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6 de dez. de 2012

victor hugo, obras completas

reproduzo abaixo uma descrição das obras completas pela editora das américas, que encontrei na internet. embora não sejam efetivamente completas, segundo a profa. júnia barreto, trazem a maior parte da produção hugueana.

Obras completas de Victor Hugo - Edameris, formato 14 x 20 cm, 44 volumes, 1957, vários tradutores

Títulos
1- Os miseráveis - Tomo I
2- Os miseráveis - Tomo II
3- Os miseráveis - Tomo III
4- Os miseráveis - Tomo IV
5- Os miseráveis - Tomo V
6- Os miseráveis - Tomo VI
7- Os miseráveis - Tomo VII
8- Nossa senhora de paris - Tomo I
9- Nossa senhora de paris - Tomo II
10- O homem que ri - Tomo I
11- O homem que ri - Tomo II
12- O homem que ri - Tomo III // Noventa e tres - Tomo I //
Noventa e tres - Tomo II
13- Noventa e tres - Tomo III
14- O arquipélago da mancha // Os trabalhadores do mar - Tomo I
15- Os trabalhadores do mar - Tomo II // O último dia de um condenado
16- Han da Islândia - Tomo I
17- Han da Islândia - Tomo II // O segundo bug-jargal
18- Napoleão, o pequeno
19- História de um crime
20- História de um crime // Paris
21- Coisas que eu vi - Tomo I
22- Coisas que eu vi - Tomo II
23- Coisas que eu vi - Tomo III // Literatura e filosofia entremeadas - Tomo I
24- Literatura e filosofia entremeadas - Tomo II // William Shakespeare - Tomo I
25- William Shakespeare - Tomo II // Victor Hugo narrado por uma testemunha de sua vida - Tomo I
26- Victor Hugo narrado por uma testemunha de sua vida - Tomo II
27- Victor Hugo narrado por uma testemunha de sua vida - Tomo III // Atos e palavras - Tomo I
28- Atos e palavras - Tomo II
29- Atos e palavras - Tomo III
30- Atos e palavras - Tomo IV
31- Atos e palavras - Tomo V // Pós-escrito de minha vida - Tomo I
32- Pós-escrito de minha vida - Tomo II // Em viagem - Tomo I
33- Em viagem - Tomo II
34- Em viagem - Tomo III
35- Em viagem - Tomo IV // Cartas à noiva - Tomo I
36- Correspondência - 1815-1882 - Tomo I
37- Correspondência - 1815-1882 - Tomo II // Teatro Hernani
38- Teatro: Marion de lorme // O rei se diverte // Lucrécia Bórgia
39- Teatro: Maria Tudor // Angelo // A esmeralda // Ruy Bras
40- Teatro: Os burgraves // Poesia: Odes e baladas - Tomo I
41- Poesia: Odes e baladas - Tomo II // As orientais // As orientais // Os cantos do crepúsculo
42- Poesia: As expiações // As vozes // Os raios e as sombras // As contemplações // Teatro em verso
43- Teatro em verso (continuação): A lenda dos séculos // Canções das ruas e dos bosques // O ano terrível // Os anos funestos // A arte de ser avô // O burro
44- Poesia: A piedade suprema // Religião e religiões // Toda a lira // Fim de satâ // Os quatro ventos do espírito // O papa // Poemas sobre Victor Hugo

os miseráveis no brasil



fiquei surpresa ao ler no artigo de júnia barreto, aqui, que les misérables de victor hugo teria recebido cerca de vinte traduções no Brasil! não pretendo de maneira nenhuma pôr em dúvida a afirmação da pesquisadora, mas, em sendo fundada como certamente o é, sem dúvida há de se tratar de mais um daqueles casos de sumiço completo das traduções mais antigas, inclusive de quaisquer referências rastreáveis sobre elas. vejamos, pois.

I.
os miseráveis é um interessantíssimo caso em que a tradução brasileira saiu antes mesmo do lançamento da obra original. já comentei esse episódio aqui. no entanto, a tradução serializada a partir de março de 1862 no jornal do commercio - anônima, mas de provável autoria de justiniano josé da rocha e antônio josé fernandes dos reis - não foi a que saiu publicada no lançamento internacional simultâneo da obra em abril do mesmo ano. no rio de janeiro, uma das oito cidades escolhidas para esse lançamento, a edição saiu pela filial brasileira da livraria civilização/editor eduardo da costa santos, do porto, em tradução lusitana de antónio rodrigues de sousa e silva, em cinco volumes.


assim temos essa coisa curiosa: a tradução brasileira em folhetim sai na frente, até se antecipando ao lançamento do próprio original, mas a tradução lançada em livro no brasil é portuguesa.

