saiu "um breve apontamento intertextual", retomando anotações minhas sobre thoreau e poe, na revista InComunidade, disponível aqui.
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14 de fev. de 2018
1 de nov. de 2017
22 de out. de 2017
4 de abr. de 2015
31 de out. de 2014
o desplante da h. garnier
mentira da grossa e da feia. é cópia literal e integral da tradução de mécia mousinho de albuquerque. vide os posts nas tags "h. garnier", "edgar allan poe" e "pesquisa 'poe no brasil'". agradeço a paulo soriano a gentilíssima remessa desse anúncio publicado na gazeta de notícias em 4 de dezembro de 1903.
11 de mai. de 2014
edgar allan poe no brasil, complementos
- Na coletânea Folhetim, poemas traduzidos (Folha de S.Paulo, 1987), há o poema de Edgar Allan Poe, "Só".
- "Nunca aposte sua cabeça com o diabo - uma história moral" (1841). In: A Selva do dinheiro: histórias clássicas do inferno econômico. Seleção e tradução de Roberto Muggiati, Rio de Janeiro, Record, 2002.
- "O tonel do Amontillado". (traduzido por Otacílio Nunes). In: A alma do vinho: contos e poemas com a mais célebre das bebidas. Seleção, organização e notas de Waldemar Rodrigues Pereira Filho. Prefácio de Marcos Siscar. São Paulo, Globo, 2009.
- "Sombra" (traduzido por Otacílio Nunes), idem.
Devo essas preciosas indicações a Sérgio Tadeu Guimarães Santos, a quem muito agradeço.
7 de mar. de 2014
mais um william wilson

superlegal, mais uma tradução de "william wilson", gentilíssima informação de sérgio tadeu santos:
"Para colaborar no levantamento dos contos de Poe.
"Há uma antologia organizada pelo Harold Bloom – Contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades, em 4 volumes, publicada pela editora Objetiva, em 2003, tradução de José Antonio Arantes. No volume 4, pg 241-278, há o conto 'William Wilson'."
18 de dez. de 2013
tardio, porém viçoso
a revista tradterm, da usp, publicou em seu último número, v. 22/1 (2013), meu artigo "tardio, porém viçoso: poe contista no brasil". o artigo apresenta a trajetória da ficção de poe traduzida e publicada em livro entre nós, e está disponível aqui.
sobre poe no brasil, visite também meu blog edgar allan poe, aqui.
sobre poe no brasil, visite também meu blog edgar allan poe, aqui.
25 de jun. de 2013
hoffmann e poe
o clássico e excelente estudo de palmer cobb sobre as influências de hoffmann em edgar a. poe, disponível aqui.
e a mais do que plausibilíssima hipótese de que o título tales of the grotesque and arabesque tenha derivado do artigo de walter scott sobre hoffmann (1827):
e a mais do que plausibilíssima hipótese de que o título tales of the grotesque and arabesque tenha derivado do artigo de walter scott sobre hoffmann (1827):
(aliás, ambos parecem igual e sinistramente alucinados...)
1 de jun. de 2012
até tu, brutus?
este é um dos casos mais lamentáveis e surpreendentes que parece se incluir* na seara das traduções espúrias. fiquei perplexa e decepcionada por envolver um tradutor que eu costumava respeitar bastante, josé paulo paes.
o problema veio à tona por ocasião de um extenso estudo do pesquisador e tradutor guilherme braga sobre as várias traduções brasileiras de the gold-bug, de edgar allan poe. no decorrer da análise, as evidências materiais disponíveis levaram guilherme braga a acreditar que o escaravelho de ouro supostamente traduzido por josé paulo paes e publicado na coletânea histórias extraordinárias pela editora cultrix em 1958 seria simples cópia da tradução de almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro, publicada em 1942 na coletânea as obras-primas do conto universal, sexto volume da coleção "a marcha do espírito", pela livraria martins editora.
almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro aparecem como os responsáveis pela compilação, introdução, tradução e notas da coletânea de 1942 (martins). segundo o que os organizadores expõem em sua introdução, alguns dos contos foram traduzidos por terceiros, sendo especificados com os devidos créditos na introdução e no final de cada conto, além de agradecimentos pela licença de uso. são eles: "a lição de canto", de katherine mansfield, trad. érico veríssimo; "a luz da outra casa", de pirandello, trad. francisco pati; "duas mil palavras", de o. henry, trad. brito broca; "as três palavras divinas", de tolstói, trad. lígia autran rodrigues; e "o espectro", de dickens, trad. élsie lessa. assim, infere-se dos créditos e das explicações dadas na introdução que a tradução dos demais contos coube a rolmes barbosa e cavalheiro.
josé paulo paes aparece como o responsável pela seleção, apresentação e tradução dos contos que compõem a coletânea de 1958 (cultrix), com sucessivas reedições e licenciamentos até a data de hoje. não consta nas páginas desta coletânea nenhuma indicação de que tenham sido utilizadas traduções de terceiros, de onde se depreende, naturalmente, que josé paulo paes estaria chamando a si a autoria da tradução do volume completo.
seguem abaixo algumas imagens para fins de comparação entre a tradução em nome de rolmes/ cavalheiro (1942), em cima, e a tradução em nome de paes (1958), embaixo.



* especificação acrescentada em 02/06.
o problema veio à tona por ocasião de um extenso estudo do pesquisador e tradutor guilherme braga sobre as várias traduções brasileiras de the gold-bug, de edgar allan poe. no decorrer da análise, as evidências materiais disponíveis levaram guilherme braga a acreditar que o escaravelho de ouro supostamente traduzido por josé paulo paes e publicado na coletânea histórias extraordinárias pela editora cultrix em 1958 seria simples cópia da tradução de almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro, publicada em 1942 na coletânea as obras-primas do conto universal, sexto volume da coleção "a marcha do espírito", pela livraria martins editora.
almiro rolmes barbosa e edgard cavalheiro aparecem como os responsáveis pela compilação, introdução, tradução e notas da coletânea de 1942 (martins). segundo o que os organizadores expõem em sua introdução, alguns dos contos foram traduzidos por terceiros, sendo especificados com os devidos créditos na introdução e no final de cada conto, além de agradecimentos pela licença de uso. são eles: "a lição de canto", de katherine mansfield, trad. érico veríssimo; "a luz da outra casa", de pirandello, trad. francisco pati; "duas mil palavras", de o. henry, trad. brito broca; "as três palavras divinas", de tolstói, trad. lígia autran rodrigues; e "o espectro", de dickens, trad. élsie lessa. assim, infere-se dos créditos e das explicações dadas na introdução que a tradução dos demais contos coube a rolmes barbosa e cavalheiro.
josé paulo paes aparece como o responsável pela seleção, apresentação e tradução dos contos que compõem a coletânea de 1958 (cultrix), com sucessivas reedições e licenciamentos até a data de hoje. não consta nas páginas desta coletânea nenhuma indicação de que tenham sido utilizadas traduções de terceiros, de onde se depreende, naturalmente, que josé paulo paes estaria chamando a si a autoria da tradução do volume completo.
seguem abaixo algumas imagens para fins de comparação entre a tradução em nome de rolmes/ cavalheiro (1942), em cima, e a tradução em nome de paes (1958), embaixo.
* especificação acrescentada em 02/06.
19 de abr. de 2012
coisas boas
quantas novidades!
a tordesilhas lança contos de imaginação e mistério, de edgar allan poe, na tradução do competentíssimo cássio de arantes leite, numa bela edição ilustrada por harry clarke. são 22 contos (o site da editora, porém, não fornece o índice nem os nomes dos contos...) para engrossar a poeana brasileira. (agradeço o toque de nilton resende.) aqui, uma canja com "a máscara da morte vermelha".
a revista língua portuguesa vai lançar nestes dias seu número especial, dedicado à tradução, com várias matérias e entrevistas (inclusive um depoimento meu).
