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14 de jul. de 2020

stefan zweig no brasil


1. Obras Completas de Stefan Zweig, 20 volumes 1938-1949. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1951. Editora Delta, 1953 e 1956. 10 volumes, 1961 e 1963.

I. Três poetas da sua vida: Casanova, Stendhal, Tolstoi.
II. Os construtores do mundo: Balzac, Dickens, Dostoievsky, Hölderlin, Kleist, Nietzsche.
III. A Corrente: novelas da adolescência, novelas de sofrimento, Segredos de amor (História narrada ao crepúsculo, A governanta, Segredo ardente, , Pequena novela de verão); Amok; Carta de uma desconhecida; 24 horas na vida de uma mulher; Confusão de sentimentos.
IV. A cura pelo espírito: Mesmer, Mary Baker-Eddy, Freud.
V. Joseph Fouché: retrato de um homem político.
VI. Caleidoscópio: Revelação inesperada de um ofício; Leporela; A Coleção invisível; Buchmendel; O medo; Raquel acusa Deus; Os olhos do irmão eterno ; O candelabro enterrado; A lenda da terceira pomba; As irmãs iguais e desiguais.
VII. Maria Antonieta.
VIII. Maria Stuart.
IX. Uma consciência contra a violência: Castélio contra Calvino.
X. Encontros com homens, livros e países.
XI. Fernão de Magalhães: história da primeira circunavegação.
XII. Coração inquieto.
XIII. O momento supremo: seis miniaturas históricas.
XIV. Brasil, país do futuro.
XV. O mundo que eu vi (minhas memórias).
XVI. As três paixões; A partida de xadrez; Dívida tardiamente paga; Seria ele?.
XVII. Os caminhos da verdade: Américo Vespúcio: uma comédia de erros na História; Erasmo de Rotterdam, grandeza e decadência de uma idéia.
XVIII. A marcha do tempo: encontros com o destino, países e paisagens.
XIX. Balzac.
XX. Jeremias.

2. Romain Rolland, sua vida, sua obra. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, 1936. Com uma foto do biografado dedicada aos escritores brasileiros.

3. Momentos decisivos da humanidade. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1936. Tradução de Medeiros e Albuquerque. Capa de Di Cavalcanti.

4. A luta contra o demônio, Hölderlin, Kleist e Nietzsche. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Com prefácio original de Stefan Zweig. Não incluído em Os construtores do mundo, Editora Guanabara. Tradução de Aurélio Pinheiro.

5. Dois mestres, Dickens e Balzac. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, 1936. Versão reduzida de Três Mestres, sem o ensaio de Dostoiévski, lançado separamente pela Editora Guanabara.

6. A phantástica existência de Mary Baker Eddy. Rio de Janeiro, Editora Atlântida, s/d, e depois Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Parte da trilogia A cura pelo espírito. Inspirado na edição francesa La Guérison par l’Esprit: La Fantastique existence de Mary Baker Eddy (Stock, Paris, 1932).

7. Ocaso de um coração. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Acompanhado de Uma noite fantástica.

8. Ocaso de um coração. S/L, Editora Machado & Ninitch, s/d (antes de 1936). Tradução de Zoran Ninitch. Acompanhada de Mystério de uma rua sem luar.

9. A mulher e a paisagem. S/L, Editora Mundial, s/d (antes de 1936). Novela publicada juntamente com outra edição de Amok.

10. Os olhos do irmão eterno. S/L, Livraria Moura, s/d (antes de 1936).

11. A visão do propheta (Jeremias). Rio de Janeiro, Livraria Flores & Mano, s/d (antes de 1936). Tradução de Cândido de Carvalho.

12. A visão do propheta (Jeremias). Rio de Janeiro, Editora Guanabara, s/d. Tradução de Elias Davidovich.

13. A tragédia de uma vida, Marceline Desbordes-Valmore – retrato biográfico de uma poetisa. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1937

14. Momento supremo: seis miniaturas históricas. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1941

15. Brasil: País do futuro. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1960.

16. Brasil: País do futuro. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.

17. Maria Antonieta. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.

18. 24 horas na vida de uma mulher e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.

19. Momento supremo: treze miniaturas históricas. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1982. Tradução de Medeiros e Albuquerque, O. Galloti e E. Davidovich.

