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18 de out. de 2015

mulher de trinta anos, uma hipótese promissora

um dos casos mais interessantes e engraçados em nossa história tradutória é, provavelmente, o percurso centenário d'a mulher de trinta anos, de balzac.

aqui exponho o que por ora é apenas uma hipótese de trabalho, qual seja, a tradução de luiz cardoso, publicada em 1906 pela guimarães de lisboa, teria sido usada no brasil pelas seguintes casas editoriais:
1. h. garnier em sua edição de 1914; reedição em 1922 pela livraria garnier, anônima 
2. civilização brasileira em 1931; reedição em 1937 em sua collecção S.I.P., idem
3. irmãos pongetti em 1943, como "tradução revista por marques rebelo"
4. brand com licenciamento da pongetti em 1945, idem
5. clube do livro em 1947, anônima
6. novo mundo em c.1954, idem
7. edições de ouro desde os anos 1960, chegando à atual ediouro, agora atribuindo-a diretamente a marques rebelo
8. clube do livro em 1988, agora atribuindo-a a josé maria machado
9. nova cultural na coleção imortais da literatura em 1995, atribuindo-a a "enrico corvisieri"*
10. nova cultural na coleção obras-primas em 2003, atribuindo-a a "gisele donat soares"*
11. saraiva de  bolso em 2013, atribuindo-a diretamente a marques rebelo
* nomes fictícios






para as relações de proximidade entre garnier, clube do livro e nova cultural (em suas duas edições com atribuições distintas), já disponho de alguns elementos interessantes. encomendei hoje um exemplar da guimarães, um da civilização e um da pongetti.

tenho já uma sub-hipótese à primeira vista quase escalafobética, mas com alguma plausibilidade, sobre o tipo das possíveis relações entre a edição da guimarães e a da garnier e até sobre a identidade do responsável por tais relações. mas vou preferir reunir dados mais concretos antes de aprofundá-la.

apenas para encerrar, vale lembrar que a martin claret, numa de suas costumeiras imposturas, preferiu garfar a tradução d'a mulher de trinta anos feita por casimiro fernandes e wilson lousada (bem como as notas e trechos do prefácio de paulo rónai), atribuindo-a ao indefectível pietro nassetti - vide aqui.

19 de set. de 2015

para não esquecer

tendo constatado dois dias atrás o que me parecem ser claros indícios apontando mais uma fraude de tradução (veja aqui), republico um artigo de anos atrás, com a devida atualização.

ainda que a coleção "obras-primas" da nova cultural tenha sido "descontinuada" a partir de nossas denúncias, livro não é produto perecível. devido às altas tiragens das edições (na faixa de 80 a 120 mil exemplares cada), bem como várias reedições dessas obras, são milhões de exemplares espúrios que continuam presentes em bibliotecas públicas e particulares, bem como à venda em inúmeros sebos. que a republicação desse antigo post possa ainda servir de alerta.


24 de set de 2009


imortais e obras-primas

parei um pouco de postar sobre as coleções de clássicos da literatura da editora nova cultural - não porque suas fraudes desapareceram, e sim porque dei por encerrada a pesquisa de seus títulos. conferi todos os títulos, e os casos de plágio comprovado foram apresentados um a um aqui no nãogosto. outras notícias referentes a essas fraudes na nova cultural foram igualmente divulgadas: ações judiciais de editoras lesadas, acordos extrajudiciais com tradutores lesados, matérias na imprensa, errata pública, republicação da obra legítima lesada etc. a quem interessar, o material está no arquivo classificado com o marcador "nova cultural".

por outro lado, graças ao alerta de um leitor, percebi que ficou um ponto meio confuso que quero esclarecer melhor: a nova cultural tem duas coleções literárias com problemas de contrafação - a saber, "imortais da literatura universal" e "obras-primas".

a coleção "imortais da literatura universal" é composta por 20 volumes, e foi publicada em 1995 e 1996 pela nova cultural/ círculo do livro. a coleção "obras-primas" é composta por 50 volumes, e foi publicada em 2002 e 2003 pela nova cultural/ suzano. ambas as coleções eram de alta tiragem, alguns títulos com várias reedições.

segue abaixo a relação das obras integrantes de cada coleção. quando a tradução é legítima, consta apenas o nome do tradutor sem destaque. quando a tradução é espúria, constam o nome do pretenso tradutor em destaque vermelho e o nome do tradutor legítimo em destaque verde. para ver o respectivo cotejo publicado aqui no blog, basta clicar na listinha dos cotejos disponíveis.


IMORTAIS DA LITERATURA UNIVERSAL
1. Dostoievski, Irmãos Karamázovi - Enrico Corvisieri (Natália Nunes, adapt. para o português do brasil por Oscar Mendes)
2. Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes - Rachel de Queiroz
3. Honoré de Balzac, A mulher de 30 anosEnrico Corvisieri (José Maria Machado)
4. Tolstói, Ana Karênina - Mirtes Ugeda (João Gaspar Simões)
5. Choderlos de Laclos, Relações perigosas - Sérgio Milliet
6. Tchecov, As três irmãs - Maria Jacintha
7. Machado de Assis, Brás Cubas/ Dom Casmurro
8. Stendhal, O vermelho e o negroMaria Cristina F. da Silva (Luiz Costa Lima)
9. Ernest Hemingway, O sol também se levanta - Berenice Xavier
10. Émile Zola, Germinal Eduardo Nunes Fonseca (J. Martins); fraude oriunda da Hemus
11. Scott Fitzgerald, Suave é a noiteEnrico Corvisieri (Lygia Junqueira)
12. Charles Dickens, Conto de duas cidades - Sandra Luzia Couto
13. Sartre, A idade da razão - Sérgio Milliet
14. D. H. Lawrence, Mulheres apaixonadas - Cabral do Nascimento
15. Alexandre Dumas, Os três mosqueteirosMirtes Ugeda (Octavio Mendes Cajado)
16. Oscar Wilde, O retrato de Dorian GrayMaria Cristina F. da Silva (Oscar Mendes)
17. Boccaccio, DecamerãoTorrieri Guimarães (Raul de Polillo); fraude oriunda da Hemus
18. Eça de Queiroz, O primo Basílio
19. Jonathan Swift, Viagens de Gulliver - Therezinha Monteiro Deutsch
20. Daniel Defoe, Moll Flanders - Antônio Alves Cury