está saindo pela cosac a segunda mrs. dalloway neste ano, esta em tradução do caro amigo claudio marcondes. depois de um jejum de quase setenta anos, desde a primeira (e até 2011 a única) tradução brasileira, a de mário quintana, temos agora em 2012 as traduções de tomaz tadeu pela autêntica, a do claudio pela cosac e a minha (que deve sair em breve) pela l&pm.
longa vida à dama woolf.
a revista cult, em seu último número saindo também por esses dias, vai trazer uma matéria sobre a nova tradução de dalloway (qual delas, ainda não sei - atualização em 21/4: o pessoal da revista me avisa lá no facebook que é a tradução de tomaz tadeu, pela autêntica).
o número 2 da revista zum, do IMS, aqui saindo da gráfica, com fotos e entrevistas maravilhosas (e algumas traduções feitas por esta que vos fala; posso adiantar que a legenda desta foto é: "Soldado do Exército Nacional Afegão protegendo o rosto com um saco plástico durante tempestade de areia no Posto Avançado de Combate 7171, na Província de Helmand, Afeganistão, 28 de outubro de 2010").
a tordesilhas lança contos de imaginação e mistério, de edgar allan poe, na tradução do competentíssimo cássio de arantes leite, numa bela edição ilustrada por harry clarke. são 22 contos (o site da editora, porém, não fornece o índice nem os nomes dos contos...) para engrossar a poeana brasileira. (agradeço o toque de nilton resende.) aqui, uma canja com "a máscara da morte vermelha".
a revista língua portuguesa vai lançar nestes dias seu número especial, dedicado à tradução, com várias matérias e entrevistas (inclusive um depoimento meu).
está saindo pela cosac a segunda mrs. dalloway neste ano, esta em tradução do caro amigo claudio marcondes. depois de um jejum de quase setenta anos, desde a primeira (e até 2011 a única) tradução brasileira, a de mário quintana, temos agora em 2012 as traduções de tomaz tadeu pela autêntica, a do claudio pela cosac e a minha (que deve sair em breve) pela l&pm.
longa vida à dama woolf.
a revista cult, em seu último número saindo também por esses dias, vai trazer uma matéria sobre a nova tradução de dalloway (qual delas, ainda não sei - atualização em 21/4: o pessoal da revista me avisa lá no facebook que é a tradução de tomaz tadeu, pela autêntica).
o número 2 da revista zum, do IMS, aqui saindo da gráfica, com fotos e entrevistas maravilhosas (e algumas traduções feitas por esta que vos fala; posso adiantar que a legenda desta foto é: "Soldado do Exército Nacional Afegão protegendo o rosto com um saco plástico durante tempestade de areia no Posto Avançado de Combate 7171, na Província de Helmand, Afeganistão, 28 de outubro de 2010").
18 de abr. de 2012
em defesa de brenno II

ainda sobre o artigo "edgar poe em português: limites entre tradução e adaptação", da autoria de élida paulina ferreira e karin hallana santos silva, publicado na revista domínios de linguagem (v. 5, n. 3, 2011, disponível aqui), ter-se-ia que brenno silveira teria ferido "o princípio de fidelidade" e "quebra[do] a atmosfera de suspense e mistério" do conto "metzengerstein", de poe, devido à "supressão" de vários trechos do original em sua tradução. de mais a mais, brenno teria alterado a idade de um dos personagens de quinze para dezoito anos.
como seria muito longo transcrever todos os trechos supostamente suprimidos, reproduzo aqui apenas o breve trecho em que brenno teria alterado a idade do protagonista, citado às pp. 25-26 do referido artigo:
Frederick was, at that time, in his fifteenth year. In a city fifteen years are no long period — a child may be still a child in his third lustrum: but in a wilderness — in so magnificent a wilderness as that old principality, fifteen years have a far deeper meaning.