(já em portugal, entre as décadas de 1860 e 1880, são lançadas mais duas traduções, além da de antónio rodrigues de sousa e silva: a de francisco ferreira da silva vieira e a de joão de mattos)

portanto, e aproveitando para fazer a indispensável distinção entre edição e tradução: no século XIX até tivemos edições brasileiras d'os miseráveis, mas traduções brasileiras de les misérables em livro, não, nenhuma, mesmo tendo sido o rio de janeiro uma das praças escolhidas para o lançamento internacional da obra.

II.
é a partir do século XX que vamos ter algumas traduções brasileiras d'os miseráveis em livro. e aí também começam os problemas. algumas edições trazem traduções anônimas, outras são reedições de traduções portuguesas, outras apresentam alguns elementos um pouco ambíguos.

eis o que obtive em meu levantamento - que não surpreenda muito a disparidade na quantidade de volumes; alguns têm apenas 200 páginas, outros 500 ou mesmo mais de 600; alguns são em formato maior, outros em formato menor; alguns têm ilustrações, outros não, e assim por diante:
  • 1925, companhia graphico-editora monteiro lobato, em dois volumes
  • 1944, editora moderna, em dois volumes
  • 1945, cia brasil editora, em dois volumes
  • 1956, editora progresso, em cinco volumes, tradução portuguesa de sousa e silva, aquela de 1862
  • 1956, editora das américas (edameris), em sete volumes, tradução de frederico ozanam pessoa de barros
  • 1959, edigraf, em três volumes
  • 1968, edições de ouro, em dois volumes. a edições de ouro era da tecnoprint, que a partir de 1985 passa a se chamar ediouro. e aqui surge algo curioso:
Autor:Hugo, Victor, 1802-1885.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Os miseráveis.
Imprenta:Rio de Janeiro, [Tecnoprint, 1968] 
Descrição física:2 v. il.
Notas:Registro Pré-MARC

Autor:Hugo, Victor,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1802-1885.
Título original:Les miserables.Portugues
Título / Barra de autoria:Os miseraveis / Victor Hugo ; introducao, Carlos Heitor Cony ; traducao, Casimiro L. M. Fernandes. -
Imprenta:Rio de Janeiro : Tecnoprint, [1988?] 
Descrição física:714p. : il. ; 21cm. -
Série:(Colecao Universidade de bolso)
Notas:Ediouro.
Traducao de: Les miserables.
BNB 88/01 

Autor:Hugo, Victor,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1802-1885.
Título original:Les miserables.Portugues
Título / Barra de autoria:Os miseraveis / Victor Hugo ; introducao, Carlos Heitor Cony ; traducao, Casimiro L. M. Fernandes. -
Imprenta:Rio de Janeiro : Ediouro, [1993]. 
Descrição física:714p. : il. ; 21cm. -
Série:(Classicos de bolso)
Notas:Traducao de: Les miserables.
BNB 94/01 

duas das fichas desses três exemplares em nosso acervo na biblioteca nacional apresentam um dado que me surpreendeu um pouco: os créditos de tradução a casimiro ou, melhor dizendo, casemiro l. m. fernandes.

casemiro fernandes era um conhecido tradutor da globo de porto alegre, nos anos 30 e 40. a tecnoprint/ ediouro, por sua vez, tinha o costume de incorporar catálogos inteiros ou obras avulsas de editoras extintas. foi o que aconteceu, por exemplo, com a tradução de casemiro fernandes (com souza jr.) de o vermelho e o negro de stendhal, que após o fechamento da globo gaúcha passou a ser publicada pela ediouro. ora, ocorre que não localizei absolutamente, em lugar algum e em tempo algum, qualquer edição anterior dessa tradução que a tecnoprint/ ediouro atribui a casemiro fernandes. talvez fosse inédita, talvez fosse a anônima da edigraf, talvez tenha se perdido no sorvedouro dos tempos, talvez, talvez... mas, salvo melhor juízo, não me sinto muito convencida da fidedignidade desses créditos.