OBRAS-PRIMAS
1. Miguel de Cervantes, Dom Quixote - Viscondes de Castilho e Azevedo
2. Victor Hugo, Os trabalhadores do mar - Machado de Assis
3. Dante Alighieri, A divina comédia - Fábio M. Alberti (Hernâni Donato)*
4. Dostoievski, Crime e castigo - não consta tradutor (Natália Nunes)
5. Edmond Rostand, Cyrano de Bergerac - Fábio M. Alberti (Carlos Porto Carreiro)
6. Stendhal, O vermelho e o negro - Maria Cristina F. da Silva (Luiz Costa Lima)*
7. Flaubert, Madame Bovary - Enrico Corvisieri (Araújo Nabuco)
8. Jane Austen, Razão e sensibilidade - Therezinha Deutsch 
9. Leon Tolstoi, Ana Karênina - Mirtes Ugeda Coscodai (João Gaspar Simões)
10. Homero, Odisséia - Antônio Pinto de Carvalho
11. Tommaso di Lampedusa, O leopardo - Leonardo Codignoto (Rui Cabeçadas)
12. Charles Dickens, Um conto de duas cidades - Sandra Luzia Couto 
13. Bram Stoker, Drácula - Vera M. Renoldi 
14. Euclides da Cunha, Os sertões
15. Franz Kafka, A metamorfose - Calvin Carruthers (não dou um figo seco por essa edição, mas não localizei a fonte)
16. Mark Twain, As aventuras de Tom Sawyer - Luísa Derouet
17. Choderlos de Laclos, Relações perigosas - Sérgio Milliet
18. Sinclair Lewis, Babbitt - Leonel Vallandro
19. Camões, Os Lusíadas
20. Goethe, Fausto e Werther - Alberto Maximiliano (Silvio Meira e Galeão Coutinho, respectivamente)
21. Voltaire, Contos - Roberto Domenico Proença (Mário Quintana)
22. Tchecov, As três irmãs - Maria Jacintha
23. Herman Melville, Moby Dick - Péricles Eugênio da Silva Ramos
24. Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes - Silvana Laplace (Oscar Mendes)
25. Machado de Assis, Memorial de Aires e Esaú e Jacó
26. Daniel Defoe, Moll Flanders - Antônio Alves Cury
27. Eça de Queiroz, A cidade e as serras
28. Gogol, Almas mortas - Tatiana Belinky
29. Boccaccio, Decamerão - Torrieri Guimarães (Raul de Polillo); fraude oriunda da Hemus
30. Pirandello, O falecido Mattia Pascal e Seis personagens à procura de autor - Fernando Corrêa Fonseca (Mário da Silva e Brutus Pedreira respectivamente)
31. Louisa May Alcott, Mulherzinhas - Vera Maria Marques Martins**
32. Virgílio, Eneida - Tassilo Orpheu Spalding
33. Alexandre Dumas Filho, A dama das camélias - Therezinha Deutsch 
34. Henry Fielding, Tom Jones - Jorge Pádua Conceição (Octavio Mendes Cajado)
35. Émile Zola, Naná - Roberto Valeriano (Eugênio Vieira)
36. Shakespeare, Tragédias - Beatriz Viéga-Farias
37. Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray - Enrico Corvisieri (Oscar Mendes)
38. Honoré de Balzac, A mulher de trinta anos - Gisele Donat Soares (José Maria Machado)
39. Edgar Allan Poe, Histórias extraordinárias - Brenno Silveira e outros
40. Jules Verne, A volta ao mundo em oitenta dias - Therezinha Monteiro Deutsch
41. Jonathan Swift, 
As viagens de Gulliver - Therezinha Deutsch 
42. Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros - Mirtes Ugeda Coscodai (Octavio Mendes Cajado)
43. Ibsen, A casa de bonecas - Cecil Thiré
44. Joseph Conrad, Lord Jim - Carmen Lia Lomonaco (Mário Quintana)
45. Henry James, Lady Barberina e A outra volta do parafuso - Leônidas Gontijo e Brenno Silveira respectivamente
46. Raul Pompéia, O ateneu
47. Guy de Maupassant, Uma vida - Roberto Domenico Proença (Ascendino Leite)
48. Scott Fitzgerald, Suave é a noite - Enrico Corvisieri (Lígia Junqueira)
49. D. H. Lawrence, Mulheres apaixonadas - Cabral do Nascimento
50. Walter Scott, Ivanhoé - Roberto Nunes Whitaker (Brenno Silveira)

* nos casos da divina comédia e de o vermelho e o negro, os tradutores lesados foram ressarcidos, mas não houve nenhum recall ou substituição dos exemplares espúrios adquiridos pelos leitores e instituições públicas e privadas. em todo caso, a nova cultural retirou de catálogo os 20 títulos das "Obras-Primas" com plágio comprovado.

** atualização em 19/09/2015: constatei que páginas e mais páginas desta tradução de mulherzinhas  em nome de vera maria marques martins se afiguram como mera cópia, com ínfimas alterações de um ou outro termo, da tradução de marcos bagno (melhoramentos, 1998). vide aqui.


17 de set. de 2015

mulherzinhas

quando a gente pensa que já deu, sempre aparece mais uma ou outra coisa.

louisa may alcott, mulherzinhas.

1. tradução de marcos bagno em bela edição ilustrada e comentada da melhoramentos, em sua coleção "obras-primas universais", de 1998.



2. tradução em nome de vera maria marques martins, pela editora nova cultural, em sua coleção "obras-primas", de 2003.


o curioso é que as duas traduções, nas primeiras páginas iniciais da obra, são totalmente distintas e independentes entre si. mas, de repente, ficam praticamente iguais, uma mera cópia da outra, até o final do primeiro capítulo; vejam-se alguns exemplos:

I.
1. marcos bagno (1998)
Amy obedeceu, mas esticou as mãos para a frente e pôs a caminhar como se fosse um boneco de corda. E seu "Oh!" dava mais a ideia de estar sendo vítima de um alfinete do que do medo e da angústia. Jo soltou um gemido de desespero, e Meg caiu na risada, enquanto Beth deixava seu pão queimar para observar a cena com interesse.
2. vera maria marques martins (2003)
Amy obedeceu, porém estendeu as mãos para a frente e pôs a andar feito um um boneco de corda. E o seu "Oh!" dava mais a ideia de estar sendo vítima de um alfinete do que do medo e da angústia. Jo soltou um gemido de desespero, e Meg caiu na risada, enquanto Beth deixava seu pão queimar para observar a cena com interesse.
3. original:
Amy followed, but she poked her hands out stiffly before her, and jerked herself along as if she went by machinery, and her "Ow!" was more suggestive of pins being run into her than of fear and anguish. Jo gave a despairing groan, and Meg laughed outright, while Beth let her bread burn as she watched the fun with interest.

II.
1. marcos bagno (1998)
- Nem tanto - replicou Jo, modesta. - Não acho que A Praga da Feiticeira, tragédia operística, seja coisa tão boa. Teria preferido encenar Macbeth, se tivéssemos um alçapão para Banquo. Sempre quis fazer a cena do assassinato. "É um punhal que vejo à minha frente?" - murmurou Jo, revirando os olhos e agarrndo o ar, como tinha visto fazer um ator famoso.
- Não é um punhal, é o espeto da lareira com o sapato de mamãe em vez do pão. Beth ficou enfeitiçada! - gritou Meg, e o ensaio terminou numa gargalhada geral.
2. vera maria marques martins (2003)
- Nem tanto - replicou Jô, modesta. - Não acho que A Praga da Feiticeira, tragédia operística, seja tão boa. Eu teria preferido encenar Macbeth, se tivéssemos um alçapão para Banquo. Sempre quis fazer a cena do assassinato. "É um punhal que eu vejo à minha frente?" - murmurou Jô, revirando os olhos e agarrando o ar, como vira fazer um famoso ator.
- Não é um punhal, é o atiçador da lareira com o sapato da mamãe em vez do pão. Beth ficou enfeitiçada! - gritou Meg, e o ensaio terminou numa gargalhada geral.
3. original
"Not quite," replied Jo modestly. "I do think The Witches Curse, an Operatic Tragedy is rather a nice thing, but I'd like to try Macbeth, if we only had a trapdoor for Banquo. I always wanted to do the killing part. 'Is that a dagger that I see before me?" muttered Jo, rolling her eyes and clutching at the air, as she had seen a famous tragedian do."No, it's the toasting fork, with Mother's shoe on it instead of the bread. Beth's stage-struck!" cried Meg, and the rehearsal ended in a general burst of laughter.