Frederick contava, a essa altura, dezoito anos. Numa cidade, dezoito anos não são muito tempo; mas na solidão – numa solidão tão magnífica como a daquele velho principado – o pêndulo vibra com um significado mais profundo.as autoras consideram que se trata de uma opção proposital de brenno,* para adaptar o original ao contexto brasileiro, onde se atinge a maioridade aos dezoito anos, ademais suprimindo a frase "a child may be still a child in his third lustrum" para melhor adequar o texto em português a seus propósitos de "contextualização". o veredito é o seguinte:
Essa contextualização, no entanto, implica uma interpretação distinta do original no que concerne à visão que se tem da personagem, uma vez que com quinze anos ele é considerado uma criança e explicaria suas atitudes diante da perda dos pais. Sendo um adulto o fragmento perde todo o sentido em português. [p. 26; negrito meu]ok, magister dixit. veja-se, porém, o texto original de poe em sua versão definitiva:
Frederick was, at that time, in his eighteenth year. In a city, eighteen years are no long period; but in a wilderness — in so magnificent a wilderness as that old principality, the pendulum vibrates with a deeper meaning. (1850)tal como no caso dos supostos acréscimos e do "comentário interpretativo" que brenno silveira teria incluído em sua tradução de "berenice" - e que comentei aqui -, também aqui, nas alegadas supressões e alterações que ele teria efetuado em sua tradução de "metzengerstein", o simples fato é que, na verdade, as diferenças resultam da revisão que o próprio autor, edgar allan poe, fez em seu conto. a versão de "metzengerstein" utilizada por brenno é a definitiva, como consta na edição de 1850, ao passo que as autoras do artigo utilizaram a versão de 1840 para basear sua análise, apontar supostos acréscimos, supressões e contextualizações na tradução brasileira e tecer juízos sobre pretensas perdas de sentido em português, sobre uma alegada destruição da atmosfera de suspense resultante de tais supostas intervenções do tradutor e assim por diante.
não sei o que dizer. de certa forma, os fatos falam por si sós. mas fico com a impressão de que seria talvez desejável um pouco mais de pesquisa, de dedicação e humildade em relação ao objeto de estudo, até para conseguir entendê-lo melhor.
* e de clarice lispector também, com sua adaptação tratada em paralelo com a tradução de brenno.
aos interessados na obra de poe, recomendo o site http://www.eapoe.org; para este conto em particular e suas várias versões, http://www.eapoe.org/works/info/pt005.htm.
imagem: metzengerstein, de harry clarke, 1933
em defesa de brenno I
a revista domínios de linguagem dedicou seu último número (v. 5, n. 3, 2011, disponível aqui)
à atividade de tradução. entre os artigos encontra-se "edgar poe em português: limites entre tradução e adaptação", da autoria de élida paulina ferreira e karin hallana santos silva.
sem pretender me deter nos indiscutíveis méritos do artigo, faço inicialmente uma pequena retificação: a identificação entre tales of the grotesque and arabesque e histórias extraordinárias não passa de um tolo despautério editorial perpetrado pela abril cultural em 1978, que acabou gerando alguns equívocos. sobre o histórico do uso desse título histórias extraordinárias no brasil desde 1958 e os descaminhos pelos quais enveredou a partir de 1978, pode-se consultar meu artigo, "alguns aspectos da presença de edgar allan poe no brasil", em esp. IV.3, aqui.
o reparo mais importante que tenho a fazer sobre o artigo de élida ferreira e karin silva, porém, diz respeito ao exemplo apresentado como prova dos acréscimos que brenno silveira teria feito ao texto original de edgar allan poe, no conto "berenice":
seria de fato surpreendente que brenno, um dos tradutores mais cuidadosos e atentos à letra e ao sentido das obras que traduzia, tivesse acrescentado à sua tradução as frases: "Des idées!- ah! Aqui estava o pensamento idiota que me destruiu! Des idées! –Ah era por isso que eu os cobiçava tão loucamente! Sentia que somente a posse deles poderia restituir-me a paz, fazendo-me recobrar a razão", apenas a título de "comentário interpretativo", como afirmam as autoras à p. 27.
na verdade, a questão é bem mais simples. trata-se apenas de duas versões diferentes de "berenice": as autoras tomaram como referência a versão de 1835, reproduzida na edição das TGA de 1840, ao passo que brenno silveira utilizou a versão definitiva, que poe havia estabelecido para publicação desde 1845. veja-se a versão final do texto de poe (negrito meu):
aos interessados na obra de poe, recomendo o site http://www.eapoe.org; para este conto em particular e suas várias versões, http://www.eapoe.org/works/info/pt011.htm.
veja em defesa de brenno II, aqui.