continuando:
  • 1980, otto pierre, em dois volumes, não consta crédito de tradução. de todo modo, a otto pierre era um braço editorial português que publicava apenas traduções lusitanas
  • 1981, círculo do livro, em três volumes, na tradução portuguesa de carlos dos santos, que saíra em 1976 pelo círculo de leitores (lisboa)
  • por fim, em 2007 a martin claret publicou os miseráveis em tradução de regina célia de oliveira, em dois volumes. já comentei aqui que júnia barreto, se bem entendi, sugere em seu mesmo artigo que essa tradução de regina célia de oliveira "preserva parte" da tradução de ozanam de barros. a alegação é séria e teria de ser comprovada antes de se poder asseverar qualquer coisa.
III.
assim como é importante não confundir edição e tradução, igualmente importante é não confundir tradução e adaptação. sobre isso, ver aqui.

no caso d'os miseráveis, existem várias adaptações infantojuvenis, como as de miécio tati, luiz antonio aguiar, walcyr carrasco, rosana rios, júlio emílio braz, josé angeli, mas são - precisamente - adaptações, muito condensadas, desde trinta e poucas páginas até a faixa de 120/150 páginas.

há uma adaptação mais extensa, pelo clube do livro (1958), em dois volumes, totalizando cerca de 500 páginas, reeditada em 1976 pela hemus em volume único. na hemus apresenta-se como "texto integral", e nas duas editoras credita-se a suposta tradução a josé maria machado, o indefectível "pietro nassetti" do clube do livro. além de se tratar de um texto condensado, não dou um figo seco pela validade de tal atribuição.

IV.
fico um pouco desconcertada com a discrepância entre a informação fornecida pela pesquisadora júnia barreto e os dados que consegui levantar. a menos que se somem as casas que editaram uma mesma tradução ou se incluam adaptações infantojuvenis e paradidáticas, nem de longe consegui me aproximar da vintena de traduções brasileiras de que tive noticia em seu artigo, sob outros aspectos tão meticulosamente documentado. em meu levantamento, ainda que provisório e certamente incompleto, e mesmo concedendo o benefício da dúvida às traduções anônimas e supondo que não sejam meras reedições de outras anteriores, o resultado que obtive foi de, no máximo, sete traduções brasileiras em livro de les misérables.

assim, deixo mais uma sugestão de pesquisa historiográfica, esta, talvez, para uma dissertação de mestrado: um levantamento efetivo, bem detalhado e documentado das traduções brasileiras d'os miseráveis, que possa inclusive apurar eventuais "partes preservadas" de uma tradução para outra.

anônima, ed. moderna*

?, ed. brasil

anônima, edigraf*

ozanam de barros, edameris, 1956
ozanam de barros, edameris, v. 3, 1967
ozanam de barros, cosac naify, v. 1, 2002

* atualização: quanto à edição da edigraf, recebi a confirmação de que não há qualquer menção ao tradutor em nenhum de seus volumes. idem em relação à edição da moderna. isso parece sugerir aproveitamento de traduções anteriores. para corroborar essa hipótese, seria necessário um cotejo, sem dúvida; mas, a meu ver, isso reforça a hipótese que vem se desenhando para mim, qual seja: se tivermos duas ou três traduções brasileiras dessa obra de victor hugo publicadas em livro, já é muito.

atualização em 31/8/2019:
houve outra edição: saiu pela civilização brasileira, em dois volumes, sem data e sem crédito de tradução. segundo meus palpites, eu a situaria entre meados e final dos anos 1930, e apostaria meus tostões de que é a mesma publicada em 1925 pela companhia graphico-editora monteiro lobato.


 agradeço vivamente a lucas laitano valente pela preciosa notícia e pelas imagens da página de rosto dos dois volumes.