20. Joseph Fouché: retrato de um homem político. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira,1983.

21. Êxtase da transformação. São Paulo, Companhia das Letras, 1987. Tradução de Kurt Jahn.

22. Joseph Fouché: retrato de um homem político. Rio de Janeiro, Editora Record,1999. Tradução de Kristina Michahelles.

23. Fernão de Magalhães: o homem e a sua façanha. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Tradução de Kristina Michahelles.

24. O Mundo que eu vi (minhas memórias) . Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Tradução de Lya Luft. Com índice onomástico.

25. Medo e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Reedição com nova tradução de seis novelas de Caleidoscópio: Medo, A mulher e a paisagem, Leoporella, Carta de uma desconhecida, O livreiro Mendel e A coleção invisível.

26. Momento supremo, Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Com nova tradução. Título da edição de 1936: Momentos decisivos da humanidade.

27. 24 horas na vida de uma mulher e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Acompanhada de Confusão de Sentimentos e Declínio de um Coração. Tradução de Lya Luft.

28. Brasil, país do futuro. Porto Alegre, Editora L&PM, 2006. Tradução de Kristina Michahelles.
Prefácio de Alberto Dines.

29. 24 Horas na Vida de uma Mulher. Porto Alegre, Editora L&PM, 2007. Tradução de Lya Luft.

30. Medo e outras histórias. Porto Alegre, Editora L&PM, 2007. Tradução de Lya Luft e Pedro Süssekind.

extraido do site da casa stefan aweig, disponível aqui.



26 de jul. de 2016

kalinikov, katayev e kolontai no brasil, 1900-1950


Kalinikov, Joseph


A tragédia sexual de Leon Tolstoi. Tradução de Zoran Ninitch. Rio de Janeiro: Marisa, 1934.



Katayev, Valentine



“As facas”. In: Os russos: antigos e modernos. Tradução de Elsie Lessa. 
Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944.



Kolontai, Aleksandra (Alexandra)



“Irmãs”. In: Contos soviéticos. Os novos da Rússia. Tradução de Gabriel Marques. 
Collecção Literatura Moderna. São Paulo: Cultura Brasileira, c.1934. 
Reed. in: Contos soviéticos. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1944.


O amor na sociedade comunista, a nova mulher e a moral sexual. São Paulo: Pax, c. 1930.


Ver Bibliografia russa traduzida no Brasil (1900-1950), aqui.

25 de jul. de 2016

fadeiev, fedin e fibitch no brasil, 1900-1950


Fadeiev, Aleksandr A.



A derrota. Tradução de Helio de Andrade (pseud. de Leôncio Basbaum). São Paulo: Urania, 1931.


Fedin, Konstantin (Constantino, Fedine)



“Alma de cachorro”. In: Contos soviéticos. Os novos da Rússia. Tradução de Gabriel Marques. Collecção Literatura Moderna. São Paulo: Cultura Brasileira, c.1934. 
Reed. in: Contos soviéticos. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1944.



As cidades e os anos. Tradução de Humberto Schoenfeldt e Augusto de Sousa. 
Coleção Oceano, vol. 3. São Paulo: IPÊ, 1947.



O sanatório do doutor Klebe. Tradução de Jorge Amado. 
Coleção Ontem e Hoje, vol. 13. São Paulo: Brasiliense, 1945. 
[Na verdade, Jorge Amado apenas emprestou seu nome para as traduções dessa coleção.]



“Um homem resoluto”. In: Os colossos do conto da velha e da nova Rússia. 
Tradução de Manuel R. da Silva. Rio de Janeiro: Mundo Latino, 1944.



Fibitch, Daniel



Os libertos. Tradução de Zoran Ninitch. Coleção Aurora. São Paulo: Unitas, 1934.


Ver Bibliografia russa traduzida no Brasil (1900-1950), aqui.

24 de jul. de 2016

bunin no brasil, 1900-1950


Bunin, Ivan



“A floresta”. In: Os colossos do conto da velha e da nova Rússia. 
Trad. Frederico dos Reys Coutinho. Rio de Janeiro: Mundo Latino, 1944.



“A glória”. In: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores. 2ª. série. 
Trad. Frederico dos Reys Coutinho. Rio de Janeiro: Vecchi, 1945.


A noite. Trad. Zoran Ninitch. Rio de Janeiro: Calvino, 1934.


