13 de fev de 2009

pensadores, xenofonte I

xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates
1. trad. líbero rangel de andrade, abril cultural sob licença (a partir da trad. francesa de eugène talbot)
2. "trad." mirtes coscodai, nova cultural, "direitos exclusivos"

1. líbero rangel de andrade

pp. 59-6o:
A que testemunho, afinal, recorreram para provar que ele não honrava os deuses do Estado; se fazia sacrifícios freqüentes às abertas, ora em sua casa, ora nos altares públicos; se praceiramente recorria à arte divinatória? Corria a voz, ateada pelo próprio Sócrates, de que o inspirava um demônio[1]: eis, sem dúvida, por que o criminaram de introduzir extravagâncias demoníacas. No entanto, não introduzia ele mais novidades do que todos aqueles que crêem na adivinhação e interrogam o vôo das aves, as vozes, os signos e as entranhas das vítimas: não supõem nas aves nem naqueles com que se encontram o conhecimento do que buscam, mas acreditam que por seu intermédio lho revelam os deuses; Sócrates também pensava o mesmo. Diz o vulgo que as aves e os encontros nos advertem se devemos prosseguir ou retroceder no que temos de olho: Sócrates falava o que sentia, dizendo-se inspirado por um demônio. E de acordo com as revelações desse demônio aconselhava aos amigos o fazer certas coisas, o abster-se de outras. Só tinham a ganhar os que o ouviam. Arrependiam-se os que nele não acreditavam. Claro que não havia de querer passar por imbecil nem por impostor aos olhos de seus discípulos. E imbecil e impostor ter-se-ia tornado, se predissesse coisas como reveladas por um deus e em seguida fosse desmentido. Evidente, portanto, é que se absteria de predizer caso não estivesse certo de falar verdade. Ora, o que lhe inspiraria esta certeza senão um deus? E se tinha fé nos deuses, como poderia negar-lhes a existência?
[1] - Demônio: gênio bom ou divindade, e não o sentido posterior de gênio do mal. (N. do E.)

p. 70:
Mas Sócrates — diz seu acusador — destruía nas crianças o respeito filial, convencendo seus discípulos de que os tornava mais hábeis que seus pais, dizendo-lhes que a lei permite encarcerar o pai convicto de loucura, para provar o que dizia que ao homem instruído assiste o direito de encadear o ignorante. Longe disso, achava Sócrates que o indivíduo que sob capa de ignorância acorrentasse outro, merecia ser acorrentado a seu turno pelo primeiro que soubesse mais que ele. Eis por que examinava de cotio em que difere a ignorância da loucura, parecen-do-lhe não se proceder erradamente encarcerando os loucos — em seu próprio interesse e de seus amigos — ao passo que os ignorantes devem aprender o de que necessitam da boca dos que sabem.
p. 80:
"[...] Não é um dever, para todo aquele que saiba ser a temperança o cimento da virtude, o encastoá-la antes de tudo na própria alma? Sem ela, como discernir o bem e praticá-lo dignamente? O escravo das próprias paixões não degrada vergonhosamente o corpo e o espírito? Parece-me, por Juno!, que todo homem livre deve pedir aos deuses não venha a ter um escravo tal, e todo escravo das próprias paixões encontre bons senhores; do contrário estará perdido". Eis o que dizia, e suas ações mais que suas palavras testemunhavam sua temperança: sobranceiro não somente aos prazeres dos sentidos como também ao que busca a riqueza, achava que receber dinheiro do primeiro que aparece é comprar um senhor e sujeitar-se à mais ignominiosa servidão.



2. mirtes coscodai

p. 79:
A que testemunho, afinal, recorreram para provar que ele não honrava os deuses do Estado; se fazia sacrifícios freqüentes às abertas, ora em sua casa, ora nos altares públicos; se praceiramente recorria à arte divinatória? Corria a voz, ateada pelo próprio Sócrates, de que o inspirava um demônio: eis, sem dúvida, por que o culparam de introduzir extravagâncias demoníacas. Contudo, não introduzia ele mais novidades do que todos aqueles que acreditam na adivinhação e interrogam o vôo das aves, as vozes, os signos e as entranhas das vítimas: não supõem nas aves nem naqueles com que se encontram o conhecimento do que buscam, mas crêem que por seu intermédio lho revelam os deuses; Sócrates também pensava o mesmo. Diz o vulgo que as aves e os encontros nos advertem se devemos prosseguir ou retroceder no que temos de olho: Sócrates falava o que sentia, dizendo-se inspirado por um demônio. E de acordo com as revelações desse demônio aconselhava aos amigos o fazer certas coisas, o abster-se de outras. Só tinham a ganhar os que ouviam. Arrependiam-se os que nele não acreditavam. Claro que não havia de querer passar por imbecil nem por impostor aos olhos de seus discípulos. E imbecil e impostor ter-se-ia tornado, se predissesse coisas como reveladas por um deus e em seguida fosse desmentido. Evidente, então, é que se absteria de predizer caso não estivesse certo de falar verdade. Ora, o que lhe inspiraria esta certeza senão um deus? E se tinha fé nos deuses, como poderia negar-lhes a existência?

pp. 94-95:
Mas Sócrates — diz seu acusador — destruía nas crianças o respeito filial, convencendo seus discípulos de que os tornava mais hábeis que seus pais, dizendo-lhes que a lei permite encarcerar o pai convicto de loucura, para provar o que dizia que ao homem instruído assiste o direito de encadear o ignorante. Longe disso, julgava Sócrates que o indivíduo que sob capa de ignorância acorrentasse outro, merecia ser acorrentado a seu turno pelo primeiro que soubesse mais que ele. Eis por que examinava cotidianamente em que difere a ignorância da loucura, parecen-do-lhe não se agir erradamente encarcerando os loucos, em seu próprio interesse e de seus amigos, ao passo que os ignorantes devem aprender o de que necessitam da boca dos que sabem.

p. 110:
"[...] Não é um dever, para todo aquele que saiba ser a temperança o cimento da virtude, o engastá-la antes de tudo na própria alma? Sem ela, como distinguir o bem e praticá-lo dignamente? O escravo das próprias paixões não degrada vergonhosamente o corpo e o espírito? Parece-me, por Juno!, que todo homem livre deve pedir aos deuses não venha a possuir um escravo tal, e todo escravo das próprias paixões encontre bons senhores; do contrário estará perdido". Eis o que dizia, e seus atos mais que suas palavras testemunhavam sua temperança: superior não apenas aos prazeres dos sentidos como também ao que busca a riqueza, achava que receber dinheiro do primeiro que aparece é comprar um senhor e sujeitar-se à mais vergonhosa servidão.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagem: www.famousplagiarists.com

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