30 de nov. de 2012

tentando entender

às vezes, lendo alguma coisa, encontro passagens cujo sentido não me parece imediatamente claro e fico querendo entender melhor. por exemplo, leio no fundamental artigo de júnia barreto que vim comentando nos últimos posts:
Algumas das obras de Hugo receberam traduções e/ou reedições brasileiras neste início do século XXI, como os romances O último dia de um condenado (Estação Liberdade, 2002, trad.  de  Dominique Kalifa;* 2010, trad.  de Joana Canedo);  Notre-Dame de Paris (Estação Liberdade, 2011, trad.  de  Ana de Alencar e Marcelo Diniz),  O Corcunda de Notre-Dame (Ediouro, 2003, trad.  de Uliano Tevoniuc; Martin Claret, 2006, trad. de Jean Melville); Os trabalhadores do mar (Martin Claret, 2004, reedição da tradução de Machado de Assis); Os Miseráveis (Martin Claret, 2007, trad. de Regina Célia de Oliveira). Nesse levantamento, não foram consideradas as adaptações ou as edições paradidáticas. 
Entretanto, algumas das traduções atuais preservam parte das traduções feitas para as obras completas nos anos 1950, pelos tradutores Frederico Ozanam Pessoa de Barros (Os miseráveis) e Hilário Correia. Nesses casos, constata-se que tais traduções se prendem a transposições majoritariamente linguísticas e semânticas, comportando, muitas vezes, erros crassos de forma e/ou conteúdo e, por vezes, transfigurando o texto literário ou o próprio projeto do autor. [aqui, p. 86; negrito meu]
o que o trecho em negrito significa concretamente? 1. que a tradução de regina célia de oliveira, pela martin claret, reproduz trechos da tradução de ozanam? 2. como notre dame de paris é a única obra em comum entre as traduções de victor hugo feitas por hilário correia e as traduções atuais citadas por júnia barreto, deduzo que a autora se refere à tradução em nome de jean melville, pela martin claret. então isso significa que o corcunda de notre dame pela claret  tem trechos copiados da tradução de hilário correia pela edameris?

quanto ao item 2., não chega a surpreender, pois é fato sabido que todas as traduções atribuídas pela martin claret ao fictício "jean melville" são espúrias. de todo modo, é interessante a sugestão - se entendi corretamente o trecho citado - de que a fonte pelo menos parcial de mais essa contrafação da claret teria sido a tradução de hilário. agora, que a tradução d'os miseráveis feita por regina célia de oliveira "preserva parte" da tradução de ozanam - e repito: se é que entendi corretamente o trecho citado - me surpreendeu e, a meu ver, é uma afirmação, ainda que um tanto elíptica, que demandaria maiores esclarecimentos.

* estranhei um pouco a menção ao historiador francês dominique kalifa como tradutor d'o último dia de um condenado. até onde sei, a tradução dessa obra por joana canêdo saiu pela estação liberdade já em 2002.

atualização em 17/2/2013: joana canêdo avisa em comentário abaixo que os créditos de suas traduções foram corrigidos pela profa. júnia barreto em seu artigo supracitado.

traduções de les travailleurs de la mer

ainda sobre les travailleurs de la mer, de victor hugo: júnia barreto, em seu luminoso artigo sobre "traições editoriais: os trabalhadores do mar, de victor hugo a machado de assis", disponível aqui, comenta que existiria mais de uma dezena de traduções brasileiras da obra.
Les misérables é o título que ganhou o maior número de traduções brasileiras (cerca de vinte), seguido por Notre-Dame de Paris e Les travailleurs de la mer (mais de uma dezena, cada um), e por último Quatrevingt-treize (em torno de sete). [p. 86]
fiquei curiosa em saber quem foram seus tradutores, além de machado de assis. segue-se o que localizei.

I. traduções






a tradução de machado de assis, que tinha saído serializada em 1866, foi publicada em livro pela typographia perseverança no mesmo ano. ao lado, um exemplar encadernado dessa edição de 1866, disponível na brasiliana.usp.









ela tem sido exaustivamente reeditada no século e meio decorrido desde então: pongetti, tecnoprint/ ediouro, francisco alves, abril cultural, círculo do livro, nova cultural, nova alexandria (e até pela martin claret com os devidos créditos de tradução). aqui algumas capinhas:



depois da tradução de machado de assis, sai outra tradução com o título de os homens do mar, em 1925, pela companhia graphico-editora monteiro lobato. segundo o levantamento do iel/ unicamp, aqui, a tradução teria sido feita pelo próprio monteiro lobato, mas não ponho muito minha mão no fogo quanto a isso.





essa tradução foi reeditada em 1933, em dois volumes, pela sociedade impressora paulista, em sua "colecção econômica". sai também em 1936 ss. pela civilização brasileira, selo da nacional, que passou a abrigar a "colecção econômica sip" (sociedade impressora paulista).