O amor de Mitia. Trad. Zoran Ninitch. Rio de Janeiro: Guanabara, 1933.



“O cavalheiro de São Francisco”. In: Os russos: antigos e modernos. 
Trad. Jorge de Lima. Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944.



O senhor de São Francisco. Trad. Zoran Ninitch. Rio de Janeiro: Mundial, c.1934.
[Está incluído neste volume com a novela de Zweig.]



Ver Bibliografia russa traduzida no Brasil (1900-1950), aqui.


bashkirtseva, berkovitch, berzin, bierdiáiev e bukhov no brasil, 1900-1950


Bashkirtseva, Maria Konstantinova (Marie, Bashkirtseff)



Diário. Trad. Gilda Marinho. Coleção Nobel. Porto Alegre Globo, 1943.



Berkovitch, Itzoc-Dob



“Sob a ameaça do Pogrom”. In: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores.
2ª. série. Trad. Gilberto Galvão. Rio de Janeiro: Vecchi, 1945.



Berzin, Julij S. (Julio)


100% de amor, especulação e volupia (amor e especulação no paiz dos soviets). 
Trad. Zoran Ninitch. Rio de Janeiro: Marisa, c.1934.



Bierdiáiev, Nikolai (Berdiaeff, Nicoláu)


O espírito de Dostoievski. Trad. Otto Schneider. Rio de Janeiro: Panamericana, c.1944.



Uma nova Idade Média. Trad. Tasso da Silveira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936.



Bukhov, Arkadi S. (Bourkhov)



“Fazer a côrte”. In: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores. 2ª. série.
Trad. J. da Cunha Borges. Rio de Janeiro: Vecchi, 1945.



“O fim de Sherlock Holmes”. In: Contos soviéticos. Trad. Luiz Alípio de Barros. 
Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1944.


“Regras de conduta para uso alheio”. In: Os mais belos contos russos dos mais famosos
autores. 1ª. Série. Trad. Frederico dos Reys Coutinho. Rio de Janeiro: Vecchi, 1944.


Ver Bibliografia russa traduzida no Brasil (1900-1950), aqui.


29 de jan. de 2016

leituras V: a confusão dos sentimentos

zoran ninitch, excêntrica figura sobre a qual devo a mim mesma um artigo, fez em 1934 uma bela tradução (a primeira) de a confusão dos sentimentos, de stefan zweig, interessante novela psicológica sobre a homossexualidade.



elias davidovich, muito importante na área tradutória e com sólido trabalho de divulgação das obras de freud e zweig no brasil, fez outra tradução de a confusão dos sentimentos. sua primeira edição não traz data, mas calculo que seja não muito posterior (c.1937-38; será reeditada em 1942). devo dizer que fiquei bastante decepcionada.



surpreendeu-me o paradoxo: um pobre expatriado com visíveis problemas psicológicos como ninitch, por vezes cortejando ou mesmo adotando práticas próprias de um vigarista, que certamente deu e levou várias trombadas em e de davidovich, figura séria e de respeitável relevo em nossa história editorial, supera-o em muito em termos de capacidade e qualidade tradutória, pelo menos neste caso em pauta.

27 de jan. de 2016

leituras I: mário e o mágico

hoje recebi meu exemplar de mário e o mágico, de thomas mann, em edição de 1934 que foi, se não a primeira, uma das primeiras a trazer mann em livro com tradução brasileira. foi traduzido por zoran ninitch e publicado pela editora machado & ninitch, do rio de janeiro, numa tiragem de 1.705 exemplares.

o pobre exemplar está bem depauperadinho. é um voluminho pequeno, de 11 x 16,5cm, ilustrado com desenhos que parecem ser a bico de pena (não consegui identificar o nome do ilustrador na capa - atualização: avisa mário frungillo nos comentários: é gloria maria), com 128 páginas e refilamento um pouco irregular. veio sem capa nem contracapa, mas reproduzo aqui uma imagem gentilmente fornecida por mario luiz frungillo, que já publiquei anteriormente:



eis a página de rosto:



por ora, li apenas alguns trechos, e a tradução não sei se é adequada ou correta, mas o texto é bonito, elegante e escorreito. chega a surpreender.