III.
1. marcos bagno (1998)
Enquanto fazia seu interrogatório materno, a sra. March tirou suas roupas úmidas, calçou as pantufas quentes e sentou-se na cadeira de balanço. Pôs Amy no colo, preparando-se para desfrutar da hora mais feliz de seu dia ocupado. As meninas se movimentavam, tentando organizar as coisas, cada uma a seu modo. Meg pôs a mesa para o chá. Jô trouxe lenha e dispôs as cadeiras, derrubando e deixando cair tudo o que tocava. Beth ia e vinha, da cozinha para a sala, quieta e atarefada, enquanto Amy dava ordens a todas, sentada de braços cruzados.
2. vera maria marques martins (2003)
Enquanto fazia seu interrogatório materno, a sra. March tirou suas roupas úmidas, calçou os chinelos quentes e se sentou na cadeira de balanço. Pôs Amy no colo, preparando-se para desfrutar da hora mais feliz de seu dia ocupado. As meninas se movimentavam, tentando organizar as coisas, cada uma do seu jeito. Meg pôs a mesa para o chá. Jô trouxe lenha e dispôs as cadeiras, derrubando e deixando cair tudo o que tocava. Beth ia e vinha, da cozinha para a sala, quieta e atarefada, enquanto Amy dava ordens a todas, sentada de braços cruzados.
3. original
While making these maternal inquiries Mrs. March got her wet things off, her warm slippers on, and sitting down in the easy chair, drew Amy to her lap, preparing to enjoy the happiest hour of her busy day. The girls flew about, trying to make things comfortable, each in her own way. Meg arranged the tea table, Jo brought wood and set chairs, dropping, over-turning, and clattering everything she touched. Beth trotted to and fro between parlor kitchen, quiet and busy, while Amy gave directions to everyone, as she sat with her hands folded.

por esses exemplos, pode-se constatar que, além das soluções idênticas, foram reproduzidos até mesmo pequenos lapsos de entendimento, omissões de palavras e mudanças de pontuação em relação ao original, e assim vai até o final do capítulo.

em vista do patente recurso a tradução alheia, valeria a pena cotejar os outros capítulos em que não se reproduz o texto de bagno com, talvez, a tradução de nair lacerda, publicada em 1953 pela saraiva e reeditada em 1973 pelo círculo do livro.


6 de nov. de 2011

a mulher de trinta anos

alguém me consulta sobre as traduções válidas, digamos assim, de a mulher de trinta anos, de balzac. esse breve romance tem sofrido bastante no brasil, no quesito de tradução.




a primeira tradução publicada no brasil, até onde sei, saiu pela h. garnier em 1914, reed. pela livraria garnier em 1922, contendo também a vendetta e um principe da bohemia: não consta o nome do autor da tradução.










em 1937, sai uma edição pela civilização brasileira: tampouco aqui consta o nome do tradutor.


em 1943, sai pela irmãos pongetti uma tradução anônima revista por marques rebelo, com várias reedições (aqui, a imagem é da ed. 1945).

quando essa tradução vai para o catálogo da ediouro, curiosamente marques rebelo passa a constar na fbn como autor da tradução.







em 1946 sai a monumental comédia humana pela globo, em três volumes.
a mulher de trinta anos, em tradução de casimiro fernandes e wilson lousada, está no vol. III (aqui, imagem da ed. 1948)











em 1947, pelo clube do livro, sai mais uma tradução anônima.











em 1948, sai a tradução de rachel de queiroz, pela josé olympio.












em 1973, o círculo do livro publica a tradução de casimiro fernandes e wilson lousada.











em 1984, a l&pm publica a tradução de paulo neves, com várias reedições até o presente.




em 1988, o clube do livro relança sua tradução, agora atribuindo-a a "josé maria machado", que hoje em dia tenho considerado uma espécie de ancestral de "pietro nassetti" no referido clube do livro.










em 1995, a nova cultural lança pelo círculo do livro uma tradução em nome de "enrico corvisieri", cópia atamancada da tradução em nome de "josé maria machado" (clube do livro, 1988).










em 1998, a editora martin claret lança uma tradução em nome de "pietro nassetti", cópia atamancada da tradução de casimiro fernandes e wilson lousada. aqui numa rara capa de época, depois substituída pela capa de estilo "evanescente" em suas sucessivas reedições até hoje.









em 2000, sai a tradução de marina appenzeller pela editora estação liberdade.







em 2003, a nova cultural lança mais uma vez sua tradução espúria, agora na coleção "obras-primas", modificando os créditos em nome de "enrico corvisieri" para "gisele donat soares".





assim eu responderia que, entre as traduções atualmente em circulação, eu ficaria apenas com duas: a de paulo neves, pela l&pm, e a de marina appenzeller, pela estação liberdade, abaixo em suas capas atuais:


e

A mulher de trinta anos

a título de curiosidade, seria interessante descobrir a verdadeira autoria das traduções atribuídas a josé maria machado e, a partir dos anos 80, a marques rebelo. sobre os casos da editora martin claret e da editora nova cultural, veja os cotejos: "pietro nassetti", aqui; "enrico corvisieri" e "gisele donat soares", aqui.
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7 de fev. de 2011

diário do nordeste

reproduzo abaixo uma entrevista que dei a edma góis, do diário do nordeste. aqui o link.

Prejuízo para o leitor

6/2/2011

Tradutora experiente, Denise Bottmann está no centro do debate sobre o uso indevido de traduções. Ela denunciou casos aos Ministérios Públicos Estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. São 15 inquéritos sobre traduções com autorias forjadas atualmente disponíveis no mercado brasileiro. Em conversa com o Caderno 3, ela explica como começaram as suspeitas de plágio, além de opinar sobre o papel do Estado e do leitor em meio a essa discussão

O caso mais recente é o da investigação de plágios das traduções de Monteiro Lobato, a cargo do Ministério Público Federal. Há casos que a senhora esteja acompanhando?
Tem alguns inquéritos no Ministério Público Estadual de São Paulo, por iniciativa da tradutora Joana Canedo. A questão não é só do tradutor em si, mas da apropriação de um patrimônio cultural. Canedo entrou com uma grande petição e o Ministério Público Estadual de São Paulo instaurou um inquérito. Uma característica interessante é que uma boa maioria desses problemas acontece com traduções antigas, de textos de 1930 a 1950. Tem ainda um percentual de obras mais recentes envolvendo textos de Portugal.

Que suspeitas a senhora considera mais graves?
É o da editora Landmark. Mas em termos quantitativos (são quase 200), é o da Martin Claret. No caso da Landmark, um dos proprietários atribui a seu nome à tradução de "Persuasão" (Jane Austen). No início ele negava e depois contestou a adequação do termo "plágio". Uma das acusações que sofri é que eu estaria usurpando o papel do juiz ao condená-lo por "plágio". Eu apenas apontei a ocorrência de plágio, o que eu posso demonstrar em juízo.