aí, em 1952 vem a w. m. jackson com uma de suas espertezas. em certa época, a jackson gostava bastante de pegar traduções alheias sem dar os créditos e publicá-las como "tradução revista" pela equipe da casa. fiel à sua praxe, publicou uma tradução anônima, que teve algumas reedições posteriores na mesma casa:


Autor:Hugo, Victor,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1802-1885.
Título original:Les travailleurs de la mer.Portugues
Título / Barra de autoria:Os trabalhadores do mar / Vitor Hugo ; [traducao revista e adaptada para esta colecao pelo Departamento Editorial de W. M. Jackson Inc.]. -
Imprenta:Sao Paulo : W. M. Jackson, 1952. 
Descrição física:408p. ; 20cm. -
Série:(Grandes romances universais ; v.17)
Notas:Traducao de: Les travailleurs de la mer.
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:VI-431,1,19 
Sigla do Acervo:DRG


em 1957, a editora das américas (edameris) lança obras completas de victor hugo, em 44 volumes. a tradução os trabalhadores do mar ficou a cargo de oscar paes leme. a obra foi dividida em dois tomos, o primeiro no vol. 14, o segundo no vol. 15. essa tradução de oscar paes leme se restringiu, até onde consegui apurar, à própria edameris.


II. adaptações

quanto a adaptações, há algumas. mas um dos problemas das adaptações é que raramente avisam se foram feitas diretamente a partir do original (quase nunca) ou de uma tradução integral previamente existente (quase sempre - e aí não se costuma creditá-la). sobre isso, ver aqui. em todo caso, seguem algumas adaptações de les travailleurs de la mer:




uma bem fininha, com cerca de oitenta páginas, na coleção "edição para a juventude" da editora minerva, em 1951, feita por terra de senna (pseudônimo do jornalista, escritor, chargista e ilustrador lauro carmeliano pereira nunes ou, como era mais conhecido, lauro nunes). aqui na capa de 1953








outra pela minerva, em 1957, na coleção "mundo infantil", vol. 4, um pouco mais extensa, com c. 120 páginas, feita por débora rodrigues. aqui na capa de 1962, pela coleção "tesouro de todos os tempos"









a adaptação de maria jacintha saiu inicialmente pela abril cultural, em 1973, na coleção "clássicos da literatura juvenil", com duzentas e poucas páginas. mais tarde foi reeditada pelo círculo do livro.









claro que não podia faltar uma daquelas adaptações meio espúrias do clube do livro: em 1946, temos os homens do mar, com c. 290 páginas, para variar sem créditos de tradução nem nada








III. concluindo

em suma, quanto a traduções brasileiras de les travailleurs de la mer, consegui localizar apenas quatro: duas com identificação incontestável, a de machado de assis e a de oscar paes leme; uma que acho que é anônima e foi talvez um tanto voluntaristamente atribuída a monteiro lobato, e uma contrafação anônima - aliás, essa tradução espúria da jackson até pode ser portuguesa; não sei, teria de verificar. receio que as demais traduções brasileiras a que alude júnia barreto tenham se esvaído pelo sorvedouro dos tempos: agradeceria muito se alguém tiver e puder me repassar maiores informações sobre elas.

quanto à identificação das traduções nas adaptações condensadas, quem sabe poderia constituir um bom tema para algum trabalho de conclusão de curso. fica dada a sugestão.

uma fonte muito útil para as diversas edições da obra é o levantamento de joana canêdo, aqui.

29 de nov. de 2012

olhaí

sobre aquele caso surreal da abril cultural, que publicou os trabalhadores do mar na tradução de machado de assis e botou um capítulo do meio no final do livro - ressuscitando gilliatt após seu suicídio ou apresentando seu fantasma em ação - que comentei aqui, taí a foto da última página da edição de 1971, cortesia de nossa querida paula abramo:


para o artigo de júnia barreto, que desvendou o desatino da abril, veja-se aqui.

