
o pobre werther de galeão coutinho já havia caído nas garras da nova cultural, em sua coleção "obras-primas" patrocinada pela suzano celulose.
a pseudoeditora martin claret, cuja única ou principal atividade parece consistir em copiar o já feito, seguiu o exemplo da nova cultural e surripiou, também ela, a tradução de galeão coutinho.
o plágio na nova cultural vinha em nome de um tal alberto maximiliano, e era praticamente literal, de fio a pavio.
o surripio na martin claret vem em nome do inefável peter von nassetten, e mostra um vão empenho copidescatório que, aliás, apenas reforça a malandrice ishperta da edição.*
* a situação desse werther na fbn/isbn é meio confusa: além de não dar nome de tradutor, ele consta como vol. 43 da coleção "a obra-prima de cada autor", sendo que no exemplar impresso consta como vol. 51.
b. peter von nassetten (martinus klaretten)
a. junho, 16
[...] - quando eu era mais jovem - disse-me ela -, nada me fascinava tanto como os romances. só deus sabe quanto eu me sentia feliz, aos domingos, recolhendo-me a um cantinho para participar, de todo o coração, da felicidade ou do infortúnio de qualquer srta. jenny. não nego que esse gênero de leitura ainda encerra algum encanto para mim; acontece, porém, que são tão raras as vezes em que posso agora abrir um livro, que me tornei mais exigente na escolha. o autor que eu prefiro é aquele onde eu encontro meu mundo costumeiro e os incidentes comuns no meu círculo de relações, de sorte que sua narrativa me inspire um interesse tão cordial como o que acho na minha vida doméstica, a qual, embora não seja um paraíso, me oferece uma fonte de felicidade inexprimível.
esforcei-me, debalde, por abafar a emoção que essas palavras me produziram. quando ela se referiu, de passagem, ao vigário de wakefield, de ...*, com tanta verdade, não me contive e disse-lhe tudo quanto a respeito eu pensava. só ao cabo de algum tempo, ao dirigir-se carlota, novamente, às outras duas damas, percebi que ambas, arregalando muito os olhos, tinham estado até ali inteiramente alheias à nossa conversa. a prima olhou-me por mais de uma vez com um ar de troça, mas não liguei importância.
a conversa recaiu sobre o prazer da dança.
- se essa paixão é um crime - disse carlota -, não posso ocultá-lo; para mim, não há nada melhor do que a dança. se alguma coisa perturba a minha cabeça, é só sentar-me ao meu cravo desafinado e martelar uma contradança, e está tudo acabado! (pp. 304-305)
* aqui, também, suprimimos o nome de vários escritores do nosso país. se alguns daqueles a quem são endereçados os elogios de carlota chegarem a ler esta passagem, serão com certeza advertidos pelo próprio coração. quanto aos demais, nada têm a ver com isso.
b. 16 de junho
[...] - quando eu era mais jovem - disse ela -, nada me fascinava tanto como os romances. só deus sabe o quanto eu me sentia feliz, aos domingos, recolhendo-me a um cantinho para compartilhar, de todo o coração, da felicidade ou das desventuras da srta. jenny. não nego que esse gênero de leitura ainda tenha algum encanto para mim; como agora, porém, são tão raras as vezes em que posso abrir um livro, tornei-me mais exigente na escolha. o autor que eu prefiro é aquele em que reconheço o mundo e os incidentes comuns no meu círculo de relações, tornando a história tão interessante e terna quanto a minha vida doméstica, que, embora não seja um paraíso, é para mim fonte de felicidade inexprimível.
esforcei-me para ocultar a emoção que essas palavras me produziram. quando ela se referiu, de passagem, ao vigário de wakefield, de ...*, com tanta verdade, não me contive e disse-lhe tudo o que pensava a respeito. só ao cabo de algum tempo, ao dirigir-se lotte novamente às outras duas damas, percebi que ambas, arregalando muito os olhos, tinham estado até ali inteiramente alheias à nossa conversa. a prima olhou-me por mais de uma vez com um ar zombeteiro, mas não dei importância.
a conversa recaiu sobre o prazer da dança.
- se essa paixão é um crime - disse lotte - não posso ocultá-lo; para mim, não há nada melhor do que a dança. se alguma coisa perturba a minha cabeça, é só sentar-me ao meu cravo desafinado e martelar uma contradança, e tudo volta ao normal! (pp. 26-27)
* novamente suprimimos o nome de vários de nossos escritores . se alguns daqueles a quem são endereçados os elogios de lotte chegarem a ler essa passagem, acharão seu nome no próprio coração. quanto aos demais, nada têm a ver com isso.
quem quiser contribuir com o vandalismo intelectual, encontra a carlota abaixo do equador nos usuais valhacoutos dos ishpertos: saraiva, curitiba, cultura, fnac, americanas, travessa - todos garbosa e solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude, nos termos do artigo 104, capítulo II do título VII da lei 9.610/98.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
imagem: assinatura de goethe, www.dw-world.de
Denise, parabéns pelo trabalho primoroso. Cada vez que entro aqui fico mais admirada e gratificada com o seu cuidado. Desde os pequenos detalhes como palavras e referências até o grande trabalho de pesquisa. Obrigada também pela visita carinhosa ao meu blog, significou muito para mim.
ResponderExcluirAbraços