Como vieram à tona os plágios de traduções portuguesas ?
A Universidade de Lisboa desenvolveu e publicou uma tradução de uma obra do Nietzsche. Essa tradução foi copiada por uma editora, substituindo o nome da legítima tradutora. No Brasil, a Martin Claret esteve envolvida em um dos primeiros escândalos. Um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) apontou um plágio de uma tradução de "A República", de Platão. Na verdade, essa tradução tinha sido feita por uma estudiosa portuguesa e copiada pela Martin Claret, com outro nome.

Como atuam aqueles que usam indevidamente as traduções?
Normalmente, são dois tipos de plágio: o de tradutores originais já mortos ou de traduções atribuídas a nomes fictícios. A diferença do caso de Portugal é de que as tradutoras estão vivas. Existe uma pequeníssima minoria de tradutores brasileiros vivos que sofreram esse tipo de lesão. São os casos do poeta e historiador Ernâni Donato e do crítico literário Luiz Costa Lima. O caso dos dois foi com a editora Nova Cultural.

Há algum levantamento dos plágios no Brasil?
Todas as iniciativas são individuais. Na época em que denunciei, contei com o apoio do Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra) e da Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes (Abrates). Um dos maiores apoios vem dos setores acadêmicos, fundamentalmente dos departamentos de Letras e de Filosofia, porque uma questão é que os plágios são obras em domínio público de grandes clássicos da literatura e da filosofia.

O leitor não tem como saber que está comprando uma tradução copiada?
Bem ou mal, o tradutor é protegido por lei. Se tivesse algum caso de tradução minha lesada, entraria com uma ação judicial e não com o Ministério Público. A questão do leitor é essa. Ele não é reconhecido como parte legítima para ingressar com ação de lesão contra seus direitos. Estou com mais de 15 inquéritos como cidadã por estar sendo lesada por essas editoras. O Ministério Público de São Paulo, Rio de Janeiro e do Paraná aceitaram meus pedidos de representação por lesão ao Código do Consumidor. As editoras são Ediouro, Fundamento, Germinal, Grupo Geração, Landmark, e Martin Claret. O que eu digo é que aquela informação sobre a tradução é incorreta e induz o leitor ao erro.

Qual a importância da averiguação do MPF?
É um grande precedente o MPF passar a reconhecer a lesão ao patrimônio, mesmo que não seja de textos em domínio público. No caso de Monteiro Lobato, ele reconhece que a sua contribuição integra o patrimônio cultural brasileiro, mesmo que os direitos autorais ainda pertençam à família. É reconhecer publicamente que uma obra literária, mesmo sem ser de domínio público, deve ser protegida pelo Estado. Eu, como leitora, não posso fazer nada, a não ser como consumidora. Mas que leitor irá saber? Eu posso ver irregularidades porque sou tradutora há mais de 25 anos. O leitor, em geral, não.

E o que pensar sobre os textos que estão na Internet?
O grau de infiltração é enorme. Tem vários para downloads. É incontrolável. São textos de estudo e muitos de graduação e pós-graduação. É mais fácil comprar em sebos, a baixos preços, do que fazer impressão de arquivos. Para consultas rápidas, funciona sim, mas para acervos de biblioteca, não acho que dê certo. O problema ainda é o livro impresso mesmo.

EDMA CRISTINA DE GÓIS
ESPECIAL PARA O CADERNO 3

foi uma longa conversa por telefone com a jornalista, a quem agradeço muito a oportunidade. gostaria apenas de fazer um reparo, pois talvez eu não tenha me expressado com clareza: indagada sobre o caso da landmark, em que um dos sócio-proprietários da editora, o sr. fábio cyrino, assinava uma das edições suspeitas, ao comentar sua gravidade eu estava pensando na ação judicial que a editora e o editor moveram contra minha pessoa, e que se encontra em curso. considero-o o caso mais grave, tanto pelas demandas da editora quanto pelo fato de que outra ação judicial contra mim, movida pelo sr. martin claret, não prosperou. deixei um comentário na página da entrevista, fazendo esse esclarecimento que me parece oportuno. do ponto de vista do catálogo da landmark, o nãogostodeplágio apontou apenas duas irregularidades: persuasão o morro dos ventos uivantes. veja aqui e aqui.

outra pequena retificação: ingressei com mais de quinze petições junto ao ministério público contra irregularidades praticadas por várias editoras. nem todas essas petições deram origem a inquéritos.
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6 de jan. de 2011

eia nóis

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no final do livro história da beleza, de umberto eco, pela editora record, tradução de eliana aguiar, consta uma lista chamada "referências bibliográficas das traduções utilizadas".

ali, impertérritos, comparecem os fantasmáticos enrico corvisieri (platão, a república, nova cultural) e alex marins (platão, fedro, martin claret).


vá lá que em 2004, quando foi lançada a primeira edição de história da beleza no brasil, não se tinha muito conhecimento do que estava acontecendo em matéria de contrafações e plágios tradutórios, e apenas algumas vozes solitárias bradavam no deserto - a saber, ivo barroso, alfredo monte e euler de frança belém.

mas a imagem acima reproduzida corresponde à p. 341 do volume da record publicado em julho de 2010, quando esse fenômeno de fraude editorial já era razoavelmente notório, e a própria editora nova cultural já tinha retirado de circulação e catálogo ess'a república de platão.

dona record, custava dar uma limpadinha nessa sua reedição e substituir os trechos espúrios por trechos legítimos? não é que faltem boas traduções dessas duas obras em português!

agradeço a rogério bettoni pela informação e pela imagem. como afirma ele, e compartilho: "fico triste ao ver que todo mundo sabe dos plágios e, ainda assim, continua indicando as obras como referência".
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8 de out. de 2010

oi denise

Oi Denise,
 Sou leitor do seu blog faz um tempo já. Não lembro como cheguei nele; acho que foi no ano passado. Minha reação inicial ao descobrir quão generalizada está a questão do plágio no Brasil foi de asco e revolta, especialmente ao conferir minha humilde biblioteca e verificar quantos volumes tinham problemas. Até parecia que você estava perseguindo minhas escolhas... Divina Comédia, Sócrates, Robinson Crusoe, até um Fausto que me dei de presente (na pretensa de "Alberto Maximiliano"). Enfim, em resumo, o estrago foi enorme, não só financeiro como intelectual, claro, 13 livros (a imagem deles segue em anexo)... Ainda bem que não li todos. Mas, para compensar, alguns li mais de uma vez... Ainda os mantenho aqui por medo de que, se rumarem para a reciclagem, alguém os recolha e queira ler (de modo que continuariam a causar seus estragos). Talvez o melhor seja mantê-los até o próximo São João e fazer uma fogueira...

Um outro motivo também me leva a lhe escrever: algum tempo atrás, visitando um sebo aqui em Brasília fiquei muito triste ao ver em promoção vários e vários e vários volumes da edição do Cyrano de Bergerac plagiada pela Nova Cultural conforme mostrado por você. Lembrei-me do caso imediatamente por causa dos belos textos de Ivo Barroso acerca do caso. A única explicação que me ocorreu para isso é que, vendo a sua denúncia, os vários donos das edições espúrias não quiseram ficar no prejuízo e trataram de vendê-las mesmo sabendo que eram plágio (ou exatamente por causa disso?). Na hora não consegui aceitar como seu trabalho, tão relevante para leitores, tradutores, pesquisadores, enfim, para o nosso patrimônio cultural e cultura, poderia ter isso como consequência... Não consigo aceitar que nesse país os ishpertos sempre ganhem... mesmo quando perdem.