à atividade de tradução. entre os artigos encontra-se "edgar poe em português: limites entre tradução e adaptação", da autoria de élida paulina ferreira e karin hallana santos silva.
sem pretender me deter nos indiscutíveis méritos do artigo, faço inicialmente uma pequena retificação: a identificação entre tales of the grotesque and arabesque e histórias extraordinárias não passa de um tolo despautério editorial perpetrado pela abril cultural em 1978, que acabou gerando alguns equívocos. sobre o histórico do uso desse título histórias extraordinárias no brasil desde 1958 e os descaminhos pelos quais enveredou a partir de 1978, pode-se consultar meu artigo, "alguns aspectos da presença de edgar allan poe no brasil", em esp. IV.3, aqui.
o reparo mais importante que tenho a fazer sobre o artigo de élida ferreira e karin silva, porém, diz respeito ao exemplo apresentado como prova dos acréscimos que brenno silveira teria feito ao texto original de edgar allan poe, no conto "berenice":
Nesse âmbito, além de omissões também observamos acréscimos de trechos. Quando o tradutor opta por acrescentar algo à tradução que não consta no original, ele amplia de forma a trazer mais elementos interpretativos, interferindo na recepção do texto e, eventualmente, criando uma imagem diferente desse texto na língua de chegada. (p. 26, negritos meus)o exemplo dado como acréscimo de algo "que não consta no original" é o seguinte, às pp. 26-7 (em destaque meu):
Poe: “I held them in every light – I turned them in every attitude. I surveyed their characteristics – I dwelt upon their peculiarities – I pondered upon their conformation – I mused upon the alteration in their nature – and shuddered as I assigned to them in imagination a sensitive power, and even when unassisted by the lips, a capability of moral expression. Of Mad’selle Sallé it has been said, ‘que tous ses pas etaient des sentiments’, and of Berenice I more seriously believed que tous ses dents etaient des idées.
Silveira: “Via-os sob todos os aspectos; revolvia-os em todos os sentidos; estudava suas características. Refletia longamente sobre suas peculiaridades. Meditava sobre sua conformação. Cogitava acerca de sua natureza. Estremecia ao atribuir-lhes, em minha imaginação, uma faculdade de sensação e de sensibilidade e, mesmo quando não ajudados pelos lábios, uma capacidade de expressão moral. De Mademoiselle Sallé foi dito – aliás muito bem – que ‘tous ses pás étaient des sentiments’, e, de Berenice, eu acreditava ainda mais seriamente que toutes ses dents étaient des idées! Des idées!- ah! Aqui estava o pensamento idiota que me destruiu! Des idées! –Ah era por isso que eu os cobiçava tão loucamente! Sentia que somente a posse deles poderia restituir-me a paz, fazendo-me recobrar a razão.”
seria de fato surpreendente que brenno, um dos tradutores mais cuidadosos e atentos à letra e ao sentido das obras que traduzia, tivesse acrescentado à sua tradução as frases: "Des idées!- ah! Aqui estava o pensamento idiota que me destruiu! Des idées! –Ah era por isso que eu os cobiçava tão loucamente! Sentia que somente a posse deles poderia restituir-me a paz, fazendo-me recobrar a razão", apenas a título de "comentário interpretativo", como afirmam as autoras à p. 27.