3 de jan. de 2016

zweig, ninitch e medeiros e albuquerque


gosto do formato de crônica ou de estudo de caso bem condensado ("micro-história", diriam alguns) porque certos episódios históricos parecem constituir nós ou entrelaçamentos resultantes de convergências muito singulares. e gosto desse trabalho de destrinçamento dos fios que, reunindo-se intempestivamente ou inesperadamente, formaram aquela ocorrência histórica (aquele "acontecimento", diriam alguns).

o nó que atualmente ando querendo destrinçar parece quase apenas um fait divers, um pequeno fato avulso, pertencente ao capítulo das curiosas insignificâncias. e é o seguinte: medeiros e albuquerque assinou com seu nome algumas traduções de stefan zweig feitas por zoran ninitch.

este é o "fato". mas, se pararmos para pensar e tentarmos entender essa bizarrice, veremos que o pano de fundo é complicado, são muitas as perguntas e muitos os fatores envolvidos nessa simples ocorrência.

quem são os agentes ativos e passivos envolvidos nisso? medeiros e albuquerque e zoran ninitch, evidentemente, mas também stefan zweig, abraão koogan e a editora guanabara, e, conforme avançamos, também elias davidovich, gastão pereira da silva, odilon gallotti, freud, aurélio pinheiro, flores & mano, atlântida, unitas, calvino, pongetti. por que medeiros? por que ninitch? desde quando? a partir de que condições? com que finalidade? quais as consequências?

resumindo: por que traduções de zweig feitas por ninitch são publicadas como da lavra de ninguém menos que o grande defensor dos direitos autorais no brasil, que deu seu nome à primeira lei referente ao tema, contemplando especificamente também as obras de tradução, qual seja, a "Lei Medeiros e Albuquerque"? o que leva um insigne membro da academia brasileira de letras, importante parlamentar, autor expressivo, a participar desse embuste? o que aconteceu, em suma?

e quanto mais tento entender, mais intrincado parece ser este nó, mais interesses parecem estar envolvidos, mais atritos e conflitos parecem se enfrentar, mais circunstâncias pessoais, econômicas e ideológicas parecem se entrecruzar.


18 de ago. de 2013

mais uma sugestão de pesquisa

na seção de leitores do jornal opção, alguns meses atrás, eu tinha deixado um comentário sobre a matéria do jornal sobre o lançamento de rudin, aqui.

na edição desta semana, o jornal transcreveu o comentário em sua seção de cartas. de fato, creio que um levantamento e estudo sistemático da contribuição de imigrantes, refugiados e exilados ao desenvolvimento da tradução no brasil nos anos 1930 resultaria num rico painel.


Denise Bottmann
Muito bom o artigo “Editora lança notável romance de Tur­guêniev” (Jornal Opção 1960) e essa forma de resgatar a memória das traduções anteriores.

Elias Davidovich traduzia basicamente do espanhol e do francês. Sua tradução de Rudin saiu inicialmente em 1932, pela coleção Benjamin Costallata, pela carioca Flores & Mano. Trazia o título, aliás, bem à francesa: “Roudine”.

A tradução de Ivan Emiliano­vitch (de origens russas) é uma das primeiras no Brasil a ter sido feita diretamente do original. “Pais e Filhos” saiu inicialmente pela Edi­tora Cultura Brasileira, em 1935 (co­mo “Paes e Filhos”, pré-reforma ortográfica). A partir de 1941, pas­sou a ser publicada pela Livraria Martins.

Aliás, é muito interessante — e pouco conhecida ou estudada, creio eu — a contribuição de vá­rios imigrantes, exilados e refugiados como tradutores para aquele período de grande alavancagem do setor editorial, a partir dos anos 30: temos Elias Da­vi­do­­vich, Ivan Emiliano­vitch, Zo­ran Ninitch, Charlotte von Or­loff, Georges Selzoff, sem contar os posteriores, como Boris Sch­naiderman desde o comecinho dos anos 40 (assinando como Boris Solomonov) e Paulo Rónai.

Mas, de fato, o que me chama mais a atenção são esses tradutores dos anos 30 — creio que, dentre eles, apenas Elias Davidovich veio a se tornar mais conhecido no setor, com um grande trabalho à frente das coleções Delta (obras completas de Freud, projeto que se iniciara nos anos 30, mas apenas nos anos 50 veio a cabo, com Davidovich, justamente), bem como na organização das obras completas (e tradução de algumas delas, mas indireta) de Stefan Zweig.
disponível aqui.