Já voltei tempos depois no sebo [fazer o quê? se formos parar de comprar em locais que vendem plágio (e nós sabemos que eles sabem) não vamos mais comprar livros... e pesquisas na Estante Virtual mostrariam que não é apenas um] e não havia mais tantas edições, sinal de que elas continuam livres por aí propagando seu conteúdo podre... Quem dera tivessem ido para o lixo.. O que eu poderia ter feito? Não sei muito o que fazer além de evitar as edições e divulgar seu blogue.

Obrigado,

Jorge.

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obrigada, jorge. um, cem, mil fazem toda a diferença.
denise
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4 de out. de 2010

menos mau

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jane austen em português noticia: um enrico corvisieri a menos no mercado!

explico-me: a editora best-seller, do grupo record, tem em seu catálogo um tristésimo orgulho e preconceito numa pretensa tradução em nome do fantasmagórico "enrico corvisieri".

"enrico corvisieri" foi o pietro nassetti da editora nova cultural entre os anos 1996 e 2005, isto é, em seu nome constavam traduções alheias do mais variado leque de obras das mais variadas línguas. a editora best-seller pertencia, junto com a nova cultural, ao grupo C.L.C. comandado por richard civita.

em 2003 a C.L.C. vendeu a editora best-seller ao grupo record, do rio de janeiro, que levou no catálogo orgulho e preconceito na pretensa tradução de "enrico corvisieri". na verdade, tratava-se de uma cópia adulterada da antiga tradução de lúcio cardoso (1940).


hoje em dia, a tradução legítima de lúcio cardoso é publicada pela civilização brasileira, que também faz parte do grupo record.

a best-bolso é a linha pocket da best-seller, do mesmo grupo record. então havia o risco de que a best-bolso perpetuasse a fraude de enrico corvisieri da best-seller. ufa, não! a best-bolso está publicando a tradução de lúcio cardoso, que está na civilização.

agora é torcer para que o monstrengo corvisieriano acabe de definhar na best-seller, e nunca mais seja reeditado. quanto aos leitores que leram esse copidesque atamancado da tradução de lúcio cardoso, é uma pena. como a bestbolso é da best-seller, ficaria bonito se a record oferecesse aos infelizes compradores da edição de orgulho e preconceito pela best-seller a nova edição da bestbolso, em tradução legítima.

acompanhe o caso em orgulho e preconceito da best seller.

imagem: albo.co.uk
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28 de set. de 2010

descartes, discurso do método

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um presente de jacó guinsburg e família de bento prado jr.
aos leitores

em decorrência de um alarmante caso de plágio/contrafação na coleção os pensadores, pela nova cultural,  da obra de descartes, discurso do método em tradução de jacó guinsburg e bento prado jr., os detentores dos direitos gentilmente autorizaram a disponibilização da tradução legítima na internet. o arquivo em pdf se encontra em:

http://www.scribd.com/doc/14893702/Descartes-Discurso-do-Metodo-trad-Jaco-Guinsburg-e-Bento-Prado-Jr-com-notas-de-Gerard-Lebrun-publicacao-autorizada-pelos-detentores-dos-direitos

imagem: mathematicianspicutres.org
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10 de set. de 2010

o coração da matéria

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boas editoras corrigem seus erros, e muitas vezes nem precisam da reclamação dos leitores ou de uma segunda edição. saem espontaneamente à praça, fazendo recall ou dando errata.

nem sempre é assim. veja-se o caso da universo dos livros e sua desconversa em relação ao livro que saiu sem as páginas do epílogo, ou o caso da alta books que, a despeito das centenas de reclamações em vários títulos de seu catálogo, parece não se abalar muito, ou da novo século, que promete correções numa "eventual" reedição.

pior ainda quando se trata de edições não erradas e/ou incompletas, mas francamente fraudadas: lembro o clamoroso caso da nova cultural em parceria com a suzano/ ecofuturo. tampouco se abalaram muito com os milhões de exemplares espúrios que soltaram na praça entre 2002 e 2003. com certa relutância, o instituto ecofuturo publicou em seu site uma lista corrigindo os créditos de tradução das edições fraudadas. saudei o fato em como diz o provérbio.

mas, como bem colocou um leitor em comentário ao post:
O problema é se as traduções foram adulteradas - o que muito provavelmente deve ter acontecido.

Nesse caso, a mera correção dos créditos de tradução não resolve o problema - uma vez que cada texto, se adulterado, deixa de corresponder ao texto estabelecido pelo tradutor original.

Será preciso restabelecer o texto original das traduções - o que pode exigir nova publicação dos títulos, digamos, problemáticos -, e, se for o caso, indenizar os tradutores (pela violação a direitos morais e patrimoniais) e os consumidores (pela fraude contra o consumidor).
sem dúvida, é este o caso: edições adulteradas que deixaram de corresponder ao texto estabelecido pelo verdadeiro tradutor. seria preciso, realmente, restabelecer o texto das traduções legítimas, e isso certamente exigiria uma nova publicação dos títulos problemáticos.

então, fazer bobagem é fácil, corrigir é que são elas.

imagem: scribe
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5 de jul. de 2010

como diz o provérbio...

faz um bom tempo que foi levantada a história dos plágios de tradução na editora nova cultural, em suas coleções Pensadores e Obras-Primas (esta em parceria com a Suzano Celulose). a coisa era tanto mais aborrecida porque o Instituto Ecofuturo, a ong da Suzano, fazia o maior alarde e distribuía a mãos fartas a tal coleção como prêmio em suas campanhas e como acervo para as bibliotecas comunitárias sob sua responsabilidade.



então fiquei contente em ver que pelo menos isso o Ecofuturo fez:

Correção na concessão dos créditos dos tradutores da Coleção Obras Primas editada em 2002 pela Nova Cultural


Desde 2003 o Instituto Ecofuturo tem realizado a doação de livros da Coleção Obras Primas, editada em 2002 pela NOVA CULTURAL, a qual possui a logomarca “Selo Ler é Preciso”, de nossa titularidade.