na verdade, a questão é bem mais simples. trata-se apenas de duas versões diferentes de "berenice": as autoras tomaram como referência a versão de 1835, reproduzida na edição das TGA de 1840, ao passo que brenno silveira utilizou a versão definitiva, que poe havia estabelecido para publicação desde 1845. veja-se a versão final do texto de poe (negrito meu):
I held them in every light. I turned them in every attitude. I surveyed their characteristics. I dwelt upon their peculiarities. I pondered upon their conformation. I mused upon the alteration in their nature. I shuddered as I assigned to them in imagination a sensitive and sentient power, and even when unassisted by the lips, a capability of moral expression. Of Mademoiselle Sallé it has been well said, “Que tous ses pas etaient des sentiments,” and of Berenice I more seriously believed que tous ses dents etaient des idées. Des idées! — ah here was the idiotic thought that destroyed me! Des idées! — ah therefore it was that I coveted them so madly! I felt that their possession could alone ever restore me to peace, in giving me back to reason.em suma, o tradutor não procedeu a qualquer acréscimo ou comentário interpretativo a esta passagem: o acréscimo fora feito pelo próprio autor, edgar allan poe, na versão definitiva de "berenice", ela sim utilizada por brenno silveira em sua tradução.
aos interessados na obra de poe, recomendo o site http://www.eapoe.org; para este conto em particular e suas várias versões, http://www.eapoe.org/works/info/pt011.htm.
veja em defesa de brenno II, aqui.
14 de abr. de 2012
(n.t.) 4
muito legal, saiu a (n.t.) número 4, disponível aqui:
EDITORIAL
POESIA SELETA
Epigramas|Epigrammata, de Décimo Magno Ausônio
[Trad. Daniel da Silva Moreira] prévia
[Trad. Daniel da Silva Moreira] prévia
Mas é música|Ale je hudba, de Vladimír Holan
[Trad. Lucie Koryntová] prévia
[Trad. Lucie Koryntová] prévia
Don Juan: Dedicatória a Robert Southey|Dedication to Robert Southey, Esq ,
de Lord Byron
[Trad. Roberto Mário Schramm Jr.] prévia
de Lord Byron
[Trad. Roberto Mário Schramm Jr.] prévia
Três poemas acerca da morte|Tres poemas acerca de la muerte, de Miguel de Unamuno
[Trad. Yuri Ikeda Fonseca] prévia
[Trad. Yuri Ikeda Fonseca] prévia
PROSA POÉTICA
Metamorfose|Metamorfosis, de Juan José Arreola
[Trad. Bairon Oswaldo Vélez Escallón] prévia
[Trad. Bairon Oswaldo Vélez Escallón] prévia
ENSAIOS LITERÁRIOS
O vazio do poder na Itália|Il vuoto del potere in Italia, de Pier Paolo Pasolini
[Trad. Davi Pessoa Carneiro] prévia
[Trad. Davi Pessoa Carneiro] prévia
É esforço|Es esfuerzo, de Rafael Barrett
[Trad. Patrick Fernandes Rezende Ribeiro] prévia
[Trad. Patrick Fernandes Rezende Ribeiro] prévia
O Deus-criminoso|The criminal-God, de Edgar Wind
[Trad. Larissa Costa da Mata] prévia
[Trad. Larissa Costa da Mata] prévia
Porque sou pagã|Why I am a Pagan, de Zitkjala-Ša [Gertrude Bonnin]
[Trad. Scott Ritter Hadley] prévia
[Trad. Scott Ritter Hadley] prévia
PENSAMENTO
Ensaio sobre o Ser|Versuch über das Sein, de Johann Gottfried von Herder
[Trad. Márcio dos Santos Gomes] prévia
[Trad. Márcio dos Santos Gomes] prévia
CONTOS & EXCERTOS
Gentes e Culturas - Timor-Leste|Emarkultura - Timor Lorosa'e, seleção de textos
[Trad. Irta Sequeira Baris de Araújo] prévia
[Trad. Irta Sequeira Baris de Araújo] prévia
Repolhos e Reis|Cabbages and Kings, de O. Henry [William S. Porter]
[Trad. Vanessa Lopes Lourenço Hanes] prévia
[Trad. Vanessa Lopes Lourenço Hanes] prévia
Três heróis|Tres héroes, de José Martí
[Trad. Michelle Vasconcelos O. do Nascimento] prévia
[Trad. Michelle Vasconcelos O. do Nascimento] prévia
A flor vermelha|Красный цветок, de Vsêvolod Gárchin
[Trad. Oleg Almeida] prévia
[Trad. Oleg Almeida] prévia
Von Kempelen e sua descoberta|Von Kempelen and his Discovery, de Edgar Allan Poe
[Trad. Denise Bottmann] prévia
[Trad. Denise Bottmann] prévia
MEMÓRIA DA TRADUÇÃO
“Papiro de Nu” (Livro dos Mortos), texto anônimo
(reprodução do papiro em hieroglifos + tradução estabelecida a partir da versão inglesa)
[Trad. Octávio Mendes Cajado] prévia
(reprodução do papiro em hieroglifos + tradução estabelecida a partir da versão inglesa)
[Trad. Octávio Mendes Cajado] prévia
ILUSTRAÇÃO
Os Sinos|The Bells, de Anne Sexton
[Ilustrações de Aline Daka e tradução de Ana Santos]
[Ilustrações de Aline Daka e tradução de Ana Santos]
13 de mar. de 2012
(n.t.) revista literária em tradução
que maravilha, está para sair mais um número da (n.t.) revista literária em tradução, trabalho incrível mantido e desenvolvido por gleiton lentz.