12 de jun. de 2013

o primeiro darwin no brasil


tradução de zoran ninitch, livraria editora marisa, 1933
edição comemorativa do centenário da viagem do beagle à américa do sul e às costas do brasil

6 de jun. de 2013

zoran ninitch, VII, bagrinho de medeiros e albuquerque

nosso caro iugoslavo residente no brasil, de quem vimos falando ao longo de vários posts (ver aqui), tem em sua bibliografia de traduções algumas obras de stefan zweig, entre as primeiras no brasil. saíram basicamente pela editora guanabara, do rio de janeiro, em 1934.

porém, ao mais descarado estilo ictiológico que às vezes grassava entre nós, parece ter sido mero "bagrinho" em favor de medeiros e albuquerque, nome mais conhecido e autor da casa, provavelmente mais vantajoso em termos comerciais para a editora:





(aqui na capa da edição de 1942)

sobre outros tradutores usados como bagrinhos, por exemplo millôr fernandes e olavo bilac, veja aqui.

3 de jun. de 2013

zoran ninitch, VI: literatura de carregação

por volta de 1934-36, zoran ninitch parece ter feito a tradução de várias histórias de aventura e relatos de viagem, em livrinhos ao mais autêntico estilo da chamada "literatura de carregação". encontro referências a traduções suas de:
  • capitão marryat, aventuras do piloto ajudante
  • capitão marryat, cain, o pirata
  • fenimore cooper, os pioneiros
  • fenimore cooper, robinson do vulcão
  • gustave aymard, o segredo do cacique
  • gustave aymard, os bandoleiros do sul
  • h. alger jr., um heroe
  • henry landor, entre os indígenas do thibet
  • john normand, aylor, o fakir
  • kingston, entre os pelles vermelhas
  • matthew wuin, na áfrica selvagem
  • mayne reid, anahuac, terra de aventuras
  • mayne reid, nas terras do ouro
  • mayne reid, os trepadores de rochedos
  • mayne reid, em caminho do alaska
  • mayne reid, a caçadora selvagem
  • wilhelm junker, nas cabeceiras do nilo
foram publicadas pela empresa editora brasileira, que imagino ser uma subsidiária da empresa editora americana (da revista eu sei tudo), e talvez até em alguns números da própria eu sei tudo.


difícil encontrar imagens de capa, mas dispomos de vários desses livros em nosso acervo na biblioteca nacional:





interessante que dois deles constam em tradução de um "filemon de alvarenga e souza", cuja única referência que se encontra na internet diz respeito, justamente, a nas terras do ouro.




a serem válidas tais datas de publicação, esses anos corresponderiam ao efêmero período de atividades de sua minúscula editora, a machado & ninitch (1934), e aos dois anos imediatamente subsequentes.

2 de jun. de 2013

zoran ninitch, V, e uma sugestão de pesquisa

zoran ninitch, nosso amigo tradutor iugoslavo de que já falamos algumas vezes (veja aqui), traduziu várias coisas de stefan zweig no começo dos anos 1930.

hoje quero comentar uma "coincidência" envolvendo duas delas: uma noite fantastica, pela editora pallas (c.1932), e ocaso de um coração, pela machado & ninitch (1934).



ninitch tinha um colaborador em sua microeditora machado & ninitch: o tradutor aurélio pinheiro.

por outro lado, a editora pongetti, nos anos 1940, era relativamente useira e vezeira em pegar traduções publicadas por outras editoras, como fez algumas vezes com traduções de elias davidovich publicadas pela guanabara(veja aqui).

assim, quando vejo um volume contendo ocaso de um coração e uma noite fantastica, publicado pela pongetti em 1941, dando como tradutor aurélio pinheiro - aliás, falecido em 1938 -, começo a sentir aquela insuportável coceira que apenas um batalhão de pulgas atrás da orelha consegue provocar.

infelizmente não localizei imagem de capa dessa edição da pongetti (aliás reeditada em 1950), mas encontra-se facilmente em sebos, no google books e em nossa biblioteca nacional.

atualização em 05/08/2015 - localizei uma imagem de capa da referida edição da pongetti:



31 de mar. de 2013

thomas mann no brasil

até onde consegui apurar, o ingresso de thomas mann no brasil se dá em 1934, com três livros em rápida sequência.
  • tonio kröger, pela editora guanabara, em tradução de charlotte von orloff; 
  • a morte em veneza, também pela guanabara, em tradução de moysés gikovate;
  • mario e o mágico, em tradução de zoran ninitch, pela machado & ninitch



















é difícil saber a ordem exata de lançamentos. no jornal correio paulistano, há uma nota bibliográfica sobre tonio em 13/10/34; em 18/10, saem notas bibliográficas sobre os outros dois. ocorre, porém, que na notícia de 13/10 já havia menção à existência dessas três traduções. sobre morte em veneza, meira olydio, o articulista, comenta: “a traducção, si não é primorosa, também não chega a fazer vergonha a quem a assigna”. infelizmente não consegui imagem de capa. [atualizado em 07/04/13] - aliás, localizei uma resenha de mario e omágico datada de 26 de agosto de 1934, no carioca diário de notícias, na coluna de renato de alencar. [06/06/13]


em 1940, a livraria martins publica o pensamento vivo de schopenhauer, apresentado por thomas mann, em tradução de pedro ferraz do amaral:


em 1942, temos os buddenbrook - decadência duma família, em tradução de herbert caro, na coleção nobel da globo. terá várias reedições em outras editoras, como a bruguera, o círculo do livro e a nova fronteira.



em 1943, sai uma estranha montanha mágica em tradução em nome de um irrastreável otto silveira, pela panamericana (epasa), faltando trechos. veja aqui.

observação: trata-se de otto schneider - vide aqui


em 1944, sai outra tradução de a morte em veneza, agora de lívio xavier, pela editora flama, como segundo volume de sua coleção "romance do século".



em 1944, o cruzeiro publica uma coletânea de artigos contra o nazismo, os 10 mandamentos e um certo sr. hitler. entre eles está o texto de mann, "não terás outros deuses em minha presença", em tradução de millôr fernandes:



em 1945, temos as cabeças trocadas - uma lenda hindu, na coleção tucano da livraria do globo, em tradução de liane de oliveira e e. carrera guerra:



a partir de 1947, a globo lança a tetralogia de josé e seus irmãos em sua coleção nobel, com tradução de agenor soares de moura: vol. 1, josé e seus irmãos (1947); 2. o jovem josé (1948); 3. josé no egito (1949); 4. josé, o provedor (1951). [nos anos 80, já então na nova fronteira, o título do primeiro volume será retificado para as histórias de jacó.] aqui falta a capinha do primeiro volume.



atualização em 27/5/13: agora não falta mais, graças a saulo von randow jr., que, numa iniciativa incrível, conseguiu a imagem de capa nada menos do que na biblioteca do congresso dos eua:



em 1952, temos a montanha mágica, em tradução de herbert caro, pela globo, coleção nobel. foi reeditada pelo círculo do livro; atualmente está no catálogo da nova fronteira.



em 1953, a pongetti publica sua alteza real em tradução de marina guaspari:



em 1957, sai "tobias mindernickel" nas obras-primas do conto moderno (org. almiro rolmes barbosa), pela martins, porém sem indicação do tradutor.*



ainda em 1957, "o pequeno senhor friedemann", em maravilhas do conto alemão, pela cultrix. como era a praxe nessa coleção de maravilhas, a cultrix não apresenta os créditos.* 


em 1959, temos "o armário", em maravilhas do conto amoroso, pela cultrix. idem.



em 1959, "o palhaço", em maravilhas do conto universal, pela cultrix, com tradução em nome de fernando correia da silva. 


* tanto "tobias mindernickel" quanto "o pequeno senhor friedemann" foram publicados na antologia as melhores novelas de thomas mann em 1948, pela editora hélio, de lisboa, em seleção e tradução de maria da paz marques ferreira e elysio correia ribeiro. valeria a pena consultá-los para ver se correspondem às traduções anônimas lançadas pela martins e pela cultrix.

em 1958, saem as traduções de maria deling para tônio kroeger e a morte em veneza, num só volume, pela boa leitura, em sua coleção "grandes autores". terão várias reedições pela abril a partir de 1971 e pela hemus em 1975. aqui em capa de 1960:



em 1962, temos alguma coisa em contos alemães, sem créditos de tradução, na coleção de jacob penteado, "primores do conto universal", pela edigraf.