Em 2008, tomamos conhecimento de que em alguns livros que integram a Coleção Obras Primas, ocorreu a menção incorreta dos nomes dos tradutores, conforme listagem abaixo que nos foi enviada pela Editora Nova Cultural:

Título: Ana Karenina
Autor: Tolstói
Crédito indevido da tradução: Mirtes Ugeda
Crédito correto da tradução: João Gaspar Simões

Título: Crime e Castigo
Autor: Dostoiévski
Crédito correto da tradução: Natália Nunes

Título: O Retrato de Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Crédito indevido da tradução: Enrico Corvisieri
Crédito correto da tradução: Oscar Mendes

Título: Contos
Autor: Voltaire
Crédito indevido da tradução: Roberto Domênico Proença
Crédito correto da tradução: Mário Quintana

Título: Lord Jim
Autor: Joseph Conrad
Crédito indevido da tradução: Carmen Lia Lomônaco
Crédito correto da tradução: Mário Quintana

Título: Morro dos Ventos Uivantes
Autor: Emily Brontë
Crédito indevido da tradução: Silvana LaPlace
Crédito correto da tradução: Oscar Mendes

Título: Tom Jones
Autor: Henry Fielding
Crédito indevido da tradução: Jorge Pádua Conceição
Crédito correto da tradução: Octávio Mendes Cajado

Título: O Vermelho e o Negro
Autor: Stendhal
Crédito indevido da tradução: Maria Cristina F. da Silva
Crédito correto da tradução: Luiz Costa Lima

Título: Divina Comédia
Autor: Dante Alighieri
Crédito indevido da tradução: Fabio M. Alberti
Crédito correto da tradução: Hernâni Donato

Título: Falecido Matia Pascal/Seis Personagens
Autor: Pirandello
Crédito indevido da tradução: Fernando Correa Fonseca
Crédito correto da tradução: Mário da Silva, Elvira Ricci e Brutus Pedreira

Título: Fausto / Werther
Autor: Goethe
Crédito indevido da tradução: Alberto Maximiliano
Crédito correto da tradução: Sílvio Meira e Galeão Coutinho

Título: Ivanhoé
Autor: Walter Scott
Crédito indevido da tradução: Roberto Nunes Whitaker
Crédito correto da tradução: Brenno Silveira

Título: O Leopardo
Autor: Lampedusa
Crédito indevido da tradução: Leonardo Codignoto
Crédito correto da tradução: Rui Cabeçadas

Título: Madame Bovary
Autor: Flaubert
Crédito indevido da tradução: Enrico Corvisieri
Crédito correto da tradução: Araújo Nabuco

Título: Naná
Autor: Zola
Crédito indevido da tradução: Roberto Valeriano
Crédito correto da tradução: Eugenio Vieira

Título: Suave é a Noite
Autor: Scott Fitzgerald
Crédito indevido da tradução: Enrico Corvisieri
Crédito correto da tradução: Ligia Junqueira

Título: Os Três Mosqueteiros
Autor: Alexandre Dumas
Crédito indevido da tradução: Mirtes Ugeda
Crédito correto da tradução: Octávio Mendes Cajado

Título: Uma Vida
Autor: Guy de Maupassant
Crédito indevido da tradução: Roberto Domênico Proença
Crédito correto da tradução: Ascendino Leite

Título: A Mulher de Trinta Anos
Autor: Balzac
Crédito indevido da tradução: Gisele Donat Soares
Crédito correto da tradução: José Maria Machado

ver aqui a página do instituto ecofuturo.

a questão é um pouco mais complicada do que isso, e voltarei a ela adiante. por ora, veja aqui no blog suzano/ecofuturo. por outro lado, como o ótimo é inimigo do bom, acho que dá para comemorar um pouquinho.

dedico este post e esta pequena conquista a saulo von randow jr., pai de toda essa briga encampada e desenvolvida aqui no nãogostodeplágio, e a danilo nogueira, seu respectivo padrinho.

imagem: água mole em pedra dura

14 de jun. de 2010

uma questão de jeito

flanela paulistana faz ponderadíssimas e excelentes perguntas em "denise vai dormir na pia, oh".



pois é, como se fosse alguma questão pessoal, não existisse leitor, não existisse editora séria, não existisse o mundo do livro, que - ufa, ainda bem! - é bem maior do que a província do plágio.

veja aqui a íntegra da matéria publicada pela folha de s.paulo.

imagem: pisando em ovos

27 de mai. de 2010

terra à vista


fiquei contente em saber que a estação liberdade está lançando um conto de duas cidades, de charles dickens, em tradução de débora landsberg.

em 1946, a josé olympio publicou a obra em tradução de berenice xavier, em sua coleção "fogos cruzados", com o título de uma história em duas cidades.

em 1963, saiu a tradução de enéias marzano pela vecchi, em sua coleção "as obras eternas", com o título de morrer por ela.

em 2002, a nova cultural lançou um conto de duas cidades, com tradução em nome de sandra luzia couto, na coleção "obras-primas", em parceria com a suzano celulose.

quando eu estava pesquisando essa coleção "obras-primas" da nova cultural, cheguei a examinar rapidamente sua edição de a tale of two cities. devo dizer que não desenvolvi a análise nem formei qualquer juízo definitivo a respeito. mas na época (isso foi em 2008) achei um pouco bizarro encontrar soluções na antiga tradução de berenice xavier (1) e na tradução em nome de sandra luzia couto (2) que eram muito próximas entre si, e ao mesmo tempo muito distantes do original de dickens. darei alguns exemplos só para ilustrar minha surpresa de então.

Chapter XXIV. Drawn to the Loadstone Rock
In such risings of fire and risings of sea—the firm earth shaken by the rushes of an angry ocean which had now no ebb, but was always on the flow, higher and higher, to the terror and wonder of the beholders on the shore—three years of tempest were consumed. Three more birthdays of little Lucie had been woven by the golden thread into the peaceful tissue of the life of her home.

(1) Capítulo XXIV. Atraído pelo abismo

Decorreram três anos de tempestade, três anos em meio das chamas devoradoras, das ondas furiosas e de estremecimentos da terra, convulsionada pela maré de um oceano que subia, subia para o terror dos que o contemplavam da praia. (aqui a tradutora abriu parágrafo.) Três aniversários da pequena Lucie acrescentaram-se aos fios de ouro com que Lucie Darnay tecia a vida tranquila do seu lar.

(2) Capítulo XXIV. Atraído pelo abismo

Foram três anos de tempestade. Três anos em que se ergueram chamas devoradoras e ondas furiosas de um mar bravio, em que a terra estremeceu, convulsionada pela maré de um oceano que subia e subia, para o terror de todos os que o contemplavam da praia. (aqui a tradutora abriu parágrafo.) Três aniversários da pequena Lucie somaram-se ao fio dourado com que Lucie Darnay tecia a vida serena do seu lar.

achei interessante notar em ambos os casos o acréscimo de "chamas devoradoras", "convulsionada pela maré de um oceano"; a repetição de "três anos"; a eliminação de "wonder", a eliminação do belo jogo "risings of fire and risings of sea"; da própria metáfora de que o fogo da revolução francesa consumed três anos (estamos agora em 1792); a inversão da ordem da frase; a criação de novo parágrafo; o sumiço da referência a "ebb". aqui, por exemplo, enéias marzano foi mais feliz: "... um oceano em fúria, que agora não tinha vazante, estando sempre de maré alta, mais e mais alta".

Many a night and many a day had its inmates listened to the echoes in the corner, with hearts that failed them when they heard the thronging feet. For, the footsteps had become to their minds as the footsteps of a people, tumultuous under a red flag and with their country declared in danger, changed into wild beasts, by terrible enchantment long persisted in.

(1) Muitas noites haviam passado os habitantes do recanto pacíficos dos ecos [?], escutando os rumores que os aterravam, pois não ignoravam que os passos que ouviam eram os de um povo em tumulto, sob uma bandeira vermelha, que declarava a pátria em perigo e que um encanto terrível havia transformado em feras.

