, sai senhor e servo pela aurora. não localizei outros dados além do que consta em nosso acervo:
| Autor: | Tolstoi, Leão, graf, 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | Senhor e servo. |
| Imprenta: | Rio, Ed. Aurora [1946?] |
| Descrição física: | 167 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |

não acho impossível que a ediçãozinha mequetrefe do clube do livro em 1953 seja uma garfada da edição da aurora.
em 1947, a w. m. jackson publica "khadji-murat" em três novelas russas em sua coleção "grandes romances universais". a jackson também era bastante fã de usar "traduções revistas".
também em 1947, sai a verdadeira vida pela vecchi, em tradução de rossini tavares de lima. não localizei imagem de capa, mas temos um exemplar em nosso acervo nacional:
| Autor: | Tolstoi, Leão, graf, 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | A verdadeira vida. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Ed. Vecchi [1947] |
| Descrição física: | 123 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Assuntos: | Lima, Rossini Tavares de, trad. |
ainda em 1947, a editora a noite publica uma coletânea de três novelas russas, com dostoiévski, garin e tolstói, em tradução de lúcio cardoso. a novela de tolstói é "ivan, o imbecil".
em 1948, a saraiva lança a morte de ivan ilitch, trazendo no mesmo volume amo e servidor, em tradução de gulnara lobato de morais. aqui em capa de 1963:
aliás, essas duas traduções de gulnara foram apropriadas pela martin claret, que agora alardeia deter os direitos sobre elas. duvido e faço pouco. ver aqui.
também em 1948, nossa biblioteca nacional registra mais uma sonata a kreutzer. não localizei imagem de capa:
| Autor: | Tolstoi, Leão, graf, 1828-1910. |
| Título / Barra de autoria: | A sonata a Kreutzer (romance) |
| Imprenta: | [Rio de Janeiro] Ed. miniatura [1948] |
| Descrição física: | 127 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Entradas secundárias: | Vaz, Vicente, trad. |
em 1949, a vecchi publica o diabo branco em tradução de boris solomonov (isto é, boris schnaiderman), em sua coleção "os maiores êxitos da tela".
V. anos 50: algumas novidades
em 1950, sai ana karênina em dois volumes, pela cia. gráfica lux, em tradução por rui lemos de brito (anunciada direta do russo).
em 1952, temos o pensamento vivo de tolstói, com vários excertos de sua obra em seleção e apresentação de stefan zweig, com tradução de ligia autran rodrigues pereira, pela martins:
em 1952, temos o pensamento vivo de tolstói, com vários excertos de sua obra em seleção e apresentação de stefan zweig, com tradução de ligia autran rodrigues pereira, pela martins:
em 1955, temos "as três palavras divinas" em obras-primas do conto universal, pela livraria martins, com seleção e tradução de almiro rolmes e edgard cavalheiro, aqui em capa de 1957:
em 1957, sai guerra e paz em tradução de oscar mendes, em quatro volumes, pela livraria martins. aqui falta imagem de capa do primeiro volume:
essa tradução de oscar mendes sai também pela itatiaia, no mesmo ano.
também em 1957, a edições e publicações brasil lança guerra e paz em três volumes, em tradução de alberto denis, dada como direta do russo; reeditada em 1958 pela edigraf:


ainda em 1957, sai ressurreição pela martins, em tradução de ilza neves e heloísa penteado:

ainda em 1957, sai ressurreição pela martins, em tradução de ilza neves e heloísa penteado:
claro que a cultrix não ia deixar passar um tolstoi em suas maravilhas do conto russo: lá temos "deus vê a verdade, mas espera", em "tradução revista por t. booker washington", de 1958.
encerrando a década, em 1959 sai uma seleta com três novelas, a saber, "a felicidade conjugal", "a morte de ivã ilitch" e "sonata a kreutzer", em tradução de boris schnaiderman, pela editora boa leitura:
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