também pela boa leitura, temos em 1963 as confissões de félix krull em tradução lusitana de domingos monteiro (reeditado pela hemus em 1975):



ainda em 1963, sai "gladius dei" no mar de histórias, volume 4, em tradução de paulo rónai e aurélio buarque de hollanda, pela josé olympio. o conto será incluído na edição da delta de 1965, citada mais abaixo. não localizei imagem de capa. aqui, na edição ampliada de 1999 (vol. VIII).




em 1964, sai "tobias mindernickel" numa antologia da literatura mundial publicada pela editora logos. não sei se é a mesma tradução publicada em 1957 pela martins.


em 1965, temos a publicação de morte em veneza, tristão e gladius dei pela delta. os dois primeiros são em tradução de herbert caro, e a tradução de gladius dei é a de rónai/hollanda, de 1963, acima citada. o dado não é apresentado na página de rosto, mas consta no interior do livro. o volume foi reeditado em 1970 pela opera mundi.




a título de curiosidade, cito uma revista: em 1967, "gladius dei" sai no livro de cabeceira do ano, ano 1, vol. 4 , da civilização brasileira - não sei se é a mesma tradução de rónai/hollanda.








em 1975, mário e o mágico, pela artenova, em tradução de cláudio leme. contém: "mário e o mágico", "experiências ocultas", "doce sono", "a queda", "a vontade de felicidade", "a morte", "a vingança", "anedota", "dezesseis anos". teve várias reedições pelo círculo do livro.



em 1975, sai a correspondência entre amigos (thomas mann e herman hesse), em tradução de lya luft, pela record:






entre 1981 e 1987, a nova fronteira lança várias obras de mann, a começar por confissões do impostor félix krull, em tradução de lya luft.


em 1982, os famintos e outras histórias, também em tradução de lya luft. o conto "tobias mindernickel" é reeditado em 2007 na antologia os melhores contos de cães e gatos, pela ediouro.





em 1984, carlota em weimar, em tradução de vera mourão.




em 1984, doutor fausto em tradução de herbert caro, para mim a obra mais abismalmente assombrosa de mann. saiu também pelo círculo do livro e pela record/altaya.






ainda em 1984, surgem novas traduções de morte em veneza e tonio kröger, agora de eloísa ferreira araújo silva (e também pelo círculo do livro a partir de 1987).




em 1985, sua alteza real, em nova tradução de lya luft.




em 1987, as cabeças trocadas - uma lenda indiana, em nova tradução de herbert caro.







em 1988, temos o volume ensaios (são oito), em seleção de anatol rosenfeld, pela perspectiva, com tradução de natan robert zins:



em 1989, vale uma menção ao posfácio de mann a a história maravilhosa de peter schlemihl, de adelbert chamisso, pela estação liberdade.





entre 2000 e 2001, a mandarim, selo da arx, lança quatro títulos, a começar por o eleito, em tradução de lya luft.



em 2001, duas novelas - a lei e a enganada, também em tradução de lya luft.






em 2001, seis primeiras histórias, em tradução de ricardo f. henrique. são elas: “visão”, “decaída”, “desejo de felicidade”, “a morte”, “vingada” e “anedota”.


ainda em 2001, a gênese do doutor fausto, também em tradução de ricardo f. henrique.








em 2004, mais um "tobias mindernickel", agora em tradução de marcelo backes, em escombros e caprichos - o melhor do conto alemão no século 20, pela l&pm.







em 2009, ouvintes alemães! discursos contra hitler (1940-1945), em tradução de antonio carlos dos santos e renato zwick, pela zahar:



em 2011, o escritor e sua missão: goethe, dostoievski, ibsen e outros, em tradução de kristina michahelles, também pela zahar:


sem dúvida, deve haver vários contos em diversas antologias. à medida que localizá-los, acrescentarei aqui.

atualização em 02/04/2013: fiz algumas retificações e vários acréscimos ao post, graças à gentil contribuição de mário luiz frungillo, que pode ser vista nos comentários.

atualização em 02/02/2016: a companhia das letras, em sua coleção de obras de thomas mann, publica em 2015 uma nova tradução de tonio kröger, a cargo de mario luiz frungillo. a novela vem no volume que traz a morte em veneza (esta em reedição da tradução de herbert caro).