(2) Os moradores do lugar de acústica prodigiosa [sic] haviam passado muitas noites escutando ecos assustadores, pois não ignoravam que os passos que lhes chegavam aos ouvidos eram os de um povo em tumulto, que, agindo sob uma bandeira vermelha, declarava a pátria em perigo e que, por obra de um terrível encantamento, se havia transformado em um bando de feras.

fiquei surpreendida com o inexplicável erro de entendimento do original, idêntico nas duas traduções, forçando a uma mesma mudança da própria estrutura sintática do trecho.

Monseigneur, as a class, had dissociated himself from the phenomenon of his not being appreciated: of his being so little wanted in France, as to incur considerable danger of receiving his dismissal from it, and this life together. Like the fabled rustic who raised the Devil with infinite pains, and was so terrified at the sight of him that he could ask the Enemy no question, but immediately fled; so, Monseigneur, after boldly reading the Lord's Prayer backwards for a great number of years, and performing many other potent spells for compelling the Evil One, no sooner beheld him in his terrors than he took to his noble heels.

(1) Sua excelência (tomado em sentido figurado, como classe) estava assombrada por ver que o seu país o queria tão pouco a ponto de não somente arrojá-lo do solo pátrio como também afastá-lo deste mundo. Como aquele camponês da fábula que depois de ter evocado o demônio com tanto trabalho ficou tão espantado que fugiu em vez de lhe fazer perguntas, sua excelência depois de ter lido durante tantos anos o livro de orações às avessas, e de valer-se de todos os encantamentos para obrigar o demônio a aparecer-lhe, mal o avistou ficou tão aterrorizado que deitou a correr.

(2) Monseigneur, tomado em sentido figurado, como classe, estava assombrado por ver que seu país o prezava tão pouco que não somente o arrojara do solo pátrio como também gostaria de expulsá-lo deste mundo. A exemplo daquele camponês da fábula que, depois de tanto trabalho para invocar o demônio, ficou tão espantado que fugiu em vez de lhe fazer perguntas, sua excelência, depois de ter lido durante tantos anos o livro de orações de trás para a frente, e de valer-se de todos os meios mágicos para obrigar o demônio a aparecer-lhe, mal o avistou ficou tão aterrorizado que deitou a correr.

algumas coincidências evidentes: acréscimo de "tomado em sentido figurado"; "assombrado" para "dissociated"; a perda da ironia em "noble heels"; um idêntico "deitou a correr"; problema de entendimento da primeira frase etc. note-se que a solução (2) oscila entre monseigneur e "sua excelência".

naquela época, assinalei várias passagens em minhas anotações de pesquisa, e transcrevo aqui um último exemplo:

Moreover, it was the spot to which such French intelligence as was most to be relied upon, came quickest. Again: Tellson's was a munificent house, and extended great liberality to old customers who had fallen from their high estate. Again: those nobles who had seen the coming storm in time, and anticipating plunder or confiscation, had made provident remittances to Tellson's, were always to be heard of there by their needy brethren.

(1) Além disso, era o lugar onde se tinha em mais consideração esses franceses, e o Tellson era um estabelecimento magnífico que mostrava grande liberalidade para com os antigos fregueses que haviam descido da sua elevada posição; ainda mais, alguns nobres prevendo o saque ou a confiscação dos seus bens, tinham colocado em Londres os seus fundos, desde os primeiros dias da tempestade.

(2) Aquele era o lugar que dispensava maior consideração a esses franceses, e, além disso, o Tellson era um estabelecimento magnífico, demonstrando grande liberalidade para com os antigos fregueses que haviam caído de sua elevada posição; mais ainda, alguns nobres, prevendo o saque ou a [sic] confisco de seus bens, tinham transferido seus fundos para Londres desde os primeiros dias da tempestade.

ambas tropeçam no sentido de "intelligence" e criam uma mesma solução manca para "it was the spot to which such French intelligence as was most to be relied upon, came quickest", que significa, bastante ao pé da letra, que o Banco Tellson era o lugar aonde as informações mais confiáveis sobre a França chegavam mais depressa. "magnífica" para munificent também é triste, e as duas traduções concordam em eliminar a referência a "were always to be heard of there by their needy brethren", levando a mais uma mudança forçada da sintaxe original. 

não há dúvida de que o lançamento da nova tradução a cargo de débora landsberg vem preencher uma lacuna importante.

26 de jan. de 2010

galeão coutinho plagiado

como vimos, galeão coutinho, a crer nos dados fornecidos pela editora itatiaia, teria tido sua tradução de zadig, de voltaire, despudoradamente copiada de fio a pavio por mario quintana. veja "mario quintana, plagiador?".

comentei que isso me parece uma sandice, e que a editora itatiaia, em minha opinião, está mostrando certa irresponsabilidade perante a situação em que tem colocado mario quintana desde 2004.

por outro lado, galeão coutinho foi plagiado, sim. sua tradução de werther de goethe, publicada pela livraria martins nos anos 40, foi copiada recentemente por duas editoras:

- pela editora martin claret, que atribuiu a pretensa tradução publicada em 2001 em sua coleção A Obra-Prima de Cada Autor ao assíduo pietro nassetti. veja "carlota tropical".

- pela editora nova cultural com patrocínio da suzano celulose, em 2002, que atribuiu a pretensa tradução publicada em sua coleção Obras-Primas a um fantasmagórico "alberto maximiliano". veja "goethe, werther".

torço vivamente para que a guardiã dos direitos e da memória de galeão coutinho tome as necessárias providências para proteger seu nome e sua obra. e que, diante do caso da itatiaia, ajude a deslindar a bizarria: se eventualmente dispuser de algum manuscrito ou qualquer indício sobre algum zadig traduzido por galeão coutinho, por favor traga a público.

imagem: traça

9 de dez. de 2009

(anti)referências bibliográficas

as obras estão classificadas por editoras, e entre parênteses constam os nomes a que vem indevidamente atribuída a autoria das traduções, em verdade da autoria de terceiros esbulhados.

ABRIL CULTURAL 
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)

BEST SELLER (selo do Grupo Record)
jane austen, orgulho e preconceito (enrico corvisieri)

BOITEMPO EDITORIAL
fedor dostoiewski, a árvore de natal de cristo (isa tavares)
istván mészáros, a teoria da alienação em marx (isa tavares)
máximo gorki, sonho de uma noite de natal (isa tavares)
perry anderson, as antinomias de gramsci (paulo césar castanheira)
perry anderson, nas trilhas do materialismo histórico (isa tavares)
slavoj zizek, lacrimae rerum (isa tavares)

BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)

CEDIC
dante alighieri, a divina comédia (anônimo)
edgar allan poe, contos e histórias (anônimo)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

CENTAURO
hitler, minha luta (klaus von puschen)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo ferreira frias/ hellen roballo)
marx, a questão judaica (silvio donizete chagas)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de farias/ peter klaus ivanov)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo ferreira frias)

CÍRCULO DO LIVRO
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoiévski, os irmãos karamázovi (enrico corvisieri)

CLUBE DO LIVRO
qualquer obra que traga nos créditos "tradução especial de xxx" ou "tradução feita por xxx especialmente para o clube do livro", em particular as que constam em nome de josé maria machado. vide aqui.