28 de nov. de 2012

victor hugo no brasil

aliás, a propósito de victor hugo, joana canêdo gentilmente disponibilizou seu levantamento das traduções publicadas no brasil, até 1998. disponível aqui.

que espanto!


eu estava lendo a revista traduzires, publicação da pós-graduação em tradução da universidade de brasília, e encontrei um artigo interessantíssimo de júnia barreto sobre os trabalhadores do mar, de victor hugo, na tradução de machado de assis. o artigo está aqui e conta o que a tradução de machado sofreu às mãos da editora abril a partir de 1970.

resumindo, o pessoal da abril pegou um capítulo do meio do livro e botou no fim. então ficou uma sandice. pois gilliatt, o protagonista, se mata no final da história, que termina assim: "No momento em que o navio dissipava-se  no horizonte, a cabeça desaparecia debaixo da água. Tudo acabou; só restava o mar".

mas, com esse disparate, o que acontece? está ele lá se suicidando e aí acorda com fome, vai atrás de comida, sobrevive - como fantasma, imagina-se - a uma tempestade, encontra o monstro marinho, bate num recife, passa por aquelas vicissitudes todas e termina o livro cantarolando bonny dundee! - fico até imaginando se não foi algum engraçadinho, meio entediado lá numa mesa da abril, que quis dar um toque de brás cubas a gilliatt.

segundo a articulista, essa sandice perseverou por anos a fio, até 2000. a abril cultural se extinguiu em 1984-1985, mas fiz um rápido levantamento de suas edições d' os trabalhadores do mar desde 1970, e encontrei reedições em 1971, 1972, 1973, 1974, 1979, 1980, 1982 e 1983. como a distribuição da abril era voltada para bancas de jornal, suas tiragens eram altíssimas, de 70 mil exemplares para cima, e não raro com reimpressões no mesmo ano. quanto a outras edições entre 1984 e 2000 em outras editoras, não sei dizer.

na partilha de 1985, coube a richard civita o catálogo da extinta abril cultural, bem como o círculo do livro (empresa em sociedade entre a bertelsmann alemã), e assim encontramos uma edição d'os trabalhadores do mar pelo círculo em 1986. não sei como está. a partir de 1987, a nova cultural passa a publicar uma adaptação infantojuvenil feita por maria jacintha. não vi, não conheço, mas imagino que esteja correta, em vista de se tratar de ninguém menos que maria jacintha. a partir de 1993, a nova cultural volta a publicar o texto integral, mas não faço ideia se usou a edição da abril ou não: seguem-se reedições em 1994, 1999, 2002 e 2003. aí teria de ver; em todo caso, júnia barreto nos tranquiliza avisando que as edições de 2000 em diante estão normais.

de qualquer forma, se a abril cultural inaugurou sua sandice em 1970 e nela persistiu até seu encerramento, isso vai somar pelo menos nove edições até 1983, sem contar as reimpressões num mesmo ano. é só fazer as contas: mesmo feito por baixo, o cálculo dá um resultado assustador.

minhas saudações e parabéns a júnia barreto pelo belo artigo e pelo alerta fundamental.

atualização em 29/11/12: rodrigo avisa que a edição da nova cultural de 1994 está ok, e a de 2002, avisa thiago, também ok. ver também aqui.


7 de nov. de 2011

essa foi rápida!


consultando a internet em busca de umas referências, encontrei um curto texto de ofir b. de aguiar, aqui, com um dado que eu desconhecia por completo: a tradução d'os miseráveis de victor hugo começou a ser publicada no brasil antes que saísse o original francês!

a história é a seguinte: victor hugo não queria de maneira nenhuma um roman-feuilleton, isto é, a publicação da obra em capítulos num jornal, como muito se fazia na época. ficou decidido com seu editor belga (pois naquela época ele estava exilado na bélgica) que les misérables seria lançado diretamente em formato de livro, em vários volumes. então ficou programado o lançamento para o dia 3 de abril de 1862, em várias cidades em simultâneo: paris, leipzig, bruxelas, budapeste, milão, roterdã, varsóvia e rio de janeiro.

mas, no contrato que victor hugo tinha assinado com o editor, havia uma cláusula que autorizava este último a licenciar o direito de tradução em folhetim para jornais de língua estrangeira. em vista disso, o editor pôde negociar com o proprietário do jornal do comércio a publicação serializada d'os miseráveis. o jornal se antecipou 24 dias ao lançamento do livro e assim foi que, em 10 de março, os brasileiros já puderam começar a ler os capítulos iniciais em português. o jornal do comércio não citava o nome do tradutor, mas, segundo alguns estudiosos, teria sido justiniano josé da rocha - o qual, porém, morreu antes de terminar a tradução, que então teria sido concluída por antônio josé fernandes dos reis.

sobre as traduções d'os miseráveis no brasil, veja aqui.
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