o número 4, entre várias coisas magníficas, trará o último conto que edgar allan poe publicou em vida, "von kempelen and his discovery", que era inédito entre nós. com isso, fica completa a poeana de ficção no brasil.
aqui o número 3:
http://www.calameo.com/read/00026024524903193dea2
o número 4, entre várias coisas magníficas, trará o último conto que edgar allan poe publicou em vida, "von kempelen and his discovery", que era inédito entre nós. com isso, fica completa a poeana de ficção no brasil.
aqui o número 3:
http://www.calameo.com/read/00026024524903193dea2
10 de fev. de 2012
poe contista em livro no brasil
comecei a publicar a listagem dos livros de contos de poe traduzidos e publicados no brasil, com título, nome do tradutor, editora, data da primeira edição, conteúdo e, quando possível, capa também da primeira edição.
acompanhe essa listagem no blog Edgar Allan Poe, aqui.
na imagem acima, tem-se, por exemplo, a primeira edição de mar de histórias, vol. II, em seleção e tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai, de 1951, quando essa coleção antológica ainda estava na josé olympio. poe comparece nesta coletânea com dois contos: "o homem da multidão" e "a carta furtada".
14 de nov. de 2011
poe no clube do livro
Esta coletânea de diversos autores, publicada pelo Clube do Livro em 1981, traz "William Wilson" de Poe. É uma edição apócrifa, sem créditos de tradução nem de licenciamento das editoras de onde foram extraídas as traduções. No caso da de "William Wilson", é uma vez mais a vetustíssima "traducção brasileira" anônima publicada em 1903 pela H. Garnier, e que creio tratar-se de uma contrafação da tradução portuguesa de Mécia Mousinho de Albuquerque.
Se o Clube do Livro foi um dos grandes divulgadores de contos de Poe entre um público mais amplo no Brasil, com edições baratas e sistema de venda domiciliar, desde 1945 a 1988, com:
- Novelas extraordinárias (1945)
- Aventuras de Artur Gordon Pym (1946)
- Thingum Bob e outros contos (1956)
- uma pretensa cessão de direitos de tradução para as Histórias extraordinárias da Ordibra (1972)
- "William Wilson" na coletânea acima (1981)
- Histórias extraordinárias (1988)
por outro lado foi a editora com maior quantidade de edições espúrias, plágios e contrafações das traduções de Poe em português. Uma pena.
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1 de nov. de 2011
mão na massa
para quem gosta de acompanhar trabalho de tradução, comecei o último conto de poe inédito no brasil, "von kempelen and his discovery", aqui.
28 de out. de 2011
9 de ago. de 2011
poe XLVII, primeiro livro de poe em tradução brasileira
o primeiro livro de contos de poe publicado no brasil saiu em c. 1903, pela h. garnier. era a reedição de uma tradução portuguesa. já comentei o tema e a fortuna dessa edição no brasil, tediosamente plagiada até os anos 1980.
agora fico muito contente em poder apresentar com razoável margem de segurança o primeiro volume de contos de poe em tradução efetivamente brasileira: historias exquisitas, afonso de escragnolle taunay, melhoramentos, 1927.
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