COLEÇÃO FOLHA "LIVROS QUE MUDARAM O MUNDO"
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
karl marx, o capital (ed. condensada) (além de problemas na atribuição de tradução, há falsa atribuição de autoria do próprio original - o autor é gabriel deville, e a obra se chama o capital de karl marx)
rené descartes, discurso sobre o método e princípios da filosofia (volume duplo - desrecomendada por problemas de atribuição de tradução especificamente a segunda obra, princípios de filosofia)

CULTRIX
edgar allan poe, "o escaravelho de ouro" in histórias extraordinárias (josé paulo paes)

DERIVA
albert camus, os justos (robson dos santos)
bertold [sic] brecht, o casamento do pequeno burguês (césar santos)
jean genet, as criadas (roberto medeiros porto)
jean-paul sartre, entre quatro paredes (roberto de almeida)
[ver a retratação da editora aqui]

EDIBOLSO (extinta)
edgar allan poe, histórias extraordinárias (sandro pivatto; luiza lobo)

EDIOURO
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (eduardo nunes fonseca e jonas camargo leite)

ESCALA
nietzsche, assim falava zaratustra (ciro mioranza)

GERMAPE (extinta)
edgar allan poe, contos e histórias (henry dualib - cf. fbn/isbn)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

GERMINAL
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
g. k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
goncharov, oblomov (juliana borges)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)
isaac b. singer, o escravo (juliana borges)

outros títulos lançados pela germinal, que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança são:
arthur koestler, ladrões na noite (juliana borges)
arthur koestler, o iogue e o comissário (não descobri)
arthur koestler, chegada e partida (juliana borges)
saul bellow, a vítima (juliana borges)
james agee, morte na família (juliana borges)
gustave glotz, história econômica da grécia (vera lúcia rodrigues)
sinclair lewis, o nobre senhor kingsblood (juliana borges)
fenimore cooper, o último dos moicanos (vera lúcia rodrigues)
gustave flaubert, salambô (não descobri)
luigi pirandello, a excluída (wilson hilário borges)
ver aqui

H. GARNIER
charles dickens, as aventuras do sr. pickwick (k. d'avellar)
edgar allan poe, novellas extraordinarias ("traducção brasileira")

outros títulos que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança, são todos os que trazem créditos de tradução em nome de "k. d'avellar", "r. d'avellar" e suas variantes com um "l" só.

HEMUS (atualmente, selo da Editora Leopardo)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
descartes, princípios de filosofia (torrieri guimarães)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
nietzsche, assim falava zaratustra (eduardo nunes fonseca)
omar khayamm, rubaiyat (torrieri guimarães)

ÍCONE
hegel, princípios da filosofia do direito (norberto de paula lima)

ITATIAIA
charlotte brontë, jane eyre (waldemar rodrigues de oliveira)
voltaire, zadig (galeão coutinho, em espantosa difamação de um intelectual sério e respeitável)

JARDIM DOS LIVROS (atualmente, selo do Grupo Geração)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)

LANDMARK
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)
jane austen, persuasão (fábio cyrino)

MADRAS
charles darwin, a origem das espécies *
flavius josephus, seleções *
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás *
marco aurélio, meditações *
nietzsche, a origem da tragédia**

* atualizado em 10/12/2009: ver informe ; atualizado em 14/12/2009: ver solicitação ; atualizado em 15/12/2009: ver comunicado
** atualizado em 21/08/2010: ver comunicado

MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)
bocage, sonetos (pietro massetti)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)

obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.

MARTIN CLARET - "tradutores" sortidos
[há vários casos de discrepância entre o registro no isbn/fbn e o exemplar impresso]
aristófanes, lisístrata e as vespas (john green)
ch. dickens, cântico de natal (john green)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
d.h. lawrence, o amante de lady chatterley (jean melville, isbn/ jorge luís penha, edição impressa)
darwin, a origem das espécies (john green)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)

MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivo [idem; em alguns casos, inclusive, constam apenas na FBN/ISBN]
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
anônimo, tristão e isolda (alex marins)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
cícero, dos deveres (alex marins)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
durkheim, o suicídio (alex marins)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
freud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
gide, acuso (jean melville)
gitanjali (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
jack london, martin eden (jean melville)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
kierkegaard, diário de um sedutor (jean melville)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
o livro de jó (alex marins)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
petrônio, satíricon (alex marins)
platão, a república (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
platão, fedro (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
santo agostinho, confissões (alex marins)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
shakespeare, macbeth (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)

obs.: por ocasião das providências citadas na obs. anterior, a editora martin claret procedeu a retificações adicionais que não haviam sido solicitadas na petição ao ministério público federal. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.

MORAES (extinta)
hitler, minha luta (não consta)
marx, a questão judaica (não consta)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de faria)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)

NOVA CULTURAL - Coleção Imortais da Literatura Universal
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (maria cristina f. da silva)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)

NOVA CULTURAL - Coleção Obras-Primas
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (gisele donat soares)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
émile zola, naná (roberto valeriano)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
goethe, werther (alberto maximiliano)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
louisa may alcott, mulherzinhas (vera maria marques martins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)

NOVA CULTURAL - Coleção Os Pensadores
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)

PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)

RECORD *
charles webb, a primeira noite de um homem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico e amante (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, um médico diferente (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, dilema de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médicos em conflito (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, mulheres de médicos (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, o fim da viagem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, impasse de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, heroísmo de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, consciência de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico astronauta (nelson rodrigues)
frederic raphael, darling (nelson rodrigues)
harold robbins, o garanhão (nelson rodrigues)
harold robbins, os libertinos (nelson rodrigues)
harold robbins, escândalo na sociedade (nelson rodrigues)
harold robbins, os implacáveis (nelson rodrigues)
harold robbins, o indomável (nelson rodrigues)
harold robbins, os insaciáveis (2 vols.) (nelson rodrigues)
harold robbins, 79 park avenue (nelson rodrigues)
harold robbins, uma prece para danny fischer (nelson rodrigues)
harold robbins, stiletto (nelson rodrigues)
harold robbins, o machão (nelson rodrigues)
harold robbins, a mulher só (nelson rodrigues)
harold robbins, os sonhos morrem primeiro (nelson rodrigues)
harold robbins, os herdeiros (nelson rodrigues)
harold robbins, ninguém é de ninguém (nelson rodrigues)
henry sutton, a exibicionista (nelson rodrigues)
hugh atkinson, os jogos proibidos (nelson rodrigues)
morton cooper, o rei devasso (nelson rodrigues)
polly adler, uma certa casa suspeita (nelson rodrigues)

* vários destes títulos saíram também pela abril cultural, círculo do livro e nova cultural. alguns foram lançados inicialmente pelo selo livraria eldorado, da própria record. 

RIDEEL
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Clássica* (coleção extinta)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Sherlock Holmes* (coleção extinta)


RIDEEL - Coleção Biblioteca O Melhor de Shakespeare* (coleção extinta)

* excepcionalmente, sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualizado em 25/4/10: ver também rideel, retratação.

RUSSELL
francesco carnelutti, arte do direito (ricardo rodrigues gama)
ferdinand lassalle, o que é uma constituição? (ricardo rodrigues gama)
von ihering, a luta pelo direito (ricardo rodrigues gama)

SAPIENZA (extinta)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)

atualizado em 23/10/2011; 27/11/2011; 12/04/2012; 13/05/2012; 27/05/2012; 09/08/2012; 24/08/2015; 17/09/2015; 19/04/2017
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